segunda-feira, maio 07, 2012

Ter um filho: pró e contras

Conviver todos os dias com um recém-nascido é uma novidade para mim. Há que saber gerir uma série de factores para conseguir incorporar um ser tão pequenininho na rotina diária. Nem sempre é fácil, nem sempre é simples, mas há claras compensações. Se vocês aí que me lêem estão a pensar ter filhos, eis uma breve e ilustrativa tabela contendo o que eu considero os argumentos principais a favor e contra. Aproveitem!

Desvantagens
Vantagens
- Ninguém consegue dormir
- Ohhhhhh, é tão fofinho
- Gasta-se o equivalente ao produto interno bruto de uma nação desenvolvida como a Bélgica em fraldas, toalhetes, cremes e restantes cenas para bebés
- Mas é tão fofinho…
- Os decibéis debitados pelos choros matam mais tímpanos do que um concerto de heavy metal
- Não, é que é mesmo fofinho
- Xixi, cocó, bolçado, baba…
- É que vocês não conseguem sequer imaginar como ele é realmente fofinho!
- As mamas da esposa passam a ser propriedade privada do bebé
- Chega, já estou farto disto, vou mas é olhar para o meu menino porque ele é super fofinho…

sexta-feira, maio 04, 2012

Dantes, eu até gostava das sextas-feiras.

Ansiava por elas.
Desejava-as.
Queria que chegassem mais cedo.

Mas agora detesto as sextas-feiras.
Não posso com elas.
Abomino-as.

Tudo por causa da porcaria da música do Boss AC e da insistência das rádios em passá-la... às sextas-feiras. AAARRRGGGHHH!!!!

quinta-feira, maio 03, 2012

Ó Dante, 'tás-me a falhar, pá!


Não me recordo agora se o Dante, na sua descrição dos 9 círculos do Inferno, se lembrou de lá colocar os dentistas. Tenho quase certeza de que esta classe profissional não consta... não consta, mas deveria constar! Deveria constar! E é uma falha muito grave do Dante. Está bem que violadores, traidores, mentirosos e tal, como escreveu o poeta obcecado pela Beatriz, têm lugar cativo lá, mas e os dentistas, pá?! Os dentistas também deveriam ter um círculo do Inferno. E os advogados, já agora. E os presidentes do Futebol Clube do Porto. E malta que não faz pisca quando muda de direcção. E o Miguel Sousa Tavares. E o pessoal que foi ao Pingo Doce no dia 1 de Maio.

Na volta, seriam precisos mais uns 9 círculos do Inferno, pelo menos... Ó Dante, já fazias um upgrade n'A Divina Comédia, não?!?

quarta-feira, maio 02, 2012

Reportagem Peter of Pan: o Pingo Doce

Longe vão os tempos em que o Primeiro de Maio era marcado por porrada nas manifs. Agora, os trabalhadores podem entoar descansados os cânticos do costume ali à Avenida da Liberdade, que já não há batalhões de polícias prontos para aviar cassetetes no lombo. Os confrontos mudaram de cenário e passou a ser mais fácil andar à batatada com um cidadão ou levar umas bolachadas das forças de segurança num normal supermercado - que é, devo apontar, o sítio ideal para haver molho. E comer nos cornos. E dar o arroz. E armar uma caldeirada. E... ok, já chega! 

Bom, sempre interessado que estou nestes episódios marcantes da evoluída civilização ocidental, armei-me de um caderno e de uma caneta e fui tentar obter reacções junto dos clientes do Pingo Doce. Porque, afinal, devemos tentar compreender as atitudes das pessoas, por forma a fazer uma análise correcta dos acontecimentos. Caso contrário, seremos uns meros Marcelos Rebelos de Sousas e só diremos porcaria. 

Eis, pois, alguns depoimentos que consegui recolher:

- Bom dia, senhor. Diga-me: esteve no Pingo Doce?!
- Bom dia. Estive sim.
- E como foi, pode contar?
- Pá, foi o caos. Não via nada assim desde a Guerra Colonial.
- Ah, o senhor é um veterano. Vejo também que não tem um braço e coxeia de uma perna. Foi na Guerra Colonial que ficou ferido?!
- Não, não, foi mesmo no Pingo Doce da Brandoa. Mas consegui levar o último peito de frango e dois pacotinhos de arroz carolino.

*
**

- Boa tarde, minha senhora. Posso fazer-lhe umas perguntas?!
- Pode sim, meu jovem.
- Vejo-a carregada de compras. Esteve no Pingo Doce?
- Ah, sim, estive.
- Entre as suas compras, consigo observar pelo menos uma dúzia de sacos de comida para gato. Quantos gatos tem?
- Eu?! Nenhum.
- Então, mas...
- Ah, comprei porque não podia perder a oportunidade. Se comprasse a comida para gato noutro dia, ficava-me ao dobro do preço! Sou muito esperta, eu...

*
**

- Boa tarde, meu caro. Vejo que o seu carrinho de compras está praticamente vazio. Não foi ao Pingo Doce?
- Então não fui?! Fui, fui!
- Mas trouxe pouca coisa. Não quis aproveitar a promoção deste 1 de Maio?
- Ó chefe, eu até aproveitei, mas estive tanto tempo na fila à espera para pagar que acabei por comer quase tudo. Olhe, a fome era tanta que nem cozinhei as batatas. Nem o peixe. Nem os brócolos. Nem os ovos. Agora sinto uns barulhos estranhos nos meus intestinos. Acha que é grave?!

*
**

- Boa tarde, senhora reformada. Foi ao Pingo Doce?
- Fui sim, jovem entrevistador esbelto e simpático.
- Se não for incómodo, podia dizer-me quanto gastou?
- Olhe, fiz compras no valor de 410 euros, portanto só paguei 205. Já viu o que poupei? 
- E quanto costuma gastar normalmente?
- Uns 30 euros!
- Ah...

E pronto, basicamente foi isto...

segunda-feira, abril 30, 2012

Peter of Pai

Andei ausente do blogue por uma razão muito simples: o meu melhor post de todos os tempos foi publicado. Nasceu o meu filhote! Como consequência, a partir daqui esperem por muitos posts sobre cocó. É para variar dos meus habituais posts de merda.

Hãããã... pois!

quinta-feira, abril 19, 2012

Cartão do cidadão Peter of Pan

Fui levantar o meu cartão do cidadão. O sentimento foi agridoce. Desde logo, assustei-me com o bicho que aparecia na fotografia; só depois de me acalmar consegui aperceber-me de que aquela coisa meio alienígena era eu. Mas nem tudo foi mau. O cartão do cidadão acaba por ser uma merdinha pequinininha que substitui várias merdinhas pequinininhas: o bilhete de identidade, o número de contribuinte, o número de beneficiário da segurança social e o número de utente de saúde. São várias merdinhas, pequinininhas, como já disse, mas todas juntas ainda aleijam, e bastou retirá-las da minha carteira para perceber que o peso total desta se reduziu pràí em meio quilo! O meu rabo já agradece!*

*Pá, sim, ando com a minha carteira no rabo. No bolso de trás das calças, para ser mais preciso, não vão cá vocês pensar noutra coisa...

terça-feira, abril 17, 2012

Venho eu do almoço...

...vou para o local de trabalho, dá-se-me a dor de barriga, vou até ao W.C. Ocupo um dos dois cubículos e arreio as calças. Dou um pum subtil. Subtilíssimo, mesmo. Ouço passos. O outro cubículo acaba de ser ocupado. E sinto vir lá outro pum. Daqueles nada, nada subtis. Ainda penso na possibilidade de se dar uma coisa assim semelhante a esta



mas fico com vergonha e também desconheço a índole de quem se sentou na outra porcelana. Pode ser alguém sem sentido de humor. E sem gases, o que é tanto ou mais recriminável. Tento aguentar ao máximo o pum. Faço força. Tenho os músculos do cu tão contraídos que se soltasse o tijolo agora, aposto que saía dali um diamante. Ainda assim, por mais força que faça, sinto o pum escapar-se-me. Temo uma tragédia. Escapou-se: não foi o trovão que imaginei pudesse ser, foi mais um fuííííííííín agudo. Do outro lado, o meu compadre tem a lata de dizer "'tá mau isso, hã?!". Nem tenho tempo de responder: o meu cu fá-lo por mim. Outro pum, desta feita um FRÓÓÓÓM que, se um instrumento fosse, só podia ser uma tuba. Se eu tivesse algum sítio onde me esconder, era logo. Quer dizer, até tinha, mas era uma sanita, não conta. Do outro cubículo, o coitado levanta um "Dass!" Lá faço o que tinha a fazer, limpo o que tenho a limpar, visto-me, lavo as mãos e saio do W.C. mais depressa do que o governo inventa medidas de austeridade.

Foi mau, foi muito mau...

segunda-feira, abril 16, 2012

Negócios em ascensão: dar nas orelhas

A minha gaja, sou eu o primeiro a reconhecê-lo, tem múltiplos talentos. Mas há um talento dela que é mais talento do que os outros: esse talento é o de dar nas orelhas. A minha gaja é o Messi do dar nas orelhas! E não vão só por mim, que tenho levado nas orelhas desde há tempos imemoriais: as amigas da gaja têm levado tanto ou mais nas orelhas do que eu, e o que é mais espantoso, elas voltam! Elas querem! Elas gostam!!!!!

Dotado de olho para o negócio, estou decidido a aproveitar tais qualidades e fazê-las render um bom dinheiro. O primeiro passo será montar um site. Já está tudo mais ou menos planeado: a homepage terá uma foto da minha gaja, e o seguinte slogan, que considero extremamente apelativo:

"Precisas de levar nas orelhas e não sabes como nem tens quem o faça? Não sejas estúpido(a). Liga já para a Gaja do Peter of Pan e leva nas orelhas como nunca levaste. Satisfação garantida.
As primeiras 10 chamadas receberão um desconto de 10% na primeira sessão e de 5% nas sessões seguintes."

E o programa, também já o tenho todo montado. A minha gaja, qual Freud de dar nas orelhas, prestará um serviço em 5 sessões. Os conteúdos, os horários e o preçário seguem abaixo.

Levar nas orelhas: programa psico-analítico ministrado pela Gaja do Peter of Pan

Sessão 1: "Se eu fosse a ti, não teria feito isso". 1 hora. 100€
Sessão 2: "És mesmo parvo(a), não sabes que o melhor era agires assim e assado?!". 45 minutos. 75 €.
Sessão 3: "Pá, mas quem é que te atura?! Chiça...". 45 minutos. 75€
Sessão 4: "O que tu merecias era um estaladão, para abrires a pestana". 1 hora, com mais meia hora de opção dependendo do número de estalos. 100€ ou 150€
Sessão 5: "Ó f*da-se, deixa de ser um(a) choninhas e faz-te à vida, c@r@lho, irra!". 30 minutos. 50€

Digam lá se isto não vai ser só chover dinheiro para os nossos lados...

sexta-feira, abril 13, 2012

Um post em rage comic


True story...

quinta-feira, abril 12, 2012

Eu pensava que estas coisas só aconteciam em sketches dos Monty Python...

Lembram-se daquele sketch dos Monty Python com velhotas delinquentes?!? Se não se lembram, é este aqui, vejam que eu espero:



Pronto, já viram?!
Hoje vivi uma situação semelhante no comboio. Fui tentar sentar-me no único lugar livre da carruagem, um lugar junto à janela. Os outros três lugares (recordo que era um comboio: os assentos são aqueles 2 a 2, virados um para o outro) encontravam-se ocupados por três vetustas velhotas; o que eu queria ocupar, reparei enquanto me aproximava, afinal não estava propriamente livre, visto ter umas malas de velhota em cima. Educadamente, pedi licença. As velhas levantaram a cabeça e baixaram-na de novo. Nada! Voltei a pedir licença. Entre uns renhónhónhós de reclamação, uma das velhas lá tirou as malas de cima do banco. Sentei-me. Senti três pares de olhos dardejando na minha direcção. Eu, que já viajei em carruagens apinhadas de bêbedos, de ciganos, de negros, de adeptos do Benfica, pela primeira vez tive medo. Medo esse que se viu reforçado quando as velhas resolveram entrar na galhofeira. Falavam aos berros, riam-se com aquele riso assustador e agudo, um IHIHIHIHIHIHIHIHIH que se entranha nos ouvidos e de lá não quer sair, uma delas babou-se, outra abriu a boca de tal maneira, revelando uma caverna tão negra e profunda, que fiquei surpreendido por não ver de lá sair um ou dois morcegos. O medo por mim sentido depressa se transformou em terror, e o terror só não se transformou em cagaço porque me concentrei muito. Já tinha visto Orçamentos de Estado mais simpáticos do que a situação presente. Eu só desejava que aquilo acabasse...

Por sorte, acabou três estações depois. Só que a saída das velhas dos seus respectivos lugares foi tudo menos pacífica: a que estava imediatamente à minha frente, ao levantar-se, deu-me com a mala no joelho. De forma irónica, proferiu um "Ah, desculpe, jovem"... e riram-se as três com aquele irritante IHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIHIH! Além de mal educadas, eram provocadoras. Mas pronto, ao menos tudo tinha terminado e, se bem que ferido no meu orgunho, estava vivo. E inteiro. A partir de agora, contudo, sempre que vir velhotas em grupo, fujo. É melhor...

quarta-feira, abril 11, 2012

Ó pá, vão-se lixar. Assim já não posso ser do contra!!!

As minhas opiniões colocam-me, desde há muitos anos, sempre do lado da minoria. Em todo e qualquer assunto, eu estou do contra. O país é maioritariamente benfiquista?! Então eu sou sportinguista. A maioria dos sportinguistas é anti-benfiquista?! Eu também sou, mas sou mais anti-portista. O país é maioritariamente católico? Então eu sou ateu. O país é maioritariamente centro-direita?! Então eu sou de extrema-esquerda. Enfim, podia estar nisto o dia todo... note-se, no entanto, que além de serem do contra, as minhas posições distinguem-se também pela sua cristalina lucidez. O que me leva àquilo que me incomoda de momento.

No que toca ao actual governo que dirige o país, sempre me assumi como um anti-passos coelhista. Aliás, eu já era anti-Passos Coelho quando o Passos Coelho ainda só mandava na JSD (sim, sou muito hipster, eu!). O Passos Coelho ganhou as eleições, o pessoal todo aplaudiu, e eu só dizia mal do gajo. O Passos Coelho continuou no seu estado de graça, o pessoal todo gostou, e eu só dizia mal do gajo. Mas agora, agora toda a gente diz mal do gajo. Neste cenário, como fico eu, euzinho, eu que sempre disse mal do gajo?! Como é que posso continuar a ser do contra num contexto assim?! Se vocês todos dizem mal do Passos Coelho, o que é que eu estou aqui a fazer?! Nada!

Portanto, a partir de agora, e de modo a continuar com a minha atitude de ser do contra, atitude essa que é tão identitária, que faz tão parte de mim como, sei lá, gostar de mamocas, portanto, dizia eu, para poder ser do contra neste actual cenário em que todos estão contra o Passos Coelho, comprometo-me a dizer bem do Passos Coelho. Por exemplo, acho que o Passos Coelho está a ser muito competente a...







...a...










...a...










AHHHHHHH, f*da-se! Raios partam!!! A culpa é toda vossa. Vá, voltem lá a apoiar o Passos Coelho, caramba!

terça-feira, abril 10, 2012

E se enfiassem mas era os catetos no quadrado da hipotenusa, hã?!

Então não é que os manuais escolares vão aumentar? Em especial, há um - tinha de ser de Matemática - que vai passar a ser vendido pela módica quantia de... tcharam: 37,51 €uros. A esta altura, os paizinhos dos estudantes estão a pensar exactamente aquilo que o Doc Brown pensou quando o Marty McFly disse quais as necessidades energéticas do DeLorean para viajar no tempo:

ONE POINT TWENTY ONE GIGAWATTS?!?!?

É duro, não é?! Por aquele preço (convertendo para escudos, dá 7.500$00. Por um livro de matemática, caramba), só espero que a sequência de Fibonacci apareça com as mamas à mostra, que as equações diferenciais tenham muito sexo lésbico e que os números inteiros não se ponham com paneleirices. Se assim for, até pode valer a pena.

Não deixa de ser irónico, no entanto, que para adquirir um mero livro de matemática para os filhos, sejam os encarregados de educação aqueles que têm logo de fazer contas...

segunda-feira, abril 09, 2012

Diferentes estúpidos, a mesma estupidez

Ora, ora: parece que um simpático grupo de 1309 pessoas, o mesmo número das que embarcaram na viagem original do barquinho que deu um filme bastante rentável, quer refazer o percurso que foi interrompido há 100 anos atrás por um cubinho de gelo. Está tudo aqui. A minha pergunta é: a reconstituição vai ser fiel ao ponto de também desta vez esbarrarem contra o iceberg?! Ou vão armar-se em maricas e levar o barco até Nova Iorque?! E se o fizerem, será que ainda podemos falar de reconstituição?!

E ninguém falou ainda dos tubarões! Os tubarões, que ficaram super-excitados quando ouviram boatos acerca da repetição do que ocorreu há 100 anos atrás, e que circula na mitologia tubarina como "o dia em que o mar da Islândia gerou papinha da boa", ocasião só comparável, na mitologia humana, ao maná que caiu aos hebreus no deserto aquando do Êxodo. Ora, como ficam os tubarões?! São capazes de ficar chateados se a viagem tiver um desfecho diferente da original, não?! É bom que as 1309 aventesmas pessoas pensem um pouco nisto. Ou fazem as coisas bem feitas, ou então não vale a pena.

Ficamos todos então à espera de ouvir nas notícias aquilo que todos nós, e por nós refiro-me a mim e a um cardume de tubaritos, queremos.

quarta-feira, abril 04, 2012

Diálogos parvos (a série continua... e não tem fim)

O despertador toca. O macho lá de casa (para quem tem dúvidas, trata-se de mim) levanta-se. Toma duche. Vai vestir-se. É aqui que entra a indignação:

Ela: Mas...mas... tu vais de manga curta?!?!
Eu: CLARO!
Ela: [com desespero, estupefacção, incredulidade e coisas afins estampadas na voz] Deves ser doido...

Nada diz "isto hoje vai ser um dia do caraças" como a expressão "deves ser doido" proferida pela mais-que-tudo...

segunda-feira, abril 02, 2012

Comprimidos vaginais: um incómodo linguístico

Anda por aí um anúncio nas televisões a publicitar uma marca de comprimidos vaginais. O nome da marca agora escapa-se-me, mas o conceito de "comprimidos vaginais", bom, esse agarrou-se-me aos neurónios e provocou uma certa indignação. Indignação essa que posso resumir no seguinte questionamento: mas por que raios é que os comprimidos vaginais hão-de ser chamados assim, de comprimidos vaginais?!

Não sendo eu farmacêutico, considero porém que a questão merece alguma reflexão, quanto mais não seja porque sim. Ora, reflectindo, chega-se a uma primeira conclusão: como se chamam os comprimidos que se tomam por via oral?! Comprimidos. E como se chamam os comprimidos que se tomam por via anal?! Supositórios. E, lá está, como se chamam os comprimidos que se tomam por via vaginal?! Comprimidos vaginais.

Pois bem, é este o cerne do problema! Por que razão estranha se favoreceu, na nomenclatura de fármacos, o rabo em desprimor da racha?! Por que razão os comprimidos que se enfiam pela peida acima têm um nome exclusivo, enquanto que aqueles que se têm de meter pela boca do corpo se limitam a levar um mero acrescento lexical literal: "vaginais"?!?! Trata-se, sem dúvida, de um claro empobrecimento da língua de Camões, que tem palavras e mais palavras para designar o órgão genital feminino, mas nenhuma delas foi aproveitada para, à semelhança do que aconteceu com o supositório (um termo que designa sem qualquer ambiguidade um medicamento que é colocado no corpo via anilha), criar um neologismo que substituísse a tão feia expressão "comprimidos vaginais". É caso, então, para começar a dar uso à língua em favor da vagina. Hã?! Pois...

Acrescento, desde já, que não é só por razões estéticas que trago este assunto à liça. Não. Há razões também práticas. Se houvesse um termo próprio que designasse os comprimidos vaginais, muitos equívocos poderiam ser evitados. Um exemplo: imaginem vocês que estão numa festa. A dado momento, uma das vossas amigas interrompe: "ah, quase me esquecia de tomar o comprimido. Alguém segure na minha mala enquanto procuro". Vocês, claro, como pessoas de bem que são, ficam a pensar: ela vai buscar um copo de água, ingere o comprimido e a festa pode continuar como até aqui. Só que, quando ela encontra o dito comprimido, não vai buscar copo de água nenhum: em vez de enfiá-lo pela goela abaixo, levanta a saia e espeta-o pela perseguida acima. O resultado óbvio é que, depois disto, nenhuma festa fica como até então.

É portanto, também por este motivo que sugiro uma nomenclatura que faça pela pachacha aquilo que o supositório faz ao cu. Algo que encaixe lá bem, no fundo. Agora, bem sei que esta sugestão levanta novos tipos de problemas. Afinal, que nome dar à coisa? Pachachamido?! Ratatório?! Suposicoño?! Sei lá, as hipóteses são tantas... Mas o que eu acho é que se deveria dar mais atenção a isto do que ao Acordo Ortográfico, lá isso acho!...

sexta-feira, março 30, 2012

Os eternos descontentes

Se não chove, é porque não chove; se chove, é porque chove. No fundo, nunca estamos contentes com nada. Lembram-se do final do segundo filme da saga Matrix? E não me refiro só às cenas em que aparece a Monica Bellucci. É mais na parte final, quando o Keanu chega ao posto de comando do Arquitecto e este lhe diz que a primeira versão da Matrix falhou redondamente porque era perfeita (numa clara alusão ao Jardim do Éden). Lembram-se?! Se não se lembram, tenho pena, mas adiante. Ainda há poucos dias, li um romance do Julian Barnes em que um dos últimos capítulos foca um mecanismo semelhante: um tipo morre e vai parar ao Céu. Aquilo lá é tão bom, tão fácil, tão perfeito que o gajo acaba por entediar-se e pede para morrer (partindo do princípio de que se pode morrer quando já se está morto), quer dizer, solicita a uma "anja" que lhe termine com aquela existência ausente de pathos.

E, no fundo, é isto. Somos eternos insatisfeitos. Se algo corre bem, como uma vitória do Sporting, há sempre quem venha relativizar a situação, tipo "bela merda, o jogo de ontem. Devíamos ter espetado uns 5 a 0". Mas, se as coisas correm na perfeição - suponham, por exemplo, que o Sporting ganhava tudo com grandes cabazadas. Eu sei que é difícil, mas imaginem lá só um bocadinho, for the sake of the argument -, parece que ainda é pior. É claro que há alternativas a esta psicologia do infinito descontentamento, mas essas alternativas (budismo? ascetismo? não pensar em futebol?) além de serem estúpidas, não resolvem o problema, apenas lhe viram o rabo.

O segredo, se é que há um segredo, está em aproveitarmos as coisas tal como elas são, em vez de fugirmos delas ou desejarmos mais do que aquilo que recebemos. Se não chove, aproveitamos para passear ao ar livre. Se chove, aproveitamos à mesma para passear ao ar livre, e ainda ganhamos uma lavagem grátis aos sapatos. Se o Sporting ganha só por 2 a 1, dizemos mal do árbitro que assinalou um penálti mesmo a acabar o jogo... não esperem, isto é cair na atitude que venho a criticar. Vou fazer isto de novo: se o Sporting ganha só por 2 a 1, ficamos todos contentes e...

...aaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhh, porra! Não dá!!! Também sou, infelizmente, humano demasiado humano. Não dá para ficar contente com aquilo. Bolas... Afinal também fui feito à imagem e semelhança do Medina Carreira. Eu, e vocês todos.

quinta-feira, março 29, 2012

Mole. Estou a ficar mole. Tudo culpa do Sá Pinto

Nada de conotações sexuais no título deste post, está bem?! Estou a ficar mole porque há pouquíssimas horas, dois norte-americanos do mais norte-americano que há, estiveram no meu local de trabalho a fazer norte-americanices e eu não reagi. Quer dizer, nem uma cabeçada naquelas trombas mandei. Nem uma cuspidela tentei. E tenho certeza, toda a certeza, de que a culpa desta minha conduta pacifista perante dois cidadãos do país mais norte-americano do mundo não é do Gandhi, do Dalai Lama, da Madre Teresa ou de qualquer outro reputado defensor da convivência interpessoal e da tolerância: a culpa de eu não reagir violentamente contra quem merece é só e apenas do Sá Pinto. Eu, habituado que estava a ver o Sá Pinto a rebentar com quem quer que lhe aparecesse à frente, estou como que sem reacção ao assistir ao "novo" Sá Pinto, que nem no Bruno Paixão espeta um carimbo. Quando eu penso neste Sá Pinto, torna-se difícil fazer o que qualquer pessoa de bem faria: esganar dois norte-americanos.

É este o exemplo que vou dar aos meus filhos?!?


Maldito Sá Pinto...

terça-feira, março 27, 2012

Os adolescentes de hoje estão todos estragados

Sim, está bem, isto é transversal a todos os adolescentes em todas as épocas (menos na minha, claro, a única onde havia pelo menos um adolescente digno), mas sei lá, parece que os adolescentes de hoje conseguem ainda ser mais estúpidos do que os precedentes.

Vem isto a propósito das reportagens sobre as viagens de finalistas a Lloret del Mar, despertadas pela morte de um rapaz de 17 anos. Tais reportagens insistem sempre nos mesmos pontos: os jovens vão para lá beber, consumir drogas, fazer noitadas, beber mais, conviver e cenas afins. Portanto, deve ser giro, penso eu. Porém, eis que uma estação qualquer resolve colocar imagens com entrevistas a alguns desses jovens (desconheço se tais imagens eram de arquivo ou foram feitas nos dias presentes; também não interessa). Umas mostram jovens, com grandes pielas, incapazes de elaborar uma resposta mais refinada do que "Iá, isto é bué da fixe, bluuuuuurrrrghhh!". E garanto que estas são as respostas mais esclarecidas e informadas. As outras, aquelas que realmente me fazem torcer o nariz a esta geração, discursam sobre o valor de fazer uma viagem a Lloret del Mar através de argumentos que fazem tanto sentido quanto as tácticas do treinador do F.C. Porto. Eis uma dessas "opiniões"

Jovem que foi passar uns dias a Lloret del Mar:"Então, o que eu mais gosto daqui é que há muitos portugueses. A gente, tipo, sente-se em casa".

Ora vamos lá a analisar isto. Pelo que eu percebo, os adolescentes portugueses que vão para Lloret del Mar fazem-no porque, em Lloret del Mar, há muitos adolescentes portugueses. Isso significa uma de três coisas: a) em Portugal não há adolescentes portugueses; b) os adolescentes portugueses são estúpidos; c) em Portugal não há adolescentes portugueses porque eles estão todos em Lloret del Mar à espera de encontrar outros adolescentes portugueses, e são todos estúpidos.

Não, a sério, se é para ir a um sítio onde estão magotes de portugueses, então sai-se de Portugal por quê?! Eu quando saio do meu país, rezo dez ou vinte pais-nossos para não encontrar nenhum tuga quando chegar ao meu destino. De todas essas vezes, fui mal sucedido - e isso, acrescento, é mais uma prova de que não há ninguém lá em cima a escutar as nossas preces. Encontrei sempre lusitanos. Sempre! E é algo tão desanimador que dá logo vontade de voltar para casa. Mas, para os adolescentes portugueses, não só esse desânimo não se coloca, como até é um requisito básico para o seu bem-estar. Portanto, os adolescentes portugueses esmifram-se por viajar para fora, para sair de Portugal, um sítio que - não olhem agora, mas é verdade! - tem montes de portugueses, mas só vão para sítios onde, bem, onde tem de estar outro monte de portugueses.

Vá lá um gajo entender isto...

segunda-feira, março 26, 2012

Sempre fui um tipo muito à frente


E tenho razão, não tenho?!? Quer dizer, agora já são quase 40000 tipos a passar a ponte a pé. Parece que, em boa verdade, já há gente que se gaba de só ter atravessado a ponte por ocasião da maratona, sem nunca ter pago uma portagem que fosse. Quer dizer, todo o santo dia a conversa é: "não sei para que serve aquela ponte", "aquilo só é bom para gastar dinheiro", "eu, passar na 25 de Abril? Livra!", "o mamarracho foi mandado construir pelo Salazar", etc., mas chega-se o dia da maratona da ponte, as pessoas esquecem tudo e vão para lá armar-se em atletas junto de outros tugas que tiveram a mesma ideia. Eu também já fui, por várias vezes, mas só quando aquilo ainda era cool. Agora que está muito mainstream, já não tem tanta piada. Dantes, eu podia estar num grupo de amigos e ser o único a ter atravessado a ponte a pé; hoje em dia, já todos o fizeram. Qual é a graça disso, pá?!

terça-feira, março 20, 2012

Hoje não posso, voltarei mais tarde

agora doem-me os dentes e o Sporting, não necessariamente com a mesma intensidade.

segunda-feira, março 19, 2012

Desmistificar parvoíces ditas por pessoas (1)

Ora vamos lá a ver uma coisa. De entre as muitas cenas que as gajas dizem e que não fazem sentido nenhum (e são mesmo muitas), há duas que, para além de não fazerem sentido, entram mesmo em contradição uma com a outra. Essas cenas são (ler isto com voz de mulher que se dirige a um homem):

a) "Vocês, homens, são todos uns animais"

b) "Vocês, homens, não percebem. Nós mulheres estamos muito mais ligadas à natureza do que vocês"

Sou só eu que vejo aqui uma incoerência? Sou só eu que acho uma coisa não bater com a outra? Sou só eu a julgar que as mulheres não regulam bem quando atacam os homens à conta destes argumentos?! Quer dizer, por um lado, acusam os homens de serem uns animais. Normalmente, elas fazem-no quando nós, machos, desempenhamos uma qualquer acção socialmente menos aceite, mas que, lá por ser socialmente menos aceite, não significa que a acção não seja moralmente correcta nem epistemologicamente certa, ou vice-versa (hã?!?). Coloco neste grupo acções como:
  • coçar os tomates em público
  • arrotar bem alto
  • dizer asneiras durante um jogo de futebol
  • etc.

sempre que fazemos uma destas coisas, ou mesmo todas em simultâneo (vá: confessem que é um desafio giro coçar os tomates, dizer asneiras e arrotar, tudo ao mesmo tempo!!!), é inevitável escutarmos "Vocês, homens, são todos uns animais" em jeito de crítica. Mas, por outro lado, quando censuramos alguma coisa às mulheres, do tipo "mas por que é que compras sapatos novos sempre que há lua cheia?", ou "essas velinhas com cheirinhos espalhadas pela casa servem para quê?", ou ainda "o que é isso de rezar o Pai Nosso sempre que o Pedro Passos Coelho aparece na televisão?!", lá vem a outra resposta: "Vocês, homens, não percebem. Nós estamos muito mais ligadas à natureza do que vocês". E é aqui que a porca torce o rabo. Gajas, prestem bem atenção nisto: não é minimamente coerente acusarem os gajos de serem uns animais para, de seguida, acusarem os mesmos gajos de estarem desligados da natureza! Porque se há ser, ou bicho, ou coiso, que está ligado à natureza, esse ser, ou bicho, ou coiso, é precisamente o animal! E assim, fechando o círculo ao raciocínio, não se pode dizer que um ser, ou bicho, ou coiso, está simultaneamente ligado e desligado da natureza! Não dá, porra! Portanto, vamos lá a ver se se deixam de histórias, está bem?!?!

Amanhã, se me apetecer, vou desmistificar uma das mais poderosas parvoíces ditas por pessoas: aquela de que se pode fazer qualquer coisa estúpida porque "mal não faz".

sexta-feira, março 16, 2012

Resumo do jogo de ontem


Quem me conhece, sabe que sou uma pessoa bastante calma e imparcial quando vejo futebol. É raro, muito raro mesmo, chatear-me por causa de um jogo. MAS ONTEM O CORAÇÃO QUASE NÃO AGUENTAVA. E se o coração quase não aguentou, a cabeça, essa, não resistiu mesmo: festejei os dois golos do Sporting como se fosse uma criança perdida num castelo cheio de doces. Mas o pior foi a segunda parte. Aquela segunda parte... filhos da puta! Só sei que disse mal de toda a gente: dos jogadores do City, dos jogadores do Sporting, do Sá Pinto, do Pedro Passos Coelho (ei, eu sei que ele nada tinha a ver com o que se passava, mas é bom não perder o hábito de dizer mal do primeiro-ministro), eu sei lá. Pior foi quando o palhaço do genro do Maradona marcou o terceiro coiso dos bifes: por essa altura, a gaja - que assistia, ao meu lado, ao desenrolar da partida - estava ao telefone com uma amiga. Mas eu, tipo, desliguei. Quando o Aguero fez o 3 a 2, esqueci as convenções sociais e tudo o resto e soltei-me. Explodi. Gritei: "MAS ESTE FILHO DA PUTA MARCA SEMPRE AO SPORTING" (para os menos familiarizados com a história sportinguista, recordo ter sido este mesmo jogador, o qual anda a comer uma das filhas do melhor futebolista de todos os tempos, o principal responsável por o Sporting, aqui há uns anitos, ter caído aos pés do Atlético Madrid). "QUE GRANDA FILHO DA PUTA". "DÊEM UM TIRO NESTE PANELEIRO D'UM CABRÃO". "PALHAÇO". "FILHO DA PUTA!!!". Enfim, foram estas as coisas de que me lembro de ter dito. Ou melhor, gritado. Sou capaz de ter dito, quer dizer, gritado, outras coisas, mas dessas não me recordo. Só sei que a minha gaja ficou bastante envergonhada, porque a sua interlocutora deve ter perguntado o que se estaria ali a passar. Ainda levei uma cotovelada no estômago, seguida de um "schut! Cala-te", só que eu ausentei-me mesmo da realidade. Naquele momento, interessava mandar o Aguero e toda aquela gente para o sítio de onde haviam nascido. Naquele momento, instalavam-se já as dúvidas sobre a capacidade de resistência do Sporting. Naquele momento, comecei a pensar que, afinal, íamos ficar pelo caminho. E depois, já mesmo à beirinha do fim, no último microssegundo de jogo, o rabeta do guarda-redes deles quase marca. Vi todo o lance em câmara lenta: a cabeçada do guarda-redes, o Patrício a tocar no esférico com a pontinha dos dedos, a bola a encaminhar-se para a baliza, e eu a pensar "NÃO, CARALHO, NÃO, NÃO, NÃO, NÃO ENTRES, MINHA PUTA, NÃO ENTRES, EU DURANTE UM MÊS INTEIRO NÃO DIGO MAL DO PAULO PORTAS SE TU NÃO ENTRARES", e a bola cada vez mais próxima das nossas redes, e o cabrão do locutor da SIC a gritar "É GOLO", e eu "FODA-SE ESTA MERDA TODA" enquanto continuo a seguir a trajectória da redondinha, só para verificar que afinal ela não vai entrar, vai passar ao lado, há dois jogadores do City que ainda tentam chegar à bola mas esta escapa-se-lhes, vai sair, saiu, não foi golo, "VAMOS PASSAR, PORRA", digo eu, e o árbitro apita para o fim, os jogadores do Sporting abraçam-se, eu respiro fundo, a gaja continua ao telefone, de repente o mundo parece-me um local habitável, vejo o Sá Pinto agarrado ao Paulinho, se o sírios virem isto, fazem logo as pazes, a crise desapareceu, o Sporting passou, os petrodólares do City não chegaram, embrulhem, bifes, e eu parecendo que não devo ter perdido uns 20 anos de vida nesta brincadeira.

O pior vai ser mesmo mesmo não abrir a boca por causa do Portas.

Hmmmm, sou só eu, ou esta última frase não soa lá muito bem?!?!?

Bom, não importa. SPOOOOOOOOOOOORTING!

quarta-feira, março 14, 2012

Coisas e pessoas muito estranhas a passarem pelo mundo neste momento

  • Duquesa de Alba
  • Declarações do Miguel Relvas
  • Yannick Djaló
  • O livro daquele puto que estava morto, mas depois já não estava, e que diz ter visto o céu, fosse meu filho levava um daqueles enxertos de porrada que era para ver se não se metia nas drogas logo tão novo, e por falar em drogas, e em porrada, por onde anda a Alexandra Solnado?!
  • José Castelo-Branco
  • O recém-adquirido pacifismo do Sá Pinto
  • Apelos a que as pessoas rezem por chuva
  • O meu cabelo

terça-feira, março 13, 2012

Mas quem é que este presidente da República pensa que é?!

Então não é que o Cavaco, que ficou célebre por andar a dizer que não lia jornais, agora exorta o povo português a ler a Constituição por inteiro?!? Ó Cavaco, e se te fosses coiso, hum?!?... Eu já li a Constituição Portuguesa uma vez e não fiquei particularmente fascinado. Se é para escolher uma obra mal escrita, cheia de leis estúpidas e derivada de uma autoridade para lá de questionável, fico-me antes pela Bíblia. Sempre tem mais piada. E cenas com mamas. Mas ó Cavaco, eu até estou disposto a acatar a tua sugestão desde que haja aqui um trade-off: eu releio a porcaria da Constituição, tal como tu pediste, mas em troca quero que leias toda a Crítica da Razão Pura e me apresentes uma recensão, com não mais de 5 páginas, até à próxima segunda-feira. Que tal? Parece justo?! Acho que sim. Então fica combinado...

sexta-feira, março 09, 2012

Fábulas estúpidas do Peter of Pan (2)

No jardim da cidade, a mamã joaninha encontrava-se muito doente. Todas as outras joaninhas da família voaram, algumas de perto, outras de muito longe, para vê-la. Quando a família chegou à flor onde a mamã joaninha vivia, o vizinho aranhiço foi recebê-las.
- Venham, venham - disse o vizinho aranhiço. - Ela tem estado à vossa espera.
- Obrigado - respondeu uma das joaninhas, entrando todas na flor.
Ficaram muito tristes quando olharam para a mamã joaninha deitada, muito fraca, na sua cama. A mamã joaninha levara uma vida de muito trabalho, a voar daqui para ali, dali para aqui, e ninguém da família estava à espera de vê-la agora assim, prostrada. Uma das joaninhas chegou-se à beira da mamã joaninha e perguntou-lhe:
- Mamã joaninha, mas por que não foi ao hospital?
Com muito esforço, a mamã joaninha elevou ligeiramente uma das suas seis patinhas e, com a voz embargada, contou:
- Eu fui ao hospital, minha filha. - pausou por um momento, para recuperar o fôlego. - Mas as taxas moderadoras estão para além do meu orçamento. - fez nova pausa. - E ninguém dá isenção a uma pobre e velha joaninha como eu.
- É verdade. - continuou o vizinho aranhiço. - Até fui eu que a levei ao hospital. Tentei pagar com fios de teia, mas não aceitaram. Tive de trazê-la de volta, coitadinha.
- Oh, o que vamos fazer?! - perguntou, emocionada, uma das joaninhas. - Podíamos levá-la para Cuba, mas e se ela morre pelo caminho?! E se há uma tempestade e temos de voltar para trás? Pior: e se nos cansamos durante o voo e precisamos de fazer escala na Madeira?!
Todas as outras joaninhas abanaram a cabeça. Ninguém parecia saber o que fazer. A família de joaninhas estava consternada, derrotada, patinhas para baixo e até mesmo a cor rubra dos seus dorsos aparentava, agora, estar menos viva.
Foi então que uma das joaninhas mais novas se lembrou de uma ideia:
- E se emigrássemos?! - lançou a pequenina. - Ouvi no outro dia na televisão um senhor importante a falar que devíamos todos emigrar!
- É verdade, eu também ouvi. - completou o vizinho aranhiço.
- Podíamos levar a mamã joaninha connosco. - retomou a petiza. - Escolhemos um sítio bonito, agradável, não muito longe daqui.
O resto da família, agradada pela sugestão, começou a discutir alternativas. Até a mamã joaninha, como se tivesse recuperado forças, deu alguns nomes. Após poucos minutos, a decisão estava tomada: iam voar até um jardim em Lanzarote, onde a mamã joaninha tinha uns primos, os Don Juanillos. Faltava apenas saber como transportar a mamã joaninha, fraca demais para aguentar um voo tão extenso, e foi aqui que mais uma vez o vizinho aranhiço mostrou ser prestável, pois comprometeu-se a fazer um saco de teia à medida da mamã joaninha, fácil de transportar por todas as suas filhas. Todas agradeceram o trabalho que o vizinho aranhiço teve e, assim que o saco de teia ficou pronto, puseram-se a voar. Poucos dias depois, chegaram ao jardim dos Don Juanillos, onde a mamã joaninha foi muito bem tratada e pôde passar, feliz, os últimos anos da sua vida.
Mas esta história não acaba bem. O vizinho aranhiço, que ficou no jardim onde sempre houvera vivido, começou a aperceber-se de que o jardim só ficara a perder com a migração das joaninhas. Os pulgões, que eram em número pequeno, ao verem-se livres das joaninhas, reproduziram-se incontrolavelmente, e bem depressa devoraram as flores mais bonitas do jardim. Não demorou muito para que todo o jardim da cidade, outrora belo, ficasse reduzido a mero pasto para os pulgões. O próprio vizinho aranhiço teve de abandonar o jardim quando viu a sua orquídea devorada pelos pequenos pulgões, e só a custo conseguiu sair de lá com vida. Mas, infelizmente, o vizinho aranhiço morreu não muito tempo depois, esmagado por um carro quando procurava um sítio para morar.

Moral da história: quando se obriga quem tem valor a emigrar, arrisca-se a que só fiquem cá os parasitas.

quinta-feira, março 08, 2012

Blá, blá, blá e não sei quê (sobre o dia da gaja)

As mulheres são mesmo muita queixinhas, pá. Mais queixinhas do que os dirigentes do Sporting, que andam sempre a queixar-se por tudo e por nada. Mais queixinhas do que o Jorge Jesus, o Rui Costa e o Luís Filipe Vieira depois de perderem um jogo por causa de um lance irregular. Mais queixinhas do que o piegas do Passos Coelho. São queixinhas, pronto. Tudo corre como elas querem, têm tudo aquilo de que precisam, e ainda assim não cessam o choradinho. São mesmo tramadas, as gajas.

Elas têm uma dor de cabeça?! Está bem, pronto, não há brincadeira na cama hoje. O macho respeita.
Elas querem massagenzinhas nos pézinhos? O macho dá.
Elas querem miminhos? O macho dá, mas não conta nunca a ninguém, porque dar miminhos é coisa de gaja.
Elas exigem presentes? O macho endivida-se.
Elas gostam de combinar encontros com as amigas? O macho dá essa liberdade e vai beber umas jolas com os amigos.
Elas chegam a casa com 4 novos pares de sapatos e 3 sacos cheios de roupa acabada de comprar? O macho engole em seco, vira as costas e decide não chatear-se com o assunto (chatear-se com estas coisas é o princípio de uma discussão que pode ter consequências gravíssimas, entre as quais dores de cabeça - ver o item acima), ligando antes a televisão para ver a bola.
Elas moem-nos a tola, exigem as vontadezinhas todas feitas, não aceitam negociações, fazem chantagem física e emocional, ameaçam, retaliam, recorrem à violência, gritam, esperneiam, até acabarem por, numa clara inversão dos papéis que a natureza deixou à disposição das espécies, subjugar o pobre macho. E o macho, bem, o macho aguenta-se à bomboca.

Isto é sempre, sempre assim, mas o que é que acontece? AS MULHERES CONTINUAM A QUEIXAR-SE, E NÃO HÁ DIA EM QUE MOSTREM SER MAIS QUEIXINHAS DO QUE NO DIA DA MULHER, tipo "olhem para nós, somos tão coitadinhas, precisamos de muitos miminhos, massagens, sapatos, roupas, presentes vários, estar com as amigas, hoje é o nosso dia, e é melhor vocês gajos entrarem na onda, senão logo à noite ficamos com dor de cabeça". Que vileza, minha gente, que vileza...

Acho tudo isto muito mal. As mulheres são como aquelas crianças que se portam pessimamente mas ninguém diz nada porque pronto, são fofinhas e bonitinhas e têm mamas e isso. Fazem-nos a vida negra, mas nós continuamos a aguentar. Agora, alguém tem de dizer qualquer coisa quando vêm com esta história do Dia da Mulher. Acabado de chegar ao local de trabalho, estavam a distribuir flores a todas as mulheres que entravam. Ou seja: mais uma vez, premeia-se quem não deve ser premiado, oferecem-se dádivas a quem as recebe todos os dias. O que deveria estar a ser oferecido no Dia da Mulher era um copo de vinho do Porto a todos os homens. Porque nós, homens, é que merecemos por tudo o que penamos devido às mulheres. Mas não: ao homem, ninguém liga. Que injustiça, minha gente, que injustiça...

Por isso, desejo um feliz Dia das Mulheres a todos os homens...









Ah, e a todas as mulheres também, em especial à minha, porque afinal onde estaria eu sem a minha gaja?!?!

quarta-feira, março 07, 2012

As cenas em que penso quando vejo episódios do Walking Dead


Sim, eu sei: tenho a cabeça toda avariada...

terça-feira, março 06, 2012

Um gajo, quando vai almoçar, arrisca-se a escutar alarvidades destas

Saído de uma tipa que estava a almoçar junto de mim:

"Ai, não acho que a coisinha e o coisinho continuem a dar-se bem. Aquilo não é para casar. O coisinho tem cá uma cara de traidor"...

Quase me engasguei com a perna de frango que não estava a comer, sendo eu vegetariano. Como é que uma pessoa, seja homem ou mulher, pode ter cara de traidor(a)?!?!? Expliquem-me, que eu não percebo. Ter cara de parvo, percebe-se. Sinais característicos da parvoíce evidenciam-se: um olhar de... bem, de parvo, cabelo desgrenhado, sorriso de... pois, também de parvo... é fácil ver. Ter cara de puta, percebe-se igualmente: lábios pintados (na maior parte das vezes, mal) com cores garridas, olhar penetrante como quem diz "queres-me contra a parede, é?! 50 euros os primeiros 30 segundos, 100 euros a partir dos seguintes", todo o conjunto se torna óbvio. Mas cara de traidor, pá, isso não estou a ver. Que sinais associados à traição podem ser revelados por um simples rosto?!? E sendo que a traição é um engano, como é que alguém pode ser tão sincero que tem o engano estampado na cara?!?! É uma contradição, não é?!? Pois...

Ainda pensei, enquanto dava mais uma garfada no seitan, esclarecer esta dúvida com a tipa que mandou a atoarda, mas ao olhar melhor para ela, percebi que a sujeita tinha cara de assessor do primeiro-ministro na parte esquerda do rosto e cara de estudante de Erasmus que vai à praia a Sintra durante o fim-de-semana na parte direita, e então achei que não valia a pena meter-me em chatices por coisa tão pouca.

Já agora, termino dizendo que o Passos Coelho tem cara de José Sócrates, e isto também se percebe.

segunda-feira, março 05, 2012

Diz-se por aí que o Gordon Ramsay é malcriado

e eu digo que ele é o mocito mais bem comportado do mundo comparado comigo quando cozinho. Nem o Sá Pinto chamou tantos nomes ao Artur Jorge quanto eu chamo aos ingredientes, ao fogão e às panelas.

sexta-feira, março 02, 2012

F¨ck my ass and call me a b¨tch

Acabei de falar com uma personalidade muito importante do nosso espectro comentadeiro político-partidário (não, não digo quem era) e esqueci-me de mandá-lo para a c*na da mãe dele, mais o c*r*lho que o f*da. A última vez que perdi uma oportunidade destas foi com o Durão Barroso, ainda antes de ele ter ido para primeiro-ministro e também muito antes de ele ter ido para a Comissão Europeia. E eu acho que as coisas estão ligadas: tivesse eu mandado o Durão Barroso para a p*ta que o pariu, ou enfiado um bruta calduço naquele cachaço, estaria ele hoje amochadinho a fazer a travessia do deserto político. Não acreditam?! Uma vez, mandei um pisão no Demétrio Alves (antiga figura de destaque do PCP) e pouco tempo depois ele foi mandado embora da Câmara Municipal de Loures; outra vez, dei um encontrão no Marques Mendes (sim, está bem, foi sem querer; na verdade, eu não o vira. Quem lhe manda ser pequininicho?!?) e agora ninguém quer saber dele. Está tudo ligado, está tudo ligado...

quinta-feira, março 01, 2012

Eu percebo: não apareciam há tanto tempo que agora a gente até estranha!

À saída da estação de comboio, uma senhora vira-se para mim:

Senhora: Desculpe, desculpe: pode ajudar-me? Que coisas brancas e cinzentas são aquelas ali no céu?! Estou com tanto medo...
Eu: Nuvens?!?!
Senhora: Ah...

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Descubram as diferenças

Como fica a cozinha depois de a gaja ter cozinhado:




Como fica a cozinha depois de EU ter cozinhado:




Conclusão: exacto! Quando sou eu a cozinhar, a coisa é muito mais divertida!

segunda-feira, fevereiro 27, 2012

Diálogos parvos (a série continua)

Eu: Não sei por que é que as mulheres estão sempre a queixar-se quando aumentam de peso.
Ela: Tu não sabes porque és homem!
Eu: Sim, mas... São só uns quilinhos a mais, não estou a ver qual é o drama.
Ela: Tu não percebes.
Eu: Quer dizer, não é exactamente o fim do mundo. O que importa mais um pneuzinho aqui, mais uma gordurazinha ali?!?...
Ela: A coisa não é só física, é também psicológica. E não sei se já reparaste, mas estás a ficar com duplo queixo!
Eu: Hã?! Duplo queixo?!? Eu?!?! Onde, onde?!?! AHHHHHHH! Tira, tira!!!! AHHHHHH! Mata, MATA!!!! AHHHHHHHH!

Tenho só a acrescentar que, além do duplo queixo, a roupa está também a encolher, mas isto pode ser apenas do frio...


...espero!

sexta-feira, fevereiro 24, 2012

A evolução das discussões ao longo dos anos

Neste post, vou comprovar uma tese. A tese é: à medida que vamos ficando velhos, o teor das nossas discussões eleva-se, mas a maneira como desenvolvemos tais discussões mantém-se. Ou seja, com a idade, a metafísica vai-se distanciando da epistemologia. Não perceberam esta última frase? Não se preocupem, eu também não, coloquei-a só para dar um ar de coiso.

Passarei de seguida à demonstração. Lembram-se quando eram pequenos? Eu, embora tenha uma memória digna de um doente de Alzheimer, lembro-me. E sei bem como eram as discussões nessa época. Dou-vos só dois exemplos, que tenho a certeza despertarão em vós centenas de episódios semelhantes:

Discussão típica #1:

Eu: Iá, o Super-Homem dava porrada no Batman.
Amigo: Não dava! O Batman é que vencia o Super-Homem.
Eu: Ihhh, ganda estúpido! O Super-Homem tem superpoderes, tipo superforça, super-raios dos olhos, supervelocidade...
Amigo: Cala-te! O Batman tem um bruta carrão e tem um cinto com bués cenas.
Eu: És estúpido!
Amigo: Tu é que és!
Eu: Tu é que és mil vezes!
Amigo: Tu é que és duas mil vezes!

Discussão típica #2:

Eu: Iá, o Sporting é bué melhor que o Benfica.
Amigo: Iá.
Eu: E quando os dois jogarem, o Sporting vai ganhar 5 a 0.
Amigo: Vai ser 10 a 0.
Eu: Ihhh, tantos?! Vai ser 5, vais ver.
Amigo: Uma merda. Vão ser 10.
Eu: 5.
Amigo: 10.
Eu: És estúpido!
Amigo: Tu é que és!
Eu: Tu é que és mil vezes!
Amigo: Tu é que és duas mil vezes!

Estou convicto de que vocês, agora, estão a derramar uma lagriminha pela face, ao recordarem-se de discussões iguais a estas nos vossos tempos de infância. Argumentações similares ocupavam grande parte dos nossos tempos livres. Com a idade, porém, os assuntos vão sendo outros. Em lugar de discutirmos qual é o super-herói que dá um enxerto no outro, ou por quantos o Sporting vai vencer o Benfica, passamos a ter altercações sobre questões supostamente mais refinadas, como política, literatura, filosofia, arte. Mas a essência da discussão, essa, como eu quero mostrar, mantém-se. Ainda há dois dias, tive este acalorado e aceso diálogo com uma amiga minha:

Eu: Pá, o Klimt não vale nada.
Amiga: Hã? Não estás a falar a sério, pois não?
Eu: Estou, estou. O Klimt é uma porcaria.
Amiga: Não é nada!
Eu: É sim. As obras dele são pirosas como tudo. E feias. Já me viste aquela porcaria d'O Beijo?! Como é possível aquilo estar num museu?! Aquilo é horrível!
Amiga: Não é nada, é lindo. Horríveis são os rabiscos a que chamas arte. Como é que podes gostar do Pollock?! Até o meu cão fazia melhor!
Eu: És estúpida!
Amiga: Tu é que és!
Eu: Tu é que és mil vezes!
Amigo: Tu é que és duas mil vezes!

E pronto. Tese comprovada! O que é que mudou aqui?! Tirando a elevação do tema, e considerando - o que não é de todo líquido - que falar sobre arte contemporânea é um tema mais elevado do que falar sobre porrada entre personagens fictícias ou sobre a possibilidade de o Sporting espetar 5 ou 10 no Benfica (à sua maneira, também uma ficção...), com o que ficamos? Exactamente com as mesmas criancices de sempre. E quem diz arte, diz outras coisas. Há cerca de um mês, estive quase a andar à porrada com um colega de trabalho porque um de nós (eu) teimava que a escrita lobo antunesiana ia beber muito ao Vergílio Ferreira da época de um Nítido Nulo, e o meu colega dizia que não, isso era uma idiotice. Mais uma vez, lá está: assuntos elevados, mas a mesma maneira de os colocar.

Portanto, tenho ou não tenho razão?! Claro que tenho. E se não concordam, é porque são estúpidos infinitas vezes!

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Eram 4 da madrugada e eu estava a pensar nisto



No fundo, uma metáfora dos dias que correm. O queijo é o crescimento económico, o pessoal que se espatifa todo são os países em busca de uma saída para a crise, não reparando que, nesse desejo, o declive é inclinado, escorregadio e é isso mesmo, um declive, portanto é sempre a cair. No final, como se a coisa fosse uma sequela do Highlander, só um pode sair vencedor. E se estiveram atentos ao vídeo, podem reparar que os senhores que estão lá em baixo, aguardando pela chegada dos competidores, assumem o papel da troika: é como se, por um lado, dissessem "nós estamos cá para vos ajudar e amparar", mas bem lá no fundo, o que eles pensam é "desçam essa merda e espatifem-se para aí, c!#"lho!".

A única posição em que se pode apreciar os acontecimentos é, claro está, a do lado de fora. Quem está fora, pode rir a bom rir. Nada lhe vai acontecer. Quem está lá dentro, mesmo que ria (os chamados patetas alegres), não tem escapatória: consiga ou não o queijo, as possibilidades de trambolhão são infinitas. Nestas histórias, já dizia o outro, o corpo é que paga...

segunda-feira, fevereiro 20, 2012

O tempo é mesmo uma coisa tramada

Longe vai a época em que eu poderia fazer fisicamente qualquer coisa sem sofrer consequências. Lembro-me de ter feito duas directas seguidas no Porto, em trabalho. Lembro-me de ter dormido na rua após uma severa bebedeira. Lembro-me de trabalhar, ir a concertos, andar aos gritos, à biqueirada e ao mosh e depois ir trabalhar novamente. Lembro-me de estar com gripes daquelas de ficar internado no hospital, mas ainda assim ir jogar futebol com os amigos. Várias horas seguidas. E marcar golos. Lembro-me de tudo isto e muito mais.

Ontem, porém, bastou-me adormecer durante meia hora apenas ao ombro da cara metade para ficar com dores no pescoço daquelas mesmo lixadas, dores que nem a Linda Blair deve ter sentido quando protagonizou o Exorcista. Tenho de recuar vários anos (bastantes, mesmo!) para recordar uma dor semelhante: foi na ressaca do concerto dos Metallica em Alvalade, corria o ano de 1993, onde eu abanei tanto a cabeça que andei à rasca do pescoço aí durante uns três dias. Só que, nesse célebre 16 de Junho, ainda se percebe a coisa: estive a massacrar o carolo 45 minutos durante Suicidal Tendencies, e mais 2h 30 m durante Metallica. Compreende-se, então, que o pescoço tenha dado de si perante uma actividade tão intensiva. Agora, não se compreende de forma alguma que, só porque me encostei ao ombro amado durante míseros 30 minutos, esteja a ser torturado no cachaço. E mais: ao passo que naqueles três dias eu não fiz nada para curar o pescoço, mas ele ainda assim ressuscitou, esta manhã teve de vir a gaja com uma pomada e espalhá-la pela zona dorida, no sentido de acalmá-la (não funcionou, digo já!). Portanto, conclusão: além de estar mais fraquinho, estou mais maricas (ui, pomadinha no pescocinho...).

É isto o que a passagem do tempo nos faz. Amolece-nos. Ai, o meu pescoço!!!!

sexta-feira, fevereiro 17, 2012

O grande combate da nossa era

trava-se entre as minhas calças e a minha barriga. Esta manhã, após uma luta titânica que parecia querer concluir-se num impasse, as calças lá venceram, conseguindo cercar e apertar a barriga, não obstante o sofrimento do botão, entalado qual Martim Moniz. Espera-se um retomar do confronto logo a seguir ao almoço. A coisa promete...

terça-feira, fevereiro 14, 2012

E dizem que as mulheres são difíceis de entender... Vá-se lá perceber o Sporting!

O que têm em comum estes três jogadores seminus? Dois são Pintos, e os três já passaram pelo SCP. E conseguiria eu meter aqui uma imagem mais gay do que esta?! Sim, conseguiria, não me testem...

É triste quando algo com um passado tão glorioso e uma história tão relevante e significativa vive hoje momentos de desgraça, com conflitos abertos e a possibilidade iminente de uma bancarrota. Mas chega de falar na Grécia. Atentemos antes no Sporting, uma instituição com um passado tão glorioso e uma história tão relevante e significativa que vive hoje momentos de desgraça, com conflitos abertos e a possibilidade iminente de uma bancarrota. Hã?! Pois...

O Sporting é o clube mais bipolar do mundo. Num dia jura-se aos santinhos que o treinador é para ficar (só faltou um "Domingos forever" - onde é que eu já vi isto?!), no dia imediatamente a seguir, prega-se com ele no olho da rua (onde é que eu também já vi isto?!). Eu começo a achar que as estratégias do Sporting são decididas na base seguinte: mete-se uma série de opções, escritas em papelinhos posteriormente dobrados, para dentro de uma tômbola, gira-se a tômbola e depois retira-se um papelinho. O que sair dali, é o "projecto" para os próximos dois meses. Ontem, a direcção do Sporting resolveu ir à tômbola e retirou o papelinho que dizia "despedir o treinador". Assim foi. E depois, para ocupar o lugar vago, recorreu a outra tômbola que contém só nomes de treinadores, que vão desde o Bobby Robson (já falecido) até ao roupeiro Paulinho, passando pelo Stephen Hawking e pela Imelda Marcos. Quê, acham bizarro terem lá o nome de uma pessoa com fetiche por sapatos? Não achem: lembrem-se que até há muito pouco tempo tivemos um director desportivo com o fetiche dos fatos. O Sporting também é isto.

E pronto, desta tômbola saiu o papelito com o nome do Sá Pinto que, conta-se à boca pequena, foi tirado não apenas com base na aleatoriedade. Parece que o papelito aviou uma série de outros papelitos para ganhar posição no momento em que a mão do Godinho Lopes se enfiava na tômbola... Seja como for, e qualquer que tenha sido a causa, a consequência está aí: Sá Pinto é o actual treinador do SCP. O que torna todo o clube em algo ainda mais surreal, pois levou-se ao extremo a ideia de que, quando as coisas correm mal, é preciso dar um murro na mesa. Sá Pinto, pá...

Confesso que ainda estou a reagir aos acontecimentos. Não me agrada muito ver o Sporting transformado num murro das lamentações, nem acho que tenha sido um upgrade assim tão vistoso termos, em poucas semanas, passado da papa Cerelac para a batata a murro, e já se sabe que, quem não comer, terá o Sá Pinto para lhe aviar na marmita. Vai ser só afiambrar, vai (ok, já chega de trocadilhos culinários).

Porém, quer goste, quer não, o Sá Pinto passa a ser o meu comandante-em-chefe. E isto tem que se lhe diga. Habituar-me à ideia, penso eu, não vai ser difícil: complicado mesmo será, cada vez que o Sporting perder ou me chatear a cabeça, eu resistir a querer partir a boca ao treinador!

Só mais duas coisas: primeiro, devo dizer que aquilo de que o Sporting precisava era de pontos, não de Pintos. Segundo, e estando nós hoje no dia em que se celebra o enamoramento, acho que é de mau tom o Sporting assumir uma relação com alguém tão afamado pela sua conduta, digamos, mais física. É como se estivesse a dizer "quanto mais bates, mais gosto de ti". Não é exactamente, creio, a melhor das mensagens para o dia de S. Valentim...

segunda-feira, fevereiro 13, 2012

Um gay fez-me olhinhos na rua

E o grave é eu não saber se hei-de ficar agradado (me so sexy...) ou irritado. Até porque não é a primeira vez que isto acontece.

Acho que vou ficar agradado. Afinal, galã que é galã, é galado tanto por gajas como por bichas. Mas lanço desde já um apelo a todos os panascas deste país: não abusem, está bem?! Podem olhar, mas não podem comer.

sexta-feira, fevereiro 10, 2012

quarta-feira, fevereiro 08, 2012

O meu primeiro meme

tinha de ser o philosophoraptor:



E como ele tem razão!

segunda-feira, fevereiro 06, 2012

Diálogos parvos, versão 257812478985623131

Eu: Mas que raios?! Por que é que estás a cantar música pimba?
Ela: E?! Qual é o problema?!
Eu: Isso é muito estúpido!
Ela: Pfff. Diz a pessoa que só faz coisas anormais.
Eu: Iá, como por exemplo?
Ela: Dás puns e arrotos!
Eu: E onde é que isso é anormal? Até parece que nunca ninguém deu puns e arrotos em toda a História da Humanidade!
Ela: Como os teus, não!
Eu:... Hmmm, ok, ganhaste esta...

(e agora todos perguntam: em que se distinguem os meus puns e arrotos de todos os outros puns e arrotos?!? Pá, não queiram saber. A sério...)

sexta-feira, fevereiro 03, 2012

O Costa Concordia em diálogo com a Torre de Pisa


- Olá, miúda. És muita gira. Queres sair um dia destes?

- Hmmm, não sei, acho que não. Não fazes exactamente o meu tipo...

- Então e agora?!?

quinta-feira, fevereiro 02, 2012

Reflexões a frio


Agora que estamos a atravessar uma vaga de frio, e se anuncia uma descida ainda mais acentuada das temperaturas para os próximos dias, é altura de começarmos a pensar nas consequências de um inverno rigoroso. E, para mim, só há uma consequência que vale a pena destacar: em termos de frio, começamos a aproximar-nos do resto da Europa. Durante muito tempo, andámos, gabarolas, a elogiar o nosso clima ameno, enquanto os tipos no resto da Europa, principalmente no norte, rapavam um griso do caraças. Esquecíamo-nos, contudo, de que nessas zonas havia e há frio, mas também havia e há boas condições de vida, bons salários, bons governantes, boas gajas, bom tudo o resto. E talvez, julgo eu, as coisas estejam relacionadas... E talvez, digo eu, se o frio aumentar cá na Lusitânia, talvez a produtividade do trabalhador médio português aumente, pois ele não só terá trabalhar, como terá de trabalhar mais para aquecer.

Não, esperem lá... trabalhar para aquecer?! Com os nossos salários, com o nosso custo de vida, com as nosso patronato acéfalo, com os nossos contractos colectivos, trabalhar para aquecer já é o que fazemos desde 1141. Ó pá, sendo assim, p'ró caraças mais o frio!...

terça-feira, janeiro 31, 2012

A melhor contratação que o Sporting fez nos últimos tempos:

Djaló vai jogar no Benfica!!!!!!


Nunca escondi o meu desprezo por este jogador. Claro, nem sempre foi assim: quando o rapaz começou a dar os primeiros pontapés na equipa sénior do Sporting, ainda pensei para mim mesmo "este puto vai dar jogador. Basta aprender a dominar a bola, evoluir psicologica e fisicamente e temos ali craque". Mas os anos foram passando. E passando. E passando... As óptimas indicações que o miúdo dava no início não foram desenvolvidas, tendo como resultado aquilo que se foi vendo pelas bandas de Alvalade: um jogador que corria mais do que a bola, pouco sabia o que fazer quando a tinha, mal entrosado com os colegas e com o campo de jogo (sim, há uma diferença entre um campo de futebol, cujo objectivo é enfiar mais bolas na baliza do que o adversário, e um campo de corrida, cujo objectivo é chegar à meta mais rapidamente do que o adversário), enfim, tudo sintomático de uma jovem promessa que nunca chegou a passar disso mesmo. Houve jogos em que, ao vê-lo no onze, cheguei ao desespero, e desespero mesmo a sério, a ponto de dar por mim a gritar junto do televisor "vai-te embora, ó preto do c*r*lho!!!!" - eu que nem sequer sou racista, mas quando o Djaló jogava, era-o!

Fiquei, portanto, muito contente quando, já a actual época havia começado, Djaló saiu do clube. E mais contente fiquei ao saber que ele irá "reforçar" um clube adversário: depois das notícias que o colocavam no Porto, estas que o acertam no Benfica. Que maravilha. E depois há outras coisas que reforçam a minha felicidade. Por exemplo, o Jorge Jesus já veio todo emproado dizer que vai transformar o Djaló num grande jogador. Eu quando li essas declarações, pensei que fosse uma notícia do Inimigo Público, mas não: o treinador do Benfica disse mesmo aquilo. Sem se rir! Todos nós já sabemos que Jesus é capaz de milagres, mas por favor, isto já é ridículo! Se o Jesus conseguir fazer do Djaló um bom jogador, eu passo a acreditar que tudo é possível e que, quiçá, até o Paulo Portas poderá dar um excelente presidente da República. Para o Djaló deixar de ser um cepo, as seguintes condições têm de se verificar:
a) aprender, definitivamente, a dominar uma bola
b) encaixar naquela cabeçorra que um jogo de futebol não é só correr desenfreadamente, com ou sem a bola, de uma ponta à outra
c) passar e centrar são aspectos essenciais do jogo
d) mas, mais importante, interessa passar e centrar bem, coisa que o Djaló insistia, nos anos vividos no Sporting, em invariavelmente negar
e) e perceber que tem mais 10 colegas
f) e 11 adversários, não contando com árbitros e auxiliares
g) as mamas da Luciana não são um esquema táctico
h) há uma baliza, e é para lá que as bolas devem ser rematadas, não para as bancadas ou para junto das bandeirolas de canto.

Portanto, o Jesus tem aqui trabalhinho, muito trabalhinho. Boa sorte... NOT!

segunda-feira, janeiro 30, 2012

Momentos "ora que grande porra": o cérebro que não quer dormir

Há partidas pregadas pelo nosso cérebro que fazem inveja a qualquer partida de Carnaval. Passei o domingo inteiro cheio de sono, fruto de uma noite anterior mal dormida, fruto de problemas em respirar, fruto de uma constipação apanhada, fruto nem sei bem do quê, sei lá como é que se apanham constipações!... Andei ensonado, portanto, mas ainda assim quebrei o corpinho todo a limpar a casa, depois fui ler, li bastante, ainda fui escrever umas coisas ao computador, não pensei em sexo o tempo todo, parei tudo às 11h30 para lavar os dentes e fui para a cama mais torto do que um zombie. Enfio-me debaixo dos lençóis (a gaja já lá estava), ajeito-me na caminha e o que sucede?

Pois: O SACANA DO SONO, QUE TODO O DIA ME IMPORTUNOU E DESGASTOU, DESAPARECEU POR MILAGRE! Era como se eu tivesse um holofote apontado aos meus olhos, pois por mais que tentasse, não conseguia adormecer. Durante o dia todo, mal conseguia abri-los; agora que estava no quentinho do leito, era impossível fechá-los. Ou seja, demorei pénis de elefantes de tempos para adormecer, não descansei como deveria, custou-me levantar esta manhã e, oh surpresa, ESTOU COM UM SONO DO CARAÇAS, quase não me aguento de pé.

Obrigadinho, cérebro. Eu sei que isto é a tua vingança pelos montes de litros de absinto assassino de neurónios que fui bebendo durante a minha/tua vida, mas precisavas de ser tão cabrão?!?! Eu juro: se hoje à noite não me deixares dormir, troco-te pelo cérebro do Alberto João Jardim!

quinta-feira, janeiro 26, 2012

A verdade por detrás do caso Costa Concordia

Eis o que aconteceu, através de um diálogo entre figuras públicas italianas:

Silvio Berlusconi (ex-primeiro ministro): Mamma mia, aquilo que a Itália precisava era de uma nova atracção, algo que canalizasse as atenções.
Mario Monti (actual primeiro ministro): Bravo, Silvio. Tens tutta la ragione. Precisamos de um novo monumento.
Super Mario (personagem de jogos video): Davvero! Mas onde é que vamos arranjar um?
Torre de Pisa (atracção turística): Perché não pensam em algo inclinado? Funcionou comigo!...
Monica Bellucci (outra atracção turística): Si, molto bene!
Marco Bellini (cozinheiro): Non se esqueçam dello molho! Marco Bellini é que sabe!
Francesco Schettino (marinheiro de água doce): Compagni, io ho un'idea, va bene?!


Pronto, no fundo foi isto...

quarta-feira, janeiro 25, 2012

Fábulas estúpidas do Peter of Pan (1)

Era uma vez um coelhinho, uma raposinha e um pardalito. Eram muito amigos, muito brincalhões, e gostavam de passear juntos pela floresta. Um dia, num desses passeios, chegou junto deles o Vítor Gaspar, que disse ao coelhinho, à raposinha e ao pardalito que uma vida de brincadeira passaria a não ser permitida daí para a frente.

- Porquê? - indagou a raposinha, a mais esperta do grupo.
- Porque estamos todos em crise - respondeu o Vítor Gaspar. O coelhinho retrucou:
- Qual crise? Aqui na floresta não há crise!
Mas o Vítor Gaspar não desistiu de aterrorizar os animaizinhos:
- Mais cedo ou mais tarde, a crise virá bater-vos à porta.
- Piu, piu - disse o pardalito, com o ar mais inocente do mundo.
- "Piu, piu" o c@r@lho! - retrucou o Vítor Gaspar - A partir de agora, por causa da crise, não vos quero mais a passear pela floresta. Tu, raposinha, vais trabalhar para uma loja do cidadão. Tu, coelhinho, vais trabalhar para um armazém. E tu, pardalito, como gostas muito de piar, vais para um call center. Todos a ganhar o salário mínimo.
- Oh! - fez o coelhinho, baixando a cabeça de desânimo.
- Oh! - fez também a raposinha, imaginando-se já a aturar ciganos e velhos.
- Piu! - fez o pardalito, que não sabia fazer outra coisa.
Ficaram os três ali, tristinhos, olhando um para os outros enquanto o Vítor Gaspar lhes virava as costas e se ia embora. Foi então que a raposinha, inteligente como só ela, teve uma ideia, espalhando-a logo pelos seus amigos:
- E se chamássemos o urso?!
- Boa - disse de imediato o coelhinho.
- Piu - concordou o pardalito.
E foram os três à caverna do urso, que os recebeu logo com três taças de mel. O urso ouviu a história dos três animaizinhos e pôs-se, decidido, logo de pé:
- Aonde é que está esse filho da p%ta?!?
- Ia a sair da floresta - explicou a raposinha.
- Ele já vai ver - falou o urso, à pressa, enquanto saía da caverna.
O urso caminhou, caminhou, caminhou, caminhou até aos limites da floresta, até que finalmente deparou com o Vítor Gaspar. Correu como um raio para ele e abocanhou-lhe o rabo. O Vítor Gaspar deu um terrível grito de dor e fugiu da floresta mais depressa do que aumenta impostos. Nunca mais lá voltou e os animaizinhos puderam viver o resto das suas vidas livres de serem explorados.

FIM

Moral da história: quem se mete com os inocentes, arrisca-se a um dia ver a peida cilindrada por um urso.

terça-feira, janeiro 24, 2012

Eu não quero ser mau (hmmm, está bem, se calhar até quero!), mas

de que raio de ganadaria saiu esta tipa?



Devo realçar que sempre fui um adepto da nudez explícita no carnaval do Rio, tendo ficado ultra-indignado quando os totós dos brasucas impediram os nus integrais de desfilar, em todo o seu esplendor, mamas, rabos e rachas no Sambódromo. Afinal, agora até lhes dou razão. Bem hajam.

sexta-feira, janeiro 20, 2012

Aquilo em que o Sporting é mesmo o maior

é na modalidade Tiro no Pé. Não falha um.

P.S.: já sabem esta? O Sporting andou a brincar com o fogo no Estádio da Luz, foi de castigo para o quarto.

É triste quando até um ferrenho sportinguista goza com o Sporting...

quinta-feira, janeiro 19, 2012

E depois nós, homens, é que não sabemos comportar-nos em público

Já ando a observar isto por demasiadas vezes: há tipas que, de repente, estacam e põem-se a cuidar da aparência no meio da rua. É incrível, sobretudo quando há várias pessoas a caminhar em sentidos contrários, que alguém resolva ter uma paragem (cerebral?), saque do seu espelhito e desate a maquilhar-se à frente de toda a gente, ainda reclamando se alguém mais apressado lhe dá um encontrão. Eu acho isto muito mal, até por ser revelador de uma injustiça que nós, homens, sofremos há décadas. Quem é que já não passou por isto?: vai um tipo muito bem pela rua e nisto dá-lhe vontade de coçar o escroto. Homem que é homem, coça o escroto e continua o seu caminho, mas e as bocas que ouve do mulherio?! "Ah, que má-educação", "Ah, que falta de vergonha", "Ah, que genitais tão grandes, viram como ele precisou de usar as duas mãos para coçar?!". Quando eu coço a tomatada, é sempre isto que escuto, MAS NUNCA, NUNCA, NUNCA perturbei o percurso dos outros, ao contrário das mulheres. A rua não é um episódio do Extreme Makeover, pá!!!!

terça-feira, janeiro 17, 2012

Vozes irritantes: uma experiência pessoal

Hoje apanhei no comboio (pausa: que frase mais gay... "hoje apanhei no comboio"... enfim, adiante!) uma senhora que deverá ter a voz mais irritante do mundo. Sim, mais irritante do que a da Fran Dreschner, célebre actriz, quer dizer, mais ou menos, de sitcoms. Mais irritante do que a da Leonor Poeiras. Mais irritante do que qualquer voz que possam imaginar. E logo por azar - é o que dá ser sportinguista - a senhora vinha sentada no banco imediatamente à frente do meu.

Tentei de tudo: ler, pôr o mp3 mais alto, esperançado em que a harmonia de guitarras distorcidas e a melodia de grunhos cavernosos pudesse abafar a voz, pensei em mil coisas, fechei os olhos, eu sei lá! Não deu em nada. A voz da senhora que, além de irritante, era omnipresente, pois a dita senhora não se calava nem por um momento, teimava em insinuar-se pelos meus ouvidos dentro. Senti as feridas de antigas otites reabrirem-se pelo simples contacto com aquelas emissões; senti o meu cérebro apertar-se, todo ele receio; senti o meu pénis encolher; senti, até, o produto interno bruto do país no seu todo a cair para níveis subterrâneos; senti, enfim, que o mundo acabaria ali e que o universo se devorava a si próprio.

Quase cheguei ao ponto de tomar atitudes drásticas. A cada guincho que penetrava a minha trompa de eustáquio, eu só pensava "Não, eu tenho de enfiar um pézão na boca desta tipa". Ainda me fiz ao cachecol que lhe decorava o pescoço e esbocei mesmo um gesto de lho enfiar por aquela goela abaixo, não fosse estar tão fraco, tão tonto, tão exaurido que, mal levantei um pouco o cu do banco, senti logo tonturas e estive em riscos de desmaiar. Tudo efeitos daquela voz que mais parecia um Orçamento do Estado.

Por sorte, a senhora, mais a sua interlocutora (também não é inocente, esta vaca!) abandonou a carruagem na estação seguinte. E lá pude sentir a vida retornar ligeiramente ao meu ser. Mas nunca vou olvidar aqueles momentos terríveis passados esta manhã. Espero jamais apanhar novamente tal pessoa. Sobretudo, tal voz. Mais facilmente aturo o Pinto da Costa a recitar poemas ou o Paulo Portas a desejar as melhoras ao Hugo Chávez do que 5 segundinhos apenas daquela voz. Vocês não estavam lá, não podem avaliar, mas creiam: era mesmo muito irritante! Ainda tenho pingas de sangue a escorrerem-me dos ouvidos...

segunda-feira, janeiro 16, 2012

Os maiores desastres dos últimos dias, em ordem crescente de importância

  • A Standard and Poors voltou a baixar o rating da dívida portuguesa
  • O governo vai ser obrigado a tomar medidas adicionais de austeridade
  • Paulo Portas apareceu na televisão
  • O Titanic afundou-se junto da costa italiana
  • Nenhum português ricalhaço morreu
  • O Benfica ganhou
  • O Porto também
  • A lesão do Hulk não é grave
  • O Sporting perdeu
  • O Sporting está em 4º lugar
  • O Sporting, com uma equipa bem melhor do que a do ano passado, e sem o Yannick Djaló, tem exactamente os mesmos pontos do ano passado.

Penso que está aqui um resumo muito bem conseguido...

quinta-feira, janeiro 12, 2012

Recebi um telefonema da Maçonaria

Fazia eu todo satisfeito a janta quando o telefone toca. Lavei e limpei as mãos e fui atender. Era um maçon. Isto foi o que se passou:

Maçon: Boa noite, estou a falar com o Peter of Pan?
Eu: Boa noite, está sim, o que deseja?
Maçon: Olhe, daqui é do GOL da Margem Sul.
Eu: Ah sim? E então?
Maçon: E então, está a ver, por causa das notícias dos últimos tempos, o número de membros da nossa associação tem caído a pique, e nós gostaríamos de saber se você não se importava de se juntar a nós.
Eu: Pá, não me parece...
Maçon: Ó meu caro, não descarte já essa possibilidade. Não negue à partida uma maçonaria que desconhece!
Eu: Meu, isso, tipo... isso é um slogan da Maya.
Maçon: Deixe lá isso, isso agora não interessa nada!
Eu: Pá, e essa agora é uma frase feita da Teresa Guilherme. Olhe, e desculpe lá, mas tenho de acabar de fazer o jantar, está bem? Adeus.
Maçon: Não, não desligue. Será que posso convencê-lo com a nossa oferta de aventais?!
Eu: Mau! Mas então vocês são uma sociedade esotérica que visa dominar o mundo por portas travessas ou são uma empresa de venda por atacado?
Maçon: Uma coisa não exclui a outra, meu caro. Mas nós não vendemos os aventais. Trocamo-los.
Eu: Pelo quê? Realmente, fazia-me falta um ou dois aventais. Veja lá que tenho de limpar as mãos a um pano de cozinha!...
Maçon: Bem, vejo que comecei a interessá-lo. A maçonaria, e o Grande Oriente Lusitano da Margem Sul em particular, possui uma vasta gama de aventais, adequados aos vários níveis de progressão do maçon. Temo-los em branco, temo-los em amarelo, temo-los decorados com esquadros e compassos, temo-los ilustrados com o olho que tudo vê, enfim, há aventais para todos os gostos.
Eu: Está bem. Então e o que é que eu tenho de fazer em troca?
Maçon: Então, basta fazer-se membro do nosso grémio, cumprir todos os rituais, respeitar os irmãos maçons, cumprimentá-los à maneira maçónica, e assumir a sua dívida ao Grande Arquitecto do Universo.
Eu: Caramba, isso parece-me muita coisa em troca de algo tão insignificante quanto um avental. E quem é esse Grande Arquitecto do Universo? O Frank Lloyd Wright? Ele já morreu, não sei se a notícia chegou à maçonaria...
Maçon: Não, meu caro. O Grande Arquitecto do Universo não é uma pessoa.
Eu: É o Alberto João Jardim?!
Maçon: Ah, ah, você tem piada. Quase tanta piada quando o nosso Grão-Mestre. Não. O Grande Arquitecto do Universo não é uma pessoa, está acima das pessoas, o Grande Arquitecto do Universo é aquela entidade que, na sua arcana sabedoria, tudo rege. Algumas religiões chamam Deus ao Grande Arquitecto do Universo, mas nós chamamos Grande Arquitecto do Universo ao Grande Arquitecto do Universo porque somos mais finos.
Eu: Pá, isso parece ser um bocado parvo. Ademais, eu não acredito cá em Grandes Arquitectos do Universo. O único grande arquitecto em que acredito é o Tomás Taveira, que fez coisas mais interessantes do que arquitectar o Universo. Você por acaso já viu a maravilha que é o estádio do Sporting? E os vídeos que o gajo gravou no princípio dos anos 90?! Não brinque, meu!
Maçon: Olhe, aqui que ninguém nos ouve, muitos maçons também não acreditam no Grande Arquitecto do Universo. Mas não dão grande importância a isso: fundamental é cumprir os rituais e cumprimentar os irmãos.
Eu: Está bem, mas isso também não é coisa para mim. Sabe, eu tenho um amigo meu que é maçon e um dia apareceu-me à frente todo partido. Parece que uma semana antes tinha tentado cumprimentar um irmão maçon durante um concerto no Coliseu dos Recreios e aquilo acabou numa fractura exposta da perna e num ombro deslocado. Ná. Lamento, mas vai ter de ir bater a outra porta.
Maçon: Mas olhe que os nossos aventais são mesmo fabulosos!
Eu: Pois, está bem. Adeus. [CLIQUE]

Quando voltei à cozinha, o refogado com que me ocupava já estava esturricado. Malditos maçons...

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Uh lá lá, ceci n'est pas possible!

Ora, ora: parece que o Eric Cantona quer candidatar-se à presidência da República francesa. Sim, o Cantona, essa figura célebre por difundir a moda de jogar com o colarinho da camisola levantado, como se fosse uma espécie de Conde Drácula dos pequeninos, e por cumprimentar os adeptos adversários com os pitons da chuteira, comportamento que, anos depois, outro génio francês dos relvados, Zinedine Zidane, tentou mimetizar mas em simultâneo inovar, saindo-lhe aquela espécie de vénia ao Matterazzi. Um dia destes, aposto que também o Frank Ribéry, mais outro competente futebolista gaulês, presenteará os amantes do desporto-rei com a sua versão muito pessoal do gesto outrora inaugurado pelo agora candidato a president de tous les français.

Esta iniciativa de Cantona (que, recordo, também fez uma perninha, mas sem pitons e chuteiras, em alguns filmes famosos, como o Elizabeth, no qual teve oportunidade de contracenar com a fabulosa Cate Blanchett. E ainda dizem que os futebolistas não são inteligentes...), contudo, merece-me uma breve nótula. É que, sejamos sinceros: o homem candidata-se ao cargo oficial máximo de um país republicano mas, E É PRECISO ESTARMOS ATENTOS A ESTAS PEQUENAS COISAS, quando jogava em Inglaterra, isto é, nas terras de Sua Majestade, era simpaticamente conhecido pelos adeptos como "The King". The King, diachos! Como é que se concilia o republicanismo franciú com a monarquia bife?!? Como é que um homem habituado a ser tratado como um rei pode correctamente servir a res publica? E será que esse homem, nas reuniões com outros chefes de estado, levantará o colarinho da sua camisa? E como é que resolverá eventuais diferendos? À pezada?!? Tipo: "Vous m'ennuyez, américains argéliens allemands portugais espagnols italiens (riscar o que não interessa) de merde. Voici un coup de pied por vous", e pimba, arrotem, dignitários estrangeiros.

São algumas questões pertinentes, pois são, mas há uma outra ainda que paira no ar. Que é: e se esta moda pega?! E se algum ex-jogador português se lembra de repetir semelhante gracinha e se candidata ao posto do Cavaco? E se esse ex-jogador português for o Futre?!

Pensem nisto...

segunda-feira, janeiro 09, 2012

Isto já alguma vez vos aconteceu?!

Ando a ler três livros ao mesmo tempo. Descobri há poucas horas, ao tentar responder à pergunta "o que é que andas a ler?" lançada por uma colega, que consegui baralhar o conteúdo dos três. Fantástico, não é?! Raios partam...

quinta-feira, janeiro 05, 2012

Verde é a cor da vergonha

Mais do que os muitos anos sem ganhar títulos, mais do que as sucessivas humilhações sofridas em cima de um relvado ao longo de 90 minutos, mais do que jogar com Nalitzis, Buenos, Djalós, Missés-Missés, Gladstones e um sem-número de outros cepos, são merdas como estas que me fazem ter vergonha de ser sportinguista:

Sporting prepara o projecto Musical Sporting

Pá, um musical sobre o Sporting é demais para qualquer sportinguista heterossexual... Afinal, o clube é de Alvalade ou da Broadway?! O estádio está ali ao pé do metro do Campo Grande ou junto ao Parque Mayer?! O nosso mister é o Domingos Paciência ou o Filipe La Féria?! O nosso presidente é o Godinho Lopes ou o Andrew Lloyd Weber?!

Qualquer dia, estão a anunciar o João Baião como o próximo grande reforço...

quarta-feira, janeiro 04, 2012

Caligrama dedicado aos políticos portugueses


não não
nunca jamais
nunca jamais
ignorantérrimos
morram
morram
morram
morram
morram
morram
morram
morram
todos-------todos
cabrões --- cabrões
cabrões --- cabrões
todos ------todos


Era um caligrama destes por aquelas peidas acima...

segunda-feira, janeiro 02, 2012

É mesmo muito estranho quando

...entramos em 2012 e sabemos que vamos demorar metade do ano a lembrar que já não estamos em 2011!

...percebemos que o Djaló, mesmo não jogando nada, foi capaz de marcar golos ao Porto e ao Benfica!

...tens montes de ideias para este post, mas dá-te uma dor de barriga tremenda que te faz ir a correr para a casa de banho, e quando voltas verificas que todas aquelas ideias geniais desapareceram!

(isto é absolutamente verdade)