sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Golpes abaixo da cintura

Ontem, 14 de Fevereiro, foi um dia divertido. Para os distraídos, foi dia de São Valentim, o que significa que muitos só queriam saltar para a cueca de muitas, e muitas só queriam o conteúdo das cuecas de muitos. O ex-secretário de Estado da Cultura, o escritor Francisco José Viegas, garantiu que mandaria os fiscais irem tomar no cu se algum dia for abordado para demonstrar pedidos de factura. E o atleta paralímpico Oscar Pistorius, famoso por correr sem pernas, baleou a sua namorada. Portanto, lá está, os principais assuntos do dia de ontem andaram todos à volta de coisas que se passam abaixo da cintura. Foi engraçado e refrescante, acrescento eu.

Já agora, deixo-vos um apanhado das melhores piadas negras sobre o caso Pistorius. Umas são de minha autoria, outras encontrei-as no Facebook de amigos.

Aquilo era uma relação que não tinha pernas para andar.

Há já muito tempo que o Pistorius desejava correr com a namorada.

A versão que o Pistorius contou é falsa, mas facilmente se descobrirá a verdade, pois a mentira tem perna curta.

Ele matou a namorada porque esta andava a trai-lo com um gajo com uma prótese maior que a dele.

Estava visto que o Pistorius não tinha pernas para a namorada.

Espetou-lhe tiros porque não era homem para lhe dar com os pés.

Depois de matar a namorada, Pistorius ainda quis dar à sola, mas já não tinha força nas pernas.

Enfim, há gente mesmo cruel. Não podem ver uma tragédia que inventam logo piadas.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

A resignação do Papa: interpretações do Peter of Pan

Já Nietzsche dizia que não há factos, só interpretações. Mas ele era parvo, basta ver que nunca foi capaz de aparar o bigode em condições. O Vaticano, contudo, é muito nietzschiano nisto dos Papas. Não interessa o que acontece, ou seja, não interessa o que os factos são: o que interessa é o discurso que se desenvolve em torno dos factos, como se fossem umas vestes cardinalícias que atraem o olhar e impedem de ver que, por baixo de tais vestimentas, o rei vai nu.

Para o Vaticano, beatos, Joões Césares das Neves e betalhada, a continuidade de João Paulo II no cargo, mesmo contra vontade própria, foi "um acto de grande dignidade e coragem". Para o Vaticano, beatos, Joões Césares das Neves e betalhada, a renúncia de Bento XVI do cargo foi "um acto de grande dignidade e coragem". Estão a ver como não há factos, só interpretações?!? Não importa o que o gajo do barrete diz ou faz, tudo é "um acto de grande dignidade e coragem". Um papa todo podre é forçado a continuar papa? É digno e corajoso. Outro papa todo podre decide abandonar o papado? É digno e corajoso. Aposto que se o Papa discursasse na praça de São Pedro algo como "esta manhã, larguei um tijolo, daqueles duros. Mas não chorei", os fiéis todos seriam unânimes na análise às palavras do sumo pontífice: "um acto de grande dignidade e coragem". E se calhar, aqui até teriam razão...

Já ouvi dizer que o próximo Papa poderá ser negro. O que terá a sua piada, por várias razões. A primeira é que as vestes brancas do Papa assim combinarão melhor, e os fiéis até podem imaginar um jogo de xadrez sempre que virem o Papa. A segunda é que um sumo pontífice negro é mesmo fixe para chatear os católicos racistas... que são a maioria, diga-se de passagem. E aí será giro observar os discursos dessa gentalha. Sempre que o Papa fizer alguma coisa, aposto que os comentários andarão nisto: "um acto de grande dignidade e coragem... daquele preto d'um cabrão!" Por último, um Papa de cor transformará o acto de aclamação numa cerimónia mais divertida. Em vez dos habituais coros sacros, vai uma kizombada. E o cardeal responsável por apalpar a genitália do Papa, para comprovar se é homine, sairá de lá com as mãos cheias. Literalmente...

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

História Manhosa da Filosofia: Alegoria da Caverna no Casal Ventoso

Sócrates: Ó bacanos, topem lá esta cena. Imaginem uns gajos, pá, que estão tipo numa caverna desde putos, presos por correntes e o catano, e não podem virar a cabeça nem nada, por isso só vêem o que está mesmo à frente daquelas trombas. E há uma luz que vem de trás e projecta sombras na única parede que eles vêem. Estão a topar?

Glaucon: Fónix, Sócrates, ganda moca com que tu estás. Andaste na branca, andaste...

Sócrates: Chiu. Deixa-me continuar, pá. Entre a luz e os bacanos presos, há um caminho que dá para a saída da caverna, e por esse caminho passam uns chefes que orientam cenas para aqui e para ali.

Glaucon: Pá, isso é bué marado. Que cena mais estranha e que prisioneiros mais estranhos.

Sócrates: F*da-se, cala-te! Eles são como nós, porra!

Glaucon: Quê, também são agarrados?!?!

Sócrates: Ai o c... Pá, quem é que trouxe este gajo para o nosso grupo?!

Trasímaco: Foste tu, Sócrates, da última vez que pediste chamon aos sofistas de Chelas.

Sócrates: Yá, tipo, já me lembro... 'Tava cá com uma bezana nessa noite... Vá, deixem-me continuar. Então, os bacanos presos a única coisa que vêem são as suas sombras e as sombras de quem passa na parede que têm à frente das trombas, topam? É que não podem ver mais nada, 'tão a curtir?

Glaucon:
Muita marado, men. Eu tive uma cena assim da última vez que chutei heroína. O Alcibíades e o Crítias passavam à minha frente, por trás, ao lado, mas eu só via elefantes cor-de-rosa.

Sócrates: Ó pá, f*da-se... mas o que é que essa merda tem a ver com o que estou a contar, porra?!?!?! Ó Platão, tira-me este gajo da frente! 'Pera aí... Ó Platão, o que é que estás a fazer, c*ralho?!?!

Platão: 'Tou aqui a escrever essa história, Sócrates.

Sócrates: Hã?! Fosga-se, és muita estúpido, meu. Deves estar pouco drogado, deves... olha lá, essas folhas em que escreves são para orientar umas mortalhas, minha ganda besta. Se queres guardar o que estou a dizer, vai buscar um telemóvel e passamos depois a conversa para mp3, c*ralho. Agora folhas?!? Mas vocês são todos otários?

Glaucon: O Platão não sabe fazer gravações de voz no telemóvel, ó Sócrates.

Platão: Ih, o filho de uma ganda puta... Isso é mentira! Vou-te aos cornos, cabrão!

Lísias: Eh, c*ralho, agora é que 'tá tudo f*dido. É o que dá tentar dialogar com agarrados. Chuta-lhe os colhões, Glaucon!

Sócrates: Pá, f*da-se, acabou-se, calem-se todos, vou mas é para casa snifar. Chatos d'um cabrão. Só dão vontade é de um gajo beber cicuta, filhos da puta.


FIM

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

O trabalho liberta mas é o c...!

Atolado de trabalho como ando, tenho tido menos oportunidades para actualizar o blogue, situação que se arrasta há algum tempo. Lá está, com mais tempo dedicado ao trabalho, é menos tempo que dedico a pensar e fazer parvoíces, e se alguns acham isto bem, eu acho bastante mal, pois a parvoíce deve ser cultivada e regada como se cultiva e rega uma couve. Pronto, esta comparação foi um bocado parva, mas fi-la só para não perder muito o hábito.

Pior do que ter menos tempo para pensar em parvoíces, incluindo o Sporting, é ter menos tempo para pensar em mamas. Se noutras alturas da minha existência eu pensava em mamas numa média estimada em 93 vezes por segundo (cálculos feitos pelos cientistas da NASA, portanto verosímeis), agora esses números caem para umas vergonhosas e infames 42 vezes por segundo. E isto, sim, é grave! É menos de metade! E ainda há quem se preocupe com Portugal poder não atingir do défice de 4,5% com que se comprometeu com a Troika... O meu problema é muito mais sério, caramba! Porque traz uma consequência horrível e um efeito bola-de-neve: ao reconhecer que penso menos em mamas, fico preocupado com o que fazer para pensar mais em mamas, e ao preocupar-me por pensar mais em mamas, deixo de pensar em mamas elas próprias. É um círculo vicioso, esta gaita!


segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Post dedicado ao Fernando Ulrich

Era pegar em meia dúzia de indianos e violar-te como fizeram àquela rapariga do autocarro. Se ela aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era dizer que és bruxo e chamar a inquisição espanhola para "tratar" de ti. Se os europeus dos séculos XV ao XIX aguentaram, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era cortar-te a picha com um saca-rolhas. Se o Carlos Castro aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era enforcar-te diante de uma multidão como o fascista que és. Se o Mussolini aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era marcar-te com a estrela de David (seria irónico, um Ulrich acusado de semita), pôr-te num campo de concentração dirigido por um nazi reles e esperar que te mandassem para o forno. Se os judeus aguentaram, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era arrastar o teu cadáver pelas praias de Tróia, a turca, durante um bom pedaço de tempo. Se o Heitor aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Raio que te parta, ó meu cabrão de um cabrão...

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Conversa de velho: os interesses das novas gerações

Basta passar por qualquer lugar onde os adolescentes e os jovens adultos se reúnem para perceber: nada é como dantes. As roupas e os modos são diferentes do meu tempo. Mas mais diferentes são as conversas e os interesses. E isto choca, porque eu quando ouço um grupo de indivíduos dos seus 17 a 22 anos na galhofa, sinto-me velho, muito velho. Porque aquilo de que eles falam nada tem a ver com aquilo de que eu e os meus pares falávamos aquando dos nossos ajuntamentos. Basicamente, as novas gerações falam de nerdices. Sim, nerdices. É o telemóvel para aqui, é o tablet para ali, é o televisor com LCD e a ligação a montes de canais dos quais eles não vêem porra nenhuma, porque preferem estar ligados à Internet a jogar Diablo III e merdas desse género. Nada a ver, portanto, com as conversas saudáveis que a minha geração era capaz de manter, e que NUNCA andavam à volta de nerdices e sim em torno de três assuntos quase sempre presentes, a saber:

1 - BOLA. Falar de bola era inevitável, em particular nos encontros que se desenrolavam às segundas-feiras. Os comentários à jornada que tivera lugar no fim-de-semana anterior eram, muitas vezes, acesos. Mas tudo de uma forma inteligente e salutar, desde que não se ultrapassasse a fronteira da decência. Por exemplo, quem resolvesse, no meio da discussão sobre um Sporting - Boavista, falar da responsabilidade do primeiro-ministro Cavaco Silva na decadência dos relvados portugueses, era logo cilindrado com um paralelepípedo nos cornos. Sim, pode-se cilindrar com um paralelepípedo, não venham cá com tretas, querem ver que vocês são todos uns geómetras, não?!

As gerações hodiernas já não têm disto. Se falam de bola, é só sob pretexto. Por exemplo: "Ih, ó Zuca, viste a joga de ontem? Não?! Então eu mostro-te os principais lances aqui no meu smartphone. Já conheces as características do meu smartphone? Não? Então, tem [DESCRIÇÃO CENSURADA PELO AUTOR DESTE BLOGUE]".

2 - MAMAS. Se havia assunto que nos levantava o moral, e aqui moral não é metáfora para órgão sexual, esse assunto eram as mamas. Mamas, pá. Havia sempre que falar em mamas. As mamas das nossas profes. As mamas das nossas colegas. As mamas das nossas vizinhas. Adolescente e jovem adulto que era adolescente e jovem adulto andava sempre com conversas de mamas. E havia toda uma fenomenologia associada, pois nós abordávamos as mamas de vários pontos de vista. Eram os bicos, que podiam ser assim e assado, eram as curvinhas, eram os lados, eram as suas respostas ao toque e ao paladar, enfim, tudo o que pudesse caber debaixo da apreciação da mama na óptica do utilizador era abordado. Sem pudores e sem subterfúgios.

Uma vez mais, as gerações hodiernas já não têm disto. Se falam de mamas, é só sob pretexto. Por exemplo: "Ih, ó Cajó, topa-me as mamas desta garina aqui no meu tablet de [DESCRIÇÃO CENSURADA PELO AUTOR DESTE BLOGUE]. Mesmo fixe, iá?! O bacano do fotógrafo manda memo bué no Photoshop, parece eu quando retoquei as fotos do [HISTÓRIA DA TRETA CENSURADA PELO AUTOR DESTE BLOGUE]".

3 - EMPIRISMO INGLÊS. Se não estávamos a falar de mamas ou de futebol, o que era raríssimo, acrescento, as nossas conversas elevavam-se um poucochinho para dissertarmos sobre a importância das concepções de um Locke, de um Berkeley, de um Hume. Dialogávamos sobre a possibilidade de virmos todos ao mundo como tábuas rasas, e era a negação desta possibilidade, ou seja, o facto de nós já nascermos a saber umas merdas, que utilizávamos como argumento para nos baldarmos às aulas, aproveitando assim tempo precioso para jogar à bola e ver revistas de mamas.

Repetindo-me, as gerações hodiernas já não têm disto. Nunca as ouvi falar sobre empirismo inglês. Quanto muito, fazem uma ou outra alusão ao idealismo alemão, mas só naquela. Por exemplo: "Ih, ó Mané, curtiste o video do Youtube que te mandei ontem com um bacano a dropar uns vagalhos e que parecia o Kant a criticar as aspirações metafísicas da razão humana? Aquela cena, tipo, tinha buéda likes. Fui eu que filmei com a minha máquina de [REFERÊNCIAS ESTÚPIDAS A MEGAPÍXEIS E O CARAÇAS CENSURADAS PELO AUTOR DESTE BLOGUE]".

Tudo isto dá pena, é o que vos digo. Tudo isto dá pena. E fazem-me sentir velho...

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Com companhias destas ao almoço, o melhor é passar fome

Azares do destino colocaram-me hoje junto de três tiazorras, daquelas que um gajo só tem vontade de lhes mandar um pontapé naquelas cabeçorras, três tiazorras, dizia eu, que só falavam das suas aventuras no ginásio. "Ah ah ah, veja lá, uma vez sofri um desmaio depois de vir da sauna, ah ah ah, que chiquérrimo", dizia uma. "Ah ah ah, então ó minha amiga, sei lá, pois eu nunca faço sauna, prefiro banho turco, ah ah ah", dizia outra. "Ah ah ah, eu houve um dia em que dia tropeçando a fazer stepping, ah ah ah", dizia a terceira. E mais isto, e mais aquilo, e nhé nhé nhé nisto, e renhó renhó renhó naquilo...

E eu com cara de parvo a comer o meu tofu com arroz à pressa, tanta pressa que fiquei com alguns bagos colados às calças, junto da braguilha, é dizer, da picha. Devo dizer que foi das refeições que mais me custaram na vida, e nada tem isto a ver com o preço, o qual é até muito em conta. Mas nada compensa ter de aturar canalhada desta estirpe. Preferia ter como comensais, ora deixa cá ver, gente manhosa como um Miguel Relvas, um Reinaldo Teles, um Al Capone, mesmo em decomposição. De certezinha que teriam diálogos menos indutores de vazio existencial. 

Não há pachorra para as tias, livra!

(ah, e já comi os bagos de arroz que trazia colados às calças. Fora daquele ambiente execrável, até nem souberam mal)

terça-feira, janeiro 29, 2013

E proibir a vossa estupidez, não seria uma ideia mais porreira?!?!

O jornal I deu ontem a notícia de que a Opus Dei, uma Opus bem mais gay do que a Opus Gay, fabricou uma lista de livros proibidos. Esta gente, ressabiada com o fim do Estado Novo em Portugal e da Inquisição na Europa, deve querer festa, deve... É engraçado como são estas as mesmas pessoas que defendem acirradamente padres que abusam sexualmente de menores... mas livrinhos não, ui, livrinhos não pode ser, ai que mal que fazem, ui, O Crime do Padre Amaro fomenta a discórdia no médio Oriente, ai ai, O Evangelho Segundo Jesus Cristo é responsável pela crise da zona Euro, e a Aparição causou mais mortos do que a guerra dos Balcãs. Mas fazer uma lista dos padres predadores sexuais, ai, isso não, isso até é bom, logo não se contesta, não se abomina, não se diz uma palavra sobre o assunto, viva a Opus Dei, viva, venham a nós as criancinhas, mas não os livros, ai que pecado.

Era uma entrada do Rinaudo a pés juntos sobre esta gente toda!... Era pegar em maçons, na Opus Dei, nos benfiquistas, nos jesuítas, nos tripeiros, nos illuminati, nos bracarenses e nos rosa-crucianos e mandá-los todos cortar unhas a babuínos.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Espanto, pasmo e surpresa: há anarquistas sportinguistas

Junto do meu local de trabalho, pintaram numa paragem de autocarro um A anarca, aquele A cujos vértices extravasam os limites de um círculo, a tinta verde. Normalmente, este A só vem pintado a duas cores, as cores da bandeira anarca, as cores do AC Milan, as cores do mais famoso romance do Stendhal, as cores do Odivelas FC: ou a vermelho, ou a negro. Mas aquele era a verde, e tive de parar por um bocadinho para me certificar do facto. Examinei bem o A, como se eu estivesse num museu a ver uma qualquer obra-prima. Era mesmo um A. Num círculo. Não havia hipótese de não ser o A anarca. E estava mesmo pintado a verde.

Quase me vieram as lágrimas aos olhos, para espanto de uma velhota que aguardava pelo autocarro que a levasse ao sítio onde as velhotas vão, sítio que eu desconheço por não ser uma velhota. Um A anarca pintado a verde... isso só pode significar que há anarquistas sportinguistas aqui e agora. E que eu não sou o único.

Claro que pode haver uma outra explicação. Bem mais simples. A tinta vermelha e a tinta preta podiam estar esgotadas. Ou a tinta verde ser mais barata. E anarca que é anarca não tem guito, portanto...

Mas não me lixem o emotivismo. Para mim, aquilo foi pintado por anarcas sportinguistas. E crer nisso dá-me alento e faz-me esperar por um mundo melhor.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Revisitando a Idade Média

Os tempos de hoje estão maus, bem o sabemos, mas nada que se compare ao que era antigamente. Na Idade Média, então... bem, aquilo era do piorio. Como é que eu sei?! Tenho um antepassado que viveu nessa época e ele conta-me umas coisas durante as sessões espíritas por mim feitas com o propósito de invocar o espírito do Peyroteo. Eram mesmo beras, as coisas. O estrume fazia as vezes de sais de banho, as batatas ainda não existiam, porque os descobrimentos não haviam sido descobertos, de modos que ninguém comia batatas fritas, a mortalidade infantil era elevada, a violência era o pão nosso de cada dia, e já nem falo nos padres, que tinham por hábito abusar de mulheres e crianças. Nada a ver com os nossos dias, portanto... Hã?! Pois...

O meu antepassado já me narrou umas histórias giras. Por exemplo, uma vez estava ele na aldeia e passa um exército de francos que andavam numa demanda por não se sabe bem o quê. Resolveram estacionar ali, comer e beber à conta e que nenhum dos aldeões piasse! O meu antepassado ainda piou um bocadinho: "Ó senhores francos, que chatos, pá. Nós estamos ocupados a ser explorados pelo nosso senhor feudal, não dá jeito nenhum agora perdermos tempo convosco, não é má vontade nossa, é que hoje ainda temos de levar umas colheitas e sermos chicoteados". O resultado foi levar uma bota na tola. Mas pronto, ao menos queixou-se, como eu o compreendo.

Para as mulheres, então, era tudo pior. O meu antepassado conta histórias escabrosas. Como esta: estava uma jovem a lavar a roupa no rio quando surge um soldado navarro. E deu-se este diálogo, que o meu antepassado decorou palavra por palavra enquanto estava acocorado por detrás duns arbustos a aliviar a tripa:

Soldado: Olá, minha menina. Por aqui sozinha?
Moça: Não me incomode, estou a lavar as vestes de meu pai e de meus irmãos e atrasar-me não posso, senão serei punida com severidade.
Soldado: Oh, que pena. Mas olha, bela fémea, a mim estava a apetecer violar alguém.
Moça: Entendo, viril soldado. Deixe-me só acabar de lavar a crespina do meu irmão mais novo.
Soldado: Eu espero, gentil rapariga.
Moça: Já está. Faça então o favor de me violar. Mas seja rápido, não posso mesmo atrasar-me muito. Já fui violada três vezes hoje e só eu sei como isso atrasa o meu trabalho. E depois o meu pai não acredita. "Inventas sempre essas histórias de violação. Sempre desculpas atrás de desculpas. Ah, por que não saíste um rapaz como os teus irmãos?!", está sempre a dizer-me.
Soldado: Serei rápido, serei. O mesmo já não posso dizer dos meus 200 companheiros que vêm lá atrás.
Moça: Oh, f***-se.

Triste retrato, é verdade, mas as coisas eram como eram. Portanto, há que relativizar sempre a ruindade contemporânea. Por muito que o Vítor Gaspar e o Godinho Lopes se esforcem - e todos sabemos quão bem se têm esforçado - estamos longe da negritude da Idade das Trevas.

Espero que este post vos tenha animado. Até amanhã.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Acróstico dedicado ao governo de Portugal

Depois deste notável caligrama, que me valeu uma Menção Honrosa no Festival de Poesia de Vila Nova de Poiares, eis mais um poema de minha lavra, desta feita um acróstico, com o qual vou concorrer ao Grande Prémio de Literatura e Fabrico de Pãezinhos de Leite da Baixa da Banheira.

Vindo não se sabe bem d'onde
Ão ão ão, ladrou altíssimo
O cão.

Lindo canídeo era
Esperto se revelava
Valente, sem dúvida.
Augúrios bons para simples
Rafeiro.

Não admira que cativasse
As gentes do bairro.

Parecia tudo perfeito
Embora aquela tendência
Inevitável, dir-se-ia,
De cagar nos passeios
Andasse a chatear uma beca.

Se eu não ganhar o prémio com isto, o meio literário português é que ficará a perder.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

O grande tema de conversa hoje no meu local de trabalho

Não é o fim de semana desportivo. Nem o temporal. Nem política. Ou o choradinho do Armstrong. É isto:

"Ó Peter of Pan, o que se passou aí em cima?"
"Ó Peter of Pan, o teu cabelo voou com o vento?"
"Ó Peter of Pan, o teu filho andou a brincar aos barbeiros?"
"Ó Peter of Pan, estás mesmo careca!"
"Ó Peter of Pan, andas a fazer quimioterapia?"
"Ó Peter of Pan, onde está o resto de ti?"
"Ó Peter of Pan, eu sou preto mas lembra-te que por dentro sou todo branco"

Fosga-se, é que já não se pode rapar o cabelo...

quinta-feira, janeiro 17, 2013

O mundo é estúpido e a vida não faz sentido nenhum

Vi ontem à noite o site d'A Bola, que continua a dar a notícia, e o facto de ela não ter sido desmentida esta manhã comprova que Deus não existe e o FMI não deveria existir: Liédson está prestes a assinar pelo Porto! Isto abala-me tanto como me abalaria uma hipotética descoberta de que as mamas da Denise Milani, afinal, fossem postiças - seria uma daquelas coisas que alteraria por completo a nossa forma de estar no mundo, pois as referências que julgamos intocáveis demonstrariam na verdade possuir pés de barro. Ou mamas de plástico.

A notícia da ida de Liédson para o Porto é grave para um sportinguista romântico como eu, não só porque o clube dos Corruptos (assim, com C grande, porque a corrupção lá é grande também) insiste em vir buscar gente que está ou esteve ligada a Alvalade, mas porque, neste caso particular, se trata do maior mito que o clube verde e branco teve, talvez, na última década. Se é verdade que a presença do Moutinho no Porto a mim causa raiva, se é certo que Quaresma, Varela e agora Izmailov (que seria um jogador de topo se não houvesse aquele pequeno detalhe de os seres humanos virem equipados com joelhos) não me provocaram mais do que desprezo, a situação do Liédson, que foi só dos melhores jogadores estrangeiros e dos melhores jogadores portugueses que passaram pelo meu Sporting, reveste-se de contornos diferentes. Porque era um mito. Porque era um ídolo. Porque se fartou de marcar golos. Porque era o maior. Porque, como assinalavam as tarjetas pelos vários campos deste país, Liédson resolvia. Se o vir a jogar de azul e branco vestido, vou sentir uma dor no peito.

Culpados? Muitos. Os dirigentes do Porto, para começar. E todos os adeptos que pactuam com as iniquidades e injustiças praticadas por este clube que faz do mercado da fruta a sua maior virtude. Mas culpo também o próprio Liédson, por preferir ganhar bem e ter a possibilidade de ser campeão a ganhar menos bem e a não conquistar porcaria de título algum. Culpo também o Godinho Lopes, claro, que já devia ter ido re-contratar o Liédson há muito. Mas culpo, sobretudo, um certo José Eduardo Bettencourt, que impediu o Liédson de ter o final de carreira que merecia, pendurando as suas chuteiras, como seria obrigatório, no clube onde mais e melhor actuou. Liédson, por uma questão de justiça cósmica, deveria eternizar-se no Sporting. Mas como todos sabemos, o Universo nem sempre actua como deveria actuar. O que é uma merda. Só por causa desta história, o Miguel Relvas devia ser demitido. Porquê?! Porque me apetece, eis porquê...

terça-feira, janeiro 15, 2013

E depois o Português é que é uma língua traiçoeira...

Leio um livro e surge esta frase: "La mediación de Harrington, a la que antes hicimos referencia, carecía de posibilidades de éxito ante posiciones tan enconadas (...)".

Pois. Enconadas. Tive de ir buscar o dicionário. Neste contexto, enconada significa inflamada, o que faz todo, todo o sentido. Portanto, se alguém apanhar um esquentamento depois de ir às meninas, já pode dizer, sem erro, "tenho a picha toda enconada", e assim falará a verdade em dois sentidos, e em duas línguas. Fantástico, não é?! O que vocês aprendem aqui com este blogue...

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Mais uma vez, fomos roubados

Passo os olhos e os ouvidos pelas televisões, pelos jornais e pelos discursos na rua, e tudo destaca o jogo de ontem entre Benfica e Porto, como se o grande acontecimento desportivo do dia de ontem não tivesse sido a MAGNÍFICA vitória do Sporting, coroada com dois ESPANTOSOS golos. Aliás, a única forma de celebrar a primeira segunda vitória consecutiva do Sporting nesta época (sim, esta frase está bem construída, não me lixem!), a primeira vitória fora de casa desde... Março? Abril? ajudem-me... e a primeira vitória por dois golos sem resposta seria, estou certo, declarar feriado o resto da semana. Mas não, prefere-se comentar as incidências de um jogo que deveria ter terminado com a expulsão dos 22 jogadores, a derrota das duas equipas e a retirada de 30 pontos a ambas, de forma a restaurar equilíbrio no universo e, mais importante, na Liga Portuguesa.

Neste mundo, anda tudo trocado, é o que é...

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Passam o dia a coçar o escroto com a baioneta, dá nisto

Pois, parece que aqui há uns dias o chefe coiso do estado coiso maior das forças armadas coisas condecorou o Alberto João Jardim com a cruz de São Jorge (podia ter sido o trapézio de São Epistolau, era a mesma merda...). Segundo esse tal chefe do não sei quê, a agraciação deveu-se, entre outras coisas - e disse isto sem se rir -, à competência e ao patriotismo do agraciado.

Iá. Competência e patriotismo.

Ficamos assim a saber que ser incompetente afinal é competência e dizer mal de Portugal e dos portugueses afinal é patriotismo.

Bravo! Nem Orwell teria feito melhor...

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Ena, ena, ena

Grandes notícias: o Sin City 2 estreia ainda este ano, e entre as actrizes, conta-se nada mais nada menos do que a Crystal McCahill!

E vocês: "mas quem raio é que é a Crystal McCoiso?!" Ignorantes, pá, é o que eu vos digo. Não me interessa aqui estar a falar sobre o currículo da moça. Tenho só isto a dizer, um "isto" que vem essencialmente distribuído em quatro palavras, e que resume toda a essência da rapariga:

PORTENTOSO PAR DE MAMAS!

E basta! Aguardemos pelo filme, então.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Gajas: da próxima vez que me vierem falar de igualdade e respeito entre os sexos, mando-vos uma traulitada!

Que macho valentão não passou já por aquela coisa de ter de reconfortar, com eufemismos, uma cara metade que se julga cheiinha?! Todos nós, com a nossa sensibilidade muito máscula, sabemos o que fazer nessas alturas: quando elas nos perguntam se achamos que estão gordas, respondemos "Ah, não estás nada, é só impressão tua", ou "Ah, eu gosto delas é mesmo assim, mais carnudas", ou "Ah, 'tá calada e põe-te já de quatro!" E elas ficam assim mais confiantes e seguras de si mesmo.

Mas e quando é um homem a procurar este tipo de conforto? Quando é um homem, as mulheres já não acham conveniente usar de sensibilidade. Nem procuram atribuir confiança. São antes curtas, grossas e muitas vezes mal educadas. Vejam só um exemplo, que aconteceu com um grande amigo meu neste fim-de-semana, e por grande amigo quero mesmo dizer grande amigo, não venham cá com histórias do género "este gajo está é a inventar amigos, na verdade o que ele vai contar passou-se com ele", porque se vierem com essas histórias, eu nego tudo e vocês não têm maneira de provar o que dizem:

Ele: Querida, acho que estou a ficar com uma grande pança...
Ela: Pois estás. É enorme! Já me viste isso? Que mau aspecto! Até tenho vergonha de sair à rua contigo.

Vêem?!? Vêem?!? E depois nós gajos é que somos não sei o quê e coiso...

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Impressionante

Verifiquei agora que andei meio dia com a braguilha aberta e ninguém me disse nada. Das duas, uma:

Ninguém reparou, porque eu fui bastante discreto e passei o tempo quase todo sentado. Isto abona consideravelmente a meu favor: posso ter sido distraído ao deixar a porta aberta, mas fui inconscientemente esperto ao não chamar a atenção.

A outra hipótese é a de que ninguém quis reparar. E esta não abona nada nada a meu favor. Será que ninguém tem interesse no que está por detrás do fecho das minhas calças? Depois do almoço vou tirar a prova dos nove ao aparecer no meu local de trabalho com a picha ao léu. Se ninguém lançar um olhar, fico preocupado.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

E já está!

A resolução que eu havia definido para 2013

enfardar e emborcar à fartazana
 
 foi liminarmente cumprida! Parabéns para mim. É uma sensação tão agradável ver os objectivos que uma pessoa se propõe a si própria serem alcançados. Muito agradável. Sabe a mel, baunilha e chocolate, mas tudo com um travozinho a ressaca.

Bom ano para todos.