terça-feira, abril 05, 2011

Não percebo!

Quando eu, embalado pelos decibéis que estoiram no meu leitor de mp3, começo a abanar a cabeça no comboio e a bater o pé, sou imediatamente olhado de soslaio por toda a gente, os seguranças são chamados, marcam-se números no telemóvel e pergunta-se quando é que os senhores da camisa de força chegam... mas quando é este palhaço a dançar no meio da rua, já ninguém diz nada, se for preciso até acham muito giro e cool e o diabo a sete.



Mas que raio de dois pesos e duas medidas...

Ah, e garanto que abano a cabeça e bato o pé com muito mais estilo do que o Hugh Jackman dança, ok?

segunda-feira, abril 04, 2011

Homeopatia de #*&%@

Como nos últimos meses (anos?!?!) tenho vindo a notar um crescimento inexplicável da minha pança, assim como se fosse tipo um défice, e a comparação não é absurda, pois o défice, tal como a pança, tendem a crescer quanto mais se consome, decidi tomar medidas. Virei-me, então para a homeopatia. Enfim, vocês sabem, a homeopatia. Não, a homeopatia não é uma tia homossexual, deixem de ser ignorantes. É, isso sim, um tipo de medicina alternativa (mas, contrariamente a outras cenas alternativas, não cheira mal nem usa dreadlocks) caracterizada por curar as maleitas através da prescrição, em doses pequenas, daquilo que provocou a maleita. Outra comparação permitirá ilustrar a coisa mais eficazmente: o Sócrates deu cabo do país, certo? Por outras palavras, o país levou uma dose tão grande de Sócrates, que ficou doente. Ora, o que a homeopatia diz é que, se queremos curar o doente, temos de servi-lo com doses pequenas daquilo que o pôs mal. Neste caso, seria cortar o Sócrates aos bocadinhos e dá-lo ao país, um pedacito de cada vez. Em teoria, isto parece-me mais do que bem: parece-me até perfeito!

Bom, foi mais ou menos isso que resolvi fazer em relação à minha pança. E desenganem-se, pois não se tratou de comer bocados de Sócrates às refeições: eu sou vegetariano, caramba! Isso exclui-me de comer animais, mesmo irracionais. O que eu quero dizer é que procurei valer-me dos princípios da homeopatia: se a minha pança cresceu porque eu andava a comer muito, então a solução teria de passar por dar à minha pança doses mais pequenas de comida. Foi então que, nas últimas semanas, andei a comer doses de periquito: uma coisita aqui, outra ali, mais outra acolá, em lugar de enfardar tudo o que me aparecesse à frente a torto e a direito. Por exemplo, antes, quando ia ao almoço, enfiava tudo o que pudesse enfiar em cima do prato e nhac, nhac, nhac, era comer até o fundo ficar todo reluzente. Agora não: em respeito pelos princípios homeopáticos, mas também da nouvelle cuisine française, pego num prato, coloco umas poucas coisinhas, assim sei lá, uma alface e um tomatito, e como. Depois, pego novamente no prato, vou buscar mais coisinhas, e como. Depois disso, vou buscar mais umas cenas... e como. E assim sucessivamente, em doses sempre pequenininhas!

Resultados desta minha auto-medicação?! Estes: NÃO ESTÁ A RESULTAR!!!!! A homeopatia é uma treta e quem a inventou devia, sei lá, ser seviciado pelo esfíncter em doses cavalares. As doses mais pequenas não curam nada, pá! De tanta dose pequena que tenho consumido, a minha pança já cresceu mais uns quantos centímetros de diâmetro...

sexta-feira, abril 01, 2011

Já agora, só falta virem dizer que os álbuns do Abrunhosa eliminam o chulé

A quinta sinfonia do Beethoven dá cabo do cancro, de acordo com uma investigação.

Bem cantava o Paco Bandeira... "minha quinta sinfonia..."

[Ah, bem sei que isto parece uma notícia de 1 de Abril, mas não é. Se estiverem com atenção, verificam que a data da coisa é 29 de Março. A ciência consegue ser mais estranha que a aldrabice!...]


Bom fim-de-semana

quinta-feira, março 31, 2011

Slayer + Megadeth: o rescaldo


Mais do que um concerto, o que se viveu ontem no Pavilhão Atlântico foi uma celebração. Dois dinossauros do heavy metal vieram a Lisboa, atraindo ao Parque das Nações uma multidão de gente feita, e eu no meio. As pessoas ditas "normais" que por ali passeavam decerto estranharam aquela invasão de indivíduos vestidos de preto: podia ler-se, naquelas expressões de espanto de quem se cruzava com milhares de metaleiros, algo como "Olá!... mas tanta gente de preto porquê?! Querem ver que Portugal finalmente morreu e hoje é o dia do funeral?! E ninguém me avisa?! E se Portugal morreu, isso quer dizer que já não pago mais impostos?".

Mas nestas ocasiões, o preto é mesmo obrigatório. À entrada do recinto, vi um gajo cuja t-shirt era só preta na parte de cima e ele foi logo cercado por meia dúzia de guedelhudos, pontapeado, socado, arrastado pelo chão e atropelado por um automóvel até o resto da t-shirt ficar toda preta. Eu próprio fui abordado, visto que tinha levado umas calças clarinhas, e só me safei graças à minha prodigiosa presença de espírito, que reproduzo no diálogo abaixo:

Grupo de metaleiros: ouve lá, que 'tás aqui a fazer?
Eu: venho ver o concerto, oras!
Grupo de metaleiros: mas... e essas calças?! Essas calças não são pretas! Assim não entras!
Eu: sim, eu sei, mas é de propósito. Vesti umas calças clarinhas por uma questão de ironia!
Grupo de metaleiros: hmm... hã... (sussurando uns para os outros) O que é uma ironia, meu?!... hmmm... hã... (para mim) Pronto, está bem, passa lá, mas não ironizes muito, 'tá bem?!

Mas não é só a vestimenta que caracteriza a tribo metaleira. Nós, metaleiros, temos uma forma muito particular de comunicarmos. Antes de mais, os gestos são muito importantes. Saber fazer corninhos com as mãos é fundamental. E há toda uma semiótica no headbanging. Não se pense, porém, que os metaleiros descuram a comunicação verbal: comunicamos verbalmente, sim! Aliás, a comunicação verbal é tão indispensável que nós, metaleiros, não falamos uns com os outros - GRITAMOS! Tudo em prol de uma maior eficácia comunicativa e para que se perca menos da mensagem no trânsito desta entre o emissor e o receptor. Assim, ninguém, nas filas para se entrar no Pavilhão Atlântico, perguntava "Então, e o que achaste do último álbum de Slayer?". O que acontecia era:

Um metaleiro: ENTÃO, E O QUE ACHASTE DO ÚLTIMO ÁLBUM DE SLAYER?
Outro metaleiro: O QUÊ?! GRITA MAIS ALTO PARA QUE O TEU DISCURSO NÃO SE PERCA NO MEIO DESTE CANAL DE COMUNICAÇÃO TÃO PERNICIOSO COMO É O AR, E EU ASSIM POSSA RESPONDER-TE COM IGUAL EFICÁCIA!
Um metaleiro: ENTÃO, E O QUE ACHASTE DO ÚLTIMO ÁLBUM DE SLAYER, C*RALHO?!
Outro metaleiro: O ÚLTIMO DE SLAYER? F*DA-SE, ESPECTÁCULO! SLAAAAAAYEEEEER!!
Todos os metaleiros em redor: AQUELE GAJO GRITOU SLAYER?! SLAAAAAAAAYEEEEER!!!

E depois pronto, fica tudo aos berros a gritar os nomes das bandas, pois é algo que também faz parte dos preparativos para um concerto. "MEGADETH" e "SLAYER" foram, portanto, os vocábulos mais escutados na noite passada, mas posso jurar que também vi um estúpido qualquer a gritar "GODINHO LOPES", mas esse foi rapidamente calado através de uma grade de ferro aplicada mesmo bem no meio dos cornos.

Contudo, estes casos de violência são apenas a excepção. Por detrás da aparência agressiva, nós metaleiros somos uns amores de pessoas. Sim, andamos à biqueirada e ao mosh durante os concertos, mas tudo dentro de uma atmosfera saudável e solidária. Se um gajo falha um mosh e aterra de tromba no meio do chão, os outros metaleiros são solícitos em descolar-lhe a cara do soalho. Se um tipo apanha uma fractura exposta como resultado de uma biqueirada mandada por um metaleiro com Doc Martens, os outros metaleiros aplicam-lhe logo ali um torniquete. Vejam lá se vêem disto nos concertos do Tony Carreira. É o vêem... aí sim, há violência gratuita e pancada da grossa, como comprova um vídeo recentemente exibido no youtube, mas que eu não vou aqui reproduzir porque estamos num tópico de música de qualidade.

A comprovar o agradável ambiente que se vivia no Pavilhão Atlântico estão as várias famílias que por lá vi passar. Sendo duas bandas com carreiras de quase 30 anos, é natural que os seus fãs atravessem gerações, mas apanhar com um pai de 50 anos, envergando uma longsleeve de Slayer (ups, desculpem: SLAAAAAAYEEEEEER! Assim é que é!) e um casaco de cabedal, a acompanhar a filha de não mais de 15, também ela vestida a rigor, e o namorado desta, foi algo que quase me fez chegar as lágrimas aos olhos. E também vi, já no final do concerto, outro pai, igualmente cinquentão, com a mão no ombro do filho, um petiz de aí uns 12 anos, e a perguntar-lhe "Então, e gostaste do riff da Black Magic? Foi lindo, não foi?". São coisas destas, pá, que me fazem pensar que o mundo, afinal, ainda pode ter solução.

Bom, mas e quanto aos concertos em si?! Eis a minha opinião: quando estamos perante dois pesos pesados da envergadura de Megadeth e Slayer, é quase certo que não pode sair um mau espectáculo. O de ontem foi bom, e só não foi melhor porque o Pavilhão Atlântico tem a mania de brindar a assistência com uma acústica, digamos, ora qual é a melhor palavra... ah, merdosa. O som estava em muitos momentos algo embrulhado, o que tinha como consequência fazer o heavy metal que brotava dos amplificadores assemelhar-se a barulho. A BARULHO! Ora, onde é que já se viu, apanhar com barulho num concerto de heavy metal?!? Tss, tss...

Uma última nota, esta mais pessoal. Sim, estou todo partido. Tenho um calcanhar todo lixado e a zona cervical toda f*dida, fruto decerto de tanto tempo seguido em furioso headbanging. E tenho sono, bolas. Mesmo sono. Tanto sono que hoje de manhã, por engano, quase enfiei umas calças da gaja. Felizmente, dei pela coisa a tempo no momento em que, ao forçar uma das pernas, rasguei as calças. Ainda bem que tal sucedeu, senão poderia ter ocorrido uma tragédia...

quarta-feira, março 30, 2011

Eu sei que esta pergunta, atirada assim ao ar, parece não ter nexo nenhum, mas...


...este gajo nunca mais morre?!?!

[Não é por nada, trata-se mesmo de uma pergunta inocente]

terça-feira, março 29, 2011

Credo, que imagem horrível que acabei de ter!


É verdade, é verdade. Então não é que estava a almoçar e zás, vi nitidamente, qual beato ou peregrino a ser iluminado pela imagem da Virgem Maria, o Renato Seabra a cantar o YMCA, mas com um twist muito seu: a música era igualzinha, mas a letra do refrão mudava de YMCA (ou seja, uáiémeçíei) para o sugestivo "Já não sou gay", supostamente as últimas palavras que terá dito ao Carlos Castro antes de este ser castrado (hmmm... what's in a name?!).

E mais: vi também nitidamente uma cena digna de um musical do La Féria. Em plena sala de tribunal, o juiz vira-se para o Renato e pergunta-lhe "Do you have anything to say?". E o Renato, claro, levanta-se e canta o "Já não sou gay", com coreografia e tudo, e todo o tribunal aplaude e junta-se-lhe em coro!

É ou não é isto horrível? E estúpido? Pois é...

segunda-feira, março 28, 2011

O Sporting é mesmo um clube diferente: o lema é "agrida um presidente"!


O Sporting é um clube lindo. É um clube maravilhoso. É um clube original. É um clube que não ganha nada, mas ao menos diverte. Num outro clube qualquer (enfim, os "vulgares"), a eleição de um novo presidente seria alvo de celebração, de festa, de júbilo, abrir-se-iam garrafas de champanhe, empunhar-se-iam cachecóis, cantar-se-iam versos de vitória. Enfim, merdas que já estão mais do que vistas. No Sporting, essas banalidades não têm lugar. No Sporting, o vencedor de uma eleição come nas trombas.

A mim, que tenho simpatias anarco-esquerdistas, ninguém me convence de que esta não é a atitude mais correcta. Considero refrescante, num mundo onde os líderes recém-eleitos são aplaudidos e levados literalmente aos ombros, que haja uma ocasião na qual o manda-chuva é presenteado com um enxerto de porrada. Se este exemplo fosse seguido noutras partes, o mundo em que vivemos seria decerto um mundo muito melhor.

Aliás, espero que o mundo tenha os olhos postos no Sporting (mas não convém ter os olhos postos muito de perto, porque pode haver o risco de se ficar com um olho, não à Sporting, mas à Belenenses...). Mais do que a Academia de Alcochete, que tantos craques tem dado ao futebol, as eleições de 2011 no SCP são um motivo de orgulho! Porque preconizam uma viragem na forma de fazer política: as pessoas já estão fartas e cansadas de promessas vãs, que sabem jamais virem a ser cumpridas. Doravante, o que qualquer eleitor quererá é partir a cara ao eleito. Minha gente, se isto não é a tão falada "proximidade entre eleitos e eleitores", não sei o que será! Há momento em que um cidadão se aproxime mais de um líder do que quando lhe afinfa uma batata nos cornos?! Creio que não.

Com sorte, as próprias campanhas eleitorais irão mudar de tom, e eu só espero que as legislativas portuguesas que se anunciam interiorizem desde já esse novo conceito. E o novo conceito de campanha já não é o de "emprego para todos", "descida dos impostos", ou, à escala do futebol, "Messi no Sporting", "Djaló no Benfica", "a perna direita do Anderson Polga no Porto" e sim:

Candidato A "Vota em mim e parte-me o nariz"

Candidato B "Queres atirar-me com grades de ferro? Então dá-me o teu voto"

Candidato C "Tenho uma experiência de 30 anos sempre a levar porrada. Sou o mais competente. Mas preciso de ti. Vem dar-me uma cabeçada. Juntos venceremos!"

Candidato D "Os outros candidatos são uns maricas. Eu é que sei levar pancada de criar bicho. Vota em mim e parte-me a espinha com um taco de basebol"

E depois, pá, todos os debates televisivos serão mais animados. Já viram o que é o candidato B a acusar o candidato A de uma vez se ter desviado de um soco?! Ou o candidato D a virar-se para o candidato C com esta "ah, o senhor está para aí a mandar postas de pescada, mas da última vez que ganhou as eleições, fizeram-lhe uma espera, deitaram-no ao chão, cobriram-no de pontapés e o que você fez, hã? Pediu às pessoas para pararem! Ora, não é de alguém assim que este clube/esta cidade/este país [riscar o que não interessa] precisa".

Coisa mais linda, caramba. Digam lá se isto não é melhor do que conquistar uma Liga dos Campeões...

sexta-feira, março 25, 2011

Descubram as diferenças

entre isto



e isto



Bom fim-de-semana.

quinta-feira, março 24, 2011

Extra, extra: Sócrates vai dedicar-se à música de intervenção!

É verdade! Ninguém sabia disto, nem o Cavaco, mas eu descobri: Sócrates, depois da demissão do cargo de primeiro-ministro, encontra-se a preparar uma carreira no mundo da música, carreira essa que se inspirará nos recentes sucessos de intervenção de grupos como os Deolinda e os Homens da Luta. O primeiro álbum já está praticamente concluído, tendo sido gravado e produzido nos estúdios da senhora Angela Merkel em Berlim. O alinhamento, esse, inclui:

1 - E o Governo, pá? [cover de Homens da Luta]
2 - PEC Filosofal [cover de Manuel Freire]
3 - Traz outro FMI também [cover de Zeca Afonso]
4 - Que PEC que sou [cover de Deolinda]
5 - Uma cantiga de 150 mil empregos [cover de Fausto Bordalo Dias]
6 - Tourada à Manuel Pinho [cover de Fernando Tordo]
7 - Foram-se os Cavacos, foram-se as Rosas [cover de Manuela Moura Guedes] *
8 - Anarchy in the A.R./God Save the Merkel [cover e medley de Sex Pistols] **

* ainda não foi dada autorização pela intérprete e jornalista. O preço, segundo consta, é a devolução de um telejornal na TVI, mas Sócrates alega que o Governo de gestão não tem poderes para tal. Veremos como correm as negociações.

** cantadas em inglês técnico.


Caramba, isto tem tudo para ficar nos tops até às próximas eleições!

quarta-feira, março 23, 2011

Muito desagradável

Não, não é um post sobre o actual [sim, "actual". O acordo ortográfico ainda não meteu os pés neste blog] estado do país. O que apelido de "muito desagradável" foi ter, há minutos, apanhado com um ressonador profissional no lugar imediatamente diante do meu no comboio. De início, a situação até não parecia problemática, pois limitei-me a sentar-me diante do javali senhor que, embora extremamente gordo, teve a sensibilidade de afastar os troncos as pernas para me deixar ocupar o lugar. Depois tudo correu como normal: fones nos ouvidos, pasta no meu colo, livro retirado do interior da pasta, lápis do Ikea na mão e estava pronto para ser acompanhado pela leitura e pelo heavy metal até chegar ao meu destino.

Eis senão quando começo a ouvir uns sons simultaneamente estranhos e familiares. Familiares porque já ouvira algo semelhante; estranhos porque não estava a perceber de onde provinham. À partida, pensei que era do leitor mp3: ouço muitas bandas cujos vocalistas gritam, urram e grunhem, bem que poderia estar a apanhar com um que ressonasse. Mas não, lá me apercebi que o ronco não provinha dos meus fones. Foi aí que levantei os olhos das páginas e olhei em frente: o porco gordo senhor estava com a cabeça encostada à janela e ressonava em alto e bom som. Ressonava tanto que todas as outras pessoas presentes no comboio contemplavam, desdenhosamente, o espectáculo. Eu, para melhor apreciá-lo, tirei os fones, acção de que de imediato me arrependi, porque fui "agraciado" com um ronco de tal tamanho que cheguei a confundi-lo com o som de um tsunami. Não que eu alguma vez tenha estado diante de um tsunami, mas julgo que o som produzido pelo embater de milhares de milhões de toneladas de metros cúbicos de água numa qualquer superfície não deve andar muito longe do som que aquele arraçado de hipopótamo pré-histórico sujeito acabara de produzir.

Perante tais factos, e ao contrário de pessoas ligadas ao Partido Socialista que, quando vêem as coisas correrem mal, nada fazem, resolvi agir. E agi dando um subtil pontapé no javardo à minha frente. Não funcionou. Ouviu-se mais um ronco. Dei um novo pontapé, desta feita com mais força. Também não funcionou, para meu desapontamento. Meu e de todas as outras pessoas daquela carruagem, que olhavam para mim como uma espécie de Marco Van Basten que vem salvar o Sporting. Respirei fundo. Cruzei olhares com todos os outros passageiros, que pareciam dizer-me "Força, rapaz. Vai. Dá-lhe! Estamos contigo! És bonito, inteligente e tens todo o ar de quem gosta de mamas. És o nosso homem. Liberta-nos!" Era tudo o que precisava: ao mesmo tempo que lançava para fora o ar do meu peito, espetei no mamute uma daquelas pantufadas que deixariam orgulhosos o Maniche, o Petit ou até mesmo o Bruno Alves. O resultado foi imediato: o roncador lá despertou do seu profundo sono e, estremunhado, olhou em redor, como se tomasse pela primeira vez consciência do local onde se encontrava. Eu, claro, já tinha colocado a máscara do "gajo que está a ouvir fones e a ler um livrinho e portanto anda completamente alheio a tudo o que está a ocorrer à sua volta". Pelo canto do olho, ainda vi aquela espécie de texugo o senhor a coçar a perna, como se alguma coisa o tivesse picado. E vi também alguns sorrisos trocados entre os restantes passageiros: se as contas do país andassem na linha, se o Presidente da República e o primeiro-ministro fossem pessoas de confiança e se o ministro das Finanças percebesse realmente alguma coisa daquilo, tenho a certeza de que aquela gente no comboio me proporia, logo ali, uma Grã-Cruz da Ordem do Infante, um subsídio vitalício mensal não inferior a 50000 € e uma GameBox para todos os jogos a disputar no Alvalade XXI.

Bom, só sei que o imperador do ronco tipo não voltou a ressonar, o que permitiu a todos nós fazermos o resto da viagem na paz e no sossego habituais. O que, para mim, equivale a ler coisas que metem sangue e vísceras e a ouvir gajos a grunhir coisas que metem sangue e vísceras. Roncos é que não, pá! Isso é muito desagradável!

terça-feira, março 22, 2011

Se houver eleições legislativas antecipadas...

...qual dos partidos irá apresentar como trunfo eleitoral o Marco Van Basten?!

segunda-feira, março 21, 2011

Um post para celebrar o Dia Mundial da Poesia

Pois é. Hoje tem o seu início a Primavera. E é também o Dia Mundial da Poesia. É, portanto, daqueles dias em que as gajas e os gays andam todos excitados, mais excitados do que os militantes do CDS/PP com a possibilidade de voltarem ao poder e assim comprarem mais submarinos, mandarem abaixo mais sobreiros, rebentarem mais serras da Arrábida, colocarem mais Celestes Cardonas nas administrações da CGD, destruírem mais documentação do ministério da Defesa, enfim...

Bom, mas como forma de celebrar esta dupla ocorrência, deixo-vos aqui com três poemetos de minha lavra, que se caracterizam por não serem nada primaveris nem nada poéticos. Ou seja, são muito másculos. Enjoy!

Poema 1: uma singela quadra

Lânguido é o meu despertar
Visto-me e vou trabalhar
Mas é difícil ter trabalho
Ó Sócrates, vai pró caralho!

Poema 2: dois tercetos simples

Ao descer da banheira
Cometi uma asneira
E mandei um tralho

Fiquei c'uma nalga aleijada
No cu, passei pomada
Ó Sócrates, vai pró caralho!

Poema 3: um simples e singelo haiku

Os dias de canícula
começaram
Ó Sócrates, vai pró caralho!


Então, que tal vos parece, hã?!
Justificar completamente

sábado, março 19, 2011

Aviso já que quem não tem isto, é feio!




Uma das melhores britcoms de todos os tempos, com Rowan Atkinson no seu auge. Ah, e o Hugh Laurie também aparece, mais valia ter ficado só pelas britcoms em vez de ter enveredado pela interpretação de médicos coxos.

sexta-feira, março 18, 2011

Porto, Braga, Benfica e o futebol português em geral têm de agradecer ao Sporting

Anda toda a gente a elogiar o desempenho das equipas portuguesas na Liga Europa e coiso, andam todos a embandeirar em arco porque é a primeira vez que três equipas portuguesas se qualificam para os quartos-de-final da competição e mais não sei o quê, mas todos se esqueceram de prestar homenagem ao clube a que mais se deve esse feito: o SCP. E porquê?! Porque, ao não jogar, o Sporting não perdeu, e ao não perder, não tivemos nenhuma equipa eliminada nesta fase, e ao não termos nenhuma equipa eliminada nesta fase, o índice dos clubes portugueses subiu face aos países principais adversários. E isto, meus caros, é muito mais importante do que tudo o resto. E isto há que agradecer ao Sporting, só ao Sporting. Se o Sporting jogasse, perderia, e se perdesse, lá descíamos outra vez no ranking (algo a que o país, nos últimos tempos, se vem habituando)...

Portanto, deixem-se lá desses elogios ocos a Benfica, Porto e Braga e larguem hossanas ao clube que realmente merece: o Sporting Clube de Portugal!

Esforço, dedicação, devoção e glória: eis o Sporting...







...quando não joga!

quinta-feira, março 17, 2011

Depois do Orçamento do Queijo...

...arriscamo-nos a apanhar com o PEC do Golfe. É bonito quando as decisões políticas de um país são motivadas por razões tão elevadas. É mesmo bonito. Já agora, para quando um Pacto de Justiça da Sardinha Assada e um Choque Fiscal da Bisca Lambida?! Cá aguardo...

Ah, não sei se já repararam, mas há uns pivots de telejornais que têm um sentido de humor tão negro que deixa qualquer um de olhos em bico. Então não é que há quem diga - juro que já apanhei o Rodrigo Guedes de Carvalho nisto! -, em vez de Japão, "Chapão"?!? Pá, é verdade que eles levaram com uma onda em cima, mas "Chapão"?!? Alguém dê lições de dicção a esta gente...

quarta-feira, março 16, 2011

Quando me vêm perguntar

- Sprechen sie deutsch?

e eu respondo

- Nein!

na verdade estou a fazer o quê?! Estou a dizer que não, não sei falar alemão? Ou, pelo contrário, estou a dizer que percebi a pergunta, respondi na linguagem que eu disse que não falava mas não me apetece desenvolver mais a coisa? Ou estou só a ser desagradável?!

terça-feira, março 15, 2011

Querem uma solução para as finanças do país?! Ei-la

É nas alturas mais difíceis que se exigem grandes ideias. Não tenho a menor dúvida de que aquela que seguidamente apresentarei o é. Basta acompanharem-me. Portugal está mal de finanças, não está?! O governo é criticado cada vez mais a cada dia que passa, não é?! O povo já não pode suportar mais cortes, impostos e sacrifícios, pois não?!

Então proponho o seguinte para matar de uma vez por todas os problemas que assolam Portugal e que quase nos fazem desejar, por comparação, sermos japoneses: mande-se às lhufas todas as medidas propostas nos vários PECs, acabe-se com o IRS e o IVA e institua-se apenas um pequeno impostozinho, o IEG ou Imposto Sobre o Escárnio ao Governo. E o que vai colectar este imposto? Bem, qualquer comentário menos abonatório acerca do governo é desde logo taxado com o IEG. Se alguém escrever nos jornais "O Sócrates é um totó e não percebe nada disto", embora diga a verdade, leva com o IEG. Dois velhotes na tasca em diálogo contra o ministro das Finanças, podem ter direito a uma bejeca de graça por parte do dono do estabelecimento, mas pagam IEG.

Esta proposta tem um efeito duplo: tendo em conta as coisas que por aí se vão dizendo sobre o governo, creio que a implementação do IEG só precisará de dois dias (48 horas, portanto) para inverter o estado da balança comercial do país, acabando desde logo com o défice e a ameaça de bancarrota. Depois, outro aspecto que não é de desprezar, o IEG é um imposto que obedece à regra de "quanto pior, melhor". Ou seja, quanto mais merda o governo fizer - e não é preciso ser a Maya para adivinhar que o governo continuará a fazer muita merda! -, mais as pessoas tenderão a reclamar, e aí pimba, mais o IEG dará os seus frutos.

É uma ideia mesmo boa, não é?! Também acho. Como recompensa, só peço um lugarzinho de administrador numa qualquer empresa pública. Obrigadinhos!

segunda-feira, março 14, 2011

Rever filmes: porquê?!

Há quem muito se espante por eu admitir que gosto muito de rever filmes. Sim, já vi o Pulp Fiction, seguramente, mais de 15 vezes. O Predador, que é o melhor filme chunga de todos os tempos, com cenas e diálogos inesquecíveis, já vi aí umas 8 ou 9 vezes. O mesmo vale para Matrix. Fala com Ela. JFK. O Gosto dos Outros. Quatro Casamentos e Um Funeral. Monty Python e a Busca Pelo Cálice Sagrado. A Vida de Brian. South Park, o Filme. E um longo, longo etc.

Rever um filme é, muitas vezes, descobri-lo pela primeira vez. Seja porque há coisas de que nós não nos recordamos mais, seja porque passamos a olhar outras coisas através de um prisma diferente, seja ainda porque não apanhamos outras logo de início. Mal comparado, é como uma mamoca: da primeira vez que a observamos, há muitas coisas que nos escapam. É então preciso olhá-la de novo, repetidas vezes, de vários ângulos e debaixo de diferentes condições. É que a mamoca revela-nos novas coisas consoante a olhamos de cima, de baixo, de lado, se a humedecemos com um pano molhado, enfim, as possibilidades são múltiplas. Atire o primeiro implante de silicone quem olhou tudo o que há para olhar numa mamoca logo à primeira!

Depois há a questão das novas oportunidades (sem conotações PSzísticas, por favor!). Não poucas vezes, acontece-me rever um filme com o qual da primeira vez não fui lá muito à bola. Dois exemplos: quando vi, em plena sala de cinema, o Sinais, do Shyamalan, tinha achado giro e tal, mas nada de especial. Comia-se, vá, mas era daqueles filmes que não tinha vontade de voltar a ver. Até que voltei: estava a passar na TV e fiquei agarrado. E já o vi mais uma mão-cheia de vezes, o suficiente para hoje em dia admitir que é o filme que mais gosto lá do monhé. Sim, mais até que do Sexto Sentido.

O segundo exemplo é o Intervenção Divina, do Elia Suleiman (para quem não sabe, contextualizo: é um filme esquisito). Também o vi pela primeira vez em plena sala de cinema. E saí desta com a mesma sensação que tem quem sai do Alvaláxia XXI: por que é que continuam a insistir no palhaço do Djaló?! Mas também: por que é que fui gastar dinheiro no bilhete?!? Contudo, um dia comprei o DVD naquelas promoções do jornal Público. Sim, parece não fazer sentido: para que raios uma pessoa compra um filme de que não gostou?! A resposta, no entanto, revela haver uma razão para tal: porque achei que valia a pena dar uma segunda oportunidade ao filme. E sabem que mais?! Eu tinha toda a razão, aspecto que, aliás, caracteriza indelevelmente a minha personalidade. Revi a Intervenção Divina ontem e gostei. Muito!

Conclusão primeira: rever filmes pode ser uma actividade tão interessante e fascinante quanto vê-los pela primeira vez. Alturas há até em que, paradoxalmente, rever um filme é vê-lo pela primeira vez!

Conclusão segunda: há coisas para as quais devemos estar sensíveis e dar uma nova oportunidade. Por exemplo, um filme do qual não gostámos da primeira vez. Mas há, pelo menos, uma coisa à qual não se deve dar mais nenhuma puta de oportunidade: sim, o Djaló.

E com isto me fico. Até amanhã.

sexta-feira, março 11, 2011

O Inferno...

...é vir para Lisboa de carro pela 25 de Abril e tentar arranjar lugar de estacionamento.

Devia-se convocar uma manifestação só de repúdio por estas merdas. Se calhar ainda vou à de amanhã e levo um cartaz a dizer "Sim, reclamar contra a precariedade é muito bonito e tal, mas se querem ver o que é sofrer, experimentem lá conduzir na A2 no sentido Sul-Lisboa a partir das 8 horas".

Hmmm, como a frase é muito extensa, se calhar um cartaz não chega. Acho que levo um lençol... de casal... daquelas camas especiais para os concorrentes do The Biggest Loser... da Samoa!

Bom fim-de-semana e evitem as filas de trânsito e os parques de estacionamento congestionados.

quinta-feira, março 10, 2011

Ando à procura de um curso de Introdução à Semiótica do Supermercado

E porque preciso eu disto? Porque, sempre que vou ao supermercado, a gaja vira-se para mim com ordens do tipo

"traz um cacho de bananas, mas nem muito maduras nem muito verdes"

"vai buscar um saco com três courgettes, não são duas, não são quatro, são três. E apalpa-as bem no meio e nas pontas, não quero courgettes moles"

"traz uma alface, que não seja nem muito pequena nem muito grande"

"escolhe uma saca com cebolas, mas vê pela casca se elas estão boas"

"vai buscar meia dúzia de tomates, mas dos pequenininhos, que aqueles que costumas trazer são muito grandes. E não te esqueças de pesá-los"

"tira uns 4 pacotinhos de leite com chocolate, da marca X. Não quero da marca Y. Se não houver leite com chocolate da marca X, traz 4 pacotinhos de leite simples da marca Z. Não quero da marca W. Se não houver leite simples da marca Z, traz antes 4 pacotinhos de Ice Tea da marca K. Não quero da marka Y. Se não houver Ice Tea da marca K, traz... [e continua]"

Isto deixa-me completamente a leste! Bolas, nestas condições ir ao supermercado é mais complicado do que tentar arranjar um acordo de paz para a Líbia!

quarta-feira, março 09, 2011

Breves apontamentos sobre a capital dos palhaç... nuestros hermanos!

Sim, pá, no fim-de-semana passado a gaja pegou em mim e lá fomos os dois para Madrid. Para quem não conhece, o que era o meu caso antes de lá ter ido (duh!!!), Madrid é uma cidade com quase tantos espanhóis quanto o Algarve no verão. Isto, para mim, constitui uma surpresa, principalmente se comparar com Lisboa. Lisboa, a capital de Portugal, quase não tem portugueses: há angolanos, romenos, ucranianos, cabo-verdianos, brasileiros, mas poucos portugueses. Já Madrid tem muitos espanhóis. Enfim, são costumes diferentes, é o que é...

Ora, o facto de Madrid ter muitos espanhóis acabou por trazer consequências inesperadas à minha pessoa. Como noticiei aqui neste post, eu era um apreciador do extinto Canal 18 e pelos vistos ficou alguma coisa desses tempos. E que é, à guisa de Pavlov, isto: quando ouço muita gente ao meu lado a falar espanhol, fico com uma erecção! Caminhar pelas ruas de Madrid fez de mim um autêntico Príapo. Só tive descanso quando passei por ingleses, franceses e portugueses (sim, também estavam por lá uns quantos). De resto, andei quase sempre com a tenda armada, e não estou a referir-me àquelas que podemos comprar em promoção nos supermercados LIDL.

Posso dizer que gostei muito de Madrid. Os leitores com mau gosto já devem estar a pensar: "Pudera, andaste sempre de pau feito!" Mas não foi só isso. Madrid é mesmo fixe. É uma cidade cosmopolita e movimentada, mormente à noite (ainda os ecos da La Movida...). Em certos momentos, tive a sensação de andar pelo meio de um gigante Bairro Alto, pois mesmo às tantas da madrugada havia um grande número de pessoas (isto, claro, partindo do princípio que os espanhóis são pessoas, o que ainda não está cientificamente provado...) nas ruas, cruzando-se nos dois sentidos, falando, gritando, bebendo... É aqui que se percebe a veracidade que se esconde por detrás do slogan Madrid me mata!

E depois há as putas. Sim, pá, as putas! Nunca estive em Amesterdão, mas já estive em Praga, considerada actualmente, pela literatura especializada, ou seja, uns quantos adolescentes masturbadores, a capital europeia do sexo. Porém, nem em Praga vi o enxame de meretrizes, assim, às claras, como vi em Madrid. E em pleno centro histórico da cidade. E à pergunta "eram boas?", a resposta que imediatamente me vem à cabeça (nunca uma expressão esteve tanto dentro de um contexto como esta) é dúplice: primeiro, digo que NÃO SEI, porque a minha gaja já estava a deitar fogo, levando-me a desviar o olhar para outros focos de atenção, como por exemplo os gays que se beijavam impudicamente (as merdas que um tipo se vê obrigado a fazer para não irritar a sua gaja), mas segundo, porque desenvolvi a arte de observar pelo canto do olho, além de ter nascido estrábico, portanto posso estar a olhar para dois sítios completamente diferentes, enganando assim a gaja, posso dizer que SIM, são boas, aquilo é só rameiras jeitosas, novas, sem aquele ar de decadente agarrada que costumamos ver em Lisboa e arredores, enfim, de fazerem cair o queixo a um Sílvio Berlusconi.

É nestes momentos que um gajo se questiona sobre a validade de comemorar uma data como o 1 de Dezembro de 1640, para quem se recorda, o dia em que demos um pontapé no cu dos espanhóis depois de 60 anos de ocupação. Quer-me parecer, ao ver o nível das profissionais sexuais de Madrid em comparação com o das lisboetas, que expulsar os Filipes do país foi uma decisão assim tipo mais ou menos não sei se estão a ver parecida com mandar embora o Liédson do Sporting. O que só prova como os erros estratégicos neste país já vêm de longe, de muito longe. Razão tinha o Saramago quando se mostrava a favor da União Ibérica, e razão têm - por muito que isto custe a aceitar - o Sócrates e o PS para apostarem no TGV. Aliás, depois de ter visto Madrid, ninguém me tira da ideia que a oposição da Manuela Ferreira Leite ao trem de grande velocidade não passa simplesmente de dor de corno.

Em resumo, Madrid é uma cidade com tudo para nos conquistar. Só é pena ficar em Espanha...

sexta-feira, março 04, 2011

O típico diálogo de uma sexta-feira de manhã.

Eu: F*da-se, dói-me a garganta!
Gaja: Que malcriado. A última palavra que te ouvi ontem foi um "f*da-se", a primeira que te ouço hoje é um "f*da-se". Andas mesmo mal educado.
Eu [com toda a elevação e cultura, ou não fosse eu um apreciador de grande parte da literatura ocidental]: Acusas-me de ser mal educado porquê, c*ralho?!?!? [acho que já vi isto no Shakespeare, ou mesmo no Platão. Enfim, deve ter sido num paneleireco qualquer desses]
Gaja: Lá está...

Por esta amostra, a situação parece não abonar muito em meu favor. Porém, as aparências são ilusórias. Em minha defesa, tenho a invocar dois argumentos, que qualquer pessoa de bem compreenderá.

Primeiro argumento:
Juro não me lembrar de ter dito um palavrão antes de me deitar. Afinal, o Sporting ontem não jogou, ou seja, não perdeu, portanto deitei-me satisfeito e feliz da vida. De modos que o "f*da-se" que me é atribuído antes de apagar a luz é provavelmente fruto da imaginação da minha gaja, que insiste em ouvir "f*da-ses" onde eles não existem, tudo debaixo do propósito draconiano e malicioso de

a) acusar-me de ordinário;

b) castigar-me, como se faz às crianças que dizem asneiras à frente dos papás. E lá em casa, o castigo tem um nome, um nome terrível: chama-se "lavar a loiça"! Por exemplo, na quarta-feira fui castigado: o rol de c*ralhadas que mandei logo após o golo do cabrão do espanhol cabrão do lampião filho da puta do paneleiro Javi Garcia teve como consequência a gaja arrastar-me até ao lava-loiça e pôr-me a lavar tachos e panelas e mais tachos e panelas. Quando acabei, ela foi buscar os tachos e panelas dos vizinhos. Quando acabei estes, ela foi bater a todas as portas no raio de 5 km e trouxe todos os tachos e panelas que pôde enfiar dentro de uma carrinha de caixa larga. Fiquei até às 4 da manhã agarrado ao detergente, à esponja, à palha de aço e - adivinharam - a tachos e panelas...

E não me fico por aqui. Se é verdade que disse um "f*da-se" logo pela manhãzinha, o mesmo foi absolutamente justificado, já que acordei com dores de garganta e constipado. Que melhor maneira de uma pessoa apresentar a sua revolta do que com um "f*da-se"?!? Que queriam que eu dissesse? "Florzinhas, florzinhas, dói-me a garganta, ursinhos de peluche, estou constipado, festinhas em gatinhos, tenho o nariz entupido"?!?! Devem estar a brincar, não?! O c*ralhinho!... O meu segundo argumento explanará esta questão com mais detalhe.

Segundo argumento:
Este é um bocadinho mais elaborado. Mas resume-se a isto: DESDE QUANDO É QUE UM GAJO É LOGO TAXADO DE MAL EDUCADO SÓ POR TER LARGADO UM "F*DA-SE"?!?!? Então tem algum mal dizer um "f*da-se"?!?! E quem diz um, diz mil e quinhentos, ou coisa assim. Desde que sejam justificados (veja-se o final do meu primeiro argumento), não há mal nenhum. Se eu, lá por ter dito um "f*da-se" quando verifiquei que trazia a garganta inflamada, sou desde logo grafado de mal educado, então sou maricas quando olho para um gato e digo "tão fofinho"?! "Fofinho", recorde-se, é uma coisa que os larilas estão sempre a dizer. Isso e "ai, ainda arranco os olhos a alguém se não conseguir comprar aquele blazer daquela loja". E também "ai, o que eu queria era ter um Renato Seabra só meu". E dizem muitas outras coisas, porque eu, quando vou rodar os bares à noite no meu part-time de drag queen bem os oiço, a esses boiolas.

Penso que ninguém pensará assim. Um "f*da-se" torna um gajo tão mal educado quanto um "fofinho" torna um gajo abichanado. Ou seja, nada. Tudo depende do contexto. O contexto é realmente a chave. Se eu chamar "fofinho" ao cu da Jessica Alba, só por muita má fé podem acusar-me de gayzisse. Mas se eu chamar "fofinho" ao cabrão do espanhol cabrão do lampião filho da puta do paneleiro do Javi Garcia, bom aí o panorama é outro, certo?! Da mesma forma, se eu largo um "f*da-se" quando me dói a garganta, é preciso estar de má vontade para dizer que sou mal educado. Porque não sou. Sê-lo-ia se dissesse tal palavra num contexto em que funcionasse desde logo como uma intrusa. Por exemplo:

"Bom dia, gaja. Já viste que está um f*da-se de um dia?"

ou

"Olá, gaja. Já te vou ajudar com as compras, deixa-me só descalçar-me porque acho que tenho uma f*da-se no sapato."

ou ainda

"Gaja, gostei muito do último prato que inventaste. Estava mesmo bom, até soube a f*da-se."

ou até mesmo

"Até logo, gaja, e f*da-se"

Se eu alguma vez proferisse estas frases, aí sim, estaria a ser mal educado. Porque seria recorrer à asneira gratuita, aplicá-la como se fosse a coisa mais natural do mundo, o que é desde logo o traço mais evidente da má-criação. Mas não é isso que eu faço, c*ralho! Só recorro a este palavreado quando ele se revela absolutamente necessário! Como no caso em que me dói a garganta. Porque é mesmo uma situação f*dida!

Bom, fico-me por aqui porque já fiz a minha apologia. Creio que a minha argumentação é insofismável e mostra que eu estou, como sempre, coberto de razão. Portanto, a minha gaja não está correcta quando me acusa de ser mal educado.

Adeus e tenham um fim-de-semana do c*ralho.

quinta-feira, março 03, 2011

Uma jeremíada pelo Canal 18!

Agora que estou numa de aprender espanhol, sinto - mais do que nunca - a falta do saudoso Canal 18. A dobragem de filmes pornográficos na língua de nuestros hermanos faria mais pela minha aprendizagem do que horas e horas de cursos, gramáticas, dicionários e exercícios de Espanhol. Foi à pala do Canal 18 que me familiarizei com expressões essenciais para a conversação, tais como "todavía más adentro", "me gusta tu cuerpo", "quieres que bese tus tetas?" ou a inevitável "tengo una polla muy grande, en la verdad es enorme", que decerto seria um sucesso se eventualmente eu viesse um dia a ser recebido pela família real espanhola. É uma pena a extinção desse canal, um canal que aproximava mais os dois povos da península ibérica do que quaisquer TGVs. Que mierda...

quarta-feira, março 02, 2011

Sugestões culturais: Grandes Livros (RTP2)

De tempos a tempos, chateio-me de ver filmes porno e de espreitar catálogos de modelos em lingerie e vou cultivar-me um bocadinho. Leio, vejo cinema europeu, vou ao teatro ou a uma vernissage, enfim, essas coisas. De momento, estou a assistir, de empreitada, aos 12 episódios da série produzida pela RTP e que já foi exibida no segundo canal da TV pública, e que em boa hora gravei: Grandes Livros (detalhes aqui). O propósito é tão simples quanto eficaz: em cerca de três quartos de hora, explanar uma obra de um autor fundamental da literatura portuguesa.

Ainda só vi quatro dos doze programas (conto ver o resto por estes dias) mas o balanço é muito, muito positivo. Mesmo a narração feita pelo Diogo Infante não faz o conjunto perder pontos e lá está, ele só narra, não mostra a cara, portanto um espectador consegue perfeitamente ver a série sem estar a vomitar de cinco em cinco minutos.

Como é óbvio, nem todos os episódios mantêm a mesma fasquia qualitativa. Pessoalmente, achei o primeiro, dedicado a Os Maias do Eça de Queirós, o mais fraquinho até agora, muito talvez por culpa das personalidades entrevistadas, em sua grande maioria académicos bolorentos e empoeirados, com destaque particular para o palhaço metido a especialista queirosiano, e grande paladino do Acordo Ortográfico, Carlos Reis, a quem desde já peço o favor de ir ortograficamente tomar na bundinha. Os outros três episódios que vi, contudo, vão do bom (Amor de Perdição) ao excelente (Peregrinação - talvez o melhor até agora -, O Delfim), são entusiasmantes, informativos e deixam sequioso quem ainda não leu as obras, o que confesso ser o meu caso para os livros do Fernão Mendes Pinto e do José Cardoso Pires. [Sim, eu sei, é um atentado não ter lido ainda isto, mas lembrem-se de que eu preciso de ocupar muito do meu tempo livre com mamas. Com mamas, pá! As leituras ficam, assim, para segundo ou terceiro ou quarto ou sei lá planos...]

Aconselho, portanto, esta série a todos os que não a viram quando passou na RTP2 mas gostam de boa literatura portuguesa (ui, devem ser muitos, devem...). A segunda série, aliás, que conta com 11 episódios, creio estar a ser exibida aos domingos à tarde. Mas vejam as coisas como manda a cronologia: a primeira primeiro, a segunda segundo. Porquê? Porque sim e porque eu quero, ora bem! Mas também porque, assim por alto, a primeira série dos Grandes Livros tem mais pesos pesados do que a segunda. É como comparar a equipa do Barcelona com a do Braga: é claro que o Braga tem bons jogadores, alguns eu gostaria mesmo de ver no Sporting, mas o Barça é o Barça. De facto, sem desprimor para o Saramago (que eu adoro), para o Torga (idem) ou para o Gil Vicente (ibidem), aos quais são dedicados programas da segunda série, não é possível combater com a selecção que os produtores fizeram para a primeira. Além dos já referidos Eça, Mendes Pinto, Cardoso Pires e Camilo, há episódios sobre Os Lusíadas, O Livro do Desassossego, e o sétimo deles é dedicado àquele que é, para mim, o melhor romance em língua portuguesa, ou seja, o Messi da nossa literatura que é nenhum outro senão a Aparição do Vergílio Ferreira, pois claro, e quem não concorda que vá ler o texto da moção de censura do Bloco de Esquerda.

Vá, sigam o meu conselho e cultivem-se um poucochinho. E depois, voltem lá a ver as badalhoquices do costume...

terça-feira, março 01, 2011

Expressões que eu adoro: rego do rabo!

"Rego do rabo". "Rego do rabo". "Rego do rabo". Caramba, o quanto esta expressão me fascina. Antes de mais, pela sua musicalidade. Repitam, para vós mesmos, esta expressão. "Rego do rabo". E agora, façam-no sílaba a sílaba: "Re", "go", "do", "ra" e "bo". É de uma sonoridade espantosa, não é?! A expressão dança entre sons baixos e altos, serpenteando pela escala musical como o Messi pelo meio de jogadores adversários. Simplesmente magnífico, e é uma pena que os grandes poetas, afinal os grandes ourives das palavras, nunca tenham utilizado esta expressão nos seus textos. Nem, Dante, nem Petrarca, nem Camões, que tinha obrigatoriamente de fazê-lo no episódio da ilha dos Amores, nem Baudelaire... Nem tu, Manuel João Vieira, nem tu soubeste valer-te deste precioso tesoiro...

Outra característica digna de realce da expressão "rego do rabo" é a sua extravagância em, ao apor-se a qualquer outra expressão ou frase, enriquecer esta última, como se o todo fosse mais do que a soma das partes. Eu sei que esta ideia soa estranha: o normal é colocar-se qualquer coisa no rego do rabo, em lugar de se colocar o "rego do rabo" em qualquer coisa, mas sigam-me, por favor. E lembrem-se de que estou a falar de uma expressão ("rego do rabo") e não da coisa denotada por essa expressão (o rego do rabo). Para mais detalhes, leiam qualquer coisa acerca da distinção entre de dicto e de re. Eu podia explicar-vos, mas agora estou a coçar o escroto.

Mas desvio-me do trilho. O que quero eu dizer quando digo que a expressão "rego do rabo" enriquece qualquer outra? Bom, em vez de andar aqui com circunlóquios, creio que será preferível recorrer a exemplos. Ora então vamos lá.

Peguem no mais famoso trava-línguas da língua portuguesa. Sim, "o rato roeu a rolha do rei da Rússia". Agora, enfiem lá para dentro o "rego do rabo" [atenção à frase que acabei de escrever: é "enfiem lá para dentro o "rego do rabo"" e não "enfiem lá para dentro do rego do rabo". Tenham juízo, pois não estou aqui a fazer qualquer apelo à sodomia. Isso fica para outros posts, se me apetecer].

Se fizeram bem aquilo que vos sugeri, devem ter ficado com uma coisa deste género:

"O rato roeu a rolha no rego do rabo do rei da Rússia".

E caramba, digam lá se o trava-línguas não ficou melhor?!? Em vários aspectos: a frase fica mais longa, logo é melhor para praticar a sonoridade dos rr, fica mais musical (veja-se o que escrevi no início) e fica mais divertida. E, como corolário, responde desde logo à questão que toda a criança educada a dizer "o rato roeu a rolha do rei da Rússia" faz: onde raios estava a rolha do rei da Rússia que o rato roeu? Com este acrescento, a dúvida não não fica a pairar no ar: onde estava a rolha do rei da Rússia que o rato roeu? No rego do rabo, pois então!

É mesmo uma expressão adorável. Espero que tenham ficado a concordar comigo. Se não, então vão apanhar no rego do rabo.

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Eu quase tenho vergonha de dizer isto, mas...

...ontem fiquei quase bêbedo com dois copos de vinho rosé!

Quer dizer, já não basta ter ficado meio toldado com tão pouco, logo eu, que sou uma esponja capaz de aguentar várias garrafas de álcool, mas ainda por cima, fiquei meio toldado à custa do vinho mais alarilado da história da vinicultura. Sim, pá, um vinho cor-de-rosa e com nome francês...



Eu sei que deve haver uma explicação científica para isto, mas não me apetece procurá-la, pronto.

sexta-feira, fevereiro 25, 2011

Solução para a recessão (não, não é um post sobre o Sporting)

Ontem tive de ir ao dentista, e segundo a profissional que me atendeu (hmmm, isto soa um bocado mal), tenho umas quantas gengivas em estado de recessão.

Por um momento, pensei que ela fosse aconselhar a entrada do FMI na minha boca (hmmm, isto também soa um bocado mal), mas afinal não, apenas me receitou um super suplemento de flúor, com o qual devo massajar a zona recessiva até sentir melhoras (hmmm, isto soa igualmente m... não, esperem lá, acho que já chega!).

Ainda é prematuro indicar se a solução é positiva ou não, mas se for, prometo que a primeira coisa a fazer, assim que as minhas gengivas recuperarem da recessão, é chegar junto do Teixeira dos Santos e mostrar-lhe esta solução milagrosa. Pode ser que também cure os males do país!

Bom fim-de-semana e torçam muito pelo Sporting, pois nós estamos a precisar. Ah, e por "torcer" não quero dizer "torcer o pescoço": nesse estado já estamos há muuuuuito tempo!

terça-feira, fevereiro 22, 2011

É triste quando a última das nossas certezas desaba como um castelo de cartas!


Sou, por natureza, um céptico e um descrente. Não acredito em Deus, ou outros seres sobrenaturais, como fadas, fantasmas, espíritos, duendes, poltergeists, americanos inteligentes, Pais Natais, Lili Caneças sem rugas, e afins. Não acredito em nenhum governo, independentemente do tipo de regime, seja ele monárquico, republicano, aristocrático, ditatorial, oligárquico, e etc.

Porém, sempre tive uma convicção arreigada nesta frase: "Nos jogos entre Sporting e Benfica, ganha sempre quem está em pior condição".

E foi a verdade empírica destas palavras, tantas e tantas vezes manifestada em sucessivos dérbis, que me levou a crer, com todas as forças do meu ser, que o Sporting iria ganhar ontem aos seus rivais da segunda circular. Eu, aliás, até pensava mais à frente: considerando que o Sporting estava a 24563076 mil pontos dos lampiões, e considerando outrossim a pobreza das exibições leoninas, em claro contraste com as mais empolgantes prestações dos pardalitos, acreditei sinceramente que, mantendo-se aquele horizonte epistemológico - até ontem, não contrariado -, o tal que expressava "Nos jogos entre Sporting e Benfica, ganha sempre quem está em pior condição", nunca ganharíamos por menos de uns 8 a 0.

Mas não, pá! Já nem nisto um gajo pode apoiar-se! A última das certezas foi-se. O Sporting não só não ganhou por 8 a 0, como não ganhou de todo; e não só não ganhou, como perdeu, e não só perdeu, como perdeu a jogar metade do jogo em superioridade numérica!*

A partir daqui, nada há a fazer. A vida deixou de ter sustentabilidade metafísica e não me resta outra opção senão cair nos braços do niilismo. E ao Sporting, o mais iconoclasta dos clubes formados por aristocratas betos, pois nega a grandeza em que nasceu, por este andar, não lhe resta mais do que ir fazer companhia ao Boavista e ao Belenenses daqui a uns tempos.


* Em boa verdade, esta questão da superioridade numérica é relativa. Sim, ninguém desmente que o lampião Sidnei tenha sido expulso à beira do intervalo, deixando o Benfica a jogar apenas com 10 jogadores. Mas também ninguém pode desmentir que o Sporting entrou a jogar com o Grimi, o Torsiglieri e o Djaló, portanto estivemos sempre a jogar com 8! "Ah, mas o Grimi foi substituído pelo Maniche", podem vocês dizer-me. Sim, e quem entrou para o lugar dele?! O Maniche! O Maniche, por Toutatis, que fazia era melhor figura no Biggest Loser, não no meio campo do SCP!

segunda-feira, fevereiro 21, 2011

Uma dúvida que talvez assole muitos outros indivíduos

e que é esta: como pode um gajo, muito masculino e no topo da heterossexualidade, sair para a rua com uma gata no colo sem dar ares de, como é que eu hei-de colocar isto, hmmm, vamos lá, sem dar ares de ser um ganda paneleiro mariconço?!?!

Ontem cometi esse erro: peguei numa das minhas gatinhas ao colo e levei-a assim, fofinhamente (olhem que advérbio de modo tão giro), para a rua. Para as outras pessoas, esta imagem deve ter parecido tudo menos viril. Eu até acho que ouvi um dos meus vizinhos a ligar para um grupo neo-nazi e pedir que viessem ao meu bairro o mais rapidamente possível.

E isto é chato, pá! Os gatos, bem como outros bichos de estimação como poodles ou chiuahuas, imprimem sempre uma aura de larilonzice. Todos nós, inconscientemente, achamos másculo um tipo vir para a rua com um pastor alemão, ou com um pitbull, sobretudo quando a coleira está adornada com spikes de ferro. Se o José Castelo Branco, por hipótese, fosse passear o seu doberman, penso que toda a gente exclamaria "olha ali está um senhor muito homem", mesmo que, no fundo, ele só passeasse o canito para ter o prazer de ser abordado à canzana (ele, José Castelo Branco, no caso de terem deixado de me acompanhar).

Mas quando temos um gato, é a imagem exactamente inversa que salta à vista. O homem mais másculo do universo, o tipo capaz de humilhar, em virilidade, até o Chuck Norris, ou seja, eu, corre o risco de ser confundido com um vulgar lambe pichas caso se apresente, a terceiros, com um micro-felino (sim, porque duvido que este problema se verificasse se eu aparecesse com um leão, um leopardo, uma pantera ou um tigre). Os gatos transportam consigo a ideia de pederastia.

Daí a minha dúvida. Como em qualquer sociedade humana, não basta à mulher de César ser séria, é preciso parecê-lo, ou, trocando por miúdos, não basta a um tipo como eu ser o zénite da testosterona, é preciso mandar isso à cara de todos os outros. Assim sendo, como é que - e sigam este raciocínio - chego de A a C, quando

A = sou um gajo muito heterossexual

B = tenho duas gatinhas de que gosto muito

C = não quero que me confundam com o Carlos Castro por causa das felinas?

Hmmm?!? Alguém tem ideias para isto, ideias que não passem por disfarçar as minhas gatinhas de outros bichos, ou por não aparecer com elas na rua? Se alguém tiver, por favor, comunique, está bem?! Obrigado.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

Esta notícia é fantástica...

Freira é expulsa do convento por causa do Facebook

Isto tem de levar necessariamente a um upgrade de alguns ensinamentos bíblicos:

Quem nunca pecou que atire o primeiro post.

Deus escreve direito por posts tortos.

Deus sabe por onde andas e vê tudo o que fazes, sobretudo se o adicionares como amigo no Facebook.

Será mais fácil a um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que alguém com perfil no Facebook entrar no reino dos Céus.

Bem aventurados os info-excluídos, pois deles será o reino do Senhor...

De que serve ao homem conquistar o Facebook se perder a alma?

Bom fim-de-semana e facebooquem muito.

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Ideias para super-heróis

Quem me conhece, sabe que eu gosto à brava de histórias com super-heróis. E quem não me conhece, também sabe porque acabei de dizê-lo. Sou da opinião - e esta era uma tese que gostaria de desenvolver no futuro, se não estivesse demasiado ocupado com outras coisas, tipo tentar descortinar o que se passa no Sporting - que os super-heróis fantasiosos de hoje, como o Homem-Aranha, o Batman, o Wolverine ou o Super-Homem, são o equivalente aos heróis homéricos da Grécia clássica e desempenham precisamente a mesma função: um farol, um ideal moral pelo qual os indivíduos comuns podem nortear-se e inspirar-se.

Há várias décadas que acompanho os comics de super-heróis, sobretudo os da Marvel. Há personagens para todos os gostos: heróis nobres e eticamente irrepreensíveis (Homem-Aranha), anti-heróis (Wolverine), capachos do governo (Capitão América), deficientes (Demolidor, que é cego), pertencentes a minorias étnicas (Luke Cage, Shang Chi) ou por outra qualquer razão descriminados (todos os X-Men), deuses pagãos (Thor), enfim, a variedade é imensa. Aprecio, sobretudo, as histórias em equipe, onde vários destes heróis se unem em torno de uma causa comum. Os X-Men são o melhor e, quanto a mim, mais eficaz exemplo disso mesmo: homens e mulheres párias que lutam por um mundo melhor, apesar de - e este é um pormenor trágico que, novamente, reenvia para a mitologia grega clássica - esse mundo odiá-los.

Imbuído desse espírito, trago aqui ideias para uns quantos super-heróis, capazes de formar o primeiro colectivo português de super-heróis, Os Tugas, e também alguns vilões, esperançado que alguém pegue nisto, até mesmo, porque não?, para um filme, tal é o potencial cinematográfico das personagens que ora apresento:

Os super-heróis: Os Tugas

Lesmas - mordido por uma lesma radioactiva durante um jogo de futebol, Ricardo cedo se apercebeu de que tinha ficado com os poderes de uma lesma: arrastar-se com lentidão pelas superfícies e babar-se todo (facto que leva os seus amigos a tratarem-no também por "O Velhadas"). Está secretamente apaixonado pela sua colega Bilhas.

Afonso VII - monárquico convicto, Marco tem o estranho poder de fazer adormecer suínos só com o olhar. Adoptou o petit nom de Afonso VII porque sonha um dia chegar ao trono português. O seu arqui-inimigo é o mega-vilão republicano Carbonário. Dizem as más línguas que também não vai muito à bola com o seu colega Lesmas desde que este confessou que os reis eram todos uns palhaços.

Bilhas - em adolescente, a esbelta Sara começou a sentir profundas mudanças no seu traseiro. De pequeno e redondinho, começou lentamente a transformar-se numa superfície imensa e de destruidor potencial. Reza quem já foi subjugado por esta heroína que ficar debaixo da bilha da Bilhas é um suplício digno do Inferno de Dante. É a némesis do vilão sodomizador Parte-Bilhas.

Tesourinhas - o nerd do grupo. Chamado de Tesourinhas porque adorava, quando mais jovem, fazer trabalhos manuais em papel e cartão, possui o talento, inestimável e invejável, de conseguir ligar-se à Internet sem precisar de um ISP. Este pormenor torna-o adorado pelos seus colegas Afonso VII e Lesmas, sempre interessados em ver pornografia quando não estão a combater os vilões.

Samuel - antigo ginasta, Samuel resolveu adoptar o seu próprio nome como identidade secreta para assim enganar os inimigos, que pensam sempre que a identidade secreta serve para esconder o nome verdadeiro. Samuel não tem super-poderes, mas a sua experiência de ginasta, associada à aprendizagem de Parkour nas montanhas do Tibete, faz dele um elemento importante para Os Tugas, nomeadamente em missões que exijam uma presença mais física.

Os vilões:

Parte-Bilhas - o Parte-Bilhas era um assaltante de segunda categoria até descobrir o seu talento para a sodomia. Famoso por assaltar e sodomizar grandes bancos (os buracos no BPN e no BCP devem-se-lhe), foi detido durante uma tentativa de assalto à CGD pela super-heroína Bilhas. Fugiu poucos dias depois, tendo sodomizado 15 guardas e 2 carros blindados durante a fuga, e desde então jurou um dia partir a bilha à Bilhas.

Carbonário - antigo contabilista, o Carbonário decidiu dedicar a sua vida ao crime enquanto fazia um POC. Não se lhe conhecem super-poderes, mas possui uma enorme capacidade para convencer outros meliantes a seguir as suas ordens. O seu objectivo primordial passa por acabar com o presente regime republicano para introduzir no país um regime ultra-mega-republicano, mas ninguém, nem os seus colaboradores mais próximos, sabem o que isso significa.

Bigodes - Toni descobriu que tinha poderes quando, aos 16 anos, decidiu crescer o bigode. Ao terceiro dia sem ser aparado, o bigode começou a roubar carteiras. Vencedor de várias edições do Concurso Barba e Bigode, o Bigodes é famosíssimo por furtar, sempre com o seu bigode, sandes de coirato e garrafas de tintol aquando de jogos do Benfica no Estádio da Luz, servindo-se do facto de haver nessas ocasiões uma elevada percentagem de bigodudos para passar despercebido.

Stripa - De seu nome verdadeiro Irene, Stripa é uma stripper estripadora que, qual viúva-negra, atrai os clientes do bar onde trabalha para uma dança privada e aí acaba por estripá-los. Foi detida pela primeira vez graças à intervenção do Tesourinhas, que viu um vídeo das suas façanhas na Internet. Stripa, contudo, nutre sentimentos pelo super-herói nerd e sonha um dia desvirginá-lo.


Que tal, hã?! Só personagens de categoria!!!! As maravilhas de histórias que podem daqui sair! Rói-te de inveja, Frank Miller!!!!

quarta-feira, fevereiro 16, 2011

Não há nada tão animador para começar o dia como ir parar ao posto médico!

É isso mesmo, meus caros. É fascinante. Uma pessoa acaba de tomar o piccolo almoço, prepara-se para sair de casa e quando menos espera, TUNGAS, bate com a cachimónia no ferro do varal de estender a roupa, começando a sangrar. Próxima paragem: posto médico. E é aqui que as coisas pioram: é certo que o sangue chateia, o inchaço incomoda, e as dores tiram um tipo habitualmente fleumático como eu do sério, mas mau, mesmo mau é aguentar todo o zeitgeist que envolve um posto médico.

Primeiro, é a saga das senhas. Esperei que três velhotas, dois coxos e meia dúzia de pret..., hããã, de pessoas de etnia africana, finalmente dessem com o sistema de senhas e retirassem os respectivos papeluchos. Quando chegou a minha vez, o cabrão do sistema não aceitava o meu número de utente. Precisou de levar uns quantos pontapés e uns "fod@-ses" mandados na altura certa para finalmente ser convencido.

A seguir, vem a odisseia do balcão. Chegada a minha vez, fui atendido por uma assistente. E é aqui que a coisa começa a ficar mais surrealista do que um quadro do Salvador Dali com relógios que se derretem. Foi mais ou menos assim:

Ela: Então, o senhor, o que precisa?
Eu: Senhor não, rapaz, se faz favor.
Ela: (para si) Olha outro com a mania que não envelhece... (para mim) Então o que foi?
Eu: Fiz um golpe na cabeça e preciso de um curativo.
Ela: Ah, vou já falar à sua médica de família.
Eu: Então mas eu para pôr um penso preciso de que falem com a médica?
Ela: Sim. Perdeu sangue, perdeu os sentidos?
Eu: Perdi um bocadinho de sangue, sim, mas permaneci sempre consciente. O que perdi mesmo muito foi a paciência.
Ela: Ahahahahahahaha, que engraçado, vou já chamar a médica, ahahahahaha, aguarde no corredor, ahahahahahahaha.
Eu: Então eu estou aqui com dores e a senhora está a rir?
Ela: Senhora não, rapariga, se faz favor.
Eu: Olhe, chup... hããã, obrigado!

Depois de algum tempo à espera, lá fui chamado pela médica de família. Entrei no gabinete e

Médica: Então, o que aconteceu?
Eu: Fiz um golpe na cabeça no varal do quintal da casa. Acho que não está partida, mas dói-me.
Médica: Deixe-me cá ver isso. Hmmmm... não, partida não está, mas... isto não é bem um golpe, é mais uma escoriação.
Eu: Mau! Então mas que raio de preciosismo linguístico é este?! Para quê esse rigor técnico?
Médica: Vá, não seja assim. Não é nada de grave, nem sequer precisava de ter vindo ao posto médico, isso é uma coisa que se trata bem em casa.
Eu: Como é que eu trataria disto em casa se o golpe, não, a "escoriação" ou lá o que é esta porcaria, está localizada na parte de trás da cabeça? Eu não tenho olhos nos dedos, pois não?
Médica: Ahahahahaha, você é tão cómico quando se irrita, ahahahaha
Eu: Mau, outra vez? Eu com dores e você ri-se?!
Médica: Ihihihihhi, eu já lhe ponho Betadine aí na ferida.
Eu: Pensava que era uma escoriação.
Médica: Não seja parvo. Chegue-se aqui. (pega na porcaria da Betadine, num esparadrapo e manda com aquilo na minha cabeça).
Eu: Au, isso dói.
Médica: Vá, já está. Depois tome um Ben-U-Ron que isso passa. Adeus e olhe por onde anda com a cabeça, ahahahaha.
Eu:...

Por fim, a pièce de résistance dá-se quando, já em casa, telefono à gaja a avisar do sucedido.

Gaja: 'Tou?!
Eu: Olá, amor. Olha, onde é que guardamos o Ben-U-Ron?
Gaja: Porquê?!
Eu: Porque a médica de família mandou-me tomar um, já!
Gaja: Porquê, o que aconteceu?
Eu: Fiz um golp... uma escoriação na cabeça!
Gaja: O quê?!?! Mas estás bem?!
Eu: Sim, sim, só deitou um bocadinho de sangue. Tenho esta parte inchada e dói-me, mas não é nada de mais, já fui ao posto médico e tudo.
Gaja: Mas como é que fizeste isso?
Eu: Então, vinha a sair de casa e bati com a cabeça no varal do quintal.
Gaja: Tu... ahahahahahaha! O quê?! Ahahahahahahahahahaah!
Eu: Olha, obrigadinhos, está bem?! Diz-me onde está o raio do Ben-U-Ron, mas é!
Gaja: Ahahahahaha, nós já não temos Ben-U-Ron, ahahahahahaha, tira antes uma saqueta de ihihihihih Paracetamol e ahahahahahaha, parece que estou mesmo a ver tu ires de encontro ao varal, ahahahahahahah, e prontos, bebes aquilo.
Eu: Sim, mas está onde, caraças?!
Gaja: Ahahahahahha, e tu foste ao posto médico por causa disso, ahahahahahaha, que mariquinhas, está na gaveta do armário, do lado esquerdo, ahahahahahahah, aposto que toda a gente se riu de ti e...
Eu: (desligo o telefone e vou à procura das saquetas)

Lá encontrei as saquetas, tomei uma e pronto, lá saí definitivamente de casa, passando a 50 metros do cabrão do varal que me escoriou a mona. Agora, o que eu não percebo é PORQUE É QUE ISTO É MOTIVO DE RISOTA GENERALIZADA, CARAÇAS!!!! ESTA MERDA DÓI, ESTÁ BEM?!?!?!?!?

terça-feira, fevereiro 15, 2011

A revolução de jasmim chega à casa do Peter of Pan

E o vírus da autonomia e do anti-totalitarismo continua a espalhar-se. Os recentes protestos no Médio Oriente e na África magrebina inspiraram aqui este escriba a seguir o exemplo dessas corajosas populações. Presentemente, ando a manifestar-me pelo hall lá de casa, com cartazes a exigir a democracia e cânticos que pedem o fim do regime da tirana minha gaja, cujo autoritarismo faz o Mubarak parecer o Gandhi. Para que o mundo fique a conhecer a terrível condição a que estou sujeito dentro daquelas quatro paredes, fui entrevistar-me a mim próprio:

Entrevistador (eu, pois claro): Bom dia, Peter of Pan, então parece que está a querer uma revolução?
Peter of Pan (eu também, pois então): Olá, bom dia, sim, é verdade, estou a promover uma revolução que deite abaixo anos e anos de desrespeito pelos direitos humanos, anos e anos de ditadura violenta, anos e anos de desprezo pela vontade alheia.
Entrevistador: Bem, isso parece ser mesmo grave. Pode dar-nos alguns exemplos da situação em que tem vivido?
Peter of Pan: Posso, pá! Então admite-se que um gajo chegue cansado a casa, vá para sentar-se no sofá, ligue o televisor para ver o Family Guy e venha logo a gaja esbaforida dizer que aqueles desenhos animados não têm qualidade, me desligue o televisor e me puxe pela orelha até à cozinha para ajudá-la a fazer o jantar? Mas o que é isto?! Vivemos no tempo da escravatura, ou quê? Ainda por cima, obriga-me a trabalhar com a Bimby! Eu não percebo nada da Bimby!!!
Entrevistador: Ui, realmente, que condições horríveis.
Peter of Pan: Já para não falar, e desculpe interrompê-lo...
Entrevistador: Não faz mal, caso não tenha reparado, nós somos a mesma pessoa.
Peter of Pan: Pois, é verdade. Bom, como ia dizendo, já para não falar na violência a que sou sujeito quando exprimo a minha vontade em ver um filme europeu. A gaja rouba-me o comando do dvd e muda para o Portugal Sem Talento.
Entrevistador: Refere-se ao Portugal Tem Talento, não é?!
Peter of Pan: Não, é mesmo Sem Talento. Eheheheh.
Entrevistador: Boa piada. Olhe, e quais são as suas exigências?
Peter of Pan: As minhas exigências são as exigências de uma pessoa de bem. Quero ver o Family Guy sem estar a ouvir constantemente "muda de canal, estes bonecos são mesmo estúpidos". Quero todos os gelados que possa comer. Quero que a minha voz seja escutada. Quero, no fundo, a passagem de um regime autocrático para um democrático. E quero, por fim, que o Sporting seja respeitado por aquela lampiona de meia tigela!
Entrevistador: Bom, ó Peter of Pan, parece-me que já está a exagerar, não?! Já nem os próprios sportinguistas respeitam o Sporting!
Peter of Pan: Ouve lá, ó meu caramelo, mas tu estás de que lado, afinal?!
Entrevistador: Eu estou sempre do mesmo lado, pá!
Peter of Pan: Do lado dos fracos, dos oprimidos, dos que querem rebelar-se face à ordem vigente?!
Entrevistador: Não! Do lado das gajas boas!
Peter of Pan:... recuso-me a prestar mais declarações...

Depois deste esclarecedor depoimento, fui tentar chegar à fala com a minha gaja, para ouvir a sua versão dos acontecimentos. Assim que me coloquei a menos de três metros de distância, fui puxado por um braço e forçado a lavar a louça que se acumulava, ameaçadora, na bancada da cozinha. Cerca de 2 pratos partidos, 3 copos rachados, um tacho sodomizado por um garfo e 45 minutos depois, lá consegui retirar as primeiras impressões da tirana:

Entevistador: Bom dia, gaja do Peter of Pan, podemos então começar a nossa entrevista?
Gaja: Não sei. A louça ficou bem lavada?!
Entrevistador: Acho que sim...
Gaja: "Acho que sim" não chega. Ficou ou não ficou, caraças?!
Entrevistador: Ficou, ficou!...
Gaja: Bom, então comece lá essa m&rda!
Entrevistador: Está bem. Senhora dona gaja do Peter of Pan, que comentários faz aos protestos levados a cabo pelo Peter of Pan ali no hall da casa?!
Gaja: É um totó!
Entrevistador: Mas algumas das reivindicações por ele feitas têm todo o sentido...
Gaja: O c@r@lhinho é que têm!!!!
Entrevistador: Ele acusa-a de ser uma tirana, uma déspota!
Gaja: Puta é a gaja daquele filme francês que ele viu no outro dia!
Entrevistador: Não, não, entendeu-me mal, não é puta, é déspota. E a Anna Karina não é nada puta, ela vai muito bem no Bande à Part e...
Gaja: Cale-se! Não sou nada disso e quem diz o contrário merece ser espancado!
Entrevistador: Essa parece-me ser uma atitude típica de uma déspota!
Gaja: Puta é a Monica Bellucci!
Entrevistador: Não, voltou a entender-me mal, eu não disse puta, disse dés...
Gaja: Cale-se. Eu entendi muito bem. Aquela italiana é puta e acabou-se.
Entrevistador: Bom, passemos à frente. E quanto às acusações de não deixar o Peter of Pan ver o Family Guy?!
Gaja: Aqueles bonequinhos da treta?! Estou a fazer-lhe um favor. Só lhe faz mal ver aquilo.
Entrevistador: Sabe que quando o Estado se põe a decidir sobre o que é melhor para as pessoas está-se perante uma situação de autoritarismo, não sabe?
Gaja: Olhe, o c@r@lhinho é que é autoritário, está bem?!
Entrevistador: Hehehe, pois é! É um autoritário enorme e grosso, não é, hehehehe?!?
Gaja: Nos teus sonhos.
Entrevistador: Hãããã, pois. Continuemos. Então e...
Gaja: Schut, cale-se, ainda não acabei o meu argumento. Além daquela bonecada fazer mal à sua já de si pobre mente, o Family Guy dá à mesma hora em que se deve estar a fazer o jantar, e eu não acho nada bem que seja aqui a moira a dar ao cabedal enquanto o senhor Peter of Pan refastela o cu no sofá a ver aquela porcaria. Quem é que é o tirano e quem é que é a escrava, afinal, hmmm?
Entrevistador: Bom, esta parte da entrevista vai ser cortada no momento da sua exibição ao público...
Gaja: Vai ser cortada, uma m&rda! Então agora temos censuras, é?! Então e a democracia e essas patacoadas? Publique isso, senão chateio-me a sério.
Entrevistador: Então e o que tem a dizer acerca da Bimby?
Gaja: O que é que há para dizer acerca da minha maravilhosa, fantástica, espectacular e fascinante Bimby?!
Entrevistador: O Peter of Pan queixa-se de falta de adaptação a esse aparelho.
Gaja: É mesmo um totó!
Entrevistador: Não, mas olhe, aquilo não é fácil!
Gaja: Não é fácil?! É do mais facílimo que há!
Entrevistador: Olhe que não está a ser justa. Uma pessoa, para saber cozinhar na Bimby, quase precisa de estagiar por seis meses na NASA ou no CERN. Tanto botãozinho para quê?! E que diachos é aquilo de Col. Inv. e Temp. Varoma e mais não sei o quê? Não é muito mais fácil enfiar os legumes para dentro de um tacho com água e ligar o fogão?!
Gaja: Cale-se. Você parece mesmo ele a falar!
Entrevistador: Bom, isso é porque eu e ele somos a mesma pessoa.
Gaja: Ah, pois é. Então olhe, já que está aqui, vá ali ao frigorífico, tire a abóbora, duas courgettes, uma beringela, corte tudo e meta na Bimby que vamos começar a fazer uma sopa!
Entrevistador:...e não tendo mais perguntas, ficamos por aqui...

Mais desenvolvimentos desta revolução nos próximos tempos!

segunda-feira, fevereiro 14, 2011

E para quando um Dia dos Encalhados?

que é para os nerds, os feios, as gordas, os tímidos, as beatas, os misantropos - no fundo, os encalhados e encalhadas de todo o mundo, sim, ó rapaz de 42 anos que ainda vive com a mãe, passa o tempo a ver filmes da saga Star Wars e confunde uma erecção com um sabre de luz, sim, ó rapariga de 36 anos que passa o dia na biblioteca da cidade a ler livros da Corín Tellado e pensa que o Ricky Martin é hetero, é a vocês que me dirijo! - não se sentirem discriminad@s? Sei lá, até poderiam inventar, à semelhança do Dia dos Namorados, presentes para se oferecer aos encalhados preferidos. Bombons dos encalhados, florzinhas dos encalhados, postalinhos dos encalhados... Seria bonito, não seria?!?



Disclaimer deste post: se me estás a ler e ainda és um encalhado ou encalhada, e detestas o ambiente que se gera à volta deste dia 14 de Fevereiro, não desesperes, por duas simples razões:

1 - eu, que não sou encalhado, também não gosto deste dia, e tenho a certeza de que muitos não-encalhados e não-encalhadas estão comigo.

2 - eu, que não sou encalhado, estive muito tempo encalhado, portanto, sim, tu, ó gajo de 42 anos que está a ver, pela 234346ª vez, o Han Solo a ser congelado na carbonite, sim, tu, ó gaja de 36 anos que está a suspirar, pela 734222ª vez, com o romance dos protagonistas desse livro que tens em mãos, é novamente a vós que me dirijo, também vocês podem desencalhar, basta terem um pouco de paciência e

a) no caso do gajo, encontrar um emprego bem remunerado, vestir roupa cara, trocar os óculos por lentes de contacto, arranjar os dentes, comprar uma mansão e um carro desportivo, fazer musculação, tomar banho todos os dias;

b) no caso da gaja, sair para a rua com um decote que revele o mais possível das mamas.

sexta-feira, fevereiro 11, 2011

Parece que

o Mubarak foi posto a andar like an egyptian...


(tão inteligente, esta!)

quarta-feira, fevereiro 09, 2011

Mind the gap


Todo o santo dia ouço, como se ficasse tatuada no meu cérebro, a mesma mensagem gravada: "Senhores passageiros, pedimos que se afastem do limite da plataforma". Sempre a mesma lenga-lenga. O pedido, contudo, padece de alguma estranheza. Primeiro, não avisa por que é que querem que os passageiros se afastem. Pronto, está bem, qualquer pessoa com dois meios dedos de testa sabe: se nos aproximarmos demasiado da plataforma, corremos o risco de apanhar com um comboio mesmo no meio da tromba. De qualquer forma, a mensagem é omissa nesse sentido.

Essa omissão liga-se ao outro aspecto estranho do apelo: por vezes, é proferido com algum anacronismo. Especifico: há alturas em que uma pessoa está na estação, aguardando pelo seu comboio que só chega dali a 10 minutos, e sabe que não vai chegar mais nenhum comboio entretanto, e então põe-se a ocupar o cérebro com coisas irrisórias, só para passar o tempo até que o comboio chegue, e pensa então nos calções de banho rasgados que o primo Paulito levou para a praia no ano de 1983, e na congestão que a tia-avó Miquelina apanhou após um jantar de família em Montemor-o-Novo na noite de Natal de 1979, e no arroto que a vizinha Teresa deu no velório do Sr. Julião em 1996, no preciso momento em que o Figo marcava um golo à Croácia no Euro-96, e caramba, este período está a ficar mesmo longo, além de abusar da cópula "e" até à exaustão, parece um texto do Cormac McCarthy, não sei se já leram o Este País Não É Para Velhos, bem, aquilo é só "e" atrás de "e", do género, "E Chigurgh [é aquele assassino com cabelo esquisito interpretado pelo Javier Bardem no filme dos manos Coen] pega na pistola pneumática e levanta-a acima da cabeça e rebenta o canhão da fechadura e entra no quarto e apanha o canhão e coiso e tal", é mais ou menos isto, não me lembro exactamente de nenhuma frase do livro e não o tenho à mão para reproduzir ipsis verbis. E com tudo isto, perdi-me...

Ah, já sei, pois: está uma pessoa à espera do comboio, que só chega dali a outros quinhentos, e no entanto ouve os altifalantes da estação a perorar aquela mensagem: "Senhores passageiros, pedimos que se afastem do limite da plataforma". A pessoa fica então a pensar: "mas que raios? Se o comboio só passa daqui a 10 minutos, para que raio eles estão a avisar isto?!" E é aqui que a omissão acerca do que é que pode acontecer se as pessoas não arredarem pé do limite da plataforma se torna perigosa. Se não vem lá nenhum comboio, que terror se esconde junto do limite da plataforma, terror esse que justifica o aviso por parte da estação mas que não pode ser nomeado, como se fosse o Voldemort que estivesse a irromper por entre os carris? Já sabemos que "Senhores passageiros, pedimos que se afastem do limite da plataforma, caso contrário levará com um comboio nos cornos" é falsa porque não vem lá comboio nenhum, mas a coisa intriga. O que pode acontecer se não nos afastarmos da plataforma quando o comboio ainda dista cerca de 50km?!

O IVA aumenta para 25%?

A Rita Pereira cessa de aparecer com decotes generosos?

O Pinto da Costa promove um golpe de Estado e os ministérios são todos ocupados por raparigas da má vida?

Deixa de passar futebol nas televisões?

O Renato Seabra é libertado e monta uma empresa de fabrico de saca-rolhas?

O Sporting vende o seu melhor jogador?

Estão espalhadas pelos carris fotos do Alberto João Jardim nu, visíveis a qualquer pessoa que se aproxime da plataforma?

A Manuela Moura Guedes inventa de tentar saber até onde consegue abrir a boca e acaba por engolir o planeta inteiro?

O Cavaco é eleito para um segundo mandato?

É aprovado um novo Acordo Ortográfico que proíbe os indivíduos de escreverem insultos a deputados?

Gostava que me explicassem o que pode acontecer, ai isso gostava...

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Saco de pancada: cinema 3D

Vamos lá a ver uma coisa: quem acha piada a esta tendência dos filmes estrearem em 3D, é favor levantar o braço. E deixar o nome, morada, estado civil e último desejo, que é para eu poder fuzilar-vos sem ter muito trabalho.

O cinema 3D é das coisas mais estúpidas que já deram à terra. Quase tão estúpida quanto, por exemplo, a direcção de um clube com uma história interessante e que procura todos os anos conquistar títulos resolver vender o seu maior símbolo e melhor jogador por tuta e meia. Desde logo, uma pessoa, para ver essas películas a três dimensões, tem de colocar uns óculinhos ridículos, tão ridículos que o Yves Saint Laurent já apareceu àquela medium inglesa que apresentava um programa na TVI, comunicando-lhe que achava aquelas coisinhas de plástico "une très grande merde". A Iva Domingues, depois, traduziu o comentário como "gosto muito dos teus cabelos louros", levando a que o YSL jurasse nunca mais aparecer aos vivos senão através de uma tábua Ouija, desde que desenhada pelo Giorgio Armani.

[Atenção: estas últimas referências, embora suspeitas, não fazem de mim um Carlos Castro em potência, está bem?!?! Eu cá sou muito homem, no sentido heterossexual do termo. Vá, avancemos, que se faz tarde e eu ainda não fui pôr base no rosto]

O que mais me revolta nesta moda do cinema 3D, contudo, é a justificação que lhe querem dar. Segundo os palhaços defensores desta tendência, a maior qualidade do cinema em 3D é conferir, ao espectador, uma sensação próxima da realidade. Sim, estes parvos inventaram essa história. Sou só eu que acho que "cinema" e "próxima da realidade" são ideias quase inversas?! Eu quando vou a uma sala de cinema ou quando me sento num sofá a ver um filme, não estou à espera que aquilo esteja próximo da realidade. Se eu quero realidade, venho para a rua! Se eu quero ver pessoas a três dimensões, a falar alto e a envolverem-se em confrontos físicos, vou à feira dos ciganos. Eu vejo filmes para fugir a este género de merdas realistas, de preferência sem precisar de colocar nos olhos aqueles óculos parvos (já vos disse que aqueles óculos têm um aspecto para lá de ridículo, e que o Yves Saint Laurent apar... - não, esperem, já disse, sim!).

É claro que agora surge a pergunta de um milhão de euros: "Sim, Peter of Pan, tu estás coberto de razão, como sempre, a tua retórica é impecável e qualquer pessoa favorável ao cinema 3D ficará contra depois de te ler, mas esqueces-te de um pequeno detalhe: os filmes porno! Não adorarias tu que os filmes porno pudessem ser vistos em três dimensões?!"

Admito que é uma pergunta pertinente. É uma pergunta tão inteligente que só poderia ter sido feita por mim a mim próprio (vão-me dizer que já se tinham lembrado disto, não?!? Seus aldrabões!) Sim, a pornografia parece encaixar muito bem, e sem recorrer a vaselina ou precisar de enfiar o preservativo, no conceito de cinema 3D. E até aqui se percebe a utilidade dos óculos ridículos: servem para proteger a vista ao espectador no momento do cumshot, não vá o diabo tecê-las.

Face a esta objecção - que, recordo, foi feita por mim próprio -, julgo que temos aqui a oportunidade perfeita para um compromisso. Que é: o cinema 3D é uma merda e deve ser retirado das nossas salas, PORÉM pode haver um nicho de mercado para esta tecnologia caso ela seja aplicada APENAS à maravilhosa indústria pornográfica. Continuaremos a experienciar os filmes mainstream em grandiosas telas a duas dimensões, mas as mamas da Tera Patrick, o rabo da Silvia Saint e o centro da praça municipal de Mondim de Basto da Jenna Haze, esses só terão a ganhar se exibidos no esplendor do 3D.

É ou não é?! É, pois claro!...

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Seca de segunda-feira

- Qual é o mais mandão dos animais?
- É o polvo, porque o polvo é quem mais ordena...

sexta-feira, fevereiro 04, 2011

Sobre a redução dos deputados

Um dos temas do momento, a ombrear com as manifestações no Egipto (sim, meus amigos, Egipto é com "p", por mais que os apóstatas do acordo ortográfico insistam em retirá-lo), com a situação do Sporting e com o julgamento do Renato "Saca-Rolhas" Seabra é, sem qualquer dúvida, a proposta de redução dos deputados à Assembleia da República. O PSD já se mostrou a favor, o PS tem vozes contra e vozes a favor, o PCP é contra, como acontece sempre - um dia, ainda vamos ver os deputados do PCP a votar contra propostas do PCP, só pela força do hábito -, o Bloco também é contra e o CDS/PP, à imagem do seu líder, não sai do armário, isto é, não diz se é uma coisa ou outra.

A minha posição sobre a matéria, essa, já há muito se encontra bem definida. Sou claramente a favor da redução dos deputados. E eis como essa redução deve ser feita: é chegar ao pé deles com uma catana e zás, separar-lhes a cabeça do corpo. Ficarão desde logo reduzidos!

E depois, esta minha solução final tem dois pontos adicionais a seu favor: primeiro, num momento de crise, não nos podemos dar ao luxo de desperdícios. Se os deputados nunca usaram a cabeça, o que é que estão a fazer com ela? É cortá-la e dá-la aos porcos, sempre servirá para alguma coisa. Segundo, esta solução surge em defesa dos próprios deputados, porque com a cabeça separada do corpo, passa a ser a primeira vez que estes altos dignitários da nação passam a justificar, de modo radical, a popular ideia de que os deputados só vão à Assembleia fazer figura de corpo presente. Literalmente.

Os partidos que pensem nisto, se fazem favor...

Bom fim-de-semana e cortem a cabeça a um deputado também.

quarta-feira, fevereiro 02, 2011

De como uma visita ao veterinário se transforma numa lição de vida


Ontem tivemos de levar esta coisinha fofa ao veterinário, em consequência de cenas más. Ok, ok, vou deixar de ser tão vago: a gatinha anda mal da barriga, pronto. E dá uns puns muito mal cheirosos, e isso são razões mais do que suficientes para levar a bichinha ao médico dos bichos. Bom, e que tenho eu a dizer sobre o seu comportamento? Isto: absoluta e simplesmente IMPECÁVEL! Enquanto esperou pela sua vez, esteve sossegadíssima na caixinha. Quando entrou para a sala, não estranhou. Quando a retirámos da caixinha e a colocámos na mesa para ser examinada, manteve o seu fleumatismo. Não miou, não rosnou, não bufou, nem quando levou uma injecção no lombo. A gatinha estava mansa, mansa... parecia um jogador do Sporting. Nada a incomodou nem a tirou do sério. Fantástico. Nunca tinha visto nada assim!

Esta atitude é, para mim, uma lição de vida porque ensina-me muita coisa. Confesso que não gosto de ir ao médico. Nunca gostei. Já cheguei, por diversas vezes, a fugir. Lembro-me - deveria eu andar pelos meus 8-9 anos - de ter escapado aos meus pais num dia em que era suposto levar uma injecção no rabo. Corri do consultório a toda a brida, sem que ninguém me conseguisse apanhar. É claro que, quando voltei para casa, já de noite, imaginando em toda a minha inocência que nada iria acontecer-me, apanhei os meus pais obviamente tão preocupados quanto irritados e na sequência levei uma tal tareia no rabo que me fez pensar se não teria sido melhor levar a injecção no dito.

Na minha perspectiva, é impressionante que uma gatinha consiga ter mais presença e imponência e, tenho de admiti-lo, mais "tomates", do que um ser humano, partindo do princípio que eu sou mesmo um ser humano, algo que a minha gaja já por diversas vezes argumentou ser, no mínimo, discutível. Mas adiante: a minha gatinha não tem medo dos médicos nem dos consultórios. Nem das picas, nem dos remédios. Já eu, bom, eu não é que tenha propriamente medo, pois não é bem medo aquilo que sinto, mas se puder evitar, evito. Sou assim como aquelas pessoas que não sabem se existem fantasmas a pairar pelo meio de uma floresta escura: pelo sim, pelo não, não entram por esse caminho. É claro que eu sei que não existem fantasmas, mas por outro lado, sei que existem médicos e hospitais e enfermeiros e picas que doem, por isso prefiro estar noutro sítio. Porém, se calhar tenho de começar a agir mais como a minha gatinha agiu: não ligar peva a isto e sair de lá da mesma maneira como se entra, ou seja, como se fosse algo perfeitamente natural. Espero lembrar-me desta lição da próxima vez que tiver de ir ao médico.






[Oxalá seja daqui a muitos, muitos anos...]