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quarta-feira, fevereiro 18, 2009

NOTÍCIA: O autor deste blogue foi violentamente atacado em casa pela sua legítima

Já passei por momentos de puro terror na minha vida. Episódios que fariam qualquer Schwarzenegger cagar-se pelas calças, mas que a mim só provocaram ataques espasmódicos de diarreia. Recordo-me, por exemplo, daquele dia (corria o ano de 1994) em que o Sporting perdeu 3 a 6 com o Benfica. Fiquei sem pregar olho durante duas semanas, tal o impacto que aquele holocausto em forma de jogo de futebol teve em mim. Pior ainda foi quando vi, escarrapachada na primeira página de um jornal, a fotografia do Alberto João Jardim em cuecas. Fiquei sem respirar durante vários segundos, e só não caí redondo no chão porque o dono do quiosque, reparando na minha apoplexia, teve o bom senso de virar o jornal ao contrário, salvando-me assim a vida. Mais recentemente, o meu corpo respondeu com pontadas fortes no coração (medo puro!!!) ao anúncio, em 2005, de que o Mário Soares seria candidato às Presidenciais do ano seguinte... e que o Louçã também!

Mas nada, nada do que eu já experienciei se compara ao que fui sujeito ontem. Só de pensar nisso, tremo. Sinto, dentro de mim, que jamais recuperarei de tal flagelo. Sinto, dentro de mim, que ficarei eternamente marcado. E sinto, dentro de mim, que o Sporting vai ser campeão, mas mesmo isso não bastará para apaziguar o meu inquieto e perturbado espírito.

Espero, pois, que os leitores deste post se preparem. O que irei relatar constitui, sem sombra de dúvida, a narração mais horrível de todos os tempos. Se acharem que não possuem estômago, é preferível abandonar a leitura já aqui. Não me responsabilizo por danos psicológicos, físicos, morais, filosóficos, culinários, sexuais, desportivos, políticos ou de qualquer outro género que possam vir a ser provocados por este texto.

Esclarecido isto, cá vai. A partir daqui, estão por vossa conta e risco. Não digam que não avisei...

Todas as histórias de terror têm um início pueril, quando não efectivamente feliz. A história que ora se conta não é excepção. Ela começa bem. Muito bem, aliás. Começa comigo sentado no sofá da sala, a ver pela quinquagésima milésima segunda vez o Carne, com a ultraboazona da Francesca Dellera. Nisto, chega-me uma voz melíflua aos ouvidos... era a minha gaja:
-Amorzito - cantava ela, qual sereia maldita - Anda cá, tenho uma coisa para ti! - continuou.
- O que é? - perguntei, curioso, ao mesmo tempo que me levantava do sofá.
- Ah, vem cá e já vês.
O pedido, feito sempre naquele tom doce e lânguido, convenceu-me. Desliguei o dvd e segui, qual caçador seguindo a presa, a música que flutuava das palavras da minha gaja. [pausa: fónix, que metáfora tão estúpida e pirosa... parece que ando a aprender a escrever com a Margarida Rebelo Pinto!]
- Estou aqui! - diz-me ela. Mas eu não estava preparado para aquela visão.
(continua amanhã)