sexta-feira, março 04, 2011

O típico diálogo de uma sexta-feira de manhã.

Eu: F*da-se, dói-me a garganta!
Gaja: Que malcriado. A última palavra que te ouvi ontem foi um "f*da-se", a primeira que te ouço hoje é um "f*da-se". Andas mesmo mal educado.
Eu [com toda a elevação e cultura, ou não fosse eu um apreciador de grande parte da literatura ocidental]: Acusas-me de ser mal educado porquê, c*ralho?!?!? [acho que já vi isto no Shakespeare, ou mesmo no Platão. Enfim, deve ter sido num paneleireco qualquer desses]
Gaja: Lá está...

Por esta amostra, a situação parece não abonar muito em meu favor. Porém, as aparências são ilusórias. Em minha defesa, tenho a invocar dois argumentos, que qualquer pessoa de bem compreenderá.

Primeiro argumento:
Juro não me lembrar de ter dito um palavrão antes de me deitar. Afinal, o Sporting ontem não jogou, ou seja, não perdeu, portanto deitei-me satisfeito e feliz da vida. De modos que o "f*da-se" que me é atribuído antes de apagar a luz é provavelmente fruto da imaginação da minha gaja, que insiste em ouvir "f*da-ses" onde eles não existem, tudo debaixo do propósito draconiano e malicioso de

a) acusar-me de ordinário;

b) castigar-me, como se faz às crianças que dizem asneiras à frente dos papás. E lá em casa, o castigo tem um nome, um nome terrível: chama-se "lavar a loiça"! Por exemplo, na quarta-feira fui castigado: o rol de c*ralhadas que mandei logo após o golo do cabrão do espanhol cabrão do lampião filho da puta do paneleiro Javi Garcia teve como consequência a gaja arrastar-me até ao lava-loiça e pôr-me a lavar tachos e panelas e mais tachos e panelas. Quando acabei, ela foi buscar os tachos e panelas dos vizinhos. Quando acabei estes, ela foi bater a todas as portas no raio de 5 km e trouxe todos os tachos e panelas que pôde enfiar dentro de uma carrinha de caixa larga. Fiquei até às 4 da manhã agarrado ao detergente, à esponja, à palha de aço e - adivinharam - a tachos e panelas...

E não me fico por aqui. Se é verdade que disse um "f*da-se" logo pela manhãzinha, o mesmo foi absolutamente justificado, já que acordei com dores de garganta e constipado. Que melhor maneira de uma pessoa apresentar a sua revolta do que com um "f*da-se"?!? Que queriam que eu dissesse? "Florzinhas, florzinhas, dói-me a garganta, ursinhos de peluche, estou constipado, festinhas em gatinhos, tenho o nariz entupido"?!?! Devem estar a brincar, não?! O c*ralhinho!... O meu segundo argumento explanará esta questão com mais detalhe.

Segundo argumento:
Este é um bocadinho mais elaborado. Mas resume-se a isto: DESDE QUANDO É QUE UM GAJO É LOGO TAXADO DE MAL EDUCADO SÓ POR TER LARGADO UM "F*DA-SE"?!?!? Então tem algum mal dizer um "f*da-se"?!?! E quem diz um, diz mil e quinhentos, ou coisa assim. Desde que sejam justificados (veja-se o final do meu primeiro argumento), não há mal nenhum. Se eu, lá por ter dito um "f*da-se" quando verifiquei que trazia a garganta inflamada, sou desde logo grafado de mal educado, então sou maricas quando olho para um gato e digo "tão fofinho"?! "Fofinho", recorde-se, é uma coisa que os larilas estão sempre a dizer. Isso e "ai, ainda arranco os olhos a alguém se não conseguir comprar aquele blazer daquela loja". E também "ai, o que eu queria era ter um Renato Seabra só meu". E dizem muitas outras coisas, porque eu, quando vou rodar os bares à noite no meu part-time de drag queen bem os oiço, a esses boiolas.

Penso que ninguém pensará assim. Um "f*da-se" torna um gajo tão mal educado quanto um "fofinho" torna um gajo abichanado. Ou seja, nada. Tudo depende do contexto. O contexto é realmente a chave. Se eu chamar "fofinho" ao cu da Jessica Alba, só por muita má fé podem acusar-me de gayzisse. Mas se eu chamar "fofinho" ao cabrão do espanhol cabrão do lampião filho da puta do paneleiro do Javi Garcia, bom aí o panorama é outro, certo?! Da mesma forma, se eu largo um "f*da-se" quando me dói a garganta, é preciso estar de má vontade para dizer que sou mal educado. Porque não sou. Sê-lo-ia se dissesse tal palavra num contexto em que funcionasse desde logo como uma intrusa. Por exemplo:

"Bom dia, gaja. Já viste que está um f*da-se de um dia?"

ou

"Olá, gaja. Já te vou ajudar com as compras, deixa-me só descalçar-me porque acho que tenho uma f*da-se no sapato."

ou ainda

"Gaja, gostei muito do último prato que inventaste. Estava mesmo bom, até soube a f*da-se."

ou até mesmo

"Até logo, gaja, e f*da-se"

Se eu alguma vez proferisse estas frases, aí sim, estaria a ser mal educado. Porque seria recorrer à asneira gratuita, aplicá-la como se fosse a coisa mais natural do mundo, o que é desde logo o traço mais evidente da má-criação. Mas não é isso que eu faço, c*ralho! Só recorro a este palavreado quando ele se revela absolutamente necessário! Como no caso em que me dói a garganta. Porque é mesmo uma situação f*dida!

Bom, fico-me por aqui porque já fiz a minha apologia. Creio que a minha argumentação é insofismável e mostra que eu estou, como sempre, coberto de razão. Portanto, a minha gaja não está correcta quando me acusa de ser mal educado.

Adeus e tenham um fim-de-semana do c*ralho.

quinta-feira, março 03, 2011

Uma jeremíada pelo Canal 18!

Agora que estou numa de aprender espanhol, sinto - mais do que nunca - a falta do saudoso Canal 18. A dobragem de filmes pornográficos na língua de nuestros hermanos faria mais pela minha aprendizagem do que horas e horas de cursos, gramáticas, dicionários e exercícios de Espanhol. Foi à pala do Canal 18 que me familiarizei com expressões essenciais para a conversação, tais como "todavía más adentro", "me gusta tu cuerpo", "quieres que bese tus tetas?" ou a inevitável "tengo una polla muy grande, en la verdad es enorme", que decerto seria um sucesso se eventualmente eu viesse um dia a ser recebido pela família real espanhola. É uma pena a extinção desse canal, um canal que aproximava mais os dois povos da península ibérica do que quaisquer TGVs. Que mierda...

quarta-feira, março 02, 2011

Sugestões culturais: Grandes Livros (RTP2)

De tempos a tempos, chateio-me de ver filmes porno e de espreitar catálogos de modelos em lingerie e vou cultivar-me um bocadinho. Leio, vejo cinema europeu, vou ao teatro ou a uma vernissage, enfim, essas coisas. De momento, estou a assistir, de empreitada, aos 12 episódios da série produzida pela RTP e que já foi exibida no segundo canal da TV pública, e que em boa hora gravei: Grandes Livros (detalhes aqui). O propósito é tão simples quanto eficaz: em cerca de três quartos de hora, explanar uma obra de um autor fundamental da literatura portuguesa.

Ainda só vi quatro dos doze programas (conto ver o resto por estes dias) mas o balanço é muito, muito positivo. Mesmo a narração feita pelo Diogo Infante não faz o conjunto perder pontos e lá está, ele só narra, não mostra a cara, portanto um espectador consegue perfeitamente ver a série sem estar a vomitar de cinco em cinco minutos.

Como é óbvio, nem todos os episódios mantêm a mesma fasquia qualitativa. Pessoalmente, achei o primeiro, dedicado a Os Maias do Eça de Queirós, o mais fraquinho até agora, muito talvez por culpa das personalidades entrevistadas, em sua grande maioria académicos bolorentos e empoeirados, com destaque particular para o palhaço metido a especialista queirosiano, e grande paladino do Acordo Ortográfico, Carlos Reis, a quem desde já peço o favor de ir ortograficamente tomar na bundinha. Os outros três episódios que vi, contudo, vão do bom (Amor de Perdição) ao excelente (Peregrinação - talvez o melhor até agora -, O Delfim), são entusiasmantes, informativos e deixam sequioso quem ainda não leu as obras, o que confesso ser o meu caso para os livros do Fernão Mendes Pinto e do José Cardoso Pires. [Sim, eu sei, é um atentado não ter lido ainda isto, mas lembrem-se de que eu preciso de ocupar muito do meu tempo livre com mamas. Com mamas, pá! As leituras ficam, assim, para segundo ou terceiro ou quarto ou sei lá planos...]

Aconselho, portanto, esta série a todos os que não a viram quando passou na RTP2 mas gostam de boa literatura portuguesa (ui, devem ser muitos, devem...). A segunda série, aliás, que conta com 11 episódios, creio estar a ser exibida aos domingos à tarde. Mas vejam as coisas como manda a cronologia: a primeira primeiro, a segunda segundo. Porquê? Porque sim e porque eu quero, ora bem! Mas também porque, assim por alto, a primeira série dos Grandes Livros tem mais pesos pesados do que a segunda. É como comparar a equipa do Barcelona com a do Braga: é claro que o Braga tem bons jogadores, alguns eu gostaria mesmo de ver no Sporting, mas o Barça é o Barça. De facto, sem desprimor para o Saramago (que eu adoro), para o Torga (idem) ou para o Gil Vicente (ibidem), aos quais são dedicados programas da segunda série, não é possível combater com a selecção que os produtores fizeram para a primeira. Além dos já referidos Eça, Mendes Pinto, Cardoso Pires e Camilo, há episódios sobre Os Lusíadas, O Livro do Desassossego, e o sétimo deles é dedicado àquele que é, para mim, o melhor romance em língua portuguesa, ou seja, o Messi da nossa literatura que é nenhum outro senão a Aparição do Vergílio Ferreira, pois claro, e quem não concorda que vá ler o texto da moção de censura do Bloco de Esquerda.

Vá, sigam o meu conselho e cultivem-se um poucochinho. E depois, voltem lá a ver as badalhoquices do costume...

terça-feira, março 01, 2011

Expressões que eu adoro: rego do rabo!

"Rego do rabo". "Rego do rabo". "Rego do rabo". Caramba, o quanto esta expressão me fascina. Antes de mais, pela sua musicalidade. Repitam, para vós mesmos, esta expressão. "Rego do rabo". E agora, façam-no sílaba a sílaba: "Re", "go", "do", "ra" e "bo". É de uma sonoridade espantosa, não é?! A expressão dança entre sons baixos e altos, serpenteando pela escala musical como o Messi pelo meio de jogadores adversários. Simplesmente magnífico, e é uma pena que os grandes poetas, afinal os grandes ourives das palavras, nunca tenham utilizado esta expressão nos seus textos. Nem, Dante, nem Petrarca, nem Camões, que tinha obrigatoriamente de fazê-lo no episódio da ilha dos Amores, nem Baudelaire... Nem tu, Manuel João Vieira, nem tu soubeste valer-te deste precioso tesoiro...

Outra característica digna de realce da expressão "rego do rabo" é a sua extravagância em, ao apor-se a qualquer outra expressão ou frase, enriquecer esta última, como se o todo fosse mais do que a soma das partes. Eu sei que esta ideia soa estranha: o normal é colocar-se qualquer coisa no rego do rabo, em lugar de se colocar o "rego do rabo" em qualquer coisa, mas sigam-me, por favor. E lembrem-se de que estou a falar de uma expressão ("rego do rabo") e não da coisa denotada por essa expressão (o rego do rabo). Para mais detalhes, leiam qualquer coisa acerca da distinção entre de dicto e de re. Eu podia explicar-vos, mas agora estou a coçar o escroto.

Mas desvio-me do trilho. O que quero eu dizer quando digo que a expressão "rego do rabo" enriquece qualquer outra? Bom, em vez de andar aqui com circunlóquios, creio que será preferível recorrer a exemplos. Ora então vamos lá.

Peguem no mais famoso trava-línguas da língua portuguesa. Sim, "o rato roeu a rolha do rei da Rússia". Agora, enfiem lá para dentro o "rego do rabo" [atenção à frase que acabei de escrever: é "enfiem lá para dentro o "rego do rabo"" e não "enfiem lá para dentro do rego do rabo". Tenham juízo, pois não estou aqui a fazer qualquer apelo à sodomia. Isso fica para outros posts, se me apetecer].

Se fizeram bem aquilo que vos sugeri, devem ter ficado com uma coisa deste género:

"O rato roeu a rolha no rego do rabo do rei da Rússia".

E caramba, digam lá se o trava-línguas não ficou melhor?!? Em vários aspectos: a frase fica mais longa, logo é melhor para praticar a sonoridade dos rr, fica mais musical (veja-se o que escrevi no início) e fica mais divertida. E, como corolário, responde desde logo à questão que toda a criança educada a dizer "o rato roeu a rolha do rei da Rússia" faz: onde raios estava a rolha do rei da Rússia que o rato roeu? Com este acrescento, a dúvida não não fica a pairar no ar: onde estava a rolha do rei da Rússia que o rato roeu? No rego do rabo, pois então!

É mesmo uma expressão adorável. Espero que tenham ficado a concordar comigo. Se não, então vão apanhar no rego do rabo.

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Eu quase tenho vergonha de dizer isto, mas...

...ontem fiquei quase bêbedo com dois copos de vinho rosé!

Quer dizer, já não basta ter ficado meio toldado com tão pouco, logo eu, que sou uma esponja capaz de aguentar várias garrafas de álcool, mas ainda por cima, fiquei meio toldado à custa do vinho mais alarilado da história da vinicultura. Sim, pá, um vinho cor-de-rosa e com nome francês...



Eu sei que deve haver uma explicação científica para isto, mas não me apetece procurá-la, pronto.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Solução para a recessão (não, não é um post sobre o Sporting)

Ontem tive de ir ao dentista, e segundo a profissional que me atendeu (hmmm, isto soa um bocado mal), tenho umas quantas gengivas em estado de recessão.

Por um momento, pensei que ela fosse aconselhar a entrada do FMI na minha boca (hmmm, isto também soa um bocado mal), mas afinal não, apenas me receitou um super suplemento de flúor, com o qual devo massajar a zona recessiva até sentir melhoras (hmmm, isto soa igualmente m... não, esperem lá, acho que já chega!).

Ainda é prematuro indicar se a solução é positiva ou não, mas se for, prometo que a primeira coisa a fazer, assim que as minhas gengivas recuperarem da recessão, é chegar junto do Teixeira dos Santos e mostrar-lhe esta solução milagrosa. Pode ser que também cure os males do país!

Bom fim-de-semana e torçam muito pelo Sporting, pois nós estamos a precisar. Ah, e por "torcer" não quero dizer "torcer o pescoço": nesse estado já estamos há muuuuuito tempo!

terça-feira, fevereiro 22, 2011

É triste quando a última das nossas certezas desaba como um castelo de cartas!


Sou, por natureza, um céptico e um descrente. Não acredito em Deus, ou outros seres sobrenaturais, como fadas, fantasmas, espíritos, duendes, poltergeists, americanos inteligentes, Pais Natais, Lili Caneças sem rugas, e afins. Não acredito em nenhum governo, independentemente do tipo de regime, seja ele monárquico, republicano, aristocrático, ditatorial, oligárquico, e etc.

Porém, sempre tive uma convicção arreigada nesta frase: "Nos jogos entre Sporting e Benfica, ganha sempre quem está em pior condição".

E foi a verdade empírica destas palavras, tantas e tantas vezes manifestada em sucessivos dérbis, que me levou a crer, com todas as forças do meu ser, que o Sporting iria ganhar ontem aos seus rivais da segunda circular. Eu, aliás, até pensava mais à frente: considerando que o Sporting estava a 24563076 mil pontos dos lampiões, e considerando outrossim a pobreza das exibições leoninas, em claro contraste com as mais empolgantes prestações dos pardalitos, acreditei sinceramente que, mantendo-se aquele horizonte epistemológico - até ontem, não contrariado -, o tal que expressava "Nos jogos entre Sporting e Benfica, ganha sempre quem está em pior condição", nunca ganharíamos por menos de uns 8 a 0.

Mas não, pá! Já nem nisto um gajo pode apoiar-se! A última das certezas foi-se. O Sporting não só não ganhou por 8 a 0, como não ganhou de todo; e não só não ganhou, como perdeu, e não só perdeu, como perdeu a jogar metade do jogo em superioridade numérica!*

A partir daqui, nada há a fazer. A vida deixou de ter sustentabilidade metafísica e não me resta outra opção senão cair nos braços do niilismo. E ao Sporting, o mais iconoclasta dos clubes formados por aristocratas betos, pois nega a grandeza em que nasceu, por este andar, não lhe resta mais do que ir fazer companhia ao Boavista e ao Belenenses daqui a uns tempos.


* Em boa verdade, esta questão da superioridade numérica é relativa. Sim, ninguém desmente que o lampião Sidnei tenha sido expulso à beira do intervalo, deixando o Benfica a jogar apenas com 10 jogadores. Mas também ninguém pode desmentir que o Sporting entrou a jogar com o Grimi, o Torsiglieri e o Djaló, portanto estivemos sempre a jogar com 8! "Ah, mas o Grimi foi substituído pelo Maniche", podem vocês dizer-me. Sim, e quem entrou para o lugar dele?! O Maniche! O Maniche, por Toutatis, que fazia era melhor figura no Biggest Loser, não no meio campo do SCP!

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Uma dúvida que talvez assole muitos outros indivíduos

e que é esta: como pode um gajo, muito masculino e no topo da heterossexualidade, sair para a rua com uma gata no colo sem dar ares de, como é que eu hei-de colocar isto, hmmm, vamos lá, sem dar ares de ser um ganda paneleiro mariconço?!?!

Ontem cometi esse erro: peguei numa das minhas gatinhas ao colo e levei-a assim, fofinhamente (olhem que advérbio de modo tão giro), para a rua. Para as outras pessoas, esta imagem deve ter parecido tudo menos viril. Eu até acho que ouvi um dos meus vizinhos a ligar para um grupo neo-nazi e pedir que viessem ao meu bairro o mais rapidamente possível.

E isto é chato, pá! Os gatos, bem como outros bichos de estimação como poodles ou chiuahuas, imprimem sempre uma aura de larilonzice. Todos nós, inconscientemente, achamos másculo um tipo vir para a rua com um pastor alemão, ou com um pitbull, sobretudo quando a coleira está adornada com spikes de ferro. Se o José Castelo Branco, por hipótese, fosse passear o seu doberman, penso que toda a gente exclamaria "olha ali está um senhor muito homem", mesmo que, no fundo, ele só passeasse o canito para ter o prazer de ser abordado à canzana (ele, José Castelo Branco, no caso de terem deixado de me acompanhar).

Mas quando temos um gato, é a imagem exactamente inversa que salta à vista. O homem mais másculo do universo, o tipo capaz de humilhar, em virilidade, até o Chuck Norris, ou seja, eu, corre o risco de ser confundido com um vulgar lambe pichas caso se apresente, a terceiros, com um micro-felino (sim, porque duvido que este problema se verificasse se eu aparecesse com um leão, um leopardo, uma pantera ou um tigre). Os gatos transportam consigo a ideia de pederastia.

Daí a minha dúvida. Como em qualquer sociedade humana, não basta à mulher de César ser séria, é preciso parecê-lo, ou, trocando por miúdos, não basta a um tipo como eu ser o zénite da testosterona, é preciso mandar isso à cara de todos os outros. Assim sendo, como é que - e sigam este raciocínio - chego de A a C, quando

A = sou um gajo muito heterossexual

B = tenho duas gatinhas de que gosto muito

C = não quero que me confundam com o Carlos Castro por causa das felinas?

Hmmm?!? Alguém tem ideias para isto, ideias que não passem por disfarçar as minhas gatinhas de outros bichos, ou por não aparecer com elas na rua? Se alguém tiver, por favor, comunique, está bem?! Obrigado.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Esta notícia é fantástica...

Freira é expulsa do convento por causa do Facebook

Isto tem de levar necessariamente a um upgrade de alguns ensinamentos bíblicos:

Quem nunca pecou que atire o primeiro post.

Deus escreve direito por posts tortos.

Deus sabe por onde andas e vê tudo o que fazes, sobretudo se o adicionares como amigo no Facebook.

Será mais fácil a um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que alguém com perfil no Facebook entrar no reino dos Céus.

Bem aventurados os info-excluídos, pois deles será o reino do Senhor...

De que serve ao homem conquistar o Facebook se perder a alma?

Bom fim-de-semana e facebooquem muito.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Ideias para super-heróis

Quem me conhece, sabe que eu gosto à brava de histórias com super-heróis. E quem não me conhece, também sabe porque acabei de dizê-lo. Sou da opinião - e esta era uma tese que gostaria de desenvolver no futuro, se não estivesse demasiado ocupado com outras coisas, tipo tentar descortinar o que se passa no Sporting - que os super-heróis fantasiosos de hoje, como o Homem-Aranha, o Batman, o Wolverine ou o Super-Homem, são o equivalente aos heróis homéricos da Grécia clássica e desempenham precisamente a mesma função: um farol, um ideal moral pelo qual os indivíduos comuns podem nortear-se e inspirar-se.

Há várias décadas que acompanho os comics de super-heróis, sobretudo os da Marvel. Há personagens para todos os gostos: heróis nobres e eticamente irrepreensíveis (Homem-Aranha), anti-heróis (Wolverine), capachos do governo (Capitão América), deficientes (Demolidor, que é cego), pertencentes a minorias étnicas (Luke Cage, Shang Chi) ou por outra qualquer razão descriminados (todos os X-Men), deuses pagãos (Thor), enfim, a variedade é imensa. Aprecio, sobretudo, as histórias em equipe, onde vários destes heróis se unem em torno de uma causa comum. Os X-Men são o melhor e, quanto a mim, mais eficaz exemplo disso mesmo: homens e mulheres párias que lutam por um mundo melhor, apesar de - e este é um pormenor trágico que, novamente, reenvia para a mitologia grega clássica - esse mundo odiá-los.

Imbuído desse espírito, trago aqui ideias para uns quantos super-heróis, capazes de formar o primeiro colectivo português de super-heróis, Os Tugas, e também alguns vilões, esperançado que alguém pegue nisto, até mesmo, porque não?, para um filme, tal é o potencial cinematográfico das personagens que ora apresento:

Os super-heróis: Os Tugas

Lesmas - mordido por uma lesma radioactiva durante um jogo de futebol, Ricardo cedo se apercebeu de que tinha ficado com os poderes de uma lesma: arrastar-se com lentidão pelas superfícies e babar-se todo (facto que leva os seus amigos a tratarem-no também por "O Velhadas"). Está secretamente apaixonado pela sua colega Bilhas.

Afonso VII - monárquico convicto, Marco tem o estranho poder de fazer adormecer suínos só com o olhar. Adoptou o petit nom de Afonso VII porque sonha um dia chegar ao trono português. O seu arqui-inimigo é o mega-vilão republicano Carbonário. Dizem as más línguas que também não vai muito à bola com o seu colega Lesmas desde que este confessou que os reis eram todos uns palhaços.

Bilhas - em adolescente, a esbelta Sara começou a sentir profundas mudanças no seu traseiro. De pequeno e redondinho, começou lentamente a transformar-se numa superfície imensa e de destruidor potencial. Reza quem já foi subjugado por esta heroína que ficar debaixo da bilha da Bilhas é um suplício digno do Inferno de Dante. É a némesis do vilão sodomizador Parte-Bilhas.

Tesourinhas - o nerd do grupo. Chamado de Tesourinhas porque adorava, quando mais jovem, fazer trabalhos manuais em papel e cartão, possui o talento, inestimável e invejável, de conseguir ligar-se à Internet sem precisar de um ISP. Este pormenor torna-o adorado pelos seus colegas Afonso VII e Lesmas, sempre interessados em ver pornografia quando não estão a combater os vilões.

Samuel - antigo ginasta, Samuel resolveu adoptar o seu próprio nome como identidade secreta para assim enganar os inimigos, que pensam sempre que a identidade secreta serve para esconder o nome verdadeiro. Samuel não tem super-poderes, mas a sua experiência de ginasta, associada à aprendizagem de Parkour nas montanhas do Tibete, faz dele um elemento importante para Os Tugas, nomeadamente em missões que exijam uma presença mais física.

Os vilões:

Parte-Bilhas - o Parte-Bilhas era um assaltante de segunda categoria até descobrir o seu talento para a sodomia. Famoso por assaltar e sodomizar grandes bancos (os buracos no BPN e no BCP devem-se-lhe), foi detido durante uma tentativa de assalto à CGD pela super-heroína Bilhas. Fugiu poucos dias depois, tendo sodomizado 15 guardas e 2 carros blindados durante a fuga, e desde então jurou um dia partir a bilha à Bilhas.

Carbonário - antigo contabilista, o Carbonário decidiu dedicar a sua vida ao crime enquanto fazia um POC. Não se lhe conhecem super-poderes, mas possui uma enorme capacidade para convencer outros meliantes a seguir as suas ordens. O seu objectivo primordial passa por acabar com o presente regime republicano para introduzir no país um regime ultra-mega-republicano, mas ninguém, nem os seus colaboradores mais próximos, sabem o que isso significa.

Bigodes - Toni descobriu que tinha poderes quando, aos 16 anos, decidiu crescer o bigode. Ao terceiro dia sem ser aparado, o bigode começou a roubar carteiras. Vencedor de várias edições do Concurso Barba e Bigode, o Bigodes é famosíssimo por furtar, sempre com o seu bigode, sandes de coirato e garrafas de tintol aquando de jogos do Benfica no Estádio da Luz, servindo-se do facto de haver nessas ocasiões uma elevada percentagem de bigodudos para passar despercebido.

Stripa - De seu nome verdadeiro Irene, Stripa é uma stripper estripadora que, qual viúva-negra, atrai os clientes do bar onde trabalha para uma dança privada e aí acaba por estripá-los. Foi detida pela primeira vez graças à intervenção do Tesourinhas, que viu um vídeo das suas façanhas na Internet. Stripa, contudo, nutre sentimentos pelo super-herói nerd e sonha um dia desvirginá-lo.


Que tal, hã?! Só personagens de categoria!!!! As maravilhas de histórias que podem daqui sair! Rói-te de inveja, Frank Miller!!!!

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Não há nada tão animador para começar o dia como ir parar ao posto médico!

É isso mesmo, meus caros. É fascinante. Uma pessoa acaba de tomar o piccolo almoço, prepara-se para sair de casa e quando menos espera, TUNGAS, bate com a cachimónia no ferro do varal de estender a roupa, começando a sangrar. Próxima paragem: posto médico. E é aqui que as coisas pioram: é certo que o sangue chateia, o inchaço incomoda, e as dores tiram um tipo habitualmente fleumático como eu do sério, mas mau, mesmo mau é aguentar todo o zeitgeist que envolve um posto médico.

Primeiro, é a saga das senhas. Esperei que três velhotas, dois coxos e meia dúzia de pret..., hããã, de pessoas de etnia africana, finalmente dessem com o sistema de senhas e retirassem os respectivos papeluchos. Quando chegou a minha vez, o cabrão do sistema não aceitava o meu número de utente. Precisou de levar uns quantos pontapés e uns "fod@-ses" mandados na altura certa para finalmente ser convencido.

A seguir, vem a odisseia do balcão. Chegada a minha vez, fui atendido por uma assistente. E é aqui que a coisa começa a ficar mais surrealista do que um quadro do Salvador Dali com relógios que se derretem. Foi mais ou menos assim:

Ela: Então, o senhor, o que precisa?
Eu: Senhor não, rapaz, se faz favor.
Ela: (para si) Olha outro com a mania que não envelhece... (para mim) Então o que foi?
Eu: Fiz um golpe na cabeça e preciso de um curativo.
Ela: Ah, vou já falar à sua médica de família.
Eu: Então mas eu para pôr um penso preciso de que falem com a médica?
Ela: Sim. Perdeu sangue, perdeu os sentidos?
Eu: Perdi um bocadinho de sangue, sim, mas permaneci sempre consciente. O que perdi mesmo muito foi a paciência.
Ela: Ahahahahahahaha, que engraçado, vou já chamar a médica, ahahahahaha, aguarde no corredor, ahahahahahahaha.
Eu: Então eu estou aqui com dores e a senhora está a rir?
Ela: Senhora não, rapariga, se faz favor.
Eu: Olhe, chup... hããã, obrigado!

Depois de algum tempo à espera, lá fui chamado pela médica de família. Entrei no gabinete e

Médica: Então, o que aconteceu?
Eu: Fiz um golpe na cabeça no varal do quintal da casa. Acho que não está partida, mas dói-me.
Médica: Deixe-me cá ver isso. Hmmmm... não, partida não está, mas... isto não é bem um golpe, é mais uma escoriação.
Eu: Mau! Então mas que raio de preciosismo linguístico é este?! Para quê esse rigor técnico?
Médica: Vá, não seja assim. Não é nada de grave, nem sequer precisava de ter vindo ao posto médico, isso é uma coisa que se trata bem em casa.
Eu: Como é que eu trataria disto em casa se o golpe, não, a "escoriação" ou lá o que é esta porcaria, está localizada na parte de trás da cabeça? Eu não tenho olhos nos dedos, pois não?
Médica: Ahahahahaha, você é tão cómico quando se irrita, ahahahaha
Eu: Mau, outra vez? Eu com dores e você ri-se?!
Médica: Ihihihihhi, eu já lhe ponho Betadine aí na ferida.
Eu: Pensava que era uma escoriação.
Médica: Não seja parvo. Chegue-se aqui. (pega na porcaria da Betadine, num esparadrapo e manda com aquilo na minha cabeça).
Eu: Au, isso dói.
Médica: Vá, já está. Depois tome um Ben-U-Ron que isso passa. Adeus e olhe por onde anda com a cabeça, ahahahaha.
Eu:...

Por fim, a pièce de résistance dá-se quando, já em casa, telefono à gaja a avisar do sucedido.

Gaja: 'Tou?!
Eu: Olá, amor. Olha, onde é que guardamos o Ben-U-Ron?
Gaja: Porquê?!
Eu: Porque a médica de família mandou-me tomar um, já!
Gaja: Porquê, o que aconteceu?
Eu: Fiz um golp... uma escoriação na cabeça!
Gaja: O quê?!?! Mas estás bem?!
Eu: Sim, sim, só deitou um bocadinho de sangue. Tenho esta parte inchada e dói-me, mas não é nada de mais, já fui ao posto médico e tudo.
Gaja: Mas como é que fizeste isso?
Eu: Então, vinha a sair de casa e bati com a cabeça no varal do quintal.
Gaja: Tu... ahahahahahaha! O quê?! Ahahahahahahahahahaah!
Eu: Olha, obrigadinhos, está bem?! Diz-me onde está o raio do Ben-U-Ron, mas é!
Gaja: Ahahahahaha, nós já não temos Ben-U-Ron, ahahahahahaha, tira antes uma saqueta de ihihihihih Paracetamol e ahahahahahaha, parece que estou mesmo a ver tu ires de encontro ao varal, ahahahahahahah, e prontos, bebes aquilo.
Eu: Sim, mas está onde, caraças?!
Gaja: Ahahahahahha, e tu foste ao posto médico por causa disso, ahahahahahaha, que mariquinhas, está na gaveta do armário, do lado esquerdo, ahahahahahahah, aposto que toda a gente se riu de ti e...
Eu: (desligo o telefone e vou à procura das saquetas)

Lá encontrei as saquetas, tomei uma e pronto, lá saí definitivamente de casa, passando a 50 metros do cabrão do varal que me escoriou a mona. Agora, o que eu não percebo é PORQUE É QUE ISTO É MOTIVO DE RISOTA GENERALIZADA, CARAÇAS!!!! ESTA MERDA DÓI, ESTÁ BEM?!?!?!?!?

terça-feira, fevereiro 15, 2011

A revolução de jasmim chega à casa do Peter of Pan

E o vírus da autonomia e do anti-totalitarismo continua a espalhar-se. Os recentes protestos no Médio Oriente e na África magrebina inspiraram aqui este escriba a seguir o exemplo dessas corajosas populações. Presentemente, ando a manifestar-me pelo hall lá de casa, com cartazes a exigir a democracia e cânticos que pedem o fim do regime da tirana minha gaja, cujo autoritarismo faz o Mubarak parecer o Gandhi. Para que o mundo fique a conhecer a terrível condição a que estou sujeito dentro daquelas quatro paredes, fui entrevistar-me a mim próprio:

Entrevistador (eu, pois claro): Bom dia, Peter of Pan, então parece que está a querer uma revolução?
Peter of Pan (eu também, pois então): Olá, bom dia, sim, é verdade, estou a promover uma revolução que deite abaixo anos e anos de desrespeito pelos direitos humanos, anos e anos de ditadura violenta, anos e anos de desprezo pela vontade alheia.
Entrevistador: Bem, isso parece ser mesmo grave. Pode dar-nos alguns exemplos da situação em que tem vivido?
Peter of Pan: Posso, pá! Então admite-se que um gajo chegue cansado a casa, vá para sentar-se no sofá, ligue o televisor para ver o Family Guy e venha logo a gaja esbaforida dizer que aqueles desenhos animados não têm qualidade, me desligue o televisor e me puxe pela orelha até à cozinha para ajudá-la a fazer o jantar? Mas o que é isto?! Vivemos no tempo da escravatura, ou quê? Ainda por cima, obriga-me a trabalhar com a Bimby! Eu não percebo nada da Bimby!!!
Entrevistador: Ui, realmente, que condições horríveis.
Peter of Pan: Já para não falar, e desculpe interrompê-lo...
Entrevistador: Não faz mal, caso não tenha reparado, nós somos a mesma pessoa.
Peter of Pan: Pois, é verdade. Bom, como ia dizendo, já para não falar na violência a que sou sujeito quando exprimo a minha vontade em ver um filme europeu. A gaja rouba-me o comando do dvd e muda para o Portugal Sem Talento.
Entrevistador: Refere-se ao Portugal Tem Talento, não é?!
Peter of Pan: Não, é mesmo Sem Talento. Eheheheh.
Entrevistador: Boa piada. Olhe, e quais são as suas exigências?
Peter of Pan: As minhas exigências são as exigências de uma pessoa de bem. Quero ver o Family Guy sem estar a ouvir constantemente "muda de canal, estes bonecos são mesmo estúpidos". Quero todos os gelados que possa comer. Quero que a minha voz seja escutada. Quero, no fundo, a passagem de um regime autocrático para um democrático. E quero, por fim, que o Sporting seja respeitado por aquela lampiona de meia tigela!
Entrevistador: Bom, ó Peter of Pan, parece-me que já está a exagerar, não?! Já nem os próprios sportinguistas respeitam o Sporting!
Peter of Pan: Ouve lá, ó meu caramelo, mas tu estás de que lado, afinal?!
Entrevistador: Eu estou sempre do mesmo lado, pá!
Peter of Pan: Do lado dos fracos, dos oprimidos, dos que querem rebelar-se face à ordem vigente?!
Entrevistador: Não! Do lado das gajas boas!
Peter of Pan:... recuso-me a prestar mais declarações...

Depois deste esclarecedor depoimento, fui tentar chegar à fala com a minha gaja, para ouvir a sua versão dos acontecimentos. Assim que me coloquei a menos de três metros de distância, fui puxado por um braço e forçado a lavar a louça que se acumulava, ameaçadora, na bancada da cozinha. Cerca de 2 pratos partidos, 3 copos rachados, um tacho sodomizado por um garfo e 45 minutos depois, lá consegui retirar as primeiras impressões da tirana:

Entevistador: Bom dia, gaja do Peter of Pan, podemos então começar a nossa entrevista?
Gaja: Não sei. A louça ficou bem lavada?!
Entrevistador: Acho que sim...
Gaja: "Acho que sim" não chega. Ficou ou não ficou, caraças?!
Entrevistador: Ficou, ficou!...
Gaja: Bom, então comece lá essa m&rda!
Entrevistador: Está bem. Senhora dona gaja do Peter of Pan, que comentários faz aos protestos levados a cabo pelo Peter of Pan ali no hall da casa?!
Gaja: É um totó!
Entrevistador: Mas algumas das reivindicações por ele feitas têm todo o sentido...
Gaja: O c@r@lhinho é que têm!!!!
Entrevistador: Ele acusa-a de ser uma tirana, uma déspota!
Gaja: Puta é a gaja daquele filme francês que ele viu no outro dia!
Entrevistador: Não, não, entendeu-me mal, não é puta, é déspota. E a Anna Karina não é nada puta, ela vai muito bem no Bande à Part e...
Gaja: Cale-se! Não sou nada disso e quem diz o contrário merece ser espancado!
Entrevistador: Essa parece-me ser uma atitude típica de uma déspota!
Gaja: Puta é a Monica Bellucci!
Entrevistador: Não, voltou a entender-me mal, eu não disse puta, disse dés...
Gaja: Cale-se. Eu entendi muito bem. Aquela italiana é puta e acabou-se.
Entrevistador: Bom, passemos à frente. E quanto às acusações de não deixar o Peter of Pan ver o Family Guy?!
Gaja: Aqueles bonequinhos da treta?! Estou a fazer-lhe um favor. Só lhe faz mal ver aquilo.
Entrevistador: Sabe que quando o Estado se põe a decidir sobre o que é melhor para as pessoas está-se perante uma situação de autoritarismo, não sabe?
Gaja: Olhe, o c@r@lhinho é que é autoritário, está bem?!
Entrevistador: Hehehe, pois é! É um autoritário enorme e grosso, não é, hehehehe?!?
Gaja: Nos teus sonhos.
Entrevistador: Hãããã, pois. Continuemos. Então e...
Gaja: Schut, cale-se, ainda não acabei o meu argumento. Além daquela bonecada fazer mal à sua já de si pobre mente, o Family Guy dá à mesma hora em que se deve estar a fazer o jantar, e eu não acho nada bem que seja aqui a moira a dar ao cabedal enquanto o senhor Peter of Pan refastela o cu no sofá a ver aquela porcaria. Quem é que é o tirano e quem é que é a escrava, afinal, hmmm?
Entrevistador: Bom, esta parte da entrevista vai ser cortada no momento da sua exibição ao público...
Gaja: Vai ser cortada, uma m&rda! Então agora temos censuras, é?! Então e a democracia e essas patacoadas? Publique isso, senão chateio-me a sério.
Entrevistador: Então e o que tem a dizer acerca da Bimby?
Gaja: O que é que há para dizer acerca da minha maravilhosa, fantástica, espectacular e fascinante Bimby?!
Entrevistador: O Peter of Pan queixa-se de falta de adaptação a esse aparelho.
Gaja: É mesmo um totó!
Entrevistador: Não, mas olhe, aquilo não é fácil!
Gaja: Não é fácil?! É do mais facílimo que há!
Entrevistador: Olhe que não está a ser justa. Uma pessoa, para saber cozinhar na Bimby, quase precisa de estagiar por seis meses na NASA ou no CERN. Tanto botãozinho para quê?! E que diachos é aquilo de Col. Inv. e Temp. Varoma e mais não sei o quê? Não é muito mais fácil enfiar os legumes para dentro de um tacho com água e ligar o fogão?!
Gaja: Cale-se. Você parece mesmo ele a falar!
Entrevistador: Bom, isso é porque eu e ele somos a mesma pessoa.
Gaja: Ah, pois é. Então olhe, já que está aqui, vá ali ao frigorífico, tire a abóbora, duas courgettes, uma beringela, corte tudo e meta na Bimby que vamos começar a fazer uma sopa!
Entrevistador:...e não tendo mais perguntas, ficamos por aqui...

Mais desenvolvimentos desta revolução nos próximos tempos!

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

E para quando um Dia dos Encalhados?

que é para os nerds, os feios, as gordas, os tímidos, as beatas, os misantropos - no fundo, os encalhados e encalhadas de todo o mundo, sim, ó rapaz de 42 anos que ainda vive com a mãe, passa o tempo a ver filmes da saga Star Wars e confunde uma erecção com um sabre de luz, sim, ó rapariga de 36 anos que passa o dia na biblioteca da cidade a ler livros da Corín Tellado e pensa que o Ricky Martin é hetero, é a vocês que me dirijo! - não se sentirem discriminad@s? Sei lá, até poderiam inventar, à semelhança do Dia dos Namorados, presentes para se oferecer aos encalhados preferidos. Bombons dos encalhados, florzinhas dos encalhados, postalinhos dos encalhados... Seria bonito, não seria?!?



Disclaimer deste post: se me estás a ler e ainda és um encalhado ou encalhada, e detestas o ambiente que se gera à volta deste dia 14 de Fevereiro, não desesperes, por duas simples razões:

1 - eu, que não sou encalhado, também não gosto deste dia, e tenho a certeza de que muitos não-encalhados e não-encalhadas estão comigo.

2 - eu, que não sou encalhado, estive muito tempo encalhado, portanto, sim, tu, ó gajo de 42 anos que está a ver, pela 234346ª vez, o Han Solo a ser congelado na carbonite, sim, tu, ó gaja de 36 anos que está a suspirar, pela 734222ª vez, com o romance dos protagonistas desse livro que tens em mãos, é novamente a vós que me dirijo, também vocês podem desencalhar, basta terem um pouco de paciência e

a) no caso do gajo, encontrar um emprego bem remunerado, vestir roupa cara, trocar os óculos por lentes de contacto, arranjar os dentes, comprar uma mansão e um carro desportivo, fazer musculação, tomar banho todos os dias;

b) no caso da gaja, sair para a rua com um decote que revele o mais possível das mamas.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Parece que

o Mubarak foi posto a andar like an egyptian...


(tão inteligente, esta!)

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Mind the gap


Todo o santo dia ouço, como se ficasse tatuada no meu cérebro, a mesma mensagem gravada: "Senhores passageiros, pedimos que se afastem do limite da plataforma". Sempre a mesma lenga-lenga. O pedido, contudo, padece de alguma estranheza. Primeiro, não avisa por que é que querem que os passageiros se afastem. Pronto, está bem, qualquer pessoa com dois meios dedos de testa sabe: se nos aproximarmos demasiado da plataforma, corremos o risco de apanhar com um comboio mesmo no meio da tromba. De qualquer forma, a mensagem é omissa nesse sentido.

Essa omissão liga-se ao outro aspecto estranho do apelo: por vezes, é proferido com algum anacronismo. Especifico: há alturas em que uma pessoa está na estação, aguardando pelo seu comboio que só chega dali a 10 minutos, e sabe que não vai chegar mais nenhum comboio entretanto, e então põe-se a ocupar o cérebro com coisas irrisórias, só para passar o tempo até que o comboio chegue, e pensa então nos calções de banho rasgados que o primo Paulito levou para a praia no ano de 1983, e na congestão que a tia-avó Miquelina apanhou após um jantar de família em Montemor-o-Novo na noite de Natal de 1979, e no arroto que a vizinha Teresa deu no velório do Sr. Julião em 1996, no preciso momento em que o Figo marcava um golo à Croácia no Euro-96, e caramba, este período está a ficar mesmo longo, além de abusar da cópula "e" até à exaustão, parece um texto do Cormac McCarthy, não sei se já leram o Este País Não É Para Velhos, bem, aquilo é só "e" atrás de "e", do género, "E Chigurgh [é aquele assassino com cabelo esquisito interpretado pelo Javier Bardem no filme dos manos Coen] pega na pistola pneumática e levanta-a acima da cabeça e rebenta o canhão da fechadura e entra no quarto e apanha o canhão e coiso e tal", é mais ou menos isto, não me lembro exactamente de nenhuma frase do livro e não o tenho à mão para reproduzir ipsis verbis. E com tudo isto, perdi-me...

Ah, já sei, pois: está uma pessoa à espera do comboio, que só chega dali a outros quinhentos, e no entanto ouve os altifalantes da estação a perorar aquela mensagem: "Senhores passageiros, pedimos que se afastem do limite da plataforma". A pessoa fica então a pensar: "mas que raios? Se o comboio só passa daqui a 10 minutos, para que raio eles estão a avisar isto?!" E é aqui que a omissão acerca do que é que pode acontecer se as pessoas não arredarem pé do limite da plataforma se torna perigosa. Se não vem lá nenhum comboio, que terror se esconde junto do limite da plataforma, terror esse que justifica o aviso por parte da estação mas que não pode ser nomeado, como se fosse o Voldemort que estivesse a irromper por entre os carris? Já sabemos que "Senhores passageiros, pedimos que se afastem do limite da plataforma, caso contrário levará com um comboio nos cornos" é falsa porque não vem lá comboio nenhum, mas a coisa intriga. O que pode acontecer se não nos afastarmos da plataforma quando o comboio ainda dista cerca de 50km?!

O IVA aumenta para 25%?

A Rita Pereira cessa de aparecer com decotes generosos?

O Pinto da Costa promove um golpe de Estado e os ministérios são todos ocupados por raparigas da má vida?

Deixa de passar futebol nas televisões?

O Renato Seabra é libertado e monta uma empresa de fabrico de saca-rolhas?

O Sporting vende o seu melhor jogador?

Estão espalhadas pelos carris fotos do Alberto João Jardim nu, visíveis a qualquer pessoa que se aproxime da plataforma?

A Manuela Moura Guedes inventa de tentar saber até onde consegue abrir a boca e acaba por engolir o planeta inteiro?

O Cavaco é eleito para um segundo mandato?

É aprovado um novo Acordo Ortográfico que proíbe os indivíduos de escreverem insultos a deputados?

Gostava que me explicassem o que pode acontecer, ai isso gostava...

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Saco de pancada: cinema 3D

Vamos lá a ver uma coisa: quem acha piada a esta tendência dos filmes estrearem em 3D, é favor levantar o braço. E deixar o nome, morada, estado civil e último desejo, que é para eu poder fuzilar-vos sem ter muito trabalho.

O cinema 3D é das coisas mais estúpidas que já deram à terra. Quase tão estúpida quanto, por exemplo, a direcção de um clube com uma história interessante e que procura todos os anos conquistar títulos resolver vender o seu maior símbolo e melhor jogador por tuta e meia. Desde logo, uma pessoa, para ver essas películas a três dimensões, tem de colocar uns óculinhos ridículos, tão ridículos que o Yves Saint Laurent já apareceu àquela medium inglesa que apresentava um programa na TVI, comunicando-lhe que achava aquelas coisinhas de plástico "une très grande merde". A Iva Domingues, depois, traduziu o comentário como "gosto muito dos teus cabelos louros", levando a que o YSL jurasse nunca mais aparecer aos vivos senão através de uma tábua Ouija, desde que desenhada pelo Giorgio Armani.

[Atenção: estas últimas referências, embora suspeitas, não fazem de mim um Carlos Castro em potência, está bem?!?! Eu cá sou muito homem, no sentido heterossexual do termo. Vá, avancemos, que se faz tarde e eu ainda não fui pôr base no rosto]

O que mais me revolta nesta moda do cinema 3D, contudo, é a justificação que lhe querem dar. Segundo os palhaços defensores desta tendência, a maior qualidade do cinema em 3D é conferir, ao espectador, uma sensação próxima da realidade. Sim, estes parvos inventaram essa história. Sou só eu que acho que "cinema" e "próxima da realidade" são ideias quase inversas?! Eu quando vou a uma sala de cinema ou quando me sento num sofá a ver um filme, não estou à espera que aquilo esteja próximo da realidade. Se eu quero realidade, venho para a rua! Se eu quero ver pessoas a três dimensões, a falar alto e a envolverem-se em confrontos físicos, vou à feira dos ciganos. Eu vejo filmes para fugir a este género de merdas realistas, de preferência sem precisar de colocar nos olhos aqueles óculos parvos (já vos disse que aqueles óculos têm um aspecto para lá de ridículo, e que o Yves Saint Laurent apar... - não, esperem, já disse, sim!).

É claro que agora surge a pergunta de um milhão de euros: "Sim, Peter of Pan, tu estás coberto de razão, como sempre, a tua retórica é impecável e qualquer pessoa favorável ao cinema 3D ficará contra depois de te ler, mas esqueces-te de um pequeno detalhe: os filmes porno! Não adorarias tu que os filmes porno pudessem ser vistos em três dimensões?!"

Admito que é uma pergunta pertinente. É uma pergunta tão inteligente que só poderia ter sido feita por mim a mim próprio (vão-me dizer que já se tinham lembrado disto, não?!? Seus aldrabões!) Sim, a pornografia parece encaixar muito bem, e sem recorrer a vaselina ou precisar de enfiar o preservativo, no conceito de cinema 3D. E até aqui se percebe a utilidade dos óculos ridículos: servem para proteger a vista ao espectador no momento do cumshot, não vá o diabo tecê-las.

Face a esta objecção - que, recordo, foi feita por mim próprio -, julgo que temos aqui a oportunidade perfeita para um compromisso. Que é: o cinema 3D é uma merda e deve ser retirado das nossas salas, PORÉM pode haver um nicho de mercado para esta tecnologia caso ela seja aplicada APENAS à maravilhosa indústria pornográfica. Continuaremos a experienciar os filmes mainstream em grandiosas telas a duas dimensões, mas as mamas da Tera Patrick, o rabo da Silvia Saint e o centro da praça municipal de Mondim de Basto da Jenna Haze, esses só terão a ganhar se exibidos no esplendor do 3D.

É ou não é?! É, pois claro!...

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Seca de segunda-feira

- Qual é o mais mandão dos animais?
- É o polvo, porque o polvo é quem mais ordena...

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Sobre a redução dos deputados

Um dos temas do momento, a ombrear com as manifestações no Egipto (sim, meus amigos, Egipto é com "p", por mais que os apóstatas do acordo ortográfico insistam em retirá-lo), com a situação do Sporting e com o julgamento do Renato "Saca-Rolhas" Seabra é, sem qualquer dúvida, a proposta de redução dos deputados à Assembleia da República. O PSD já se mostrou a favor, o PS tem vozes contra e vozes a favor, o PCP é contra, como acontece sempre - um dia, ainda vamos ver os deputados do PCP a votar contra propostas do PCP, só pela força do hábito -, o Bloco também é contra e o CDS/PP, à imagem do seu líder, não sai do armário, isto é, não diz se é uma coisa ou outra.

A minha posição sobre a matéria, essa, já há muito se encontra bem definida. Sou claramente a favor da redução dos deputados. E eis como essa redução deve ser feita: é chegar ao pé deles com uma catana e zás, separar-lhes a cabeça do corpo. Ficarão desde logo reduzidos!

E depois, esta minha solução final tem dois pontos adicionais a seu favor: primeiro, num momento de crise, não nos podemos dar ao luxo de desperdícios. Se os deputados nunca usaram a cabeça, o que é que estão a fazer com ela? É cortá-la e dá-la aos porcos, sempre servirá para alguma coisa. Segundo, esta solução surge em defesa dos próprios deputados, porque com a cabeça separada do corpo, passa a ser a primeira vez que estes altos dignitários da nação passam a justificar, de modo radical, a popular ideia de que os deputados só vão à Assembleia fazer figura de corpo presente. Literalmente.

Os partidos que pensem nisto, se fazem favor...

Bom fim-de-semana e cortem a cabeça a um deputado também.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

De como uma visita ao veterinário se transforma numa lição de vida


Ontem tivemos de levar esta coisinha fofa ao veterinário, em consequência de cenas más. Ok, ok, vou deixar de ser tão vago: a gatinha anda mal da barriga, pronto. E dá uns puns muito mal cheirosos, e isso são razões mais do que suficientes para levar a bichinha ao médico dos bichos. Bom, e que tenho eu a dizer sobre o seu comportamento? Isto: absoluta e simplesmente IMPECÁVEL! Enquanto esperou pela sua vez, esteve sossegadíssima na caixinha. Quando entrou para a sala, não estranhou. Quando a retirámos da caixinha e a colocámos na mesa para ser examinada, manteve o seu fleumatismo. Não miou, não rosnou, não bufou, nem quando levou uma injecção no lombo. A gatinha estava mansa, mansa... parecia um jogador do Sporting. Nada a incomodou nem a tirou do sério. Fantástico. Nunca tinha visto nada assim!

Esta atitude é, para mim, uma lição de vida porque ensina-me muita coisa. Confesso que não gosto de ir ao médico. Nunca gostei. Já cheguei, por diversas vezes, a fugir. Lembro-me - deveria eu andar pelos meus 8-9 anos - de ter escapado aos meus pais num dia em que era suposto levar uma injecção no rabo. Corri do consultório a toda a brida, sem que ninguém me conseguisse apanhar. É claro que, quando voltei para casa, já de noite, imaginando em toda a minha inocência que nada iria acontecer-me, apanhei os meus pais obviamente tão preocupados quanto irritados e na sequência levei uma tal tareia no rabo que me fez pensar se não teria sido melhor levar a injecção no dito.

Na minha perspectiva, é impressionante que uma gatinha consiga ter mais presença e imponência e, tenho de admiti-lo, mais "tomates", do que um ser humano, partindo do princípio que eu sou mesmo um ser humano, algo que a minha gaja já por diversas vezes argumentou ser, no mínimo, discutível. Mas adiante: a minha gatinha não tem medo dos médicos nem dos consultórios. Nem das picas, nem dos remédios. Já eu, bom, eu não é que tenha propriamente medo, pois não é bem medo aquilo que sinto, mas se puder evitar, evito. Sou assim como aquelas pessoas que não sabem se existem fantasmas a pairar pelo meio de uma floresta escura: pelo sim, pelo não, não entram por esse caminho. É claro que eu sei que não existem fantasmas, mas por outro lado, sei que existem médicos e hospitais e enfermeiros e picas que doem, por isso prefiro estar noutro sítio. Porém, se calhar tenho de começar a agir mais como a minha gatinha agiu: não ligar peva a isto e sair de lá da mesma maneira como se entra, ou seja, como se fosse algo perfeitamente natural. Espero lembrar-me desta lição da próxima vez que tiver de ir ao médico.






[Oxalá seja daqui a muitos, muitos anos...]

segunda-feira, janeiro 31, 2011

Feito para caminhar

Gosto muito de andar a pé. Eu já era um tracker antes de a palavra sequer ter sido inventada. Os peregrinos que fazem o caminho de Santiago poderiam até ter lições comigo. Palmilhei todos os centímetros da cidade onde vivi até há alguns anos atrás. Percorri Lisboa de ponta a ponta. Subi serras, montes, encostas. Andei para aqui e para ali, para ali e para aqui. E entretive-me ao fazê-lo.

2010, no entanto, foi um ano atípico. Talvez tenha sido o ano em que eu menos tenha andado a penantes. Por razões várias, que agora não interessa enumerar, mas saibam que culpo o governo Sócrates. Porquê? Porque me apetece, mais nada! No entanto, o que mais interessa é fazer de 2011 um regresso às minhas habituais caminhadas, e esse regresso já começou: ontem fui parar à Serra de São Luís, nos arredores de Setúbal, e envolvi-me numa caminhada de cerca de bués quilómetros, óptima para recuperar o hábito. Aproveitei para rever alguns amigos e até para reencontrar uma amiga que já não via há muitos, muitos anos. O balanço foi, portanto, muito positivo. Eis alguns números:

Distância da caminhada: 12 km.

Tempo demorado a percorrer essa distância: cerca de 3 horas e meia.

Número de pessoas que alinhou na caminhada: 230.

Minutos passados a ouvir a minha gaja perguntar-me: "Ouve lá, quem é que é aquela tua amiga?": 127.

Tempo que essa minha amiga demorou a cair de uma ribanceira após ter sido subrepticiamente empurrada pela minha gaja: 37 segundos.

Comida que ingeri durante a caminhada: um bolicao, três sandochas, uma salada de alface, tomate e cenoura, um pacote de batatas fritas, uma maçã. Valores muito abaixo do meu normal, devo dizer. É a crise...

Minutos passados a pensar no destino do Sporting caso o Liédson seja vendido: muitos!

Vezes que caí no chão durante a caminhada: duas.

Dores nas pernas, ontem e hoje: ZERO! (pá, quem sabe, sabe...)

sábado, janeiro 29, 2011

NÃÃÃÃÃOOOOO!!!!

Liedson na porta de saída


Se o Liédson sair do Sporting, eu juro que faço birra!!!!

sexta-feira, janeiro 28, 2011

Coisas estranhas: o caso do dedo do pé dormente

Não corro o risco de errar se disser que todas as pessoas já experimentaram a sensação de ter os pés dormentes. É algo que pode acontecer, com maior ou menor frequência, a qualquer um. A mim, já me aconteceu por diversas vezes. Agora, aquilo que me aconteceu ontem à noite, nunca antes me acontecera, nem nunca ouvi ninguém falar disso, nem sequer vi qualquer referência ao assunto na Crítica da Razão Pura do Kant ou na República do Platão, e muito menos nas Obras Completas do Peninha e do Morcego Vermelho: ficar não com um pé dormente mas apenas com o dedo grande!

Por mais bizarra, curiosa, e adjectivos sinónimos que eu poderia aqui mandar em barda mas não me apetece, que esta situação se apresente, ela é absolutamente verídica. Sim, fiquei mesmo com um - só unzinho! - dedo do pé dormente. O resto do pé estava normal, só aquele dedo grande é que tinha aquele formigueiro típico da dormência. "Porquê?", perguntei eu, mas não obtive resposta alguma. Talvez porque o meu dedo do pé não fala, talvez porque não lhe apetecesse responder, talvez porque é estúpido fazer uma pergunta destas a um dedo do pé adormecido... Enfim, só sei que não encontrei, e não encontro ainda, explicação para este facto que quase parece sair do domínio do absurdo. Ter um dedo do pé dormente é assim como, sei lá, estar no meio de uma entrevista de emprego e soltar um pum, é como ir a casa dos futuros sogros pedir a mão da amada em casamento e em vez do pedido sair uma declaração do tipo "eu sou gay", é como ter uma filha e baptizá-la como, hmmm... deixa-me cá ver um nome muita estapafúrdio do qual ninguém jamais poderá lembrar-se, ah, já sei, Lyonce Viiktórya.

É claro que depois de umas boas esfregas - e garanto que quase tão estranho quanto ficar com um dedo do pé dormente é passar um par de minutos a esfregá-lo - a dormência lá passou. Mas espero que seja algo que não volte mais a ocorrer. Porque é mesmo estúpido, valha-me Liédson...

Bom fim-de-semana e esfreguem muito os vossos dedinhos dos pés.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

A trilogia d'O Senhor dos Anéis: notas sobre o seu envelhecimento

Ando a rever toda a saga d'O Senhor dos Anéis, na versão cinematográfica do Peter Jackson. Passados todos estes anos, a ideia com que fico é basicamente a mesma que tive aquando da estreia dos três filmes: dos três, o melhor, de longe, é o segundo As Duas Torres.

E porquê? Bom, porque é, de todos, aquele em que o equilíbrio entre, por um lado, as lamechices da amizade do Frodo e do Sam e, já agora, dos outros dois hobbits de que nunca me lembro do nome, e, por outro lado, as cenas de acção e espadeirada, é desfeito com claro benefício para estas últimas. E isto, minha gente, é fundamental numa obra de ficção. Eu não quero estar numa sala de cinema, ou no sofá de casa, a ver um filme onde os protagonistas machos trocam elogios, carinhos, votos de amizade e sei lá mais o quê! Esse homo-erotismo dissimulado que preenche muitos minutos d'O Senhor dos Anéis é algo que a mim não interessa nada. Pá, a dada altura do terceiro filme, a troca de carinhos é de tal ordem que uma pessoa fica até com a ideia de que o Frodo e o Sam vão casar-se, e até já tinham anel e tudo! Se eu quisesse ver essas coisas, ia alugar o Segredo de Brokeback Mountain, por exemplo. O que eu quero ver num filme é acção, porrada, cabeças separadas do corpo, sangue a jorrar, tripas, corpos despedaçados, enfim, todos os ingredientes (literalmente!) que fazem uma boa história.

Aliás, foi para este tipo de coisas que o próprio cinema foi criado. Poucos sabem disto, mas eu, que gosto de investigar este tipo de coisas, descobri que os irmãos Lumière gostavam muito de hack 'n slash e que o propósito inicial do La Sortie des usines Lumière à Lyon era que os funcionários se pegassem à porrada no pátio e se estraçalhassem uns aos outros. O problema é que, naquela altura, os actores ainda eram muito amadores, e tiveram alguma dificuldade em decorar o guião que lhes fora dado. Só se lembraram da parte que envolvia sair da fábrica, o que muito desagradou aos dois irmãos Lumière, tendo Louis inclusivamente dito a Auguste: "Merde! Esta gente nunca faz nada daquilo que se lhes manda", nascendo assim o primeiro confito entre actores e realizadores.

Concluo, portanto, com a perspectiva de que As Duas Torres foi o filme que melhor envelheceu na saga d'O Senhor dos Anéis. Exibe porrada vintage, o que é um belo conceito e remete desde logo para a ideia original dos irmãos Lumière de que o cinema deveria ser uma sequência de cenas de batatada entre machos alfa. Quem de mim discordar, o melhor é ir ver filmes com a Barbra Streisand...

quarta-feira, janeiro 26, 2011

O post de hoje quase poderia ter sido escrito por uma gaja

Perdi cerca de 3 quilos na última semana. Mas o tamanho da minha pança e do meu rabo é que não há meio de diminuir, raios partam!!!!!

Ah, e se alguém na caixa de comentários se lembrar sequer de sugerir que aquilo de que preciso é de concorrer à versão portuguesa do The Biggest Loser, poupem-me, 'tá?! Eu até sou magrinho, excepção feita à tal pança e ao tal rabo e ainda tenho um cérebro, por pior que ele funcione (afinal, sou sportinguista, não é verdade?!?!)

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Apetecia-me falar sobre política, mas não quero. Vou antes falar das presidenciais

Afinal, pela primeira vez na vida, votei nulo (normalmente, voto em branco), por isso também não tenho muito para dizer. Não gosto dos que ganharam e não gosto dos que perderam, não acredito em supostos salvadores da pátria, sobretudo quando esses supostos salvadores têm responsabilidades no estado da pátria que querem salvar, mas também não acredito no fim da democracia só porque se reelegeu um gajo que, bem vistas as coisas, não tem assim tanto poder, para além do de ser capaz de dar um pontapé no rabo do Sócrates (e, se ele o fizer, quem o censurará?!?). Sempre fui anti-Cavaco, desde a minha adolescência - já eu nessa altura galava as mamas da Sónia e dizia mal do, então, primeiro-ministro - e sê-lo-ei sempre, sempre, mesmo que me ponham num lar de idosos, onde ficarei a galar as mamas até ao joelho da dona Antónia e a dizer mal do Cavaco (do qual ninguém no lar se lembrará, até porque terão todos Alzheimer). Mas lá por ser anti-Cavaco, isso não significa que seja pró-Alegre (dass...), pró-Nobre (o senhor até é bonzinho, mas...), pró-Coelho (livra!) ou pró-Defensor de Moura (bolas...). Um candidato, para merecer esse tesouro que é o meu voto, teria de ser competente, honesto, racional, sério, independente, corajoso, conhecedor, humilde, inteligente, simpático, acessível, dialogante, culto e, por que não, ter uma mulher bonita para a qual se pudesse olhar. Porém, sou sincero: nunca, jamais me candidatarei à Presidência da República. É uma coisa que não me interessa, pronto.

Daqui a cinco anos, aposto que estarei a fazer um post semelhante sobre as presidenciais que darão a vitória ao António Guterres. (Não acreditam?!?! Então esperem e verão... ou então fujamos todos do país enquanto é tempo)

sexta-feira, janeiro 21, 2011

Resumo dos meus últimos dias

Tempo passado a dormir: cerca de 9-10 horas (em dois dias, é muito pouco)

Tempo passado a trabalhar: 14 horas (o normal)

Tempo passado a ler: 3 minutos (ainda assim, acima da média de um jogador de futebol, mas muito abaixo do meu habitual)

Tempo passado a pensar em gajas boas: 15 horas (muito, mas muito, abaixo do normal)

Tempo passado a comer: 3 horas e meia (também muito abaixo do normal)

Tempo passado a reclamar da campanha eleitoral e a fazer manguitos a qualquer um dos candidatos quando aparecem na televisão: 50 minutos (resultado que, de tão abaixo do normal, parece estar a viver numa cave)

Tempo passado na casa de banho, após aquilo que desconfio ter sido a consequência de uma paragem digestiva na passada madrugada de quarta-feira: 25 horas!!!!!!!!

Tempo passado a queixar-me de dores nos intestinos e em toda a zona que envolve o períneo: 38-39 horas.

Isto está mau, está mesmo mau...

quinta-feira, janeiro 20, 2011

As mamas e o fim da história

Graças a um amigo, descobri esta mui informativa página: Mamas e mais mamas - 12 coisas que desconhecia acerca das mamas. Só isto faz desse meu amigo o mais sério candidato ao Prémio Nobel da Paz de 2011, e se ele não ganhar, tratar-se-á claramente de uma injustiça e comprovar-se-á que os membros do comité Nobel são uns mariquinhas.

E o que ficamos a saber sobre as mamas, hmmm? Bom, por exemplo, que há uma ONG que defende o direito ao topless. Que os homens também podem amamentar. Que a Universidade Politécnica de Hong Kong oferece um curso em - atenção, isto é mesmo verídico - Estudos do Sutiã. Que a primeira coisa que os homens vêem numa mulher são as mamas e que, tão ou mais importante, "staring at women's breasts for just minutes a day can improve a man's health and add four to five years to his life", algo de que eu já desconfiava há largos anos. Se tudo correr como previsto, e se os meus olhos não me traírem, por este andar sou capaz de chegar a viver cerca de 36000000 anos.

Estes pormenores suscitam-me dois comentários:

1 - É reconfortante e animador saber que há ciência que se dedica à análise das mamas. Sim, não nego a importância de investigar se há vida noutros planetas, ou quais as consequências a longo prazo do aquecimento global, etc. Mas se existe uma matéria que deve merecer, mais do que qualquer outra, a nossa atenção, essa matéria não pode ser outra que não as mamas. A ciência que estuda as mamas é ciência que está no bom caminho.

2 - No bom caminho parecem também estar as sociedades ocidentais. Noutro site, descubro que, e cito, "researchers said breast size has been increasing in the Western world for the past 10-15 years." Ora, isto parece-me espantoso. Ao contrário do que diziam Marx, para quem a História caminhava inevitavelmente para uma sociedade sem classes, e Fukuyama, para quem a História caminhava para as democracias capitalistas do tipo ocidental, o fim da História não é nem uma coisa nem outra mas sim mamas maiores. Mamas maiores, pá! O progresso das sociedades limita-se a seguir a via do aumento dos seios e isto, meus caros e minhas caras, é de uma relevância formidável. Pode haver crise, pois pode, pode haver injustiça, pois pode, pode haver desigualdade, pois pode, mas sabemos que o mundo será um lugar melhor quando dados palpáveis (está boa, esta!) nos indicam que o tamanho das mamocas está a aumentar. Pois, afinal, um mundo em que as mamas são grandes é, como Leibniz poderia ter argumentado, o melhor dos mundos possíveis ou, pelo menos, superior a um mundo em que as mamas são pequeninas. Um mundo com mamas grandes é um mundo em que um indivíduo tem mais para apalpar, para mordiscar, para lamber, para beijar, para colocar a cara entre os dois seios e chafurdar no meio daquilo e...







...peço desculpa. Entusiasmei-me. É melhor ficar por aqui. Preciso de trocar de calças. Até amanhã. Mas reflictam em tudo isto que vos disse, 'tá?!

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Desconstruindo catchphrases do Obama para utilizar no repúdio às presidenciais de dia 23

Sim, leitores desinteressados da coisa pública, continuo na minha cruzada contra os candidatos presidenciais que se apresentam às urnas no próximo domingo. Desta vez, como arma utilizo as frases de efeito usadas, na altura, por outro cabrão candidato presidencial, não em Portugal mas sim no antro imperialista e capitalista nos Estados Unidos, de seu nome preto estúpido Barack Obama. Não, não vou servir-me do "Yes, we can", pois já está muito batido, e sim da outra catchphrase que se exibia nos palanques: a "Change. We can believe in". Cá em Portugal, eu não belivo em chanja nenhuma, pois a crise dos tempos que correm faz os tempos andarem ao pé coxinho, e enfiar qualquer mudança nisto torna-se virtualmente impossível, tão virtualmente impossível quanto ter uma página no Facebook sem haver amigos a chatear-nos para lhes arranjarmos uma vaca, ou um pato, ou uma couve, ou uma trilobite, ou sei lá o quê.

Aqui ficam, portanto, as minhas adaptações do "Change. We can believe in" dedicadas aos nossos candidatos presidenciais. Não fazem ideia de como eu gostava de espalhar isto por cartazes...:

Ideias para o país. Vocês não têm nem uma.

Buraco. Gostava de vos atirar para dentro de um.

Otários. Vocês não passam de.

Cérebro. Quando é que vocês compram um?

Cruzinha. Nem pensem que vou lá metê-la.

Calados. Era como gostava que estivessem.

Pacote. Vão apanhar no.

Filhas boazonas. Vocês nem isso têm.

Saca-rolhas. É o que penso desenhar no boletim de voto.

F*der. Vão-se todos.

Desafio aos apoiantes de qualquer um dos candidatos a encontrar, nas suas respectivas candidaturas, slogans mais inspirados do que estes acima colocados...

terça-feira, janeiro 18, 2011

O meu pé esquerdo

Dói-me como se estivessem a mutilar-me os órgãos genitais com um saca-rolhas...

Dói-me como se o meu clube tivesse sido enfiado na gaveta por uma equipa de uma cidade conhecida por ser a capital do móvel, e que na sequência o presidente do meu clube apresentasse a demissão...

Dói-me como se num país que se queixa de iliteracia andassem a vender livros como se estes fossem gravados a ouro, só assim se percebe que eu, mandando vir de Inglaterra, pague 7€ pelo The Book Thief e em Portugal a respectiva tradução, A Rapariga Que Roubava Livros, não se venda por menos de 22€, até parece que os tradutores são extraordinariamente bem pagos, ó caraças!...

Dói-me como se as eleições presidenciais fossem já no próximo domingo e não se possa dizer, de qualquer dos candidatos, algo como "Epá, este indivíduo parece ser sério, competente, honesto e capaz de desempenhar com eficácia as funções de Presidente da República"...

Dói-me como se as várias televisões preferissem mostrar a qualquer hora do dia imagens de violência e de porrada, já para não falar em concursos acéfalos e repetitivos até ao tutano de pessoas extremamente gordas que são obrigadas a guardar segredos dentro de uma casa só para perseguirem os seus sonhos de cantores, nem em telenovelas com argumentos de uma finesse que quase parece terem sido escritos pela equatoriana analfabeta que faz a contabilidade do BPN, e se calhar até foram, mas evitam passar pornografia hardcore porque alegadamente isso estraga as cabecinhas dos cidadãos, até parece que nunca esgalharam uma; se isso estraga a cabecinha, então é porque não o sabem fazer convenientemente, ouviste ó João César das Neves?, ouviste ó Papa Bento Ratzinger XVI?

Enfim, dói-me à farta!

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Planos que parecem bons na teoria, mas na prática...

Ontem, ficámos novamente a tomar conta do armagedão em forma de miúdo de ano e meio (veja-se um post anterior sobre a mesma personagem aqui). Desta vez, a gaja quis ser inteligente e lembrou-se: "Gajo, e se levássemos o puto ao parque? Ele lá cansa-se e depois passa o resto do dia a dormir". Pareceu-me uma excelente ideia! Mal almoçámos, pegámos no pequeno terrorista e fomos para o parque de diversões mais próximo. Aí, metemo-lo a andar de baloiço, de escorrega, de cavalinho, obrigámo-lo a subir para cima disto e daquilo, a correr, a saltar, a rebolar, a jogar à bola, e ao fim de não sei quantas horas lá se satisfez e voltámos os três para casa.

Resultado: eu e a gaja dormimos que nem uns anjinhos!

(mas acho - digo eu - que não era bem nisto que havíamos pensado à partida...)

sexta-feira, janeiro 14, 2011

O Jet Set português é uma coisa fascinante

Ainda há uma semana estavam todos a chorar a tragédia que foi o assassínio (sim, assassínio! Assassinato é galicismo. E é feio!) de um colunista cor-de-rosa, nos vários sentidos da palavra, e hoje já há motivos para regozijo e júbilo. Sim, a Luciana Abreu e o Yannick Djaló (nota para a direcção do Sporting: quando é que vendem este gajo e compram um preto avançado de jeito?!?!) foram hoje agraciados com uma menina: Lucyanni é o nome da pobrezinha bebé.

Lucyanni, pois... Muita imaginação tem esta gente. Quanta massa cinzenta não há nos membros do nosso jetchisetchi... Lucyanni... Épá, LUCYANNI!!!!...

Se isto se tornar moda, esperem pela Cesariana, a filha de César Peixoto e Diana Chaves. E a coisa não vai ficar por aqui: a próxima criança de Pimpinha Jardim e Francisco Spínola será o Pimpisco, se for menino, ou a Frapinha, se for menina. Se a Rita Pereira voltar a juntar-se ao Angélico, poderemos vir a apanhar com um Ritélico.

Parece-me bonito...

(e leva-me a considerações alternativas: o que aconteceria se o Renato Seabra e o Carlos Castro tivessem tido filhos? Sairia um Carnato? Uma Renalas? Enfim, tantas e tão giras combinações!!!)

Não é por nada, mas...

...não me recordo de alguma vez ter apanhado tanto tempo seguido de nevoeiro. Já são mais de 24 horas com esta névoazinha. Vem aí qualquer coisa má, só pode...







...mas pensando duas vezes, há quem esteja pior do que nós. Lisboa e arredores estão há mais de um dia debaixo de um forte nevoeiro, sim, mas é o ar de Nova Iorque que vai levar com as cinzas do Carlos Castro!

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Em dias de nevoeiro, as crianças ficam... bom, sei lá!

Escutei este diálogo no comboio:

- Mãe, alface é fruta ou legume?
- É legume, filho.
- Mãe, laranja é fruta ou legume?
- Laranja é fruta.
- Mãe, couve é fruta ou legume?
- Legume.
- Mãe, vaca é fruta ou legume?
- Ó que disparate! Vaca é carne.
- Mãe, carne é fruta ou legume?

Depois desta, quase cuspi o pequeno-almoço que havia tomado há meia hora atrás. São tão fofinhas, as crianças... São tão fofinhas na sua ingenuidade infantil.

quarta-feira, janeiro 12, 2011

Da dificuldade em compreender pessoas que falam a correr...

Tenho uma vizinha que fala depressa, mas mesmo depressa. É como se fosse um espanhol a quem tivessem dado 20 chávenas de café. Se uma frase daquela senhora entrasse numa corrida de 100 metros com o Usain Bolt, a frase ficava em 1º lugar, voltava atrás, recomeçava a corrida, ficava em 2º lugar, voltava atrás, recomeçava outra vez, ficava em 3º lugar, e ainda tinha tempo para disputar a 4ª posição lá com o jamaicano a jacto!

Sempre que a dita senhora se me dirige, eu não consigo compreender senão as primeiras palavras. Tudo o resto fica completamente críptico. E não sou capaz senão de responder com monossílabos, realizando pelo meio um portentoso esforço de hermenêutica que deve, na realidade, mais à adivinhação do que a qualquer faculdade do entendimento. Por exemplo, quando a vizinha se chega e me diz:

- Então, berelébereléberelébereléberelétrecolarecotrecolareco?

eu limito-me a imaginar que está a perguntar-me se gostei da vitória do Sporting e respondo com um lacónico

- Sim

e pisgo-me das imediações, não vá ela dirigir-me mais uma frase incompreensível. Quando a coisa começa com um

- Bom dia, trecolarecotrecolarecobereléberelébereléberelé?

suponho que está a tentar saber se lá por casa está tudo bem e se eu penso que as investigações do A. J. Ayer são revolucionárias para a compreensão epistemológica da verdade, conduzindo a uma resposta elaboradíssima, do género

- Pois

e novamente raspo-me antes que seja apanhado na teia de uma nova frase que não impossível de captar.

A senhora, confrontada com estas minhas reacções, deve ficar a pensar que sou um tipo bastante antipático, que não quer conversa nem que a conversa apareça em lingerie sexy. Mas não é isso, de todo. Eu não consigo é compreender nada do que a mulher diz! Teria mais sucesso eu entrar em diálogo com um chinês (cuja língua não percebo nada), com uma avestruz (cujos grasnares eu não entendo) ou com um militante do CDS/PP (cujo Q.I. de 0,5% reduz significativamente qualquer tentativa de comunicação séria, a não ser que lhe mostremos dinheiro, a única coisa que um militante daquele partido compreende) do que com essa minha vizinha que fala português injectado de esteróides.

Se esta mulher fosse falar para a autoestrada, apanhava com cada multa... Chiça!

terça-feira, janeiro 11, 2011

Inevitáveis conclusões

sobre o caso Renato Seabra/Carlos Castro

* Ficamos a saber que o melhor remédio para acabar com os demónios e os vírus não é nem um exorcista nem um antibiótico: é um saca-rolhas!

* O Renato Seabra conseguiu sacar a maneira mais rápida de acabar sodomizado na prisão

* Péssima investigação jornalística: Renato Seabra atirou um computador à cabeça do Carlos Castro, mas ninguém ainda soube informar se era um PC ou um Macintosh. É este o jornalismo que queremos?

* Renato Seabra argumentou que já não era mais gay. E qual foi a primeira coisa que ele fez após essa afirmação? Exacto: foi mexer nos genitais do Carlos Castro. Com um saca-rolhas, é preciso não esquecer...

* Comentário de Horatio Crane sobre o crime: "It seems like his genitals... [tira os óculos]... vanished in a poof!"

Tum, pá, trish!...

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Mas isto lá é pesadelo que se tenha?!?!

Acordei assustado e alagado em suor. Motivo: um pesadelo horrível! Mas mesmo, mesmo horrível! Então calculem lá que sonhava estar sentado no sofá diante do televisor e de repente a emissão era interrompida para dar uma notícia de última hora: a candidatura do general Ramalho Eanes às presidenciais! E como se isto já não fosse suficiente assustador (a esta hora, eu já me debatia sem controlo debaixo dos lençóis), aparecia o dito general, numa conferência de imprensa convocada à pressa, a declarar, naquele seu jeito muito particular: "Portugueses e portugueses, venhe candidatar-me à presidêncie da repúblique porque o estade actual deste país assim o exige. Promete alterar a constituição para poder ficar no cargue por um període mínime de 14 anes".

Foi aqui que acordei no estado que já vos referi. 14 anos... Irra!!!! Mas por que é que eu não posso ter pesadelos como as pessoas normais?!?! Sei lá, ser perseguido por zombies. Estar no meio de um edifício em chamas e não ter cds para ouvir. Ter o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda a bater-me à porta. Ver o Liédson sair do Sporting. Essas coisas, pá, por mais assustadoras que sejam, não possuem o grau de repugnância do general Ramalho Eanes. Sonhar com este homem é coisa para arruinar por completo o dia... até já pedi para me virem aqui trazer dez caixas de Prozac.

domingo, janeiro 09, 2011

Rescaldo da passagem do afilhado da gaja aqui por casa:

o Bin Laden, os anarquistas gregos, os hooligans ingleses, os traficantes do complexo do Alemão e os governantes portugueses não passam de amadores. Querem destruição, mas destruição à séria?! Contratem aquele puto de ano e meio...

Livra!!!!!!!!

(Se quiserem ter uma boa ideia do que aqui se passou, lembrem-se do terremoto que devastou o Haiti há cerca de um ano)

sexta-feira, janeiro 07, 2011

A melhor cena xunga de sempre retirada de um dos melhores filmes xunga de sempre




Scaginjas - You are an ugly motherfucker

Predador - BLEEEEEURGHHHHHHHHHH!!

Clássico. Vejam lá se apanham disto nos filmes do Fassbinder (aliás, quem vê filmes do Fassbinder apanha é outra coisa)...

Bom fim-de-semana

quinta-feira, janeiro 06, 2011

O dia em que a gaja disse que eu tinha um rabo jeitoso

Estava eu muito contente a descascar uma cebola em cima da bancada da cozinha quando começo a sentir duas mãos pousando no meu rabo. Essas duas mãos, como se estivessem a fazer turismo, percorreram o meu traseiro para cima e para baixo, apalparam, mexeram e remexeram. No fim de tal sessão, ouvi, vindo lá bem de baixo, numa voz que mais se assemelhava a um sussurro (é que a minha gaja é mesmo pequenina...), estas palavras "estás a ficar com um rabo mesmo jeitoso".

Afirmações assim, espantosas, ouvi-as poucas vezes na minha vida. E lançou desde logo a dúvida: estarei mesmo a ficar com um rabo jeitoso? Perguntei-lhe (à gaja, não ao rabo, entenda-se), e a resposta foi mais uma viagem das suas mãos à minha zona rabal. O que, aqui para nós, não constitui qualquer resposta!

Foi então que comecei a pensar em dissipar as dúvidas. Se há alguém que percebe de rabos jeitosos, sou eu! Sou desde há várias décadas um apreciador da anatomia feminina, e se aqui tenho a destacar as mamas, o pedaço corpóreo mais perfeito alguma vez produzido na natureza, a verdade é que nunca deixei de parte um belo befe. Um bom rabo é também algo que muito me agrada, e poderia ficar aqui o dia todo a citar belos exemplos de belos rabos: a minha gaja, a Shakira, a Beyonce, a Cláudia Vieira, a Teresa da reprografia, a Cindy Crawford de há 20 anos, a Alexandra Lencastre há 50..., enfim, é por aí.

Tentei então perceber o que se passava com o meu rabo. Despi as calças e os boxers e procurei olhar para o rabo. O problema é que, como qualquer pessoa bem sabe, nós temos os olhos na parte da frente do corpo e o rabo na parte de trás, o que é um mecanismo espectacular quando se trata de ver os rabos das outras pessoas mas revela-se muito limitado quando o objectivo é observarmos o nosso próprio rabiosque. Assim, andei uns bons 30 segundos a forçar o pescoço para conseguir olhar o traseiro. Mais parecia um canídeo atrás da própria cauda e arrisquei-me até a torcer o pescoço, estilo Linda Blair no Exorcista...

Desisti e passei a outra táctica. Se não conseguia olhar directamente para o meu próprio rabo sem ir parar ao hospital, o melhor seria utilizar um jogo de espelhos. Dirigi-me à casa de banho, peguei num espelho pequeno e pus-me entre este e o espelho maior que está pregado à parede. Porém, quando estava a tentar ajeitar a minha posição e a dos espelhos, de modo a conseguir vislumbrar o meu rabo em toda a sua majestade, a gaja arremeteu pela casa de banho adentro e começou a perguntar, aos berros, o que é que eu estava a fazer ali, nu da cintura para baixo, entre dois espelhos, como se isto fosse uma coisa extraordinária e singular. Como lhe respondi estar a tentar olhar para o meu próprio rabo, ela levou a palma da mão à testa e paf, com um sonoro estalo procurou fazer entender que sim, afinal o que eu estava a fazer era apenas uma coisa estúpida. Lá saiu da divisão e voltou para as suas coisas de gaja, tipo olhar para catálogos de sapatos e afins, abandonando-me na minha missão de perceber o meu rabo.

Finalmente encontrei a posição ideal e pus-me a ver. Aquele rabo, ali revelado no pequeno espelho diante de mim, parecia-me não valer um cu. Nada se assemelhava aos rabos jeitosos das gajas boas (ver alguns exemplos acima). Pêlos dominavam a paisagem do nalguedo. Comecei a achar que a gaja, afinal, havia mentido quando avaliara a jeitosidade do meu rabo, algo que não é muito normal nela, excepto quando afirma que o Benfica é muita bom e joga muita bem e é o maior clube do mundo.

Optei então por procurar segundas opiniões. Mas a quem eu poderia perguntar se o meu rabo estava a ficar jeitoso?! Pus-me a fazer uma lista.

Em primeiro lugar, coloquei as gajas minhas amigas. Esperava que elas pudessem opinar, com sinceridade, acerca do meu rabo. Contudo, isto traria dois riscos, um enorme e outro descomunal como um tsunami que rebentasse com o sudoeste asiático. Se eu chegasse junto de uma gaja minha amiga, baixasse as calças, mostrasse o rabo e perguntasse "Ouve lá, achas que o meu rabo é jeitoso?", provavelmente ocorreriam duas coisas. Uma - o risco enorme - era que essa gaja deixasse automaticamente de ser minha amiga. Outra - o risco descomunal-à-tsunami -, era que essa gaja fosse contar à minha gaja que eu tinha estado junto daquela gaja para lhe mostrar o rabo. Se isto acontecesse, era certo e certinho que, chegado a casa, teria como recepção uma vassoura pelo meu rabo acima. Abandonei então esta possibilidade.

Escrevi na lista a hipótese seguinte: gajos heterossexuais meus amigos. Mas torci logo o nariz a isto. Afinal, se eu revelasse o meu rabo a qualquer um dos meus amigos, temo que eles deixassem de me considerar bom da cabeça (é, tenho andado a enganá-los estes anos todos...) e, pior ainda, que deixassem de me considerar heterossexual, pois qual é o heterossexual que anda por aí a mostrar o seu rabo aos amigos e a perguntar-lhes se acham esse rabo jeitoso?! Isso, naturalmente, produziria danos tremendos à minha imagem, já para não falar nos danos que poderiam ser produzidos no meu rabo caso fosse corrido ao pontapé no momento em que eu arriasse as calças.

Só uma possibilidade, esgotadas aquelas duas, me parecia então viável. Pedir a opinião aos meus amigos homossexuais. Parecia a solução perfeita: estão habituados a olhar para rabos de gajos, não me escorraçariam caso lhes mostrasse o meu e dificilmente correriam a contar essa história à minha gaja. Sim, era mesmo a solução perfeita... não fosse por um pequeno pormenor! É que também aqui se verificavam riscos, e riscos daqueles bem chatos. Raciocinem comigo: eu chegava junto de um ou mais amigos gays, pedia-lhes que avaliassem o meu rabo, eles como é óbvio assentiriam, eu baixava as calças, tirava os boxers e pimba, o meu rabo surgiria no campo de visão daquela gente. Eis o que poderia acontecer:

1 - O meu rabo ser mal avaliado. Calculem agora o que isto significava para a minha auto-estima. Depois de ter escutado, da gaja, que o meu rabo era jeitoso, imaginem como eu ficaria caso o Paulinho, ou o J.P., ou o Tó Zé, ou os três juntos, me dissessem, como se fossem um Tim Gunn da rabetice (oh, que ironia...): "Hmmm, pois, Peter of Pan, sabes... hmmm, esse rabo e tal... pois... não sei se já alguma vez viste o rabo do Clooney, ah, o rabo do Clooney... ou o do Brad Pitt no Tróia... ah, o rabo do Brad Pitt... ou mesmo o rabo do Carlitos de Campolide... ah, o rabo do Carlitos de Campolide... esses é que são uns belos rabos. O teu, bem... Peter of Pan, como hei-de dizer-te isto sem ferir os teus sentimentos? Olha, o teu rabo é uma merda! É horrível. Isso nem devia ser chamado de rabo. É tão, mas tão feio que parece o Orçamento de Estado". Isto era uma coisa capaz de dar cabo de mim, o meu rabo não ser capaz de satisfazer os padrões dos gays...

2 - O meu rabo ser bem avaliado. Aqui, a coisa seria muito simples: o que me aconteceria se, ao mostrar o meu rabo a um ou mais amigos gays, a opinião fosse consensualmente positiva?! Já imaginaram o que poderia, na sequência, acontecer ao meu rabo?! Que homem heterossexual mas interessado em saber o grau de beleza da sua própria - e inviolável - bundinha está disposto a colocar-se numa situação dessas?! Que homem arrisca a vida do seu próprio rabo só para saber se esse mesmo rabo é bom? Parece que já estou novamente a ver o Paulinho, ou o J.P., ou o ToZé, ou os três, a avaliar o meu rabo: "Hmmm, Peter of Pan, esse teu rabo parece-me mesmo bom. Mas para poder ter a certeza, tenho de lhe mexer. Uiiiii, que belo rabinho, nem o Carlitos de Campolide tem um rabo assim tão jeitoso, mesmo bom. Preciso só de ver mais um pormenor, mas para isso vou ter de baixar também as minhas calças!". Estão a captar a cena, não estão?!?!

Achei então que não valia a pena e abandonei a minha demanda. Mas só momentaneamente, pois a questão de saber se o meu rabo é ou não jeitoso atormenta-me, não me tendo mesmo deixado dormir bem esta noite (passei-a a coçar o cu!). Pensei na questão durante o duche. Pensei mais ainda durante o pequeno-almoço. E continuei a pensar enquanto me dirigia para o trabalho. E foi aqui, entre duas olhadela às mamas da gaja que se sentou à minha frente no comboio, que surgiu uma nova possibilidade: tirar uma fotografia ao meu próprio rabo e postá-la aqui mesmo, neste blogue. E vocês, leitores, avaliariam a estética do meu traseiro. Que acham? Acham bem, acham mal? Votem aqui para eu ter uma percepção da coisa e saber se posto o meu rabo cá no estaminé!

Devo eu colocar uma fotografia do meu rabo neste blogue?
Se o fizeres, nunca mais venho aqui
Mete antes as mamas da Rita Pereira
Apenas se estiveres vestido
Mete antes as mamas da Gemma Atkinson
Tenho medo do teu rabo
Mete antes as mamas da Nereida
Isso eu pagaria para ver
Mete antes as mamas da Marta Leite de Castro
pollcode.com free polls
Fico então à vossa espera...

quarta-feira, janeiro 05, 2011

More seca than you could possibly imagine*

Eram quatro músicos tão, mas tão gordos, que decidiram formar uma banda gástrica!






*E agora identifiquem lá o filme em que me inspirei para criar o título... dou-vos duas pistas: é um filme muito cultuado por nerds, e é um filme onde uma das personagens foi claramente decalcada no físico do Tony Ramos, por um lado, e na capacidade retórica de um jogador de futebol, por outro.

terça-feira, janeiro 04, 2011

Pequenas secas para o 2011 que agora começa

- Quando é que uma sopa fica uma "ganda maluca"?
- Quando está bem passada...

- Como se chama o programa de televisão em que várias pessoas são colocadas num ginásio para tentarem perder o umbigo?
-Umbiggest loser.

- Se a Paris Hilton fizesse um filme com o Godard, que filme seria esse?
- A Cu Assado.

Ora tomem lá, mesmo secas e estúpidas. É bem feito, quem é que vos manda vir aqui quando deviam era estar a trabalhar?!?!

segunda-feira, janeiro 03, 2011

São momentos como estes que fazem um gajo levantar-se da cama e sentir orgulho de ser português

Quando o fim-de-semana nos brinda com factos deste jaez:

1 - o Porto levou no pacote. O que é Nacional é bom!

2 - o candidato do PND à Presidência da República acusou o actual detentor do cargo, Cavaco Silva, de se assemelhar - e cito - a uma "miss do mundo" (sic)

3 - a TVI exibiu, ontem à noite, um filme em que a Cláudia Vieira mostra as mamas

é porque estamos no país certo, um país que nos anima, e já nos arrependemos de sequer equacionar emigrar para a Noruega!

Um bom 2011!