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terça-feira, setembro 10, 2013

Coisas pelas quais vale a pena andar à pancada.

Ontem principiei uma discussão com um amigo e estamos para marcar um duelo. Motivo? Do alto do meu bom senso, afirmei que Mário de Carvalho é o melhor escritor português vivo, ao passo que o desgraçado do filisteu do meu amigo, se é que posso chamar gente desta de "amigo", disse que não, não é nada.

Discórdia desta tem de acabar à paulada. Não se admite que um bárbaro brinque com coisas sérias. Civilizado como sou, pedi para que fosse ele a marcar o lugar e a hora, e ainda o deixei escolher armas primeiro. Sou assim: ele começa, mas sou eu quem vai acabar com esta história!

Muitos podem ver nisto um manifesto exagero. Então dois indivíduos adultos andam à porrada só por causa de diferendos literários?! Mas não há exagero algum. Se há coisas pelas quais vale a pena andar à mocada, são divergências em termos de gostos. Quê, acham melhor inventar guerras por causa do petróleo? O petróleo é uma cena que cheira mal, é peganhenta é dá um trabalho do caraças a limpar. Quem anda às turras por causa disto, não bate bem da tola.

Outras coisas pelas quais vale a pena lutar: opiniões sobre gajas (tipo: "Ah, a coisinha é mais grossa do que a fulaninha", "Ah, não é nada", "Ai não? Queres andar já ao soco?"). Prestações desportivas ("Ah, o Sporting é melhor que o Benfica e o Porto juntos", "Ah, não é nada", "Ai não? Deixa-me ir ali buscar a minha bazuca e já conversamos melhor"). Sabores de gelados. Face a isto, disputas por recursos e por territórios são coisas, digamos, comezinhas. Digam lá se não tenho razão.

(aviso já que, se disserem que não tenho, isso é coisa para andarmos já todos aqui à batatada. Portanto, tomem juízo).