quarta-feira, fevereiro 02, 2011

De como uma visita ao veterinário se transforma numa lição de vida


Ontem tivemos de levar esta coisinha fofa ao veterinário, em consequência de cenas más. Ok, ok, vou deixar de ser tão vago: a gatinha anda mal da barriga, pronto. E dá uns puns muito mal cheirosos, e isso são razões mais do que suficientes para levar a bichinha ao médico dos bichos. Bom, e que tenho eu a dizer sobre o seu comportamento? Isto: absoluta e simplesmente IMPECÁVEL! Enquanto esperou pela sua vez, esteve sossegadíssima na caixinha. Quando entrou para a sala, não estranhou. Quando a retirámos da caixinha e a colocámos na mesa para ser examinada, manteve o seu fleumatismo. Não miou, não rosnou, não bufou, nem quando levou uma injecção no lombo. A gatinha estava mansa, mansa... parecia um jogador do Sporting. Nada a incomodou nem a tirou do sério. Fantástico. Nunca tinha visto nada assim!

Esta atitude é, para mim, uma lição de vida porque ensina-me muita coisa. Confesso que não gosto de ir ao médico. Nunca gostei. Já cheguei, por diversas vezes, a fugir. Lembro-me - deveria eu andar pelos meus 8-9 anos - de ter escapado aos meus pais num dia em que era suposto levar uma injecção no rabo. Corri do consultório a toda a brida, sem que ninguém me conseguisse apanhar. É claro que, quando voltei para casa, já de noite, imaginando em toda a minha inocência que nada iria acontecer-me, apanhei os meus pais obviamente tão preocupados quanto irritados e na sequência levei uma tal tareia no rabo que me fez pensar se não teria sido melhor levar a injecção no dito.

Na minha perspectiva, é impressionante que uma gatinha consiga ter mais presença e imponência e, tenho de admiti-lo, mais "tomates", do que um ser humano, partindo do princípio que eu sou mesmo um ser humano, algo que a minha gaja já por diversas vezes argumentou ser, no mínimo, discutível. Mas adiante: a minha gatinha não tem medo dos médicos nem dos consultórios. Nem das picas, nem dos remédios. Já eu, bom, eu não é que tenha propriamente medo, pois não é bem medo aquilo que sinto, mas se puder evitar, evito. Sou assim como aquelas pessoas que não sabem se existem fantasmas a pairar pelo meio de uma floresta escura: pelo sim, pelo não, não entram por esse caminho. É claro que eu sei que não existem fantasmas, mas por outro lado, sei que existem médicos e hospitais e enfermeiros e picas que doem, por isso prefiro estar noutro sítio. Porém, se calhar tenho de começar a agir mais como a minha gatinha agiu: não ligar peva a isto e sair de lá da mesma maneira como se entra, ou seja, como se fosse algo perfeitamente natural. Espero lembrar-me desta lição da próxima vez que tiver de ir ao médico.






[Oxalá seja daqui a muitos, muitos anos...]

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Feito para caminhar

Gosto muito de andar a pé. Eu já era um tracker antes de a palavra sequer ter sido inventada. Os peregrinos que fazem o caminho de Santiago poderiam até ter lições comigo. Palmilhei todos os centímetros da cidade onde vivi até há alguns anos atrás. Percorri Lisboa de ponta a ponta. Subi serras, montes, encostas. Andei para aqui e para ali, para ali e para aqui. E entretive-me ao fazê-lo.

2010, no entanto, foi um ano atípico. Talvez tenha sido o ano em que eu menos tenha andado a penantes. Por razões várias, que agora não interessa enumerar, mas saibam que culpo o governo Sócrates. Porquê? Porque me apetece, mais nada! No entanto, o que mais interessa é fazer de 2011 um regresso às minhas habituais caminhadas, e esse regresso já começou: ontem fui parar à Serra de São Luís, nos arredores de Setúbal, e envolvi-me numa caminhada de cerca de bués quilómetros, óptima para recuperar o hábito. Aproveitei para rever alguns amigos e até para reencontrar uma amiga que já não via há muitos, muitos anos. O balanço foi, portanto, muito positivo. Eis alguns números:

Distância da caminhada: 12 km.

Tempo demorado a percorrer essa distância: cerca de 3 horas e meia.

Número de pessoas que alinhou na caminhada: 230.

Minutos passados a ouvir a minha gaja perguntar-me: "Ouve lá, quem é que é aquela tua amiga?": 127.

Tempo que essa minha amiga demorou a cair de uma ribanceira após ter sido subrepticiamente empurrada pela minha gaja: 37 segundos.

Comida que ingeri durante a caminhada: um bolicao, três sandochas, uma salada de alface, tomate e cenoura, um pacote de batatas fritas, uma maçã. Valores muito abaixo do meu normal, devo dizer. É a crise...

Minutos passados a pensar no destino do Sporting caso o Liédson seja vendido: muitos!

Vezes que caí no chão durante a caminhada: duas.

Dores nas pernas, ontem e hoje: ZERO! (pá, quem sabe, sabe...)

sábado, janeiro 29, 2011

NÃÃÃÃÃOOOOO!!!!

Liedson na porta de saída


Se o Liédson sair do Sporting, eu juro que faço birra!!!!

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Coisas estranhas: o caso do dedo do pé dormente

Não corro o risco de errar se disser que todas as pessoas já experimentaram a sensação de ter os pés dormentes. É algo que pode acontecer, com maior ou menor frequência, a qualquer um. A mim, já me aconteceu por diversas vezes. Agora, aquilo que me aconteceu ontem à noite, nunca antes me acontecera, nem nunca ouvi ninguém falar disso, nem sequer vi qualquer referência ao assunto na Crítica da Razão Pura do Kant ou na República do Platão, e muito menos nas Obras Completas do Peninha e do Morcego Vermelho: ficar não com um pé dormente mas apenas com o dedo grande!

Por mais bizarra, curiosa, e adjectivos sinónimos que eu poderia aqui mandar em barda mas não me apetece, que esta situação se apresente, ela é absolutamente verídica. Sim, fiquei mesmo com um - só unzinho! - dedo do pé dormente. O resto do pé estava normal, só aquele dedo grande é que tinha aquele formigueiro típico da dormência. "Porquê?", perguntei eu, mas não obtive resposta alguma. Talvez porque o meu dedo do pé não fala, talvez porque não lhe apetecesse responder, talvez porque é estúpido fazer uma pergunta destas a um dedo do pé adormecido... Enfim, só sei que não encontrei, e não encontro ainda, explicação para este facto que quase parece sair do domínio do absurdo. Ter um dedo do pé dormente é assim como, sei lá, estar no meio de uma entrevista de emprego e soltar um pum, é como ir a casa dos futuros sogros pedir a mão da amada em casamento e em vez do pedido sair uma declaração do tipo "eu sou gay", é como ter uma filha e baptizá-la como, hmmm... deixa-me cá ver um nome muita estapafúrdio do qual ninguém jamais poderá lembrar-se, ah, já sei, Lyonce Viiktórya.

É claro que depois de umas boas esfregas - e garanto que quase tão estranho quanto ficar com um dedo do pé dormente é passar um par de minutos a esfregá-lo - a dormência lá passou. Mas espero que seja algo que não volte mais a ocorrer. Porque é mesmo estúpido, valha-me Liédson...

Bom fim-de-semana e esfreguem muito os vossos dedinhos dos pés.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

A trilogia d'O Senhor dos Anéis: notas sobre o seu envelhecimento

Ando a rever toda a saga d'O Senhor dos Anéis, na versão cinematográfica do Peter Jackson. Passados todos estes anos, a ideia com que fico é basicamente a mesma que tive aquando da estreia dos três filmes: dos três, o melhor, de longe, é o segundo As Duas Torres.

E porquê? Bom, porque é, de todos, aquele em que o equilíbrio entre, por um lado, as lamechices da amizade do Frodo e do Sam e, já agora, dos outros dois hobbits de que nunca me lembro do nome, e, por outro lado, as cenas de acção e espadeirada, é desfeito com claro benefício para estas últimas. E isto, minha gente, é fundamental numa obra de ficção. Eu não quero estar numa sala de cinema, ou no sofá de casa, a ver um filme onde os protagonistas machos trocam elogios, carinhos, votos de amizade e sei lá mais o quê! Esse homo-erotismo dissimulado que preenche muitos minutos d'O Senhor dos Anéis é algo que a mim não interessa nada. Pá, a dada altura do terceiro filme, a troca de carinhos é de tal ordem que uma pessoa fica até com a ideia de que o Frodo e o Sam vão casar-se, e até já tinham anel e tudo! Se eu quisesse ver essas coisas, ia alugar o Segredo de Brokeback Mountain, por exemplo. O que eu quero ver num filme é acção, porrada, cabeças separadas do corpo, sangue a jorrar, tripas, corpos despedaçados, enfim, todos os ingredientes (literalmente!) que fazem uma boa história.

Aliás, foi para este tipo de coisas que o próprio cinema foi criado. Poucos sabem disto, mas eu, que gosto de investigar este tipo de coisas, descobri que os irmãos Lumière gostavam muito de hack 'n slash e que o propósito inicial do La Sortie des usines Lumière à Lyon era que os funcionários se pegassem à porrada no pátio e se estraçalhassem uns aos outros. O problema é que, naquela altura, os actores ainda eram muito amadores, e tiveram alguma dificuldade em decorar o guião que lhes fora dado. Só se lembraram da parte que envolvia sair da fábrica, o que muito desagradou aos dois irmãos Lumière, tendo Louis inclusivamente dito a Auguste: "Merde! Esta gente nunca faz nada daquilo que se lhes manda", nascendo assim o primeiro confito entre actores e realizadores.

Concluo, portanto, com a perspectiva de que As Duas Torres foi o filme que melhor envelheceu na saga d'O Senhor dos Anéis. Exibe porrada vintage, o que é um belo conceito e remete desde logo para a ideia original dos irmãos Lumière de que o cinema deveria ser uma sequência de cenas de batatada entre machos alfa. Quem de mim discordar, o melhor é ir ver filmes com a Barbra Streisand...

quarta-feira, janeiro 26, 2011

O post de hoje quase poderia ter sido escrito por uma gaja

Perdi cerca de 3 quilos na última semana. Mas o tamanho da minha pança e do meu rabo é que não há meio de diminuir, raios partam!!!!!

Ah, e se alguém na caixa de comentários se lembrar sequer de sugerir que aquilo de que preciso é de concorrer à versão portuguesa do The Biggest Loser, poupem-me, 'tá?! Eu até sou magrinho, excepção feita à tal pança e ao tal rabo e ainda tenho um cérebro, por pior que ele funcione (afinal, sou sportinguista, não é verdade?!?!)

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Apetecia-me falar sobre política, mas não quero. Vou antes falar das presidenciais

Afinal, pela primeira vez na vida, votei nulo (normalmente, voto em branco), por isso também não tenho muito para dizer. Não gosto dos que ganharam e não gosto dos que perderam, não acredito em supostos salvadores da pátria, sobretudo quando esses supostos salvadores têm responsabilidades no estado da pátria que querem salvar, mas também não acredito no fim da democracia só porque se reelegeu um gajo que, bem vistas as coisas, não tem assim tanto poder, para além do de ser capaz de dar um pontapé no rabo do Sócrates (e, se ele o fizer, quem o censurará?!?). Sempre fui anti-Cavaco, desde a minha adolescência - já eu nessa altura galava as mamas da Sónia e dizia mal do, então, primeiro-ministro - e sê-lo-ei sempre, sempre, mesmo que me ponham num lar de idosos, onde ficarei a galar as mamas até ao joelho da dona Antónia e a dizer mal do Cavaco (do qual ninguém no lar se lembrará, até porque terão todos Alzheimer). Mas lá por ser anti-Cavaco, isso não significa que seja pró-Alegre (dass...), pró-Nobre (o senhor até é bonzinho, mas...), pró-Coelho (livra!) ou pró-Defensor de Moura (bolas...). Um candidato, para merecer esse tesouro que é o meu voto, teria de ser competente, honesto, racional, sério, independente, corajoso, conhecedor, humilde, inteligente, simpático, acessível, dialogante, culto e, por que não, ter uma mulher bonita para a qual se pudesse olhar. Porém, sou sincero: nunca, jamais me candidatarei à Presidência da República. É uma coisa que não me interessa, pronto.

Daqui a cinco anos, aposto que estarei a fazer um post semelhante sobre as presidenciais que darão a vitória ao António Guterres. (Não acreditam?!?! Então esperem e verão... ou então fujamos todos do país enquanto é tempo)

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Resumo dos meus últimos dias

Tempo passado a dormir: cerca de 9-10 horas (em dois dias, é muito pouco)

Tempo passado a trabalhar: 14 horas (o normal)

Tempo passado a ler: 3 minutos (ainda assim, acima da média de um jogador de futebol, mas muito abaixo do meu habitual)

Tempo passado a pensar em gajas boas: 15 horas (muito, mas muito, abaixo do normal)

Tempo passado a comer: 3 horas e meia (também muito abaixo do normal)

Tempo passado a reclamar da campanha eleitoral e a fazer manguitos a qualquer um dos candidatos quando aparecem na televisão: 50 minutos (resultado que, de tão abaixo do normal, parece estar a viver numa cave)

Tempo passado na casa de banho, após aquilo que desconfio ter sido a consequência de uma paragem digestiva na passada madrugada de quarta-feira: 25 horas!!!!!!!!

Tempo passado a queixar-me de dores nos intestinos e em toda a zona que envolve o períneo: 38-39 horas.

Isto está mau, está mesmo mau...

quinta-feira, janeiro 20, 2011

As mamas e o fim da história

Graças a um amigo, descobri esta mui informativa página: Mamas e mais mamas - 12 coisas que desconhecia acerca das mamas. Só isto faz desse meu amigo o mais sério candidato ao Prémio Nobel da Paz de 2011, e se ele não ganhar, tratar-se-á claramente de uma injustiça e comprovar-se-á que os membros do comité Nobel são uns mariquinhas.

E o que ficamos a saber sobre as mamas, hmmm? Bom, por exemplo, que há uma ONG que defende o direito ao topless. Que os homens também podem amamentar. Que a Universidade Politécnica de Hong Kong oferece um curso em - atenção, isto é mesmo verídico - Estudos do Sutiã. Que a primeira coisa que os homens vêem numa mulher são as mamas e que, tão ou mais importante, "staring at women's breasts for just minutes a day can improve a man's health and add four to five years to his life", algo de que eu já desconfiava há largos anos. Se tudo correr como previsto, e se os meus olhos não me traírem, por este andar sou capaz de chegar a viver cerca de 36000000 anos.

Estes pormenores suscitam-me dois comentários:

1 - É reconfortante e animador saber que há ciência que se dedica à análise das mamas. Sim, não nego a importância de investigar se há vida noutros planetas, ou quais as consequências a longo prazo do aquecimento global, etc. Mas se existe uma matéria que deve merecer, mais do que qualquer outra, a nossa atenção, essa matéria não pode ser outra que não as mamas. A ciência que estuda as mamas é ciência que está no bom caminho.

2 - No bom caminho parecem também estar as sociedades ocidentais. Noutro site, descubro que, e cito, "researchers said breast size has been increasing in the Western world for the past 10-15 years." Ora, isto parece-me espantoso. Ao contrário do que diziam Marx, para quem a História caminhava inevitavelmente para uma sociedade sem classes, e Fukuyama, para quem a História caminhava para as democracias capitalistas do tipo ocidental, o fim da História não é nem uma coisa nem outra mas sim mamas maiores. Mamas maiores, pá! O progresso das sociedades limita-se a seguir a via do aumento dos seios e isto, meus caros e minhas caras, é de uma relevância formidável. Pode haver crise, pois pode, pode haver injustiça, pois pode, pode haver desigualdade, pois pode, mas sabemos que o mundo será um lugar melhor quando dados palpáveis (está boa, esta!) nos indicam que o tamanho das mamocas está a aumentar. Pois, afinal, um mundo em que as mamas são grandes é, como Leibniz poderia ter argumentado, o melhor dos mundos possíveis ou, pelo menos, superior a um mundo em que as mamas são pequeninas. Um mundo com mamas grandes é um mundo em que um indivíduo tem mais para apalpar, para mordiscar, para lamber, para beijar, para colocar a cara entre os dois seios e chafurdar no meio daquilo e...







...peço desculpa. Entusiasmei-me. É melhor ficar por aqui. Preciso de trocar de calças. Até amanhã. Mas reflictam em tudo isto que vos disse, 'tá?!

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Desconstruindo catchphrases do Obama para utilizar no repúdio às presidenciais de dia 23

Sim, leitores desinteressados da coisa pública, continuo na minha cruzada contra os candidatos presidenciais que se apresentam às urnas no próximo domingo. Desta vez, como arma utilizo as frases de efeito usadas, na altura, por outro cabrão candidato presidencial, não em Portugal mas sim no antro imperialista e capitalista nos Estados Unidos, de seu nome preto estúpido Barack Obama. Não, não vou servir-me do "Yes, we can", pois já está muito batido, e sim da outra catchphrase que se exibia nos palanques: a "Change. We can believe in". Cá em Portugal, eu não belivo em chanja nenhuma, pois a crise dos tempos que correm faz os tempos andarem ao pé coxinho, e enfiar qualquer mudança nisto torna-se virtualmente impossível, tão virtualmente impossível quanto ter uma página no Facebook sem haver amigos a chatear-nos para lhes arranjarmos uma vaca, ou um pato, ou uma couve, ou uma trilobite, ou sei lá o quê.

Aqui ficam, portanto, as minhas adaptações do "Change. We can believe in" dedicadas aos nossos candidatos presidenciais. Não fazem ideia de como eu gostava de espalhar isto por cartazes...:

Ideias para o país. Vocês não têm nem uma.

Buraco. Gostava de vos atirar para dentro de um.

Otários. Vocês não passam de.

Cérebro. Quando é que vocês compram um?

Cruzinha. Nem pensem que vou lá metê-la.

Calados. Era como gostava que estivessem.

Pacote. Vão apanhar no.

Filhas boazonas. Vocês nem isso têm.

Saca-rolhas. É o que penso desenhar no boletim de voto.

F*der. Vão-se todos.

Desafio aos apoiantes de qualquer um dos candidatos a encontrar, nas suas respectivas candidaturas, slogans mais inspirados do que estes acima colocados...

terça-feira, janeiro 18, 2011

O meu pé esquerdo

Dói-me como se estivessem a mutilar-me os órgãos genitais com um saca-rolhas...

Dói-me como se o meu clube tivesse sido enfiado na gaveta por uma equipa de uma cidade conhecida por ser a capital do móvel, e que na sequência o presidente do meu clube apresentasse a demissão...

Dói-me como se num país que se queixa de iliteracia andassem a vender livros como se estes fossem gravados a ouro, só assim se percebe que eu, mandando vir de Inglaterra, pague 7€ pelo The Book Thief e em Portugal a respectiva tradução, A Rapariga Que Roubava Livros, não se venda por menos de 22€, até parece que os tradutores são extraordinariamente bem pagos, ó caraças!...

Dói-me como se as eleições presidenciais fossem já no próximo domingo e não se possa dizer, de qualquer dos candidatos, algo como "Epá, este indivíduo parece ser sério, competente, honesto e capaz de desempenhar com eficácia as funções de Presidente da República"...

Dói-me como se as várias televisões preferissem mostrar a qualquer hora do dia imagens de violência e de porrada, já para não falar em concursos acéfalos e repetitivos até ao tutano de pessoas extremamente gordas que são obrigadas a guardar segredos dentro de uma casa só para perseguirem os seus sonhos de cantores, nem em telenovelas com argumentos de uma finesse que quase parece terem sido escritos pela equatoriana analfabeta que faz a contabilidade do BPN, e se calhar até foram, mas evitam passar pornografia hardcore porque alegadamente isso estraga as cabecinhas dos cidadãos, até parece que nunca esgalharam uma; se isso estraga a cabecinha, então é porque não o sabem fazer convenientemente, ouviste ó João César das Neves?, ouviste ó Papa Bento Ratzinger XVI?

Enfim, dói-me à farta!

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Planos que parecem bons na teoria, mas na prática...

Ontem, ficámos novamente a tomar conta do armagedão em forma de miúdo de ano e meio (veja-se um post anterior sobre a mesma personagem aqui). Desta vez, a gaja quis ser inteligente e lembrou-se: "Gajo, e se levássemos o puto ao parque? Ele lá cansa-se e depois passa o resto do dia a dormir". Pareceu-me uma excelente ideia! Mal almoçámos, pegámos no pequeno terrorista e fomos para o parque de diversões mais próximo. Aí, metemo-lo a andar de baloiço, de escorrega, de cavalinho, obrigámo-lo a subir para cima disto e daquilo, a correr, a saltar, a rebolar, a jogar à bola, e ao fim de não sei quantas horas lá se satisfez e voltámos os três para casa.

Resultado: eu e a gaja dormimos que nem uns anjinhos!

(mas acho - digo eu - que não era bem nisto que havíamos pensado à partida...)

sexta-feira, janeiro 14, 2011

O Jet Set português é uma coisa fascinante

Ainda há uma semana estavam todos a chorar a tragédia que foi o assassínio (sim, assassínio! Assassinato é galicismo. E é feio!) de um colunista cor-de-rosa, nos vários sentidos da palavra, e hoje já há motivos para regozijo e júbilo. Sim, a Luciana Abreu e o Yannick Djaló (nota para a direcção do Sporting: quando é que vendem este gajo e compram um preto avançado de jeito?!?!) foram hoje agraciados com uma menina: Lucyanni é o nome da pobrezinha bebé.

Lucyanni, pois... Muita imaginação tem esta gente. Quanta massa cinzenta não há nos membros do nosso jetchisetchi... Lucyanni... Épá, LUCYANNI!!!!...

Se isto se tornar moda, esperem pela Cesariana, a filha de César Peixoto e Diana Chaves. E a coisa não vai ficar por aqui: a próxima criança de Pimpinha Jardim e Francisco Spínola será o Pimpisco, se for menino, ou a Frapinha, se for menina. Se a Rita Pereira voltar a juntar-se ao Angélico, poderemos vir a apanhar com um Ritélico.

Parece-me bonito...

(e leva-me a considerações alternativas: o que aconteceria se o Renato Seabra e o Carlos Castro tivessem tido filhos? Sairia um Carnato? Uma Renalas? Enfim, tantas e tão giras combinações!!!)

Não é por nada, mas...

...não me recordo de alguma vez ter apanhado tanto tempo seguido de nevoeiro. Já são mais de 24 horas com esta névoazinha. Vem aí qualquer coisa má, só pode...







...mas pensando duas vezes, há quem esteja pior do que nós. Lisboa e arredores estão há mais de um dia debaixo de um forte nevoeiro, sim, mas é o ar de Nova Iorque que vai levar com as cinzas do Carlos Castro!

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Em dias de nevoeiro, as crianças ficam... bom, sei lá!

Escutei este diálogo no comboio:

- Mãe, alface é fruta ou legume?
- É legume, filho.
- Mãe, laranja é fruta ou legume?
- Laranja é fruta.
- Mãe, couve é fruta ou legume?
- Legume.
- Mãe, vaca é fruta ou legume?
- Ó que disparate! Vaca é carne.
- Mãe, carne é fruta ou legume?

Depois desta, quase cuspi o pequeno-almoço que havia tomado há meia hora atrás. São tão fofinhas, as crianças... São tão fofinhas na sua ingenuidade infantil.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Da dificuldade em compreender pessoas que falam a correr...

Tenho uma vizinha que fala depressa, mas mesmo depressa. É como se fosse um espanhol a quem tivessem dado 20 chávenas de café. Se uma frase daquela senhora entrasse numa corrida de 100 metros com o Usain Bolt, a frase ficava em 1º lugar, voltava atrás, recomeçava a corrida, ficava em 2º lugar, voltava atrás, recomeçava outra vez, ficava em 3º lugar, e ainda tinha tempo para disputar a 4ª posição lá com o jamaicano a jacto!

Sempre que a dita senhora se me dirige, eu não consigo compreender senão as primeiras palavras. Tudo o resto fica completamente críptico. E não sou capaz senão de responder com monossílabos, realizando pelo meio um portentoso esforço de hermenêutica que deve, na realidade, mais à adivinhação do que a qualquer faculdade do entendimento. Por exemplo, quando a vizinha se chega e me diz:

- Então, berelébereléberelébereléberelétrecolarecotrecolareco?

eu limito-me a imaginar que está a perguntar-me se gostei da vitória do Sporting e respondo com um lacónico

- Sim

e pisgo-me das imediações, não vá ela dirigir-me mais uma frase incompreensível. Quando a coisa começa com um

- Bom dia, trecolarecotrecolarecobereléberelébereléberelé?

suponho que está a tentar saber se lá por casa está tudo bem e se eu penso que as investigações do A. J. Ayer são revolucionárias para a compreensão epistemológica da verdade, conduzindo a uma resposta elaboradíssima, do género

- Pois

e novamente raspo-me antes que seja apanhado na teia de uma nova frase que não impossível de captar.

A senhora, confrontada com estas minhas reacções, deve ficar a pensar que sou um tipo bastante antipático, que não quer conversa nem que a conversa apareça em lingerie sexy. Mas não é isso, de todo. Eu não consigo é compreender nada do que a mulher diz! Teria mais sucesso eu entrar em diálogo com um chinês (cuja língua não percebo nada), com uma avestruz (cujos grasnares eu não entendo) ou com um militante do CDS/PP (cujo Q.I. de 0,5% reduz significativamente qualquer tentativa de comunicação séria, a não ser que lhe mostremos dinheiro, a única coisa que um militante daquele partido compreende) do que com essa minha vizinha que fala português injectado de esteróides.

Se esta mulher fosse falar para a autoestrada, apanhava com cada multa... Chiça!

terça-feira, janeiro 11, 2011

Inevitáveis conclusões

sobre o caso Renato Seabra/Carlos Castro

* Ficamos a saber que o melhor remédio para acabar com os demónios e os vírus não é nem um exorcista nem um antibiótico: é um saca-rolhas!

* O Renato Seabra conseguiu sacar a maneira mais rápida de acabar sodomizado na prisão

* Péssima investigação jornalística: Renato Seabra atirou um computador à cabeça do Carlos Castro, mas ninguém ainda soube informar se era um PC ou um Macintosh. É este o jornalismo que queremos?

* Renato Seabra argumentou que já não era mais gay. E qual foi a primeira coisa que ele fez após essa afirmação? Exacto: foi mexer nos genitais do Carlos Castro. Com um saca-rolhas, é preciso não esquecer...

* Comentário de Horatio Crane sobre o crime: "It seems like his genitals... [tira os óculos]... vanished in a poof!"

Tum, pá, trish!...

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Mas isto lá é pesadelo que se tenha?!?!

Acordei assustado e alagado em suor. Motivo: um pesadelo horrível! Mas mesmo, mesmo horrível! Então calculem lá que sonhava estar sentado no sofá diante do televisor e de repente a emissão era interrompida para dar uma notícia de última hora: a candidatura do general Ramalho Eanes às presidenciais! E como se isto já não fosse suficiente assustador (a esta hora, eu já me debatia sem controlo debaixo dos lençóis), aparecia o dito general, numa conferência de imprensa convocada à pressa, a declarar, naquele seu jeito muito particular: "Portugueses e portugueses, venhe candidatar-me à presidêncie da repúblique porque o estade actual deste país assim o exige. Promete alterar a constituição para poder ficar no cargue por um període mínime de 14 anes".

Foi aqui que acordei no estado que já vos referi. 14 anos... Irra!!!! Mas por que é que eu não posso ter pesadelos como as pessoas normais?!?! Sei lá, ser perseguido por zombies. Estar no meio de um edifício em chamas e não ter cds para ouvir. Ter o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda a bater-me à porta. Ver o Liédson sair do Sporting. Essas coisas, pá, por mais assustadoras que sejam, não possuem o grau de repugnância do general Ramalho Eanes. Sonhar com este homem é coisa para arruinar por completo o dia... até já pedi para me virem aqui trazer dez caixas de Prozac.

domingo, janeiro 09, 2011

Rescaldo da passagem do afilhado da gaja aqui por casa:

o Bin Laden, os anarquistas gregos, os hooligans ingleses, os traficantes do complexo do Alemão e os governantes portugueses não passam de amadores. Querem destruição, mas destruição à séria?! Contratem aquele puto de ano e meio...

Livra!!!!!!!!

(Se quiserem ter uma boa ideia do que aqui se passou, lembrem-se do terremoto que devastou o Haiti há cerca de um ano)

sexta-feira, janeiro 07, 2011

A melhor cena xunga de sempre retirada de um dos melhores filmes xunga de sempre




Scaginjas - You are an ugly motherfucker

Predador - BLEEEEEURGHHHHHHHHHH!!

Clássico. Vejam lá se apanham disto nos filmes do Fassbinder (aliás, quem vê filmes do Fassbinder apanha é outra coisa)...

Bom fim-de-semana

quinta-feira, janeiro 06, 2011

O dia em que a gaja disse que eu tinha um rabo jeitoso

Estava eu muito contente a descascar uma cebola em cima da bancada da cozinha quando começo a sentir duas mãos pousando no meu rabo. Essas duas mãos, como se estivessem a fazer turismo, percorreram o meu traseiro para cima e para baixo, apalparam, mexeram e remexeram. No fim de tal sessão, ouvi, vindo lá bem de baixo, numa voz que mais se assemelhava a um sussurro (é que a minha gaja é mesmo pequenina...), estas palavras "estás a ficar com um rabo mesmo jeitoso".

Afirmações assim, espantosas, ouvi-as poucas vezes na minha vida. E lançou desde logo a dúvida: estarei mesmo a ficar com um rabo jeitoso? Perguntei-lhe (à gaja, não ao rabo, entenda-se), e a resposta foi mais uma viagem das suas mãos à minha zona rabal. O que, aqui para nós, não constitui qualquer resposta!

Foi então que comecei a pensar em dissipar as dúvidas. Se há alguém que percebe de rabos jeitosos, sou eu! Sou desde há várias décadas um apreciador da anatomia feminina, e se aqui tenho a destacar as mamas, o pedaço corpóreo mais perfeito alguma vez produzido na natureza, a verdade é que nunca deixei de parte um belo befe. Um bom rabo é também algo que muito me agrada, e poderia ficar aqui o dia todo a citar belos exemplos de belos rabos: a minha gaja, a Shakira, a Beyonce, a Cláudia Vieira, a Teresa da reprografia, a Cindy Crawford de há 20 anos, a Alexandra Lencastre há 50..., enfim, é por aí.

Tentei então perceber o que se passava com o meu rabo. Despi as calças e os boxers e procurei olhar para o rabo. O problema é que, como qualquer pessoa bem sabe, nós temos os olhos na parte da frente do corpo e o rabo na parte de trás, o que é um mecanismo espectacular quando se trata de ver os rabos das outras pessoas mas revela-se muito limitado quando o objectivo é observarmos o nosso próprio rabiosque. Assim, andei uns bons 30 segundos a forçar o pescoço para conseguir olhar o traseiro. Mais parecia um canídeo atrás da própria cauda e arrisquei-me até a torcer o pescoço, estilo Linda Blair no Exorcista...

Desisti e passei a outra táctica. Se não conseguia olhar directamente para o meu próprio rabo sem ir parar ao hospital, o melhor seria utilizar um jogo de espelhos. Dirigi-me à casa de banho, peguei num espelho pequeno e pus-me entre este e o espelho maior que está pregado à parede. Porém, quando estava a tentar ajeitar a minha posição e a dos espelhos, de modo a conseguir vislumbrar o meu rabo em toda a sua majestade, a gaja arremeteu pela casa de banho adentro e começou a perguntar, aos berros, o que é que eu estava a fazer ali, nu da cintura para baixo, entre dois espelhos, como se isto fosse uma coisa extraordinária e singular. Como lhe respondi estar a tentar olhar para o meu próprio rabo, ela levou a palma da mão à testa e paf, com um sonoro estalo procurou fazer entender que sim, afinal o que eu estava a fazer era apenas uma coisa estúpida. Lá saiu da divisão e voltou para as suas coisas de gaja, tipo olhar para catálogos de sapatos e afins, abandonando-me na minha missão de perceber o meu rabo.

Finalmente encontrei a posição ideal e pus-me a ver. Aquele rabo, ali revelado no pequeno espelho diante de mim, parecia-me não valer um cu. Nada se assemelhava aos rabos jeitosos das gajas boas (ver alguns exemplos acima). Pêlos dominavam a paisagem do nalguedo. Comecei a achar que a gaja, afinal, havia mentido quando avaliara a jeitosidade do meu rabo, algo que não é muito normal nela, excepto quando afirma que o Benfica é muita bom e joga muita bem e é o maior clube do mundo.

Optei então por procurar segundas opiniões. Mas a quem eu poderia perguntar se o meu rabo estava a ficar jeitoso?! Pus-me a fazer uma lista.

Em primeiro lugar, coloquei as gajas minhas amigas. Esperava que elas pudessem opinar, com sinceridade, acerca do meu rabo. Contudo, isto traria dois riscos, um enorme e outro descomunal como um tsunami que rebentasse com o sudoeste asiático. Se eu chegasse junto de uma gaja minha amiga, baixasse as calças, mostrasse o rabo e perguntasse "Ouve lá, achas que o meu rabo é jeitoso?", provavelmente ocorreriam duas coisas. Uma - o risco enorme - era que essa gaja deixasse automaticamente de ser minha amiga. Outra - o risco descomunal-à-tsunami -, era que essa gaja fosse contar à minha gaja que eu tinha estado junto daquela gaja para lhe mostrar o rabo. Se isto acontecesse, era certo e certinho que, chegado a casa, teria como recepção uma vassoura pelo meu rabo acima. Abandonei então esta possibilidade.

Escrevi na lista a hipótese seguinte: gajos heterossexuais meus amigos. Mas torci logo o nariz a isto. Afinal, se eu revelasse o meu rabo a qualquer um dos meus amigos, temo que eles deixassem de me considerar bom da cabeça (é, tenho andado a enganá-los estes anos todos...) e, pior ainda, que deixassem de me considerar heterossexual, pois qual é o heterossexual que anda por aí a mostrar o seu rabo aos amigos e a perguntar-lhes se acham esse rabo jeitoso?! Isso, naturalmente, produziria danos tremendos à minha imagem, já para não falar nos danos que poderiam ser produzidos no meu rabo caso fosse corrido ao pontapé no momento em que eu arriasse as calças.

Só uma possibilidade, esgotadas aquelas duas, me parecia então viável. Pedir a opinião aos meus amigos homossexuais. Parecia a solução perfeita: estão habituados a olhar para rabos de gajos, não me escorraçariam caso lhes mostrasse o meu e dificilmente correriam a contar essa história à minha gaja. Sim, era mesmo a solução perfeita... não fosse por um pequeno pormenor! É que também aqui se verificavam riscos, e riscos daqueles bem chatos. Raciocinem comigo: eu chegava junto de um ou mais amigos gays, pedia-lhes que avaliassem o meu rabo, eles como é óbvio assentiriam, eu baixava as calças, tirava os boxers e pimba, o meu rabo surgiria no campo de visão daquela gente. Eis o que poderia acontecer:

1 - O meu rabo ser mal avaliado. Calculem agora o que isto significava para a minha auto-estima. Depois de ter escutado, da gaja, que o meu rabo era jeitoso, imaginem como eu ficaria caso o Paulinho, ou o J.P., ou o Tó Zé, ou os três juntos, me dissessem, como se fossem um Tim Gunn da rabetice (oh, que ironia...): "Hmmm, pois, Peter of Pan, sabes... hmmm, esse rabo e tal... pois... não sei se já alguma vez viste o rabo do Clooney, ah, o rabo do Clooney... ou o do Brad Pitt no Tróia... ah, o rabo do Brad Pitt... ou mesmo o rabo do Carlitos de Campolide... ah, o rabo do Carlitos de Campolide... esses é que são uns belos rabos. O teu, bem... Peter of Pan, como hei-de dizer-te isto sem ferir os teus sentimentos? Olha, o teu rabo é uma merda! É horrível. Isso nem devia ser chamado de rabo. É tão, mas tão feio que parece o Orçamento de Estado". Isto era uma coisa capaz de dar cabo de mim, o meu rabo não ser capaz de satisfazer os padrões dos gays...

2 - O meu rabo ser bem avaliado. Aqui, a coisa seria muito simples: o que me aconteceria se, ao mostrar o meu rabo a um ou mais amigos gays, a opinião fosse consensualmente positiva?! Já imaginaram o que poderia, na sequência, acontecer ao meu rabo?! Que homem heterossexual mas interessado em saber o grau de beleza da sua própria - e inviolável - bundinha está disposto a colocar-se numa situação dessas?! Que homem arrisca a vida do seu próprio rabo só para saber se esse mesmo rabo é bom? Parece que já estou novamente a ver o Paulinho, ou o J.P., ou o ToZé, ou os três, a avaliar o meu rabo: "Hmmm, Peter of Pan, esse teu rabo parece-me mesmo bom. Mas para poder ter a certeza, tenho de lhe mexer. Uiiiii, que belo rabinho, nem o Carlitos de Campolide tem um rabo assim tão jeitoso, mesmo bom. Preciso só de ver mais um pormenor, mas para isso vou ter de baixar também as minhas calças!". Estão a captar a cena, não estão?!?!

Achei então que não valia a pena e abandonei a minha demanda. Mas só momentaneamente, pois a questão de saber se o meu rabo é ou não jeitoso atormenta-me, não me tendo mesmo deixado dormir bem esta noite (passei-a a coçar o cu!). Pensei na questão durante o duche. Pensei mais ainda durante o pequeno-almoço. E continuei a pensar enquanto me dirigia para o trabalho. E foi aqui, entre duas olhadela às mamas da gaja que se sentou à minha frente no comboio, que surgiu uma nova possibilidade: tirar uma fotografia ao meu próprio rabo e postá-la aqui mesmo, neste blogue. E vocês, leitores, avaliariam a estética do meu traseiro. Que acham? Acham bem, acham mal? Votem aqui para eu ter uma percepção da coisa e saber se posto o meu rabo cá no estaminé!

Devo eu colocar uma fotografia do meu rabo neste blogue?
Se o fizeres, nunca mais venho aqui
Mete antes as mamas da Rita Pereira
Apenas se estiveres vestido
Mete antes as mamas da Gemma Atkinson
Tenho medo do teu rabo
Mete antes as mamas da Nereida
Isso eu pagaria para ver
Mete antes as mamas da Marta Leite de Castro
pollcode.com free polls
Fico então à vossa espera...

quarta-feira, janeiro 05, 2011

More seca than you could possibly imagine*

Eram quatro músicos tão, mas tão gordos, que decidiram formar uma banda gástrica!






*E agora identifiquem lá o filme em que me inspirei para criar o título... dou-vos duas pistas: é um filme muito cultuado por nerds, e é um filme onde uma das personagens foi claramente decalcada no físico do Tony Ramos, por um lado, e na capacidade retórica de um jogador de futebol, por outro.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Pequenas secas para o 2011 que agora começa

- Quando é que uma sopa fica uma "ganda maluca"?
- Quando está bem passada...

- Como se chama o programa de televisão em que várias pessoas são colocadas num ginásio para tentarem perder o umbigo?
-Umbiggest loser.

- Se a Paris Hilton fizesse um filme com o Godard, que filme seria esse?
- A Cu Assado.

Ora tomem lá, mesmo secas e estúpidas. É bem feito, quem é que vos manda vir aqui quando deviam era estar a trabalhar?!?!

segunda-feira, janeiro 03, 2011

São momentos como estes que fazem um gajo levantar-se da cama e sentir orgulho de ser português

Quando o fim-de-semana nos brinda com factos deste jaez:

1 - o Porto levou no pacote. O que é Nacional é bom!

2 - o candidato do PND à Presidência da República acusou o actual detentor do cargo, Cavaco Silva, de se assemelhar - e cito - a uma "miss do mundo" (sic)

3 - a TVI exibiu, ontem à noite, um filme em que a Cláudia Vieira mostra as mamas

é porque estamos no país certo, um país que nos anima, e já nos arrependemos de sequer equacionar emigrar para a Noruega!

Um bom 2011!

quinta-feira, dezembro 23, 2010

Uma lição de hipocrisia

Esta manhã, pego no carro e ponho a gaja no pendura. Pé no acelerador e vrummmmmmmm, embora lá que já estamos atrasados! Cinquenta ou sessenta metros adiante, está um carro quase quase parado. Eu a querer andar e o tipo nada. De repente, já estou eu quase colado à traseira, o tipo guina à direita, sem fazer pisca nem nada, e estaciona, feliz da vida, como se não tivesse feito uma transgressão daquelas que eu considero mesmo graves (para mim, malta que não faz pisca aquando de mudança de direcção deveria ter o mesmo destino dos pedófilos e dos violadores - era castrá-los quimicamente e enfiar-lhes os sete volumes do Em busca do tempo perdido, um a um ou todos ao mesmo tempo, conforme desse mais jeito, pelo cuzinho!)

Coordenados como se fôssemos dois bailarinos a apresentar uma performance no teatro Bolshoi, eu atiro um "filho-da-puta!" bem atirado, e a gaja que, como ia no pendura, estava mais próxima daquele arraçado de morsa, baixa o vidro e exclama um "palhaço!" bem exclamado.

Surpreendido por aquela atitude, vim o resto do caminho a barafustar com a minha gaja por ter sido tão mal educada... Hipocrisia é isto! Vejam se aprendem...


...ah, e um bom 25 de Abril para todos.

terça-feira, dezembro 21, 2010

Hoje...

... já perdi mais um chapéu de chuva e pisei um cagalhão antes de entrar ao serviço.

A partir daqui, o dia só pode ser a subir!

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Como escrever cenas de sexo - um guia Peter of Pan

Imaginem que são escritores. Imaginem que, nos vossos contos ou romances, têm de descrever cenas assim daquelas mais tórridas. E imaginem que não sabem ainda qual será o vosso público-alvo: homens, mulheres, homens que têm tempo para ler, homens que não têm tempo para ler, mulheres que têm tempo para ler, mulheres que não têm tempo para ler. O post de hoje é uma espécie de manual de resposta a isto. Então tomem lá:

Cena de sexo descrita para mulheres que têm tempo para ler:

"Ele olhou-a nos olhos, fixou-se naquelas íris que espelhavam a paixão de Susana, há muito ansiosa por este encontro. Pegou nela, com um gesto ao mesmo tempo firme e suave, e Susana sentiu o seu coração bater mais forte. Ele, com suavidade, aproximou o rosto do pescoço de Susana. Beijou, como se o tempo fosse uma maré no crepúsculo, aquela pele líquida e Susana, cada vez mais abandonada, ofegava a cada novo beijo. Com movimentos que só pôde ter aprendido naqueles anos em que se retirou do mundo e foi viver junto de um grupo de tartarugas das Galápagos, Ricardo começou a desabotoar a alva camisa de Susana, deixando ver, aos poucos, o soutien e a pele daquele peito que lhe era oferecido. Susana era já toda fogo, escaldando de antecipação. Ricardo, esse, passou devagar a mão direita pelas costas de Susana e, num gesto rápido que a surpreendeu, e que ele deve ter aprendido quando esteve refugiado na casa de um prestidigitador nos seus anos de exílio no Nagorno-Karabakh, desapertou-lhe o soutien, colocando-o sobre a camisa que já jazia no chão. Beijou os seios de Susana, primeiro o esquerdo, num claro reflexo das suas preferências políticas, depois o direito. Ela sentia-se explodir. Como se fosse um dançarino de tango, que aliás aprendeu nos meses em que esteve perdido no La Bombonera após assistir a um Boca Juniors X River Plate que deu molho, Ricardo tomou Susana nos braços e deitou-a na cama. Tirou-lhe os sapatos. Susana já só aguardava o momento de consumação daquele amor que ardia como o magma prestes a ser expelido de um vulcão. Ricardo, contudo, não tinha pressas, mostrando que nada aprendera durante aqueles anos em que estivera infiltrado num grupo de investidores de risco de Wall Street. Começou a tirar, devagar, a sua gravata, de seguida a camisa. Enquanto cada botão dançava naqueles dedos que já tanto mataram e tanto amaram, Susana só pensava "despacha-te lá com isso e salta-me já para cima". Ricardo, contudo, permanecia impassível. Descalçou os sapatos, pé contra pé, desapertou as calças, deixando que a gravidade as atraísse para o chão e tirou os slips, revelando a Susana um sexo majestoso, efeitos talvez do facto de Ricardo ter sido criado dos 5 aos 17 anos com a tribo africana que o adoptara depois de os seus pais o terem abandonado no Pingo Doce da Damaia. Ricardo baixou-se e tirou as calças de Susana. Com pequenos ósculos, foi caminhando desde o pé esquerdo de Susana até ao ventre. Retirou-lhe as cuecas húmidas e osculou também aquela superfície rosada que tanto o aguardava. Susana gemia, convulsava, espasmava, espumava. Ricardo voltou a beijar os seios e posicionou-se por cima de Susana, que aguardava, quase em desespero, por aquele momento. Começou a sentir o garboso falo de Ricardo junto das suas coxas e a aproximar-se mais e mais e mais e mais... Susana não pensava que uma tal sensação seria possível, nem mesmo naquele ano em que esteve encerrada num convento de freiras lésbicas se comparava ao prazer que, aqui e agora, tinha. Quando o órgão de Ricardo, por fim, se resolveu a invadir o seu jardim de rosas, Susana julgou-se no paraíso, aquele lugar onde tudo é bom, tudo é belo e o José Sócrates está suspenso no ar e a ser chibatado. Os vai-vens de Ricardo, sempre lentos, intensificavam mais ainda o momento. Susana gritava, sorria, chorava, suplicava. Ricardo, em silêncio, aumentava agora o ritmo. Susana sentia-o, no mais fundo de si. Estava quase. Ela sabia-o, ele também. Apertaram-se mutuamente, num abraço que parecia conter em si todo o mundo, todo o universo, e explodiram os dois em simultâneo, ali, naquela mesma cama que acabara de suportar um acto de comunhão entre amantes como nunca antes se vira, nem mesmo nos livros da Barbara Cartland. No dia seguinte, Ricardo despediu-se, deixando um anel de rubis na mesa-de-cabeceira, para que Susana nunca, jamais, se esquecesse aquele encontro."

Cena de sexo descrita para homens que têm tempo para ler:

"Ricardo agarrou-a com força, à homem, como quem agarra uma bilha de gás só com uma mão e a levanta para pôr ao ombro, mesmo à macho, e espetou-lhe um beijo na boca. Arrancou-lhe a camisa e o soutien à bruta e apertou-lhe as mamas, grandes e redondas, desatando logo em seguida a chuchá-las. Susana pedia que fosse mais devagar, mas Ricardo era um homem sem tempo a perder, lição retirada daquele tempo que viveu em Nova Iorque quando andou, mais uns amigos de bebedeira da faculdade, a desmantelar empresas. Espetou um estalo em Susana, como que a dizer quem é que mandava ali, e ela, sem dizer uma palavra sequer, ajoelhou-se. Desapertou-lhe o botão das calças, enfiou a mão e tirou para fora o gigantesco pénis de Ricardo, enorme como uma montanha, como é aliás o pénis de todos os homens, sobretudo dos narradores de contos porno-kitsch, porque é assim que elas gostam, as malucas. Susana, quase sem saber como, lá enfiou todo aquele material na boca e foi sorvendo, ajudada por Ricardo que, com as duas mãos, lhe empurrava a cabeça e puxava os cabelos. Ricardo mal via o rosto de Susana mas tinha a certeza de que ela estava a gostar. Ele, afinal, sabia muito bem identificar tais sinais porque, naqueles anos em que viveu junto de um grupo de tartarugas das Galápagos, várias foram as noites em que as gigantes mas dóceis répteis lhe fizeram sexo oral. Ricardo, porém, não estava de todo satisfeito. Pediu a Susana que parasse, pegou nela e pô-la de cócoras. Abordou-a naquela posição e acometeu-a com força, e depois com mais força. Com a mão direita agarrou, por trás, a teta que estava mais à mão, e que, coisa curiosa, era também a direita e, com a outra mão, puxou com firmeza os cabelos de Susana, que gemia como uma profissional. Saciada a mão que estava na mama, passou-a para o nalguedo, afinfando-lhe uns valentes tautaus. Susana parecia adorar, pois só gritava "Mais, mais!", e Ricardo não se fez rogado; afiambrou-se àquele pedaço de cu e mandou-lhe tanta palmada que o rabo de Susana mais ficou a parecer o rescaldo de um atentado terrorista. Em vez de cansar, estes actos só atiçavam mais ainda a libidinagem do escaldante Ricardo: sem o tirar de dentro, agarrou Susana pela cintura, levantou-a, deu-lhe a volta de modo a que ficassem rosto contra rosto e atirou-se, com ela por baixo, para cima da cama. Ali, penetrou-a com mais força do que a força com que vinha penetrando até então, e depois com mais força ainda. A respiração acelerava-se-lhe, Susana gemia que nem uma valente, até parecia que a esventravam, e se calhar até era, a glande de Ricardo preenchia o útero, como se fosse um balão de ar a encher, e encheu mesmo porque Ricardo atingiu o clímax e jorrou uma tal torrente das suas profundezas que o interior de Susana era como se estivesse a apanhar com a chuva da época das monções. Ricardo, com um enorme sorriso nos lábios, levantou-se. Procurou a roupa, que ficara espalhada pelo quarto, acumulou-a num monte que carregou nos braços e, quando se encaminhava para a casa-de-banho, finalmente dirigiu-se a Susana. "Então, gostaste, minha vaca? Foi tão bom para ti como para mim, hehehe?!", perguntou, ao que levou como resposta "Sim, meu garanhão, adorei, agora quero é que me faças o mesmo ao ânus".

Cena de sexo descrita para mulheres que não têm tempo para ler:

"Ele olhou-a nos olhos e, por meio de beijos e abraços, arrebatou-a de paixão, uma paixão de tal maneira forte e intensa que Susana ainda hoje se recorda daquele breve encontro quando está sozinha a brincar com o novo modelo Vibra-T5000."

Cena de sexo descrita para homens que não têm tempo para ler:

"Ricardo montou-se em Susana e espetou-lhe uma ganda queca."


E pronto, por hoje é isto, espero que tenham aprendido alguma coisa.

terça-feira, dezembro 14, 2010

sábado, dezembro 11, 2010

Manoel de Oliveira


Parabéns ao realizador, que completa 102 anos. E isto é interessante: começou a fazer filmes na época do preto e branco, depois passou para a cor, se quiser já pode filmar em 3D e, pelo andar da carruagem, tenho a impressão que quando surgir uma nova tecnologia toda maluca, ele ainda por cá andará com uma câmara atrás...

...a fazer filmes que ninguém vê!

É obra!

sexta-feira, dezembro 10, 2010

O post de hoje parece auto-referencial, mas na verdade não é

Quando vejo pessoas a confundir "'à" com "há", só me apetece mandá-las há merda!... À pessoas mesmo parvas!

Já agora, e uma vez que um dos motivos para o novo acordo ortográfico é a aproximação da escrita à oralidade (sim, "à", e não "há"), e sendo que "à" e "há" sofrem de homofonia, isso quer dizer que deixará de ser um erro trocar a contracção da preposição "a" com o artigo definido "a" com a terceira pessoa do singular do presente do indicativo do verbo "haver", e vice-versa?

Podem fazer chegar esta minha dúvida ao Carlos Reis, por favor?!? E aproveitem para dizer que ele não percebe nada de Eça de Queirós, ok?

quinta-feira, dezembro 09, 2010

Cortei-me a fazer a barba

À primeira vista, nada de especial há nesta situação. Afinal, muitas outras pessoas, na sua grande maioria homens, já se cortaram enquanto faziam a barba.

MAS cortar-se a fazer a barba COM UMA MÁQUINA DE BARBEAR é, creio eu, algo que só vi acontecer-me a mim.

Sou muito original às vezes, eu... tenho a sensação que, caso me barbeasse com uma gilete, era capaz de ficar sem a cabeça!

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Foi para isto que se fez a revolução informática, digital, informacional, tecnológica, e mais não sei o quê?!?!?

O meu widget de previsão meteorológica está para ali a dizer que chove lá fora. Yap, precisamos mesmo de computadores que nos digam isto...

terça-feira, dezembro 07, 2010

Mal habituados

Então parece que amanhã é de novo feriado... com isto, sobe para três o número de quartas-feiras seguidas em que um gajo não pode trabalhar. Este ciclo que, recorde-se, teve o seu início na greve de 24 de Novembro, agora vai custar a passar. Com que cara entraremos nós, trabalhadores, ao serviço no dia 15 de Dezembro, quando passámos as últimas três semanas a descansar à quarta-feira? Já alguém parou para pensar nos distúrbios psicológicos que este choque vai causar? Quer dizer, habituámo-nos tão bem a isto, e agora na semana que vem tiram-nos o tapete? 'Tá mal!...

Ninguém consegue arranjar uma grevezita ou um feriadozito para dia 15, não?! Qualquer pretexto serve! Tipo:

  • O Sporting só está em 3º lugar do campeonato. O país não pode continuar assim. Marque-se greve para dia 15.
  • O periquito do meu vizinho tropeçou na gaiola, aleijou-se numa asa e perdeu várias penas. Faça-se um feriado no dia 15 em honra aos periquitos que se magoam. Pode ficar "Dia de São Periquito" (já vi coisas piores...)
  • A SIC não teve nenhuma telenovela galardoada nos Emmys e a Diana Chaves não mostrou o decote. A comunicação social neste país vai de mal a pior. Haja greve. Dia 15!
  • Ouvi dizer que em Sernancelhe uma velhota rezou ao Paulo Bento e curou-se de uma unha encravada. Beatifique-se o Bentinho (olha, uma semi-redundância...) e legisle-se que dia 15 de Dezembro passa a ser feriado.
Vá, andem lá com isto para a frente que eu dia 15 não quero trabalhar...

segunda-feira, dezembro 06, 2010

A minha vida dava uma curta-metragem do Buster Keaton

Enquanto tomava o pequeno almoço e tentava ir buscar a minha pasta, tropecei em mim mesmo, mordi o meu lábio inferior, derramei leite por cima de papéis e engoli uma mistura de torrada, manteiga e sangue. Isto está bonito, está!

domingo, dezembro 05, 2010

Creio que estou a perder qualidades

A gaja está ali na sala a ver* um filme com o Hugh Jackman mais o Christian Bale e eu ainda não tentei desligar o televisor, a box ou, para ter um efeito mais potente, o quadro eléctrico!

Passa-se algo de errado comigo...

*"Ver" é como quem diz... na realidade, ela está mais a babar-se. Ainda há pouco, quase escorreguei no chão da casa!

quinta-feira, dezembro 02, 2010

Ódios de estimação X Amores de perdição: Gustav Klimt e Mark Rothko

Introdução

Embora seja heterossexual e pobre, gosto muito de arte. A arte é, juntamente com os filmes pornográficos com lésbicas e os golos do Liédson, uma das mais nobres e fantásticas actividades que a humanidade inventou não apenas para escapar à realidade mas, também, para melhor a compreender. Sim, defendo a tese de que a arte produz simultaneamente evasão e conhecimento. Não me perguntem porquê, mas defendo. Até porque esta tese me faz parecer mais inteligente...

Ódio de estimação: Gustav Klimt


Gostando muito de arte, há coisas que, na arte, não gosto. Sempre detestei o Gustav Klimt. Sempre! Tinha eu aí uns 5 anos e já dizia "Mamã, mamã, a Catarina do 3º andar tem umas gandas mamas!". E dizia também: "Mamã, mamã, os quadros do Klimt são mais feios que o cu de um boi". O grande motivo para o meu ódio ao Klimt é este quadro que acima se reproduz, O Beijo. Podem vir com as conversas que quiserem, que é um quadro muito expressivo, que rompeu barreiras com a sua utilização dos dourados, blá blá blá, nhã nhã nhã, rebéubéubéu pardais ao ninho. Podem dizer o que vos apetecer, para mim este quadro não é senão uma coisa: PIROSO! É uma piroseira. Na história da arte, só perde em pirosice para O Nascimento de Vénus do Botticelli... e mesmo assim tenho algumas dúvidas. Se o Toy ou o Tony Carreira pintassem, haveria de sair uma coisa mais ou menos parecida a O Beijo do Klimt. Eu odeio tanto, mas tanto este quadro que quase jurei nunca pisar o solo de Viena, cidade que alberga a obra, no Belvedere. Acabei por ir à cidade (a propósito: jogadores, treinadores e adeptos do Porto que por hoje lá estão: ide-vos f*der e ref*der), mas passei longe, bem longe do sítio onde o quadro se encontra, não me fosse dar uma coisa má.

Amor de perdição: Mark Rothko


Pá, o que eu adoro o Rothko... [hmmm... esta frase soa-me um tanto ou quanto, digamos, estranha... eu dizer que adoro um gajo cujo apelido se assemelha demasiado a "Roto" é coisa que pode não acabar bem. Bom, avancemos] O Rothko é excepcional. Está bem que nasceu na Rússia (por esta altura, os leitores anti-russos estarão a espumar pela boca), tornou-se cidadão norte-americano (por esta altura, os leitores anti-americanos estarão a espumar pela boca) e era judeu (por esta altura, os leitores massacrados pelo Hapoel benfiquistas estarão a espumar pela boca), mas o homem conseguiu superar esses defeitos e tornar-se um artista sem igual. Os seus quadros mais famosos, de que um exemplo é este Saffron de 1957 (mas há mais variantes), caracterizam-se pelo seu cromatismo intenso, umas vezes quente (laranjas, vermelhos), outras vezes frio (azuis, pretos). Vocês podem interpelar-me: "Mas ó Peter, isso qualquer criança e até mesmo o Paulo Teixeira Pinto quando se arma em pintor é capaz de pintar uma cena dessas! E tu achas que isto é genial?!". Interpelem-me como vos der na veneta, que eu só respondo, mesmo para os que não torcem pelo FC Porto: "Ide-vos f*der e ref*der! O Rothko não pintava as coisas ao acaso. Aquilo fazia todo o sentido e ele consegue o mais com menos, isto é, o máximo de expressividade com um mínimo de artifícios. Em vez de andar com mariquices de doiradinhos, e tintinhas, e beijinhos e florzinhas e o prepúciozinho, como o Klimt, o Rothko veicula todas as emoções que a arte desperta, sendo uma delas a tusa, apenas utilizando cores. Por isso, é um génio!" O Rotho é tão, mas tão bom [hmmm, esta frase também não me soa nada bem, caramba...] que, quando fui a Viena e entrei no museu Albertina, onde está o rothkiano quadro reproduzido acima, fiquei automaticamente deslumbrado, mas um deslumbramento automático muito heterossexual. E por falar em Viena, já mandei o pessoal do Porto ir-se f*der e ref*der?! Se não... bom, já sabem!

Conclusão

Rothko >>>>>>> Klimt

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Pschiu, estejam lá quietos, ó cientistas da NASA

...senão ainda sou descoberto!

NASA PREPARA REVELAÇÕES SOBRE A VIDA EXTRATERRESTRE


Não me digam que vou ser obrigado a voltar para Neptuno...

terça-feira, novembro 30, 2010

Adeus, Shirley

Pois é, parece que o Leslie Nielsen Morreu. Tenho pena, pois dei muita gargalhada à conta de coisas em que este gajo entrou, como o Police Squad, o primeiro Aeroplano e o primeiro Aonde é que pára a polícia. Eu sei que isto pode parecer muito estranho para alguns de vocês, mas eu não gosto só de olhar para mamas: também gosto de me rir! (e, vá, gosto bastante de me rir enquanto olho para mamas).

Gostando eu de rir, é natural que tenha enorme respeito por quem me provoca o riso. Leslie Nielsen, nos seus melhores dias, fê-lo com imensa qualidade. Daí que nada mais adequado senão prestar-lhe a minha homenagem. Fiquem, pois, com algumas cenas seleccionadas do actor que, se tivesse vivido mais tempo, seria decerto um dia convidado para representar a personagem principal na biografia cómica de José Eduardo Bettencourt, o presidente do Sporting.

Adeus, Shirley (para saberem por que é que me despeço assim, vejam o segundo clipe).







P.S.: Já agora, aproveito para dizer que o Aeroplano é dos filmes mais hilariantes de sempre. Só perde para as películas montypythonianas.

segunda-feira, novembro 29, 2010

Problemas do frio (post algo bué escatológico)

O frio, quando é mesmo frio, torna-se chato, mesmo chato. Temos de andar agasalhados, não nos apetece sair da cama, e para quem está a ficar careca, como é o meu caso, só tem duas opções: ou sai para a rua de (pouco) cabelo ao vento, mostrando que é macho mas rapando um frio do caraças; ou sai com um gorro enfiado na cachola, protegendo-se do griso, é certo, mas revelando ao mundo que é um mariquinhas do caraças (só gente sem eles no sítio é que usa gorro, pá!).

Mas o frio traz uma consequência ainda mais danosa. É esta: o que fazer quando se tem vontade de ir visitar o grande camião de porcelana, a.k.a. sanita?! É que, quando o tempo arrefece, a superfície do vaso de loiça que temos lá pela casa de banho torna-se mais gelada do que uma frígida a ter sexo no pólo norte! Este problema, na minha perspectiva, não tem uma solução à vista. Aqueles palhaços do CERN, em vez de andarem à procura do Bosão de Higgins, mais o raio que os parta, deviam era andar a pensar nisto.

Porque a verdade é que a superfície fria da sanita é incómoda, é agressora, é insuportável. Quem é que tem vontade de largar o tijolo sabendo que, ao sentar-se no trono, vai levar com uma temperatura de -40º no cagueiro? Quando está frio, até a merda se assusta! Nos últimos dias, tenho vivido autênticos duelos na casa de banho: eu a rapar um frio desgraçado com o nalguedo e as coxas encostadas no gelo da sanita, esforçando-me por defecar e sair dali o mais rapidamente possível para depois poder encostar o cu à lareira, e aquela coisa castanha recusa-se a sair dos intestinos quentinhos para o exterior gélido sem dar luta! "Ai, agora não, está frio", parece dizer o cagalhão. "Vou voltar lá para dentro, chama-me quando estiverem pelo menos uns 27º", parece continuar. Até que eu faço um pouco mais de força e, pimba, quer queira quer não, lá vai ele por ali abaixo. Depois é só puxar o autoclismo e dizer-lhe adeus, esperando que ele encontre um esgoto quentinho onde possa passar o resto da sua vida de merda.

Como atrás referi, não creio que, dado o estado actual da ciência, haja uma solução para este flagelo. Colocar pano ou alcatifa no rebordo da sanita não me parece bem, estetica e profilaticamente. Fica feio e corre o risco de apodrecer por causa dos inevitáveis pinguinhos de urina que por lá caiam. Outra hipótese seria fazer como o Saddam e outros tiranos que manifestavam a sua excentricidade através de sanitas em ouro. Mesmo que o ouro seja mais imune ao frio - o que eu, por nunca ter sentado o cu num desses tronos, não posso corroborar -, corre-se o risco de dar um outro sentido à expressão "chuva dourada", e acho que ninguém quer isso. Aquela expressão é para ser usada no contexto em que foi criada, contexto esse deveras rico, se me é permitido acrescentar. Não é, portanto, para ser aplicada a um gajo que está a mictar para uma sanita feita em ouro.

Se alguém, contudo, tiver sugestões com provas dadas para evitar que eu rape um briacho do caraças quando vou à casa de banho, é favor deixar essa informação na caixa de comentários.

Obrigado e defequem muito.

sexta-feira, novembro 26, 2010

Só um pequeno apontamentozinho

'Tá um frio do c"#%lho! Aquecimento global é mas é o c#"#lhinho! Está tanto mas tanto frio que hoje de manhã quando fui ao frigorífico tirar as coisas para o pequeno-almoço, pensei de mim para mim "Ui, ca bem que se está aqui dentro. Ui, tão quentinho!".

Quem terá sido o urso que encomendou esta vaga de frio polar?!?

Despeço-me com um conselho ao país e às mais altas esferas da nação: estejam quietos com o FMI, mandem é vir um aquecedor...

quarta-feira, novembro 24, 2010

O grande tema do dia não é a greve geral mas isto




Não deixa de ser refrescante atestar que a alta política perde, em protagonismo, para uma coisa tão concreta como um par de mamas. É sinal de que, apesar da crise, estamos no bom caminho!

terça-feira, novembro 23, 2010

Chuva, vento e frio...

...escolhi mesmo a semana ideal para rapar o cabelo!!!!

segunda-feira, novembro 22, 2010

Os meus amigos malucos

Quando era mais novo, dava-me com gente muito maluca. Enfim, a infância presta-se aos mais bizarros desvarios, bem sabemos, só que os meus amigos eram uns radicais do disparate, uma espécie de Black Bloc da maluqueira.

Por exemplo, o Ruço. O Ruço era um ganda maluco. Enquanto o resto da pandilha ficava na rua a jogar à bola, ou ia para os caniços encher-se de pulgas e de piolhos, o Ruço andava por ribeiras e charcos em busca de sapos. Quando apanhava um, lambia-o de cima a baixo, de um lado e do outro, e depois ia a correr dar linguados nas raparigas. Elas, como se poderia esperar, odiavam: já o Ruço, bom, o Ruço desatava às gargalhadas. Hoje em dia, não sei se ainda se ri - da última vez que tive notícias dele, parece que lhe descobriram girinos nos intestinos. É provável que agora ande por aí a cagar rãs. É isso e o ter mau hálito...

Havia também o Bicas. O Bicas era assim chamado porque o pai tinha como trabalho tirar cafés numa pastelaria do bairro. O Bicas também era um ganda maluco. Jogava à bola connosco, mas às vezes, a meio de um desafio, dava-lhe na cabeça, sentava-se no chão a cantar o Chico Fininho do Rui Veloso, tirava os ténis ou as meias que trazia (a maior parte das vezes, era mesmo só meias. Ténis, naquela altura, eram um luxo...) e punha-se a esfregar os pés no chão. Era indiferente o jogo desenrolar-se na relva, na terra ou mesmo no alcatrão de uma estrada: o Bicas esfregava os pés fosse onde fosse. Não raras vezes, ficava com as solas em carne viva. Mas ele parecia não sentir dor e lá continuava a cantar o Chico Fininho. Depois cansava-se, punha as meias ou os ténis e voltava a jogar como se nada houvesse passado. O Bicas só parou com esta mania lá pelos seus 13, 14 anos, altura em que arranjou a primeira namorada. Ironicamente, passados poucos meses a tipa dava-lhe com os pés... Pobre Bicas!

E o Nando?! Pá, o Nando era pouco maluco, era... O gajo tinha a pancada por velhas! Sim, aquilo a que agora, mais finamente, se chama gerontofilia. Nós não o chamávamos gerontófilo, até porque a) não sabíamos que essa palavra esquisita existia, b) mesmo que soubéssemos da sua existência, duvido que a conseguíssemos proferir. Dizíamos simplesmente, entre nós, que o Nando era um tarado. E parvo, porque ao invés de responder aos apelos da Sandrinha, a rapariga mais gira do bairro, e que gostava dele, o Nando jurava a pés juntos que haveria um dia de casar com a dona Antonieta, uma viúva de 87 anos que era tia-avó do Ruço e que, curiosamente, tinha cara de sapo... Mas isto se calhar era só eu a achar, pois para a minha mente infantil, todas as velhas pareciam ter cara de sapo. O Nando não via isso. Não, ele via uma coisa completamente diferente. Enquanto nós, por exemplo, no nosso grupinho de amigos, falávamos das experiências por que havíamos passado depois de termos visto o Nove Semanas e Meia pela primeira vez e gabávamos o cu da Kim Basinger, o Nando suspirava pelas rugas da dona Antonieta. Ele via beleza onde nós só víamos verrugas, dentes podres e pêlos no queixo. Quando ela passava diante de nós, onde cheirávamos vinho e queijo rançoso, o Nando cheirava vales floridos. Quando a dona Antonieta faleceu, o Nando chorou por dias a fio. Só recuperou quando viu, no funeral, uma prima afastada da dona Antonieta que contava 92 anos. Era mesmo assim, o Nando!... Há coisa de um par de anos, estive em casa dele. Está solteiro, sem filhos, mas pareceu-me bem, tirando os posters da Amélia Rey Colaço espalhados pela sala de estar... Pode ser que um dia encontre a sua cara metade, coitado.

Tive muitos amigos muito malucos, não tive?!? Chega a ser surpreendente ver como nada disto me afectou e como consegui chegar a adulto revelando um grau de normalidade e lucidez invejável....

quinta-feira, novembro 18, 2010

Dúvida pertinente

Por que é que a fila para as casas de banho da Biblioteca Pública de Évora chega quase até às ruínas do Templo de Diana?!?!

quarta-feira, novembro 17, 2010

Só pode ser mesmo por amor

Conhecem esta piada? Vira-se um tipo para outro e pergunta: "ouve lá, tu casaste com a tua mulher por amor ou por interesse?" Ao que o outro responde: "deve ter sido por amor, porque eu não tenho interesse nenhum na gaja".

A história da minha relação tem algo desta anedota. Atenção: não estou a dizer que a minha relação é anedótica! Nada mais longe da verdade. O que estou a afirmar é que a minha gaja podia muito bem dar uma resposta semelhante à do tipo da anedota. Esperem lá, estou a dizer "podia muito bem dar"?!? Sim, estou. E porquê?! Porque até já deu! Não estão a perceber este raciocínio? Então esclareço: se uma coisa foi, então podia ter sido. A efectividade contém em si a possibilidade. Por exemplo: Se o Sporting foi campeão nacional em 2002, então podia ter sido campeão nacional em 2002. E tanto podia que o foi mesmo! Espero que tenham ficado devidamente esclarecidos.

Disperso-me, contudo. Onde é que eu ia? Na minha cadeira, a escrever este post, sim. Ah, e estava a contar que a minha gaja argumentou comigo de maneira similar ao do tipo daquela anedota. Depois de eu ter feito em casa uma trapalhice qualquer, da qual juro não recordar-me, mas deve ter sido qualquer coisa do género
  • espalhar amendoins pela sala
  • arrumar pares de meias no frigorífico
  • dormir na cama agarrado ao portátil
  • dormir no sofá agarrado ao portátil
  • dormir na sanita agarrado ao portátil
  • pôr na tigela, por engano, comida para gato em vez de cereais
  • andar todo nu pela casa e largar pintelhos pêlos no chão
  • ler ao cão o prefácio da segunda edição da Crítica da Razão Pura
  • dar beijinhos no meu leitor de mp3 enquanto carrega
ela virou-se com esta: "Então não querem cá ver a minha vida?!? Eu devo gostar mesmo muito de ti. Só pode! Só fazes coisas parvas. Só dizes coisas parvas. Se eu fosse com'àquelas gajas que se juntam pelo dinheiro e me quisesse separar de ti, o que é que terias para me dar? Dinheiro?! Nicles! Bens materiais? Ora vamos cá ver os teus bens. Cds de heavy metal. Dvds de filmes europeus. Livros do Nietzsche e do Espinosa. Liiiiiivra!!!! Isto tem mesmo de ser amor..."

E é bem capaz de ser verdade! E é tão bom... :)

segunda-feira, novembro 15, 2010

O vocabulário das crianças

Um casal amigo está a passar por aquela fase em que se vê surpreendido pelas novas palavras aprendidas pela filha fora de casa. O pai ia cuspindo um pulmão quando a petiza, à passagem de um carro da polícia, disse: "Ó pai, vai ali a bófia". Já a mãe ia cuspindo meio fígado quando a mesma "piquena" perguntou se uma senhora de cor seria "uma dama". Como não foram eles que lhes ensinaram tão vernaculares termos, supuseram logo que a culpa era da escola.

Os meus pais supuseram a mesma coisa quando eu, após ter dado uma mocada numa mesa, aleijando-me no pé, exclamei pela primeira vez em casa aquela que viria a ser a palavra mais sobre-utilizada na minha vida: "Foda-se".

E tanto os meus pais como esse casal meu amigo tinham razão. Essas palavras nós aprendemo-las fora de casa. Mais concretamente, na escola. Mais concretamente ainda, no recreio. Mais mais concretamente ainda ainda, a jogar futebol com os ciganos [no caso dos rapazes] ou a trocar impressões sobre roupas de bonecas [no caso das raparigas].

Ou seja, trocando isto por miúdos (porque, afinal, estamos a falar de crianças), as coisas verdadeiramente importantes que os putos aprendem, e que virão a ser-lhes úteis para o resto da vida, como é o facto de chamar "bófia" à polícia, ou mandar um "foda-se" quando algo corre mal, eles aprendem fora de casa.

Este pormenor tem de ser alterado. Eu, quando tiver filhos, vou procurar dar-lhes uma educação mais streetwise do que aquela que os normais pais costumam dar. Para que, quando a oportunidade chegar, este género de coisas possa acontecer:

Diálogo entre pai e filha

Pai (ou seja, eu): Olha, olha, estás a ver ali aquele senhor?
Filha (com 4-5 anos): Adonde, papá, adonde?
Pai: Ali, naquele palanque.
Filha: Já vi, papá, já vi.
Pai: Sabes o que é aquele senhor?
Filha: Ahmmm... não sei, papá!
Pai: Vá, pensa lá. Aparece muitas vezes na televisão...
Filha: Ahmmm... ah, é um pouítico. [nesta idade, as crianças ainda não dizem bem os "l". Vejam lá quão realistas são os meus diálogos!]
Pai: Não! Isso foi o que aprendeste na escola. O que é que eu te ensinei?
Filha: Ahmmm... ahmmm...
Pai: Vá, pensa bem!
Filha: Já sei, papá, já sei: é um cabão do caáio!
Pai: Muito bem. E que mais?
Filha: É... é... é... é um cabão do caáio e um fiío da puta!
Pai (orgulhoso): Linda menina. Quando passarmos pelo shopping, compro-te uma Barbie.

Diálogo entre pai e filho

Pai (ou seja, eu, outra vez): Vamos brincar ao "o que é que estou a ver"?
Filho (com 3-4 anos): Shim, papá, shim!
Pai: Eu estou a ver... estou a ver um senhor com um cachecol azul e branco.
Filho: É um shenhor do Pôto.
Pai: Não, porra! O que é que nós chamamos a um senhor do Porto?!
Filho: Não me uembo, papá!
Pai: Vê lá se queres levar uma chapada!
Filho: Não, papá!
Pai: Então lembra-te lá. O que é que chamamos a um senhor do Porto?
Filho: Um tiipeio!
Pai: NÃO, PORRA! Onde é que aprendeste isso?! Não foi assim que te ensinei! O que é que nós dizemos lá em casa?!? Concentra-te, caraças, ou ficas sem jantar hoje!
Filho: Ahmmm, hummm... é um... é um... é um paneueiio.
Pai: Boa. E mais? O que é que dizemos mais?
Filho: Ahmm... ahm...
Pai: ...olha que não jantas! E ficas sem ver os dvds com os golos do Liédson até fazeres 18 anos!
Filho (já à beira das lágrimas): Eshpéia, papá, eshpéia. Atão... um paneueiio e um ganda fiío da puta bochista do caáio que faj bicos a cavauos e ueva com caáios gandes no cu.
Pai (já à beira das lágrimas, mas de alegria): Que lindo! Anda cá ao colo do papá! Vamos já ali ao café que eu compro-te um gelado de quatro sabores!

Enfim, a boa educação será uma coisa tão simples...

P.S.: E como família muito organizada que somos, dividiremos as coisas equitativamente. Eu transmitirei à prole os termos, digamos, mais light, de que alguns exemplos surgiram nos diálogos acima; aqueles termos e expressões mesmo hardcore, impróprios para consumo, esses será a gaja a ensiná-los, porque ela é quem melhor os conhece.

Duvidam?!? É porque nunca viram um jogo de futebol acompanhados da minha gaja...

domingo, novembro 14, 2010

A notícia mais surpreendente dos últimos, sei lá, 500 anos!

Timor pondera comprar dívida pública portuguesa.

Isto é, tipo, tão fora do normal quanto agora dar-me na cabeça e, tipo, sei lá, comprar assim tipo o Sporting, ou isso.

Será que se formos invadidos e ocupados pelos indonésios, formarmos um grupo de resistência, conseguirmos a libertação com a ajuda da comunidade internacional e nos tornarmos um estado falhado, conseguiremos resolver o défice?!?

sexta-feira, novembro 12, 2010

Estupidezes secas

- Qual é a disciplina em que os alunos só vêem metade da aula?
- É a de Semiótica!

- Se o Hitchcock fizesse um filme baseado num hit da Ruth Marlene, como se chamaria?
- Pisco Pisco.

[bolas, esta segunda é mesmo muita estúpida, com franqueza...]

Bom fim-de-semana!

quinta-feira, novembro 11, 2010

Realmente, deve ser uma coisa lixada.

Conversa a que assisti num fórum de música:

Gajo 1: Duas mulheres aos beijos é algo fantástico
Eu: :)
Uma gaja: Que nojo! Mulheres aos beijos é tão nojento quanto homens aos beijos
Gajo 1: Não é nada!
Gajo 2: Mulheres bonitas aos beijos é uma obra de arte. Homens aos beijos é de ir ao grego.
Eu: :)
Gajo 1: Exactamente
Uma gaja: Tarados!
Gajo 2: Qualquer mulher bonita deveria beijar as amigas de vez em quando. E deixar o namorado assistir.
Eu: Ah Ah Ah!
Gajo 1: Boa!
Gajo 3: O pior é quando ela passa a querer beijar SÓ as amigas. Já me aconteceu: namorei uma tipa que me dispensou porque queria ficar só com mulheres.
Eu: AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH AH!!!!!!

As coisas que um tipo descobre a frequentar fóruns de heavy metal...

quarta-feira, novembro 10, 2010

Um gajo, quando é distraído, é mesmo muito distraído

Decidi ontem que hoje levaria almoço para o trabalho. Pus-me então a cortar alface, tomate, pimento, pepino e cenoura e fiz uma bela de uma saladinha, que acondicionei como deve ser dentro de um tupperware. E, como sou um tipo com uma bela cultura técnico-táctica, não temperei logo a coisa: enchi antes uma garrafinha pequenina com azeite e que se destinava a temperar a salada quando me preparasse para comê-la, ou seja, hoje. O tupperware foi para o frigorífico, onde aguardaria em silêncio até ser retirado esta manhã. E portou-se muito bem, o bicho. Não reclamou nem nada. Já a garrafinha de azeite ficou em cima da bancada da cozinha, esperando também ocupar o seu posto na minha pasta assim que eu arrumasse as coisas antes de sair de casa. A gaja bem me avisou: "olha que vais esquecer-te de levar isso. Mete num sítio de que não te esqueças". Estes avisos soaram-me como ofensas, e retruquei: "Cala-te, lampiona. 'Tás a pensar que sou o Jorge Jesus, que se esqueceu como se orienta uma equipa?! O azeite está aqui. É impossível esquecer-me. Olha, até vou pôr a garrafa de água para levar amanhã aqui junto da garrafinha de azeite. Assim, quando pegar numa lembro-me logo de pegar na outra. É um sistema sem falhas!"

Pois. Já estão a ver o que aconteceu quando saí para o trabalho, não já?! Ir ao frigorífico tirar o tupperware? Feito! Enfiar o tupperware na pasta?! Feito! Ligar o mp3 e pôr os fones nos ouvidos? Feito! Pegar na garrafa de água? Feito! Metê-la na pasta?! Feito! Pegar na garrafinha de azeite que estava mesmo junto da água, à vista de toda a gente, até o Stevie Wonder, ou pior, o Teixeira dos Santos, que não vê nada da situação económico-financeira do país, dariam por ela, é que estava mesmo ali, só faltavam sinais sonoros e de luzes, ou um cartaz com letras grandes a dizer "GARRAFINHA DE AZEITE, AQUI. É SÓ PEGAR E PÔR NA PASTA, Ó TÓTÓ!"?!



hmmm?...






o que vocês acham?!...















...nada feito! Acabei por esquecer-me mesmo do raio da coisa! O resultado foi que tive de comer a salada sem tempero algum. Ficou uma coisa assim um bocado para o desenxabida, mas pronto, ou comia ou ficava com fome. A ver se da próxima aprendo...

A finalizar, um assunto completamente lateral: estou a ser acusado, pela Fundação Calouste Gulbenkian, de cilindrar todo o stock de chá da dita instituição. Juro que não percebo. Trata-se de uma acusação arbitrária e que em nada corresponde à verdade. Cá para mim, esta história ainda vai acabar em tribunal... quero ver se conseguem provar alguma coisa!

(não há meios para fazer análises tipo doping ao chá que uma pessoa consome, pois não?!?!)

segunda-feira, novembro 08, 2010

Resumo das minhas reacções durante o jogo desta noite!

Sporting 1 X 0 Guimarães: "Ehhhh, golo, lindos, vamos ganhar isto, vamos apanhar o Benfica!"

Sporting 2 X 0 Guimarães: "Ehhhh, não foi golo mas foi golo, espectáculo, ainda vamos ganhar o campeonato!"

Maniche é expulso: "Pfff, mesmo com 10 ainda vamos marcar outro, somos os maiores, viva o Sporting!"

Sporting 2 X 1 Guimarães: "Olha, estes gajos marcaram um..."

Sporting 2 X 2 Guimarães: "Olha, estes gajos marcaram outro..."

Sporting 2 X 3 Guimarães: "Olha, merda!"

É duro, muito duro, ser sportinguista...

Mas que raios?!?!

O que é que foi aquilo que acabou de acontecer ali para os lados de Alvalade?!?!

Devem andar a brincar comigo, ai devem devem...

Não, a sério, isto já começa a ser perseguição.

Como sabem, sou do Sporting. Isto significa que tenho mais tristezas do que alegrias. O meu segundo clube, o Odivelas, ainda me dá mais tristezas e na época passada caiu na III Divisão. Aliás, a instituição corre mesmo o risco de fechar.

Como sabem, sou português, embora por vezes tenha vergonha de admiti-lo. Quando falo com estrangeiros que desconhecem a minha nacionalidade, costumo dizer que sou de um local respeitado, como as Ilhas Fiji. Se digo que sou português, perguntam-me logo quanto dinheiro estou a dever. Mas mesmo tendo escrúpulos em relação à minha portugalidade, até ao ano já longínquo de 2002 torcia vigorosamente pela selecção nacional. Não me importava se jogávamos com a Espanha e levássemos 3 a 0: Portugal era Portugal! Até que, naquele famigerado mundial da Coreia-Japão, a selecção portuguesa fez a única coisa que jamais poderia fazer-me: perder com os Estados Unidos. Desde então, mandei um pontapé no rabo à equipa das quinas... curiosamente, foi a partir desse momento que Portugal conseguiu os seus maiores feitos futebolísticos desde que sou vivo: um 2º lugar no Campeonato da Europa de 2004 e um 4º lugar no Campeonato do Mundo de 2006.

Estão a começar a ver aqui um padrão, não estão? Os brasileiros utilizam na sua linguagem do dia a dia uma expressão que se me aplica perfeitamente: pé frio. Eu sou um pé frio, aquele que traz o azar consigo. Têm dúvidas? Não tenham: eu ontem estava a torcer pelo Benfica e o que acontece?! Pois, 5 batatas...

I rest my case!

sexta-feira, novembro 05, 2010

O bode expiatório

Dia: ontem
Hora: não sei, ando sem relógio
Local: cozinha
Situação: acabo de chegar a casa, depois de um longo, longo dia. Um dia que, de tão longo, devia chamar-se "pénis do Peter of Pan". Só quero sentar-me, pegar na paparoca e começar a comer. Estou tão, mas tão fora do mundo que até me esqueço que o Sporting jogava. Mas alguém não se esqueceu. Ainda antes de me dar as boas noites e o correlativo beijinho, a cara-metade afronta-me logo com o tema Sporting:

Ela: Então, sabes como ficou o teu Sporting?
Eu: Pá, não, nem me lembrei, vê lá a quantas andei hoje.
Ela: E não queres saber?
Eu: Sim. Como ficou?!
Ela: Perdeu!!! Ah Ah Ah Ah! Perdeu! Levou uma tareia! Ih Ih Ih Ih! Foram 3 a 1! Eh Eh Eh Eh!
Eu (bato com a palma da mão na testa, provocando um sonoro "paft"): Bela porcaria. Aposto que o palhaço do Djaló jogou a titular...
Ela: Ai, isso já não sei. Só sei que perdeu! 3 a 1! Ah Ah Ah! Ih Ih Ih! Eh Eh Eh! Perdeu!
Eu: Olha, merda!

E começo a jantar. Aproveito para ligar a TV. No rodapé, passa: "Sporting derrotado pelo Gent por 3-1". A gaja ri-se. Eu penso: "o palhaço do Djaló jogou a titular, de certezinha". Acabo de jantar, desligo a TV, sem sequer ver o resumo da partida e, desta forma, sem confirmar se o Djaló efectivamente jogara a titular, faço umas merdinhas no computador, esqueço-me de ir ao site do Record ver qual tinha sido o onze inicial, termino as merdinhas no computador, lavo os dentes, xixi, cama! Mas algo insiste em massacrar-me, e não me refiro aos comentários que ia escutando, do tipo "Ih Ih Ih, o Sporting perdeu, Eh Eh Eh, Ah Ah Ah". Não! Estas coisas eu suportava bem. O que me massacrava valentemente continuava a ser aquele pensamento: "o palhaço do Paulo Sérgio armou-se em palhaço e meteu o palhaço do Djaló a titular, só pode". Não consigo dormir, ainda cogito ligar novamente o computador só para matar a curiosidade, mas estou tão cansado que não me apetece levantar da cama, quer dizer, apetecer até apetece, porque a gaja, enquanto dorme, diz coisas como "3 a 1... Ih Ih Ih... zzzzzz... ronc... Eh Eh Eh... ", o que me leva a imaginar a condição técnico-táctica do sofá da sala, só que desisto e finalmente o sono se apodera de mim.

Mas a história não acaba aqui. A segunda parte vem já a seguir:

Dia: hoje
Hora: não sei, pois continuo sem relógio
Local: estação de comboio
Situação: dirijo-me à papelaria da estação. Os jornais estão expostos. Lembro-me de ir, de uma vez por todas, satisfazer a curiosidade: afinal o palhaço do Djaló jogou ou não jogou a titular? Pego no primeiro desportivo que me aparece. Trata-se d'A Bola. Folheio. Vou ao registo do jogo de ontem. Passo pela figura que traz os nomes dos titulares. E pimba, lá está: o Djaló jogou de início. Detesto ter razão... eu sabia! De relance ainda vejo que o Abel fez um penalti, foi expulso, cometeu erros atrás de erros, mas não interessa: o bode expiatório já estava encontrado. Obrigadinho por tudo, ó Floribella!!!!

quinta-feira, novembro 04, 2010

Aquecimento local

Acabei de vir do almoço. Lá fora, estão uns buéda graus (gosto de ser assim, preciso e rigoroso. Deste modo, as pessoas percebem facilmente o que estou a dizer). O problema é que nos encontramos em Novembro. Em Novembro não é suposto fazerem temperaturas que são mais comuns em Junho, Julho e Agosto. E isto é, tecnicamente falando, uma merda! Porque a única maneira de as pessoas conseguirem suportar o trabalho (os que trabalham) e as aulas (os que estudam) é comparar o sítio onde se encontram com o ar que o aspecto do tipo da coisa lá fora tem. Exemplos:

"Pá, este trabalho chato de contabilista está a dar-me cabo dos cornos. Mas sempre é melhor ficar aqui no gabinete entre papéis e recibos do que apanhar com pedras de granizo mesmo no meio da pinha. E assim como assim, a Susana do marketing também tem de ficar aqui dentro, e sempre posso aproveitar para lhe galar as tetas"

"F*da-$e, que estúpida que é esta cadeira de Introdução à Semiótica Generalista na Perspectiva do Consumidor Galhofeiro de Produtos Regionais Aprovados pela ASAE. Se fizesse bom tempo lá fora, tinha-me baldado e ia antes curtir com a Cátia e fumar umas brocas ali para o parque Tejo. Mas a trovejar assim, mais vale ficar por aqui e desenhar antes umas mamocas no caderno"

Notam o padrão, não notam?!?! Pois: se não há alternativas viáveis, é natural que se permaneça no seu posto. Porém, com uma temperatura tão apetitosa lá fora, quem tem vontade e interesse em manter-se encafuado? Impossível! E depois queixam-se os senhores doutores que o país não produz! Ora, com um Novembro soalheiro como o que está, como é que havemos de querer produzir? Queremos é fruir, pois o tempo está para isso! Não admira que os países mais competitivos sejam aqueles lá mais para cima, onde chove, faz frio e vento o ano todo. Se eu morasse na Finlândia, com aquelas borrascas regulares, também me apeteceria ter aulas e trabalhar! (Ok, não apeteceria. Mas isso é porque eu sou um preguiçoso incorrigível. Tenho certeza que os outros portugueses não são assim...). Agora, viver em Portugal, estar já em pleno Novembro, olhar lá para fora e pensar "hmmm, e um saltito até à praia? Dar uns mergulhinhos, estender uma beca ao sol, ficar a olhar para as gajas em bikini... hmmm!" Isto não ajuda nada à produtividade. Nadinha!

(é que me apetecia mesmo curtir uma praiazinha...)

quarta-feira, novembro 03, 2010

Aldrabões!

Quem serão os maiores aldrabões do mundo?! O barão de Munchhausen? Ná. Era fraquinho... O José Sócrates? Sim, ele dá-lhe bem, mas mesmo assim não chega. Os dentistas? ("vá, deite-se que isto agora não vai doer nada!". Queria ver se também não lhes doía nada se nós passeássemos com um martelo pneumático pelas bocas deles...) Hmmm, também não! O Pedro de Pedro e o Lobo?! Bom candidato, sem dúvida, mas as suas mentiras não passam de brincadeiras de criança quando comparadas às daqueles senhores que são os campeões da aldrabice, os tipos que fariam corar de vergonha o Pinóquio: exacto, aqueles sacanas que metem nos pacotes de leite o aviso "abertura fácil", quando na realidade é menos complicado e demorado entrar todo nu na caixa forte do Banco de Portugal do que abrir um daqueles pacotes! Ainda há poucas horas, quando quis colocar leite na taça com cereais, estava a ver que teria de chamar a Brigada de Minas e Armadilhas para tratar do assunto!!! "Abertura fácil", o caraças... os responsáveis por esse aviso deviam era ir levar no pacote...

terça-feira, novembro 02, 2010

Socorro, estão a querer converter-me em larilas!

Pá, não pode ser! Mas é: nos últimos dois dias, tenho sido exposto a uma lavagem cerebral que tem como único objectivo transformar-me num homossexual. E o pior é que conheço a pessoa responsável por tal: trata-se da minha gaja!

Primeiro, veio com uma conversa esquisita: "Amorzinho, não queres gravar-me um cd com músicas giras?". Eu fiquei logo de pé atrás com aquele "um". E também com o "com". Mas sobretudo por causa do "músicas giras", pois uma música gira, na óptica da minha gaja, nada tem a ver com guitarras distorcidas, vozes urradas, baixos gravíssimos e baterias poderosas, ou seja, tudo aquilo que faz, objectivamente, com que uma música seja gira. E perguntei: "Mas músicas giras, tipo o quê?". Ela deu-me a lista, e a lista incluía algumas das canções mais rebentadoras da escala José Castelo Branco gravadas por artistas rebentadores da escala Cláudio Ramos que a Humanidade jamais conheceu. Para não vos chocar muito, mas só um bocadinho, deixo uns poucos exemplos: Don't Leave Me This Way, pelos The Communards. I Feel Love, pelos Bronski Beat. Faith, pelo George Michael. Estão a ver o padrão, não estão? Exacto: muita lantejoula, muito latex, muito rosa-choque pintalgado de lilás.

Eu não gosto das músicas, nem dos artistas, mas é impossível ouvir estas coisas (e eu, para confirmar que as faixas estão em bom estado, tenho de ouvi-las)* e não ser de alguma forma afectado. Por exemplo: ontem, enquanto fazia a sopa, não pude deixar de pensar no que aconteceria se enfiasse uma das courgettes no esfíncter do Teixeira dos Santos, com o Eduardo Catroga, todo vestido de cabedal preto, a assistir. Aposto que jamais imaginaria tal cena se não tivesse estado a ouvir, cerca de 15 minutos antes, a Karma Chameleon dos Culture Club (a banda daquele gajo muito amigo do traseiro, o Boy (???) George).

Portanto, o que a gaja fez não foi mais do que começar a abrir a minha sepultura gay. À conta de andar a procurar cançonetas abichanadas, fiquei a sentir-me um pouco bicha. Comecei a olhar-me ao espelho e, sem razão aparente, a pentear-me. Para terem uma ideia do quão insólito é este facto, não me penteava desde os meus 6 anos, quando fui a um casamento, e só me penteei dessa vez porque a minha mãe ameaçou-me com açoites no rabo caso não o fizesse. Ah, belos tempos aqueles em que eu receava que me batessem no rabo... é que um tipo, depois de ter escutado umas três vezes a A Little Respect dos Erasure, já não vê assim com tão maus olhos a ideia de lhe baterem no rabo!

O último prego no caixão mariconço que me espera, no entanto, foi dado ontem à noite. Sim - adivinharam -, pela minha gaja. Estava eu a fazer zapping, ao mesmo tempo que trauteava a Take On Me dos A-Ha, e dou com a Sic Radical a passar duas gajas todas nuazinhas a lamberem-se uma à outra. Caramba, não podia desejar melhor antídoto para a rabichisse que me invadia do que aquele! Bastaria ter ficado a ver aquilo para que os estragos feitos por horas e horas de exposição a pop larilonça se esfumassem de vez. Mas, e vejam só até onde pode ir a crueldade viperina de uma mulher, a minha gaja assim não quis. Quando reparou que eu estava, finalmente, a cultivar a minha heterossexualidade, decidiu-se logo a cortar o bem pela raiz: vá de pegar no comando e puft!, lá se vão as mamas roçando em mamas que a Sic Radical transmitia. Automaticamente, veio à minha cabeça o refrão da Take On Me, e tive também a impressão que a minha queda definitiva para o lado negro da força, para o lado dos Liberaces da vida, está por um fio. E isto, caríssimos amigos, é uma tragédia.

Agora tchauzinho, vou pôr ali umas colunas no meio do escritório e abanar-me um bocadinho em cima delas ao som da You Should Be Dancing, dos Bee Gees...
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* Sim, é esta a razão. Ai de vocês se insinuam que oiço aquelas tretas porque, no fundo, eu gosto é de soltar a franga, e o meu fascínio por heavy metal é só conversa fiada destinada a esconder a realidade profunda: eu queria era estar no Blue Oyster Bar a dançar tango e disco-sound com marinheiros!