segunda-feira, maio 09, 2011

O Peter of Pan vai ver um espectáculo de dança: crónica de uma tarde de sofrimento extremo


Chamem-me insensível, chamem-me bruto, chamem-me filisteu, até podem chamar-me Maria Cristina, mas sempre detestei dança. Sempre! Trata-se de uma manifestação artística à qual jamais serei capaz de dar crédito, e é irrelevante se se trata de ballet clássico ou de dança contemporânea. Um ou outra são, para mim, a mesma porcaria. E até hoje, embora tenham tentado desviar-me por várias vezes, consegui sempre escapar-me a assistir a um desses tristes espectáculos.

Até que chegou a tarde de ontem. A tarde de ontem foi, servindo-me de uma analogia, o momento em que eu saí do jardim do Éden para cair no seio do pecado e da mancha. É que ontem fui arrastado para um espectáculo de dança contemporânea, a saber, Uma Coisa em Forma de Assim, que está em cena no Teatro Camões. Coitado do Luiz Vaz, deve estar a dar voltas na tumba. Coitado do Alexandre O'Neill, que também deve andar de um lado para o outro, pois não há direito de utilizarem um título dele para o aplicarem numa performance de dança.

Em minha defesa, tenho a dizer que fui enganado. O plano cultural para a tarde não era, à partida, exactamente aquele. O que me foi dito, e que aqui reproduzo, para melhor compreenderem o meu estado de espírito, foi isto:

Gaja: Meu macho sexy e viril, temos convites para ir ver uma peça de teatro.
Eu: Boa. Onde?
Gaja: No teatro Camões. Ah, e antes ainda passamos pelo Museu da Electricidade e vamos ver o World Press Photo.
Eu: Fixe, parece-me um bom plano. 'Bora lá.

Fomos ter com o casal amigo (a partir de ontem, ex-amigo) que detinha os convites e dirigimo-nos ao World Press Photo. Todavia, e aqui é que os acontecimentos começam a ficar aterrorizadores, durante a deslocação o casal amigo (correcção, outra vez: ex-amigo) armou-se em José Sócrates e desinformou-me. Sim, tal como o primeiro-ministro diz agora que não é preciso ajuda externa, e daqui a pouco diz que é, também a mim deram o dito por não dito, e vice-versa:

Gaja do casal ex-amigo: Ah, afinal os quatro convites que temos não são para o teatro.
Gaja: Então são para o quê?
Gajo do casal ex-amigo: Nem calculam...
Gaja do casal ex-amigo: São para um espectáculo de dança!
Eu: Ah! Ah! Ah! Boa piada. Não, a sério, qual é a peça que vamos ver?!
Gaja do casal ex-amigo: Não estou a brincar. É dança.
Gajo do casal ex-amigo: Contemporânea. Portuguesa.
Eu [já com suor a escorrer-me pelo rosto]: Vocês não estão a brincar?
Gaja do casal ex-amigo: Não!
Gajo do casal ex-amigo: Não!
Eu: AAAAAAAH!!! Parem o carro! Deixem-me sair! SOCORRO!!! AHHHHHH! Sou demasiado novo para morrer!!! Larguem-me! Larguem-me!
Gaja: Ai, tão dramático. Mas que estás para aí a fazer?! É só um espectáculo de dança, não é o fim do mundo.

Este argumento, tão ingénuo e ao mesmo tempo tão cruel, fez-me sair do meu estado maníaco e entrei no meu estado depressivo. "Tu não compreendes, pois não?", disse à minha gaja. "Tu não fazes ideia do que é dança contemporânea, pois não?", insisti. "Tu achas normal, e artístico, e belo, ver gente a ter ataques epilépticos no meio de um palco. Tu achas normal gajos arrastarem gajas pelo chão, gajos e gajas a rebolar, aos encontrões, a desmontar os braços e as pernas, e ainda haver quem pague e aplauda para ver isso. Mas eu não. Eu não aguento!"

A gaja limitou-se a responder-me com um olhar de desdém, ignorante de que, à semelhança da privação do sono e da simulação de afogamento, os espectáculos de dança contemporânea são um meio de tortura proibido pela Convenção de Genebra. Nesta altura, eu já parecia o Churchill a chamar a atenção para o perigo nazi antes do início da segunda guerra mundial: tal como ele apelava aos cuidados com o Hitler, limitando-se os seus conterrâneos a uns "Ó Churcill, o Adolfo?!? O Adolfo não faz mal a ninguém, pá. Ele é um amor de pessoa, basta olhares para aquele bigodinho. Era só o que faltava, entrar em guerra com alguém que parece o Charlot! O que vai ele fazer, anexar a Áustria e invadir a Polónia ah ah ah ah?!?! Ó Churchill, larga o úisque e toma juízo", dizia eu, tal como o Churchill era desprezado, só eu sabia o terror em que nos estávamos a meter, mas ninguém me deu ouvidos. Ninguém, oh, pobre de mim. A minha caminhada para o Gólgota continuou:

Gaja: Ah, vá lá, não sejas chato, eu nunca vi um espectáculo de dança.
Eu: Tu não queres ver, a sério.
Gaja do casal ex-amigo: Eu também nunca vi.
Gaja: Ainda por cima, é de graça.
Eu [a ver aqui um fundinho de esperança]: Pá, mas se o problema é esse, eu pago para irmos ver outra coisa!
Gajo do casal ex-amigo: Olha, boa. Podemos ir ver o Battle of Los Angeles. Ou o Velocidade Furiosa 5.
Gaja: Não, o meu gajo não gosta desses filmes.
Eu: Quem, eu?! Nãão... Eu adoro películas estúpidas de acção com actores nada convincentes e argumentos com tanta imaginação que parecem ter sido escritos por uma lesma em estado de coma. EU PAGO PARA IRMOS AO CINEMA! Vamos ver o Vin Diesel. Duas vezes seguidas. Eu pago o lanche. O jantar! No Gambrinus! Tudo em vez de não irmos à dança.
Gaja: Não! Eu quero ver o espectáculo. É a minha primeira vez.
Gaja do casal ex-amigo: Concordo.
Gajo do casal ex-amigo [armado em cobardolas]: Pronto, está bem, se vocês estão assim com tanta vontade...
Eu [de volta ao meu estado maníaco]: AAAAAAAH!!! Parem o carro! Deixem-me sair! SOCORRO!!! AHHHHHH! Sou demasiado novo para morrer!!! Larguem-me! Larguem-me!

Estive nisto uns 10 minutos, até voltar a cair no meu estado depressivo. Andei apático durante todo o percurso na exposição da World Press Photo, não tendo nem sequer disposição para gozar sadicamente com aquelas fotografias mais tristes. Quando olhava para aqueles somalis sem roupa, comida e tecto, ou para os haitianos subjugados pelo terremoto, em suma, quando via aqueles retratos de acções de violência cometidos ao homem pela natureza e pelos outros homens, eu só pensava para comigo: "Ah, meus semelhantes, meus irmãos, a partir de hoje também vou saber o que é o sofrimento. Como te compreendo, mexicano enterrado e só com a cabeça de fora. Como te percebo, toureiro com um corno espetado no maxilar. Eu tenho a certeza que se soubessem que estou prestes a assistir a um espectáculo de dança, todos vós estariam compadecidos".

Já cá fora, a gaja ainda tentou uma aproximação ao oferecer-me um gelado, mas o meu espírito já não ligava enquanto eu sorvia aquele magnum delicioso. O meu fim estava próximo. Ainda voltei a tentar: "Vá lá, está um dia tão bonito e vocês querem encerrar-se numa sala? Vamos à praia, vamos a um jardim, sei lá, essas coisas." Debalde, debalde, era tudo infrutífero. Chegámos então à porta do teatro Camões, e o Tejo, ali tão perto, era um abismo que me atraía. Sim, pensei no suicídio, confesso. E só não o consumei porque os meus cds precisam de mim. Qual condenado, lá entrei no teatro. Ainda tive forças, enquanto o casal ex-amigo entregava os convites ao rapaz da recepção, para gritar um SALVE-ME. SALVE-ME, POR FAVOR, mas o gajo ficou a olhar para mim como se eu fosse um alucinado e lá fui arrastado para dentro da sala. Se ao menos me tivesse julgado maluco e chamasse a ambulância, a coisa ainda teria acabado bem, mas não, achou-me maluco e não fez nada. É triste quando a humanidade se reduz assim, à indiferença...

Já lá dentro, apercebi-me de como a crueldade de facto não tem limite. As saídas de emergência encontravam-se lacradas! Vários seguranças ladeavam as coxias. E pior que tudo: o número enorme de criancinhas que foram levadas a ver este espectáculo. É isto, mais do que outra coisa, que traduz o triste estado da nossa sociedade: como é possível não nos revoltarmos quanto jovens e inocentes crianças são arrancadas às suas playstations e obrigadas a assistir a eventos de dança?! Como é isto possível?! E ninguém faz nada?! Quer dizer, do Bibi toda a gente diz mal e o caraças, mas e o que é que mereciam estas pessoas que levam os seus filhos para estes locais? Era retirar-lhes logo a custódia das crianças e proibi-los de procriar!

Ao meu lado, a gaja estava ausente de tais considerações. Só esperava, ansiosa, pelo início do flagelo espectáculo. Novamente, tentei falar com ela com a voz da razão: "Olha que tu não sabes no que te vieste meter! Tu não fazes ideia do terror que ajudaste a libertar!", só que ela virou-se com um "Shhht", e pronto, estava mais do que visto que a minha inocência, a minha vida feliz e livre de performances de dança chegara mesmo ao fim.

Foi então que a tortura principiou. Tudo o que eu esperava acontecer, aconteceu. Ataques epilépticos. Corpos rebolando pelo chão. Gente a arrastar-se. Gajos roçando-se em gajos. Gajas a fazer o pino, a abrir as pernas, mas sem despertar um mínimo de sensualidade que fosse, enfim, tudo tudo tudo o que de mau poderia aparecer. A dada altura, fiz algo que nunca fiz na minha vida: apelei a uma força superior. Pela primeira vez, rezei. Disse: "Meu palhaço..., desculpa, isto é uma falta de respeito, vou começar de novo, Meu Palhaço, assim, como P grande, eu sei que durante estes anos todos não acreditei em Ti, mas agora está aí a Tua oportunidade para mostrares como eu estava enganado. Prometo, se provocares já aqui um ataque de paralisia aguda e total a estes dançarinos, que a partir de hoje serei o mais pio e o mais crente, seguirei todos os Teus ensinamentos, perseguirei homossexuais, queimarei infiéis, baterei em mulheres, essas merdas, enfim, farei tudo aquilo que se pede a um bom cristão. E, já agora, se é mesmo verdade que És o Amor e o Bem, faz lá uma forcinha para o Messi vir para o Sporting. Mas só se Te apetecer, é claro. O que eu gostava mesmo era que terminasses com o meu sofrimento nesta sala, ok? Obrigado e Glória a Ti nas Alturas."

Não é preciso ser o professor Bambo para adivinhar o que se deu, pois não?! A existência de um ser sobrenatural, omnipotente, omnisciente e sumamente bom não passa mesmo de uma quimera. Se existisse, nunca seriam permitidos espectáculos de dança. Se existisse, nunca os inocentes seriam sujeitos a este grau de dor e sofrimento. Venha lá agora o cardeal Ratzinger desmontar esta minha ideia, a ver se é capaz...

Foi duro, sem qualquer intervenção, fosse ela divina ou humana, aturar aquilo até ao fim, mas finalmente após uma hora e vinte minutos, que para mim mais pareceram 6 anos sob o governo de José Sócrates, a dança acabou. Fraco de corpo e de espírito, debilidade essa agravada pela percepção de que as outras pessoas, gaja e casal ex-amigo incluídos, aplaudiam veementemente a prestação dos "artistas", saí do recinto, certo e seguro de já não ser o mesmo homem que era antigamente. A gaja ainda me perguntou se eu tinha gostado, ao que respondi "Não fales comigo!" Sou bem capaz precisar de ajuda especializada, não para esquecer, porque os horrores que ali vi jamais abandonarão a minha memória, mas ao menos para ultrapassar, para conseguir viver com isto.

Até amanhã.

sexta-feira, maio 06, 2011

Gostei

Gostei muito do jogo de ontem. Mas não se pense que foi só do resultado: aquilo de que eu gostei mais foi, no final do jogo, ver adeptos benfiquistas a apanhar com cassetetes no lombo, mas, principalmente, AMEI a informação dada pelo comentador da SIC, e que era mais ou menos isto: "devido à transmissão do jogo, hoje não transmitiremos o Peso Pesado".

Pá, em resumo: o Benfica perde. Os benfiquistas apanham. E não dá o programa dos gordos. Ora isto é o que eu chamo de noite perfeita...

Bom fim-de-semana e torçam pelo Braga na Liga Europa.

quinta-feira, maio 05, 2011

A arte de ser português (e o Pascoaes que se f...)

Nas últimas 2-3 semanas, fui mordido por um bicho estranho qualquer que me levou a ler de empreitada só obras de ficção de autores portugueses. Comecei pelo Requiem para D. Quixote, do Dinis Machado na sua encarnação Dennis McShade, continuei com O Delfim do José Cardoso Pires, na sua encarnação José Cardoso Pires, e acabei com A Jangada de Pedra, do José Saramago, na sua encarnação de escritor pré-nobelizado. Foram todas óptimas leituras, exceptuando a última... que foi excelente! Na verdade, espanta como um país tão limitado no campo técnico-táctico, ou, dizendo por outras palavras, com tão claras lacunas intelectuais, consegue produzir escritores de enorme requinte, tão diferentes entre si e com estilos narrativos tão originais.

Não obstante as diferenças, há algo comum a estas três obras e, se me é permitido ir mais longe, há algo comum a toda a literatura portuguesa de categoria, seja ela da lavra dos supracitados, de um Eça de Queirós, de um Vergílio Ferreira, de um Jorge de Sena, enfim, não faltam casos particulares. E esse algo comum, na minha óptica, é um assumir de um certo desencanto, um descontentamento para com o estado de coisas e para com as pessoas. No Requiem para D. Quixote, por exemplo, o qual constitui o 2º volume das desventuras do detective e assassino a soldo Peter Maynard, o protagonista é cínico o suficiente para estar fora da lei e ao mesmo tempo evitar a corrupção do sindicato do crime organizado (Maynard só mata quem merece estar morto), ao mesmo tempo que se debate com uma úlcera que o corrói por dentro. Embora o enredo se passe maioritariamente em Nova Iorque, o substrato é do mais português. N'O Delfim, que à sua maneira é também uma espécie de romance policial, mas anti-policial, o que parece uma contradição mas não é, o desencanto é geral, indo das instituições às classes sociais, quer sejam abastadas ou não. Mais: o desencanto é tão, mas tão grande que as personagens, o narrador e, por arrastamento, o leitor, não sabem o que de facto aconteceu na propriedade dos fidalgos Palma Bravo. O criado morreu ou foi morto? Maria das Mercês suicidou-se, morreu às mãos do esposo ou tudo não passou de um acidente? E Tomás Palma Bravo, por onde pára? Tudo é inconclusivo e, ao sê-lo, desarma-nos. Já n'A Jangada de Pedra, o mundo sai - literalmente - dos seus eixos, ao ver-se a Península Ibérica arrancada da sua ligação à França e navegar, aparentemente livre, por aqueles mares já dantes, por portugueses, navegados. A partir deste ponto, o que fazer? Como se vive a vida quando a realidade é virada às avessas?! No fundo, o que este acontecimento da ordem do incrível e do bizarro ilustra é que, por vezes, e no caso dos portugueses o "por vezes" deve ser lido como um "quase sempre", é preciso dar-se uma catástrofe para que as pessoas acordem da sua letargia. Qualquer comparação com a realidade actual do país NÃO É uma mera coincidência...

Este desencanto que perpassa por grande parte das obras literárias da nossa língua não é senão um espelho daquilo que somos. Há muitos idiotas por aí a afirmar que aquilo que falta a Portugal é uma boa dose de pessimismo. Desculpem lá, não sei como hei-de dizer isto, mas... esses idiotas não passam de uns idiotas! Os portugueses são pessimistas, só que são pessimistas do pior tipo, isto é, são pessimistas de sorriso de orelha a orelha. No fundo, os portugueses são uma espécie de Demócrito: por fora, riem, por dentro, choram. Esta atitude, aliás, acaba por ser uma demonstração mais profunda de pessimismo do que a de Heraclito, o filósofo que chorava por fora para demonstrar como chorava por dentro. Se querem mais detalhes sobre esta oposição, leiam um sermão, belíssimo aliás, do padre António Vieira sobre o assunto.

Portanto, somos pessimistas sim. Somos eternos descontentes. Nunca estamos satisfeitos com nada. Se votamos ("votamos" aqui é para ser entendido apenas estilisticamente. Eu não votei!) no Sócrates, não é porque achemos que ele seja bom, é sim porque julgamos que os outros são pelo menos tão maus quanto ele. Isto é pessimismo! Se compramos ("compramos" aqui é para ser entendido apenas estilisticamente. Eu não compro) o último modelo de telemóvel XPTO, ou o último gadget, é porque não estamos satisfeitos com a catrefada de modelos de telemóvel ou de gadgets que comprámos anteriormente e agora andam lá por casa a criar bicho na arrecadação ou, à falta de espaço, dentro do autoclismo. Isto é pessimismo! Se andamos ("andamos" aqui... ah, vocês já sabem) à porrada nas estradas e nos parques de estacionamento, se discutimos nas filas de supermercado ou nos hospitais, se gastamos dinheiro em bolas de golfe para atirar aos adversários em vez de gastarmos em comida, isto é estúpido. Mas também é pessimismo! Ou vocês acham que um optimista, uma pessoa bem consigo mesma e esperançosa no futuro faz estas merdas?!? Claro que não, pá!

Ser português, então, é ser pessimista, mas um pessimista especial de corrida que esconde o seu pessimismo debaixo de uma capa de optimismo. Eu também sou assim: ficarei muito contente se o Braga hoje bater o Benfica, mas isso não esconde, mesmo que dê muitos pulos de alegria, a abissal tristeza que sinto por não ser o Sporting a disputar a conquista da Liga Europa... e do Campeonato... e da Taça de Portugal... Também fico contente por passar muito futebol na televisão, mas isso não tapa a minha frustração, o meu quase desespero, por não ver mamas de todo o mundo em horário nobre. E se, por acaso, passassem mamas de todo o mundo em horário nobre, eu ficaria triste por não passarem mamas de todo o universo a toda a hora. E se, também por mero acaso, o Sporting conquistasse a Taça de Portugal, o Campeonato, a Liga Europa, a Liga dos Campeões, a Supertaça Europeia e a Liga Mundial de Clubes, eu ficaria enfezado por não sermos campeões ingleses ou não podermos conquistar a Taça da Liga da Papuásia Nova Guiné. Enfim, eu sou assim, um constante instatisfeito, e vocês também são. É esta a arte de ser português.

quarta-feira, maio 04, 2011

Coisas que devem abster-se de fazer: dar comprimidos a gatas

AVISO: este post contém descrições eventualmente nojentas, horríveis e chocantes.

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Uma das nossas gatinhas apanhou uma inflamação numa pata, e como consequência foi levada ao veterinário. Portou-se muito bem, ela que é uma paz de alma e um amor de gatinha, como de resto já noticiei anteriormente, só que nestas histórias há sempre um depois. E o depois é que são elas!

Tudo porque o veterinário aconselhou-nos, durante um período de tempo, a dar todos os dias comprimidos anti-inflamatórios à felina. E aqui é que a porca, ou melhor, a gata, torce o rabo. O rabo é como quem diz, porque ela na verdade torce-se é toda. Tentar enfiar um comprimido pela goela daquela gata é tarefa que nem os navy seals que metralharam o Bin Laden seriam capazes de levar a bom porto. Sim, é verdade, e mais adiante demonstrá-lo-ei através da reprodução de uma conversa que tive com o Obama. Sim, o Bin Laden estava num complexo altamente complexo, e fortificado, e tinha guardas, e mulheres, e era um terrorista islâmico, e tinha barba, e turbante, não se esqueçam do turbante, sabe-se lá o que ali se escondia, mas não se compara em pertinácia àquela miniatura de leoa. Quando ela não quer tomar o comprimido, não toma mesmo o comprimido!

E nós já tentámos várias técnicas. A mais normal, e que chegou a resultar por um ou dois dias, foi eu agarrar na bichinha e pô-la de barriga para o ar, enquanto a minha gaja, rápida como um relâmpago, chegava-se junto dela, abria-lhe as mandíbulas e zás, enfiava-lhe o comprimido, ocasião em que eu lhe apertava a boca de modo a não ser capaz de cuspir o medicamento, algo que ocorria sempre que eu e a gaja nos mostrávamos menos coordenados.

O problema é que isto já não funciona. A gata desenvolveu uma técnica magistral que consiste em dobrar a língua e esconder o comprimido algures por entre aquele tecido rosado. Assim que eu relaxo os apertos, ela abre a boquinha e pronto, cospe o comprimido, o qual eu e a gaja já pensávamos estar a dirigir-se para o estômago felídio. E já nem falo nas patadas e unhadas que este que vos escreve sofre... nem nos puns mal-cheirosos que ela por vezes manda nestas situações, deve estar a pensar que é uma doninha, deve deve...

Tentámos já dar o comprimido da forma descrita mas com uma pequena variação: medicá-la somente quando estivesse a dormir. Pensámos nós, e bem, que quando ela estivesse molinha e ensonada, seria aí a melhor altura para lhe dar o comprimido, pois receberíamos menos resistência. E tivemos razão... mas só por um dia! Agora a gata já está avisada e não vai na conversa: se a acordamos, já não responde como um adolescente responderia numa manhã de segunda-feira antes de se levantar para ir às aulas. Fica sim desperta, completamente alerta, e reage no máximo das suas capacidades.

Outra medida infrutífera é esconder o comprimido no meio da comida. A gata pode ser uma comilona, mas não é parva, e consegue sempre comer a ração e deixar o comprimido na tigela. E nós, claro, a olhar para aquilo com ar de estúpidos.

Depois vem a técnica da, como eu lhe chamo, liquidez. Trata-se de desfazer o comprimido com um poucochinho de água e, através de uma seringa, enfiar o produto dentro da boca da gatinha. Experimentámos esta medida variadas vezes no passado e o seu sucesso foi animador... até perdermos a seringa algures, para nunca mais a encontrarmos. É claro que eu culpo a minha gaja por isso, afinal a minha gaja é - duh - uma gaja, e se há uma coisa que as gajas todas fazem é mudar o sítio às coisas, tanta e tanta vez que a dada altura acabam por não se lembrar onde é que as coisas estão. Enfim, gajas...

Falhando-os a seringa, voltámo-nos para a colher. Procedemos exactamente da mesma maneira, ou seja, liquefazemos o comprimido dentro de uma colher e depois enfiamo-la na boca da gata, com cuidado suficiente para não a magoarmos, mas com força, também suficiente, para o líquido não se escapar. Isto também funcionou por um ou dois dias, mas a gata aprende a safar-se de uma situação indesejável mais facilmente do que um cigano aprende a furar a fila numa repartição pública. Por artes que quase parecem mágicas, a gatinha consegue agora impedir que o líquido desça a garganta e, qual Linda Blair, quando menos esperamos cospe-nos o mesmo para cima, salpicando-nos com água, saliva de gato e, claro está, anti-inflamatório [eu avisei que o post continha imagens nojentas. Quê, não acham isto nojento?!?! Então experimentem levar com o conteúdo da boca de uma gata... é pelo menos tão mau quanto aquelas histórias de pais que calham levar com jactos escatológicos dos seus filhos].

Portanto, neste momento eu e a gaja estamos num impasse. Temos de dar o comprimido à gata, mas não conseguimos dar o comprimido à gata. Ela é mais engenhosa, esperta e fisicamente capaz. Dois seres humanos, um produto farmacêutico e tecnologia da mais avançada, como é uma colher, não são nada diante de quatro patas e vários bigodes. A situação é tão dramática que, há dias, cheguei até mesmo a pedir ajuda ao Obama, só que quando ele soube do conteúdo da missão, respondeu-me assim: "What?!? You want us to give a pill?!? To a small and cute pussycat?!?! Are you f*cking mad?! Are you drinking?!? Are you high on crack?!? That's impossible. We don't have the skills, man! It's easier to catch Osama!". Pouco tempo depois, ele comprovou-o apanhando mesmo o maluco do turbante. E a gatinha, essa, sobra sempre para nós...

terça-feira, maio 03, 2011

Trocadilho estúpido (2)

- Que nome se dá à noite de núpcias quando o recém-casado não consegue levantar o instrumento?
- Lua-de-mole...


Até amanhã, e lembrem-se: a culpa de virem aqui é única e exclusivamente vossa! :)

segunda-feira, maio 02, 2011

Da união de duas coisas boas nem sempre sai uma coisa melhor

A lógica e o bom senso dizem-nos que se uma coisa boa se une a outra coisa boa, o resultado só poderá ser uma coisa ainda melhor. O problema é que a realidade dos factos nem sempre respeita a lógica e o bom senso, como aliás tive o desprazer de confirmar através da situação seguinte.

Imaginem uma cerveja preta. Não, em vez de imaginarem, vão aí à tasca mais próxima e mandem vir uma, assim tipo esta:

Agora tirem-lhe a tampa e saboreiem-na. Não liguem ao que as outras pessoas possam dizer, não respondam às acusações de ebriez, apenas sorvam o conteúdo da garrafa. Delicioso, não é?!

Agora imaginem um chocolate. Não, em vez de imaginarem, saiam da tasca e entrem num supermercado. Comprem um chocolate qualquer, ao acaso.


Tirem-lhe o invólucro e a prata e deglutam-no. Não liguem ao que as outras pessoas possam dizer, não respondam às acusações de glutonia, apenas sintam o saboroso gosto do cacau. Óptimo, não é?!

E agora imaginem que alguém decidiu fazer uma experiência e reuniu estas duas coisas, a cerveja preta e o chocolate, numa só, originando - TCHARAM! - a cerveja preta de chocolate. Parece uma coisa saída da ficção científica, não é? Como é que alguém poderia lembrar-se disto? Pois, a Sagres lembrou-se:



Seria uma excelente jogada, misturar duas coisas que separadamente são muito boas. Quem não gosta de chocolate?! Quem não gosta de cerveja preta?! Sim, seria mesmo uma excelente jogada, melhor do que a que o Messi fez na quarta-feira à defesa do Real Madrid quando passou por eles todos como se fosse um tiro e pimba!, lá para dentro. Seria, SE A CERVEJA PRETA DE CHOCOLATE NÃO FOSSE UMA MERDA, o que leva a pensar se terá sido mesmo chocolate aquilo que os químicos da Sagres juntaram à cerveja preta. A cerveja preta de chocolate estraga tanto a cerveja preta como o chocolate, mostrando aquilo que eu venho a dizer desde o início: de duas coisas boas às vezes não sai uma coisa melhor. Neste caso, não saiu mesmo, apetece até dizer que a cervejaria pariu uma poucochinha de merda.

Não sei se vocês já tiveram o desprazer de experimentar, mas se foram felizardos e avisados ao ponto de não o fazer, fica aqui o meu conselho: passem longe. Passem mais longe desta cerveja do que passariam se os tipos do FMI viessem ter convosco para vos dar um passou-bem. Fujam desta cerveja como o Elton John foge de sexo heterossexual. Evitem esta cerveja como os Black Eyed Peas evitam fazer boa música. Enfim, digam um sonoro não a isto. Ou então, se são do tipo corajoso e gostam de ir à aventura, bebam um gole da dita. Bebam... mas depois não se me venham queixar quando vomitarem o terreno todo à vossa frente.

É que aquilo é mesmo horrível, pá!

sexta-feira, abril 29, 2011

Chapa gasta, chapa (ainda mais) ganha.


Olá, bom dia a todos, em particular ao José Saramago, que está a fazer-me rir como um perdido n'A Jangada de Pedra, que é a minha presente leitura de transportes públicos. Sim, eu sei que o tipo já morreu, mas e daí? Há alguma lei que impeça uma pessoa de dar os bons dias aos quinados?! Hmmm?!?

Bom, e quanto ao título do post, em que ficamos?! "Chapa gasta, chapa (ainda mais) ganha"?!? Que raios é que isto significa? Como é evidente, vou explicar tudo, tim tim por milou.

A expressão normal é, como todos sabem, "chapa ganha, chapa gasta", e é utilizada sobretudo pelos assalariados que, recebendo o seu cheque ou o dinheiro na sua conta bancária, têm imediatamente de gastar tudo para fazer face às despesas necessárias como, e exemplificando, um gajo que acabe de receber 1000 € como paga pelo seu desempenho profissional mensal e gaste tudo em putas logo no dia seguinte, é assim que vai a meretriz da vida, o custo dos bens de consumo é tão elevado que umas duas ou três quecas chupam logo um gajo, física e economicamente, as coisas são mesmo injustas, não há dúvida, e agora acho que me perdi, acontece.

Regressando à terra, e ao assunto que ora trago, a inversão que procedi da popular expressão nada tem a ver com salários, ou coitos, ou prostitutas. Eu digo "chapa gasta, chapa (ainda mais) ganha" para traduzir uma situação muito particular, como é a de eu fazer exercício e depois ir à paparoca. Assim, explicando tudo com princípio, meio e fim, a chapa gasta significa a energia e calorias que despendi aquando da realização dos exercícios físicos, a chapa ganha por sua vez significa a energia e calorias que ganhei aquando do jantar, e o (ainda mais) refere-se, por sua vez, ao facto de, estupidamente, eu ter ingerido muito mais calorias do que aquelas que havia previamente deitado fora. Pronto, está dada a explicação, e peço desculpa por não ter cumprido totalmente o que prometi, eu disse que ia explicar tudo com princípio, meio e fim, mas, se seguiram o meu raciocínio, verifica-se que expliquei tudo, sim, só que com princípio, fim e meio, vá lá saber-se porquê.

Ou seja, e resumindo tudo aquilo que foi dito, menos a parte dos salários, e das putas, e das quecas, e também do pedido de desculpas antecedente, num indivíduo ou numa indivídua comuns, a actividade física serve como factor para a perda de peso, mas numa pessoa como eu, o exercício só provoca a engorda, isto porque esgoto-me tanto a correr e a alongar-me e a elevar-me e mais não sei o quê que, quando chega a hora da refeição, estou tão desesperado de fome que como este mundo, o outro e os seus respectivos satélites. Se se desse o caso de eu fazer exercício todos os dias, era mais do que certinho estar em condições de passar por um nativo da Samoa ou, pior ainda, de fazer concorrência ao Maniche.

É por esta razão que, se eu fosse um trambolho gordo, seria a ovelha negra de programas como o Peso Pesado, a adaptação do The Biggest Loser a estrear em breve na SIC. Quanto mais me obrigassem a fazer ginástica, mais eu comeria logo a seguir, e em vez de perder peso, ganhá-lo-ia de certeza, tanto tanto que a própria balança a dada altura recusar-se-ia a pesar-me, e compreendia-se, pois embora seja um objecto inanimado, até as coisas inanimadas têm a sua dignidade, basta olharmos para o cérebro do Jorge Jesus.

No meu caso, a melhor maneira de perder peso é mesmo ficar quieto e não fazer nenhum. Assim, é verdade que não gasto muita chapa, mas também o é que venho a ganhar menos...

Bom fim-de-semana.

quinta-feira, abril 28, 2011

Prioridades trocadas: o casamento real

O casamento ou, se me quiser exprimir perifrasticamente, o fim-do-mundo para o membro masculino envolvido numa relação amorosa, vejam lá como isto ficou bonito, e verdadeiro, que é o que mais importa aqui, mas dizia eu, o casamento real que irá celebrar-se amanhã na Bifolândia, ou, se me quiser exprimir de novo perifrasticamente, a terra dos bifes, é a prova mais do que provada de que as prioridades estão, neste mundo, todas baralhadas, e aqui não há perífrase de que me valha, é isto mesmo, prioridades baralhadas.

E porquê?! Então não é que, para o casamento, estão a ser mobilizados milhares e milhares de canais televisivos, a cerimónia vai passar em vários e diferentes países, jornalistas e comentadores e até o José Rodrigues dos Santos já assentaram tenda em Westminster e o caraças, MAS NEM UM SACANA DE UM CANALZINHO CONSEGUIU O EXCLUSIVO PARA TRANSMITIR A LUA DE MEL, logo a consequência mais interessante de qualquer matrimónio?!?!? É por estas e por outras que o mundo está no estado em que está, ou seja, todo torto...

Obrigadinho por nada...

quarta-feira, abril 27, 2011

E se o Futre tivesse feito o 25 de Abril?!

Teríamos apanhado não com o 25 e sim com o 24+1 de Abril, as palavras de ordem teriam sido "vai vir chaimites" (com chineses maoístas lá dentro) e o Marcello Caetano teria sido posto a andar do convento do Carmo com um lapidar "presidente do Conselho, presidente do Conselho: por favor, estou concentradíssimo".

Era capaz de ter sido giro... a revolução dos cravos seria outra!

...vai vir chaimites!

terça-feira, abril 26, 2011

A inevitabilidade de dizer parvoíces.

Qualquer coisa me serve de estímulo para proferir parvoíces. E quando chega aqui, à minha secretária, uma tipa chamada Inês Pereira, está mais do que assente que vou ser parvo, ah pois está! Tão certo como o Sporting não conquistar a porra de um título nesta época que acaba.

É que, quando ela se foi embora, não resisti a dizer um "Então adeus, Nespereira". I-NE-VI-TÁ-VEL!

Até amanhã.

segunda-feira, abril 25, 2011

25 de Abril é isto!

Ficar em casa, juntinho da gaja, dando-lhe apertõezinhos e abracinhos de quando em vez, ela vendo documentários sobre o William e a Kate na televisão, eu lendo O Delfim do José Cardoso Pires ou coscuvilhando a internet, e assim se passam horas revolucionárias num ambiente aburguesado. E sabem de uma coisa?!?! É bom demais...

(enquanto teclo isto, a gaja abandona o aconchego do sofá e vai ver o que se pode fazer para o almoço. Não tarda nada, chama-me para ajudá-la. E eu vou, feliz e contente. Viva o 25 de Abril!)

quarta-feira, abril 20, 2011

E depois o povo é que é javardo e mal educado e o caraças...

Ora vejam lá isto:

"A alimentação da família real era (...) bastante escrutinada: um rei que arrotava e que emitia muitos ruídos enquanto comia era criticado, o mesmo acontecendo com os membros da família régia que se alimentavam em quantidades imoderadas (...). O príncipe Filipe - futuro D. Filipe II de Portugal - gostava muito de comer, ao ponto de García de Loyasa lhe ter recomendado, em 1591, que se moderasse. E também as mulheres da família real estavam sujeitas a este tipo de escrutínio: D. Maria Francisca, por exemplo, gostava de beber grandes quantidades de vinho, tendo sido por diversas vezes repreendida por Pedro II, seu marido. São vários os observadores estrangeiros que criticam, também, a falta de maneiras dos reis portugueses à mesa, de que o caso mais espectacular é, talvez, o de D. Pedro II durante a década de 1960, diversas vezes visto por um diplomata francês a comer um naco de carne, usado somente as mãos e sentado num toco de madeira.
Muito criticado também foi D. Afonso VI por causa dos seus hábitos alimentares. Para além da falta de moderação a comer, distinguia-se pela sua intemperança, pela sua predilecção por carne crua e pelo facto de gostar de comer na cama, comportamento tido como indecoroso, não saudável e, até, antinatural."

Citação retirada de Pedro Cardim, "A corte régia e o alargamento da esfera privada", in História da Vida Privada em Portugal: A Idade Moderna, Lisboa, Temas & Debates, 2010.

"Portantos", vamos lá a ver se eu percebi bem: o povo, isto é, a gente comum, é tantas e tantas vezes acusado de conduta inadequada à mesa, de má educação, de javardice e tal só porque, de quando em vez, lança um ou outro arroto ou até um gás, mas e o que se verifica com as nossas grandes figuras de estado?!? Uns também arrotavam (deve ser a isto a que se referem os monárquicos de hoje em dia quando falam da proximidade entre povo e reis...), outros eram glutões, outras embebedavam-se, e assim por diante. E o que dizer do Afonso VI? Pá, o Afonso VI é de outro mundo: carne crua?!?! Comer na cama?!?! Estou mesmo a ver a rainha consorte, D. Maria Francisca (sim, a mesma bêbeda que, depois da deposição de Afonso VI, viria a casar-se com Pedro II), no leito real a virar-se para o Afonso e perguntar-lhe: "Olá! Mas o que é isto aqui tão rijo que estou a sentir entre as pernas de Sua Majestade? É hoje que vamos consumar o nosso matrimónio?", só para ter como resposta um "Não, estúpida! Isso é o pernil de perú que sobrou do jantar. Está aí guardado porque daqui a pouco vou dar-lhe uma trinca". E depois desta frase, claro, arrotaria. E peidava-se. Enfim, não admira que lhe tenham posto um processo em cima.

E ainda há quem olhe de lado para mim quando, num restaurante público, eu coço os tintins depois da sobremesa... Tenham juízo, caramba!

terça-feira, abril 19, 2011

Noites de tempestade

Ó pá, foi tão gira a noite/madrugada de ontem! Tantos trovões, tantos relâmpagos e tanta chuva. Foi mesmo fixe. Eu já não via tanta humidade desde que assisti ao Universitárias Badalhocas 4: Vem Enfiar-nos a tua Tuna. A dada altura, imaginei que, se o Turner estivesse vivo, ele teria dado o cu e cinco tostões por um pincel, uma tela e umas quantas aguarelas de forma a imortalizar, em quadro, a magnificência da tempestade de ontem. Já agora, quero um prémio de escrita criativa para mim por, atrás, ter feito um jogo estúpido entre "Tuna" e "Turner". Eu sei que vocês não apanhariam se eu não vos tivesse dito, mas não interessa. Bom, adiante.

Estava a falar de como a noite de ontem tinha sido mesmo fantástica. Foi cabrum e pshhhhhhhhh a noite toda. Cabrum. Pshhhhhh. Pshhhhh. Cabrum. A dada altura, só para dar mais ambiente, fui buscar o meu cd homónimo dos Black Sabbath e pus a rodar a Black Sabbath (é, a Black Sabbath dos Black Sabbath do disco Black Sabbath: a banda tinha muita imaginação para nomes!), a primeira música heavy metal de sempre, que coincidentemente se faz iniciar por uns pshhhhhs e cabruns. E sim, abanei a carola ao som que vinha da aparelhagem e ao que vinha lá de fora, e tive de me conter, muito aliás, para não fazer um mosh à mesa da sala.

Já a gaja não gostou muito da tempestade. Não é coisa que a fascine particularmente. Encolhia-se a cada trovão mais próximo, maldizia a chuva, intrigava-se por me ver tão contente. E foi-se deitar mais cedo do que o costume, cobrindo-se completamente com os lençóis, ao passo que eu peguei num livrinho e fui passando os olhos pelas páginas ao mesmo tempo que estava atento aos cabruns e pshhhhhhs que se faziam sentir. Pouco depois, embalado por este cenário, adormeci, e posso dizer que tive uma noite santa, apenas interrompida por uma ida à casa de banho, interrupção essa que me fez constatar, com agrado, que a tempestade lá fora ainda continuava. Quando voltei ao leito, não foi preciso muito para tornar a cair nos braços de Morfeu, e digo "braços de Morfeu" porque é uma expressão popular que significa dormir que nem um anjinho, não fiquem cá a pensar que um negro musculado, como o do Matrix, se tinha juntado a nós na cama. Quando acordei, fi-lo revigorado, como se tivesse dormido dois dias seguidos. Tudo por causa da tempestade. E do Morfeu. Hã?!?!?

Eu sei que muitos, em particular a minha gaja, não vão achar grande piada ao que vou dizer em seguida, mas gostava muito que esta noite houvesse uma tempestade similar à que ocorreu na noite de ontem. Foi mesmo fixe. As tempestades são do catano, pá!

segunda-feira, abril 18, 2011

A primeira ida à praia do ano

Como Abril tem andado armado em Junho ou mesmo Julho - embora hoje não, hoje, como pode avaliar-se pela nuvens que encobrem o céu, Abril está apenas armado em parvo - , no Sábado eu e a gaja demos um saltito até à praia, aproveitando a soalheira tarde que fazia.

E foi um belo dia, devo dizer, pois o sol estava simpático, mostrando-se mas não querendo abusar das suas propriedades queimatórias; a areia, embora suja, tinha espaço limpo suficiente para nós deitarmos a toalha sem ser em cima de uma fralda abandonada ou numa cratera pejada de beatas de cigarro; não havia vento e a água, em que eu mergulhei, nadei e boiei, embora um pouco fria, estava boa.

Sim, bem sei que já vos oiço a fazer a inevitável pergunta: "Ó Peter, mas e então e as gajas?!?! Como estamos de gajas?!? Muitos bikinis a passear? Muito fio dental?!?! Muito topless?!?! Viste muitos cus e muitas mamas?!?! E que te pareceram?!?! A fome que, devido à crise, alastra em Portugal tem servido, ao menos, para reduzir a percentagem de focas gordas e aumentar o número de gajas boas, ali rijinhas, com tudo no sítio, sem celulite e o caraças?!?!?" Eu percebo a vossa preocupação, pois estes temas são da máxima importância. Porém, recordo-vos que estava acompanhado da minha gaja, o que quer dizer que foi construída uma muralha da China de areia em meu redor que impedia, enquanto me encontrava deitado na toalha, de olhar para a praia em busca de corpos femininos. É a vida...

Ora, não podendo então realizar uma análise - que creio seria fundamental para vós - aprofundada do factor gajedo, limito-me a constatar um fenómeno que pode muito bem prejudicar qualquer estadia, seja breve ou mais alongada, na praia: refiro-me, claro, às crianças. Pá, as crianças, os putos, a pitalhada, enfim, os ranhosos, deviam ser impedidos de ir à praia. Tudo muito bem, se as pessoas querem levar cães, acho que sim, que podem, porque os cães nem incomodam assim tanto, é verdade que deixam uma poia ou outra, ladram, correm, soltam areia e por vezes até, ao sacudirem-se, mandam pingos de água salgada para cima de nós, mas nada disto se compara ao que as crianças conseguem fazer. Crianças na praia equivale mais ou menos a soldados americanos em cenário de guerra, ou ao Teixeira dos Santos no ministério das Finanças, ou ao Yannick Djaló num relvado de futebol: dê lá aquilo por onde der, é inevitável que dali sairá merda!

O Sábado passado nada mais fez que comprovar esta minha opinião. Desde choros e berros (ui, como as crianças choram e berram, caraças), daqueles que se enfiam mesmo mesmo dentro dos ouvidos, estejam eles entupidos com água do mar ou não, a brigas anárquicas na areia, com total indiferença para quem está deitado na sua toalha a querer apanhar com sol nas costas e de repente se vê com um pé de uma criança a 2 milímetros do nariz, passando por correrias desenfreadas que levantam mais areia do que qualquer canídeo é capaz, já para não falar nas belas surpresas que são as poças de xixi no meio da areia mais dura, as crianças são capazes de aterrorizar qualquer pessoa de bem que deseja ir à praia aliviar do stress.

Daí o meu apelo: se vocês são pais, por favor, neste 2011, evitem trazer crianças para a praia. Sei lá, deixem-nas sozinhas em casa, faz-lhes bem um pouco de independência. Ou tragam-nas para a praia, mas com açaime, trela e correntes ligadas aos pés, daquelas com uma bola de 10 quilos na ponta. Ou, sei lá, as praias que construam um pré-fabricado onde os pais possam deixar os querubins durante o tempo que vão a banhos. Até podem, nesse espaço, estimular-se actividades próprias e adequadas para as crianças, como por exemplo introdução à aprendizagem ao fabrico de sapatos. Imaginem 50 ou 60 putos, ali dentro de um pré-fabricado de madeira, em pleno Verão, a coser sapatos enquanto os adultos se esforçam por apanhar cancro de pele no lombo, e vão ver se os dias de praia não se tornarão muito mais agradáveis. Pensem nisto, ok?

Até amanhã.

sexta-feira, abril 15, 2011

Trocadilho estúpido

"I have a dream... that one day we could all be gay"

Se o Martin Luther King tivesse sido defensor dos direitos dos gays, chamar-se-ia Martin Leather King.


Obrigado e bom fim-de-semana.

quinta-feira, abril 14, 2011

A minha opinião final e definitiva sobre o Futre

Acho que o Paulo Futre anda a ser injustamente criticado e rebaixado desde que proferiu aquelas famosas declarações na campanha para as presidenciais leoninas. Afinal, o Futre percebe do assunto. Pode até ser mesmo um visionário. Pelo menos, é certo que anda a tomar umas cenas que o fazem ver coisas que nenhum outro director desportivo é capaz de ver.

Pensem nisto antes de voltarem a gozar com o Futre.

quarta-feira, abril 13, 2011

Já alguma vez pensaram

em pegar no Sócrates, no Passos Coelho, no Portas, no Jerónimo e no Louçã, prendê-los com correntes, atirá-los ao mar, depois pescá-los com uma rede, enfiá-los numa grelhadeira, rodar e rodar até aquilo ficar tudo bem tostadinho, cortá-los às fatias e depois jogar os pedaços aos porcos?

Já alguma vez pensaram nisto, já?! Eu não, nem sei por que é que vim com esta história...

terça-feira, abril 12, 2011

A nova coqueluche alimentar do Peter of Pan: Pão Pita


Desde que embalagens com pães pita começaram a ser postas à venda nos hipermercados, eu não quero outra coisa. "Ah", mas perguntam vocês, desconhecedores de tudo o que não seja feijoada à transmontana ou bife com batatas fritas, "o que raios é um pão pita? É um pão fêmea adolescente? É um pão feito com bocadinhos de órgãos genitais femininos?!?"

Não, caramba. Um pão pita é um pão cozido típico do Médio Oriente, mas sem o cheiro a bombas e a raides aéreos. Fazendo-lhe um corte transversal, abre-se como uma espécie de bolsa e depois é só enfiar-lhe lá para dentro aquilo que nos apetecer. No meu caso, abstémio de carne, pode parecer que estou um pouco limitado, o que não deixa de ser verdade. Se querem saber o que eu enfio para dentro da pita [por favor, não me venham com freudianismos, ok?!?], aqui vai uma lista: alface, tomate, cebola, milho, pepino, rabanete, orégãos, pimento, cenoura, queijo... acho que é só! Por vezes, também acompanho com ketchup ou maionese. Pouca coisa, sim, mas para mim é suficiente.

Se comer umas 3 ou 4 pitas seguidas, fico bem [por favor, não me venham com freudianismos, ok?!?, parte 2]. É uma refeição rápida, saudável, barata mas ao mesmo tempo prazenteira e divertida. É que não deixa de ser engraçado, como se fosse um passatempo, abrirmos a pita e enfiarmos lá para dentro os nossos ingredientes predilectos. Às vezes, é necessária uma tal eficácia na coordenação e na pontaria que ficamos a pensar se os exercícios prestados na tropa serão tão exigentes. E depois há a questão quase filosófica de sabermos quem nós somos quando enchemos uma pita [por favor, não me venham com freudianismos, ok?!?, parte 3]. Há quem o faça à bruta, há quem o faça devagar e suavemente [por favor, não me venham com freudianismos, ok?!?, parte 4]. Há quem ponha os ingredientes à vez, tipo primeiro uma dose de cebola, depois uma dose de alface, e assim por diante, há quem ponha tudo ao molho e fé em deus. E isto, minha gente, diz mais sobre nós do que qualquer outro evento culinário.

Se querem saber como sou eu, confesso que encho as pitas devagar e suavemente e ponho tudo ao molho e fé em deus. Por vezes, até, quero enfiar mais do que a pita pode comportar e acabo por rasgá-la nas margens. Acontece... [por favor, não me venham com... ah, bolas, esta não dá mesmo para escapar. Ficou explícita demais! Enfim, adiante...]

No fim desta conversa, fiquei com vontade de comer uma pita. Até já!

segunda-feira, abril 11, 2011

Adivinha: o que é que tanto vira à esquerda como à direita?!

Uma serpente a rastejar no chão quente do deserto?!

Um bêbedo às 3 da manhã nos Restauradores?!

Um adolescente diante de dois ecrãs que exibem pornografia?!

O Cristiano Ronaldo a driblar?!

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Não, pá! É óbvio que é o Fernando Nobre! Num momento está no Bloco de Esquerda, no outro no PSD! É desconcertante, o tipo...

sexta-feira, abril 08, 2011

Filmes série B que eu gostaria de ver (1)

É raro encontrar filmes que agradem ao meu lado intelectual e ao meu lado lúdico. Sim, sou um cinéfilo de gostos apurados, valorizo os enredos, as actuações e a realização. Mas sou, também, um apreciador do desopilanço típico de um despretencioso filme de série B, que ganha nesse quesito aos pontos a uma qualquer mega-produção hollywoodesca, que se leva demasiado a sério para ser considerada cinema qua cinema. Só que, hélas, ninguém, nem mesmo os realizadores e argumentistas independentes, se arrisca a fazer os filmes que eu gostaria de ver. Ora, é nesse contexto que inauguro uma nova série aqui no blogue: Os filmes série B que eu gostaria de ver. Esta é a minha primeira ideia:

Os Feiticeiros Vampiros Zombies Enfrentam os Aliens Assaltantes de Bancos.

Cansados da falta de liquidez vivida na galáxia Brobix, situada a dez mil milhares de milhões de anos luz, ou, em linguagem científica, "bué da longe", da Via Láctea, um grupo de alienígenas decide tentar a sua sorte no planeta Terra. Em pouco tempo, conseguem retirar, com sucesso, graveto dos maiores bancos terrestres.

Nitidamente preocupadas com a vaga de assaltos, as autoridades mundiais, incapazes de lidar com a tecnologia alienígena, decidem recorrer a medidas extremas: o projecto Feiticeiros Vampiros Zombies. Este projecto mega-híper-ultra secreto foi criado, originalmente, pela União Europeia no sentido de dar resposta a uma eventual eleição do Paulo Futre como director desportivo dos principais clubes europeus de futebol. Como temiam uma invasão de charters com jogadores chineses lá dentro, os grandes dignitários da UE reuniram-se e alguém teve a seguinte iluminação: "e se criássemos uns vampiros zombies que fossem também feiticeiros de modo a combater a invasão de futebolistas chineses?!" A proposta foi imediatamente aceite e em poucas semanas, num laboratório secreto ali para os lados de Fernão Ferro, foram criados os primeiros Feiticeiros Vampiros Zombies. Só que, como o Futre nem sequer foi eleito para director desportivo do Sporting, quanto mais dos principais clubes europeus, a ameaça deixou de fazer sentido e os Feiticeiros Vampiros Zombies foram colocados em animação suspensa, até que uma razão de maior levasse ao seu despertar...

Confrontados com o exército de Feiticeiros Vampiros Zombies, os Aliens Assaltantes de Bancos vêem-se obrigados a uma reacção estratégica. Disfarçada de lavadora de escadas, uma alienígena consegue infiltrar-se na sede dos Feiticeiros Vampiros Zombies, onde seduz uma feiticeira vampira zombie (filme de série B que é filme de série B tem de ser uma cena altamente tórrida de lesbianismo, pá!). Só que, lá está, os Aliens Assaltantes de Bancos, como são de outra galáxia, não conhecem as propriedades de feiticeiros, vampiros e zombies, e é então que, no fim da cena altamente tórrida de sexo lésbico inter-galáctico, a feiticeira vampira zombie morde o pescoço da alien assaltante de bancos, come-lhe o cérebro e lança um Hocus Pocus, que, tecnicamente, não faz nada mas causa um efeito altamente dramático nos ecrãs das salas de cinema.

Vários dias depois, intrigados com a falta de notícias da sua camarada extra-terrestre, os Aliens Assaltantes de Bancos acorrem todos à sede dos Feiticeiros Vampiros Zombies, e é então que se dá uma gloriosa mega-batalha pelo futuro do sistema bancário da Terra. Chovem raios laser de um lado, feitiços do outro, mas no final da refrega os Feiticeiros Vampiros Zombies saem vencedores: a ameaça dos Aliens Assaltantes de Bancos é debelada. FIM!

Fónix, ganda filme, não é?!?!?

Bom fim-de-semana

quinta-feira, abril 07, 2011

Pessoas com nomes de bichos: estudo, análise e diagnóstico da coisa

Se estavam a pensar que eu hoje viria falar de política e de ajudas externas, azarito! Não tenho por hábito falar de minudências. Hoje, o assunto é profundo e toca a todos: pessoas com nomes de bichos! Quantas pessoas conhecem cujos apelidos são bichos?! Desde os comuns Pinto e Coelho, passando por Lobo, Pombo, Leitão, Pardal, Peixe ou pelos menos vulgares Cão (lembram-se do Diogo?), Gato ou Rato, do qual temos até um exemplo na nossa recém-dissolvida assembleia da república na figura da Rita Rato que, não por acaso, é uma bela rata... aham, desculpem, Rita. Há, até, nomes mais exóticos, como Leão ou Lagarto, Falcão, Gavião... curiosamente, porém, nunca vi - para grande tristeza dos lampiões - ninguém chamado Águia.

A grande pergunta que, necessariamente, se coloca é, então: Por que é que há bichos dignos de figurarem como nomes de pessoas e outros não?!? Se temos um João Lagarto, por que não temos um André Crocodilo?! Por acaso um crocodilo é menos nobre do que um lagarto?!? E os nossos parentes mais próximos?! Nunca se questionaram por não encontrar ninguém com os apelidos Orangotango, Chimpanzé ou Bonobo?! E por que carga de água as aves se assumem como maioritárias no grupo de pessoas que têm nomes de bichos? Além dos supracitados Pombo, Pardal, Falcão ou Gavião, também podemos encontrar Pato, Galo e um sem número de outra passarada... mas alguma vez viram um Mário Avestruz?! Ou uma Sara Abelharuco?!? E porquê?! Que razões subjazem a tal discriminação? E os insectos?! Se os insectos, enquanto espécie, são em maior diversidade e número que as aves, por que é que essa proporção não se reflecte nos apelidos das pessoas? Tirando Barata ou Formiga, não me recordo de encontrar pessoas cujos nomes fossem insectos. Já depararam com algum Nuno Tarântula?! Ou uma Joana Percevejo?! Eu não!

E os seres aquáticos, como ficam?! Sim, temos o genérico Peixe, mas há razões para haver um Emílio Peixe, ex-jogador do Sporting, Benfica e Porto, e não haver uma Maria Alforreca que, sei lá, seja patinadora nos hipermercados Continente?! Não há, creio eu! E ninguém se chega à frente para explicar o porquê destas tretas! Parece, na realidade, que no que toca a dar nomes de bichos às pessoas, o ditado orwelliano faz história: "todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros". E ninguém sabe porquê. Pensem nisto.

quarta-feira, abril 06, 2011

Sequinhas à la Peter of Pan

Era uma vez um gajo tão, mas tão feio que, quando se olhava de frente para o espelho, o espelho reflectia as costas.

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Era uma vez um gajo tão, mas tão gordo que não morava uma casa e sim num sistema solar.

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Era uma vez uns músicos tão, mas tão maus que decidiram formar os Black Eyed Peas.


Obrigado e até amanhã.

terça-feira, abril 05, 2011

Não percebo!

Quando eu, embalado pelos decibéis que estoiram no meu leitor de mp3, começo a abanar a cabeça no comboio e a bater o pé, sou imediatamente olhado de soslaio por toda a gente, os seguranças são chamados, marcam-se números no telemóvel e pergunta-se quando é que os senhores da camisa de força chegam... mas quando é este palhaço a dançar no meio da rua, já ninguém diz nada, se for preciso até acham muito giro e cool e o diabo a sete.



Mas que raio de dois pesos e duas medidas...

Ah, e garanto que abano a cabeça e bato o pé com muito mais estilo do que o Hugh Jackman dança, ok?

segunda-feira, abril 04, 2011

Homeopatia de #*&%@

Como nos últimos meses (anos?!?!) tenho vindo a notar um crescimento inexplicável da minha pança, assim como se fosse tipo um défice, e a comparação não é absurda, pois o défice, tal como a pança, tendem a crescer quanto mais se consome, decidi tomar medidas. Virei-me, então para a homeopatia. Enfim, vocês sabem, a homeopatia. Não, a homeopatia não é uma tia homossexual, deixem de ser ignorantes. É, isso sim, um tipo de medicina alternativa (mas, contrariamente a outras cenas alternativas, não cheira mal nem usa dreadlocks) caracterizada por curar as maleitas através da prescrição, em doses pequenas, daquilo que provocou a maleita. Outra comparação permitirá ilustrar a coisa mais eficazmente: o Sócrates deu cabo do país, certo? Por outras palavras, o país levou uma dose tão grande de Sócrates, que ficou doente. Ora, o que a homeopatia diz é que, se queremos curar o doente, temos de servi-lo com doses pequenas daquilo que o pôs mal. Neste caso, seria cortar o Sócrates aos bocadinhos e dá-lo ao país, um pedacito de cada vez. Em teoria, isto parece-me mais do que bem: parece-me até perfeito!

Bom, foi mais ou menos isso que resolvi fazer em relação à minha pança. E desenganem-se, pois não se tratou de comer bocados de Sócrates às refeições: eu sou vegetariano, caramba! Isso exclui-me de comer animais, mesmo irracionais. O que eu quero dizer é que procurei valer-me dos princípios da homeopatia: se a minha pança cresceu porque eu andava a comer muito, então a solução teria de passar por dar à minha pança doses mais pequenas de comida. Foi então que, nas últimas semanas, andei a comer doses de periquito: uma coisita aqui, outra ali, mais outra acolá, em lugar de enfardar tudo o que me aparecesse à frente a torto e a direito. Por exemplo, antes, quando ia ao almoço, enfiava tudo o que pudesse enfiar em cima do prato e nhac, nhac, nhac, era comer até o fundo ficar todo reluzente. Agora não: em respeito pelos princípios homeopáticos, mas também da nouvelle cuisine française, pego num prato, coloco umas poucas coisinhas, assim sei lá, uma alface e um tomatito, e como. Depois, pego novamente no prato, vou buscar mais coisinhas, e como. Depois disso, vou buscar mais umas cenas... e como. E assim sucessivamente, em doses sempre pequenininhas!

Resultados desta minha auto-medicação?! Estes: NÃO ESTÁ A RESULTAR!!!!! A homeopatia é uma treta e quem a inventou devia, sei lá, ser seviciado pelo esfíncter em doses cavalares. As doses mais pequenas não curam nada, pá! De tanta dose pequena que tenho consumido, a minha pança já cresceu mais uns quantos centímetros de diâmetro...

sexta-feira, abril 01, 2011

Já agora, só falta virem dizer que os álbuns do Abrunhosa eliminam o chulé

A quinta sinfonia do Beethoven dá cabo do cancro, de acordo com uma investigação.

Bem cantava o Paco Bandeira... "minha quinta sinfonia..."

[Ah, bem sei que isto parece uma notícia de 1 de Abril, mas não é. Se estiverem com atenção, verificam que a data da coisa é 29 de Março. A ciência consegue ser mais estranha que a aldrabice!...]


Bom fim-de-semana

quinta-feira, março 31, 2011

Slayer + Megadeth: o rescaldo


Mais do que um concerto, o que se viveu ontem no Pavilhão Atlântico foi uma celebração. Dois dinossauros do heavy metal vieram a Lisboa, atraindo ao Parque das Nações uma multidão de gente feita, e eu no meio. As pessoas ditas "normais" que por ali passeavam decerto estranharam aquela invasão de indivíduos vestidos de preto: podia ler-se, naquelas expressões de espanto de quem se cruzava com milhares de metaleiros, algo como "Olá!... mas tanta gente de preto porquê?! Querem ver que Portugal finalmente morreu e hoje é o dia do funeral?! E ninguém me avisa?! E se Portugal morreu, isso quer dizer que já não pago mais impostos?".

Mas nestas ocasiões, o preto é mesmo obrigatório. À entrada do recinto, vi um gajo cuja t-shirt era só preta na parte de cima e ele foi logo cercado por meia dúzia de guedelhudos, pontapeado, socado, arrastado pelo chão e atropelado por um automóvel até o resto da t-shirt ficar toda preta. Eu próprio fui abordado, visto que tinha levado umas calças clarinhas, e só me safei graças à minha prodigiosa presença de espírito, que reproduzo no diálogo abaixo:

Grupo de metaleiros: ouve lá, que 'tás aqui a fazer?
Eu: venho ver o concerto, oras!
Grupo de metaleiros: mas... e essas calças?! Essas calças não são pretas! Assim não entras!
Eu: sim, eu sei, mas é de propósito. Vesti umas calças clarinhas por uma questão de ironia!
Grupo de metaleiros: hmm... hã... (sussurando uns para os outros) O que é uma ironia, meu?!... hmmm... hã... (para mim) Pronto, está bem, passa lá, mas não ironizes muito, 'tá bem?!

Mas não é só a vestimenta que caracteriza a tribo metaleira. Nós, metaleiros, temos uma forma muito particular de comunicarmos. Antes de mais, os gestos são muito importantes. Saber fazer corninhos com as mãos é fundamental. E há toda uma semiótica no headbanging. Não se pense, porém, que os metaleiros descuram a comunicação verbal: comunicamos verbalmente, sim! Aliás, a comunicação verbal é tão indispensável que nós, metaleiros, não falamos uns com os outros - GRITAMOS! Tudo em prol de uma maior eficácia comunicativa e para que se perca menos da mensagem no trânsito desta entre o emissor e o receptor. Assim, ninguém, nas filas para se entrar no Pavilhão Atlântico, perguntava "Então, e o que achaste do último álbum de Slayer?". O que acontecia era:

Um metaleiro: ENTÃO, E O QUE ACHASTE DO ÚLTIMO ÁLBUM DE SLAYER?
Outro metaleiro: O QUÊ?! GRITA MAIS ALTO PARA QUE O TEU DISCURSO NÃO SE PERCA NO MEIO DESTE CANAL DE COMUNICAÇÃO TÃO PERNICIOSO COMO É O AR, E EU ASSIM POSSA RESPONDER-TE COM IGUAL EFICÁCIA!
Um metaleiro: ENTÃO, E O QUE ACHASTE DO ÚLTIMO ÁLBUM DE SLAYER, C*RALHO?!
Outro metaleiro: O ÚLTIMO DE SLAYER? F*DA-SE, ESPECTÁCULO! SLAAAAAAYEEEEER!!
Todos os metaleiros em redor: AQUELE GAJO GRITOU SLAYER?! SLAAAAAAAAYEEEEER!!!

E depois pronto, fica tudo aos berros a gritar os nomes das bandas, pois é algo que também faz parte dos preparativos para um concerto. "MEGADETH" e "SLAYER" foram, portanto, os vocábulos mais escutados na noite passada, mas posso jurar que também vi um estúpido qualquer a gritar "GODINHO LOPES", mas esse foi rapidamente calado através de uma grade de ferro aplicada mesmo bem no meio dos cornos.

Contudo, estes casos de violência são apenas a excepção. Por detrás da aparência agressiva, nós metaleiros somos uns amores de pessoas. Sim, andamos à biqueirada e ao mosh durante os concertos, mas tudo dentro de uma atmosfera saudável e solidária. Se um gajo falha um mosh e aterra de tromba no meio do chão, os outros metaleiros são solícitos em descolar-lhe a cara do soalho. Se um tipo apanha uma fractura exposta como resultado de uma biqueirada mandada por um metaleiro com Doc Martens, os outros metaleiros aplicam-lhe logo ali um torniquete. Vejam lá se vêem disto nos concertos do Tony Carreira. É o vêem... aí sim, há violência gratuita e pancada da grossa, como comprova um vídeo recentemente exibido no youtube, mas que eu não vou aqui reproduzir porque estamos num tópico de música de qualidade.

A comprovar o agradável ambiente que se vivia no Pavilhão Atlântico estão as várias famílias que por lá vi passar. Sendo duas bandas com carreiras de quase 30 anos, é natural que os seus fãs atravessem gerações, mas apanhar com um pai de 50 anos, envergando uma longsleeve de Slayer (ups, desculpem: SLAAAAAAYEEEEEER! Assim é que é!) e um casaco de cabedal, a acompanhar a filha de não mais de 15, também ela vestida a rigor, e o namorado desta, foi algo que quase me fez chegar as lágrimas aos olhos. E também vi, já no final do concerto, outro pai, igualmente cinquentão, com a mão no ombro do filho, um petiz de aí uns 12 anos, e a perguntar-lhe "Então, e gostaste do riff da Black Magic? Foi lindo, não foi?". São coisas destas, pá, que me fazem pensar que o mundo, afinal, ainda pode ter solução.

Bom, mas e quanto aos concertos em si?! Eis a minha opinião: quando estamos perante dois pesos pesados da envergadura de Megadeth e Slayer, é quase certo que não pode sair um mau espectáculo. O de ontem foi bom, e só não foi melhor porque o Pavilhão Atlântico tem a mania de brindar a assistência com uma acústica, digamos, ora qual é a melhor palavra... ah, merdosa. O som estava em muitos momentos algo embrulhado, o que tinha como consequência fazer o heavy metal que brotava dos amplificadores assemelhar-se a barulho. A BARULHO! Ora, onde é que já se viu, apanhar com barulho num concerto de heavy metal?!? Tss, tss...

Uma última nota, esta mais pessoal. Sim, estou todo partido. Tenho um calcanhar todo lixado e a zona cervical toda f*dida, fruto decerto de tanto tempo seguido em furioso headbanging. E tenho sono, bolas. Mesmo sono. Tanto sono que hoje de manhã, por engano, quase enfiei umas calças da gaja. Felizmente, dei pela coisa a tempo no momento em que, ao forçar uma das pernas, rasguei as calças. Ainda bem que tal sucedeu, senão poderia ter ocorrido uma tragédia...

quarta-feira, março 30, 2011

Eu sei que esta pergunta, atirada assim ao ar, parece não ter nexo nenhum, mas...


...este gajo nunca mais morre?!?!

[Não é por nada, trata-se mesmo de uma pergunta inocente]

terça-feira, março 29, 2011

Credo, que imagem horrível que acabei de ter!


É verdade, é verdade. Então não é que estava a almoçar e zás, vi nitidamente, qual beato ou peregrino a ser iluminado pela imagem da Virgem Maria, o Renato Seabra a cantar o YMCA, mas com um twist muito seu: a música era igualzinha, mas a letra do refrão mudava de YMCA (ou seja, uáiémeçíei) para o sugestivo "Já não sou gay", supostamente as últimas palavras que terá dito ao Carlos Castro antes de este ser castrado (hmmm... what's in a name?!).

E mais: vi também nitidamente uma cena digna de um musical do La Féria. Em plena sala de tribunal, o juiz vira-se para o Renato e pergunta-lhe "Do you have anything to say?". E o Renato, claro, levanta-se e canta o "Já não sou gay", com coreografia e tudo, e todo o tribunal aplaude e junta-se-lhe em coro!

É ou não é isto horrível? E estúpido? Pois é...

segunda-feira, março 28, 2011

O Sporting é mesmo um clube diferente: o lema é "agrida um presidente"!


O Sporting é um clube lindo. É um clube maravilhoso. É um clube original. É um clube que não ganha nada, mas ao menos diverte. Num outro clube qualquer (enfim, os "vulgares"), a eleição de um novo presidente seria alvo de celebração, de festa, de júbilo, abrir-se-iam garrafas de champanhe, empunhar-se-iam cachecóis, cantar-se-iam versos de vitória. Enfim, merdas que já estão mais do que vistas. No Sporting, essas banalidades não têm lugar. No Sporting, o vencedor de uma eleição come nas trombas.

A mim, que tenho simpatias anarco-esquerdistas, ninguém me convence de que esta não é a atitude mais correcta. Considero refrescante, num mundo onde os líderes recém-eleitos são aplaudidos e levados literalmente aos ombros, que haja uma ocasião na qual o manda-chuva é presenteado com um enxerto de porrada. Se este exemplo fosse seguido noutras partes, o mundo em que vivemos seria decerto um mundo muito melhor.

Aliás, espero que o mundo tenha os olhos postos no Sporting (mas não convém ter os olhos postos muito de perto, porque pode haver o risco de se ficar com um olho, não à Sporting, mas à Belenenses...). Mais do que a Academia de Alcochete, que tantos craques tem dado ao futebol, as eleições de 2011 no SCP são um motivo de orgulho! Porque preconizam uma viragem na forma de fazer política: as pessoas já estão fartas e cansadas de promessas vãs, que sabem jamais virem a ser cumpridas. Doravante, o que qualquer eleitor quererá é partir a cara ao eleito. Minha gente, se isto não é a tão falada "proximidade entre eleitos e eleitores", não sei o que será! Há momento em que um cidadão se aproxime mais de um líder do que quando lhe afinfa uma batata nos cornos?! Creio que não.

Com sorte, as próprias campanhas eleitorais irão mudar de tom, e eu só espero que as legislativas portuguesas que se anunciam interiorizem desde já esse novo conceito. E o novo conceito de campanha já não é o de "emprego para todos", "descida dos impostos", ou, à escala do futebol, "Messi no Sporting", "Djaló no Benfica", "a perna direita do Anderson Polga no Porto" e sim:

Candidato A "Vota em mim e parte-me o nariz"

Candidato B "Queres atirar-me com grades de ferro? Então dá-me o teu voto"

Candidato C "Tenho uma experiência de 30 anos sempre a levar porrada. Sou o mais competente. Mas preciso de ti. Vem dar-me uma cabeçada. Juntos venceremos!"

Candidato D "Os outros candidatos são uns maricas. Eu é que sei levar pancada de criar bicho. Vota em mim e parte-me a espinha com um taco de basebol"

E depois, pá, todos os debates televisivos serão mais animados. Já viram o que é o candidato B a acusar o candidato A de uma vez se ter desviado de um soco?! Ou o candidato D a virar-se para o candidato C com esta "ah, o senhor está para aí a mandar postas de pescada, mas da última vez que ganhou as eleições, fizeram-lhe uma espera, deitaram-no ao chão, cobriram-no de pontapés e o que você fez, hã? Pediu às pessoas para pararem! Ora, não é de alguém assim que este clube/esta cidade/este país [riscar o que não interessa] precisa".

Coisa mais linda, caramba. Digam lá se isto não é melhor do que conquistar uma Liga dos Campeões...

sexta-feira, março 25, 2011

Descubram as diferenças

entre isto



e isto



Bom fim-de-semana.

quinta-feira, março 24, 2011

Extra, extra: Sócrates vai dedicar-se à música de intervenção!

É verdade! Ninguém sabia disto, nem o Cavaco, mas eu descobri: Sócrates, depois da demissão do cargo de primeiro-ministro, encontra-se a preparar uma carreira no mundo da música, carreira essa que se inspirará nos recentes sucessos de intervenção de grupos como os Deolinda e os Homens da Luta. O primeiro álbum já está praticamente concluído, tendo sido gravado e produzido nos estúdios da senhora Angela Merkel em Berlim. O alinhamento, esse, inclui:

1 - E o Governo, pá? [cover de Homens da Luta]
2 - PEC Filosofal [cover de Manuel Freire]
3 - Traz outro FMI também [cover de Zeca Afonso]
4 - Que PEC que sou [cover de Deolinda]
5 - Uma cantiga de 150 mil empregos [cover de Fausto Bordalo Dias]
6 - Tourada à Manuel Pinho [cover de Fernando Tordo]
7 - Foram-se os Cavacos, foram-se as Rosas [cover de Manuela Moura Guedes] *
8 - Anarchy in the A.R./God Save the Merkel [cover e medley de Sex Pistols] **

* ainda não foi dada autorização pela intérprete e jornalista. O preço, segundo consta, é a devolução de um telejornal na TVI, mas Sócrates alega que o Governo de gestão não tem poderes para tal. Veremos como correm as negociações.

** cantadas em inglês técnico.


Caramba, isto tem tudo para ficar nos tops até às próximas eleições!

quarta-feira, março 23, 2011

Muito desagradável

Não, não é um post sobre o actual [sim, "actual". O acordo ortográfico ainda não meteu os pés neste blog] estado do país. O que apelido de "muito desagradável" foi ter, há minutos, apanhado com um ressonador profissional no lugar imediatamente diante do meu no comboio. De início, a situação até não parecia problemática, pois limitei-me a sentar-me diante do javali senhor que, embora extremamente gordo, teve a sensibilidade de afastar os troncos as pernas para me deixar ocupar o lugar. Depois tudo correu como normal: fones nos ouvidos, pasta no meu colo, livro retirado do interior da pasta, lápis do Ikea na mão e estava pronto para ser acompanhado pela leitura e pelo heavy metal até chegar ao meu destino.

Eis senão quando começo a ouvir uns sons simultaneamente estranhos e familiares. Familiares porque já ouvira algo semelhante; estranhos porque não estava a perceber de onde provinham. À partida, pensei que era do leitor mp3: ouço muitas bandas cujos vocalistas gritam, urram e grunhem, bem que poderia estar a apanhar com um que ressonasse. Mas não, lá me apercebi que o ronco não provinha dos meus fones. Foi aí que levantei os olhos das páginas e olhei em frente: o porco gordo senhor estava com a cabeça encostada à janela e ressonava em alto e bom som. Ressonava tanto que todas as outras pessoas presentes no comboio contemplavam, desdenhosamente, o espectáculo. Eu, para melhor apreciá-lo, tirei os fones, acção de que de imediato me arrependi, porque fui "agraciado" com um ronco de tal tamanho que cheguei a confundi-lo com o som de um tsunami. Não que eu alguma vez tenha estado diante de um tsunami, mas julgo que o som produzido pelo embater de milhares de milhões de toneladas de metros cúbicos de água numa qualquer superfície não deve andar muito longe do som que aquele arraçado de hipopótamo pré-histórico sujeito acabara de produzir.

Perante tais factos, e ao contrário de pessoas ligadas ao Partido Socialista que, quando vêem as coisas correrem mal, nada fazem, resolvi agir. E agi dando um subtil pontapé no javardo à minha frente. Não funcionou. Ouviu-se mais um ronco. Dei um novo pontapé, desta feita com mais força. Também não funcionou, para meu desapontamento. Meu e de todas as outras pessoas daquela carruagem, que olhavam para mim como uma espécie de Marco Van Basten que vem salvar o Sporting. Respirei fundo. Cruzei olhares com todos os outros passageiros, que pareciam dizer-me "Força, rapaz. Vai. Dá-lhe! Estamos contigo! És bonito, inteligente e tens todo o ar de quem gosta de mamas. És o nosso homem. Liberta-nos!" Era tudo o que precisava: ao mesmo tempo que lançava para fora o ar do meu peito, espetei no mamute uma daquelas pantufadas que deixariam orgulhosos o Maniche, o Petit ou até mesmo o Bruno Alves. O resultado foi imediato: o roncador lá despertou do seu profundo sono e, estremunhado, olhou em redor, como se tomasse pela primeira vez consciência do local onde se encontrava. Eu, claro, já tinha colocado a máscara do "gajo que está a ouvir fones e a ler um livrinho e portanto anda completamente alheio a tudo o que está a ocorrer à sua volta". Pelo canto do olho, ainda vi aquela espécie de texugo o senhor a coçar a perna, como se alguma coisa o tivesse picado. E vi também alguns sorrisos trocados entre os restantes passageiros: se as contas do país andassem na linha, se o Presidente da República e o primeiro-ministro fossem pessoas de confiança e se o ministro das Finanças percebesse realmente alguma coisa daquilo, tenho a certeza de que aquela gente no comboio me proporia, logo ali, uma Grã-Cruz da Ordem do Infante, um subsídio vitalício mensal não inferior a 50000 € e uma GameBox para todos os jogos a disputar no Alvalade XXI.

Bom, só sei que o imperador do ronco tipo não voltou a ressonar, o que permitiu a todos nós fazermos o resto da viagem na paz e no sossego habituais. O que, para mim, equivale a ler coisas que metem sangue e vísceras e a ouvir gajos a grunhir coisas que metem sangue e vísceras. Roncos é que não, pá! Isso é muito desagradável!

terça-feira, março 22, 2011

Se houver eleições legislativas antecipadas...

...qual dos partidos irá apresentar como trunfo eleitoral o Marco Van Basten?!

segunda-feira, março 21, 2011

Um post para celebrar o Dia Mundial da Poesia

Pois é. Hoje tem o seu início a Primavera. E é também o Dia Mundial da Poesia. É, portanto, daqueles dias em que as gajas e os gays andam todos excitados, mais excitados do que os militantes do CDS/PP com a possibilidade de voltarem ao poder e assim comprarem mais submarinos, mandarem abaixo mais sobreiros, rebentarem mais serras da Arrábida, colocarem mais Celestes Cardonas nas administrações da CGD, destruírem mais documentação do ministério da Defesa, enfim...

Bom, mas como forma de celebrar esta dupla ocorrência, deixo-vos aqui com três poemetos de minha lavra, que se caracterizam por não serem nada primaveris nem nada poéticos. Ou seja, são muito másculos. Enjoy!

Poema 1: uma singela quadra

Lânguido é o meu despertar
Visto-me e vou trabalhar
Mas é difícil ter trabalho
Ó Sócrates, vai pró caralho!

Poema 2: dois tercetos simples

Ao descer da banheira
Cometi uma asneira
E mandei um tralho

Fiquei c'uma nalga aleijada
No cu, passei pomada
Ó Sócrates, vai pró caralho!

Poema 3: um simples e singelo haiku

Os dias de canícula
começaram
Ó Sócrates, vai pró caralho!


Então, que tal vos parece, hã?!
Justificar completamente

sábado, março 19, 2011

Aviso já que quem não tem isto, é feio!




Uma das melhores britcoms de todos os tempos, com Rowan Atkinson no seu auge. Ah, e o Hugh Laurie também aparece, mais valia ter ficado só pelas britcoms em vez de ter enveredado pela interpretação de médicos coxos.

sexta-feira, março 18, 2011

Porto, Braga, Benfica e o futebol português em geral têm de agradecer ao Sporting

Anda toda a gente a elogiar o desempenho das equipas portuguesas na Liga Europa e coiso, andam todos a embandeirar em arco porque é a primeira vez que três equipas portuguesas se qualificam para os quartos-de-final da competição e mais não sei o quê, mas todos se esqueceram de prestar homenagem ao clube a que mais se deve esse feito: o SCP. E porquê?! Porque, ao não jogar, o Sporting não perdeu, e ao não perder, não tivemos nenhuma equipa eliminada nesta fase, e ao não termos nenhuma equipa eliminada nesta fase, o índice dos clubes portugueses subiu face aos países principais adversários. E isto, meus caros, é muito mais importante do que tudo o resto. E isto há que agradecer ao Sporting, só ao Sporting. Se o Sporting jogasse, perderia, e se perdesse, lá descíamos outra vez no ranking (algo a que o país, nos últimos tempos, se vem habituando)...

Portanto, deixem-se lá desses elogios ocos a Benfica, Porto e Braga e larguem hossanas ao clube que realmente merece: o Sporting Clube de Portugal!

Esforço, dedicação, devoção e glória: eis o Sporting...







...quando não joga!

quinta-feira, março 17, 2011

Depois do Orçamento do Queijo...

...arriscamo-nos a apanhar com o PEC do Golfe. É bonito quando as decisões políticas de um país são motivadas por razões tão elevadas. É mesmo bonito. Já agora, para quando um Pacto de Justiça da Sardinha Assada e um Choque Fiscal da Bisca Lambida?! Cá aguardo...

Ah, não sei se já repararam, mas há uns pivots de telejornais que têm um sentido de humor tão negro que deixa qualquer um de olhos em bico. Então não é que há quem diga - juro que já apanhei o Rodrigo Guedes de Carvalho nisto! -, em vez de Japão, "Chapão"?!? Pá, é verdade que eles levaram com uma onda em cima, mas "Chapão"?!? Alguém dê lições de dicção a esta gente...

quarta-feira, março 16, 2011

Quando me vêm perguntar

- Sprechen sie deutsch?

e eu respondo

- Nein!

na verdade estou a fazer o quê?! Estou a dizer que não, não sei falar alemão? Ou, pelo contrário, estou a dizer que percebi a pergunta, respondi na linguagem que eu disse que não falava mas não me apetece desenvolver mais a coisa? Ou estou só a ser desagradável?!

terça-feira, março 15, 2011

Querem uma solução para as finanças do país?! Ei-la

É nas alturas mais difíceis que se exigem grandes ideias. Não tenho a menor dúvida de que aquela que seguidamente apresentarei o é. Basta acompanharem-me. Portugal está mal de finanças, não está?! O governo é criticado cada vez mais a cada dia que passa, não é?! O povo já não pode suportar mais cortes, impostos e sacrifícios, pois não?!

Então proponho o seguinte para matar de uma vez por todas os problemas que assolam Portugal e que quase nos fazem desejar, por comparação, sermos japoneses: mande-se às lhufas todas as medidas propostas nos vários PECs, acabe-se com o IRS e o IVA e institua-se apenas um pequeno impostozinho, o IEG ou Imposto Sobre o Escárnio ao Governo. E o que vai colectar este imposto? Bem, qualquer comentário menos abonatório acerca do governo é desde logo taxado com o IEG. Se alguém escrever nos jornais "O Sócrates é um totó e não percebe nada disto", embora diga a verdade, leva com o IEG. Dois velhotes na tasca em diálogo contra o ministro das Finanças, podem ter direito a uma bejeca de graça por parte do dono do estabelecimento, mas pagam IEG.

Esta proposta tem um efeito duplo: tendo em conta as coisas que por aí se vão dizendo sobre o governo, creio que a implementação do IEG só precisará de dois dias (48 horas, portanto) para inverter o estado da balança comercial do país, acabando desde logo com o défice e a ameaça de bancarrota. Depois, outro aspecto que não é de desprezar, o IEG é um imposto que obedece à regra de "quanto pior, melhor". Ou seja, quanto mais merda o governo fizer - e não é preciso ser a Maya para adivinhar que o governo continuará a fazer muita merda! -, mais as pessoas tenderão a reclamar, e aí pimba, mais o IEG dará os seus frutos.

É uma ideia mesmo boa, não é?! Também acho. Como recompensa, só peço um lugarzinho de administrador numa qualquer empresa pública. Obrigadinhos!

segunda-feira, março 14, 2011

Rever filmes: porquê?!

Há quem muito se espante por eu admitir que gosto muito de rever filmes. Sim, já vi o Pulp Fiction, seguramente, mais de 15 vezes. O Predador, que é o melhor filme chunga de todos os tempos, com cenas e diálogos inesquecíveis, já vi aí umas 8 ou 9 vezes. O mesmo vale para Matrix. Fala com Ela. JFK. O Gosto dos Outros. Quatro Casamentos e Um Funeral. Monty Python e a Busca Pelo Cálice Sagrado. A Vida de Brian. South Park, o Filme. E um longo, longo etc.

Rever um filme é, muitas vezes, descobri-lo pela primeira vez. Seja porque há coisas de que nós não nos recordamos mais, seja porque passamos a olhar outras coisas através de um prisma diferente, seja ainda porque não apanhamos outras logo de início. Mal comparado, é como uma mamoca: da primeira vez que a observamos, há muitas coisas que nos escapam. É então preciso olhá-la de novo, repetidas vezes, de vários ângulos e debaixo de diferentes condições. É que a mamoca revela-nos novas coisas consoante a olhamos de cima, de baixo, de lado, se a humedecemos com um pano molhado, enfim, as possibilidades são múltiplas. Atire o primeiro implante de silicone quem olhou tudo o que há para olhar numa mamoca logo à primeira!

Depois há a questão das novas oportunidades (sem conotações PSzísticas, por favor!). Não poucas vezes, acontece-me rever um filme com o qual da primeira vez não fui lá muito à bola. Dois exemplos: quando vi, em plena sala de cinema, o Sinais, do Shyamalan, tinha achado giro e tal, mas nada de especial. Comia-se, vá, mas era daqueles filmes que não tinha vontade de voltar a ver. Até que voltei: estava a passar na TV e fiquei agarrado. E já o vi mais uma mão-cheia de vezes, o suficiente para hoje em dia admitir que é o filme que mais gosto lá do monhé. Sim, mais até que do Sexto Sentido.

O segundo exemplo é o Intervenção Divina, do Elia Suleiman (para quem não sabe, contextualizo: é um filme esquisito). Também o vi pela primeira vez em plena sala de cinema. E saí desta com a mesma sensação que tem quem sai do Alvaláxia XXI: por que é que continuam a insistir no palhaço do Djaló?! Mas também: por que é que fui gastar dinheiro no bilhete?!? Contudo, um dia comprei o DVD naquelas promoções do jornal Público. Sim, parece não fazer sentido: para que raios uma pessoa compra um filme de que não gostou?! A resposta, no entanto, revela haver uma razão para tal: porque achei que valia a pena dar uma segunda oportunidade ao filme. E sabem que mais?! Eu tinha toda a razão, aspecto que, aliás, caracteriza indelevelmente a minha personalidade. Revi a Intervenção Divina ontem e gostei. Muito!

Conclusão primeira: rever filmes pode ser uma actividade tão interessante e fascinante quanto vê-los pela primeira vez. Alturas há até em que, paradoxalmente, rever um filme é vê-lo pela primeira vez!

Conclusão segunda: há coisas para as quais devemos estar sensíveis e dar uma nova oportunidade. Por exemplo, um filme do qual não gostámos da primeira vez. Mas há, pelo menos, uma coisa à qual não se deve dar mais nenhuma puta de oportunidade: sim, o Djaló.

E com isto me fico. Até amanhã.

sexta-feira, março 11, 2011

O Inferno...

...é vir para Lisboa de carro pela 25 de Abril e tentar arranjar lugar de estacionamento.

Devia-se convocar uma manifestação só de repúdio por estas merdas. Se calhar ainda vou à de amanhã e levo um cartaz a dizer "Sim, reclamar contra a precariedade é muito bonito e tal, mas se querem ver o que é sofrer, experimentem lá conduzir na A2 no sentido Sul-Lisboa a partir das 8 horas".

Hmmm, como a frase é muito extensa, se calhar um cartaz não chega. Acho que levo um lençol... de casal... daquelas camas especiais para os concorrentes do The Biggest Loser... da Samoa!

Bom fim-de-semana e evitem as filas de trânsito e os parques de estacionamento congestionados.

quinta-feira, março 10, 2011

Ando à procura de um curso de Introdução à Semiótica do Supermercado

E porque preciso eu disto? Porque, sempre que vou ao supermercado, a gaja vira-se para mim com ordens do tipo

"traz um cacho de bananas, mas nem muito maduras nem muito verdes"

"vai buscar um saco com três courgettes, não são duas, não são quatro, são três. E apalpa-as bem no meio e nas pontas, não quero courgettes moles"

"traz uma alface, que não seja nem muito pequena nem muito grande"

"escolhe uma saca com cebolas, mas vê pela casca se elas estão boas"

"vai buscar meia dúzia de tomates, mas dos pequenininhos, que aqueles que costumas trazer são muito grandes. E não te esqueças de pesá-los"

"tira uns 4 pacotinhos de leite com chocolate, da marca X. Não quero da marca Y. Se não houver leite com chocolate da marca X, traz 4 pacotinhos de leite simples da marca Z. Não quero da marca W. Se não houver leite simples da marca Z, traz antes 4 pacotinhos de Ice Tea da marca K. Não quero da marka Y. Se não houver Ice Tea da marca K, traz... [e continua]"

Isto deixa-me completamente a leste! Bolas, nestas condições ir ao supermercado é mais complicado do que tentar arranjar um acordo de paz para a Líbia!

quarta-feira, março 09, 2011

Breves apontamentos sobre a capital dos palhaç... nuestros hermanos!

Sim, pá, no fim-de-semana passado a gaja pegou em mim e lá fomos os dois para Madrid. Para quem não conhece, o que era o meu caso antes de lá ter ido (duh!!!), Madrid é uma cidade com quase tantos espanhóis quanto o Algarve no verão. Isto, para mim, constitui uma surpresa, principalmente se comparar com Lisboa. Lisboa, a capital de Portugal, quase não tem portugueses: há angolanos, romenos, ucranianos, cabo-verdianos, brasileiros, mas poucos portugueses. Já Madrid tem muitos espanhóis. Enfim, são costumes diferentes, é o que é...

Ora, o facto de Madrid ter muitos espanhóis acabou por trazer consequências inesperadas à minha pessoa. Como noticiei aqui neste post, eu era um apreciador do extinto Canal 18 e pelos vistos ficou alguma coisa desses tempos. E que é, à guisa de Pavlov, isto: quando ouço muita gente ao meu lado a falar espanhol, fico com uma erecção! Caminhar pelas ruas de Madrid fez de mim um autêntico Príapo. Só tive descanso quando passei por ingleses, franceses e portugueses (sim, também estavam por lá uns quantos). De resto, andei quase sempre com a tenda armada, e não estou a referir-me àquelas que podemos comprar em promoção nos supermercados LIDL.

Posso dizer que gostei muito de Madrid. Os leitores com mau gosto já devem estar a pensar: "Pudera, andaste sempre de pau feito!" Mas não foi só isso. Madrid é mesmo fixe. É uma cidade cosmopolita e movimentada, mormente à noite (ainda os ecos da La Movida...). Em certos momentos, tive a sensação de andar pelo meio de um gigante Bairro Alto, pois mesmo às tantas da madrugada havia um grande número de pessoas (isto, claro, partindo do princípio que os espanhóis são pessoas, o que ainda não está cientificamente provado...) nas ruas, cruzando-se nos dois sentidos, falando, gritando, bebendo... É aqui que se percebe a veracidade que se esconde por detrás do slogan Madrid me mata!

E depois há as putas. Sim, pá, as putas! Nunca estive em Amesterdão, mas já estive em Praga, considerada actualmente, pela literatura especializada, ou seja, uns quantos adolescentes masturbadores, a capital europeia do sexo. Porém, nem em Praga vi o enxame de meretrizes, assim, às claras, como vi em Madrid. E em pleno centro histórico da cidade. E à pergunta "eram boas?", a resposta que imediatamente me vem à cabeça (nunca uma expressão esteve tanto dentro de um contexto como esta) é dúplice: primeiro, digo que NÃO SEI, porque a minha gaja já estava a deitar fogo, levando-me a desviar o olhar para outros focos de atenção, como por exemplo os gays que se beijavam impudicamente (as merdas que um tipo se vê obrigado a fazer para não irritar a sua gaja), mas segundo, porque desenvolvi a arte de observar pelo canto do olho, além de ter nascido estrábico, portanto posso estar a olhar para dois sítios completamente diferentes, enganando assim a gaja, posso dizer que SIM, são boas, aquilo é só rameiras jeitosas, novas, sem aquele ar de decadente agarrada que costumamos ver em Lisboa e arredores, enfim, de fazerem cair o queixo a um Sílvio Berlusconi.

É nestes momentos que um gajo se questiona sobre a validade de comemorar uma data como o 1 de Dezembro de 1640, para quem se recorda, o dia em que demos um pontapé no cu dos espanhóis depois de 60 anos de ocupação. Quer-me parecer, ao ver o nível das profissionais sexuais de Madrid em comparação com o das lisboetas, que expulsar os Filipes do país foi uma decisão assim tipo mais ou menos não sei se estão a ver parecida com mandar embora o Liédson do Sporting. O que só prova como os erros estratégicos neste país já vêm de longe, de muito longe. Razão tinha o Saramago quando se mostrava a favor da União Ibérica, e razão têm - por muito que isto custe a aceitar - o Sócrates e o PS para apostarem no TGV. Aliás, depois de ter visto Madrid, ninguém me tira da ideia que a oposição da Manuela Ferreira Leite ao trem de grande velocidade não passa simplesmente de dor de corno.

Em resumo, Madrid é uma cidade com tudo para nos conquistar. Só é pena ficar em Espanha...

sexta-feira, março 04, 2011

O típico diálogo de uma sexta-feira de manhã.

Eu: F*da-se, dói-me a garganta!
Gaja: Que malcriado. A última palavra que te ouvi ontem foi um "f*da-se", a primeira que te ouço hoje é um "f*da-se". Andas mesmo mal educado.
Eu [com toda a elevação e cultura, ou não fosse eu um apreciador de grande parte da literatura ocidental]: Acusas-me de ser mal educado porquê, c*ralho?!?!? [acho que já vi isto no Shakespeare, ou mesmo no Platão. Enfim, deve ter sido num paneleireco qualquer desses]
Gaja: Lá está...

Por esta amostra, a situação parece não abonar muito em meu favor. Porém, as aparências são ilusórias. Em minha defesa, tenho a invocar dois argumentos, que qualquer pessoa de bem compreenderá.

Primeiro argumento:
Juro não me lembrar de ter dito um palavrão antes de me deitar. Afinal, o Sporting ontem não jogou, ou seja, não perdeu, portanto deitei-me satisfeito e feliz da vida. De modos que o "f*da-se" que me é atribuído antes de apagar a luz é provavelmente fruto da imaginação da minha gaja, que insiste em ouvir "f*da-ses" onde eles não existem, tudo debaixo do propósito draconiano e malicioso de

a) acusar-me de ordinário;

b) castigar-me, como se faz às crianças que dizem asneiras à frente dos papás. E lá em casa, o castigo tem um nome, um nome terrível: chama-se "lavar a loiça"! Por exemplo, na quarta-feira fui castigado: o rol de c*ralhadas que mandei logo após o golo do cabrão do espanhol cabrão do lampião filho da puta do paneleiro Javi Garcia teve como consequência a gaja arrastar-me até ao lava-loiça e pôr-me a lavar tachos e panelas e mais tachos e panelas. Quando acabei, ela foi buscar os tachos e panelas dos vizinhos. Quando acabei estes, ela foi bater a todas as portas no raio de 5 km e trouxe todos os tachos e panelas que pôde enfiar dentro de uma carrinha de caixa larga. Fiquei até às 4 da manhã agarrado ao detergente, à esponja, à palha de aço e - adivinharam - a tachos e panelas...

E não me fico por aqui. Se é verdade que disse um "f*da-se" logo pela manhãzinha, o mesmo foi absolutamente justificado, já que acordei com dores de garganta e constipado. Que melhor maneira de uma pessoa apresentar a sua revolta do que com um "f*da-se"?!? Que queriam que eu dissesse? "Florzinhas, florzinhas, dói-me a garganta, ursinhos de peluche, estou constipado, festinhas em gatinhos, tenho o nariz entupido"?!?! Devem estar a brincar, não?! O c*ralhinho!... O meu segundo argumento explanará esta questão com mais detalhe.

Segundo argumento:
Este é um bocadinho mais elaborado. Mas resume-se a isto: DESDE QUANDO É QUE UM GAJO É LOGO TAXADO DE MAL EDUCADO SÓ POR TER LARGADO UM "F*DA-SE"?!?!? Então tem algum mal dizer um "f*da-se"?!?! E quem diz um, diz mil e quinhentos, ou coisa assim. Desde que sejam justificados (veja-se o final do meu primeiro argumento), não há mal nenhum. Se eu, lá por ter dito um "f*da-se" quando verifiquei que trazia a garganta inflamada, sou desde logo grafado de mal educado, então sou maricas quando olho para um gato e digo "tão fofinho"?! "Fofinho", recorde-se, é uma coisa que os larilas estão sempre a dizer. Isso e "ai, ainda arranco os olhos a alguém se não conseguir comprar aquele blazer daquela loja". E também "ai, o que eu queria era ter um Renato Seabra só meu". E dizem muitas outras coisas, porque eu, quando vou rodar os bares à noite no meu part-time de drag queen bem os oiço, a esses boiolas.

Penso que ninguém pensará assim. Um "f*da-se" torna um gajo tão mal educado quanto um "fofinho" torna um gajo abichanado. Ou seja, nada. Tudo depende do contexto. O contexto é realmente a chave. Se eu chamar "fofinho" ao cu da Jessica Alba, só por muita má fé podem acusar-me de gayzisse. Mas se eu chamar "fofinho" ao cabrão do espanhol cabrão do lampião filho da puta do paneleiro do Javi Garcia, bom aí o panorama é outro, certo?! Da mesma forma, se eu largo um "f*da-se" quando me dói a garganta, é preciso estar de má vontade para dizer que sou mal educado. Porque não sou. Sê-lo-ia se dissesse tal palavra num contexto em que funcionasse desde logo como uma intrusa. Por exemplo:

"Bom dia, gaja. Já viste que está um f*da-se de um dia?"

ou

"Olá, gaja. Já te vou ajudar com as compras, deixa-me só descalçar-me porque acho que tenho uma f*da-se no sapato."

ou ainda

"Gaja, gostei muito do último prato que inventaste. Estava mesmo bom, até soube a f*da-se."

ou até mesmo

"Até logo, gaja, e f*da-se"

Se eu alguma vez proferisse estas frases, aí sim, estaria a ser mal educado. Porque seria recorrer à asneira gratuita, aplicá-la como se fosse a coisa mais natural do mundo, o que é desde logo o traço mais evidente da má-criação. Mas não é isso que eu faço, c*ralho! Só recorro a este palavreado quando ele se revela absolutamente necessário! Como no caso em que me dói a garganta. Porque é mesmo uma situação f*dida!

Bom, fico-me por aqui porque já fiz a minha apologia. Creio que a minha argumentação é insofismável e mostra que eu estou, como sempre, coberto de razão. Portanto, a minha gaja não está correcta quando me acusa de ser mal educado.

Adeus e tenham um fim-de-semana do c*ralho.

quinta-feira, março 03, 2011

Uma jeremíada pelo Canal 18!

Agora que estou numa de aprender espanhol, sinto - mais do que nunca - a falta do saudoso Canal 18. A dobragem de filmes pornográficos na língua de nuestros hermanos faria mais pela minha aprendizagem do que horas e horas de cursos, gramáticas, dicionários e exercícios de Espanhol. Foi à pala do Canal 18 que me familiarizei com expressões essenciais para a conversação, tais como "todavía más adentro", "me gusta tu cuerpo", "quieres que bese tus tetas?" ou a inevitável "tengo una polla muy grande, en la verdad es enorme", que decerto seria um sucesso se eventualmente eu viesse um dia a ser recebido pela família real espanhola. É uma pena a extinção desse canal, um canal que aproximava mais os dois povos da península ibérica do que quaisquer TGVs. Que mierda...

quarta-feira, março 02, 2011

Sugestões culturais: Grandes Livros (RTP2)

De tempos a tempos, chateio-me de ver filmes porno e de espreitar catálogos de modelos em lingerie e vou cultivar-me um bocadinho. Leio, vejo cinema europeu, vou ao teatro ou a uma vernissage, enfim, essas coisas. De momento, estou a assistir, de empreitada, aos 12 episódios da série produzida pela RTP e que já foi exibida no segundo canal da TV pública, e que em boa hora gravei: Grandes Livros (detalhes aqui). O propósito é tão simples quanto eficaz: em cerca de três quartos de hora, explanar uma obra de um autor fundamental da literatura portuguesa.

Ainda só vi quatro dos doze programas (conto ver o resto por estes dias) mas o balanço é muito, muito positivo. Mesmo a narração feita pelo Diogo Infante não faz o conjunto perder pontos e lá está, ele só narra, não mostra a cara, portanto um espectador consegue perfeitamente ver a série sem estar a vomitar de cinco em cinco minutos.

Como é óbvio, nem todos os episódios mantêm a mesma fasquia qualitativa. Pessoalmente, achei o primeiro, dedicado a Os Maias do Eça de Queirós, o mais fraquinho até agora, muito talvez por culpa das personalidades entrevistadas, em sua grande maioria académicos bolorentos e empoeirados, com destaque particular para o palhaço metido a especialista queirosiano, e grande paladino do Acordo Ortográfico, Carlos Reis, a quem desde já peço o favor de ir ortograficamente tomar na bundinha. Os outros três episódios que vi, contudo, vão do bom (Amor de Perdição) ao excelente (Peregrinação - talvez o melhor até agora -, O Delfim), são entusiasmantes, informativos e deixam sequioso quem ainda não leu as obras, o que confesso ser o meu caso para os livros do Fernão Mendes Pinto e do José Cardoso Pires. [Sim, eu sei, é um atentado não ter lido ainda isto, mas lembrem-se de que eu preciso de ocupar muito do meu tempo livre com mamas. Com mamas, pá! As leituras ficam, assim, para segundo ou terceiro ou quarto ou sei lá planos...]

Aconselho, portanto, esta série a todos os que não a viram quando passou na RTP2 mas gostam de boa literatura portuguesa (ui, devem ser muitos, devem...). A segunda série, aliás, que conta com 11 episódios, creio estar a ser exibida aos domingos à tarde. Mas vejam as coisas como manda a cronologia: a primeira primeiro, a segunda segundo. Porquê? Porque sim e porque eu quero, ora bem! Mas também porque, assim por alto, a primeira série dos Grandes Livros tem mais pesos pesados do que a segunda. É como comparar a equipa do Barcelona com a do Braga: é claro que o Braga tem bons jogadores, alguns eu gostaria mesmo de ver no Sporting, mas o Barça é o Barça. De facto, sem desprimor para o Saramago (que eu adoro), para o Torga (idem) ou para o Gil Vicente (ibidem), aos quais são dedicados programas da segunda série, não é possível combater com a selecção que os produtores fizeram para a primeira. Além dos já referidos Eça, Mendes Pinto, Cardoso Pires e Camilo, há episódios sobre Os Lusíadas, O Livro do Desassossego, e o sétimo deles é dedicado àquele que é, para mim, o melhor romance em língua portuguesa, ou seja, o Messi da nossa literatura que é nenhum outro senão a Aparição do Vergílio Ferreira, pois claro, e quem não concorda que vá ler o texto da moção de censura do Bloco de Esquerda.

Vá, sigam o meu conselho e cultivem-se um poucochinho. E depois, voltem lá a ver as badalhoquices do costume...

terça-feira, março 01, 2011

Expressões que eu adoro: rego do rabo!

"Rego do rabo". "Rego do rabo". "Rego do rabo". Caramba, o quanto esta expressão me fascina. Antes de mais, pela sua musicalidade. Repitam, para vós mesmos, esta expressão. "Rego do rabo". E agora, façam-no sílaba a sílaba: "Re", "go", "do", "ra" e "bo". É de uma sonoridade espantosa, não é?! A expressão dança entre sons baixos e altos, serpenteando pela escala musical como o Messi pelo meio de jogadores adversários. Simplesmente magnífico, e é uma pena que os grandes poetas, afinal os grandes ourives das palavras, nunca tenham utilizado esta expressão nos seus textos. Nem, Dante, nem Petrarca, nem Camões, que tinha obrigatoriamente de fazê-lo no episódio da ilha dos Amores, nem Baudelaire... Nem tu, Manuel João Vieira, nem tu soubeste valer-te deste precioso tesoiro...

Outra característica digna de realce da expressão "rego do rabo" é a sua extravagância em, ao apor-se a qualquer outra expressão ou frase, enriquecer esta última, como se o todo fosse mais do que a soma das partes. Eu sei que esta ideia soa estranha: o normal é colocar-se qualquer coisa no rego do rabo, em lugar de se colocar o "rego do rabo" em qualquer coisa, mas sigam-me, por favor. E lembrem-se de que estou a falar de uma expressão ("rego do rabo") e não da coisa denotada por essa expressão (o rego do rabo). Para mais detalhes, leiam qualquer coisa acerca da distinção entre de dicto e de re. Eu podia explicar-vos, mas agora estou a coçar o escroto.

Mas desvio-me do trilho. O que quero eu dizer quando digo que a expressão "rego do rabo" enriquece qualquer outra? Bom, em vez de andar aqui com circunlóquios, creio que será preferível recorrer a exemplos. Ora então vamos lá.

Peguem no mais famoso trava-línguas da língua portuguesa. Sim, "o rato roeu a rolha do rei da Rússia". Agora, enfiem lá para dentro o "rego do rabo" [atenção à frase que acabei de escrever: é "enfiem lá para dentro o "rego do rabo"" e não "enfiem lá para dentro do rego do rabo". Tenham juízo, pois não estou aqui a fazer qualquer apelo à sodomia. Isso fica para outros posts, se me apetecer].

Se fizeram bem aquilo que vos sugeri, devem ter ficado com uma coisa deste género:

"O rato roeu a rolha no rego do rabo do rei da Rússia".

E caramba, digam lá se o trava-línguas não ficou melhor?!? Em vários aspectos: a frase fica mais longa, logo é melhor para praticar a sonoridade dos rr, fica mais musical (veja-se o que escrevi no início) e fica mais divertida. E, como corolário, responde desde logo à questão que toda a criança educada a dizer "o rato roeu a rolha do rei da Rússia" faz: onde raios estava a rolha do rei da Rússia que o rato roeu? Com este acrescento, a dúvida não não fica a pairar no ar: onde estava a rolha do rei da Rússia que o rato roeu? No rego do rabo, pois então!

É mesmo uma expressão adorável. Espero que tenham ficado a concordar comigo. Se não, então vão apanhar no rego do rabo.