quarta-feira, maio 28, 2008
Como isto agora é só futebol, e ainda nem começou o Euro, vou também contribuir um bocadinho...
9h00 - Os 23 jogadores dormem profundamente.
9h30 - Scolari telefona para a família no Brasil, onde ainda é madrugada, e manda todo mundo tomar no cu.
10h00 - Os 23 jogadores continuam a dormir profundamente.
10h30 - Ronaldo acorda para ir à casa-de-banho. Na volta, vê uma empregada no corredor e leva-a para a cama. Adormece depois do acto.
10h45 - Os restantes jogadores acordam e descem para tomar o pequeno-almoço. Miguel Veloso e Nuno Gomes comparam os penteados.
11h30 - Scolari dá início ao primeiro treino do dia e manda todo mundo tomar no cu. Corridas. Alongamentos. Ricardo dá um pum.
11h45 - Os atletas iniciam uma peladinha sem Ronaldo, que ainda não apareceu no treino.
12h00 - Ronaldo acorda, toma o pequeno-almoço e dirige-se para o campo de treinos. Porém, depara-se com uma fã que veio pedir autógrafos e retira-se com ela para uma moita ali próxima.
12h15 - Scolari dá por terminado o treino e manda todo mundo tomar no cu e depois tomar duche.
12h16 - Ronaldo chega ao treino mas já não vê ninguém. Diverte-se a mandar sms porcos à Merche Romero.
12h30 - Scolari pede aos cozinheiros para prepararem uma picanha e manda todo mundo tomar no cu.
13h30 - Hora do almoço. Ronaldo viola a picanha e depois come a picanha.
14h20 - Jogadores e equipa técnica sobem aos quartos para uma sesta. Scolari avisa para não ser incomodado, caso contrário manda todo mundo tomar no cu.
15h00 - Acordam todos. Petit dá uma sarrafada no gerente do hotel, só para não perder o hábito. Quaresma impinge roupa contrafeita ao João Moutinho. Ronaldo telefona a uma call girl.
15h15 - João Moutinho descobre que a roupa comprada ao Quaresma não é de marca. Quaresma diz nada ter a ver com o assunto e queixa-se ao Scolari, afirmando que o Moutinho mete sempre a culpa no cigano. Scolari manda todo mundo tomar no cu.
15h21 - A call girl chega ao quarto de Ronaldo. Vão para a cama.
15h23 - Hélder Postiga, Nuno Gomes e Hugo Almeida fazem uma aposta sobre qual deles falhará mais golos de baliza aberta no Euro 2008.
15h30 - Scolari avisa os jogadores que vai haver treino às 16h e manda todo mundo tomar no cu.
15h35 - Ronaldo pede à call girl para chamar uma amiga.
16h00 - Scolari dá início ao treino da tarde e manda todo mundo tomar no cu. Corridas. Alongamentos. Bosingwa caga-se todo.
16h05 - A amiga da call girl chega ao quarto de Ronaldo. Os três vão para a cama.
16h30 - Treino de penaltis. Nenhum jogador consegue marcar e nenhum guarda-redes consegue defender (estranho...). Gilberto Madaíl, a observar o treino junto de Scolari, vira a cabeça para o lado e solta um sonoro "foda-se".
16h42 - Ronaldo paga as duas moças e dirige-se para o treino.
17h00 - Scolari manda todo mundo tomar no cu, acaba com o treino e manda todo mundo tomar no cu.
17h05 - Ronaldo chega ao campo e não vê ninguém. Manda uma mms erótica à Merche Romero.
17h15 - No hotel, Simão, João Moutinho e Jorge Ribeiro medem-se para ver qual, dos três, é o mais pequeno. Ganha Moutinho, que fica todo contente. Quim, Ricardo e Rui Patrício medem-se para ver qual, dos três, tem o pirilau mais pequeno. Ganha Ricardo, que fica todo contente.
17h40 - Ronaldo regressa ao hotel e vai para a piscina, onde está a acontecer uma exibição de pilates feminino na água. Ronaldo avia as gajas todas (umas 10, contas feitas por alto).
17h50 - É servido o lanche. Petit dá uma sarrafada no caterer, só para não perder o hábito. Nani e Quaresma comparam anéis, Raul Meireles compara tatuagens consigo próprio.
18h30 - Scolari manda todos para a piscina, para exercícios de descontração. E manda todo mundo tomar no cu.
18h40 - Os jogadores juntam-se a Ronaldo na piscina, onde já não estão as miúdas. Ronaldo apanha o Paulo Ferreira distraído e sodomiza-o.
19h00 - Pepe e Deco confessam um ao outro já estarem arrependidos de se terem naturalizado portugueses. Bruno Alves admite querer ser guatemalteco.
19h40 - Regresso ao hotel para uma curta sesta antes do jantar. Antes de ir para o quarto, Petit dá uma sarrafada no Ricardo Carvalho, só para não perder o hábito. Scolari chega-se junto de Murtosa e manda todo mundo tomar no cu.
20h10 - As televisões fazem um directo e os repórteres designados elogiam o desempenho dos jogadores portugueses nos treinos. Miguel Sousa Tavares promete que, se Portugal vencer o Euro 2008, tentará finalmente escrever um livro de jeito.
20h50 - Os jogadores acordam e descem ao salão para jantar. Scolari pede para dizer umas breves palavras e manda todo mundo tomar no cu.
21h10 - Simão Sabrosa engasga-se e Bruno Alves faz uma variante da manobra de Heimlich, mandando uma cabeçada no peito do jogador do Atlético de Madrid. Todos os outros jogadores riem e Petit dá uma sarrafada no Nuno Gomes, só para não perder o hábito.
21h20 - Giberto Madaíl pergunta a Scolari quais são as hipóteses de Portugal vencer o Euro 2008. Scolari manda todo mundo tomar no cu.
22h00 - Terminada a refeição, os jogadores espalham-se por várias divisões do hotel. Ronaldo sai do hotel em busca das prostitutas de Viseu.
22h10 - Nuno Gomes e Miguel Veloso discutem por causa do cabelo. Quaresma e Nani discutem por causa dos anéis. Raul Meireles discute consigo próprio por causa das tatuagens. Bruno Alves manda nova cabeçada no peito do Simão, só porque sim, e Petit dá uma sarrafada no Madaíl, só para não perder o hábito.
22h50 - Scolari manda todo mundo tomar no cu e retira-se para o seu quarto.
23h00 - Os jogadores, na ausência do seleccionador, decidem ir para a night. Encaminham-se todos para o Pachá de Ofir, menos Ronaldo, que continua à procura de prostitutas pelas avenidas de Viseu.
23h20 - Ronaldo finalmente encontra uma menina da vida e fá-la entrar no carro.
23h30 - No Pachá de Ofir, os jogadores descontraem, divertem-se e metem-se nos copos.
0h00 - Scolari sonha que está mandando todo mundo tomar no cu. Ronaldo faz um telefonema pornográfico à Merche Romero.
0h15 - Ronaldo chega ao hotel e não vê nenhum jogador. Telefona ao Nani, que diz estarem todos no Pachá. Ronaldo sai do hotel e dirige-se, alta velocidade, para o Pachá.
0h25 às 3h00 - Finalmente juntos com Ronaldo, os jogadores convocados para o Euro exibem as suas qualidades dançarinas.
3h30 - Chegam ao hotel, sobem aos quartos e adormecem. Foi um dia duro. Amanhã há mais...
terça-feira, maio 27, 2008
Viva o Benfica!
2 - Viva o Benfica
3 - Viva o Benfica
4 - Viva o Benfica
5 - Viva o Benfica
6 - Viva o Benfica
7 - Viva o Benfica
8 - Viva o Benfica
9 - Viva o Benfica
10 - Viva o Benfica
11 - Viva o Benfica
P.S.: Uma justificação: não, não fiquei doido. O que se passa é o seguinte: perdi uma aposta, e o "castigo" foi este, ou seja, colocar 11 linhas, tantas quantos os jogadores titulares de uma equipa de futebol, com a frase "Viva o Benfica". O que, para uma pessoa como eu, um sportinguista vívido e apaixonado, é algo indecente e que roça mesmo a crueldade mais bárbara. Mesmo assim, como sou um homem de palavra, cumpri com o castigo. Um dia, será a minha vez... Muahahahahaha!!!!!
segunda-feira, maio 26, 2008
É a anarquia, estúpidos!
O espaço em que decorria a feira era exíguo, e à hora em que fui, não estava cheio. O que foi bom, pois se estivesse a abarrotar, ver-me-ia obrigado a tomar providências e a ter de expulsar gente lá do sítio. A anarquia é muito bonita e tal e coiso, mas gosto muito de ter espaço para me poder mexer; quinhentos anarcas em pouco mais de meio metro quadrado não me parece propriamente um quadro assaz agradável, e além do mais esta malta cheira mal!
Assim que entrei na feira, exclamei para mim mesmo "Ih, tanto bloquista" e comecei a percorrer as cerca de meia-dúzia de bancas lá instaladas. Tudo muito porreiro, sem dúvida, os livrecos tratavam temas que me são muito caros, como o movimento de libertação animal, o feminismo e os direitos das mulheres (atenção, eu defendo isto mas não sou gay, está bem? Acho que as mulheres são iguais aos homens e essa tanga toda, mas, no fundo no fundo, eu quero é que elas venham aqui ao paizinho - de uma forma anárquica, de preferência!), o anti-imperialismo, o anti-totalitarismo, o anti-fascismo, o anti-americanismo, o anti-racismo, enfim, todos os antis de que se possam lembrar, havia pins, autocolantes e flyers distribuídos por caixas e pelas paredes com palavras de ordem, só que o factor humano... bem, o factor humano revelou-se algo decepcionante.
Passo a explicar. Um dos problemas dos anarcas, ou pelo menos daqueles e daquelas, é a velha história do practice what you preach. Os tipos são libertários, criticam o Estado, a economia de mercado, a plutocracia, o capitalismo e afins, mas uma pessoa vai olhar para os preços dos livros e é uma exorbitância que só visto; mesmo no que toca àquelas pequeníssimas brochuras xerocadas, os preços não são apelativos, bem pelo contrário (4€ por uma treta com 36 páginas acerca dos distúrbios sociais em Paris?! Ahhhh, vão mas é charrar-se!). Já os cds, esses eram todos uma treta, esta malta devia era consultar a minha colecção para saberem o que é música cacofónica, anárquica, revolucionária, barulhenta e destruidora das classes opressores. Fucking eco-punk-hard-grindcore, porra!!!!!!
Ademais, aquela gente das bancas era tudo menos anarca. Parecia anarca, mas não era anarca. Para além dos livros a preços nada anarquistas, algumas pessoas que estavam a vendê-los mostravam-se mais preocupadas com o capital que era dado em troca do que com os livros propriamente ditos. Eu ouvi, por exemplo, um vendedor perguntar ao seu colega "Vendemos o livro x, não vendemos? É que não está aqui. Mas e o dinheiro? Onde está o dinheiro? Se vendemos o livro, o dinheiro está aonde?" com uma agressividade tal que faria inveja a um Belmiro de Azevedo. Depois, acho engraçado esta malta ser supostamente anti-globalização, mas a verdade é que estavam ali portugueses, franceses, espanhóis, ingleses e sei lá mais o quê a publicitar os seus artigos - e a cobrar euros por isso. Globalização é isto, meus amigos!
Enfim, depois de tanta fantochada, incoerência, dreadlocks sebosos e excesso de tabaco (uma pergunta: por que será que a maioria dos anarquistas está contra os alimentos transgénicos, argumentando tratarem-se sobretudo de um problema de saúde, e no entanto continuam a debitar tabaco - já nem falo sequer do haxe - como se fossem comboios da época do vapor?), fiz o que tinha a fazer: pirei-me anarquicamente dali para fora e fui até à feira do livro de Lisboa, a autêntica. Se o anarquismo é aquilo que estava representado ali, quero ser um déspota totalitário.
P.S.: Pela primeira vez na minha vida, incluindo concertos de heavy metal, fui a um sítio e era a pessoa mais bem vestida e apresentável. Sintomático... ao ponto que a anarquia chegou: até eu já posso dar conselhos de moda àquela gente!!!!
P.S.2: À conta de ter poupado guito na feira pseudo-anarquista, comprei um livro do George Orwell, esse sim, um anti-totalitarista de respeito, na feira do livro de Lisboa. E ainda cuspi nas bancas da Leya. Aprendam, anarcas da treta!
P.S.3: Amanhã, o autor deste blog vai ser publicamente humilhado. À semelhança do que acontecia antigamente com os putos que se portavam mal e eram obrigados a escrever, no quadro e à vista de todos, coisas como "Não volto a despir as cuecas à senhora professora", no post de amanhã a criança que escreve estas linhas ver-se-á obrigada a cumprir um castigo que é do mais reles, do mais baixo que se possa imaginar. Portanto, se quiserem passar por outro blog em vez de clicarem neste, o autor agradece.
P.S.4: Já chega de PS's, não?!
P.S.5: Sim, já chega.
sexta-feira, maio 23, 2008
Desabafo Nerd
Software de rabo é a pichota... :(
quarta-feira, maio 21, 2008
Mr. Jones
terça-feira, maio 20, 2008
Oa Oirártnoc!
Aos 3'14'' da música, chega, junto de mim, a minha cara-metade. Quase tão lúcida como quando me apelida de "George Clooney da blogosfera", comentou: "Ah, isso é aquela música que tocada ao contrário dá uma mensagem satânica, não é? As pessoas inventam com cada coisa..." Para ser honesto, eu já não me lembrava desse boato, mas o facto de a cara-metade me ter reavivado a memória despertou em mim outro desejo: o de escutar a Stairway to Heaven ao contrário, coisa que já não fazia há muitos, muitos anos. Da última vez, uns dias antes de entrar para a escola primária, tinha ouvido a música no meu quarto, no centro de um pentagrama desenhado a vermelho, à luz de sete velas negras e enquanto empunhava um cálice contendo o meu próprio sangue. Mas depois cresci e nunca mais me meti em rituais destes.
Chegada a Stairway to Heaven ao fim, fiz uma nova pesquisa, tentando encontrar a mesma canção mas backwards. E não é que encontrei? (o youtube tem mesmo tudo, caraças!) E pronto, pus-me de novo de ouvido atento. E o que escutei eu? "Zghuth iaaaaaahhh kuoshhhhh miaaaiaaaiaaa torschewzzzzzggggaaaahhhhrrrrrrr" e por aí adiante. Não sei se ocultistas experimentados têm a mesma opinião que eu, mas isto, a mim, parece-me tudo menos uma invocação do mafarrico. Eu faço os mesmos sons, ou piores, quando estou nos lavabos, e nunca me apareceu nenhum bicho vermelho dotado de cornos, cauda e pés de cabra (apareceram-me já bichos estranhos a boiar na sanita, mas aquele nunca, garanto!). Portanto, tenho de qualificar o boato que envolve a Stairway to Heaven como, cientificamente falando, "uma ganda treta".
Porém, ainda outro desejo despertou em mim: porquê ficar-me por aqui? Se há gente que vê invocações satânicas numa simples música rock, o que será que se pode ver noutro tipo de mensagens? Chamei a minha miúda e coloquei-a à prova: primeiro, mostrei-lhe, ao contrário, as declarações de José Sócrates na sequência do caso do fumo. "Hmmmm, isto parece-me o primeiro capítulo do I'm in Love With a Popstar, da Rebelo Pinto!". Fiquei deveras surpreendido, pois para mim aquilo não passava de fonemas sem sentido, mas mal reflecti nisto cheguei à conclusão de que a minha mais-que-tudo estava certa. Fiz novo teste: botei-lhe o discurso do Alberto João Jardim na rentrée do Funchal em 2005. "Isto parece-me uma orgia de babuínos dobrada por uma manada de rinocerontes com sinusite", disse-me ela, e eu pedi-lhe desculpa pois esquecera-me de meter aquilo a tocar do avesso. Assim que o fiz, emitiu nova opinião: "Ah, isto assim já faz lembrar a parte final do Titanic, mas com mais mortes". Giro, pensei eu, desta vez também me veio à ideia uma imagem semelhante. Talvez isto das mensagens subliminares seja verídico, afinal de contas. "Vamos a mais uma", sugeri, e pus a tocar ao contrário uma colectânea de intervenções do Pedro Santana Lopes na assembleia da República, à época em que era primeiro-ministro. "Gajo", disse-me, "acho que te enganaste. Isto são as palestras do José Sócrates nos comícios do PS!" Não, não me tinha enganado: este era, isso sim, e sem a mais pequena dúvida, o resultado do Santana Lopes virado do avesso. Finalmente fiquei convencido de que há realmente mensagens escondidas. Continuo a não ver nenhuma no Stairway to Heaven, mas encontrei-as noutros sítios. Tomem pois cuidado, elas andam aí!
segunda-feira, maio 19, 2008
"Tenho de virar/A minha vida/De pernas pró ar"
Irrealismos à parte, o que me causa mais estranheza é precisamente o teor do refrão: a malta está toda a cantar um "Tenho de virar/A minha vida/De pernas pró ar"! E este refrão é estranho porquê? Porque o anúncio diz respeito a um Banco, não é? É! Ora, uma pessoa vira-se de pernas para o ar quando vai, por exemplo, fazer bungee jumping ou outra actividade assim mais ou menos radical; quando vamos contrair um empréstimo, seja no Millenium/BCP ou noutro Banco qualquer, não é bem de pernas para o ar que nos pomos... colocamo-nos, isso sim, de cu para o ar, e ajeitamo-nos à bela da sodomia: qualquer Banco, vendo-nos em tão infeliz posição, apronta um sorriso e lá vai, todo contente, agarrar-nos no nalguedo para enfiar no nosso traseiro a bela da prestação mensal. Trungas, já está! Dói, não dói?!
O que eu quero dizer com isto é que está aqui mais um caso de publicidade enganosa. Os jovenzitos do anúncio deveriam estar a cantar o "Tenho de virar/A minha vida/De cu pró ar", pois é disso precisamente que se trata. Os pulos e as caras de parvos são opcionais, mas ao menos que digam as coisas como elas são, caraças!
sexta-feira, maio 16, 2008
Notícias à maneira



Obrigado a ambos, do fundo do meu coração e, principalmente, dos meus ouvidos.
quinta-feira, maio 15, 2008
Fumo Rosa
Em primeiro lugar, não acredito em tais declarações e vou fazer, portanto, ouvidos moucos. Todos nós já percebemos, desde o início desta legislatura, que José Sócrates não cumpre as suas promessas; se ele garante que vai deixar o tabaco, o mais provável é, daqui a uns meses, estar mais agarrado ao vício do que o Miguel Sousa Tavares e restantes acólitos pró-fumo.
Em segundo lugar, a malta até pode aceitar as desculpas e tal, até pode compreender que o primeiro-ministro tenha violado a lei, inconsciente ou conscientemente: afinal, isso é uma coisa tipicamente portuguesa, como fingir que se tem um diploma, por exemplo. A malta não se importa e não liga se o primeiro-ministro, depois de ter fumado onde não devia, vem desculpar-se pelo acto e promete não repetir a façanha. O que a malta quer, e agradece, é que o senhor primeiro-ministro deixe de o ser! Da mesma maneira que José Sócrates reconheceu o erro que cometeu ao ter posto a boca no cigarro, ou lá o que era, fazendo assim pouco da Lei do Tabaco, deveria, por maioria de razão, reconhecer o erro que anda a cometer ao fazer pouco do país.
Seria óptimo, neste capítulo, um mea culpa por parte de Sócrates, e bem que podia fazer o favor de deixar o país com a mesma facilidade que alega vir a deixar de fumar. Aí é que era mesmo caso para se dizer "Porreiro, pá!".
quarta-feira, maio 14, 2008
A última coisa que há a dizer sobre o escândalo da Casa Pia
Enfim, não deixa de ser típico desta história da Casa Pia: quem se fode é sempre o pequenino...
terça-feira, maio 13, 2008
Quem Tem Amígdalas, Tem Medo!
A esta hora, os inimigos dos Estados Unidos (e eles são muitos!) já devem estar todos acagaçados - afinal não deve ter graça nenhuma enfrentar um exército que é imune ao terror. Porém, desenganem-se estes inimigos! A situação não é assim tão dramática! Pensem da seguinte maneira: para os neurocirurgiões serem bem sucedidos a inibir as "amígdalas do cérebro", é necessário, por uma razão de precedência lógica, encontrar o cérebro. Ora, e é aí, caros inimigos dos EUA, meus amigos, que está o busílis: encontrar o cérebro em soldados americanos é tarefa mais hercúlea do que localizar armas de destruição maciça no Iraque!
segunda-feira, maio 12, 2008
A Barreira de Fumo
Do que se trata? Disto: como as pessoas já não podem fumar dentro dos estabelecimentos, reúnem-se à porta destes; ora, a concentração de um grupo elevado de fumadores numa reduzida franja de terreno faz com que essa área se torne mais poluída do que a central de Chernobyl à época do desastre nuclear. Por esta razão, passar para o outro lado da "Barreira de Fumo" (ou seja, entrar no estabelecimento) revela-se uma actividade repleta de perigos: eu, por exemplo, enfrentei no outro dia uma dessas barreiras, tão espessa, densa e rica em alcatrão que poderia retirar-se dela matéria-prima suficiente para a construção dos acessos rodoviários ao futuro aeroporto de Alcochete! Depois de, a custo, ter deixado a "Barreira de Fumo" para trás, constatei que o meu rosto estava mais escuro do que o de um mineiro negro que saísse à rua numa noite de lua nova, e as minhas roupas cheiravam mal, muito mal, tipo um par de cuecas da Elsa Raposo após uma semana de uso ininterrupto (bom, eu nunca cheirei isto, mas não deve ser lá muito agradável. Ou deve?!? Fica a pergunta...).
São estes os perigos que os não fumadores agora enfrentam, passados quase 5 meses após a implementação da Lei do Tabaco. A situação inverteu-se: dantes, os espaços públicos eram intransitáveis e, devido a isso, a malta que abomina o fumo destilado pelos paus de cancro tinha de abancar lá fora; hoje em dia, "abancar lá fora" torna-se impossível por causa da "Barreira de Fumo" e ir lá para dentro só é exequível se formos bem sucedidos na travessia de tão tenebroso obstáculo, autêntico Adamastor edificado em nicotina.
Já sei, já sei, os leitores fumadores devem estar a pensar: "quem me dera agora um cigarro!" E também: "Ó Tanis, tu tens razão, sem dúvida, a tua argumentação é perfeita e insofismável, e usas metáforas tão interessantes quanto eficazes, tipo essa do Adamastor de nicotina, hehehe, que giro, e além disso ouvimos dizer que a Catarina Furtado tem um fraquinho por ti, e alertas muito bem para os problemas que a Lei do Tabaco não é capaz de solucionar, e ainda por cima não fumas, o que te deixa mais dinheiro para adquirires os fantásticos cds que compras todos os meses, oh! como nós gostávamos de ser como tu, mas pensa também em nós, fumadores! Privados dos espaços públicos, onde é que podemos fumar? Tem de ser mesmo à porta desses espaços, não achas?"
E eu respondo: meus caros, compreendo a vossa réplica e agradeço as vossas amáveis palavras, que muito me sensibilizaram, contudo penso que vocês são todos uma bestas! Isto porque podiam muito bem fumar por turnos, ou seja, vinha o Paulo, fumava, ia embora, 5 minutos de intervalo para renovar o ar, vinha a Joana, fumava, ia embora, mais 5 minutinhos de pausa, vinha o Celso e a mesma coisa, e assim por diante. Resultado: impedia-se a fumaceira em grupo e, deste modo, a formação da famigerada "Barreira de Fumo".
Fácil, não é? Eu penso sempre em tudo! Outra solução seria, claro, e bem mais eficaz, os fumadores deixarem de o ser, mas isto se calhar já é pedir demasiado... Afinal, diz-se por aí que eles também têm direitos... Pfffff!!!! Tontice, é o que é!
sexta-feira, maio 09, 2008
Má informação
Tanis
quinta-feira, maio 08, 2008
Também tu, porco capitalista?
Dois avisos do Peter of Pan ao senhor Ulrich: primeiro, cale-se! Segundo, esse seu raciocínio é redundante na primeira insinuação, e errado tout court na segunda. Redundante porque não pertence, nem nunca pertenceu, aos objectivos das centrais sindicais a criação de emprego! Senhor Fernando Ulrich, uma informação grátis: a criação de emprego cabe aos restantes agentes económicos, tipo as empresas que, como o seu próprio nome deixa adivinhar (duh!), empregam - você pensa que as empresas existem só para dar lucro, não?! Às centrais sindicais cabe sim defender os trabalhadores, informando-os dos seus direitos, e lutar para estes tenham melhores condições (isto, pelo menos, é o que acontece nos países civilizados, não sei ainda como é em Portugal). Ora, exigir às centrais sindicais a criação de emprego é pedir-lhes que transgridam e passem para além das suas funções básicas. Aliás, se isto sucedesse, pior seria para as empresas: o que aconteceria se as centrais sindicais gerassem emprego? Algo do género:
Empresário 1: Ó pá, ter uma empresa em Portugal está cada vez mais difícil!
Empresário 2: Pois é, pá!
Empresário 1: Já nem há trabalhadores para explorarmos!
Empresário 2: Pois é, eles vão todos trabalhar para as centrais sindicais, olha que gaita!
Já no que toca à segunda acusação do senhor Ulrich, o senhor está pura e simplesmente enganado, porque os políticos sim transgridem e ultrapassam a sua função elementar, que é fomentar, criar condições para que haja emprego. Por vezes, os políticos armam-se em empresários e geram também eles emprego: o senhor Ulrich nunca ouviu falar nos jobs for the boys? Pois é isso...
Portanto, senhor Ulrich: esteja caladinho e vá trabalhar, malandro! O que, no seu caso, é: vá explorar o proletariado, malandro!
quarta-feira, maio 07, 2008
Lúcidos comentários acerca deste tempo maníaco-depressivo
Não, por "brincadeira parva" não me refiro aos preços dos combustíveis, muito menos à tão propalada crise dos alimentos, nem ao défice ou outras coisas assim, comezinhas. Aquilo a que me refiro é à palhaçada meteorológica que andamos a viver! É que não suporto isto: num dia estão mais de 30 graus e tal, na manhã seguinte chove e faz frio, e na mesma tarde regressa, todo lampeiro, o mesmo calor que andou a atormentar ou deliciar a malta (a opção depende de se estar a trabalhar ou de férias) no dia anterior. Este é, como aleguei no título do post, um tempo maníaco-depressivo, mas quem sofre dissabores somos nós, seres humanos. Primeiro, porque é lixado uma pessoa ter de andar constantemente a escolher o tipo de roupa que vai levar (aqui, por "pessoa" quero dizer "indivíduo normal do sexo masculino", porque nós já sabemos que as gajas, essas malucas, gostam é disso! Para elas, ter de ir ao armário várias vezes ao dia para escolher roupa não é um suplício, é o paraíso sobre a Terra!). Ontem, por exemplo, eu andava de t-shirt; já hoje, levei uma camisola para me abrigar do frio e da chuva que batiam logo de manhã, mas agora, de tarde, já me arrependi e, com o calor que faz, estou com uma vontade de me despir todo que nem queiram saber! Segundo, porque o nosso próprio corpo não aguenta este tempo assim. O nosso corpo precisa de se preparar gradualmente tendo em conta as mudanças climáticas; ora, essa preparação não existe quando num dia está um calor tropical e no outro um frio invernal, e no outro a seguir novamente calor, e depois chove, e depois faz sol, e depois vento, e assim por diante. É daqui que provêm constipações, reumáticos, enxaquecas e demais maleitas estúpidas, que poderiam muito bem ser evitadas caso vivêssemos sob uma temperatura mais ou menos estável.
Além dos dois problemas citados (o vestuário e o corpo, recorde-se), há um outro, de natureza moral: se o tempo anda maníaco-depressivo, de quem é a culpa? Da confusão no PSD? Do Paulo Bento? Do governo Sócrates? Do Bush ou da corrida à Casa Branca? Do Dança Comigo que dá aos sábados na RTP1? Dos anúncios em lingerie da Cláudia Vieira (realmente, aquilo dá cá uns caloooores...)? De outra coisa qualquer? É muito difícil, nesta situação, personalizar a culpa ou arranjar um bode expiatório que seja. Por isso, o que dá vontade é botar as culpas "na vida, no universo e em tudo o resto" (copyright Douglas Adams). E é, à falta de melhor, o que vou fazer. O tempo está doido? Então, raios parta o tempo, a vida, o universo e esta porcaria toda que me anda a chatear o esquema! Porque já estou mesmo fartinho disto! Ao menos, avisem (e não estou a falar dos boletins meteorológicos dos canais televisivos), e com alguma antecedência, para um gajo saber à partida aquilo com que tem de contar. E se for possível um solzinho à maneira ali para Agosto, que é quando estou de férias, prometo ficar calado, ok? Pronto, vamos lá a ter mais juízo...
terça-feira, maio 06, 2008
Três notícias que são o espelho do país
1ª: 6000 gestores de empresas declaram salário mínimo ao fisco.
2ª: O PSD vai pagar a multa relativa ao caso Somague em prestações, pois o partido não dispõe de crédito junto da banca.
3ª (a pièce de résistance): Portugal é dos países europeus cuja democracia apresenta pior qualidade, cifrando-se no 21º lugar entre 25 países analisados.
Não admira que a democracia portuguesa ande pelas ruas da amargura. Nem o contacto, na União Europeia, com países realmente democráticos nos tem valido. Bolas, que país é este, em que até os gestores, coitadinhos, não conseguem auferir mais do que o salário mínimo? Que país é este, em que o maior partido da oposição, coitadinho, não dispõe de uns trocados para pagar uma mera multa? Não é assim, definitivamente, que a nossa democracia avança...
P.S.: Agora fora de brincadeira, uma sugestão: alguém ponha aqueles 6000 gestores a pagar a multa do PSD. E o PSD a pagar a dívida fiscal desses mesmos gestores. Por favor...
segunda-feira, maio 05, 2008
Também quero ser candidato!
Primeira, nenhum dos 5 candidatos até agora confirmados oferece confiança. Manuela Ferreira Leite foi ministra, em governos diferentes, da Educação e das Finanças e só fez porcaria em nas duas ocasiões, e além disso é feia como a morte; Pedro Passos Coelho tem um ar tão beto que poderia facilmente passar por militante do CDS/PP; Neto da Silva não é conhecido por ninguém, nem pela própria família; Patinha Antão tem o nome mais ridículo da política portuguesa (um diminutivo seguido de um aumentativo?!?!); já Pedro Santana Lopes... bem, é o Pedro Santana Lopes! Ao contrário destes 5 nomes, eu sim sou de confiança (vá, não se riam!), eu percebo de política, eu sou bonito, eu tenho um nome apelativo e carismático, eu tenho um ar simultaneamente chunga e distinto, sendo por isso capaz de cativar não só os analfabetos como também os intelectuais (duas classes que abundam no PSD, especialmente a primeira...) e eu sou conhecido nas mais variadas esferas da sociedade portuguesa, embora todas me tratem por "Tanis, o Maluco" - ainda tenho de trabalhar nisto...
Segunda, não tenho a mínima vontade nem necessidade de recorrer ao nome da maior vaca sagrada social-democrata: Sá Carneiro. Todos, mas TODOS os candidatos usam-no como argumento de autoridade, e eu pessoalmente acho estúpido andar sempre a convocar um morto só para servir de muleta a aspirações políticas. Às vezes, o PSD mais parece uma sessão espírita do que um partido político: "O Sá Carneiro disse isto", "O Sá Carneiro pediu que se fizesse aquilo", "Temos de honrar o espírito de Sá Carneiro", "Temos de seguir os ditames de Sá Carneiro", "Sá Carneiro estará sempre connosco", etc e tal. Já chega desta semântica, o PSD deve concentrar-se apenas no mundo dos vivos, e eu sou a pessoa ideal para o fazer porque, bom, porque também estou vivo e tenho ideias vivas, embora não saiba aonde se enfiaram elas (é que estão tão vivas que desatam logo a fugir, as malucas!).
Terceira, uma razão estritamente pessoal. Já estou farto de ser anarca, rebelde, revolucionário, sedicioso, defensor dos fracos e oprimidos, paladino dos direitos individuais e sociais, opositor da opressão, do despotismo e do patronato! Estas porcarias não dão tacho nenhum, e assim não pode ser, pois até eu preciso de ganhar a puta da vida! Se me candidatar à presidência do PSD, e ganhar (e sendo os militantes sociais-democratas tão tolos, isso é algo que pode perfeitamente acontecer), abre-se todo um novo caminho diante de mim: sacos azuis, tráfico de influências, peculatos, e muitas outras coisas divertidas que sempre desejei experimentar, mas nunca pude por culpa das minhas convicções político-morais. Quero passar para o outro lado e ver como é estar na linha da frente de um partido liberal. Quero fomentar e estimular o corporativismo ao invés do associativismo. Quero pôr o dinheiro à frente das pessoas, em particular à MINHA frente. Quero um dia ter a possibilidade de ser primeiro-ministro em vez de me limitar à condição de manifestante anónimo na avenida da Liberdade. Quero aparecer na assembleia da República, nos jornais e televisões. E quero, acima de tudo, chatear o Sócrates, e se alguém tem de o fazer, que seja eu, pois possuo enoooooorme experiência enquanto chato!
Portanto, se são militantes do PSD e vão estar no próximo congresso extraordinário, votem na minha moção. Vão ver como coloco a seta do partido a apontar na direcção certa! Obrigado!
sexta-feira, maio 02, 2008
Preciso de ser internado, e depressa...
“Ah, este é uma monografia que percorre toda a filosofia do Heidegger, mas trata sobretudo da ontologia e do problema do ser. É muito bom!”
O que há de errado aqui? Os mais lúcidos e atentos certamente já deram conta: utilizei “Heidegger” e “muito bom” na mesma frase! Ou seja, aconselhei um livro sobre Heidegger e ainda o adjectivei e, pior, adjectivei-o positivamente! Não sei o que me passou pela cabeça (a rapariga era gira, mas isso não serve de desculpa!), pois para mim um livro bom sobre aquele filósofo alemão era, até ao momento, um livro que falasse mal dele e da sua filosofia de trazer por casa (a casa do ser?!?!). O que me terá levado a dizer bem de uma obra que comenta e presta vassalagem à ontologia heideggeriana? Estarei doente? Estarei maluco? Estarei com os pés para a cova? Não sei, não sei mesmo… olhem, se me virem na rua, espetem-me um carolo nos cornos, pode ser que eu tome juízo! Onde é que isto já se viu?!...
Tanis
quarta-feira, abril 30, 2008
Lúcidos comentários acerca de Shoot'em Up - Atirar a Matar
Recentemente tive oportunidade de assistir a este filme, em dvd ripado (não, não tenho medo da polícia, nem do SIS, nem dos fanáticos dos direitos de autor). Quando passou pelas salas de cinema, deu-me vontade de ir vê-lo, por uma razão apenas: Monica Bellucci, a Musa. Porém, acabei por não o fazer (não é que eu me tenha tornado gay, apenas não me apeteceu) e o filme ficou entretanto esquecido. Em má-hora, diga-se, pois arrependi-me de não o ver nos cinemas mal o vi em dvd! É que a coisa é brilhante, talvez o melhor filme de acção produzido por Hollywood desde o estrondoso Sin City, com o qual tem, aliás, algumas afinidades, a começar pelo protagonista principal, Clive Owen, o homem mais perigoso do mundo com uma arma de fogo e uma... cenoura! (sim, é verdade, uma cenoura! Só visto dá para acreditar! Qual Bugs Bunny, qual quê!) Os outros dois trunfos em termos de representação são o Paul Giamatti, no improvável papel de um vilão inteligente, calculista mas - paradoxalmente - desesperado, e a já atrás citada Monicona, no papel (feito à medida, aliás) de uma prostituta.
A história, essa, é um gozo, uma desbunda autêntica que pega nos filmes de acção e em todos os clichés possíveis, mastiga-os, dá-lhes a volta e cospe-os envolvidos numa saliva de humor que não é negro, é negríssimo. Para encontrar um paralelismo, além da referência ao Sin City, tome-se o primeiro Kill Bill, em particular a cena em que Uma Thurman enfrenta 88 gangsters japoneses e dá cabo de todos: Shoot'em Up utiliza o mesmo exagero, hiperbolizando, ironizando e extremando não só o enredo como as próprias cenas de acção - e isto durante todo o filme! Ele é sangue por todos os lados, ele é tiros sobre tudo o que se move, com orgasmos femininos à mistura (numa das melhores cenas de sexo de todos os tempos, Owen e Bellucci mandam uma enquanto o primeiro mata uma série de malfeitores, e isto sem o tirar cá para fora), ele é twists, esperados e inesperados, ele é violência gratuita, testosterona a rodos, piadas sádicas, tiradas de mau gosto e tudo o que se exige de uma película de acção manhosa e mais, muito mais! Em resumo, este filme é uma delícia, e quem aprecia uma boa anarquia não o pode perder. Diversão garantida do princípio ao fim, acreditem! Aliás, o filme é tão, mas tão bom que só consegui falar da Monica Bellucci por três vezes (bem, com esta são quatro) e, na minha mundividência, pelo menos, algo que relega a fabulosa deusa italiana para segundo plano tem, NECESSARIAMENTE, de ser fora-de-série.
Já agora, ninguém me empresta 15 euritos para eu poder comprar o dvd original que está à venda na Fnac? Obrigaditos, pá!
terça-feira, abril 29, 2008
Olha, vacina-mos!
Chegado ao consultório, retirei a senha com a minha vez, e esperei. Não esperei muito, porque uma das enfermeiras chegou-se junto de mim para me informar, algo antipaticamente, disto: "ó artolas, tem de colocar o boletim, a senha e o cartão dentro desse plástico e aguardar, seu estúpido!". Apeteceu-me mandá-la levar uma vacina no esfíncter, mas lá me calei e fiz o que a tipa disse. Cinco minutos depois, fui chamado a entrar num pequeno gabinete: estava lá a mesma enfermeira, uma outra com sotaque de leste e outra ainda que não deu para perceber de onde era nem o que ali fazia, pois limitou-se a ficar de pé a olhar para mim enquanto eu era atendido. Mandaram-me sentar numa periclitante cadeira, e quando o fiz a enfermeira de leste lançou-se quase de imediato ao meu braço esquerdo, mas defendi-me estoicamente! "Não, não e não", exclamei, e a tipa olhou para mim de lado, como quem pensasse "bem, atina-te ou chamo a máfia russa e eles dão-te a injecção noutro lado". Acrescentei que era canhoto, e portanto convinha que me dessem a pica no braço direito. Ao ouvir isto, a enfermeira antipática riu-se e respondeu-me "seu tolinho, a vacina será dada no ombro", o que sinceramente é uma resposta idiota e nada a ver, tipo as do Pedro Santana Lopes à comunicação social. Como me mostrava intransigente, a enfermeira de leste lá me picou o ombro direito, pôs-me um penso e ala que se faz tarde: levantei-me, peguei nas minhas coisas e desandei dali para fora.
Foi à saída que compreendi melhor o porquê de toda esta situação. As enfermeiras não me conheciam, eu não as conhecia, não havia entre nós uma relação interpessoal. Ora, quando se trata de cenas de espetanço, creio não estar em erro quando afirmo que a confiança entre quem espeta e quem é espetado é fundamental. Foi isso que falhou! Abri o meu boletim e confirmei: a rapariga que me administrara a vacina há 30 anos atrás era uma Maria, 10 anos depois era uma Carolina, 20 anos depois era uma Carla, e hoje tinha sido uma gaja cujo nome não consegui decifrar, mas como era de leste vou chamá-la Natascha. A Natascha não podia saber que sou esquerdino, tal como a Carla, 10 anos antes, não o sabia. E eu não as conhecia de lado nenhum, de modos que não podia ficar relaxado perante a imagem de uma mulher com uma seringa na mão, pronta a enfiar-se-me pelo corpo abaixo. Percebi então a quase hostilidade da enfermeira antipática, percebi também a desconfiança da enfermeira de leste, continuei sem perceber a presença da terceira enfermeira lá no gabinete, e percebi ainda os meus receios em levar esta estúpida vacina de 10 em 10 anos. Tudo se resume à falta de uma relação entre todos nós, e o ministério da Saúde deveria estar mais atento a este género de coisas. Deveria esforçar-se por promover um contacto prévio entre quem dá e quem leva, deveria tentar que as duas partes se conhecessem previamente. Se assim fosse, cenas dramáticas seriam evitadas, creio eu. E um gajo poderia ir para casa tranquilo, sem se chatear, confiante na protecção anti-bacteriana que acabava de levar. Mas, da maneira como as coisas estão, isso não é possível. Um tipo é achincalhado, é hostilizado, é agredido com uma seringa, fica à rasca do ombro, tem de ir para casa pôr gelo localizado e ainda por cima não pode ter fantasias à custa das enfermeiras, pois estas deixaram-lhe tão má impressão que nem o pensar naqueles uniformezinhos lhe dá tesão. Uma pena...
P.S.: Au, o meu ombro!...
segunda-feira, abril 28, 2008
Sonho de uma Conspiração de Verão
Tudo começou com um cientista finlandês, que havia descoberto, nas suas investigações, um qualquer segredo que o tornava num homem bastante perigoso, e que vários governos e organizações desejavam eliminar. Receoso, o cientista decide desaparecer, não sem antes colocar o conteúdo da sua pesquisa num e-mail e enviá-lo a duas, e só duas, pessoas: uma era eu, a outra... bom, a outra era o comediante norte-americano descendente de irlandeses, Conan O'Brien.
Ao recebermos o e-mail, eu e o Conan entrámos em contacto. O assunto parecia sério e sabíamos que estava ali algo potencialmente explosivo, só que havia um pequeníssimo problema: nenhum de nós sabia nada da língua suomi, isto é, finlandesa. Durante algum tempo, não posso precisar quanto porque os meus sonhos não trazem relógio ou calendário, lutámos por perceber aquilo que constava do ficheiro enviado pelo cientista e trabalhámos também arduamente para traduzir esse conteúdo para inglês. Porém, praticamente no fim da empresa, descobrimos que também nós andávamos a ser espiados, e que, no preciso momento em que imprimíamos a tradução do texto do cientista, com o propósito de a levarmos até um editor para posterior publicação, dois patifes contratados pelo governo norte-americano subiam as escadas que davam até ao nosso apartamento.
Eu entrei em pânico, mas o Conan não! Ele disse-me, calmamente: "Relax, Tanis. We'll jump through the window!". Quando me preparava para espetar um murro naquelas fuças, pois a ideia de saltar pela janela parecia-me extremamente absurda, ouvi tiros no corredor: os dois patifes estavam a disparar contra a fechadura, preparando-se de seguida para entrar no local onde estavam eu, o Conan e o manuscrito. Pensei: "Olha, que se lixe! A mim não me apanham vivo!", e, virando-me para o Conan, "Let's go, motherfucker!". E saltámos! Todavia, não nos estatelámos: poucos andares abaixo da nossa janela, encontrava-se um saco elástico que ligava a outro apartamento; este gadget tinha sido montado horas antes pelo próprio Conan O'Brien, que já andava desconfiado de ser seguido. Entrámos então no outro apartamento, o Conan recolheu o saco e fugímos dali para fora. Já na rua, lançámos ambos um olhar sarcástico para a nossa janela: os dois mercenários encontravam-se lá, com esgar de espanto, perguntando-se a si mesmos como pudéramos nós escapar. Eu e o Conan rimo-nos, e não aguentei: lancei um "Hey, motherfuckers, come and get us" para os dois meliantes e ainda lhes fiz um manguito, desatando depois a correr, com o manuscrito debaixo do braço e o Conan atrás, deixando os tipos ainda mais especados a olhar da janela!
Já mais descansados, Conan e eu decidimos comprar uma passagem para Paris. Aqui chegados, dirigimo-nos até uma editora francesa, falámos com o manda-chuva e convencemo-lo a publicar o manuscrito o mais rapidamente possível, pois detinha informação que, tornada pública, mudaria o rumo da humanidade. Mais rápido do que o diabo a esfregar um olho (é a vantagem dos sonhos: os cortes acontecem assim, tipo cinema), o manuscrito dá lugar a milhares de exemplares em livro e saímos, eu e o Conan, da editora, carregando cada um o seu exemplar, para recordação. E passeámos sorridentes por Paris, conscientes de que havíamos salvo o mundo. Fim do sonho!
Já sei o que vão dizer: "Ó Tanis, a sério, interna-te!"... Que sonho tão estúpido, não é verdade?! Juro que vou deixar de ver o Late Night With Conan O'Brien na Sic Radical...
quinta-feira, abril 24, 2008
Abram alas para as Brigadas Revolucionárias!
E porquê? Primeiro, porque é giro, segundo, porque me apetece, terceiro, porque depois de um dia inteiro de dedicação técnico-táctica à lingerie da La Redoute, um gajo tem de se distrair com coisas menores e quarto, porque tais soundbytes são a única coisa verdadeiramente interessante de um 25 de Abril, pois - pelo menos, a fazer fé naquilo que tem ocorrido nos últimos anos - é neles que se revela o crescente descontentamento do pessoal em relação à situação do país, bem como a vontade de promover nova revolução que retire os pelintras do costume lá do poleiro.
É aqui que eu entro! Sou um passionato das insurreições, dos coup-d'etat populares e, além disso, sou um presunçoso do caraças por espetar aqui termos estrangeiros ("soundbyte", "passionato", "coup-d'etat"... fónix!!!!). E é enquanto apreciador de uma bela revoluçãozinha que fico contente por a malta andar cada vez mais enconada no 25 de Abril, pois a insatisfação é o primeiro passo para a revolução (gostaram do dito?! Até rima e tudo...) e, quanto maior for a insatisfação, mais próxima está a revolução, e se esta está por vir, tem de funcionar melhor que a outra, em que um bando de militares com chaimites cercou o Largo do Carmo exigindo a demissão do presidente do Conselho, Marcello Caetano, caso contrário os mesmos militares passariam o tempo a interpretar músicas do Zeca Afonso. Não é isto que eu quero para a revolução que se avizinha; esta necessita de maior ousadia. Nada de exilar o responsável pelo governo, não! É atar-lhe uma corda e metê-lo, todo nu, ali ao Terreiro do Paço para a animação de domingo. É obrigar os deputados do governo e da oposição a ler, non-stop, a biografia do Tony Carreira! É nacionalizar todas as empresas e também todas as gajas boas que aparecem nas novelas da TVI! É considerar o Pinto da Costa e a Carolina Salgado como inimigos públicos, enfiá-los numa choldra qualquer e deitar a chave fora! É proibir, a bem da nação, todos os discos dos Pólo Norte e se possível mandá-los mesmo para o pólo norte (discos e banda, entenda-se!)! É retirar os telemóveis aos alunos e os paus de giz aos professores, assim aqueles não chateiam estes e estes não chateiam aqueles! É, em suma, fazer uma revolução que dignifique o país e as pessoas que nele vivem, e que daqui a 34 anos não haja motivos de queixa.
Estão comigo, camaradas? Espero que sim. Bom 25 de Abril.
P.S.: Isto anda bonito... poucas semanas depois de Alberto João Jardim ter mandado o celebérrimo comentário dos espíritos que se auto-masturbam, agora foi a vez de um deputado do PSD-Madeira ter afirmado, num blogue qualquer, que Santana Lopes entalou Alberto João. Acho curiosa toda esta nova semântica do PSD. Não admira que o partido esteja todo fodido...
quarta-feira, abril 23, 2008
Então, e tipo, quando é que um gajo deve começar a fazer as malas?
O que é mau, pelo menos para mim. Eu não visito a Madeira com medo de dar caras com esse senhor (o termo "senhor" é, aqui, utilizado apenas em sinonímia), mas se ele assentar arraiais cá, prometo que me ponho na alheta... talvez vá mesmo para a Madeira, sobretudo se a ilha se tornar independente de Portugal (algo que, não há muito tempo, Alberto, o Inenarrável, ameaçou fazer).
No entanto, tenho algumas perguntas muito inocentes a colocar: Alberto, o Inenarrável, sempre acusou o continente - em albertês, "cont'nente" -, não foi? (Para os menos esclarecidos, estou a falar de Portugal continental e não da cadeia de hipermercados) E chamou, não poucas vezes, aos habitantes desta região "cubanos" - em albertês, "c'bano" - e coisas piores. E esteve sempre contra os políticos e deputados à Assembleia da República, certo? Se assim foi, o que é que ele vem cá fazer? Irá ele, na mesma Assembleia, no discurso de posse enquanto primeiro-ministro (neste momento, estou a bater três vezes na mesa de madeira que suporta o meu teclado) afirmar que "os políticos do cont'nente são todos umas lésbicas da maçonaria" ou "os senhores deputados não passam de espíritos que se auto-masturbam", ou ainda "o primeiro-ministro é um ditador c'bano"? Mudará ele de discurso caso os seus interesses se alterem? Ou mesmo de referencial, passando a chamar todas aquelas coisas aos... aos... bem, aos madeirenses?
Aguardo com expectativa... mas longe, bem longe do sítio onde Alberto, o Inenarrável, estiver.
terça-feira, abril 22, 2008
Lúcidos comentários acerca de O Amor e a Vida Real
Caramba, como a Juliette Binoche continua liiiiiiiiiinda!!!!! Nem se notam os 44 anos que já leva em cima! Charmosa, elegante, bela, sexy, cheia de classe… Isto sim, é que é saber envelhecer. Uuuuuuufffffffffff! E eu que prometi nunca mais comer francesinhas na vida... :(
Tanis
segunda-feira, abril 21, 2008
Confissões de um sportinguista desencantado
Um ponto prévio para os menos esclarecidos: sim, sou adepto do Sporting! E é nessa condição que escrevo o post de hoje. Porque o post de hoje é de protesto contra o clube de Alvalade! Quer dizer, depois de uma quarta-feira gloriosa como a de 16 de Abril, dia em que os lagartos HU-MI-LHA-RAM publicamente o rival da 2ª circular, aquele clube que se diz "Glorioso" mas deveria apelidar-se "Ranhoso" porque é mais apropriado tendo em conta os jogadores que possui, o Sporting este domingo meteu novamente a pata na poça e sofreu uma pesada derrota (1-4) com o último classificado da Liga Portuguesa.
Isto é irritante! Isto é enervante! Isto é uma merda!!!! O Sporting não pode fazer isto com os seus simpatizantes, não pode num dia levá-los ao Céu e no dia seguinte atirá-los para as profundezas do Inferno. O que o Sporting está a fazer é isto: a transformar os seus adeptos em autênticos maníaco-depressivos, quase como se num momento estivessem a papar a Scarlet Johansson para no momento seguinte serem sodomizados pelo Forest Whittaker. Não há direito, digo eu. É algo que tem de acabar, e de vez. Desfeitas destas não são admissíveis. Porque, além de tudo, é chato: não só os sportinguistas se sentem mal consigo próprios ("Bolas, como foi possível espetarmos 5 ao Benfica e levarmos 4 do Leiria?"), como se sujeitam ao escárnio dos adversários, sejam eles benfiquistas, portistas, vimarenenses, leirienses ou quaisquer outros. E se o gozo dos dois primeiros já é habitual, o gozo dos restantes é verdadeiramente vergonhoso para quem se pretende lagarto. Porque sim, portistas e benfiquistas têm razões para chatear a cabeça aos sportinguistas (mais títulos conquistados, sejam nacionais ou internacionais, maiores estádios, etc.), mas vimarenenses e leirienses não têm, e se passam a ter, tal circunstância é um autêntico atestado de menoridade passado ao Sporting.
Portanto, lagartos de todo o mundo: protestemos! Fazendo minhas as palavras de Luís Filipe Menezes, chega! Basta! O Sporting não nos pode atormentar assim! Vencer o Benfica por 5 a 3 está fixe, mas perder 1 a 4 com o Leiria não dá! Gozar os lampiões durante quatro dias seguidos é fantástico, sermos gozados por todos os outros adeptos por causa de uma derrota com o último é uma treta. Das grandes! Daí que só exista uma solução: jogarmos todos os fins-de-semana contra o Benfica, porque a esses, tendo em conta o plantel de ambos os clubes, ganhamos de certeza. E assim não corremos o risco da oscilação, porque estaremos sempre lá em cima. Para isso, basta-nos obrigar a Liga Portugesa de Futebol Profissional a alterar o calendário dos jogos: todas as jornadas terão de contar com um Sporting-Benfica. Porque nós queremos vencer! Porque nós queremos ser campeões! Porque nós queremos dar grandes cabazadas. Porque nós não queremos voltar a perder com o último.
Apelo à vossa compreensão e espero que estejam comigo. Obrigado.
sexta-feira, abril 18, 2008
Antecipação
Fiquei recentemente a saber que a Cláudia Vieira vai entrar num filme português, onde aparecerá nua.
Ainda não vi...
...mas já me vim!
quinta-feira, abril 17, 2008
Arte no Peter of Pan

quarta-feira, abril 16, 2008
Correio Sentimental do Peter of Pan
Ontem, fui a um bar com 3 amigos meus. Após alguns copos tomados, dei comigo a fechar-me na casa de banho com todos eles e daí partimos para uma orgia de sexo. Depois, fomos para minha casa, onde nos vestimos de mulher e nos sodomizámos alternada e sucessivamente. Pelos meus amigos não posso perguntar, mas por mim pergunto: serei gay?
Joel, Águeda (na verdade, chamo-me Paulo e resido em Alcabideche, mas dei um nome e lugar falsos para que ninguém desconfie…)
Caro Joel, ou Paulo, ou o raio que o parta:
Não, você não é gay. Gay é o Cláudio Ramos! O que você é, é um mariconço do c*ralho!
*
Recentemente, fiz um upgrade no símbolo e nos estatutos do meu partido, mas certos militantes parecem não gostar e, por via disso, preferem passar a vida a atacar-me do que criticar o governo. Eu acho mal, até porque sou líder do meu partido há relativamente pouco tempo e não me apetece nada largar este tacho. O que me aconselha?
Luís Filipe, Vila Nova de Gaia
Caro Luís Filipe:
Eu não aconselho nada, excepto talvez – e visto você estar numa de mudanças – alterar o nome do seu partido. PSD já está muito gasto; experimente só PS. Ninguém vai dar pela diferença e assim quando os seus colegas o atacarem, já poderá dizer que também estão a atacar o governo.
*
Tanis:
Estive a ler os teus textos hoje de manhã e posso concluir: És uma besta!
Tanis, Algures num sítio qualquer por aí.
Tanis:
Ó Tanis, eu sei e tu também o és!
Tanis
terça-feira, abril 15, 2008
Breve consideração sobre o onanismo dos espíritos
Para os que não acompanharam, aqui fica uma rápida contextualização: Alberto João Jardim (a quem gosto de chamar Alberto, o Inenarrável, não só porque é isso que ele é, mas também porque, na Madeira, ele é rei, e um rei merece um cognome à altura) estava no púlpito a discursar quando resolveu mandar mais uma das suas célebres atoardas: virando-se para o secretário-geral do seu partido, proferiu as seguintes palavras, que ainda ressoam fortes e feias no meu sistema cerebral
"Deixe lá os espíritos que se auto-masturbam"
Uma coisa destas parecia-me excessiva, até mesmo para Alberto, o Inenarrável. Até que me decidi a reflectir na frase. E reflecti, reflecti muito (algumas más línguas dirão que o que eu estava a fazer não era reflexão e sim onanismo intelectual, mas adiante...). E a reflexão conduziu-me a três conclusões, autênticos orgasmos do pensamento, e a considerar que a frase acima é todo um programa revolucionário da metafísica, da teologia e da política:
1ª conclusão: Alberto, o Inenarrável, é louco e tarado. Isso parece-me óbvio, e não seria preciso andar a pensar naquelas palavras durante dias a fio. Todavia, não nos devemos centrar apenas nas aparências: devemos investigar o conteúdo da frase o mais profundamente possível. Na verdade, isto é um pouco como interpretar a Bíblia: podemos fazê-lo literalmente, ou podemos fazê-lo alegoricamente. O que importa é saber ler, creio eu.
2ª conclusão: Alberto, o Inenarrável, sabe algo da vida dos espíritos que nem os mais famosos teólogos da História sabiam. Nem eu, tão-pouco. Eu sempre pensei que os espíritos fossem, bem... espíritos, quer dizer, substâncias imateriais, cujas preocupações fossem elevadas, e não carnais. Porém, Alberto, o Inenarrável, vem contestar esta opinião. Afinal, parece que os espíritos têm os mesmos interesses carnais dos corpos; se não fosse assim, que motivo os levaria à masturbação? O que Alberto, o Inenarrável, nos está a dizer é que há mais em comum entre corpos e espíritos do que pensávamos. E isto é aquilo que eu quero dizer com uma revolução metafísica e teológica. Alberto, o Inenarrável, abriu-nos os olhos... e provavelmente masturbou-se enquanto o fez.
3ª conclusão: Para Alberto, o Inenarrável, os espíritos simplesmente não se masturbam: eles auto-masturbam-se. À primeira vista, isto parece uma redundância, pois o enclítico "se" funciona como pronome reflexivo. Um linguista bradaria aos sete céus estarmos perante um erro de construção sintáctica; seria o mesmo que dizer "deixe lá os espíritos que se auto-vestem". Contudo, não é assim. O que Alberto, o Inenarrável, quis dizer - e eu penso estar a interpretá-lo correctamente - é que os espíritos, quando se masturbam, masturbam-se para si e consigo próprios. Passo a explicar: uma pessoa normal, isto é, um corpo, quando se masturba está normalmente a pensar noutra pessoa, tipo por exemplo a Cláudia Vieira. Ou seja, pensa num corpo diferente do seu. Já um espírito, segundo defende Alberto, o Inenarrável, quando se masturba está a pensar em si mesmo, uma vez que um espírito é igual a todos os outros espíritos (a diferença individual - explicam-nos os filósofos desde Aristóteles, dá-se com a matéria, ou seja, o corpo) daí que quando se masturbam, estão mesmo a auto-masturbar-se. E é por isso que os devemos deixar em paz e não lhes ligar nenhuma, pois eles são uns narcisistas do caraças. E é este o conselho que Alberto nos dá: não liguemos aos políticos narcisistas, pois eles não fazem mais nada do que auto-masturbar-se, tal como os espíritos.
Enfim, as coisas que podemos aprender com um discurso do Alberto João Jardim...
segunda-feira, abril 14, 2008
Lúcidos comentários acerca de Juno, o filme.
Por que é que eu digo isto? Porque, em Portugal, as coisas jamais se passariam assim! Quando uma adolescente grávida chega a casa para contar à família que está grávida, o que ocorre é mais ou menos isto:
Juno portuguesa: Sentem-se, tenho uma coisa para vos contar.
Pai: Ó que merda, vem aí problema!
Juno portuguesa: Ahnnn… estou grávida!
Pai: O QUÊ?!?!
Juno portuguesa: É verdade.
Pai: Mas tu queres ver?!... Vais já levar uma valente galheta!
Juno portuguesa: Mas eu não tive culpa, aconteceu!
Pai: “Aconteceu”, “aconteceu”… tu vais já ver o que te acontece!
Juno portuguesa: Eu preciso é de apoio e carinho, não de uma tareia!
Pai: Eu dou-te o apoio e o carinho, ó se dou… mas primeiro espeto-te uma lamparina nessa fuça para aprenderes a ficar com as pernas fechadas!
Juno portuguesa: Mas eu fechei, o Lito é que as abriu.
Pai: Então quem abusou de ti foi o Lito, hã? Ele já vai ver! Ó Maria, vai ali à cave e traz-me a caçadeira e as balas, há um rapaz que vai ficar a saber que não se deve meter com as filhas dos outros. Eu vou capá-lo, eu vou capá-lo!
Juno portuguesa: Ó pai, não! Ele é o pai do meu filho!
Pai: Cala-me essa boca, vou mandar-lhe uns balaços, a ele e à família toda dele, sacanas, envergonharam a minha filha e esta casa mas não vão ficar-se a rir, ai não vão não!!!
Juno portuguesa: Mas eu preciso é de conselhos!...
Pai: Eu já te dou um conselho: vais deixar a escola e arranjar um emprego, que eu não estou aqui para sustentar mães solteiras. E onde está a estúpida da tua madrasta mais a caçadeira? Raios partam, tenho de fazer tudo nesta casa…
Em Portugal, seria assim. Neste país, não há pão para malucos: ter um filho em idade escolar é um estigma inultrapassável, propenso a mudar radicalmente a vida de quem o tem. Uma Juno portuguesa dificilmente teria disposição para fazer piadas; muita sorte teria ela se encontrasse trabalho no supermercado do bairro para comprar leite e fraldas para o filho. Um pai português nunca seria porreiro como o pai da Juno do filme; muita sorte teríamos nós se ele não saísse aí pelas ruas a disparar sobre tudo o que se movesse. E os “amigos” também se comportariam de forma distinta: qual dar apoio, qual quê! A não-sei-quantas está grávida? Problema dela, quem manda armar-se em puta boa? Agora aguente-se à bronca…
Ou seja, uma Juno portuguesa, além de levar com ele e emprenhar, teria também de levar com o resto do mundo em cima. Já a Juno do filme teve foi sorte, portanto. Engravidou e tal, mas ao menos não foi em Portugal, e isso faz toda a diferença entre uma tragédia e uma comédia.
Tanis
sexta-feira, abril 11, 2008
Um dia perfeito na vida do Tanis
Dia perfeito - versão Tanis
9.00h – acordo e descubro que é fim-de-semana, por isso não preciso de ir trabalhar.
9.05h – volto a adormecer.
10.30h – acordo para ir à casa-de-banho. Descubro debaixo do lavatório uma FHM com a Cláudia Vieira. Resolvo “pintar os azulejos”.
10.35h – pequeno almoço: vodka com laranja, torradas, gelado.
11.00h – jogo de futebol com os amigos. Marco 500 golos.
12.30h – chego a casa para tomar um duche. Descubro no meio das toalhas uma GQ com a Isabel Figueira. Resolvo “pintar os azulejos”.
13.00h – almoço com a cara-metade: vinho, lasanha vegetariana, gelado.
13.45h – a cara-metade vai lavar a loiça, eu fico a descansar.
14.15h – depois de lavar a loiça, eu e a cara-metade entramos numa sessão de sexo.
14.50h – imediatamente depois da sessão de sexo, eu e a cara-metade entramos noutra sessão de sexo.
15.30h – depois do sexo, vou à casa-de-banho para aliviar a tripa. Descubro uma Maxim com a Rita Pereira por detrás da sanita. Resolvo “pintar os azulejos”.
16.00h – enquanto a cara-metade fica a arrumar a casa, vou até à Fnac e escolho 200 livros, 500 dvds e 100000 cds. Na caixa, a empregada pisca-me o olho, desmagnetiza os artigos e diz-me que posso levá-los sem pagar. Fixe.
17.30h – lanche ali pelos lados do Rossio: martini, cheesecake, gelado.
18.15h – ida ao Peep Show ali do Elevador da Glória. Resolvo “pintar os estofos”.
18.45h – ao sair do Peep Show, duas turistas suecas abordam-me e dizem-me que sou muito giro. Convidam-me para ir até à Suécia dali a um mês.
19.30h – regresso a casa. A cara-metade já fez o jantar. Antes de irmos ambos para a mesa, entramos em nova sessão de sexo.
20.15h – jantar: cuba libre, pizza vegetariana, gelado.
21.00h – a cara-metade oferece-se para lavar a loiça. Ligo o televisor para ver o jogo do Sporting. Ao fim de 2 minutos, o clube de Alvalade já ganha por 12 a 0.
21.45h – no intervalo do jogo, vou à casa-de-banho para aliviar a tripa. Descubro, ao lado do bidé, uma Caras com a Catarina Furtado e a Sónia Araújo, abraçadas, na capa. Resolvo “pintar os azulejos”.
22.00h – a cara-metade insiste em ver um filme. Eu digo: “depois do jogo acabar”. Ela acata respeitosamente a minha decisão e ainda me traz um cálice de vinho do Porto.
22.47h – o jogo termina: o Sporting venceu por 34564576756 a 0. Escolho um dvd pornográfico para ver mais a cara-metade.
23.00h – esquecemos o dvd e entramos numa sessão de sexo ali mesmo no sofá.
23.35h – tenho fome. Ceia: caipirinha, cajus, bolo de chocolate, gelado.
0.00h – a cara-metade diz-se cansada e vai para a cama. Fico a ver o resto do filme porno.
1.10h – o filme acaba, vou até à casa-de-banho mudar a água às azeitonas. Por cima do espelho, encontro uma Playboy brasileira com a Luiza Thomé. Resolvo “pintar os azulejos”.
1.30h – antes de subir para a cama, enfio meio litro de Pisang Ambon pela goela abaixo e como mais um bocadinho de gelado.
1.35h – dispo-me e deito-me. Passados 5 minutos, acordo a minha cara-metade e entramos numa sessão de sexo.
2.00h – adormeço e tenho sonhos com a Monica Bellucci.
4.00h – os sonhos obrigam-me a ir à casa-de-banho para “pintar os azulejos”.
4.15h – regresso à cama e adormeço, definitivamente.
Tanis
quinta-feira, abril 10, 2008
Diz-me o que pensas não ser, dir-te-ei aquilo que realmente és
“Nunca me considerei racista”
A sério, ele disse isto! Nunca o conhecido dito popular “ninguém é bom juiz em causa própria” fez tanto sentido! É a mesma coisa que o Hitler ter dito, só porque sim, “Não me considero anti-semita, quem foi o cabrão do judeu que disse o contrário?”, ou o Bin Laden chutar um “Ah, eu até nem sou anti-americano, isso são tudo intrigas da CIA!”, ou o Pinto da Costa atirar “Comprar árbitros, quem? Eu? Náááá, só os alugo, como faço com os dvds! Vão-me dizer que isso agora também já é crime, não?”, etc. e tal…
Ou então o Mário Machado está a falar a sério… lembram-se daquela piada de mau gosto que rezava “Eu não sou racista, porque preto não é raça”? Se calhar ele é mais isto…
Por acaso, até nem gosto de militantes de extrema-direita, mas se algum dia, depois de eu ser preso por agredir uns quantos skinheads, mo perguntarem em tribunal, também eu responderei alegremente:
“Nunca me considerei anti-fascista”
É que é capaz de funcionar, sei lá…
Tanis
quarta-feira, abril 09, 2008
Nova singela homenagem à musa Cláudia Vieira
Ó Tanis, estás sempre a meter-te comigo... Que parvo!
Já não é a primeira vez que dedico, aqui neste blog, um post à bela e sensualíssima Cláudia Vieira. É que é mesmo boa, a gaja, e eu de vez em quando dá-me para babar por ela, apesar dos olhares de soslaio de certas pessoas que, quando tento empernar um cartaz com a fotografia da moçoila, desatam a comentar "que tarado!". Enfim, as pessoas sabem lá do que falam, não é?
Nesta ocasião, venho falar da Cláudia para celebrar a nova campanha da Triumph. Os mais atentos certamente já deram conta da catadupa de cartazes que circulam por Lisboa, e os mais atentos desses atentos já tiveram a sua quota-parte de erecções. Eu, confesso, já tive. E não foram poucas. Aliás, neste momento estou com uma porque, no caminho para cá, apanhei duas fotos da Cláudia Vieira que me fizeram subir o falo até quase à zona do queixo...
E aos mais atentos dos mais atentos dos mais atentos, algo não deve ter escapado: o slogan que acompanha as fotografias. Eu reparei, e li, e concordei: o slogan afirma peremptoriamente: RAINHA DO LAR. E é verdade. Cláudia Vieira é a rainha de qualquer lar que se preze. Ela é rainha na cozinha, na sala, no quarto, na casa-de-banho, no hall, na despensa, na varanda, na marquise, no sótão, na cave, em suma, em qualquer lugar onde lhe apeteça "brincar".
Qual Afrodite/Vénus, qual Helena de Tróia, qual Julieta, qual Cinderela, qual quê... Cláudia Vieira é a verdadeira deusa do amor, a musa da paixão, a rainha do prazer corpóreo, a princesa do desejo e do instinto. Não me interessa que ela tenha passado pela inenarrável novelinha Morangos com Açúcar, não me interessa que ela não saiba dizer um texto em condições, não me interessa que ela tenha namorado, não me interessa que ela nada mais possua para além do corpo, não me interessa coisa alguma: só me interessa o despertar dos sentidos provocado pelos cartazes da Triumph. Ó Cláudia, fosses tu grega, mandava-te edificar uma acrópole; como és portuguesa, edifico-te apenas uma ponte construída com o mastro da minha paixão! Oh yeah!
Tanis
terça-feira, abril 08, 2008
Voltei a ser criança!
Começo pelo cabelo. Quem lê este blog há já algum tempo, sabe que a minha testa vem aumentando consideravelmente de tamanho. Ok, pronto, isto não foi senão um eufemismo: a verdade é que estou a ficar cada vez mais careca! Durante muito tempo, isto incomodou-me, até que o acaso me fez deparar com uma fotografia minha da época em que eu possuía uns viçosos dois mesitos e meio. E o que constava daquela foto? Um puto rechonchudo, pançudo, pezinhos pequenos, vestidinho com um bibezito, e… e… ONDE ESTÁ O MEU CABELO? Ahhhhh, é isso, eu NÃO tinha cabelo!!! Nasci careca, e ganhei cabelo enquanto envelhecia; agora, está a dar-se o movimento inverso, ou seja, estou a perder cabelo, portanto, estou a “enovecer” (este é um neologismo que acabei de inventar e que significa “estar a ficar mais novo”).
A foto mostrou-me ainda outra coisa para além da minha falta de cabelo quando bebé: o meu eu dessa época detinha outra propriedade que só recentemente readquiri. Estou a falar de uma notória pança. Eu nasci gordinho e pançudo, mas à medida que cresci, emagreci de tal maneira que me tornei um autêntico pau de virar tripa. Sim, a idade fez-me escanzelado, mas verifico que isto está também a mudar… continuo magricela, sim, porém a minha barriga vem aumentando bastante de tamanho, tal como o meu rabo. Por este andar, daqui a uns 5 anos estou novamente gordinho, tal como era em bebé. Mais uma vez, o que se retira daqui é: estou a ficar mais novo!
Nem só o cabelo ou a barriga são provas do meu rejuvenescer: alguns dos meus comportamentos são-no igualmente. Apercebi-me disso no último fim-de-semana: estava eu a jogar futebol com os amigos quando, em sequência de um lance disputado com um adversário, caio e rebolo pelo chão e esfolo o braço e cotovelo direitos, a palma da mão esquerda e ainda as costas e parte do abdómen. Enquanto sangrava e jogava (sim, continuei a jogar! Não sou maricas como os jogadores do Benfica!), fui ao âmago das minhas memórias na tentativa de desenterrar uma ocorrência semelhante. Perguntei-me: “Ó Tanis, não mandavas um tralho destes há eras! Quando foi a última vez que isso aconteceu?”. Entre dois dribles e um remate que passou ao lado, lá me recordei: tinha sido há coisa de 20 e tal anos, quando um puto estúpido me passou uma rasteira e me fez rastejar uns 5 metros pelo chão, levando-me a esfolar braços, pernas, joelhos, peito, antes de apanhar com o meu pé esquerdo (que não estava esfolado) no meio das nalgas. Novamente, o que o baú das memórias evidenciava era isto: estou a ficar mais novo, sem dúvida, uma vez que voltei a ter o aspecto ferido e massacrado, qual Jesus Cristo na cruz, que tinha quando era criança, tudo fruto dos meus comportamentos e brincadeiras.
O que se segue agora? Não sei, mas estou muito satisfeito com tudo isto, confesso! As perspectivas são assaz animadoras! Voltar à infância agrada-me imenso, e mal posso esperar pelos restantes efeitos! Vai ser mesmo giro, embora tema perder algumas das minhas actuais amizades. Mas enfim, ao menos ficam de sobreaviso: se virem aí um tipo com cerca de 1 metro e 80, de fraldas, a mamar num par de seios e a fazer gugúdadá, já sabem: sou eu! Venham cumprimentar-me e ponham-me a chucha na boca, já agora. Obrigados, pá!
Tanis
segunda-feira, abril 07, 2008
Eu Tenho Dois Amores

Tanis, queres experimentar uma paixão como nunca experimentaste antes?Vem ter comigo e faz-me, prometo-te diversão da maior!
Sudoku ou kakuro, qual destes quebra-cabeças japoneses escolho? Durante muito tempo, mantive-me fiel aos sudokus e divertimo-nos imenso: eu fazia sudokus na cama, à mesa, na rua, na banheira, enquanto passeava a pé, de metro, de autocarro, de táxi não obstante a condução desenfreada dos fogareiros, sozinho, acompanhado, no meio de multidões, em cima de livros, ou de cds, ou de dvds, ou – até – de outros sudokus, mas agora… já não sei! Conheci os kakuros e a minha vida mudou. São tão jovens, tão frescos e ensinam-me novas posições e absorvem-me o tempo livre e eu já nem consigo pensar em mais nada, tal é o fascínio que exercem sobre mim!
O que faço? Oh, o que faço? Por um lado, não quero largar os sudokus, aos quais devo tantos e tantos momentos de alegria; por outro lado, os kakuros chamam por mim, quais maliciosas sereias, e também já não possuo forças para resistir aos seus apelos e encantos…
Enfim, dilemas…
Tanis
sexta-feira, abril 04, 2008
Aforismo
"Os Estados Unidos da América são um aluno de 10 a tentar, à força toda, passar por um aluno de 18."
Por favor, reflictam nisto. Ah, e se quiserem citar a frase acima, não se esqueçam de reproduzir a fonte!!! Olhem que eu não curto que me roubem os direitos de autor.
Tanis
P.S.: A quem estiver a questionar-se sobre a razão pela qual eu perco tanto tempo a falar mal dos norte-americanos, aqui fica a resposta, nua e crua: L'Oreal, porque eles merecem!
quinta-feira, abril 03, 2008
I Hate Sundays
A verdade é que os domingos são uma merda desde que eu era puto. Um garoto como eu, em crescimento durante os anos 80 do século XX, só possuía ao seu dispor, nos fins-de-semana, um único tipo de diversão: futebol. Exacto: dantes não existiam computadores, nem internets, nem playstations, nem i-pods, não havia nada. Se nos queríamos divertir, a actividade mais à mão, mais ao pé e mais capaz de nos proporcionar prazer era, sem dúvida, não a masturbação mas sim o pontapé na bola. Quando chegava o fim-de-semana, então, era o desvario: a malta tomava o pequeno-almoço, via meia hora de desenhos animados, ia para a rua jogar futebol até à hora do almoço, vinha a casa, almoçava, voltava para a rua e mandava mais uns pontapés, que se lixasse a digestão, aí pelas 4-5 horas fazia um intervalo para lanchar e depois regressava à rua de modo a completar mais um joguinho até escurecer.
Este era o “horário de trabalho” de um puto digno desse nome nos anos 80. Sábados e domingos eram, utopicamente, dias dedicados em exclusivo ao aperfeiçoamento da arte do gioco del calcio. Pelo menos, era isto o que dizia a teoria, pois havia um pequeníssimo senão: os domingos. Mais especificamente, as manhãs de domingo.
Ora, o que havia nessas manhãs para impedir 10, 15 ou mesmo 20 petizes de dar o seu contributo valioso em prol do desporto amador? Numa simples palavra de seis letras, isto: I-G-R-E-J-A! Pois é: as manhãs de domingo eram momentos reservados ao culto religioso, e todos os moços lá do bairro tinham de cumprir com o dever de acompanhar pais, irmãos, primos, vizinhos, professores e sei lá mais quem na ida à igreja, o que arruinava inevitavelmente não só essa altura do dia como, também, tornava o resto do domingo em algo para esquecer (sim, porque não era possível jogar futebol em condições depois de uma missa. Como é que se podia mandar uma cacetada no Cajó, que jogava na outra equipa, depois de ouvirmos o padre apelar ao amor ao próximo?!?!).
Assim, devido às idas à missa, os domingos eram para mim um autêntico suplício, eram sinónimo de tempo desperdiçado. Tratava-se de um verdadeiro atentado ao bem-estar dos jovens: primeiro, era-lhes dado um fim-de-semana que constava de dois dias, mas desses dois, retirava-se-lhes um. Bela treta, não?! Não admira, pois, que eu me tenha revoltado! Comecei por odiar os domingos e, aí por volta dos 12 anos, cometi a derradeira subversão: tornei-me ateu! Igreja aos domingos de manhã, uma ova! Eu não acreditaria num Deus, supostamente um Deus do amor, que me impedisse – a mim e ao resto do pessoal – de chutar prazenteiramente um esférico. Que se lixasse a salvação eterna, o paraíso, a eternidade junto dos acólitos do Senhor… eu queria era jogar à bola aos domingos, e não seriam dois mil anos de cristianismo que iriam impedir-me.
Por uns tempos, esta minha decisão deu os seus frutos. Consegui escapar ao jugo da religião e arrastei comigo muitos outros à custa do esquema seguinte:
(Domingo de manhã, em casa)
Pais do Tanis: Vá, veste-te, está na hora de irmos para a igreja.
Tanis: Não vou, sou ateu!
Pais do Tanis: O QUÊ?!?!?! Vê lá se queres apanhar!
Tanis: Vocês querem fazer de mim um mártir do ateísmo! Já disse que não vou à igreja!
Pais do Tanis: Ai é? Olha, tu é que sabes. Se depois fores parar ao inferno, não te queixes.
Tanis: Quero lá saber, vou é para a rua jogar à bola.
(Na rua)
Amigos do Tanis: Então, Tanis? O que estás aqui a fazer com uma bola? Não vais à missa?
Tanis: Eu não! Tornei-me ateu, agora posso ficar a jogar futebol durante o domingo todo!
Amigos do Tanis: Ihhhh, que fixe!!! Também queremos!!!
Durante uns anos, esta “doutrinação” resultou às mil maravilhas. A afluência de jovens entre os 11 e os 25 anos diminuiu consideravelmente lá no bairro, muito por minha culpa (certos padrecos até já viam em mim a figura do Anti-Cristo. São uns bajuladores, estes homens de batina…). O problema é que, infelizmente, a malta envelhece e, ao envelhecer, esquece as suas convicções de juventude, assim tipo a Zita Seabra ou o Pacheco Pereira, que nunca jogaram à bola na vida. Os meus companheiros de futebol cresceram, tal como eu, mas, ao contrário de mim, começaram a constituir família e a ter filhos… e isto levou a que readoptassem velhos hábitos, entre os quais o mais nefasto de todos:
(Domingo de manhã, no bairro. Tanis está na rua com uma bola debaixo do braço)
Tanis: Então, malta? ‘Bora jogar?
Amigos do Tanis: Porra, Tanis? Estás parvo? Sabes que dia é hoje? Hoje é domingo!
Tanis: Sim, e daí?
Amigos do Tanis: Daí que temos de levar a família à missa, caraças! Vê lá se cresces!!!
(Tanis, desiludido, volta para casa e vai navegar na internet em busca de sites porno)
E pronto, por causa disto, lá se foi o futebol outra vez! Odeio domingos, porra!!!!
Tanis
quarta-feira, abril 02, 2008
Sonho Estúpido
Ela: Ouve lá, o que estás a fazer?
Eu: O que te parece? Estou a ver este catálogo!
Ela: Porquê?
Eu: Ahnnn... porque é giro!
Ela: Tarado! E por que é que estás a olhar tão fixamente e embevecido para essa gaja?
Eu: Não é uma gaja. É a Paulina Porizkova!
Ela: Humpf! Por que é que estás a olhar dessa maneira para a Paulina Prosnãoseioquêkova?
Eu: Ora, porque ela é extremamente parecida contigo!
Ela: Hã? Nesse caso, por que é que não olhas antes para mim?
Eu: Sabes, eu até podia fazer isso, mas a verdade é que tu NÃO estás neste catálogo em lingerie.
Ela: E se eu te desse com a porcaria do catálogo na cabeça?
Eu: (...)
Bolas, que sonho tão estúpido, sinceramente...
terça-feira, abril 01, 2008
Português do Brasil
Limitando-me apenas à língua portuguesa, posso garantir que acredito piamente que a evolução desta passa pelo dialecto usado nos fóruns. E, aqui, os brasileiros assumem-se como figuras de proa. Não sei porquê, mas os portugueses arriscam menos na exploração da língua, ao passo que os brasileiros são extremamente criativos e imaginativos. Foi justamente através da análise de fóruns com moderações semelhantes, isto é, liberais e permissivos, que pude constatar que os brasileiros levam mais a sério e mais longe a sua linguagem do que nós, portugueses, sempre muito recalcados e tímidos. Deixo aqui uma amostra: dois diálogos, um passado num fórum liberal português e outro passado num fórum liberal brasileiro, ambos ligados pelo mesmo assunto: ofensas respeitantes a gostos musicais. Avaliem por vós próprios.
Fórum liberal português (extracto de uma conversa)
User não mencionado: "...E o teu gosto musical é igual àquilo que sai do cu do meu cão. Vai-te foder!"
Outro user não mencionado: "Vai tu!"
Fórum liberal brasileiro (extracto de uma conversa)
User não mencionado: "Ah, vai se foder, seu filho da puta. Enfia essa droga de cd no toba e chupa a rola desse vocal de merda aí. Viado do caralho…"
Outro user não mencionado: "Olha aqui, por quê você não vai dar meia hora de bunda? Senta no mastruço, seu escroto!"
Parece-me evidente qual destes diálogos é, literária e linguisticamente, mais rico. Bem tinha razão o nosso Fernando Pessoa ao elogiar o português do Brasil, chamando-lhe “português com açúcar”. Concordo, embora, para mim, o português do Brasil seja mais “português com sémen”. Quando se der o acordo ortográfico é que vai ser bonito…


