quarta-feira, novembro 30, 2011

Mas querem mesmo falar de feriados?! Então vamos falar de feriados

Vai mesmo para a frente essa história de acabar com quatro feriados nacionais, sob o motivo de que é preciso aumentar a produtividade. Meus amigos, minhas amigas: a produtividade é uma coisa mais qualitativa do que quantitativa. Podem acabar com os feriados todos, podem meter as pessoas a trabalhar também aos fins de semana, não há-de ser por isso que a produtividade irá aumentar. Querem um análogo? Aumentou-se o período de escolaridade, e nem por isso o ensino melhorou. Portanto, deixem-se de merdas.

Se querem a minha opinião, e eu sei que não querem, mas eu dou à mesma, porque gosto de chatear os outros, o ideal para aumentar a produtividade seria, não acabar, mas CRIAR mais feriados. Todas as semanas deveria haver um; tenho a certeza de que a produtividade do trabalhador médio português dispararia em flecha, isto a fazer fé no exemplo de um trabalhador médio português, eu próprio, que, à conta de saber existir amanhã um feriado, está já a adiar, hoje, coisas para sexta-feira: minha gente, a produtividade que vai ter lugar aqui nesse dia vai ser uma coisa impressionante, de fazer inveja a qualquer escravo judeu construtor de pirâmides egípcias.

E mais, e mais: quem precisa de mais tempo de trabalho para fazer aquilo que pode fazer em menos tempo de trabalho, é pura e simplesmente um mau trabalhador. Reflictam nisto, governantes, sindicalistas, empresários e população portuguesa em geral.

Termino com um cliché mal adaptado e mal enjorcado ao tema dos feriados: podem tirar os feriados dos portugueses, mas não os portugueses dos feriados.

Bom feriado e até sexta.

terça-feira, novembro 29, 2011

Quiz sobre o Benfica-Sporting de sábado

1 - O Javi Garcia, basicamente, é um:

a) mentecapto
b) portador do síndroma da imunodeficiência adquirida
c) ser vivo que só com muito boa vontade se confunde com um ser humano
d) palhaço que deveria estar morto

2 - Uma boa medida profiláctica para o Artur seria:

a) partir-lhe os dois braços antes de um jogo
b) deportá-lo para uma das luas de Júpiter
c) presenteá-lo com uma tribo antropófoga
d) dizimar toda a sua família, incluindo animais de estimação

3 - Se eu visse o Jorge Jesus na rua:

a) cortava-lhe o cabelo, mas à base de tiros de kalashnikov. Se uma bala, por mero acaso, lhe acertasse na cabeça, azar!...
b) matriculava-o na escola primária, pois detesto ver pessoas que não sabem ler ou escrever
c) roubava um carro (de preferência, um camião), acelerava a toda a velocidade na estrada (de preferência, numa autoestrada) e passava-lhe por cima (de preferência, duas ou três vezes)
d) pedia-lhe que explicasse, à luz da geometria euclidiana, aquela história do "vocês os três, façam um quadrado"

4 - O Charles Manson, o Luís Filipe Vieira e o João Gabriel (director de comunicação do SLB) estão a cair de um precipício e só há tempo para salvar um. Quem?

a) para quê chatear-me?
b) Charles Manson
c) o Luís Filipe Vieira, só para ter o prazer de ser eu a empurrá-lo depois
d) o João Gabriel, só para ter o prazer de ser eu a empurrá-lo depois

5 - O incêndio no Estádio da Luz tratou-se de:

a) um espectáculo agradável
b) uma patetice. Bonito era se uma bomba rebentasse
c) um bom começo.
d) uma ofensa incompreensível aos princípios do desportivismo, da amizade e do respeito entre clubes e adeptos. Tais acções são de condenar veementemente, pois só prejudicam a imagem do futebol português. É essa a minha opinião sincera e acrescento que a Fada dos dentes está com a Sininho na minha banheira

6 - Qual seria a maneira mais correcta de Benfica e Sporting cortarem relações?:

a) o Sporting sodomizar o Benfica e deixar de lhe responder aos telefonemas
b) deixar a cabeça de um preto na cama do Javi Garcia
c) a Juve Leo roubar a estátua do Eusébio e pedir como resgate o Witzel, o Gaitán, o Artur, o Maxi Pereira e o Rodrigo
d) todas as anteriores

Resultado do quiz:
O único resultado que realmente interessa é o de sábado. Merda...

segunda-feira, novembro 28, 2011

Três lúcidos comentários sobre o Benfica-Sporting de sábado

Um: devo reconhecer a necessidade de me penitenciar. Durante anos e anos alimentei a ideia, e expressei-a com igual convicção, de que o Estádio da Luz era uma porcaria e não valia nada. A noite de sábado provou que, por puro sectarismo, eu estava enganado. Bastante enganado. Afinal, o Estádio da Luz tem qualidade: aquilo arde mesmo bem!

Dois: manifesto, no entanto, estar indignado com a falta de reacção ao incêndio que deflagrou nas bancadas. Quer dizer, não percebo: então o clube que, ainda há poucos meses, ligava a rega por tudo e por nada, quando é realmente preciso recorrer à molha, tem de chamar os bombeiros?! Então instalaram um sistema de rega só para molhar os jogadores do Porto, foi?! Isto parece-me ter apenas um nome: queimar dinheiro. E, aqui, "queimar" é o verbo certo!

Três: gostei de sentir a solidariedade de todo o mundo para com a derrota do Sporting. O Sporting perdeu e, no dia seguinte, a UNESCO classifica como património imaterial da humanidade uma música que é, literal e metaforicamente, uma tristeza. Enquanto sportinguista, não posso deixar de me sentir tocado pelo gesto.

Até amanhã.

sexta-feira, novembro 25, 2011

A minha opinião, lapidar, sobre a greve

Não sei por que é que o governo ontem se queixou de os portugueses terem feito greve, quando é o governo que anda há meses (anos? décadas? séculos?) a fazer greve aos portugueses.

Bom fim-de-semana e uma vitória para o SCP.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Descoberto o segredo por detrás do Pedro Passos Coelho

Lembram-se do Petit, o futebolista que jogou uns anos no Boavista e mais anos no Benfica? Vocês não se lembram, mas há por aí muito bom jogador de futebol que tem o nome dele marcado, à pitonzada, nas canelas. O Petit era um jogador conhecido pela virilidade com que abordava os lances, e por virilidade quero dizer mais precisamente violência terrorista:

Petit: a varrer os adversários desde 1995!


E agora, olhem lá bem para o Pedro Passos Coelho:

Pedro Passos Coelho: a varrer os portugueses desde 2011!


Vá, olhem lá bem para as duas figuras. Eu sei que custa, mas façam lá esse esforço. Não, não estou a alegar que ambos são a mesma pessoa, deixem de ser parvos, mas digam lá se não encontram semelhanças evidentes. Uma capacidade de observação, por mais superficial que seja, notará decerto aquilo que eu notei: primeiro, o rosto estreito e alongado, quase equino, que deixa desde logo antever que os seus possuidores são pessoas muito dadas a coices; depois, a semelhança mais incrível, que é a quase absoluta inexistência do lábio superior. Vêem o lábio superior no Petit? Não! Vêem o lábio superior no Pedro Passos Coelho? Também não! Portanto, conclusão: o Pedro Passos Coelho é o Petit da política, e o Petit é o Pedro Passos Coelho do futebol. Duas pessoas, duas actividades, mas exactamente os mesmos sinais particulares e os mesmos comportamentos, que podem resumir-se nesta simples continha: cara de cavalo + ausência de lábio superior = dar porrada até criar bicho. Se o povo português tivesse descoberto esta semelhança antes das eleições, talvez se tivesse livrado do que veio a apanhar...

terça-feira, novembro 22, 2011

E eis mais um prego no caixão da imbecilidade do Homem

Atribui-se a Einstein a afirmação seguinte: "só há duas coisas infinitas: o universo e a estupidez humana, e eu não estou seguro relativamente à primeira!" Bem, é verdade que se lhe atribui muita coisa; por exemplo, também corre como sendo do tio Alberto a ideia de que Deus não joga aos dados, e isto eu posso garantir ser manifestamente falso, porque da última vez que fui a casa de Deus (ele de quando em vez convida-me, o Sacana, para vermos futebol e discutirmos tácticas); dizia eu, da última vez que fui a casa do Tipo, não só estava Ele a jogar aos dados como tinha acabado de apostar a Arca da Aliança e metade da alma do Espírito Santo. Ah, e se estão a torcer o nariz à minha personalidade e à minha coerência só porque eu, um ateu convicto, passo serões a ver futebol com o cu sentado no sofá da sala de estar de Deus, a mamar imperiais e a comer amendoins e tremoços, tenho a dizer, em minha defesa, ser verdade que sou ateu, mas é igualmente verdade que não tenho Sport TV na minha casa! E, já agora, informo-vos, seus beatos, que Deus, ao contrário do que é crença comum, não "vive lá em cima": ele reside numa aconchegadora cave alugada num prédio ali para os lados de Alfornelos.

Não há, porém, como contrariar o Einstein quanto ao infinito alcance da estupidez humana. O exemplo que vou dar a seguir é apenas mais um, entre tantos tantos tantos outros. É uma notícia actual e fresquinha que, pelo seu grau de estupidez, merece ter as bocas a abrirem-se de espanto: houve uns seres a achar que a água, afinal, não pode ser publicitada como meio de combater a desidratação. Portanto, a água, coiso e tal, afinal parece que não hidrata, juram a pés juntos uns senhores cientistas. Foi, afinal, o que sempre ouvimos narrar em histórias de pessoas que se perdiam no deserto: depois de quilómetros e quilómetros a caminhar à torreira do sol, o que eles faziam quando tinham a felicidade de encontrar um oásis era, recordo, não beber água, porque a água não hidrata, e sim ingerir carvão. Em brasa. Ainda bem que os cientistas comprovaram ser esta prática saudável, em lugar daquilo que algumas pessoas no mundo (coitadas!) julgavam, na sua ignorância a-científica: que beber água servia para, lá está, matar a sede e hidratar o organismo. Também eu andei enganado durante estes anos todos e a partir de agora, quando for fazer alguma actividade em que corra o risco de me desidratar, como andar de bicicleta, caminhar, correr, jogar futebol ou ir ver a Sport TV a casa de Deus, não é com a bela da garrafinha de água que vou andar. Porque a água não hidrata. Obrigadinho, senhores cientistas...

segunda-feira, novembro 21, 2011

Análise simbólica das histórias de princesinhas

Ontem, ao princípio da tarde, armámo-nos em ricalhaços e fomos até a FNAC para... hã, hmmm... tomar um café, e foi só a gaja, que eu não tomei nada. Encontrámo-nos com dois casais amigos e, com a desenvoltura que as crianças de hoje em dia têm, a filhota de 4 anos de um desses casais sentou-se ao meu colo, colocou um livro infantil em cima da mesa, abriu-o ao calhas e, apontando para uma das páginas, disse apenas: "lê!" Eu, que não gosto de contrariar crianças, fiz-lhe a vontade. Comecei a ler a história: narrava umas banalidades quaisquer sobre uma princesa. Acabei a história, pouco convencido. A criança, contudo, sem eu saber porquê, pareceu gostar muito. Pediu-me para contar outra. Mudei de página e li-lhe outra história: mais um conto de princesas. O padrão começava a desagradar-me muito. Mas não, para meu espanto, à criança que, embevecida, ouvia. Nova história, pediu ela. Nova história, contei eu. Para variar: isso mesmo, mais uma tretazinha sobre princesas.

Chegado aqui, tive de parar. Aconcheguei a petiza no meu colinho, olhei-a nos olhos e tentei chamá-la à realidade. "Tu estás a ver como as princesas são umas chatas, não estás?". Ela não pareceu estar a perceber. Voltei à carga: "As princesas são todas umas inúteis e umas fúteis. Ficam sempre nos seus aposentos a experimentar vestidos, colares, pulseiras, tiaras com diamantes, a sonhar com príncipes encantados, e não fazem nada de produtivo na vida. Achas isto bem?!". A criança piscou os olhinhos, como se estivesse a tentar absorver os meus ensinamentos. Acrescentei: "E mais, e mais: as princesas são más, porque vivem à custa de um sistema político-social despótico e tirânico, onde o homem é explorado pelo homem. Quem é que achas que veste as princesinhas, hã?! Elas têm montes de aias e criadas, todas mal pagas, incapazes de prosseguir uma vida digna só para satisfazer os caprichos de umas pirralhas ocas da cabeça! Isto são as histórias de princesas!"

Se eu estivesse na Rússia de 1917, este meu discurso seria aplaudido de pé e edificar-me-iam uma estátua. Mas como estamos no Portugal de 2011, a reacção que eu tive foi um poucochinho diferente. A criança ouviu e ouviu as minhas palavras mas desinteressou-se delas, pois a única réplica que tive foi: "Ah, não é nada disso, as princesas são lindas". Depois, ainda ouvi um "és mesmo parvo", mas isto já não foi dito pela criança e sim pela minha gaja... Descobri, então, que não é possível inverter séculos e séculos de propaganda aristocrática. Mesmo que nós deslindemos a verdade por detrás das histórias de princesas, é como se fôssemos o prisioneiro que se libertou da caverna platónica: os outros prisioneiros não vão acreditar em nós! Eu gastei o meu latim a explicar a malícia que se esconde no meio dos contos infantis e como resultado fui ridicularizado e obrigado a ler mais histórias daquelas.

Isto tudo merece uma reflexão atenta por parte da sociedade. Que mensagem queremos passar para as nossas crianças?! Que valores lhes queremos transmitir? Não estão os contos de fadas a inquinar, desde o início, as personalidades das gerações futuras?! Uma menina que hoje se derrete com histórias de princesinhas não será, daqui a uns anos, uma senhora que vestirá só roupa de marca e votará no CDS/PP?! É este o futuro que queremos? Temos de estar atentos a estas coisas. Os senhores que mandam têm de começar a abrir os olhos, porque para mim é um sinal muito preocupante ninguém dizer nada acerca do conteúdo das histórias infantis, mas ao mesmo tempo vir, muito indignado, o provedor do telespectador da RTP reclamar da difusão das imagens do Khadafi morto porque, segundo ele, são imagens de extrema violência, capazes de fazer passar a mensagem errada a pessoas susceptíveis e a crianças, quando na verdade a detenção e o assassínio do Khadafi passam é a mensagem certa, é como se nos estivessem a dizer, "olha, estás a ver, é isto que acontece aos governantes despóticos: um dia, são apanhados e limpam-lhes o sarampo, o poder para o povo, viva a revolução, etc." Era com este tipo de histórias que os livros infantis deveriam vir, não é cá com tretas reaccionárias acerca de princesinhas e príncipes, e reis e rainhas que exploram o proletariado que, nestas histórias, está sempre contente, é como se nos dissessem, vocês têm mais é de levar e calar, porque quem manda nisto somos nós e a fada dos dentes está do nosso lado!

Até quando vamos aguentar isto, pá?!

quarta-feira, novembro 16, 2011

São pequenas coisas como estas que demonstram não ter Portugal qualquer salvação

Chamem a troika, chamem o Chuck Norris, chamem quem quiserem: Portugal, enquanto país, enquanto nação e enquanto povo, não se safa. Ontem tive mais uma prova disso, se é que tal era preciso. Depois do jogo que opôs os produtos da formação do Sporting à selecção da Esbórnia Herzegovina, pudemos todos ter um cheirinho do verdadeiro Portugal em dois casos:

Caso 1 - Jornalista da SIC Notícias tenta chegar à fala com uma jovem que saía, feliz, do estádio. "Então, o que achou do jogo", pergunta a repórter, uma questão, aliás, digna da melhor tradição jornalística, já na época do império romano os jornalistas mais competentes eram destacados para as imediações do coliseu, tentando aí captar as opiniões dos cidadãos romanos depois de mais um combate de gladiadores. Segundo consta, um assalariado do Saturnalia Vespertinus terá mesmo uma vez abordado o próprio Augusto que, muito irritado (o seu gladiador favorito havia sido morto), mandou crucificar o jornalista. Pena que naquela altura não existia a Repórteres sem Fronteiras, senão o Augusto havia de ver: alguém escreveria um artigo de opinião nos principais jornais e pimba, ui ui, era o bom e o bonito. Voltando atrás: "então o que achou do jogo", pergunta a repórter, mas a jovem interpelada mal teve ocasião de esboçar uma resposta, pois no momento em que abriu os lábios, um jovem, aparentemente não alcoolizado nem sob o efeito de estupefacientes, saltou para cima dela numa coreografia que, no domínio heavy metal, carrega o nome de mosh, ao mesmo tempo que berrava o mais alto possível. E neste ponto, as opiniões divergem: a minha gaja, a assistir ao mesmo programa, jura a pés juntos que o rapaz, enquanto abordava a rapariga da maneira que os corsários holandeses abordavam os navios espanhóis e portugueses, gritou "Portugal, Portugal", mas eu não estou tão seguro e acho mesmo que aquilo que o rapaz disse foi "Gruarrrrr, Roarrrrrr" (se mais alguém viu isto, é favor deixar a sua opinião na caixa de comentários).

Este é, para mim, um exemplo típico da acefalia lusa. Depois ainda têm a lata de mandar vir com os esbórnios só porque estes apontaram lasers ao pai do filho do Cristiano Ronaldo. O que é pior: apontar uma luzinha a um gajo bonito, rico e bom jogador ou mandar-se para cima de uma indefesa miúda?? Mas há mais, há mais: vejam o caso seguinte.

Caso 2 - A câmara de filmar da SIC Notícias faz um movimento de 360º para apanhar as movimentações à saída do estádio. Nisto, vê-se um homem com um miúdo dos seus 3-4 anos ao colo. Quando vê que a câmara está a apanhá-lo, o homem estende o puto na direcção da câmara e, enquanto grita "EHHHHHHHH" (aqui, não há dúvidas: tanto eu como a gaja ouvimos nitidamente. Foi um "EHHHHHHHH"!), abana o puto com violência tal que o espectador desconfia se não se deu um ciclone localizado. A interpretação deste episódio pode diferir consoante a profissão de cada um: um biólogo achará, com toda a certeza, estarmos perante um caso claro de predador e presa: tal como as orcas, as focas-leopardo, os crocodilos e etc abanam as suas presas logo após a captura, também o homem abanou a criança na tentativa de lhe despedaçar a carne e, assim, tornar mais fácil o consumo da carcaça. Um sociólogo, por sua vez, julgará que tudo se deveu à alienação promovida pelas televisões. Ao ver uma câmara, o grunho homem quis exibir a sua descendência (partindo do princípio que eram pai e filho...) por todo o país, e como não possuía mamas da estirpe de certas raparigas que participam em certos reality shows em certos canais de televisão, achou que a melhor forma de chamar a atenção seria gritar "EHHHHHHHHH" e abanar o puto como um actor pornográfico abana o escroto no desempenho de uma cena. Um psicólogo, já agora, achará que aquilo deriva da relação edipiana ocorrida na infância do homem, sendo a consequência óbvia receitar-lhe Prozac. Já eu, que não sou nem biólogo, nem sociólogo, nem psicólogo, não tenho senão o bom senso para me auxiliar, e digo apenas que o homem era um estúpido.

Mais um exemplo da acefalia lusa, portanto. Num intervalo de tempo que não ultrapassou os 60 segundos, duas atitudes perfeitamente inacreditáveis de dois concidadãos. E, pelos vistos, toda a gente achou normal, porque não vi painéis de comentadores a serem criados para discutir tais factos. O Marcelo já disse alguma coisa sobre o assunto? Peva! O Sousa Tavares? Puf! O Marques Mendes? Ná! Este, mais aquele, e mais o outro? Nicles! Mas são estas pequenas merdas que (não) fazem o país...

terça-feira, novembro 15, 2011

Lúcidos comentários sobre The Walking Dead

Grupo de jovens prepara-se para a reunião semanal do círculo heideggeriano do Magoito


A melhor série de ficção dramática a ser exibida por aí é a The Walking Dead, onde sobreviventes de um apocalipse provocado pelo surgimento de zombies tenta perceber o seu lugar no novo mundo, ao mesmo tempo que se defende da ameaça morta viva. Admito que sempre gostei muito da imagética zombie: os zombies servem apenas de pretexto, em forma de carne putrefacta, para qualquer pessoa poder reflectir sobre uma situação limite como a de o planeta no qual vivemos sofrer uma mudança radical, e ser necessário colaborarmos uns com os outros para termos uma réstia de esperança de perpetuação não só nossa enquanto indivíduos mas principalmente enquanto espécie.


"O Vítor Gaspar tirou-nos os subsídios de Natal e de férias?! Como assim, pá?! Vocês agarrem-me senão como-o!"

Mas, como filmes de zombies atrás de filmes de zombies nos têm ensinado - e eu já vi muitos -, a colaboração entre seres humanos nem sempre é fácil de alcançar. Dissidências são inevitáveis, preconceitos vêm ao de cima, discussões sobre a melhor conduta possível são geradas, debates sobre se a teoria da verdade como redundância faz algum sentido levam os sobreviventes à exaustão e, quando menos esperam, têm um zombie à perna a comer-lhes o cérebro (esta última parte da frase parece não estar bem, mas está! Não me chateiem!!!). Os zombies são, no fundo, uma metáfora da realidade e não apenas da defesa do Sporting que apanhou quatro batatas da selecção angolana aqui há uns dias.

Agência Lusa: Zombie magoa-se com gravidade após tentar imitar o penteado de Justin Bieber

The Walking Dead pega no background zombie e fabrica uma série bastante agradável de seguir. As dúvidas das personagens, os choques de personalidades, a escolha utilitarista sobre que acção trará a melhor consequência ou, em alternativa, a menos má e, claro, a mais valia que é zombies a comer pessoas, isso está tudo lá, e muito bem. O espectador, esse, é levado, episódio após episódio, a identificar-se com aquilo que vê, e pela minha parte digo desde já que estou a identificar-me com os zombies. Eu sei bem o que é ser mal visto (não descortino nenhuma diferença entre "ahhh, vêm aí os mortos vivos, fujam" e, como tantas vezes ouvi, "ahhhh, vem aí o Peter of Pan, salve-se quem puder"), mal interpretado e tratado como um ser inferior, o que acontece sempre que as outras pessoas descobrem que sou sportinguista. Tenho, pois, de ter alguma simpatia por eles, simpatia essa acrescida pela circunstância de os zombies, na realidade, serem a classe mais desfavorecida desde que o Marx e o Engels desenvolveram a tese da luta de classes: os zombies não têm mais nada na vida a não ser o desejo de comer. Tudo o que fazem é para se alimentarem; bem diferente, portanto, dos indignados que se manifestam pelas ruas do mundo defendendo o direito a comprarem iPads, iPods, iPhones, iCoisos e tal.

Se nunca viram um episódio de The Walking Dead, informo que a segunda temporada já está no ar, na Fox, e hoje dá mais um episódio. Eu vou estar pregado ao ecrã, e vocês?!

segunda-feira, novembro 14, 2011

Esquissos para uma Universidade do Sporting

O derby é daqui a pouco menos de uma semana, e eu pus-me a pensar: "Pá, nós sportinguistas somos em menor número que os lampiões, temos um estádio mais pequenito, menos campeonatos ganhos, menos taças de Portugal conquistadas, menos competições europeias no currículo, então onde é que podemos dar-lhes a volta?! Na formação, pá! Na formação é que está o coiso!" O Sporting é, como todos reconhecerão, o clube mais bem sucedido na formação de talentos. A grande maioria dos craques portugueses que brilharam e ainda brilham nos relvados de todo o mundo começou por dar os primeiros ou segundos pontapés com uma camisola verde e branca. Futre. Figo. Quaresma. Simão. Cristiano Ronaldo. Moutinho. Porém, nos dias de hoje, não basta apenas formar jogadores: temos de formar também adeptos, simpatizantes, sócios; há que cultivar o Sportinguismo como se o Sportinguismo fosse um domínio científico tão importante para os seres humanos quanto a Física ou a Biologia (e, na verdade, é-o, quiçá até mais. Porque sabermos os segredos da vida e do universo é giro e tal, mas ver o Wolfswinkel a marcar de calcanhar à Lazio tem outro encanto...). Daí a minha ideia para a criação de uma Universidade do Sporting, onde alunos de todo o país e de todo o mundo poderiam aprender o que é isso de ser do Sporting. Nenhum outro clube tem disto, e eu tenho a certeza que, ao sermos pioneiros, seríamos capazes de angariar futuros apoiantes mais facilmente do que o Carrilo enfia uma cueca a um adversário.

Eis o que poderia ser uma espécie de licenciatura em Sporting:

1º ano, 1º semestre
Introdução à História do Sporting I
Ética e Política dos Viscondes de Alvalade
Semiótica dos 7 a 1 ao Benfica I
Sociologia da Academia de Alcochete I
Táctica Leonina
Estética da Juve Leo

1º ano, 2º semestre
Introdução à História do Sporting II
Ataque e Defesa Pessoais na Óptica de Ricardo Sá Pinto
Semiótica dos 7 a 1 ao Benfica II
Sociologia da Academia de Alcochete II
Política de Contratações
Metodologia dos Hinos do Sporting

2º ano, 1º semestre
História Avançada do Sporting I
Captação nas Camadas Jovens
Modalidades Amadoras I
Técnicas de Ofensa aos Árbitros I
Revisionismo e Negação do Natal
Seminário: Jogadores Estapafúrdios I - Nalidzis

2º ano, 2º semestre
História Avançada do Sporting II
Epistemologia do Golo
Modalidades Amadoras II
Técnicas de Ofensa aos Árbitros II
Breve Introdução à Comemoração de Títulos
Seminário: Jogadores Estapafúrdios II - Djaló

3º ano, 1º semestre
História do Futuro do Sporting I
Apreciação do Estádio Alvalade XXI
Introdução ao Arremesso do Calhau ao Lampião
Utilização da Game Box I
Seminário: Jogadores Estapafúrdios III - Missé Missé
Opção Condicionada I

3º ano, 2º semestre
História do Futuro do Sporting II
Direito e Jurisprudência Sportinguistas
Introdução ao Arremesso do Calhau ao Tripeiro
Utilização da Game Box II
Seminário: Jogadores Estapafúrdios IV - Gladstone
Opção Condicionada II

A mim, tudo isto parece-me muito bem. Ao menos, em categoria e academismo, daríamos sempre uma abada aos outros clubes...

quarta-feira, novembro 09, 2011

Esquecimentos

Na segunda feira, esqueci-me do capacete da bicicleta no trabalho. Por sorte, não me espalhei na estrada nem fui esmagado pela roda de um camião. Ontem, esqueci-me do chapéu de chuva. Por azar, acabei por apanhar uma molha do caraças. Estou para ver do que é que me vou esquecer hoje ao final do dia... se bem que, como eu ando tão esquecido, ainda vou acabar por esquecer-me daquilo que tenho para esquecer. Hã?!?


terça-feira, novembro 08, 2011

Lúcidos comentários sobre as acusações de racismo no futebol

Parece que se instalou a moda. Há poucas semanas, John Terry, do Chelsea, chamou preto ao jogador do Queens Park Rangers Anton Ferdinand, que é efectivamente preto. Dias depois (ou antes, já não me lembro bem) tinha sido Luiz Suarez, do Liverpool, a chamar preto ao Evra, do Man United, sendo que Evra é muito preto. Agora o comportamento viaja até ao campeonato português - infelizmente, o bom futebol, esse, parece que continua pelas ilhas de Sua Majestade, porque cá neste rectângulo à beira mar plantado, só há um clube a jogar bem à bola, e toda a gente sabe que esse clube veste de verde e branco e não é o Vitória de Setúbal.

Foi ontem que vi a notícia: Alan, jogador do Sporting de Braga, veio queixar-se de ter sido insultado por Javi Garcia, o espanholeco do Benfica. Aparentemente, Javi Garcia terá chamado "preto" ao Alan, sendo que Alan é, na verdade, meio preto. Duas coisas merecem ser ditas em relação a isto.

Primeira, qualquer pessoa que, como eu, jogou bastante futebol, viu bastante futebol e pensou bastante em futebol, sabe perfeitamente o que está por detrás destas condutas. Uma visão mais frugal da coisa há-de julgar que estamos perante um caso de racismo, mas esta visão, como digo, mais frugal, não corresponde à realidade das coisas. O que John Terry, Luiz Suarez e agora Javi Garcia quiseram fazer foi, pura e simplesmente, aquilo que em jurisprudência futebolística se chama "provocar a expulsão do adversário", aspecto que atingiu o protagonismo máximo na final do Mundial de 2008, quando Matterazzi, o tresloucado central italiano, chamou "pé preto" ao Zidane e à irmã deste, ambos argelinos de nascimento, tendo como consequência a célebre cabeçada do número 10 francês. Matterazzi conseguiu o que queria e a Itália, recorde-se, foi campeã. É isto que está na base dos insultos racistas: a ideia de que, para obter vantagem em campo tirando um adversário do terreno, vale tudo, inclusivamente chamar preto a quem é meio preto, preto, ou muito preto.

Segunda ideia: costuma-se dizer, entre amigos que, não por acaso, entram a pés juntos na disputa da bola, que o futebol não é para meninas. Significa isto, além da literalidade (o futebol não é mesmo para meninas: as meninas aleijam a sério, pois em vez de acertarem na bola, parece-me fazerem um esforço sincero para apontar às NOSSAS bolas), que para jogar à bola, é preciso alguma virilidade e hombridade para aceitar de bom tom coisas passadas num simples desafio. Quem joga à bola, sabe de antemão que vai levar uns pontapés nas canelas, sofrer umas rasteiras, empurrões, puxões e, claro, apanhar com violência psicológica, cujo exemplo são os insultos. Pela minha experiência pessoal, posso garantir com elevado grau de fiabilidade que fui insultado em todos os jogos nos quais participei. Chamaram-me cabrão, paneleiro, filho da puta, puta, maricas, Francisco Louçã, capado, e um longo etc. E isto só pelos meus próprios companheiros de equipa! (é o que dá não passar a bola a ninguém). Já viram o ridículo que seria eu, no final de cada encontro, vir queixar-me de ter sido insultado? É o mesmo ridículo que estes jogadores de agora, armados em finos, virem para os jornais e televisões queixarem-se de que "aquele menino chamou-me preto, búúúúú, aquele menino é mau". O futebol não foi feito para os queixinhas, pronto, não vale a pena estarem a vitimizar-se: ou estão preparados para todas as envolvências do jogo, ou mais vale ficarem-se pelos balneários.

Para finalizar, uma chamada de atenção: lá por ser esta a minha opinião, acho, de qualquer forma, dever castigar-se o Javi Garcia. Enfim, o gajo é malandro, espanhol, benfiquista e de inclinação sexual duvidosa (só um gajo invertido é que tenta provocar um preto na tentativa de ser por ele agredido. Deve gostar pouco, deve...). Não há lugar para este tipo de gente no futebol, portanto peço desde já a sua suspensão, a começar no próximo jogo do campeonato, que oporá os lamps aos tipos que melhor futebol têm apresentado neste primeiro terço da época. E tenho dito.

segunda-feira, novembro 07, 2011

Sequíssimas só para vocês

Bom, já não vejo um filme há cerca de um mês; além disso, armei-me em esperto e comecei a ler o Mrs. Dalloway em inglês; vou em cerca de 10 páginas e já começo a perceber que a Virginia é muita areia para a minha camioneta; e sim, estou a colocar pontos e vírgulas atrás de pontos e vírgulas porque a Virginia usa e abusa deles, e um tipo fica como que; contagiado; estão a ver?!

Só por causa das tosses; porque hoje é segunda feira; porque estou irritado apesar de o fim de semana ter corrido particularmente bem; futebolisticamente falando; brindo-vos então com duas secas mesmo secas; sem pontos e vírgulas.

1 - Ouvi dizer que o Edgar Pêra já está a preparar uma sequela do seu mais recente filme. Vai chamar-se TwoBarão...

(pum tum trás)

2 - Há um gay que anda atrás de um tipo. Tenta convencê-lo a deixar-se sodomizar. Uma vez. Duas vezes. Três vezes. E o tipo, nada. Mas o gay não desiste. Convence-o mais uma vez. E outra. Convence-o 24 vezes, e nada. Mas à 25ª vez, o tipo finalmente aceita e é arrombado. Como se chama esta efeméride?
25 de Abri-lo.

Pronto, foi tudo, muito obrigado, é para verem que quando eu não me sinto lá muito bem disposto, vocês é que sofrem. Pensavam que era só o Pedro Passos Coelho que se portava assim, não era?!?!

sexta-feira, novembro 04, 2011

Apontamentos sobre a noção de que ler faz de nós melhores pessoas

É uma ideia repetida até à exaustão por literatos, bibliófilos, escritores, intelectuais elitistas e intelectuais não tão elitistas: ler faz de nós melhores pessoas. Ora, eu não quero chamar esta gente de parva e idiota, mas vou dizer que esta gente é idiota e parva. A associação entre "ler" e "ficarmos melhores pessoas" é tão estúpida e absurda quanto "ver montes de filmes" e "acabar uma maratona". Ou "ouvir música clássica" e "governar bem um país". Peço imensa desculpa, mas ler não faz de nós melhores pessoas. Nem piores. Um tipo que leia sonetos da Florbela Espanca não fica mais sensível por isso, tal como não fica com vontade de se apaixonar pelo próprio irmão. Alguém que leia a obra completa do Marquês de Sade não fica de imediato possuído pela ideia de entrar em orgias, sodomizar adolescentes, queimar os órgãos genitais com um ferro em brasa ou mandar abaixo filha, mãe e avó ao mesmo tempo. Tanto quanto eu sei, o Dominique Strauss-Khan nunca leu nada do Divino Marquês, e é o que se vê; na situação inversa estou eu, um apreciador da literatura sadista? sadia? sadiana? enfim, coiso, do gajo, e não ando aí a violar empregadas em hotéis.

Tenho a sensação que os defensores da tese "ler faz de nós melhores pessoas" estão, no fundo, a encurtar um argumento como o seguinte:

Premissa 1: toda a actividade que nos ocupe o tempo e nos desvie de actividades criminosas faz de nós melhores pessoas.
Premissa 2: ler é uma actividade que nos ocupa o tempo e nos desvia de actividades criminosas.
Conclusão: logo, ler faz de nós melhores pessoas.

Mas isto, há que pô-lo nos termos correctos, é uma estupidez, porque é uma afirmação quase tautológica e, como tal, irrelevante. Se qualquer actividade é boa desde que nos impeça de entrar em actividades, digamos, mais ilegais, então ler não se distingue de outras como, por exemplo, jogar à bola, correr nu pelo quarto atrás de um carrinho de corda, ver pornografia na internet, etc. E nunca, mas nunca, li nada do Alberto Manguel, que tanto defende o valor moral da literatura, a insurgir-se em defesa da pornografia como instrumento de progresso individual e social (e com muita pena minha, devo acrescentar). Nem nunca vi o Harold Bloom a dizer que ocupar o tempo a ver vídeos das fintas do Messi é tão benéfico quanto ler o Hamlet, quando, tecnicamente, quer ver vídeos do Messi quer ler o Hamlet sempre são momentos dignos dos quais podemos desfrutar em lugar de andarmos na droga ou assaltarmos ourivesarias.

Portanto, o pretenciosismo bacoco e forçado de que ler faz de nós melhores pessoas está errado. Pelo menos, eu não fico melhor pessoa depois de ler o que quer que seja. Está bem que, por um princípio lógico, é irremediavelmente impossível melhorar aquilo que já é perfeito, mas mesmo assim: ler não faz de nós melhores. Se ler fizesse de nós pessoas melhores, então deveríamos admitir a tese contrária, a de que não ler faz de nós pessoas piores. E desculpem lá, mas há jogadores de futebol, um símile óbvio de "iletrados", que são excelentes pessoas, estou a lembrar-me por exemplo do plantel do Sporting, o qual à excepção do Oneywu (além de ser americano, consta por aí que leu metade de um livro da colecção d'Os Cinco quando era adolescente, inquinando desde logo a teoria que aqui se debate) é composto por pessoas de idoneidade inatacável. E todos nós conhecemos um avô ou uma avó que, apesar de analfabetos, eram de boa índole. Quero ver se conseguem dizer o mesmo de muitos ratos e ratas de biblioteca que por aí andam...

quinta-feira, novembro 03, 2011

Isto não é normal

Apanhar uma molha do caraças e ficar a secar a roupa no corpinho?! Check!

Ter a gaja, constipada há uma série de dias, a espirrar e a tossir constantemente para cima de mim?! Check!

Ir correr (não: fazer jogging, que é mais fino), suar que nem um porco, dar um salto ao supermercado e arrefecer em lugar de tomar logo um banho quentinho?! Check!

Nos últimos dias, aconteceu-me tudo isto, e não me constipei. Devo andar doente...

quarta-feira, novembro 02, 2011

Reflexão provocada pelo lindo dia de hoje

Para se poder andar por Lisboa, é preciso saber nadar melhor que o Michael Phelps.

segunda-feira, outubro 31, 2011

O que aconteceria se este blogue fosse escrito por uma gaja?

28 de Janeiro de 2009
Hoje fui comprar mais um par de sapatos. Bem, são tão lindos... quando os calcei pela primeira vez até tive um orgasmo.

4 de Maio de 2009
Não sei o que é que as minhas amigas vêem no Hugh Jackman. É tão peludo, o homem, que horror.

22 de Agosto de 2009
Fui à praia experimentar o meu novo bikini. Fica-me mesmo bem, até provoquei um choque entre surfistas.

29 de Agosto de 2009
Inventei um novo desafio enquanto ainda estou de férias: descobrir quem é a mulher, lá no trabalho, que tem o melhor par de mamas. Eu aposto em mim mesma, vamos lá a ver.

10 de Setembro de 2009
Consegui ver o primeiro par de mamas a uma colega minha. Molhei propositadamente a Teresa com café; ela despiu a sweater e ficou só com o sutiã, então eu despejei mais um copo. Ao tirar o sutiã, vi perfeitamente que as maminhas da Teresa são pequenas e mirradinhas. Vitória para mim!

31 de Outubro de 2009
Hoje é dia das bruxas. Vou telefonar à mãe do meu ex-namorado e dar-lhe os parabéns.

7 de Novembro de 2009
Comecei já a fazer as primeiras compras de Natal. Comprei-me um novo par de sapatos, comprei-me uma saia, comprei-me um novo telemóvel, comprei-me um casaco de inverno, comprei-me 4 frascos de perfume, comprei-me um cinto. Puf, ainda falta tanta coisa da lista...

13 de Dezembro de 2009
Jantar de Natal da empresa. A Teresa ainda me guarda rancor. À sobremesa, mandou-me com um prato de arroz doce; felizmente nessa altura o meu telemóvel apitou, e ao baixar-me para o ir buscar à mala o prato voou por cima de mim e aterrou mesmo na tromba do sr. Santos. Foi justiça poética, pois corre o rumor, aqui no trabalho, que ele e a Teresa são amantes. Enfim, não sei como é que alguém consegue gostar das mamas da Teresa, mas pronto, quem sou eu - eu, do alto do meu par de mamas tão giro - para julgar quem quer que seja?

24 de Dezembro de 2009
Consegui tratar das últimas compras de Natal, mesmo antes de as lojas encerrarem. Comprei-me um vestido de noite LINDO DE MORRER, comprei-me um cruzeiro pelo Mediterrâneo, comprei-me dois pares de sapatos Louboutin, comprei-me a assinatura da Cosmopolitan, comprei-me um colar de pérolas, e ainda consegui, com os últimos tostões do subsídio de Natal, reservar uma mesa no Javardongo Bar, que vai ter strip masculino no reveillon.

1 de Janeiro de 2010
Estou de ressaca.

6 de Janeiro de 2010
Continuo de ressaca. Meti baixa.

25 de Janeiro de 2010
Regressei ao trabalho e consegui fazer mais uma vítima do meu desafio! Encontrei a Carminho na casa-de-banho, meti-lhe um sabonete à frente sem ela ver, escorregou, bateu com a cabeça no lavatório e desmaiou. Despi-a rapidamente, vi-lhe as mamas e pirei-me antes que ela acordasse. Em termos de tamanho, são maiores que as minhas, mas são tão foleiras; tipo, os mamilos são estrábicos e a mama direita tem uma verruga cá em baixo. Mais uma vitória para mim, isto está a correr bem.

26 de Janeiro de 2010
A Carminho, ao que parece, deu entrada no hospital. Os médicos dizem que ficou em coma por causa de uma queda que ninguém sabe como aconteceu. Estamos muito tristes aqui na empresa e torcemos todos por ela, menos o Renato que ainda está a rir-se só porque ela foi encontrada inconsciente e semi-nua na casa-de-banho. As pessoas, às vezes, conseguem ser tão insensíveis...

19 de Março de 2010
Não gosto do Sócrates. Mas gosto muito das calças que comprei hoje na Benetton.

11 de Abril de 2010
A Carminho despertou do coma e sai amanhã do hospital. Ficámos muito felizes, eu aliás fiquei tão feliz que marquei um fim-de-semana nos Alpes Suíços.

22 de Maio de 2010
As minhas amigas estão com inveja, porque envelhecem e engordam e eu estou aqui toda enxuta. Ah, ah, é tão bom ser boa!

28 de Maio de 2010
A empresa tem uma estagiária nova, a Sandra. À primeira vista, parece ter umas mamas grandes. Preciso de confirmá-lo.

17 de Julho de 2010
Fui à praia. Um homem casado meteu-se comigo e levou um estalo. Ele gostou. Que se passa com os homens de hoje?!

21 de Julho de 2010
Bem, odeio a Sandra, a estagiária. Fomos juntas à Zara durante a hora de almoço e partilhámos um dos gabinetes de prova de roupa. Vi-lhe as mamas e são perfeitas: grandes, redondas, bicos salientes... até me senti mal. Que puta!!! Não me conformo!

30 de Julho de 2010
Consegui! Consegui! Quando não estava ninguém por perto, fui ao fundo de maneio e tirei o dinheiro todo. Pu-lo depois dentro da mala da Sara, uma coisa rasca comprada de certeza aos ciganos. Quando deram pelo desaparecimento, gerou-se um sururu que só visto. Assim como quem não queria a coisa, preguei com a mala da Sara no chão que, ao abrir-se, revelou o dinheiro. Resultado: não volta mais a pôr lá os pés! Bem feito! Mamas da Peter of Pan 3, Mamas das outras gajas do meu trabalho 0!

15 de Agosto de 2010
Férias! Altura ideal para pôr a leitura em dia e brincar com o dedito.

19 de Agosto de 2010
Cansei-me de brincar com o dedito e comprei um Vibra-Master 4000 na eBay.

3 de Setembro de 2010
Voltei das férias e ainda não recebi o meu Vibra-Master 4000.

13 de Setembro de 2010
Nova vítima do meu desafio: desta vez foi a Paula. Enquanto almoçávamos, passei-lhe um papelinho que dizia "Paula, entrou uma osga pela tua camisa adentro. Sê discreta!" Só que ela não ligou ao meu conselho e começou, em pleno restaurante, aos gritos enquanto rasgava a camisa e o sutiã. Tem umas belas mamas, lá isso tem, mas perde em comparação com as minhas. Quem gostou muito foram os clientes masculinos, mas a gerente do restaurante (se calhar tem umas mamas de porcaria) proibiu a Paula de lá voltar. Mais uma vitória para o meu lado.

31 de Outubro de 2010
Hoje é dia das bruxas. Vou ligar outra vez à mãe do meu ex e dar-lhe os parabéns. Acho que vou telefonar também à Sara, disfarço a voz e rogo-lhe uma praga às mamas.

2 de Novembro de 2010
Cansada de esperar, meti um processo no eBay por causa do Vibra-Master 4000. Vamos lá a ver o que acontece... espero resolver este assunto rapidamente, já estou a ficar sem cenouras.

quarta-feira, outubro 26, 2011

Semiótica e referência do guarda-chuva: um curto ensaio

Poucos objectos ilustram tanto as falácias da linguagem como o guarda-chuva. O guarda-chuva ou, na sua alocução mais popular, "chapéu-de-chuva", não designa exactamente aquilo que é designado, passe a redundância, na sua designação. O guarda-chuva não serve, de facto, para guardar, antes para repelir, a chuva. Já o chapéu-de-chuva também não é feito de chuva. De onde vem então este sentido enganador das palavras?!

Magritte que, no quadro abaixo (reproduzido aqui sem autorização, porque não encontrei o número de telemóvel do gajo), ironizou sobre esta questão, parece indicar-nos como seria o verdadeiro guarda-chuva: um chapéu que, efectivamente, contivesse em si, enquanto objecto, a chuva.
Porém, como todos reconhecemos, não é este o papel do guarda-chuva. A escola anglo-saxónica reflectiu profusamente sobre esta contradição do signo e da referência, agudizada ainda mais pelo facto de, nos países de língua inglesa, guarda-chuva não ser "guarda-chuva" e sim "umbrella". Trevor Spigetz, no seu majestoso Beyonce's Behind and other Alliterations (2006), chamou a atenção para "umbrella" ter como raiz "umbra", a palavra em latim para sombra. Umbrella seria, então, um objecto destinado a provocar a sombra, mas isso só faria sentido se fosse um guarda-sol, e não um guarda-chuva! Discípulo como é de Chomsky, Spigetz procurou argumentar que esta contradição derivava de os Estados Unidos serem uma potência imperialista, situação que, aliás, motivou a sua discórdia com o mestre, pois as teses a) Os Estados Unidos são uma potência imperialista (defendida por Spigetz) e b) Os Estados Unidos são uma potência muito imperialista (proclamada por Chomsky) entram, naturalmente, em conflito.

Eric Cartman, na revista do Círculo Filosófico Pós-Fregeano de New Haven, One Dot and Another Dot, That Makes Two Dots, procurou resolver a questão com um lapidar, e cito, "screw you guys, I'm going home" (CARTMAN: 2008, 17), inserindo-se na tradição wittgensteiniana do Tractatus de que aquilo sobre o qual não podemos falar, mais vale a pena ficarmos calados (WITTGENSTEIN: 1922, §7). Em resposta, Homer Simpson, no vol. 15, nº 3 do Bulletin of Springfield Linguistics limitou-se a dizer "duh" (SIMPSON: 2008, 344), para logo depois acrescentar, em jeito de escárnio, "Duff beer" (SIMPSON: 2008, 345), o que de resto motivou os protestos de Naomi Klein, por estar a ser utilizada uma marca comercial num ensaio de linguística (KLEIN: 2010b, 123-136, cf. também KLEIN: 2010a, 790-1047, e ainda KLEIN: 2010c, 910008880, mas ligue só entre as 17 e as 19 horas).

Regressando à reflexão produzida em terras lusas, José Gil afirmou, recentemente, em conjunto com um fabricante chinês de guarda-chuvas, que o guarda-chuva se chama "guarda-chuva" e não "repele-chuva" porque quem o nomeou tinha medo de existir (GIL e XING-HUANG: 2011, 14), mas esta hipótese carece de confirmação pelo motivo muito simples de que a pessoa que nomeou o guarda-chuva já não existe, não se sabe se por medo. Ainda mais recentemente, num programa televisivo, a investigadora Cátia propôs, com coragem, que um guarda-chuva seria realmente um guarda-chuva se fosse pendurado de pernas para o ar num alpendre (CÁTIA: 2011); contudo, por mais arrojada que seja esta teoria, não leva em conta o facto de ninguém querer utilizar um guarda-chuva de pernas para o ar, além de não se perceber o recurso ad hoc ao alpendre.

Continuamos, portanto, sem resposta satisfatória para o problema de haver um objecto que faz exactamente o contrário daquilo que diz que é. Espera-se que o III Seminário Sobre Cenas Esquisitas e Coisas Afins, a decorrer na Universidade de Leiden durante os dias 23 e 24 de Fevereiro de 2012, possa trazer alguma luz a esta questão. Até lá, aguardemos.

FIM

(ensaio a publicar no Journal For Extra-Terrestrial Issues, 2012, v. 1, nº 1)

P.S.: este post foi inteiramente composto sem recurso a estupefacientes.

terça-feira, outubro 25, 2011

A natureza deve ter algo contra mim, e eu não sei porquê!

13 horas. Antes de sair para almoçar, olho para a rua. Está sol. Não está com ar de que vá chover. O casaco com capucho vai continuar pendurado no cabide; não o levo.

13 horas e 45 minutos. Acabo de almoçar. Levanto-me para regressar ao meu local de trabalho.

13 e 47 minutos. Está a chover c'mó caraças! E são cerca de 100 metros entre o sítio onde estou e o meu gabinete... onde descansa, fiel, o casaco com capucho que poderia proteger-me da molha.

13 e 48 minutos. Decido enfrentar, como um estóico, a chuva que cai impiedosamente dos céus.

13 e 50 minutos. Depois de muitos ziguezagues, entro no gabinete. Estou completamente molhado. O meu casaco, esse, está mais seco do que uma mulher frígida a apanhar banhos de sol no deserto do Sara. Mas pronto, agora pode continuar a chover à vontade que as gotas já não me apanham.

13 e 53 minutos. Lá fora, parou de chover. Porém, dentro do meu gabinete, eu continuo a pingar. Vão mas é todos para o caraças!!!!!!

segunda-feira, outubro 24, 2011

Da próxima vez, agradeço aos profetas que acertem!

Não sei se sabem, mas penso que sim, que um lunático qualquer previu o fim do mundo para as 15 horas da passada sexta-feira. Bom, ou o relógio do mundo está atrasado, ou então o profeta enganou-se. Enganou-se e enganou-me a mim também, o cabrão! Eu, um céptico de primeiríssima água, desta vez deixei-me levar, pois os sinais eram muito fortes e inequívocos: crise internacional, Paulo Portas de novo no governo, Kadafi morto, o Sporting a jogar bem e a ganhar jogos... face a isto, não me parecia nada improvável que o mundo desse mesmo o badagaio às 15 horas do dia 21 de Outubro, tal como previsto por Harold Camping, o tal pastor evangélico que é também profeta lunático (aren't they all?!?).

Confrontado com a proximidade do apocalipse, fiz aquilo que qualquer pessoa faria perante o anunciado fim do mundo. Enfim, já todos vimos filmes do género, já todos lemos coisas semelhantes, e eu não me distancio em nada do comportamento dos protagonistas de tais histórias: pus-me a fazer, nas minhas prováveis últimas horas de vida, tudo aquilo que nunca havia feito. Comecei, pois, por me baldar ao trabalho, aproveitando os meus primeiros momentos de folga forçada para violar meia dúzia de gajas boas. Depois, violei mais uma dúzia. Eram 10 horas de sexta feira e ainda faltava bastante para o armagedão. Num ápice, li os sete volumes do Em Busca do Tempo Perdido, do Marcel Proust, e perdi de facto o meu tempo, pois não percebi nada e deveria ter, em vez disto, violado mais gajas. Apanhei um avião, fui até ao Aeroporto Sá Carneiro, roubei um táxi, assaltei um banco e fui até ao Estádio do Dragão onde, sem ser visto, consegui urinar bem no meio do relvado. Depois voltei ao aeroporto, violei uma hospedeira e regressei a Lisboa. Era agora meio dia, e ainda tinha muito para fazer. Com o dinheiro conseguido do assalto, comprei um iPad; saquei um filme porno, pu-lo a rodar, meti o som no máximo e abandonei o iPad junto à entrada da Sé de Lisboa, roubei mais um táxi, acelerei até ao Centro Cultural de Belém e violei a colecção Berardo em 10 minutos.

Por esta altura, já estava cansado, embora ainda faltassem 2 horas para o fim do mundo. Resolvi então, só pela ironia da coisa, ir à embaixada dos EUA solicitar a cidadania norte-americana. Como eles também acreditavam que o mundo iria acabar, deram-ma sem delongas, e ainda pude aproveitar para violar a tipa da recepção. Satisfeito, saí e com o sabor doce que só a impunidade total dá, fui para casa esperar o eclipse da vida enquanto via a cassete VHS dos 7-1 que o Sporting espetou aos lampiões.

Chegaram as 3 horas. E eu: "é agora! Ah, se a gaja, em vez de estar a trabalhar, estivesse aqui comigo, ainda a violava!" Na sua ausência, quis violar as gatas, mas elas estavam a marimbar-se para o fim do mundo e andavam à caça de passaritos. Emborquei então meia garrafa de uísque, de penálti. Já passava um minuto. Enfim, até o apocalipse poderia atrasar-se, a pontualidade é uma coisa que não toca a todos. Para combater a tensão, mamei meia garrafa de vodka. Passavam agora 4 minutos das 15 horas. Olhei lá para fora, e tudo parecia normal, se é que algo pode parecer normal a um alcoolizado. Não se ouviam metralhadoras a disparar, bombas a cair, pessoas mutiladas a gritar; os céus não ribombavam, a terra não tremia, e até os meus intestinos estavam calmos. Comecei, pela primeira vez, a desconfiar que tudo não tinha passado de um embuste. "Querem ver", pensava para comigo, "que isto de profetas religiosos a marcarem a data do fim do mundo, afinal, é uma tanga parecida com aquelas dietas de emagrecimento das televendas?!?!" Se de facto fosse assim, se o mundo não iria acabar, então o problema não era o de o mundo acabar, mas de saber onde iria este mundo parar quando já nem as profecias acertam!

Meia hora após as três, já eu me encontrava em profunda depressão. Fui enganado, e senti que tudo o que havia feito nessa sexta feira, afinal, tinha sido em vão. Para quê violar gajas atrás de gajas, cometer crimes impunemente, fazer trinta por uma linha quando, afinal, o mundo não vai ao ar?! Senti-me, por uns breves momentos, um Dominique Strauss-Kahn, e não deveria ser esse o espírito de alguém que aguarda o seu fim. E o que eu iria fazer com a cidadania norte-americana, pedida num momento de euforia apocalíptica, no fundo a minha maneira muito camusiana de dizer, enquanto vigoroso anti-americano que sou, que o mundo e a vida não passam de um absurdo?! Acrescentado a tudo isto, há que considerar ter-se perdido todo um espectáculo cuja beleza deveria ser única: explosões, destruição, mortes e afins, mas a acontecer mesmo em vez de ser num filme do Michael Bay.

Agora estou para aqui, consumido em remorsos. Remorsos por ter cometido várias injúrias e ter de viver com elas, quando teria sido muito mais fácil, eticamente falando, romper com todas as barreiras e quinar logo a seguir graças ao apocalipse. Há coisas de que não me arrependo, como urinar no Estádio do FCP, ou violar mulheres, mas ler o Em Busca do Tempo Perdido e deixar um iPad na Sé de Lisboa são coisas que me atormentam. Podia, hoje, estar com um iPad...

E, claro, sinto remorsos por ter sido intrujado, pois isto é, em última instância, também o reconhecer de uma culpa minha. Culpa por ter sido tão crédulo. Da próxima vez que o mundo acabar, não vou estar nem aí. A ver se aprendo...