quinta-feira, novembro 27, 2008
Obrigadinhos, pá! E agora, que tal se fossem levar no pacote?!?!?
Um post em jeito de carta aberta aos jogadores do Sporting
Caros jogadores do meu clube do coração: vão à merda! Como puderam vocês fazer-me uma desfeita destas?!?! Perder 5 a 2 com o Barcelona?!?! Em casa?!?! Sim, eu sei que é o Barcelona, uma das mais poderosas equipas do mundo, mas... eles são espanhóis, porra! Onde estava o vosso brio? A vossa garra de leões? A atitude e o orgulho? Hmmmm?!? Actualmente, um sportinguista só é feliz quando o Sporting não joga; quando joga, vem ao de cima toda uma panóplia de sentimentos e emoções, mas não a felicidade. É mais raiva, ódio, desprezo e, principalmente, vergonha!
Sim, vergonha! Não sei se repararam, mas vocês hoje são motivo de risota mundo afora. Tudo por culpa do vosso comportamento ridículo em campo. Mas eu não me importava se fossem apenas vocês a sofrer com isso. Só que não é assim que as coisas se passam! É que quando vocês se ridicularizam, tornam-me a mim - e a qualquer simpatizante do clube - também ridículo! Querem que eu vos conte aquilo por que passei ontem e hoje, à conta da vossa exibição deprimente? Querem? Então vou contar...
Primeiro, tenho andado a aturar a arrogância tripeira. O que eu já ouvi de "chupa, lagarto" hoje!... Já por email, já por sms, já pessoalmente! E piores são as bocas dos lampiões, a começar pela minha respectiva que, em lugar de mostrar solidariedade com a minha dor, ainda me repisa mais! Até os adeptos do Leixões me gozam! Acham isto bem, pá???? Tudo culpa vossa, suas amélias!
E não é só isto... A minha imagem internacional também sai afectada. Sabem quantos espanhóis me mandaram emails de escárnio? Milhões deles! Até os adeptos do Real Madrid, reais adversários do Barça, se associaram ao forrobodó e vai de mandar "El Sporting es una mierda, hombre. Qué coño de club!" Até uma italiana que eu ontem estava em vias de engatar pela internet voltou atrás com a ideia de me mostar as mamas na webcam. Tudo porque, como adepto fanático que sou, tinha como nickname sporting_forever; quando ela associou isto ao clube, não só não se despiu como ainda desmaiou de tanto riso. E agora, quem me vai compensar? Vou demorar anos a conseguir outro engate de jeito (era boazona, ainda por cima)!
Espero que venham a ler este texto. Os que, de entre vocês, souberem ler, claro. Pode ser que ganhem vergonha nessa cara, já que pelos vistos não conseguem ganhar mais nada! E aprendam a jogar à bola de uma vez por todas!!!! Foda-se!!!
quarta-feira, novembro 26, 2008
Arte no Peter of Pan: Arte de Merda
Foi Marcel Duchamp que despoletou tão grande confusão: provocador e iconoclasta, Duchamp desafiou críticos, museus e artistas; desafiou a própria Arte enquanto tal, abrindo novos caminhos e propostas. Sem Duchamp, a arte seria certamente mais pobre... ou talvez não! Isto porque, com Duchamp, foi aberta a caixa de Pandora: qualquer coisa (ou quase) podia ser vista como arte: um urinol, um pedaço de madeira, um calhau, um amontoado de aço... até merda!
Sim, merda! Seguindo as pisadas (e cagadas!...) do visionário Duchamp, o italiano Piero Manzoni cometeu a ofensa de enlatar a sua própria merda, escrevendo em cada lata (eram 90!!!) a frase "Merda d'Artista", como se pode ver na foto abaixo:

Poder-se-ia pensar que isto seria a última palavra em termos de merda artística. Mas não! Manzoni não passou de um principiante! Nos nossos tempos, há um artista que leva a merda mais longe. Que não se limita a escondê-la, timidamente, dentro de uma lata. Um artista que utiliza a própria merda como se fosse barro ou argila. Um artista que é um verdadeiro Rodin da bosta. Um artista capaz disto:
A meu ver, trata-se da maior obra de arte de princípios do séc. XXI. Nenhum outro artista conseguiu tão bela composição: duas torres gémeas de merda (que nos remetem obviamente para o mundo pré-11 de Setembro) ladeiam dois cagalhões deitados, símbolo inequívoco do mundo pós-11 de Setembro. É como se o artista nos dissesse: "Por mais alto que subam, lembrem-se sempre que podem cair. A crise está aí, à espreita. Por outras palavras, a vida é uma merda!". Notável alegoria. Noutro ângulo:

Impressionante, sem dúvida. E note-se a especificidade do material usado! Não podia ser qualquer merda! Tinha de ser um tipo específico de merda. Mais dura, e as torres gémeas ficariam sem base na qual assentar. Mais mole, e toda a estrutura não passaria de um todo confuso e caótico, a fazer lembrar as pinturas de um Pollock. O artista teve de calcular cuidadosamente a consistência do material para poder concretizar a sua ideia inicial. O resultado final é brilhante. Melhor do que qualquer merda exposta no Museu Berardo. Desde Praxíteles que o mundo não via escultor com tanto talento, ou mais, pois enquanto o grego fazia as suas obras em mármore, material fácil de trabalhar, o nosso artista teve de se ver com a instável merda! Saída do seu próprio ânus!
Saudemos, pois, o artista em questão. O verdadeiro artista de merda! Possa ele dar-nos muitas mais obras de qualidade. Parabéns, Snoopy:

Ão ão ão, compus um cagalhão!
terça-feira, novembro 25, 2008
A grande notícia desportiva dos últimos, vá lá, 50 anos!
Alguém viu por aí as pernas da Nereida? Ah, e uma das minhas, já agora?!Mas pronto, o que vale é que o perigo já passou. A perna encontra-se bem de saúde, pelos vistos. Vamos é a ver se ela aprende e deixa de ser parva. Alguém aconselhe o Cristiano a ter mão na perna, caso contrário a perna passa-lhe outra vez a perna! (trocadilhos estúpidos, bem sei. Desculpem!)
segunda-feira, novembro 24, 2008
Resultados da Votação
Popota: 4 votos (26%)
Leopoldina: 0 votos (0%)
Coelho da Páscoa: 0 votos (0%)
Barack Obama: 1 voto (6%)
George Clooney: 10 votos (66%)
Total de votantes: 15
Como não sou analista, fui procurar interpretações junto de quem está habituado a lidar com este tipo de sondagens. E comecei pelo topo! Cheguei-me junto do José Sócrates, apresentei os resultados desde inquérito e solicitei-lhe um comentário. Resposta:
"Muito bem. Vou meter estes resultados no meu Magalhães e depois emito um cd-rom com as conclusões a que cheguei. Volto dentro de 5 minutos. 5 minutos!"
Esperei 10 minutos. 20. 30. Uma hora. Ao fim de duas, vim espreitar à porta do gabinete do Sócrates. Estava ele a dar pontapés no Magalhães. Desisti e pirei-me dali para fora.
A seguir, fui ter com a ministra Maria de Lurdes Rodrigues. Dei-lhe uma folha com os resultados do inquérito. Resposta:
"Sim, mas eu agora preciso de avaliar o proponente do inquérito, bem como as pessoas que responderam. Só assim é que sei se os resultados são rigorosos e justos."
Mal ouvi isto, tirei-lhe a folha das mãos e fugi a sete pés. Tinha de mudar de estratégia: já que os políticos não me podiam ajudar, que tal se recorresse aos comentadores? Assim fiz. Fui aos estúdios da SIC à procura dos comentadores da Quadratura do Círculo. Dei-lhes o inquérito para as mãos. Respostas:
Pacheco Pereira: "Pois, 10 votos para o George Clooney e a Manuela Ferreira Leite está a ser atacada por todos os lados. A culpa é do Menezes."
António Lobo Xavier: "Concordo aqui com o Pacheco Pereira."
António Costa: "O Pacheco Pereira falou do Clooney mas esqueceu-se de falar dos 0 votos para o Coelho da Páscoa, porque isso significa que o PS está a governar bem."
Ou seja, não disseram nada de jeito. Como é hábito. Virei-me então para a concorrência: corri para os estúdios da RTP e para o professor Marcelo. Coloquei-lhe a folha nas mãos e pedi uma análise profunda. Resposta:
"Bom, a Popota teve 4 votos, a Leopoldina e o Coelho da Páscoa nenhum, o Obama teve um voto e o George Clooney 10. É!"
Dei-lhe um pontapé na boca por fazer perder o meu tempo (eu também sei ler, ó albarda!) e bazei. Se ninguém me podia ajudar, tinha mesmo de ser eu próprio a arriscar uma análise sociológica dos votos. Reconheço que estou longe de ser um especialista, mas porra, pior do que os estúpidos acima não sou. Aqui está, pois, a análise Peter of Pan do Inquérito Peter of Pan:
Do universo de 15 indivíduos, 4 mostram ser exemplares lúcidos de heterossexualidade masculina: os que votaram na Popota. A lucidez demonstra-se pelo facto de nenhum deles ter votado na enjoadinha da Leopoldina. Houve também um votante em Barack Obama, provavelmente um ou uma bloquista preto(a). Mas o grosso dos inquiridos mostrou a sua preferência pelo actor norte-americano George Clooney, que obteve um total de 10 votos, correspondentes a uma percentagem de 66%. Conclui-se o seguinte: a maior parte dos leitores deste blogue são ou gajas (fixe!) ou gays (foda-se!). E os 0 votos no Coelho da Páscoa não levam a conclusão alguma. Margem de erro: 0%.
Pronto, já está. Não ficou uma análise nada má... Resta-me agradecer aos 3 indivíduos que votaram na Popota (o outro fui eu próprio). E já agora, às gajas e gays que votaram no Clooney e, assim, contribuiram para os resultados do inquérito. Parabéns a todos, mas principalmente a mim. Daqui a uns dias boto ao lado novo inquérito... Aguardem!
sexta-feira, novembro 21, 2008
Um post para as gajas se babarem.

O rapazinho da foto acima é o Hugh Jackman e foi recém-eleito, pela revista People, o homem mais sexy do mundo. A sorte dele é a dita revista não saber quem eu sou, porque caso soubesse, não havia pai aqui para o je.
Normalmente, estaria a roer-me de inveja e a debitar impropérios contra o mocito. Ainda mais porque a minha gaja, num acto de suprema lata e igual leviandade, disse-me apenas isto: "Ai, hoje recebi uns emails de umas amigas só com fotografias do homem mais sexy do mundo. Nem sei o nome dele, só sei que fiquei ali a babar-me em frente ao monitor". É caso para um tipo ficar com raiva, não é? Mas eu não: limitei-me a espetar na minha mais-que-tudo uma murraça tão grande que, agora sim, ela tem razões de sobra para se estar a babar toda. Mas hoje ainda a vou visitar ao hospital, tudo porque a amo.
Contra o Hugh Jackman, contudo, não tenho nada. Porque eu admiro-o. Não no mesmo sentido que as gajas, mas admiro-o, sim. Aliás, em boa verdade as mulheres não o "admiram": as mulheres querem, pura e simplesmente, que ele lhes salte para a cueca. Mais do que admiração, é puro desejo animal, semelhante ao que um leão tem pela zebra. O que elas querem é comê-lo, até aos ossinhos. Que vacas...
E admiro-o porquê? Porque, em primeiro lugar, o homem não é americano. Singrou em Hollywood, conquistou as revistas, as telas, as mulheres e tudo o mais naquele país, mas não é natural de lá. Ele é australiano! E isso é um ponto a seu favor. E em segundo lugar, e bem mais importante, Hugh Jackman tem todo o meu respeito porque foi ele a encarnar o meu herói de infância, adolescência e idade adulta: o Wolverine. Para quem não conhece, é este:

E por que gosto eu tanto do Wolverine? Porque ele é o definitivo herói anti-herói. Em vez de ser um escuteiro bonzinho ao serviço do governo norte-americano (olá, Super-Homem!, olá Capitão América!), ou um pós-adolescente com crises de consciência (olá, Homem-Aranha!), ou um pequeno-burguês com psicopatologias graves (olá, Batman!), ou um mongo (olá, Hulk!), o Wolverine é um herói com atitude. É um gajo que não está para levar com merdas! Que não reconhece nenhum tipo de autoridade acima de si. Faz-se às miúdas, mesmo que elas estejam comprometidas. Não leva os vilões para a prisão: dá-lhes um enxerto e, se possível, ainda os corta às postas! E se outros "heróis" o tentarem impedir, azar o deles. E mete-se nos copos. Pragueja. É politicamente incorrecto. Podia até estar do lado do mal, não fosse um sentido ético inato que o leva a fazer a coisa certa em vez da errada. É, em resumo, um gajo com muita pinta: se eu tivesse um esqueleto indestrutível, umas garras a condizer e um sistema imunológico que me livrasse de qualquer maleita, seria exactamente como o Wolverine, mas em versão cartesiana.
E foi o Hugh Jackman que levou esta figura ao grande ecrã. É por esse motivo que o tenho em boa conta. Foi eleito o homem mais sexy? 'Tá-se bem. Ele merece. As gajas ficam de queixo caído por ele? Tudo bem, não tenho problemas com isso: a demonstrá-lo está o facto de eu ter partido o queixo da minha, assim pode andar sempre com ele caído. É o Hugh um bonzaço do caraças e essas tretas todas? Ó pá, see if I care, para mim ele será sempre o actor que fez de Wolverine, e só isso já lhe dá crédito diante de mim. Portanto: os meus parabéns, Hugh. Desejo-te sorte. Só te peço uma coisa: passa longe da minha casa, está bem? Adeus.
quinta-feira, novembro 20, 2008
Dia da Filosofia
Sem ironia, fico contente por a Filosofia dispor de um dia a si consagrado no calendário de 2008. Se os ceguinhos, as mulheres, os doentes com AVC, as vítimas de violência doméstica, os fumadores, os não-fumadores, os leprosos, os professores, os escuteiros, os paneleiros, os benfiquistas e um longo rol de patetices têm um dia, por que não haverá a Filosofia de ter, também, o seu? Quer dizer, então se há até um Dia Mundial da Paz, coisa que, tal como a Filosofia Portuguesa, nunca ninguém viu e até se pensa não existir, a Filosofia, por maioria de razão, merece sem dúvida um Dia.
Celebremo-lo, então. Vamos todos para a rua, e reflictamos. Reflictamos sobre as grandes questões: há Deus? Temos alma? Como se dá a relação mente-corpo? Serão as mamas da Soraia Chaves assim tão grandes, ou tudo aquilo não passará de simples ilusão? Como se processa o nosso conhecimento? Pode o Sporting ganhar a Liga dos Campeões na presente época? E o Vukcevic, vai ou fica? E a Maria de Lurdes Rodrigues, fica ou vai?
Enfim, tantas e tantas perguntas que importa colocar. Sobretudo hoje. Porque se não as fizermos hoje, quando as poderemos fazer? No Dia Mundial das Zonas Húmidas?!? (a sério, existe este dia: parece que calha a 2 de Fevereiro!) Nesse dia, estaremos todos preocupados em explorar as zonas húmidas das nossas respectivas! Aproveitem ao menos o dia de hoje para filosofar um bocadinho que seja. Eu, desde que me levantei, não tenho feito outra coisa (exemplo de uma reflexão minha, tida às 12h43m: "Foda-se, parti a loiça, e agora? Será ético meter a culpa no cão? Bom, deve ser. - Ó querida, o Snoopy partiu estes pratos todos!"). Que o espírito socrático esteja convosco. Refiro-me ao Sócrates grego, claro. O português não tem espírito nenhum.
quarta-feira, novembro 19, 2008
Não batam mais no atrasadito...
Hãããã... os indicadores económicos falam em estagnação, mas eu acreditoque o país simplesmente não vai crescer. Duh...
O Financial Times analisou 19 países da União Europeia e saíu-se com esta: Teixeira dos Santos é, de todos, o pior ministro das Finanças.
Não concordo com o FT. Nem pensar que o Teixeira dos Santos é assim tão bom!
(e, agora, uma piada financeira ainda mais seca):
- Ó palhaço, o que é que só vai crescer 0.5% em 2009?
- É o produto interno, bruto!
terça-feira, novembro 18, 2008
Hoje, o assunto começa por um rato e acaba num pato. Não, não endoideci. Leiam!
A rataria está em polvorosa. Tudo porque o mais famoso roedor de todos os tempos comemora hoje o seu 80º aniversário. Longe vão os tempos em que a criação de Mortimer, primeiro nome do Mickey, dava origem a um dos mais poderosos impérios da cultura popular, o da Disney, cuja história é perfeitamente conhecida.
Sei que o Mickey tem muitos fãs, mas eu não sou um deles. Detesto o Mickey. Sempre detestei. Não, não é por ele ser um rato. É sim por ele ser parvo! É que o Mickey é, de todas as personagens criadas pela Disney, a mais insossa. A mais beata. A mais "boazinha". A mais moralista. Em resumo, a mais chata! Pois Mickey nunca se irrita! Mickey é simpático para a Minnie e nunca olha para as ratas das outras ratas! Mickey é detective e resolve crimes! Mickey atura as patetices do Pateta sem nunca perder o tino! Mickey trata bem os sobrinhos! Mickey é compreensivo! Mickey é bom exemplo para as criancinhas que o lêem! E por isso Mickey é um merdas!...
Compare-se isto com, por exemplo, o Pato Donald. Donald irrita-se. Donald não olha só para a Margarida. Donald é por vezes cruel para com os sobrinhos. E é-o muito mais com os esquilos Tico e Teco. Arranja esquemas. Foge com o rabo à seringa. Tenta - quase sempre sem sucesso - passar a perna ao seu primo sortudo Gastão. Mas também sabe ser sensível. Submisso. Prestável. Esforçado. Industrioso. O Pato Donald é, pois, aquilo a que os críticos chamam de uma personagem com densidade. Ao contrário do Mickey. O sacana do rato não tem densidade nenhuma, é aquele estereótipo e pronto. Quando as criancinhas crescem, sabem que não o devem levar a sério. Mas ao Pato Donald levam. Porque ele, afinal, é como elas. E como o mundo. Porque a qualquer pessoa pode acontecer saltar-lhe a tampa. E soltar irascíveis "quacquacquacquac" ao mesmo tempo que lança perdigotos. O Donald é que deveria ser a verdadeira estrela da Disney, não a porcaria do rato!
Ou outra personagem qualquer. Porque o grande mérito da Disney foi, ao longo de tantos anos, conseguir criar animações bem distintas. E todas elas melhores que o Mickey cabrão. Mesmo as secundárias. Veja-se os Irmãos Metralha, a contraparte disneyana dos Irmãos Dalton. Ou o Professor Pardal, ídolo das criancinhas nerds. Ou o Zé Carioca, especialista em expedientes e fuga a cobradores. Ou ainda a mais fantástica - mais ainda que o Pato Donald - de todas as personagens da Disney: falo do Peninha, exemplo maior da comédia nonsense, e que vai muito para além da mera hilariedade slapstick protagonizada pelo companheiro parvo do Mickey parvo, o acima citado Pateta (que o é literalmete). O Peninha - e seus vários alter egos, como o Morcego Vermelho, Pena das Selvas, Pena Kid e outros - é, na minha opinião, a melhor coisa já feita em desenhos animados para crianças. Peninha é uma espécie de Monty Python para putos, e num mundo perfeito teria mais hype do que o Mickey. Só que não tem. O que é uma peninha. Mas eu não me furto à sua defesa. E por isso, em dia de homenagem ao rato, eu retruco com uma homenagem ao pato. Porque, de tudo o que a Disney fez, são as obras do Peninha aquelas que ainda guardo com carinho, tantos anos passados desde o fim da minha infância. Brochuras como "As Melhores Histórias do Morcego Vermelho", ou "Especial Peninha e Biquinho" (um àparte: só o Peninha é que tem um sobrinho chamado Biquinho! BIQUINHO, caraças!!!!!!!!!), ou "Peninha Edição Gigante" estão na mesma prateleira de uma Fundamentação da Metafísica dos Costumes e de um Conde de Monte Cristo. Obrigado, Peninha. E vai à fava, Mickey!

Chupa, rato. Este blog acha-me muito mais fixe do que tu.
segunda-feira, novembro 17, 2008
Mais um post a provocar os lampiões
P.S.: Ao que parece, o Benfica alega não reconhecer a claque em questão. Desculpem lá, mas afirmar isso é chover no molhado. Já viram algo que não tem nome ser reconhecido? Pois...
P.S.2: Peço desculpa aos benfiquistas pela provocação - consciente - contida neste post. Mas é assim: o Sporting perdeu, o Porto ganhou, o Benfica ganhou... Querem o quê?! Tenho de achar qualquer coisa que me desvie do insucesso desportivo sportinguista! Alguém tem de levar na cabeça, e hoje os "felizardos" foram os lamps. Azar!
domingo, novembro 16, 2008
Tão Alegre anda o Manel

sexta-feira, novembro 14, 2008
Os Problemas da Filosofia
Para além de ser um filósofo de qualidade, Bertrand Russell era também um gajo bem porreiro. Não só ganhou um Nobel da Literatura, como (consta das múltiplas biografias) era um fodilhão à maneira: casou várias vezes, fora os casos que foi tendo fora dos casamentos. Isto acaba por completo com o preconceito (muitas vezes justo) de que a malta interessada em filosofia não gosta de sexo, ou, quando gosta, é para o ter com outro marmanjo (filósofos rabetas é o que não falta ao longo da história!). Além disto, o que já não é pouco, Russell era um profundo crítico da religião, o que lhe valeu alguns dissabores, pois os tipos mais puritanos nunca gostam de ser criticados e reagem em proporções irracionais. Porém, a crème de la crème do senhor Russell está em ter criado o Tribunal Russell para julgar os crimes de guerra cometidos pelos americanos no Vietname. Ou seja, para lá de ser um filósofo competente, um fodilhão incansável e um anti-religioso, Bertrand Russell também foi activista de respeito, tendo dedicado muito do seu tempo livre a dizer mal daquela canalha norte-americana. Como vêem, um tipo destes só pode ser o meu herói. Só lhe faltou ser do Sporting...
Mas voltemos ao livrinho. Os Problemas da Filosofia é um texto importante porque nele se filosofa à séria. Nada de merdinhas obscuras e pseudo-poéticas como as que habitualmente se publicam por aí. Este é verdadeiramente um livro de Filosofia, com "F" maiúsculo, no qual se raciocina, se critica, se analisa a realidade, o conhecimento, a racionalidade e os limites destes últimos. Em suma, é um livro que convida o leitor a pensar, em lugar de se limitar a interpretar (são duas coisas diferentes, meus amigos...).
E esta nova tradução é importante porque a que andava aí disponível era uma porcaria. A edição que corria (originalmente publicada pela Livraria Arménio Amado, republicada há poucos anos pela Almedina) tinha tradução do António Sérgio, considerado um dos grandes vultos da cultura nacional, mas a única coisa em que ele foi grande, na tradução do texto do Russell, foi na incompetência! Já sei, já sei, vão achar que estou a blasfemar, a atentar contra uma figura de primeira água e o caralhinho, mas estou-me a cagar. Não tenho nenhum respeito por determinadas vacas sagradas, a não ser que elas se chamem Cláudia Vieira. E por isso, malho no António Sérgio até onde me for possível. Porque ele fez, efectivamente, um mau trabalho. Eu sei, porque possuo a tradução dele. E o que ele fez foi inverter completamente o texto original. Não no conteúdo, entendamo-nos, mas na forma! Russell é um autor claro, que escreve escorreitamente, sem rodeios ou subterfúgios, com o objectivo de ser o mais inteligível possível. Sérgio pura e simplesmente dinamitou estas características, fazendo de Os Problemas da Filosofia um livro elitista, denso e muito, muito mais obscuro que o original. No fundo, o que António Sérgio fez foi foder com o Bertie Russell; por essa razão é que não tenho pudor nenhum em mandar o António Sérgio ir-se foder. Pronto, bem sei que não posso, porque o cabrão já não está entre os vivos, mas olhem, foda-se!
Para os que nunca leram um livro sequer de Filosofia, podem muito bem começar por este. A tradução, a cargo de Desidério Murcho, é a que se exige: clara e rigorosa. Faz, pois, jus ao texto original - tanto quanto uma tradução o pode fazer (blábláblá, não me venham com aquela fantochada do tradutore traditore, senão ainda me irrito). Como já disse acima, isto é FILOSOFIA a sério, não uma palhaçada que se veste de filosofia para parecer mais inteligente.
quinta-feira, novembro 13, 2008
Tenho medo do futuro, pelos nossos filhos...
Aconselho, pois, aos estudantes um pouco de contenção. Vejam lá se querem ver isto

transformado nisto

Não querem, pois não? É que eu não quero! Portanto, juizinho nessas cabecinhas!
P.S.: Como já tevem ter observado, fiz um upgrade no template do blog. Esteticamente, ficou a mesma merda, mas adquiriu umas funcionalidades giras, como esta que se encontra aqui do lado direito e que permite aos leitores votar em cenas parvas. Aliás, espero que vocês colaborem no inquérito proposto.
O senão da coisa é que perdi quase todos os links favoritados. O que é uma grandessíssima bosta, pois vou andar um ou dois meses a colocá-los de novo. Ainda por cima, era tudo blogues que eu adoro visitar...
quarta-feira, novembro 12, 2008
terça-feira, novembro 11, 2008
segunda-feira, novembro 10, 2008
sábado, novembro 08, 2008
E agora, uma pausa nas leituras da treta do mestrado para assistir a uma música desse delirante filme que é o South Park - Bigger, Longer and Uncut!
"Kyle's Mom Is a Bitch"
Depois disto, um gajo até fica com mais pica para estudar!...
sexta-feira, novembro 07, 2008
Hoje de manhã, mais uns momentos de descontracção e bom humor com a TVI
Primeiro, apresentou o testemunho de uma rapariguinha nos seus vinte e tais. Parece que a rapariguinha, quando mais nova, andou a portar-se mal, mas acabou por arrepender-se e agora leva uma vida normal. A isto, os psiquiatras chamam de "processo de crescimento". Já eu acho que a tipa é uma monga do caraças: uma vida normal é trabalhar, ser-se chulado(a) pelo patrão, esfalfar-se para pagar um crédito à habitação e, como se não bastasse, ainda financiar os bancos que se encontram em crise, aturar os políticos, os presidentes de clubes, os familiares chatos, e um longuíssimo etc. Ora, a moça escolheu abandonar uma vida despreocupada e hedonista por isto?! Estúpida...
Contudo, o mais interessante foi a intervenção dos editores da TVI. Enquanto a jovem falava, a produção resolveu colocar uma simpática legenda, para que o depoimento da rapariga tivesse maior impacto junto dos telespectadores. A legenda rezava "Fui delinquente, mas regenerei-me", e isto mostra todo o talento das pessoas que se encontram à frente daquele programa televisivo. Porquê? Porque hoje em dia a comunicação é feita de soundbytes, de frases de efeito, e não há neste país ninguém que as saiba captar tão bem quanto os directores de programação do 4º canal. "Fui delinquente, mas regenerei-me" é uma proposta claramente subsidiária das revistas e dos jornais light, que também sobrevivem graças ao soundbyte. Quantas vezes não vimos já, nos quiosques, revistas com uma qualquer personalidade na capa e, por baixo, gordas, as palavras "Tive cancro, mas curei-me" ou "Sou homossexual, mas há cinco horas que não apanho na bilha" ou ainda "Sou primeiro-ministro, mas uma vez por outra gosto de dizer a verdade"?
Este talento da TVI para destacar as frases de efeito revelou-se ainda mais eficaz com outro testemunho. Uma senhora de meia-idade decidiu ir ao programa contar um episódio que mais parece um autêntico fenómeno do Entroncamento: parece que o marido tentou matá-la, mas sem sucesso. Isto dito assim não tem nada de estranho: quantos maridos não tentam matar as mulheres? Eu próprio já o tentei! Só ontem, entre as 10 e as 11 da noite, procurei matar a minha mulher umas 5 vezes, o problema é que ela estava tão deprimida com a derrota do Benfica que me compadeci e abortei sempre os planos...
O caso da senhora, contudo, era interessante porque o marido tentou matá-la, sim, mas à machadada. E não se ficou por aqui, pois a fantástica legenda da TVI (que seria de nós, telespectadores, sem ela?) esclarecia que "Marido tentou matá-la à machadada por 17 vezes". Bom, isto parece saído de um livro do Stephen King, e a reacção mais natural seria o choque, só que não foi isso que se passou! A senhora, o Manuel Luís Goucha (mais uma vez: bicha!), a Cristina Ferreira (mais uma vez: jeitosa!) e TODO O PÚBLICO QUE ASSISTIA AO PROGRAMA NOS ESTÚDIOS, em lugar de se mostrarem indignados, não fizeram outra coisa senão desatar a rir à gargalhada!!!! Estou a falar a sério!!! A senhora falava do episódio, a legenda mostrava ainda "Marido tentou matá-la à machadada por 17 vezes", o público ria, os dois apresentadores quase caíam da cadeira, e eu do lado de cá abria a boca de espanto! E depois ri-me também, contagiado por toda aquela cena quase surreal. Não tive outra opção: a senhora sofreu uma tentativa de homicídio e ria-se; os apresentadores em vez de apelarem à contenção e ao decoro riam-se; o público em lugar de reflectir sobre o episódio ria-se; a minha gaja já estava dobrada no chão graças a um ataque agudo de riso... ia eu ficar sisudo?!?! No way!
Só fiquei com uma dúvida: estaria toda a gente a rir-se porque o marido da senhora tentou matá-la, porque o marido da senhora tentou matá-la à machadada ou porque o marido da senhora tentou matá-la à machadada por 17 vezes? A ver se me faço entender: a reacção das pessoas presentes no Você na TV! seria diferente caso o digníssimo esposo tivesse, por exemplo, tentado dar-lhe com o machado apenas 14 ou 15 vezes? E se tivessem sido 19 ou 20? Morreria tudo de ataque de riso? E se, em vez do homem ter tentado atingir a esposa 17 vezes, o tivesse feito só uma, mas acertado? Qual teria sido a reacção?!
Enfim, são estas as grandes questões que um programa de humor como o Você naTV! suscita... Os meus parabéns à TVI!
quinta-feira, novembro 06, 2008
Uma pergunta que tem tudo a ver com o nosso zeitgeist
quarta-feira, novembro 05, 2008
O Peter of Pan não foge à tendência e felicita também Barack Obama
Findo este esclarecedor ponto prévio, passemos então ao Obama. Torci por ele na corrida presidencial. Por uma razão muito simples: dos dois principais candidatos, Obama era o menos "americano" (tomem este conceito como quiserem). É que eu sou um antiamericano! Daqueles à séria!!! Eu culpo os Estados Unidos de praticamente todos os males que ocorrem no mundo, derrotas do Sporting incluídas! Sou mais antiamericano do que Bin Laden, Chavez, Castro, Ahmadinejad ou Jong-Il juntos! Mas sem ser totó como os tipos do Bloco de Esquerda que, comparados comigo em termos de antiamericanismo, passam muito bem por deputados do CDS/PP.
Por isso, voltando atrás, como antiamericano que sou, preferi o Obama. Mas agora que ele ganhou, estou contra! Confusos? Não há necessidade disso! É que eu sou tão, mas tão antiamericano que, fosse a Monica Bellucci (deusa absoluta da perfeição, minha musa, minha senhora da tesão) eleita presidente daquele país, eu no momento seguinte estaria a denegri-la, a achincalhá-la, a menorizá-la, a mandá-la à merda! À Monica Bellucci, minha gente!!!!!
Ora, se eu faria isso com a Monica Bellucci (que é, decerto concordarão, a mulher mais bela à face da Terra), mais facilmente faço isso com alguém que não tem mamas! Daí que venho felicitar o Obama, sim, mas à minha maneira - a única maneira que um antiamericano convicto tem de parabenizar um recém-eleito presidente americano:
Caro Barack Hussein Obama:
Parabéns, cabrãozeco. Espero que te lixes. Agora que estás à frente desse paízeco da treta, todos os olhos estão postos em ti. Mas o olho que eu viro para ti é o do cu, pois estou-me a cagar para as tuas cenas! Tu não vais mudar nada, isso é que era bom! A partir de hoje, representas o establishment norte-americano, o que é dizer que representas aquilo que de mais baixo e reles existe no planeta. Não te desejo a morte, porque no fundo sou um pacifista e uma pessoa dotada de um irrepreensível sentido ético, mas tomara que, a partir de agora, os teus intestinos deixem de funcionar bem. A única coisa que te peço é que, a fazeres merda, a faças só na latrina que é o teu país, e deixes o resto do mundo respirar. Quanto ao mais, fika bem, ma'man!
Assinado: Peter of Pan, o blogue
terça-feira, novembro 04, 2008
Um aviso: hoje não vou postar nada!
E se me disserem "Ó seu otário, então tu não vês que estás a entrar em contradição? Ao dizeres que não ias postar, acabaste por fazê-lo! Energúmeno! Parvo! Sujeito desprovido de raciocínio lógico!", eu limito-me a responder que é melhor estarem calados e irem para o pirilauzinho (vêem?!? Hoje até estou muito educado, porque num dia normal mandar-vos-ia para outro termo que designa o órgão sexual masculino!). Não entrei em contradição alguma, parem de se armar em espertos. E agora adeuzinho, vou ali fora mandar uma carta registada ao ministério das Finanças, a ver se me atribuem um subsidiozinho para poder comprar um Magalhães...
...ou isso, ou vou gastar tudo em putas!
segunda-feira, novembro 03, 2008
Esta é daquelas notícias que fazem um tipo sensível como eu chorar de alegria!!!!
Sempre fui um crítico da religião. Não só por se basear em fantasias (suposta existência de Deus/deuses/seres sobrenaturais/bondade humana/loiras inteligentes) mas sobretudo porque alguns dos maiores crimes contra a humanidade são executados em nome dela, como sejam perseguições, atentados, discriminações e afins.
Porém, agora, revejo todo o meu ódio anti-religioso. Compreendo que estava enganado! A religião, afinal, também traz coisas positivas! Nomeadamente, impede que milhões de pessoas continuem a ter os seus ouvidos sacrificados à conta das guitarradas do Santana. E só esse facto faz com que estejamos num autêntico paraíso sobre a Terra.
Por isso, o meu muito obrigado às religiões. Trouxeram guerras, inquisições, intrigas e hipocrisias, mas libertaram-nos do Carlos Santana. Estão perdoadas...
domingo, novembro 02, 2008
605 Forte
"Ao desemprego de Cabo Verde, desemprego da Ucrânia, isso ajudam. Ao desemprego de Portugal, duvido".
O resto pode ser visto/lido aqui.
Face a declarações deste jaez, só tenho a dizer que preferia a época em que ela andava calada...
quinta-feira, outubro 30, 2008
Lobo Antunes X Saramago: A Última Palavra, porra!!!!
O que se passa recorrentemente é tão-só isto: formaram-se dois exércitos e duas barricadas, em que admiradores de um e admiradores de outro se "divertem" a enxovalhar a parte contrária e a diminuir os méritos do escritor situado do outro lado (ambos os autores, diga-se, contribuíram, de certo modo, para isto). E essas barricadas acabam por - olhem a surpresa! - estar comprometidas ideologicamente: a malta de direita (ou, como eu lhes chamo, os "otários do c*ralho"!) faz o sinal da cruz aquando de uma nova publicação do Saramago, ao mesmo tempo que idolatra Lobo Antunes; do outro lado, a malta de esquerda (ou, como eu lhes chamo, os "otários do c*ralho"! - olha, curioso, chamo a mesma merda a uns e outros. Será que é por uns e outros serem a mesma merda?!) baba-se por Saramago e torce o nariz a esse escritor burguês que escreve livros burgueses para leitores burgueses, Lobo Antunes.
Face a tanto desentendimento, já é mais do que altura de alguém inteligente, lúcido e com um pénis digno de respeito se pronunciar sobre a palhaçada. Mas como ainda não ouvi o Ron Jeremy dizer nada sobre o assunto, vou eu próprio lançar os meus pensamentos.
Esta é, pois, a minha opinião: acho que a Rita Pereira tem uns seios descomunais. E acho também que a oposição Lobo Antunes X Saramago é uma patetice! Quem no seu perfeito juízo prefere "dar-se" só a um autor de excepção quando pode, sem problema e perda de integridade intelectual ou física, ter dois, cada um com as suas particularidades? É como alguém vir dizer que não se interessa pela perna direita porque só a esquerda lhe basta, e vice-versa e acima e abaixo e o c*ralhinho aos saltinhos para um lado e para o outro! É uma estupidez, pronto! Só temos a ganhar com o exercício de leitura de Saramago e de Lobo Antunes. Porque cada um tem as suas características próprias. Se eu quisesse armar-me em crítico, o que não faço pois adoro a minha heterossexualidade, diria que Lobo Antunes é uma espécie de cirurgião da palavra, em que cada termo é estudado ao pormenor para dar origem a uma frase perfeita. Todas as palavras escolhidas por Lobo Antunes conjugam-se quase como por uma necessidade lógica; se uma delas faltasse, todo o texto perderia muita da sua riqueza. É um trabalho de artesão, de especialista, que nos oferece uma perfeição estilística ímpar. Já Saramago é diferente: Saramago não possui o estilo de Lobo Antunes, mas é dotado de uma imaginação prodigiosa (porra, é ler qualquer um dos seus livros!), e sabe utilizá-la de uma forma muito, muito inteligente. Ademais, Saramago possui o talento de associar a essa imaginação a sua famosa crítica social, permitindo assim que o leitor se sinta apanhado entre os devaneios da imaginação (uma jangada de pedra, um Jesus Cristo diferente da tradição...) e o concreto da realidade quotidiana.
Se eu quisesse estabelecer uma comparação "à séria", diria que Lobo Antunes é mais escritor e Saramago mais ficcionista. Portanto, a comparação não se estabelece nos mesmos termos, pois um é mais feliz do que o outro em x e é menos feliz em y. Mas - como já alertei atrás - quem sai a ganhar é o leitor que contacta com as duas realidades: a riqueza de estilo de Lobo Antunes fascina, tal como a narração de Saramago.
E se me perguntarem: "então tu, já que estás para aí a armar-te ao pingarelho, o que é que achas do Nobel? Não achas que o Lobo Antunes o merecia mais do que o Saramago?", eu respondo: quem merecia o Nobel era a Jenna Jameson com a sua biografia de pornstar. Mas entre o Saramago e o Lobo Antunes, admito que qualquer um podia ganhar. Ganhou Saramago: fixe! Se o Lobo Antunes tivesse um, também diria: fixe! Saramago não é melhor nem pior do que Lobo Antunes só porque tem um Nobel. As coisas são como são! Muitos excelentes autores nunca viram sequer a ponta do Nobel. Mantendo-me na realidade literária portuguesa, refiro apenas que o melhor escritor/romancista português de todos os tempos, Vergílio Ferreira, nunca venceu um Nobel. (sim, acho o Vergílio Ferreira o maior. Maior que o Eça, por exemplo, e bato-me contra qualquer um que discordar da minha posição. Estás a ouvir, Carlos Reis? Já agora, enfia a merdinha do acordo ortográfico num sítio que eu cá sei...) Vou considerá-lo menor do que aqueles que venceram? O c*ralho é que vou!
Moral da história: deixem-se é de polémicas merdosas e leiam ambos os autores. Valem a pena, inscrevam-se em que ideologias se inscreverem! Ponham os vossos preconceitos de lado e apreciem os livros, pá! Não é que saiam mais inteligentes disso (a pessoa que disse que os livros nos tornavam mais inteligentes era um sacana dum nerd rabeta), mas de certeza que não darão o tempo por mal empregue. A não ser que prefiram ver o Canal Parlamento, claro, afinal há malucos para tudo...
Mas então que raio de merda vem a ser esta?!?Hmmm?!?!
Hoje resolvo falar mal do cabrão do tempo. Sim, o tempo! Sim, esse conceito estúpido que se refere ao estado meteorológico dos dias. O que se passa com esse filho de uma g'anda alcoviteira?! Está maluco, é o que se passa! Um dia faz calor, no outro é um vendaval que até parece mentira, no seguinte fica frio, e depois chove, e o diabo a sete! Já chega, não? Por causa destas indefinições e das ondas maníaco-depressivas do tempo já fui levado contra uma parede, parti o guarda-chuva, pisei uma poça, apanhei um escaldão - em pleno OUTUBRO, caraças!!!! - e acima de tudo nunca sei o que hei-de vestir!!! E agora, hmmm? Quem paga isto? Quem se responsabiliza pelos danos físicos, morais e pecuniários que tenho sofrido ultimamente à conta dos devaneios meteorológicos? E por que é que os cabrões dos meteorologistas nunca dizem qual é, realmente, o tempo que vai fazer? Vá, quero respostas, e depressa!!!!
(ou, quanto muito, digam-me apenas como é que vai estar o dia nas próximas 6-7 horas, ok?)
quarta-feira, outubro 29, 2008
Ora aqui está um jogo deveras viciante...
P.S.: Será que o Magalhães vem com este tipo de software?!?!
P.S.2: Não é para matar a Madre Teresa!
P.S.3: Matar o Sócrates dá bónus!
P.S.4: Alguém me explica por que razão, em todas as vezes que joguei (umas 2938306945 só na última meia-hora), o gajo que tenho mais dificuldade em rebentar com os miolos é o Paulo Portas?! É esquivo, o cabrãozeco...
terça-feira, outubro 28, 2008
A Cadeira do Saber
O Stephen Hawking pretende jubilar-se em 2009! Isto porque, nessa data, o famoso físico-professor-divulgador-neuropaciente completará 30 anos de "casa". Mas os estudantes não precisam de ficar preocupados. Parece que o substituto será um génio à altura: é que estão a pensar oferecer o posto de Hawking a quem, afinal, deu as aulas durante todo este tempo - a sua cadeira!
segunda-feira, outubro 27, 2008
Mais uma vez: confissões de um sportinguista desiludido!
Como tal, deixo abaixo a minha mensagem a todos os jogadores do Sporting, passados, presentes e futuros. Porque não deixo passar em branco mais desilusões. Porque tenho direito à indignação. E porque sim, caraças! Cá vai:
Suas bestas! Seus anormais! Seus estúpidos! Seus paneleiros! Seus cabrões! Seus estultos! Seus ignorantes! Seus caras-de-cu! Seus infames! Seus americanos! Seus merdosos! Seus idiotas! Seus palhaços! Seus parvos! Suas florzinhas! Seus imbecis! Seus primatas! Seus impotentes! Suas amélias! Seus estronços! Seus mariquinhas sem jeito nenhum para dar a porcaria duns pontapés numa bola apesar de ganharem rios de dinheiro e terem pessoal bué fixe tipo eu a torcer por vocês raios parta onde é que vocês têm a cabeça suas avestruzes de merda porque é que fazem sempre as mesmas merdas será que é assim tão difícil ganhar a porcaria de um campeonato onde os principais adversários são os nabos dos benfiquistas e dos portistas até a minha trisavózinha faria melhor e olhem que ela já está no cemitério há uma porrada de anos!!!! Joguem à bola, porra!!!!!!!!!!!!!
sexta-feira, outubro 24, 2008
Volta p'rá tua terra, ó mosquito!
Na Madeira, está tudo acagaçado: teme-se que o mosquito portador do dengue invada o arquipélago. Para mim, mais do que as pessoas, os grandes prejudicados serão sem dúvida os mosquitos autóctones, isto é, os mosquitos de origem madeirense. Afinal, a concorrência estrangeira pode muito bem prejudicar os mosquitos que sempre viveram, voaram e picaram naquelas terras. Primeiro, porque os estrangeiros têm dengue, e os madeirenses não. Segundo, porque os estrangeiros vão ocupar, por muito menos, os postos dos madeirenses: àqueles, bastar-lhes-á uma inoculação por dia, ao passo que os mosquitos madeirenses não se contentam com menos de cinco inoculações. A isto, meus amigos, os economistas chamam de "desvalorização da mão de obra", e os mosquitos madeirenses chamam "uma g'anda merda".
Parece que, em reacção, os mosquitos madeirenses estão já a preparar uma milícia. Propósito: expulsar todo e qualquer mosquito estrangeiro das ilhas (equacionou-se a hipótese de a revolta só ter lugar após o Alberto João ser picado, e não antes, mas como a maioria dos mosquitos madeirenses vota PSD, tal proposta não foi avante). Já os mosquitos do dengue, na sua maioria de nacionalidade brasileira, não concordam com tais medidas xenófobas e preparam-se para protestar junto das Nações Unidas: "Ué, que droga é essa, porra?! Nóis estamos aqui fazendo o nosso trabalho, cara! Quéquéisso?! Esses mosquitos madeirenses aí qui si danem!", foi a opinião do porta-voz dos mosquitos portadores da dengue, numa manifestação em Nova Iorque.
Enfim, é caso para dizer que é o fim da picada...
quinta-feira, outubro 23, 2008
Afinal, parece que ser de extrema-direita é uma mariquice...
Não deixa de ser irónico saber que Haider, ídolo de muita malta acéfala (olá, Mário Machado!) que acha que ser nacional-socialista é cool, apanhava no rabiosque (cá para mim, o Haider votava era no Bloco de Esquerda...). Isto constitui um autêntico tiro no pé dos manifestantes de extrema-direita. Afinal, andam eles há anos e anos a lutar, entre outras coisas, contra os direitos dos homossexuais para, no fim, apanharem com um nas traseiras, literalmente. Se eu fosse de extrema-direita (livra!), neste preciso momento estava a atirar-me para dentro de um poço. Ou, então, beijava na boca o meu amigo skinhead mais próximo...
Mas giro, mesmo giro, é imaginar o tipo de diálogos que Petzner manteria com Haider. De certeza que não andaria muito longe disto:
Haider: ...E mais não sei o quê, fora com os emigrantes, pretos, judeus e homossexuais! Todos eles são uma ofensa às tradições austríacas. A Áustria de Mozart! A Áustria de Hitler!
Petzner: Isso, isso, mein fuhrer!!!!
Haider: A Áustria para os austríacos!!!!
Petzner: Ai, Jorg, o que diz é tão bonito, já estou a ficar todo maluco!...
Haider: Então beija-me, Stefan!
Petzner: Sim, oh, sim, mein fuhrer!!!!
Haider: Unidos, daremos cabo dos pretos, dos semitas, dos gays...
Petzner: Sim, sim, daremos cabo deles todos, oh sim, tire-me as calças!!!
Haider: Calma, Stefan, não sejas bruto!
Petzner: Mas o fuhrer excita-me tanto...
Haider: Cala-te e chupa!
Petzner: Sim, schlep, oh, sim, schep, Osterreich Über Alles, schlep!
Haider: Agora vira-te!
Petzner: Oh, adoro quando o fuhrer dá ordens... se tivesse o tarolo de um preto e o dinheiro de um judeu, casar-me-ia já consigo!
Haider: Chiu, cala-te, nós somos contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, ó anormal!
Petzner: Ui, então penetre-me, mein fuhrer! Penetre-me já!
Haider: Está bem, mas cala-te, não vá o Louçã ouvir-nos...
quarta-feira, outubro 22, 2008
Eu sei que esta é óbvia, mas eu não podia deixar de a mandar...
...e ainda dizem que os ladrões só prejudicam o país e o cidadão comum. É uma pena que o Nobel deste ano já tenha sido entregue ao Le Clézio; se o ladrão tivesse cometido a felonia há mais tempo, tenho certeza que seria o favorito da Academia Sueca. Afinal, é tão importante um autor que tem toda uma obra literária de qualidade quanto um patife que impede a publicação de uma "obra" (??!!) de má qualidade. Por isso, não havendo um Nobel para ele, resolvi agraciá-lo com o Prémio Peter of Pan de Literatura 2008. Estava para entregá-lo ao Lobo Antunes, mas considero que o ladrão do Miguel Sousa Tavares é mais merecedor do galardão. É obra!
terça-feira, outubro 21, 2008
Quem não tem unhas, não toca guitarra!
De quando em vez, porém, lá pegava na viola e dedilhava uns acordes. Até que finalmente interiorizei o inevitável: não possuo um pingo de talento! Não dá! Não tenho mesmo jeito para a coisa. Por mais que eu deseje aprender a tocar as cordas, o máximo que consigo é parti-las. Nesse particular, confesso com orgulho, sou um autêntico às. Posso mesmo afirmar que sou o Paco de Lucia do parte-cordas! Influências do meu fanatismo por grindcore sueco e black metal norueguês, dirão alguns, e talvez tenham razão...
Custa-me assumir o abandonar de tão antigo sonho, mas tem de ser. Não posso mais passar por dias como o de hoje, pois ao pegar na viola para tocar a única coisa que sei tocar (o refrão da Borrow, dos Silence 4!), e ainda por cima mal, fui capaz de - não sei como - partir o pulso da mão direita e quebrar ao meio a unha do dedo anelar da mesma mão! Penso que isto é um sinal claro de que devo desistir da mania de querer ser um Gregor Mackintosh (para quem não sabe de quem se trata, digo apenas que é o meu ídolo das guitarrísticas façanhas, o melhor lead guitar player de todos os tempos, o deus dos solos e dos riffs e dos acordes... ahhhh, procurem na Wikipedia, caraças!!!).
Isto não significa que eu esteja com raiva da música. Não!!! Nem pensar!!! Nietzsche dizia muitas coisas com as quais estou de acordo (inferioridade das mulheres face aos homens e a do Cláudio Ramos face às mulheres, por exemplo), mas nunca estou tão de acordo como quando ele diz que, sem música, a vida seria um erro. Sem música, eu não consigo viver. Mas também não sou capaz de viver a tocar música (ou lá o que se chame àquilo que extraio da minha viola...). Portanto, o compromisso é ficar-me pela audição de cds e vinis e k7s, e deixar de lado - para bem da minha saúde e da de quem tem o azar de me ouvir tocar - o projecto de dominar um instrumento musical.
Hoje, portanto, coloco a minha viola de lado (júbilo, júbilo, alegria, alegria!!!!). E só voltarei a pegar nela se e quando o mundo precisar de mim, é dizer, quando o planeta for invadido por alienígenas à medida do Signs e for necessário um qualquer golpe de terror para os afugentar. Aí, a minha viola será a arma de destruição em massa de que o planeta precisa. E nem me importo de partir o pulso, se o benefício for a salvação de todos nós, incluindo o Quique Flores.
P.S.: Este é, provavelmente, o dia mais importante para a música desde que o Beethoven compôs a 5ª Sinfonia. Ele ficou surdo, mas a minha decisão impedirá que milhares de pessoas desenvolvam surdez. Agradeçam-me, a sério!
segunda-feira, outubro 20, 2008
Uma defesa pessoal
Ora, como considero tal acusação nada menos do que injusta, há que fazer a minha própria defesa, na esperança de a minha gaja ler isto, compreender o seu erro e me deixar voltar ao lar, de preferência acompanhado dos meus dvds com The Best Lesbian Porn Scenes Ever Made (10 bolachas; se alguém quiser pedir-mos emprestados, é só deixar uma nota nos comentários...). A verdade é que gostar de ver duas tipas no lambe-lambe não pode ser julgado como taradice. Na minha definição, um tarado é alguém que, em primeiro lugar, pensa constantemente em sexo, e eu não penso constantemente em sexo, nem em gajas boas todas nuas a esfregarem-se mutuamente, nem na Monica Bellucci, também toda nua e besuntada em azeite, a convidar-me languidamente para visitar o seu leito, nem...
[faço uma breve interrupção nos meus pensamentos acima para duas coisas: primeiro, tenho de ir num instante à casa-de-banho resolver certas "necessidades fisiológicas", as quais me abstenho de divulgar (se o Gilberto Madaíl pode dar-se ao luxo de não revelar o porquê das suas idas ao W.C., eu também posso!). Segundo, parece que este ano estreou em Itália um filme em que a Monica Bellucci tem sexo lésbico explícito! Meus amigos, ainda não visionei a película em questão, mas posso afirmar a priori que se deve tratar, sem erro, do melhor filme de sempre. Qualquer crítico (ou qualquer tonto que escreve sobre cinema e se julga crítico, assim tipo o João Lopes) que manifeste opinião contrária tem, necessariamente, de ser taxado de "totó" por toda a eternidade!]
Outro argumento que devo utilizar em minha defesa é: acho excessivo e leviano uma pessoa acusar outra de taradice só porque esta se excita com algo a que é impossível negar a capacidade de excitação. Vou procurar explicar melhor: um tarado é, para além de pensar sempre em sexo, alguém que se "empolga" com coisas a que a malta dita normal acha estúpidas. Um exemplo: um tipo que se excita porque uma gaja lhe faz xixi na cara é um tarado, não restem dúvidas! Quantos homens têm esse fetiche? Poucos, creio eu. E é por isso que consideramos tal prática uma taradice. É fora do vulgar, pronto! Agora, pergunte-se a qualquer heterossexual o que acha de duas mulheres bonitas juntas na cama: se algum homem alegar que tal acto é um nojo, trata-se de um gay ainda não saído do armário, ponto final!
Penso então ter demonstrado, com suficiente prosódia, que não sou tarado coisa alguma! Excitar-se com duas gajas boas envolvidas num episódio de lesbianismo é algo natural para um homem, e só por má-fé alguém pode asseverar tratar-se de taradice. Se assim for, também é taradice arrotar e coçar os tomates, práticas que qualquer homem qua homem tem! Isto que fique assente de uma vez por todas!...
...a ver se finalmente posso voltar para casa. É que o meu leitor de dvd ficou lá, e sem ele não posso visionar os tais filmes porno lésbicos que tenho comigo...
sexta-feira, outubro 17, 2008
Então e que tal se navegasses daqui para fora, ó palhaço?!?!?!
Ora, como eu não seria eu se não dissesse mal de Portugal, acto para mim tão natural quanto o de respirar, senti-me naturalmente atingido! E tenho de reagir! Se o bandalho de merda que é o Virgílio Castelo não compreende por que é que alguns iluminados dizem mal de Portugal, eu passo a explicar. Portugal é uma merda porque, além de ter actores e jornalistas estúpidos que têm a mania de saber escrever, não possui um sistema de justiça que funcione, o debate político é desinteressantíssimo, os professores são incompetentes, os alunos burros, a selecção nacional consegue perder com os Estados Unidos num campeonato do mundo, o filme em que a Cláudia Vieira mostra as mamas ainda não estreou, o Alberto João Jardim é uma pessoa real e não um boneco do Contra-Informação, o Sporting não é campeão desde 2002 e, além disso, gajas boazonas como a Alexandra Lencastre dormem com bandalhos de merda, em vez de me fazerem uma visita ao domicílio!
Por eu achar isto serei menos patriota do que o senhor Virgílio Castelo?! Claro que não! Os patriotas dividem-se em dois grupos: o grupo dos que estão contentes com o estado de coisas, que para eles é bom, e o grupo dos que não estão de maneira nenhuma contentes, e querem que as coisas melhorem. O Virgílio Castelo, pelos vistos, pertence ao primeiro grupo. Por pior que as coisas estejam, Portugal há-de ser sempre um país porreiro. Pois eu - e muitos outros, incluindo o Vasco Pulido Valente, mas esse diz mal de tudo, portanto não conta - não me satisfaço com tal. Portugal pode vir a ser um país porreiro, mas ainda não o é. E é necessário apontar por que não o é! Se isto desilude o actor-"escritor" Virgílio Castelo, azar. Ele que vá levar na peida e deixe de escrever livros por motivos tão comezinhos. Porque, efectivamente, como escrevia um autor a sério, "falta cumprir Portugal". E tenho dito, raios partam!
quinta-feira, outubro 16, 2008
Ainda sobre o problema das expectativas...
Muitos se lembram, certamente, da "boca" que o actual seleccionador nacional espetou ao seu antecessor, Luís Felipe "Nossa Senhora do Caravaggio" Scolari. Disse Queiroz, numa altura em que ainda não o era, que se fosse seleccionador "seria, fruto do talento dos jogadores portugueses, campeão do mundo". Com isto, pretendia atingir Scolari, que ainda não tinha ganho nada à frente da selecção portuguesa (e assim continuou). Scolari (que podia ser muitas coisas, mas parvo não era, e talvez saiba o que é um powerchord) não fugiu à polémica e respondeu ao douto professor: "É issu aí, cara! Saravá! Máis primeiro, você tem qui si qualificá!".
Mais uma vez, isto mostra quão importante é ter as expectativas bem medidas. Queiroz tem muita garganta, fala muito, mas não mostra trabalho. Eleva as expectativas, mas não as concretiza! E ao não fazê-lo, desilude todos os que apoiam a selecção e todos os que acreditavam no seu trabalho. E a mim faz-me rir. E ao Scolari, suponho, também! Porque antes de sonharmos com o céu, precisamos de ter os pés bem assentes na terra.
E depois as pessoas surpreendem-se quando se fala em "crise"...
quarta-feira, outubro 15, 2008
De como o último álbum dos Metallica pode servir para ilustrar uma posição filosófica

A imagem acima reproduz a capa do novo disco dos Metallica, Death Magnetic. Considerações estéticas à parte ("mas que merda é aquilo? Um ânus ou uma vagina feit@ caixão?! Ai o c*ralho!!!"), devo realçar o que verdadeiramente importa: o álbum está porreiro. Não "porreiro" como na situação em que a Scarlett Johansson se dispusesse a fazer sexo connosco, ao que exclamaríamos imediatamente "porreiro", mas ainda assim porreiro.
[Um exercício divertido: quem consegue descobrir, na última frase, quando é que "porreiro" é de dicto e quando é de re? Ofereço uma foto do Cláudio Ramos todo nu à primeira pessoa a responder correctamente!]
Muitos não concordarão com a avaliação que faço do Death Magnetic. Para muito boa gente, Metallica só vale a pena até ao Black Album, e este já se torna difícil de engolir. Outros há que só levam a sério a banda até ao AJFA (abreviatura simpática do 4º disco, ...And Justice For All). E outros até, mais radicais, juram que a banda morreu após o Master of Puppets, considerado pela maioria dos fãs (eu incluído) o melhor disco da carreira dos Metallica. E, claro, existe também gente que está pura e simplesmente a cagar-se para eles desde o início, o que também constitui uma opinião válida, embora eu honestamente ache que quem assim pensa merecia levar com um míssil russo pelo rabo acima!
A unanimidade, contudo, reside na apreciação que os ouvintes de música pesada fazem dos discos Load, Reload e St. Anger: "f*da-se, que merda do c*ralho" é a frase mais comum!
Ora, havendo posições tão díspares relativamente à história e importância dos Metallica, a primeira questão que se coloca é: mas o que é que isto interessa? E a segunda questão é: haverá mesmo probabilidade de um gajo ter sexo com a Scarlett Johansson? E a terceira, finalmente: por que razão uma banda é considerada genial até certa altura e, depois, se torna mais maldita do que um accionista de um banco que tenha resolvido dar um pulo até à Festa do Avante?
São muitas questões, e eu poderia não dar cavaco e bazar daqui, mas como sou um tipo fixe, além de possuir um gosto musical deveras requintado, darei as devidas respostas. À primeira questão, o que é que isto interessa, responderei: Nada! Mas Portugal também não interessa para nada, e o José Gil escreveu um livro inteiro sobre o assunto, portanto adiante! À segunda questão, se há hipótese de um gajo ter sexo com a Scarlett Johansson, respondo: Não! Mas pelo menos podemos esgalhar umas valente pívias a pensar nela, está bem?! E, por fim, à terceira pergunta, por que razão uma banda é dita genial até certo ponto e depois é ostracizada, vou oferecer uma autêntica dissertação.
O que se passa é o seguinte: temos todos, enquanto seres humanos, sejam eles fãs dos Metallica ou não, problemas com o que é vulgarmente designado de "expectativas". No fundo, o que se passa é que não sabemos lidar com as expectativas que temos. Quando os Metallica lançam três primeiros discos fabulosos, as expectativas do público sobem; porém, quando a banda começa a afrouxar a qualidade, essas expectativas, que tão elevadas estavam, caem, fruto da decepção. E isso dá raiva.
Não sou o primeiro a identificar nas expectativas a causa de muito do sofrimento humano. Já William James alertava para o mesmo. Para ele, as sociedades ocidentais, nomeadamente a norte-americana, eram causadoras de distúrbios psicológicos porque incentivavam os indivíduos a possuir expectativas ilimitadas. Dito de outro modo, as pessoas que viviam em tais sociedades procuravam, a todo o custo, ser bem sucedidas, medindo-se o sucesso pelas expectativas realizadas. O problema é que nem todos podem ver as suas expectativas realizadas, e nem até o mesmo indivíduo consegue concretizar todas as suas expectativas. Isto é: nem todas as pessoas podem, por exemplo, ser actores/actrizes/modelos famosos(as), e nem o Brad Pitt consegue ter tudo aquilo com que sonha (sim, está bem, ele anda a papar a Angelina, mas sabemos lá se ele não anda a sonhar com a ranhosa da nossa vizinha do lado!...). Indo mais longe, a recente crise financeira também resulta disto: o capitalismo selvagem é o lugar em que as expectativas são deixadas à solta, sem nenhum controlo. E por muito bonito que isto possa parecer no início, a cruel realidade acaba por impor-se, e quando isso acontece, vai tudo abaixo, incluindo as Bolsas.
William James apontava para uma solução. Se se torna praticamente impossível concretizarmos todas as nossas expectativas, o melhor seja talvez refrearmos essas mesmas expectativas. Seremos mais felizes se não andarmos constantemente a ansiar por mais, mais e mais: basta sentirmo-nos bem com aquilo que temos. E é nesse sentido que o exemplo dos Metallica se torna revelador. Tínhamos expectativas ilimitadas em relação ao que a banda gravaria? Sim, afinal eles lançaram álbuns clássicos, que qualquer bom melómano (por "melómano" entendo um apreciador de boa música, e não aquele choninhas armado em estúpido que só ouve música erudita) se orgulha de ter. Mas depois caíram, e ao fazerem-no, decepcionaram-nos a nós, os fãs, que deixámos de acreditar no talento do grupo. Muitos desligaram-se irremediavelmente da banda; outros, no entanto, fizeram aquilo que William James sugeria: limaram as expectativas. E ao agirem assim, dotaram-se de um certo despretenciosismo. E quando ouviram o último disco dos Metallica, já não torceram o nariz, porque entenderam que, embora não estando ao nível dos discos clássicos, não é de todo um mau álbum, bem pelo contrário. E sentiram-se, de certa forma, felizes.
Transportem esta situação para o actual estado de crise. Transportem-na, até, em exercício de antecipação, para um eventual estado de pós-crise. E tirem daí as respectivas lições.
Como vêem, os Metallica podem servir de analogia para a presente conjuntura. É por isso que, filosoficamente até, são interessantes. Não é estúpido, então, o título deste post: os Metallica ilustram mesmo uma posição filosófica. Espero que não se tenham assustado. Até porque os Metallica não fazem mal a ninguém. E a Filosofia também não!
terça-feira, outubro 14, 2008
Teste de QI!

segunda-feira, outubro 13, 2008
Filmes Pornográficos Que, Infelizmente, Ainda Não Foram Feitos
Argumento nº 1. Os Olhos Também Comem - Trata-se da história de um gajo que consegue comer as gajas só com os olhos. As miúdas ficam todas malucas e têm altos orgasmos quando cruzam olhares com o protagonista do filme. Há cenas de sexo em cafés, junto de semáforos, no meio de passadeiras de peões, em escadas, nas carruagens de comboio... Todas elas obedecem ao seguinte esquema: o nosso herói olha para a gaja; a gaja vem-se; o nosso herói despe-se; a gaja está tão zen por causa de se ter vindo que não oferece resistência; o nosso herói penetra a gaja; o nosso herói vem-se. O filme termina com uma mensagem social, pois ocorre algo que o protagonista não esperava: vê uma mulher invisual. Como esta não se vem, o nosso herói decide-se por violá-la. É então preso e acaba a ser enrabado na prisão. (Moral da história: o gajo teve mais olhos do que anilha)
Argumento nº 2. Meitox - Um gajo, de nome Sabino, possui, inexplicavelmente, esperma com capacidades rejuvenescedoras. Ao saberem disto, todas as quarentonas e cinquentonas envidam esforços no sentido de serem besuntadas pela meita do Sabino. Porém, nem tudo são botões de rosas, pois a empresa que produz o Botox não fica satisfeita com a concorrência e contrata dois assassinos profissionais para que dêem cabo do Sabino. Acontece que as mulheres descobrem o plano e, depois de mocarem até à exaustão com os dois assassinos, enfiam-lhes seringas de Botox pela peida acima. O filme acaba numa imensa gang bang em que Sabino come as quarentonas e cinquentonas que o salvaram dos assassinos e as encharca com o seu sémen rejuvenescedor. Enquanto passam os créditos finais, vemos estrondosos efeitos especiais: o rosto das mulheres fica mais novo. (isto implica que o editor do filme tem de ser alguém versado no photoshop...)
Argumento nº 3. Sweeney Fode - Projecto único, pois trata-se de uma película porno-musical. Sweeney Fode, o único cabeleireiro heterossexual de Fleet Street, dedica-se a foder as suas clientes enquanto lhes depila as partes íntimas. Após cada foda, cabeleireiro e clientes cantam e dançam... e depois mandam outra. O filme termina tragicamente, pois o marido de uma das depiladas entra na barbearia de Sweeney, pega numa das suas lâminas e corta-lhe o pénis, que é posteriormente cozinhado e servido como recheio de tartes. (a única dificuldade do filme é arranjar actrizes que saibam levar com o mastruço e, simultaneamente, cantar e dançar)
Nada mal, não acham? Só espero que algum produtor inteligente (ou o Sá Leão) veja isto e me contrate... Juro que tenho mais projectos de argumentos enfiados na gaveta... E doem um bocado!
sexta-feira, outubro 10, 2008
Aaaaarrrrrrggggggghhhhhhh!!!! 'Tou piurso!!!!
Este é um post catártico. Este é um post de desabafo. Este é um post em que mando tudo e todos para o CARALHO. Sem censura! FODA-SE!!!
Tudo porque parti, sem querer, o ecrã do meu leitor de mp3 e mp4. QUE BOSTA!!!
Portanto, não me falem na crise financeira, não me falem no Sporting, não me falem em Filosofia portuguesa, não me falem que a Monica Bellucci prefere o Vincent Cassel em vez de mim. Hoje, estas desilusões não têm importância nenhuma e já não me desiludem nada. Estou de rastos por causa do meu "piqueno" e jeitoso leitor de música pirateada e gifs pornográficos, pois as mamocas, os rabos e os grelos ficam com uma definição de MERDA no ecrã partido. E também já não consigo ler os nomes das músicas. :(
Só me apetece é dizer palavrões, CARALHO! E partir os ecrãs de todos os leitores de mp3 e i-Pods que me aparecem à frente, só de raiva! E grunhir! E mandar todas as pessoas à MERDA! E falar-lhes do JOSÉ SÓCRATES!
Em resumo, hoje estou fora de mim. É melhor não me aparecerem à frente. E se andarem por Lisboa e de repente escutarem uma voz forte e máscula, mas simultaneamente bela, a proferir coisas como FODA-SE, BROCHE, MERDA, PUNHETA DE MAMAS, CONA TODA ABERTA A PEDIR UMA MEITADA, CARALHO, MARTIN HEIDEGGER, PEIDA, CLITO COM ESCLEROSE, COLHÕES, MANUEL PINHO FAZ-ME UM BICO e demais impropérios, já sabem: sou eu! Fujam, fujam o mais depressa que puderem. Fica o aviso...
:(
quinta-feira, outubro 09, 2008
Aula de Epistemologia

Só peço desculpa pela pobre definição das tiras. Mas enfim, também podem testar a vossa miopia enquanto se esforçam para ler esta porcaria...
quarta-feira, outubro 08, 2008
Myristica Fragrans
No entanto - e como seria de se prever - a minha adição à noz moscada só me tem causado problemas. Em particular porque a minha-mais-que-tudo não me ajuda nem me apoia! Ela esconde-me os frasquinhos de noz moscada que tanta dificuldade tive em adquirir! Ela já nem me deixa ir ao supermercado sozinho, com receio de que eu me ponha a gastar todo o orçamento de um mês nas prateleiras das especiarias. E, pior que tudo, impede-me de alimentar o meu vício, pois recusa-se a colocar noz moscada na sopa, no peixe, na salada, na fruta! Já viram isto?!?! E diz ela que me ama...
A nossa relação, aliás, já não é a mesma desde que me tornei dependente da myristica fragrans. Dantes, tínhamos conversas enriquecedoras e profundas; hoje em dia, todos os nossos diálogos não passam de acesas discussões cujo terceiro termo é precisamente a noz moscada. Dou-vos um exemplo de uma dessas discussões, ocorrida ontem na cozinha no preciso momento em que eu era apanhado com o nariz na noz:
Ela (entra sorrateiramente na cozinha): O que é que estás a fazer?!?!
Eu (enquanto guardo o frasco de noz moscada atrás das costas): N-n-nada, meu amor, nada...
Ela: Por que é que estás com as mãos atrás das costas?
Eu: Que mãos?! [porra, que resposta tão estúpida... mas não me lembrei de melhor!]
Ela: Ai o c... "Que mãos"?!? As tuas mãos, meu idiota! Por que é que as tens atrás das costas? Estás a esconder alguma coisa?
Eu: N-n-não, querida, não estou a esconder nada. Estou apenas numa posição de relax...
Ela: Mostra-mas!
Eu: Porquê?
Ela: Porque eu quero!
Eu: Está bem!
(e mostro ambas as mãos. Simultaneamente, o frasco que eu tinha guardado estilhaça-se no chão)
Ela: A-HA! Eu sabia! Estavas com um frasco de noz moscada!!!!
Eu: Não! Não é noz moscada!!! É... é... é... heroína!!!
Ela: Isso é que era bom! Não me tentes enganar! Foste outra vez à noz moscada, mesmo depois de eu ter escondido todos os frascos! Como pudeste?
Eu: Ahnnn... é mais forte do que eu, desculpa. Não consigo resistir.
Ela: Seu fraco! Seu estúpido! Seu viciado! Vê no que tornaste, bláblábláblá [nesta parte, desliguei e já não consegui ouvir nada, tão concentrado que estava em tentar snifar o monte de noz moscada que se tinha espalhado pelo chão]
É a isto que a minha vida se resume. Já tentei entrar para uma clínica de reabilitação, mas mal disse que era dependente de noz moscada todos os outros viciados desataram a rir-se de mim. Cambada de anormais... Portanto, a minha situação é triste, pois ser noz moscadodependente ainda é um assunto tabu na nossa sociedade. Ao contrário dos morfinómanos, por exemplo, eu não disponho de um subsídio do governo para sustentar o meu vício. O Pingo Doce nem sequer me faz um desconto quando, com o dinheiro que ganho a estacionar carros, eu peço para me encherem 5 carrinhos de compras só com frasquinhos de noz moscada! E nos outros supermercados ainda sou pior atendido! Escorraçam-me, batem-me, chamam-me nomes! Não há direito, digo eu! Triste fado o meu...
terça-feira, outubro 07, 2008
Os animais são meus amigos (e eu sou amigo dos animais)
Ora, se damos de barato direitos a estes três grupos, por que razão os negamos aos animais? É estúpido, principalmente porque os animais cagam-se menos (no que ganham aos bebés), sabem brincar e executar tarefas (no que ganham aos deficientes profundos) e não andam a arrastar os cus pelos bancos de jardim nem passam o tempo todo a falar de como era a vida lá pelos anos 20 (no que ganham aos velhinhos). Portanto, só vantagens! Assim, quem trata os animais abaixo de cão não tem, de maneira nenhuma, razão, e negar-lhes direitos é sinal de menoridade ética. E de estupidez. E de vontade em esfregar o corno de um rinoceronte cinzento na próstata. E vou parar com estas alusões sodomitas, prometo!
Mas para além de reconhecer direitos aos animais, eu gosto profundamente deles, o que não acontece com os três outros grupos. Bebés?! Ó pá, às vezes só dá vontade de lhes enfiar uma almofada pela goela abaixo, a ver se eles param com a berradeira! E ainda por cima, o facto de passarem o dia inteiro a chuchar numas mamocas e a dormir enche-me de inveja... estúpidos bebés! Deficientes profundos?! Quem tem pachorra para os aturar? São gente amorfa, apática e acéfala, assim tipo os jogadores do Sporting, mas menos totós! E os velhos?! Bolas, os velhos são como uma praga zombie saída dos filmes de terror, com as suas dentaduras postiças, rugas, carnes descaídas, orelhas e narizes gigantes... arrrgggghhh!!!
Os animais não são assim. Os animais são fofinhos, queridinhos, e compreendem-me! E eu compreendo-os! Não admira que alguns dos meus melhores amigos sejam bichos! É com eles que partilho as minhas alegrias e é com eles que afogo as minhas tristezas. E não pensem que as minhas amizades se limitam a cães e gatos, os mais comuns animais de companhia. Não: eu tenho, por exemplo, uma relação quase homossexual com o meu canário (nem imaginam os bicos que ele me faz!), além de possuir amigos pombos e patos no jardim da Gulbenkian, amigas traças, lagartixas, osgas, caracóis e lesmas, entre outra bicharada.
E são amizades sinceras e nada interesseiras. Nunca vi o meu cão pedir-me cds emprestados! Nunca vi uma das minhas gatas trair-me com o meu melhor amigo (que é, por acaso, o meu cão!). E nunca as lagartixas que passam lá por casa andaram a contar a minha vida às suas vizinhas! Deste modo, como posso eu fazer outra coisa senão tratá-los bem? E defendê-los? Os bichos são fixes, essa é que é essa! Já viram algum bicho provocar uma crise financeira? Então, cá está! Make bichos, not bichas! Bichos 4ever! Bichos rulam! E nem experimentem dizer o contrário, senão mordo-vos!!!!
segunda-feira, outubro 06, 2008
Seja feliz, pratique Yoga! Ou então, não...
Esta manhã, no entanto, o caso foi outro. Uma diferente jovenzinha acercou-se de mim e entregou-me um folheto para as mãos. Ainda fiz uma cara triste, no objectivo de ela se compadecer e fazer o mesmo que a outra jovem fez, mas desta feita não funcionou. Continuou a andar e a distribuir papéis por outros transeuntes que, como eu, pela rua caminhavam. Que puta!...
Abandonado, não tive outra opção senão prestar atenção ao papelucho que a vac.. a rapariga me tinha ofertado. E o que lá vinha era isto: publicidade a uma academia de yoga - a Siddha Yoga! (Tem site e tudo, para verem como não estou a brincar: http://www.academiadeyoga.pt/).
A primeira coisa que me chocou foi precisamente o nome: Siddha Yoga! Siddha Yoga?!?! Isso é o quê? Um gajo canta um mantra e fica seropositivo? Um gajo só pode fazer yoga com preservativo? Que é isto, pá?!?!
Após tão profundas reflexões, e não tendo obtido qualquer resposta, decidi abrir o folheto. Um aviso dizia assim (juro que não estou a fazer mais senão reproduzir fielmente o que lá estava escrito!):
"Como pode a prática de yoga ajudar-te nos estudos?
- melhora a capacidade de concentração
- dá mais energia
- aumenta a memória
- reduz a necessidade de dormir
- melhora a saúde
- aumenta a coordenação entre o hemisfério esquerdo e direito do cérebro
- torna-te activo, dinâmico, feliz"
E isto, mais do que o nome da academia (mais uma vez: Siddha?!?!? Não inventem outro nome que não é preciso...), fez-me pensar. O yoga ajuda-me nos estudos? Melhora a capacidade de concentração? Ó pá, se eu soubesse disso enquanto andava a tirar a minha licenciatura... juro que em vez de uns reles 18 a Lógica, teria tirado de certeza um 19! Dá mais energia? Caramba, se eu soubesse disso antes de ir para os meus torneios de futebol... Já estou a ver os meus colegas: "Pá, embora fazer o aquecimento", e eu "Está bem, deixem-me só fazer a posição do lótus". Aumenta a memória e reduz a necessidade de dormir? E desde quando isso é bom? Dormir é tão fixe, e ter má memória já me tem safado por mais de uma ocasião, tipo quando levo uma gaja para a cama e depois esqueço-me de lhe telefonar, o que impede a formação de uma, hmmm, como é que se chama aquela merda?, ahmmm, ah, já sei, uma "relação". Melhora a saúde? Pá, isso é fixe, até porque estou farto de hospitais e clínicas e farmácias e coisas do género. Aumenta a coordenação entre o hemisfério esquerdo e o direito do cérebro? Bem, mais um ponto a favor do yoga. Deve ser fixe isso da coordenação hemisfério esquerdo-direito... ajudaria, no entanto, se eles me dissessem qual é qual. É que eu não sei, pronto... E, por último, torna-me activo, dinâmico, feliz. E eu a pensar que as drogas que consumo já me faziam isso! Porreiro, vou chegar junto do meu dealer e dizer: man, já não quero a tua coca, agora estou no yoga! Impecável, não é?
Munido destes pensamentos, já estava pronto para me dirigir, o mais rápido possível, à Academia Siddha Yoga. (pá, a sério: arranjem outro nome! Já!). Até que os meus olhos passaram por uma pequena informação contida no folheto, que cito, ipsis verbis, aqui:
A frase estava mesmo assim, destacada e em bold. E isto, pior do que o nome, é um autêntico tiro no pé, pelo menos para mim. Se eles tivesse colocado tal frase em letras minúsculas, como fazem os bancos e as companhias de seguros, talvez eu não tivesse dado por nada, e seria facilmente enganado. Mas não, meteram isto bem visível. Tolinhos, perderam logo ali um cliente. Todas as vantagens que o yoga poderia facultar esvaem-se em comparação com esta óbvia desvantagem. Até nas minhas aulas de Epistemologia Mongol Contemporânea era permitido nudez e sexo, quem são estes yoguins para impedirem tal?! Ora, e se fossem à gaita? Fizeram-me perder tempo, filhos de uma grande égua.
Da próxima vez, ou enganam-me como deve ser, ou espeto com o vosso folheto na cara da jovenzinha! E mudem de nome, por favor, que não quero apanhar nenhuma doença chata, ok? Obrigado!
sábado, outubro 04, 2008
Piadas sequíssimas: adivinhem o filme!
- Só Cinha em Casa...
Um jovem órfão quer descobrir quem são os seus pais. Após várias visitas a registos, bibliotecas e à Torre do Tombo, consegue saber que o seu pai é americano. Qual é o filme?
- American Pai...
Sequinhas, não são?!?! Bom fim-de-semana...
sexta-feira, outubro 03, 2008
A Teoria dos Dois Estômagos
A tese assinala então isto: nós possuímos dois estômagos, sendo um destinado ao processamento das comidas normais (frutos, vegetais, peixes, carnes) e o outro destinado ao processamento só das coisas boas (gelados, chocolates, gelados, pudins, gelados).
Aos que duvidam da validade empírica desta tese, respondo que andei a testá-la em mim próprio nos últimos 5 anos. Por mais que me enfardasse de comida dita "normal", havia sempre espaço para as coisas boas, nomeadamente gelado. Ora, se havia sempre espaço para as coisas boas, das duas uma: ou o meu estômago não estava efectivamente cheio, ou então eu possuía um segundo estômago. Mas o meu estômago estava efectivamente cheio, porque se eu colocasse à boca uma uva que fosse, esta seria rejeitada através de fortes vómitos. Porém, semelhante ocorrência não se verificava caso eu enfiasse para dentro uma fatiazorra de gelado, a qual descia sempre leve e bela. Assim, se o meu estômago estava cheio para a uva, ou qualquer outro tipo de alimento não definido como "coisa boa", e não para o gelado, a explicação só podia ser uma: estou dotado de dois estômagos, e como eu sou um ser humano, e não sou diferente das outras pessoas, TODOS os seres humanos estão dotados de dois estômagos! QED!
Outra coisa que descobri foi que o segundo estômago, ou seja, aquele especializado em coisas boas, possui maior capacidade de armazenamento do que o primeiro estômago, isto é, aquele especializado em alimentos comuns. Cálculos matemáticos permitem-me afirmar que o segundo estômago supera o primeiro em cerca de 60%; sendo assim - e ao contrário do que os pais e os nutrucionistas defendem - estamos mais capacitados para consumir doces e afins do que sopas e saladinhas. Portanto, quando a nossa mãe nos proibia de comer doces antes das refeições porque "assim vais estragar o almoço", ou "depois não tens fome para comer a sopa" e outros argumentos que tais, estava só a aldrabar-nos, pois essa proibição não tem qualquer sustentabilidade científica.
Ainda hoje, por exemplo, pude testar os dois estômagos em simultâneo. Para encher o primeiro, comi ao almoço três carcaças, doze carapaus e meio, um quilo de arroz, salada de alface, tomate, pimento e cebola (cujo peso total rondava os 650 gramas), oito batatas com 150 gramas cada uma, uma banana e, para rematar, metade de uma melancia. Coisa pouca, portanto, mas serviu para eu ficar quase cheio. Para encher o segundo, mandei vir uma barra de chocolate, uma mousse de manga, pudin flan, morangos com chantilly, uma mega-híper taça de gelado com 3205345 bolas, leite-creme, duas fatias de bolo de bolacha, acompanhadas de duas fatias de salame de chocolate, uma vienetta inteira, um magnum de chocolate branco, um crumble de maçã, uma torta de caramelo, uma baba de camelo e, para rematar, um balde só com gelados da Haagen-Dazs. E não fiquei sequer minimamente saciado!
Tudo isto demonstra a fiabilidade da minha tese. Um prémio Nobel para aqui, se faz favor!!!!
quinta-feira, outubro 02, 2008
E pás!
O projecto pode ser novo, mas cá para mim o desfecho será o mesmo de sempre: vai acabar tudo à pazada...
quarta-feira, outubro 01, 2008
Eu Vi o Futuro do Multiculturalismo
E ainda dizem que não há integração neste país... vejam lá como cada etnia cumpre o seu papel nesta sociedade tão complexa!...







