sexta-feira, julho 21, 2006

A dieta do Eterno Retorno



Will to Power Bar

When your Wille zur macht is a flagging or you're just a little tired of transvaluating all values, these will help! These bars, like other 'energy bars' are packed with protein, vitamins and chocolatey goodness. Whether you’re philosophizing with a hammer, or just trying to get through your day, these will help.

The Unemployed Philosophers Guild

The Philosopher's Zone

At its heart, philosophy is about asking simple, even silly, questions: the sort of questions you probably asked when you were a kid. What's it all about? Why is there something rather than nothing? Does time stretch infinitely backwards as well as infinitely forward? Sometimes, these simple questions have complex answers, and The Philosopher's Zone is your guide through the strange thickets of logic, metaphysics and ethics.

But as well as looking at the world of philosophy, The Philosopher's Zone will also look at the world through philosophy. Today fundamental and perplexing issues - risk assessment, bio-technology, our relations with animals, relations between cultures, the question whether a society can be open, tolerant and, at the same time, secure and the Zone will look at what philosophical analysis can contribute to our understanding of these issues.

sábado, julho 15, 2006

sexta-feira, junho 30, 2006

A freshman college student asked his grade advisor what he should study. "Logic," was the answer.
"What is logic?"
"Logic enables one to deduce certain facts from others. For example, do you have a lawn mower?"
"Yes."
"From which I conclude that you have a lawn."
"Yes, I have a lawn."
"From which, I take it, you have a house."
"Yes, I have a house."
"Then you are married."
"Yes, I have a wife."
"And children?"
"Yes, I have children."
"From which I conclude that you are a heterosexual male."
"I am indeed a heterosexual male. Gee, this logic is amazing! From the fact that I have a lawn mower, you could deduce that I am an heterosexual male. Remarkable!"
As would happen, later the student met in the hall another student whom he knew and told him that he should study logic.
"What is that?" the friend asked.
"It enables you to deduce one proposition from another. For example, do you have a lawn mower?"
The friend replied, "No." The student then said, "You faggot!"

segunda-feira, junho 26, 2006

quarta-feira, junho 21, 2006

Last year, Technology Review announced a $20,000 prize for any molecular biologist who could demonstrate that a much-publicized prescription for defeating aging by biogerontologist Aubrey de Grey was "so wrong that it was unworthy of learned debate." The purpose of the challenge was to determine whether de Grey's proposals, called SENS (for Strategies for Engineered Negligible Senescence), were science or fantasy. Here are the three submissions that qualified for consideration according to the terms of the challenge.
The Prophet of ImmortalityControversial theorist Aubrey de Grey insists that we are within reach of an engineered cure for aging. Are you prepared to live forever?
Dear Rousseau:

I am a receptionist. When people call the company I work for, they always either expect that I know everything or nothing. (And so they are always wrong.) And they are so rarely polite, and have quite obviously so rarely given any thought to what it takes to do my job, or what they would really have to say to me to enable me to help them in a swift and effective manner, that it makes me wonder: why? What makes them behave so irrationally?

—At Their Service


Dear Service:

When someone has been brought up to command others, everything conspires to rob him of justice and reason. Great pains are taken, we are told, to teach young princes the art of ruling; but it does not appear that this education does them any good. It would be better to begin by teaching them the art of obeying. The greatest kings known to history were not among those brought up to rule, for ruling is a science that is least well mastered by too much practice; it is one a man learns better in obeying than commanding. As Tacitus would have it, Nam utilissimus idem ac brevissimus bonarum malarumque rerum delectus, cogitare quid aut nolueris sub alio Principe aut volueris. [The best as well as the shortest way to find out what is good and what is bad is to consider what you would have wished to happen if someone other than yourself had been Prince.] If those higher up always imagined themselves trading places with those less “high,” the world could be a different place.

Yours truly,
Jean-Jacques Rousseau

h2so4

segunda-feira, junho 12, 2006

Summa theologiae

Let's face it. Evil is running rampant. Terrorists strike without warning. Corporate executives defraud the public and their own employees. Politicians tear apart the fabric of national unity for their own agendas. Popular culture has become a banal river of unadulterated trash, a "hellmouth" slowly dumbing down our sense of reality. The people are paralyzed by indecision, ennui or terminal cynicism.
Meanwhile, the ozone layer is perforated, glaciers are melting, and crazies set wildfires that denude the landscape. While Generation X passes the baton to Generation Y, adolescence is still hell, AND THERE'S ONLY ONE LETTER LEFT!
We need someone who can not only deconstruct the problem of evil, but kick it's hiney; someone with a preternatural sense of comic timing and an eye for fashion.
We need Buffy.

terça-feira, junho 06, 2006

quarta-feira, maio 31, 2006

terça-feira, maio 30, 2006

domingo, maio 28, 2006

quarta-feira, maio 24, 2006

Two professors at a logic conference stand in front of a blackboard, on which is written the sentence "Only an idiot would believe a sentence like this!" The first professor asks the second, "Do you believe that?" The second answers, "Of course not! Only an idiot would believe a sentence like this!"

domingo, maio 21, 2006

Confessions

(...)and i said "Dear God could you tell me what's wrong with the world?"; The answer was: "My son please try again later. God is dead right now but the Super-Man should be awakening at any moment now. Thank you so much. Nietzsche"
CP

terça-feira, maio 16, 2006

Ali G entrevista Noam Chomsky

O central de todos os portugueses


"Vou fazer aos adversários aquilo que fiz ao meu barbeiro. Já agora, gostam das minhas orelhas? Bonitas, não são? Se a minha prestação no Mundial for fraca, acham que consigo arranjar trabalho como duplo do Dumbo?"

Ricardo Costa, comentando à RTP o facto de ter sido convocado por Luís Felipe Scolari para o Mundial 2006:

"O mister Scolari sabe bem o que eu VALO."

Rapaz, não é por nada, mas olha que não deves VALHER lá grande coisa...

Eterno Entorno,
em directo para o Grande Concurso Nacional de Língua Portuguesa

domingo, maio 14, 2006

Dúvida Ontológica

Ao ouvir o relato da final da Taça de Portugal, "dei de caras" com a seguinte frase: "Fulano igual a si mesmo!". Impõe-se a questão: mas afinal fulano poderá não ser igual a si mesmo? É que, caso fulano for igual a outro fulano que não ele, então fulano não será mais fulano mas uma cópia de outro fulano...
Estranho...muito estranho!
CP

Nowhere Man



Free File Hosting at Bolt

Aristoxena

sábado, maio 13, 2006

Série "Grandes Diálogos Urbanos" ( II ) ?

Este diálogo inclui a participação da minha perplexa pessoa . Aconteceu na zona de restauração das galerias do Chiado, à hora de almoço, a difícil hora de almoço ...

« - Desculpe, esta cadeira está livre ? Posso levá-la ?
- Bem ... (mirou-me de alto a baixo) ... Ela ocupada não está, mas ... se ma tirar... vou ter de pôr a carteira no chão, não é ?!? »


Eu levei a cadeira .



By Aristoxena (o regresso)

A Filosofia e o Espelho da Natureza

"Fiquei giro nesta capa, não fiquei? Se o livro não vender, a culpa é da editora, das livrarias, dos livreiros e do público português."

Como reconhecer um filósofo (?!) português:

1 - É um recalcado.
2 - É um ressentido.
3 - Nunca tem culpa de nada.
4 - Joga a culpa sempre nos outros.
5 - Adora autopromover-se.
6 - Prefere perder tempo a escrever livros idiotas ao invés de perder tempo a ter sexo com a mulher.
7 - É militante de um partido político.
8 - Usa sempre o termo "verdade" num sentido pós-pragmatista e pós-tarskista, mas não sabe o que isso significa.
9 - Não aperta a mão a ninguém.
10 - Considera o imperativo categórico kantiano apenas como "uma coisa esquisita e incompreensível" saída da pena do filósofo de Konigsberg.
11 - Não tem ética.
12 - Não tem moral.
13 - Não tem vergonha na cara.
14 - Não tem coerência.
15 - Tem uma mulher muita boa, mas nem isso lhe vale.

Eterno Entorno, um tipo que não é filósofo,
não é português, não é o Carrilho
e também não é a Bárbara Guimarães,
mas não se importava de ser caso
lhe dessem um vestido giro e umas mamocas grandes


P.S.: Este post foi escrito sob a influência mafiosa e cabalista da Sic-Notícias, do PSD, dos assessores de campanha, dos contabilistas butaneses, da equipa de futebol do Vitória de Guimarães, da célula liechtensteiniana da Al-Qaeda, do bigode do Artur Jorge, do ex-bigode do António Guterres, do prepúcio do Jorge Ritto e do mamilo direito da mama esquerda da prima do lado do tio-avô da Monica Bellucci. É bom que acreditem em mim, caso contrário vou já ali e escrevo um livro!

quinta-feira, maio 04, 2006

Encontrado Eterno Entorno mas em....espanhol?

Pois é... se não acreditam aqui está o link: El fin del mundo del fin

Tens muito que explicar pá!!
CP

domingo, abril 30, 2006

Série "Grandes Diálogos Urbanos"

Transcrevo este breve excerto de um diálogo levado a cabo recentemente numa capital qualquer do nosso país:

"— Ouve lá, porque é que vais por aí? Pelo outro lado é muito melhor!!!!
— Não é nada, por aqui é muito mais perto.
— Mas aí cheira a mijo!!!
— Aqui a meio da rua já não cheira!
— Pronto, está bem..."

Juro que não percebi...

Eterno Entorno

quarta-feira, abril 19, 2006

Cursos

Ahh que boas memórias guardo do dia em que disse ao meu pai que ia mudar de curso e que ia tirar o curso de filosofia! Boas memórias...até ele perceber que eu estava a falar a sério!
CP

quarta-feira, abril 05, 2006

Feixe Filosófico

Talvez seja uma boa ideia: feixe filosófico.

quinta-feira, março 02, 2006

quarta-feira, março 01, 2006

Getting Physical

Late last year, researchers in England published a study purporting to establish a link between creative output and number of sexual partners. As the lead author (under)stated, “Creative people are often considered to be very attractive and get lots of attention as a result.”
The theoretical physicists of the 20th century were no exception. Promiscuous chasers by profession, physicists ever-pursue objects that lie partially hidden to the immediate senses, but are evidently there behind nature’s many layers. The best physicists are able to tease a peek beneath all that partially-covered exterior, as any pickup artist would: with a mix of cleverness and straightforward arrogance. This is hardly just simple metaphor; for many of the greatest physicists, this libertine modus operandi also fueled their private lives.

Marvin Minsky

domingo, fevereiro 26, 2006

Francis Picabia


"Notre tête est ronde pour permettre la pensée de changer de direction." - Francis Picabia

sexta-feira, fevereiro 24, 2006

Virgin Megastore

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Meta-anedota


Correndo o risco de já fartar com o Kripke, aqui vai mais uma.

He had a tendency to rock to and fro all the time and was a notoriously messy eater, a dispenser of crumbs to his neighbors at the table. There are many anedoctes about Kripke's eccentricities, but the one I like the best goes as follows. At a conference a group of philosophers were playing guitars and singing folk songs after the formal sessions were over. They asked Kripke to join in and he replied, "If anyone else did, that would be the end of it, but if I do, it will be just another Kripke anedocte." (This is what we philosophers call technically a "meta anecdote.")
in Colin McGinn, "The Making of a Philosopher"
Já agora, recomendo o livro do McGinn. É uma espécie de introdução à filosofia no formato de autobiografia intelectual. Gosto do livro sobretudo pela sua última característica. McGinn apresenta-se como um gajo normal que é filósofo, algo que não é muito normal entre filósofos. Não o serem gajos normais, mas o apresentarem-se como tal.
Cão

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Transformers

Lembram-se dos Transformers?

domingo, fevereiro 19, 2006

Para quem quiser ir experimentando, para ver se fica bem


Eis uma ferramenta útil.

O humor é uma coisa muito séria...


Nietzsche dizia: "Não acredito num Deus que não saiba dançar!" Já eu digo: "Recuso pertencer a uma religião que não tem sentido de humor!"
Um aviso aos dirigentes e terroristas islâmicos: Pá, vão chatear os americanos e deixem a bonecada em paz. Excepto o Bush, claro!

(Qualquer acto de violência cometido contra este blogue será da exclusiva responsabilidade do Jyllendes-Posten)

Eterno Entorno

domingo, fevereiro 12, 2006

A solução

Primeiro enviamos a caixa com um cadeado. A outra pessoa recebe a caixa e coloca-lhe mais um cadeado. Reenvia a caixa para nós e quando a recebemos tiramos o primeiro cadeado. Voltamos a enviar à outra pessoa, agora só com o cadeado que ela lhe colocou. Quando esta recebe a caixa pela segunda vez, só tem de abrir esse cadeado. E pronto: é garantido que mais ninguém consegue abrir a caixa, o que possibilita enviar o conteúdo em segurança. Engenhoso, não? Confesso que não consegui resolvê-lo sozinho e tive esperar que alguém me explicásse a solução. Ao que parece foi usando este mesmo princípio que se começaram a fazer transferências de dados importantes pela net.

sábado, fevereiro 11, 2006

Uma pista

Se é que alguém continua a ler este blog depois do Eterno Retorno ter deixado de aqui escrever com regularidade, e se é que alguém está a tentar resolver o quebra-cabeças, aqui vai uma pista: a solução passa por utilizar mais do que um cadeado na mesma caixa. Ou será que já toda a gente conhece a solução?

Cão

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Um quebra cabeças

Imaginem que querem enviar um objecto a alguém e que para garantir que ninguém o rouba durante o envio, vocês colocam o objecto numa caixa fechada a cadeado. Quando a outra pessoa recebe a caixa com o objecto lá dentro, como é que ela a pode abrir? Suponham que tanto a caixa como o cadeado são invioláveis e que só existe uma chave para o cadeado, a qual está posse de quem envia. Notem que não é possível abrir a caixa à força, nem enviar a chave (pois alguém a podia roubar).

quinta-feira, fevereiro 09, 2006


Maurizio Cattelan
La Nona Ora
1999
wax, clothing, polyester resin with metallic powder, volcanic rock, carpet, glassat

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Douglas Hofstadter, no prefácio a "Gödel's Proof" de Ernest Nagel e James R. Newman


When Nagel and Newman were composing Gödel's Proof, the goal of getting computers to think like people - in other words, artificial intelligence - was very new and its potential was unclear. The main thrust in those early days used computers as mechanical instantiations of axiomatic systems, and as such, they did nothing but churn out proofs of theorems. Now admittedly, if this approach represented the full scope of how computers might ever in principle be used to model cognition, then, indeed, Nagel and Newman would be wholly justified in arguing, based on Gödel's discoveries, that computers, no matter how rapid their calculations or how capacious their memories, are necessarilly less flexible and insightful than the human mind.
But theorem-proving is among the least subtle of ways of trying to get computers to think. Consider the program "AM," written in the mid - 1970s by Douglas Lenat. Instead of mathematical statements, AM dealt with concepts; its goal was to seek "interesting" ones, using a rudimentary model of esthetics and simplicity. Starting from scratch, AM discovered many concepts of number theory. Rather than logically proving theorems, AM wandered around the world of numbers, following its primitive esthetic nose, sniffing out patterns, and making guesses about them. As with a bright human, most of AM's guesses were right, some were wrong, and, for a few, the jury is still out.
For another way of modeling mental processes computationally, take neural nets - as far from the theorem-proving paradigm as one could imagine. Since the cells of the brain are wired together in certain patterns, and since one can imitate any such pattern in software - that is, in a "fixed set of directives" - a calculating engine's power can be harnessed to imitate microscopic brain circuitry and its behavior. Such models have been studied now for many years by cognitive scientists, who have found that many patterns of human learning, including error making as an automatic by-product, are faithfully replicated.
The point of these two examples (and I could give many more) is that human thinking in all its flexible and fallible glory can in principle be modeled by a "fixed set of directives," provided one is liberated from the preconception that computers, built on arithmetical operations, can do nothing but slavishly produce truth, the whole truth and nothing but the truth. That idea, admittedly, lies at the core of formal axiomatic reasoning systems, but today no one takes such systems seriously as a model of what the human mind does, even when it is at its most logical. We now understand that the human mind is fundamentally not a logic engine but an analogy engine, a learning engine, a guessing engine, an esthetics-driven engine, a self correcting engine. And having profoundly understood this lesson, we are perfectly able to make "fixed sets of directives" that have some of these qualities.
To be sure, we have not yet come close to producing a computer program that has anything remotely resembling the flexibility of the human mind, and in this sense Ernest Nagel and James Newman were exaclty on the mark in declaring, in their poetic fashion, that Gödel's theorem "is an occasion, not for the dejection, but for a renewed appreciation of the powers of creative reason." It could not be said better.

sexta-feira, fevereiro 03, 2006

Ai tu és isso? Então toma lá:

Uma vez que o nosso colega Cão (ASSINA OS TEUS POSTS, CARAGO!!!!!!) tem feito o favor de nos agraciar com excertos de Jerusálem, do escritor português contemporâneo Gonçalo M. Tavares, achei por bem compartilhar convosco uma amostra da obra deste autor desconhecido mas igualmente de qualidade:

"Ao subir a rua, não pude desviar o olhar daquelas nalgas que se meneavam bem na minha frente. Um traseiro irrepreensível, pensei para com os meus botões. A dona daquela parcela de carne assemelhava-se a uma deusa grega que descera à terra para conviver com os meros mortais. Não que eu alguma vez tivesse visto uma deusa grega, mas dá um efeito literário interessante escrever isto. Está bem, podia usar no seu lugar uma deusa hindú, ou nipónica, ou até nórdica, mas achei melhor uma grega. Bom, adiante. Adiante também caminhava ela, e eu atrás. Sempre atrás. Eternamente atrás. Oh, o que não daria para estar dentro daquelas calças! Aqueles movimentos provocavam-me dores no baixo-ventre... Seriam dores boas, dores más?!?! Não sei, nunca estudei muito as teorias relativistas da pós-modernidade, de modos que vou abster-me de tomar partidos axiológicos.
E, de repente, a divindade parou. Estaquei também, mais por mimetismo do que por desejo consciente. Ela voltou-se para mim. Eu, que já estava virado para ela, não me voltei. Seria estúpido da minha parte fazê-lo. Ela olhou-me nos olhos. Digo eu, embora isso são seja seguro, uma vez que a minha vista estava pregada ao seu peito. E se o traseiro era bom, o que dizer daqueles seios!... Começou a caminhar para mim. A dor no meu baixo-ventre intensificou-se... lembrei-me daquela vez em que, num jogo de futebol, levei com o esférico bem no meio dos colh... quer dizer, nas partes baixas. Estava mais perto. Mais perto ainda. Tão perto que quase sentia a sua respiração quente. E a minha dor não parava de aumentar. E ela a aproximar-se. E eu sofrendo tão profundamente que só pensava em chamar uma ambulância. Até que, finalmente, ficámos cara-a-cara. E aí a donzela exclamou: "Parvalhão", deu meia-volta e foi-se embora. Abandonado naquele passeio de calcário, fiquei com uma cara de idiota que nem queiram saber. E não vão saber mesmo porque também não vou contar!"

in Eterno Entorno, Vila Nova de Poiares
Eterno Entorno, em mais outro desvio por este blog

Mais do mesmo... virtudes das analogias

O secretário da Defesa norte-americano, Donald Rumsfeld, comparou quinta-feira o Presidente venezuelano, Hugo Chavez, a Adolf Hitler, sublinhando que tinham os dois sido eleitos legalmente.

Fonte: Diário Digital

Acrescento mais alguns nomes passíveis de sofrer a mesma comparação: Cavaco Silva, Jacques Chirac, Lula da Silva, Tarja Halonen, Heinz Fischer, Vaclav Klaus, Maria de Lurdes Modesto, Manuel Luís Goucha, Luís Filipe Vieira, o cozinheiro sueco dos Marretas, Pikachu, Soror Mariana Alcoforado (1) e uma longuíssima lista de personalidades que se estende pelos cinco continentes ou até mais, se considerarmos o arquipélago da Madeira como um território à parte.

Já quanto a George W. Bush, duvido que tenha lugar neste rol. Afinal, quem pode garantir a legalidade da sua eleição? É melhor perguntar ao Rumsfeld, a luminária das comparações. Já agora, peço também ao Donald que nos ilustre acerca das semelhanças entre a defesa do Benfica no último derby e a Administração Bush.
_________________________________
(1) Pronto, está bem... admito que alguns destes nomes não passam de puro disparate. Ninguém acredita que Luís Filipe Vieira tenha sido eleito legalmente...

Eterno Entorno, num pequeno desvio por este blog.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Jerusalém 2

"No entanto, Mylia começou a sentir algo no estômago. A princípio este aviso deixou-a perplexa: não era a sua dor, era outra coisa, mas igualmente forte, mais forte ainda.
Que ridículo, apeteceu-lhe dar uma gragalhada. Estou com fome, murmurou, há horas que não como. Estou aqui de noite, sozinha, mas o meu estômago veio; estou acompanhada.
O motivo de troça foi, logo de imediato, motivo de reflexão e de um certo temor, pouco explicável. Aquela dor no estômago, que manifestava a vontade de comer, essa dor era ainda mais forte que a outra: a dor constante da doença, a dor que lhe traria rapidamente aquilo que todos os grandes e pequenos medos fogem. Como é possível, perguntou-se Mylia, que a dor provocada pela vontade de comer pão seja mais forte? Porque os médicos já o garantiram: vou morrer da dor que agora não consigo ouvir.
Ela percebeu, claramente, que ali, junto à igreja, estavam em competição duas dores grandes: a dor que a ia matar, a dor má, assim ela a designou, e, do outro lado, a dor boa, a dor do apetite, dor de vontade de comer, dor que significava estar viva, a dor da existência, diria ela, como se o estômago fosse, naquele momento, ainda em plena noite, a evidente manifestação da humanidade, mas também das suas relações ambíguas com os mistérios de que nada se sabe. Estava viva, e nessa circunstância doía mais, naquele momento, de um modo objectivo e material, do que a dor de que ia morrer, agora secundária. Como se naquele momento fosse mais importante comer um pão do que ser imortal."
Gonçalo M. Tavares, Jerusalém

segunda-feira, janeiro 30, 2006

O grande Guru

Como já é costume, o artigo abaixo exagera. É a sociedade do espectáculo, nem mais: eles são sempre os melhores, de longe e sem mácula; nunca tiveram dificudades, dúvidas acerca do que queriam, desde pequenos que são invejáveis e a sua história resume-se a uma sucessão de grandes feitos; eles são as estrelas e nós os espectadores. Treta, isso é tudo treta.
Mas como se trata do Kripke, a ala (supostamente) analítica do Departamento deixa aqui para vocês linkarem.
By CHARLES McGRATH
Published: January 28, 2006

Modernices

Steps Towards a Computational Metaphysics (video) (slides)

Ed Zalta e Branden Fitelson

The Metaphysics Research Lab
Center for the Study of Language and Information

sábado, janeiro 21, 2006

Simpsons vs. Futurama

Concordam que numa comparação Simpsons vs. Futurama, ganham os Simpsons? Não é que o Futurama seja mau. Antes pelo contrário: eu acho aquilo super bem feito. Contudo, é díficil as personagens do Futurama serem tão boas como as dos Simpsons. Parece-me que a vantagem dos Simpsons sobre o Futurama não está nas histórias, mas sim nas personagens. E mais uma vez, não é que as personagens do Futurama sejam más. Os Simpsons é que são imbatíveis. Já agora, conseguem dizer que há um episódio mau nos Simpsons? Eu diria que não conheço nenhum, mas mesmo que exista um ou outro, não deixa de ser incrível a quantidade de episódios bons. Enfim, já que abrimos a cabeça ao Homer, não fica mal fazer-lhe agora um elogio. É verdade, não ficaram surpreendidos por ele ter cérebro?

Cão

Cérebros num alguidar

quarta-feira, janeiro 18, 2006

No último parágrafo, da última página de "Truth and Other Enigmas", lê-se:


Just because the scandal caused by philosophy's lack of a sistematic methodology has persisted for so long, it has been a constant preocupation of philosophers do remedy that lack, and a repeated illusion that they had succeeded in doing so. Husserl believed passionately that he at last held the key which would unlock every philosophical door; the disciples of Kant ascribed to him the achievement of devising a correct philosophical methodology; Spinoza believed that he was doing for philosophy what Euclid had done for geometry; and before him, Descartes supposed that he had uncovered the one and only proper philosophical method. I have mentioned only a few of many examples of this illusion; for any outsider to philosophy, by far the safest bet would be that I was suffering from a similar illusion in making the same claim for Frege. To this I can offer only the banal reply which any prophet has to make to any sceptic: time will tell.
Michael Dummett

sábado, janeiro 14, 2006

Jerusalém

"O próximo século será o da seriedade ou então perderemos tudo o que conquistámos, pensava Theodor. Se continuarmos a gastar a nossa energia criativa em divertimentos inúteis, em prostitutas e anedotas fáceis, em breve surgirá uma outra espécie animal, mais circunspecta e inapta para o bom humor, que tomará conta, em pouco tempo, das nossas instituições principais. A tendência para contar anedotas pode fazer cair uma cidade, pensava Theodor com alguma ironia - uma espécie animal que se afaste do divertimento e do prazer terá grandes vantagens biológicas em relação aos seres humanos; e Theodor não deixava de olhar para o seu caso: médico importante, investigador muito admirado há três ou quatro anos atrás, que, naquele preciso momento, três e pouco da manhã, numa rua da cidade, caminha para o centro, absolutamente excitado, sem conseguir desligar-se da fotografia que há pouco vira, da mulher deitada na cama, com sangue no nariz e as pernas ostensivamente abertas, exibindo a vagina rodeada de pelos púbicos; avançando, pois, estava Theodor Busbeck, a passo firme, dirigindo-se para a absoluta inutilidade, para o absoluto tempo perdido, num tempo de excitação, sim, de pura excitação, de divertimento e portanto de eficácia negativa, em suma: tempo de não-humanidade, tempo onde não se constroi. Se fôssemos só isto, o que eu sou neste momento, a caminhar apressadamente com o pénis duro, desejando encontrar rapidamente uma mulher, se fôssemos só isto seríamos agora os cães dos nossos cães."
Jerusalém, de Gonçalo M. Tavares

sábado, janeiro 07, 2006

Mais algumas palavras sábias sobre o assunto

…Whether or not it would be nice to knock disagreeing philosophers down by sheer force of argument, it cannot be done. (It would be nice, of course. Robert Nozick has drawn attention to our strange way of talking about philosophical argument as if its goal were to subjugate the minds of our esteemed colleagues and to escape their efforts to do likewise unto us). Philosophical theories are never refuted conclusively. (Or hardly ever. Gödel and Gettier may have done it.) The theory survives its refutation – at a price. Argle has said what we accomplish in philosophical argument: we measure the price. Perhaps that is something we can settle more or less conclusively. But when all is said and done, and all the tricky arguments and distinctions and counterexamples have been discovered, presumably we will still face the question which prices are worth paying, which theories are on balance credible, which are the unacceptably counterintuitive consequences and which are the acceptably counterintuitive ones. On this question we may still differ. And if all is indeed said and done, there will be no hope of discovering still further arguments to settle our differences.

Once the menu of well-worked-out theories is before us, philosophy is a matter of opinion. Is that to say that there is no truth to be had? Or that the truth is of our own making, and different ones of us can make it differently? Not at all! If you say flatly that there is no god, and I say that there are countless gods but none of them are worldmates, then it may be that neither of us is making any mistake of method. We may each be bringing our opinions to equilibrium in the most careful possible way, taking account of all the arguments, distinctions, and counterexamples. But one of us, at least, is making a mistake of fact. Which one is wrong depends on what there is.

David Lewis
Philosophical Papers, Volume I

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Até que ponto é o aborto um assunto referendável?

Para que é que serve uma comissão de bioética? Não é para emitir pareceres informados, baseados em algo mais do que a nossa opinião subjectiva? Não é com base nesse pareceres que a legislação deve ser formulada? Não é o aborto uma questão do foro da bioética? É o aborto um assunto que levamos a sério? Se levamos a sério, não será que queremos que a legislação sobre o aborto seja justa? Não são os membros de uma eventual comissão de bioética quem está mais bem preparado para opinar sobre o assunto? Para que é que serve estudar bioética, ou melhor, porque é que é importante a existência pessoas que se dedicam à bioética? E se devemos ler um livro que reúne os mais importantes artigos acerca da questão do aborto, então não seria simplesmente melhor (mais razoável) se as pessoas que opinam sobre o aborto fossem os membros de uma comissão de bioética (os quais são supostos terem lido e pensado nesses e numa quantidade considerável de outros artigos)? Estamos justificados a pensar que a nossa opinião acerca do aborto é tão bem fundamentada como a de um membro de uma comissão de bioética?
Cão

quinta-feira, janeiro 05, 2006

quarta-feira, janeiro 04, 2006

Já agora, convem acrescentar que

Hilary Putnam: The dangerous aspect of Postmodernism is the sometimes explicit contempt for the idea of justified belief (what Dewey called "warranted assertibility"). Since I said some critical words about analytic philosophy in my answer to a previous question, let me say that the good side of analytic philosophy its consistent criticism of Postmodernism.

quinta-feira, dezembro 29, 2005

Quine = Marreta

Hello! Where is my gavagai?
Hellu! Vhere-a ees maee gefegeee?

Os dois indivíduos acima são, na verdade, os maiores filósofos do século XX. Foram os únicos a compreender e a formalizar teses como a Inescrutabilidade da referência e a Indeterminabilidade da tradução.
Mas o talento intelectual não é a única coisa que estes génios possuem em comum. Consta que o Quine cozinhava tão bem ou melhor ainda que o cozinheiro sueco e há ainda outro ponto a ter em atenção... vejam bem as fotos e digam lá se o Quine não parece um bocado Marreta?!...

Eterno Entorno

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Ser filósofo analítico já passou de moda.

Tadeusz Szubka: At the end of your recent paper you ponder the question if analytic philosophy should continue, and suggest that in current times we should rather be philosophers without adjective. However, the rift between analytic and continental philosophy refuses to disappear. Do you think it will ever disappear?

Hilary Putnam: I did not mean that philosophical disagreement should cease -that would be the end of philosophy, indeed of independent thinking and reflection, but I am disturbed by the idea of a group which labels itself "analytic philosohy". In practice that group tends to be exclusionary (to look down on all but a certain number of English-speaking philosophers). Moreover, what is the basis of unity of this group? Not a common method, and certainly not common views, but only a self-congratulatory claim that "We are CLEAR and the others are FUZZY". (Not only is analytic philosophy often far from clear, but the assumption that everything worth saying can be said clearly has never, to my knowledge, beed ARGUED for. I don't think it is self evident; in fact, I don't think it is true.

"Postado" pelo próprio Cão

Correspondência Louçã-Jerónimo

Jerónimo:

Vou ser curto e grosso! Em primeiro lugar, vou ficar à tua frente nas eleições presidenciais. Vou sim. Em segundo lugar, sou mais marxista-leninista do que tu, e até mesmo mais trotskista e stalinista. Sou pois. Em terceiro lugar, o Bloco de Esquerda tem gajas mais boas que o PC, mesmo quando este se transforma em CDU e apanha as garinas d'Os Verdes. Ó se temos! O Bloco conta nas suas fileiras com jovenzinhas atraentes e frescas, dotadas de uma suave e apetitosa carne que desperta o carnívoro que há em nós, apesar de sermos vegetarianos. E o que tem o PC, hã?! A vossa sex-symbol é a Odete Santos, e isso diz tudo... É a esquerda bolorenta e a cheirar a mofo em comparação com a esquerda do Bloco, moderna e fashion.
Adeus, Jerónimo. Prometo fumar umas ganzas em tua honra quando os resultados das presidenciais me atribuírem o quarto lugar. Passa bem.

Francisco

Camarada Louçã:

Respondo à sua missiva numa toada não tão curta nem tão grossa, à maneira do que era apregoado pelo camarada Brejnev.
Em primeiro lugar, o camarada Louçã não irá ficar à minha frente nas presidenciais. Não senhor! Tenho por mim a força inabalável dos operários e trabalhadores deste país, força essa muito superior à dos estudantes pedrados e armados em camarada Che Guevara que você, camarada Louçã, mais os seus camaradas Rosas e Fazenda, atraem a esse partidozeco. O quarto lugar será portando todo meu e do PCP.
Em segundo lugar, nunca o camarada Louçã se pode arrogar de ser mais marxista-leninista do que eu ou qualquer outro camarada militante comunista. O marxismo-leninismo é a nossa fé, o nosso dogma, o qual fazemos questão de respeitar estritamente. Também reconheço no stalinismo uma das forças propulsoras do partido, mas não fica muito bem dizê-lo publicamente porque, como o camarada Louçã sabe, o camarada Stalin era ligeiramente ditador, embora amigo do proletariado e do povo. Já quanto ao camarada Trotsky, ele foi um traidor dos valorosos princípios da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, de modos que pode o camarada Louçã ficar com ele.
Em terceiro lugar, é falso que o Bloco se superiorize ao PCP no quesito feminino. Acredite o camarada Louçã quando digo que a camarada Odete ainda dá um baile a qualquer camarada Joana Amaral Dias ou Ana Drago. Os anos de experiência passados pela camarada Odete a rodar pelo Comité Central, quando não por alguns camaradas membros da Komintern, transformaram-na numa autêntica máquina sexual, fique o camarada Louçã a saber. A camarada Odete interiorizou na perfeição a máxima do "sexo igual para todos, sem excepção de género, credo ou raça", transformando-se numa diva capaz de rivalizar com qualquer camarada prostituta do bairro comunista de Amsterdão, ao passo que as camaradas do Bloco devem perceber menos de sexo do que a camarada tia-avó do camarada Krutschev.
Fique bem, camarada Louçã! Fume lá umas brocas no dias das eleições. Eu aproveitarei para festejar ao sabr de um belo vodka tomado na Soeiro Pereira Gomes. Graças à força do PCP, ou CDU, ou sei lá o quê, vou ficar em quarto lugar: isso é tão certo quanto o regime norte-coreano ser uma democracia, como advogava o camarada Bernardino.

Camarada Jerónimo

Eterno Entorno

analiticidades


Cão?

terça-feira, dezembro 27, 2005

São as máquinas irremediavelmente não-inteligentes?

Será que alguma vez vamos conseguir criar uma coisa que seja artificialmente inteligente? O que seria uma tal coisa? Teria ela um sentimento de si? E vontade própria? Porque é que a nossa reacção imediata é pensar (ou pelo menos desejar), "não"? Talvez a resposta para a última pergunta seja: porque queremos ser especiais e ter um estatuto único entre as coisas que são. Tudo bem, não vejo nada de mal em pensar que somos mais do que uns agregados de matéria. Mas a que custo podemos dizer que somos coisas especiais? Como justificar a posse de um tal estatuto? Considerada a partir deste ângulo (pensando na questão como uma interrogação acerca do que nos define enquanto humanos) a reflexão filosófica em torno da questão da inteligência artificial não pode deixar de constituir uma actividade cheia de interesse filosófico. Na realidade, julgo que é possível colocar grande número de questões filosóficas a partir da perspectiva da inteligência artificial.
Para quem ficou escandalisado com a última afirmação, devo esclarecer que a frase não está a insinuar que vão ser uns gajos de bata branca quem vai responder a todas as questões filosóficas, deixando os gajos que fumam cachimbo sem nada para fazer. O que me parece é que a interrogação acerca da possibilidade da inteligência artificial, fornece uma perspectiva a partir da qual podemos pensar um grande número de problemas filosóficos (A ideia não é muito diferente se pensarmos em termos de plantas; vejam a questão "o que é que nos distingue de uma máquina?" como análoga a "o que é que nos distingue de uma couve?").
Consideremos alguns exemplos:
No filme "2001, Odisseia no Espaço", Hal, o computador que controla a nave, é ou não culpado da morte dos tripulantes?
Kaspararov foi derrotado pelo Deep Blue: podemos dizer que o computador foi mais inteligente do que o homem?
Uma máquina de calcular "pensa" diferentemente de mim, quando dá o resultado de uma operação aritmética simples (2+3=5, por exemplo)?
Admitindo que interpretar uma peça musical é mais do que um exercício mecânico, porque razão é que é mais do que um exercíco mecânico? Porque é que uma máquina nunca poderá ser um intérprete de renome?
Mais uma vez, não me parece mal pensar que estas perguntas não fazem sentido. O que me parece mal é não explicar porque é que elas não fazem sentido. E se fazem sentido, não é um desafio filosoficamente relevante procurar respostas para ela? Não poderá um tal actividade ser útil para a compreensão daquilo que nós somos?
Só para acabar, devo confessar que eu não sei nada destas coisas (nota-se, não é?), portanto se vos der para pensar nelas, não me venham com perguntas. Quem sabe é o Dennett e se quiserem Dennett, sugiro que vejam uma entrevista com ele que está aqui e que leiam outra que está aqui. Se quiserem saber tudo sobre a vida do gajo e ficarem muito irritados por ouvirem falar de um tipo que parece só ter virtudes, leiam aqui.
Cão

sábado, dezembro 24, 2005

Ele sabia bem do que estava a falar

"- A maior parte dos teus haveres, ò Céfalo, obtiveste-as por herança ou por aquisição?
- Quanto é que eu tive por aquisição, ó Sócrates? Como homem de negócios, fiquei a meio caminho entre o meu avô e o meu pai. Com efeito, o meu avô, que tinha o mesmo nome que eu, herdou uma fortuna aproximadamente igual à que eu agora tenho, e aumentou-a umas poucas vezes; ao passo que Lisânias, o meu pai, ainda a tornou mais pequena do que é presentemente. Eu dou-me pro satisfeito, se não a deixar menor a este moços, mas sim ligeiramente superior à que herdei.
- Se te fiz esta pergunta - disse eu -, foi porque me pareceste não prezar muito as riquezas; e isso fazem-no geralmente aqueles que não as adquirem por si.(...)"
Platão, República (Livro I, 330 b)

Materialismo

Ser inteligente como o Platão, é para mim um desejo secundário. O que eu gostava mesmo, era de ser rico como o Platão.

Cão

Ainda melhor que o Marcelo

Aristotle taught in the Lyceum for twelve years (from 335 B.C. until 323 B.C.). It is said that in the mornings he would lecture to his students on logic and metaphysics (the esoteria), and that in the afternoons he would present public lectures on rhetoric, politics, and ethics (the exoteria). Aristotle was succeeded as head of the Lyceum first by Theophrastus and later by Strato.

sexta-feira, dezembro 23, 2005

Hello Kitty

"Like my cat, I often simply do what I want to do."

Derek Parfit, Reasons and Persons

quinta-feira, dezembro 22, 2005

Profecias para 2006

Ainda não é este ano que vamos ter o Quinto Império.

quarta-feira, dezembro 21, 2005

Aplicação prática do Teorema de Pitágoras

Uma aplicação totalmente inovadora do Teorema de Pitágoras pode ser vista aqui.

segunda-feira, dezembro 19, 2005

Schock Prize

Um dia, com jeitinho, o nosso departamento ainda ganha um destes.

sábado, dezembro 17, 2005

sexta-feira, dezembro 16, 2005

O nosso pequeno Saul


Parece que foi ontem, que ele andava por aí a tocar acordeão e a cantar a música do bacalhau quer alho. O nosso pequeno Saul, sempre com aquela alegria, um sorriso desdentado e resposta sabida na ponta da língua. Ainda o estou a ver a brincar com os seus amigos, macaco Adriano e João Baião. O tempo passa e nós a ficarmos mais velhos.

quinta-feira, dezembro 15, 2005

Comunicado da PJ


Este homem desapareceu de sua casa. É conhecido por ocasionalmente ter comportamentos obscenos, como exibir em público o seu designador rígido, e por proferir afirmações perturbadoras como "Estados mentais, não são idênticos a estados físicos" e "Existem verdades necessárias a posteriori". Além do mais, é idolatrado por certas facções dessa comunidade de depravados conhecidos como "filósofos".

terça-feira, dezembro 13, 2005

Peter of Pan Lectures

Parece já ser oficial que o próximo Petrus Hispanus Lecturer vai ser um tal de David Kaplan. Claro que o nosso departamento não se fica atrás e, como tal, temos o prazer de anunciar que o Peter of Pan Lecturer 2006 vai ser nem mais nem menos que esse gajo admirado à brava pela malta, mas mesmo bué, bué, bué (i.e., buéréré) admirado, o João Pinto. Autor de uma frase que as mentes mais simplórias nunca conseguiram perceber e sobre a qual as mentes mais sofisticadas tem vindo a reflectir, "Prognósticos só no fim do jogo," este grande pensador vai apresentar uma reflexão em torno do determinismo e da aparência do livre arbitrío. O objectivo será o de esclarecer essa frase (apenas aparentemente) contraditória, de tal forma que todos possamos reconhecer que não faz sentido falar de antes e depois, dado que tudo está necessáriamente determinado a acontecer.

Cão

segunda-feira, dezembro 12, 2005

à la Sartre

We have been lucky to discover several previously lost diaries of French philosopher Jean-Paul Sartre stuck in between the cushions of our office sofa. These diaries reveal a young Sartre obsessed not with the void, but with food. Apparently Sartre, before discovering philosophy, had hoped to write "a cookbook that will put to rest all notions of flavor forever." The diaries are excerpted here for your perusal.

Regresso ao Futuro

De agora em diante, estamos de volta ao template passado.

Cão

Agride um candidato também!

Já é do vosso conhecimento que este escriba possui óptimos contactos no submundo político. E foi através deles que soube disto: a agressão a Mário Soares ontem, em Barcelos, não se trata de um caso isolado. Estão planeados, com uma frieza de fazer inveja à própria Al-Qaeda, novos actos de violência contra candidatos presidenciais. Aquele perpetrado por um ex-combatente do Ultramar(1) e que vitimou o pai do eterno derrotado João Soares foi apenas o primeiro, vejam o que se segue:

  • Cavaco Silva será pontapeado por António Guterres (sim, o Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados), devido a nunca ter feito um Orçamento de Estado em condições.
  • Manuel Alegre ver-se-á esmurrado por Nuno Júdice porque, segundo este, "não sabe construir rimas correctamente".
  • Jerónimo de Sousa será atacado pelo corpo embalsamado do Lenin, porque sim.
  • Francisco Louçã será agredido à seringada por vários heroinómanos que lutam pela globalização do chuto.
  • Garcia Pereira, não querendo ficar de fora, violar-se-á a si próprio e tentará culpar o patronato, o capital, o Belmiro de Azevedo, o Cristiano Ronaldo, as prostitutas do Técnico, o CDS/PP, o PPM e o POUS, os espanhóis e os distribuidores de calçado do Haiti.
____________________________
(1) Um dos meus contactos subterrâneos confessou-me que o agressor, afinal, não é um ex-combatente do Ultramar. É outra coisa qualquer, mas agora já não me lembro o quê. Azar...

Eterno Entorno

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Bibles for Porn

A group of atheists at UTSA was asking students to exchange bibles for porn magazines Wednesday, and that has made some religious leaders angry.

Casa Claudia

Cheguei, vi e não resisti a mudar os cortinados. Infelizmente, sem querer fiz desaparecer os links para os outros blogs. O restante corpo docente que me desculpe. Vou tentar recolocar aqueles de que me lembro. Se não se importarem, depois coloquem os outros vocês.

Cão

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Bem, em que ficamos?

Peter of Spain has been established as the medieval author of a work that became widely known as Summule logicales magistri Petri Hispani (Collection of Logic Matters of Master Peter of Spain). The great number of manuscripts and printed editions is evidence of the enormous success this work met with throughout European universities well into the seventeenth century. But finding out the true identity of the author of this influential Tractatus has proved to be a difficult task. For a long time it was assumed that he was a Portuguese who became Pope in 1276, under the name of John XXI. There is also another, earlier tradition, according to which the author of the Tractatus was regarded as Spanish, and a member of the Dominican order. Yet another attribution, dating from the fifteenth century, was to a Petrus Ferrandi Hispanus (d. between 1254 and 1259), which would be consistent with the idea that the work originated from the first half of the thirteenth century. According to still another attribution, the Summule was compiled by a Black Friar no earlier than in the late thirteenth or early fourteenth century.

Lingvistiska samlarbilder


Declara-se aberta a época de caça ao gavagai.

Peter Of Pan

Agora sim, isto vai ser uma publicação de elevado rigor científico.

Cão

terça-feira, dezembro 06, 2005

Diálogo peniano ou conto de fadas metassexual

Era uma vez dois pénis, um pequeno e outro grande. Diz o primeiro para o segundo:
— Ó pénis... nem sabes quanto eu gostaria de ser como tu. Daria tudo para me tornar num órgão imponente e altivo, forte e vigoroso. Mas, hélas, não passo de um falo mirrado e delicado, fraco e vergonhoso.
O grande, compreensivo, respondeu:
— Ó péninhito... mal sabes a sorte que tens. Não é pêra doce ser um mastruço como eu! Na vida dos grandes pénis nada é fácil, garanto-te. Imaginas por exemplo o que é não ter tempo para mais nada senão sexo, sexo, sexo e sexo?! Calculas a pressão que é estarem constantemente a exigir de ti um bom desempenho?! Eu não tenho descanso nem sossego, estou exangue e ainda assim tenho de estar preparado para a próxima sessão de coito. Fazes alguma ideia da angústia que me acompanha? Da tristeza que percorre o meu corpo cavernoso?
Oh, como desejaria ser como tu, ter oportunidade de gozar uma existência digna... em vez de estar reduzido à esmagadora condição de objecto sexual. Tu, pequena picha — sim tu! —, é que és verdadeiramente feliz.

Moral da história:
Se tiverem um pénis pequeno, não se lamentem por isso. Há coisas piores na vida.
Se, pelo contrário, forem possuidores de um garboso mastro, cuidem para que ele não ande por aí a filosofar como o pénis deste conto. De outro modo, estão bem lixados, pois de um pénis filosofante nunca sai o que deveria sair, escorre apenas um amontoado de verborreia inútil.
Se não possuem pénis algum (isto é, são raparigas ou o José Castelo Branco), porque é que leram o texto até ao fim? Vão trabalhar, malandras!

Eterno Entorno

segunda-feira, dezembro 05, 2005

Razão e paixão: reler Hume!

David Hume terá afirmado algures:(1) "A razão é escrava das paixões." Sou obrigado a concordar e lanço desde aqui a minha admiração por alguém que teve os tomates para escrever tão pungente frase. É certo que o caro David não poderá ouvir-me — em parte, porque está morto — mas isso não importa! O tipo poderia ser gordalhufo, inglês, desajeitado, inglês, mau a escolher perucas e inglês (é mesmo um grande defeito, que querem?!), mas não era pudico nem estava com merdices. Um filósofo — e relembro que os filósofos são muitas vezes vistos como o suprasumo da racionalidade(2) — capaz de reconhecer o domínio das paixões sobre a razão só pode ser merecedor de todo o respeito.

_________________
(1) Querem saber a obra exacta onde Hume escreveu isto? Vão à procura! Estão a pensar que sou o quê?
(2) Ahahahahahaahahahaahahahaahahahahaahahh!!!!! Esta foi óptima, não? Tamanha ilusão só pode mesmo ser alvo de piada...

Eterno Entorno

sexta-feira, dezembro 02, 2005

Coisas que nunca vi mas gostaria de ver

Todos nós temos sonhos ou desejos não confessados que gostaríamos de ver realizados. Normalmente, esses caprichos consistem em megalomanias inconcretizáveis, tipo "o fim da fome em África", "a paz entre as nações", "o Sporting vencedor da Champions League" e por aí vai. Mas os meus são de natureza mais frugal e estão agora — em primeira mão — disponíveis para os leitores do Peter of Pan. Aqui estão as coisas que nunca vi mas gostaria de ver:

  • Um porco a andar de bicicleta. Por exemplo, o Alberto João Jardim.
  • Uma vaca a voar. Por exemplo, a Elsa Raposo.
  • Um político respeitável.
  • Um treinador do Sporting que fosse inteligente.
  • A Monica Bellucci afagando a Sophie Marceau no meu quarto.
  • George W. Bush a dizer, em correcto sotaque brasileiro, "Eu ti amo, Saddam!".
  • A Monica Bellucci afagando a Laetitia Casta na minha sala-de-jantar.
  • Alguém proibindo Manuel Alegre de proferir frases com as seguintes palavras: "Liberdade", "Democracia", "República". E, já agora, de fazer "poesia" ou o que quer que se chame àquelas coisas por ele escritas.
  • A Monica Bellucci afagando a Angelina Jolie na minha cozinha.
  • Um concurso Eu Sou Menos Marxista-Leninista Do Que Tu, com a participação de Durão Barroso, Zita Seabra e Pacheco Pereira.
  • Um livro de jeito escrito por um filósofo português (Espinosa não conta, afinal ele não era bem português... sortudo d'um raio).
  • A Monica Bellucci afagando a Merche Romero na minha despensa.
  • Portugal ser eliminado no Mundial 2006 pela selecção angolana.
  • A Monica Bellucci afagando a Scarlett Johansson na minha banheira.
Eterno Entorno

quinta-feira, dezembro 01, 2005

Porque não sou monárquico!

"Isabel, quando tivermos um novo filho, poderíamos chamar-lhe Afonso Miguel Rafael Gabriel Pedro Sancho Rés-Vés-Campo-de-Ourique Alá Jeová Saravá Fernando Luís Carlos A-Isabel-Figueiras-Tem-Umas-Mamas-Que-Despertam-O-Rei-Que-Há-Em-Mim António Sebastião Filipe Hoje-Está-Bom-Tempo?-Mais-ou-Menos! Manuel Mário Henriques A-República-É-Pirosa Josué Maria de Herédia e Bragança"

Em dia de comemoração da Restauração da Independência, sinto que devo afirmar: antes republicano do que monárquico! Nada contra a monarquia, mas se "isto" (leia-se, D. Duarte) é o melhor que a casa de Bragança tem para oferecer, então vou ali chamar o Robespierre e já volto.

Eterno Entorno