sábado, março 09, 2013

Olha que afinal isto da religião se calhar é verdade

O conclave dos cardeais tem o seu início marcado para 12 de março, a próxima terça-feira. E hoje vieram notícias a dizer que o concerto de Justin Bieber também marcado para esse dia em Lisboa foi, afinal, cancelado.

Pronto, acho que isto é prova suficiente para mim. Deus existe. Afinal andei enganado todos estes anos. Agora só quero é saber em que raio de religião devo inscrever-me. Aceito sugestões...

sexta-feira, março 08, 2013

Da série: Deus não existe, mas castiga

O popó do "#$"$# do Liédson incendiou-se após um acidente...

Normalmente não sou daqueles de ficar satisfeito com os azares dos outros, mas neste caso... AHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHA! Embrulha, meu pancrácio! Ficaste com o cu a arder, não ficaste?! Deves ter borrado o teu fatinho de treino com o cagaço, não foi?!?! Ontem nem o conseguiste levantar, aposto... Toma, mercenário! Lambão! Moutinho! Hipócrita! BUMMMMMM! Tiro no BMW! Vai brincar com carrinhos da Lego. Pede boleia ao Izmailov. Palhaço!...

Um bom fim-de-semana a todos.

quinta-feira, março 07, 2013

Confluência de interesses: Benfica e Paulo Portas

O Benfica vai abrir seis escolas na grande potência mundial da chamuça. E Paulo Portas foi para lá ajudar ao negócio. Não, não estou a aldrabar, está tudo aqui, e só não meto uma fotografia do Paulo Portas a exibir uma camisola do clube dos pardalitos personalizada com o seu próprio nome porque este blogue ainda possui uma réstea de bom gosto.

Eu confesso que gosto bastante desta aproximação do Portas ao Benfica. Ou do Benfica ao Portas, que se calhar é o mais certo (parece que ele gosta muito que se aproximem dele). Ter o Paulo Portas como simpatizante do meu Sporting é dos meus maiores desgostos enquanto adepto, bem maior do que estar à beira da descida de divisão. Ver o Portas, portanto, amiguinho dos passarinhos é, para mim, motivo de sorriso. Aliás, o que eu gostava mesmo de ver era o Portas a vestir de encarnado - ele que abomina a ideologia vermelha, diga-se de passagem. Se o Portas vestisse o equipamento das papoilas saltitantes, os jogos do Benfica seriam muito divertidos. Sobretudo se ele jogasse à baliza, com a fama que tem de deixar entrar tudo... era giro, ou não era?

Eu acho que era. Movimento Portas no Benfica, já!

quarta-feira, março 06, 2013

terça-feira, março 05, 2013

O Peter of Pan visita o ISCTE: breve crónica

Compromissos profissionais levaram-me a ter de ir ao ISCTE. Nunca tinha lá entrado, e é isso que me motiva a fazer esta crónica. Primeiras impressões? Instalações simpáticas, embora com uma arquitectura demasiado "norte-americanizada" para o meu gosto. Casas de banho imundas, como seria de se esperar numa universidade. Cantina simpática, com a opção vegetariana, como se exige, embora não tenha percebido a ausência de bebidas alcoólicas: separar estudantes universitários e álcool parece-me uma medida da maior gravidade, é como separar uma mãe dos seus filhos. 

Bom, mas aquilo de que quero mesmo falar é das pessoas. Preocupou-me não ver muitas gajas boas. Se o ISCTE é uma universidade mais virada para os pirilaus, não sei, mas foi isso que aparentou. Porém, ganhar-se-ia muito se as poucas gajas que lá andassem fossem jeitosas, e pela observação que pude fazer não o são. O rácio de pirilaus para gajas deve andar nos 70/30, e destes 30, o rácio de gajas boas para trambolhos anda nos 20/80. Espero que tenham percebido esta contabilidade, ou então chamem o Vítor Gaspar... e ficarão a perceber ainda menos.

Mas mais do que a franciscana presença de gajedo, o que me causou - devo dizê-lo nestes termos - repulsa foi o número de estudantes que se dirigiam para o ISCTE de fato e gravata! Achei chocante, achei desonesto, achei uma merda! Nunca tinha visto tantos estudantes de fato e gravata numa faculdade que não fosse a Católica ou a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. E não percebo o porquê: está bem que o ISCTE é, como o acrónimo designa, de Ciências do Trabalho e da Empresa (o que quer que esta gaita seja!...) mas tenho dificuldade em perceber, salvo se forem gestores multimilionários (o que desde logo levantaria a questão: o que é que estão então a fazer na universidade?!?), o porquê de simples estudantes andarem de fato e gravata.

Devo aqui fazer uma declaração de interesses: detesto fato e gravata. É uma indumentária que simboliza estatuto e hierarquia, logo um anarca como eu cospe, urina e defeca numa tal natureza. Fato e gravata são também usados por mafiosos e banqueiros (faço aqui a distinção entre uma e outra categorias apenas porque me apetece; em bom rigor, está para ser revelado cientificamente o que diferencia um mafioso de um banqueiro), o que é mais uma razão para eu passar para o outro lado da rua quando vejo alguém assim vestido vir na minha direcção.

Ora, dito isto, a opinião que eu tenho de um estudante, portanto, alguém que está a fazer o seu percurso enquanto pessoa-pessoa e enquanto pessoa-utilitário, a opinião, dizia, que faço de um estudante vestido de fato e gravata é a de um cabrãozinho armado ao pingarelho. Ainda me lembro da primeira vez que vi um estudante de fato e gravata na universidade onde me licenciei: atirei-lhe com uma tradução francesa da Metafísica do Aristóteles ao peito, só para distrai-lo, e depois espetei-lhe meia dúzia de socos na tromba, puxei-lhe a gravata até ele ficar a suplicar por ar e arrastei-o, qual Aquiles arrastando Heitor, pelos corredores da faculdade, emporcando aquele fato de beto. Se gente por perto houvesse, teria certamente sido aplaudido.

A idade, porém, trouxe-me fleuma, e já não executo estes actos de evidente justiça. Mas que ainda me choca ver um estudante de fato e gravata, ai isso choca. E chocou-me ver tantos no ISCTE. Se não voltar lá nunca mais na vida, não perderei nada com isso. E termino com esta frase, que contém quatro negativas. Espectáculo. É uma frase com tanto estilo que deveria vir de fato e gravata.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Desde que ouvi falar na lasanha de cavalo que só penso nisto

Num toxicodependente a chegar-se ao pé de mim e dizer "Bacano, bacano, orienta aí uns trocos para eu arranjar lasanha"...

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Depois do raio, chegou Deus

Muitos foram aqueles que viram no raio que caiu em cima da basílica de são coiso um sinal de Deus, descontente com a resignação do Bento XVI.


Eu, claro, não vi nada disso, e tal como a imagem (belíssima, aliás) me mostra, vi apenas no raio que caiu em cima da basílica de São Pedro um raio que caiu em cima da basílica de São Pedro, e podem mandar vir uma armada de teólogos ter comigo que não vou dizer outra coisa.

Até porque Deus, quando quer revelar-se, não é no Vaticano. E não manda um raio. Deus, quando aparece, fá-lo em carne e osso (essencialmente, carne... mas não lhe digam nada, que ele é capaz de levar a mal) e é à cidade dos mafiosos que desce, o que de resto me parece fazer todo o sentido. Ei-lo aqui, para regozijo dos fiéis.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Escrita criativa para crianças

Fui convidado por um inimigo a dar uma formação de escrita criativa para putos, num barracão a cair aos bocados numa horta comunitária ali para os lados de Ílhavo. Não me apetecia ir, mas fui porque o Sporting perdera com o Estoril e isso dava-me ganas de torturar alguém e a mim próprio. Transcrevo aqui os resultados da sessão.

Escrita Criativa para Putos: uma formação Peter of Pan.


Objectivo: escrever uma redacção em português corrente e contendo os seguintes conceitos: esfíncter, à bruta, idiota, Miguel Relvas.

Textos apresentados ao formador.

1) Texto apresentado por Joana Piegas, 9 anos. Sonha ter um dia dinheiro para comprar uma mala Chanel e espetá-la nas trombas da Pepa.

Gosto muito de passear pela praia com a minha mãe e o meu pai. Não gosto muito que o meu irmão vá, porque ele é muito estúpido e tem sempre ranho a sair do nariz. A minha mãe diz que gosta muito do Miguel Relvas, já o meu pai acha-o um idiota e gostava de lhe rebentar o esfíncter à bruta. Eu não sei o que isso é, mas deve ser bom porque o meu pai ri-se muito, a minha mãe também e o meu irmão começa a chorar. Quando for grande, vou pedir que me rebentem o esfíncter à bruta.

2) Texto apresentado por Filipe Gaspacho, 11 anos, o seu desejo é ter um action man que faça a folha aos colegas que lhe batem na escola.

Não sei quem é o Miguel Relvas, porque não vejo televisão, porque o meu pai não deixa, porque a minha mãe só quer ver telenovelas, porque diz que a vida dela é muito infeliz, e o meu pai depois bate-lhe, porque diz que ela é idiota, e a minha mãe responde que o meu pai é frouxo e gosta de meter coisas no esfíncter, e o meu pai bate com mais força, e a minha mãe pergunta se é só aquilo que ele tem para dar, e então o meu pai diz que agora vai ser à bruta, e a minha mãe esconde-se na cozinha e fecha a porta, e o meu pai dá pontapés e consegue abrir a porta, não sei se a televisão tem coisas destas, só sei que depois ficam todos cansados e eu vou-me deitar. Gostava de ter um action man.


3) Texto apresentado por Luís Galo Pinto, 9 anos, quer um dia ser bombeiro no Pólo Norte.

Eu não era para estar nesta aula de escrita criativa, mas os meus pais queriam passar a tarde a fazer amor e não tinham onde me deixar. Então vim para aqui, onde o formador pediu que eu fizesse uma redacção com as palavras esfíncter, à bruta, idiota e Miguel Relvas. E eu fiz. Já está!


4) Texto apresentado por Susana Amplexo, 10 anos, gostava de ser um continente.

Essa canalhada da direita merece todo o mal que lhe suceda. O conservadorismo atroz daquelas mentes, aliado a um neo-liberalismo económico de pacotilha, mas auto-contraditório devido a sustentar-se nos subsídios estatais, atente-se nas ajudas concedidas à banca, deveria provocar de imediato um levantamento da população. As sociedades modernas devem gerir-se por outro género de valores, não aqueles que essa canalha publicita. Eu tenho 10 anos apenas, mas percebo bué desta merda, e o que me apetecia era pedir aos jogadores de râguebi da Samoa para pegarem no idiota do Miguel Relvas e lhe estourassem o esfíncter à bruta, que era para ver se ele deixava aquele sorrivo parvo e aprendia a cantar o Grândola, Vila Morena. Quero ainda aproveitar estas linhas para escrever que o Justin Bieber é lindo de morrer. Justin 4ever, love you.

No fim de contas, o evento acabou por ser um sucesso. Já estou a pensar no próximo, em que vou exortar à elaboração de um escrito com não menos de 5 páginas que andem todas à volta das maneiras como podemos grelhar no espeto benfiquistas e portistas.

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Direito de contraditório: o Piolho

Refastelado estava eu a tomar o pequeno-almoço quando aparece num canal qualquer de notícias um senhor muito indignado com os piolhos, porque eram uma praga, porque davam cabo do couro cabeludo, porque eram pouco higiénicos, porque destruíam as cabeças das nossas crianças, porque isto, porque aquilo. Por mim, tudo bem, mas achei de muito má fé ninguém do canal se ter dignado a falar com um piolho, no sentido de auscultar a sua opinião. Gostam todos muito de falar em direito de resposta, em contraditório, em debate saudável e tudo isso, mas na prática é o que se vê.

Pois eu, que sou muito democrático e gosto de saber as diferentes perspectivas, além de ter uma inclinação para me colocar do lado daqueles que são visceralmente atacados, desde que os atacados não sejam americanos, portistas, benfiquistas e votantes do PSD e do CDS, tudo grupos que merecem ser massacrados de todas as maneiras e feitios, ora, dizia eu que gosto de confrontar os vários pontos de vista, pus-me a caminho e fui entrevistar um piolho. Cá fica a reprodução da conversa altamente produtiva que tivemos.

- Senhor Piolho, bom dia. Penso poder tratá-lo por senhor Piolho, certo?
- Olhe, se quer ser mais exacto, terá de tratar-me por doutor Piolho, pois eu tenho um doutoramento em Antropologia Piolhística pela Universidade Técnica da Seborreia.
- Está bem, doutor Piolho. Já agora, para os que desconhecem, onde fica essa universidade?
- Lá está, é típico de vocês humanos o quase total desconhecimento da vida dos piolhos. A Universidade Técnica da Seborreia é das universidades piolhosas mais conceituadas, estando no 2º lugar do ranking feito recentemente pela consultora LENDEA. Localiza-se no couro cabeludo de um jovem mineiro africano do Serenguéti, Jonah Appiah. Isto o campus, pois o edifício da reitoria teve recentemente de ser mudado para a Nova Zelândia, numa política de expansão da universidade, e ocupa agora a cabeça de uma menina de 5 anos, cujo nome não recordo de momento. Está a apostar-se no futuro, é o que é, e espera-se que toda a universidade seja deslocalizada para a Oceania num prazo não superior a 3 anos.
- Bom, agradeço a sua explicação tão rigorosa. Mas vamos a questões mais prementes.
- Vamos!
- O que lhe pareceu o bloco noticioso hoje relatado na RTP1, em que os piolhos foram claramente atacados?
- Olhe, este é um problema que se repete há já muito tempo. Há uma clara discriminação dos seres humanos face a nós, piolhos. Somos malquistos há séculos, para não dizer milénios. É uma perseguição, uma afronta... olhe, é uma merda!
- Mas diga-me, doutor Piolho, como reage às acusações de parasitismo e destruição do couro cabeludo dos humanos?
- Calúnias. Tudo calúnias! Os piolhos não pretendem o fim da massa capilar. E se sugam o sangue de humanos, é porque não é fácil encontrar alimento num ambiente tão pouco próspero. Tudo o que os piolhos querem, tudo o que os piolhos desejam, é tranquilidade e levar as suas vidas calmamente, cuidar das suas lêndeas, enfim, tudo propósitos pacíficos. Mas como respondem os humanos? Com champôs, com pentes finos, com produtos químicos que arrasam colónias inteiras. Ainda se fôssemos nocivos como a caspa, essa sim, uma espécie horrível e que merecia o extermínio, agora nós?! Não há direito.
- Porém, doutor Piolho, tem de reconhecer que a vossa presença causa algum desconforto nos indivíduos hospedeiros...
- Isso são inverdades, falsidades e mentiras!
- Como assim? Nega a comichão? O mau aspecto que causam aos cabelos? A transmissão de doenças, em casos extremos?!
- Falso, falso e falso! O piolho não faz mal a ninguém. O piolho é um bom piolho. O piolho é um ser pacífico e ordeiro. O piolho não merece a má fama que tem.
- Pronto, e ficamos por aqui hoje. Muito obrigado, doutor Piolho, por ajudar a esclarecer algumas questões que rodeiam a piolheira.
- De nada. Já agora, não conhece ninguém com o cabelo para alugar? É que eu e a minha família já estamos fartos da cabeça do Miguel Relvas...

Foi isto. Um dia, ainda entrevisto um tal de treponema pálido.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Erros que um gajo comete: mostrar videos de Harlem Shake à gaja

Eu: Gaja, já alguma vez viste clipes de Harlem Shake?
Gaja: Eu?! Eu não! O que é isso? Alguma coisa com pretos?!
Eu: Não. É tipo uma flash mob, mas não tem nada a ver com flashes mobes. Mete aí no Youtube que eu mostro-te.

E assim se fez. 20 minutos e vários videos visualizados depois, eis o veredicto: 

Gaja: Mas... mas... mas...
Eu: Giro, não é?!
Gaja: Mas... mas... mas que maluquice estúpida é esta?!
Eu: Então, são uns gajos a dançar, mas sem as paneleirices das flash mobs. O tema é sempre o mesmo e os motivos também mas o divertido está na variância que se obtém a partir de uma estrutura bem consolidada, olha lá novamente para aquilo, é sempre um gajo a dançar timidamente, depois há um corte e pimba, abandalha tudo. Fixe, não é?!
Gaja: Tu és doido, esta gente é toda doida e o mundo está irremediavelmente perdido. E se comparas isto a uma flash mob, nem sem mais o que dizer.

Resultado e conclusão: mais um prego no meu caixão. Se a gaja já duvidada da minha sanidade há muito, agora estou irremediavelmente condenado ao desdém. Recuperar disto, nem com 300 dias seguidos a brindá-la com jantares à luz das velas.

Já agora, fiquem com a estúpida cereja no topo do estúpido bolo: alguém editou imagens para fazer um Harlem Shake Sporting, aqui:





Eu ri-me...

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

O que se passa com os materiais?!

Já todos ouvimos falar do conceito de "fadiga dos materiais". E todos sabemos, por via do bom senso, que um exemplar de um objecto que seja bastante usado desgasta-se mais rapidamente do que um exemplar do mesmo objecto que seja menos usado. Isto devia ser científico, certo?

POIS NÃO É!!!!!! É um logro. A tese da fadiga dos materiais não está correcta, e o bom senso não é bom nem senso. A minha experiência de utilizador de materiais tem revelado aspectos bem diferentes. Vejamos:

- Calçado. Todos os meus ténis, sapatos, chinelos e até as minhas mais recentes pantufas desgastam-se primeiro no pé direito do que no esquerdo. Até aqui tudo bem, se eu fosse destro, mas o coiso é que eu sou canhoto. Canhoto! Portanto, utilizo com muito mais frequência e brutalidade qualquer peça de calçado que assente no pé esquerdo do que a que assenta no pé direito. Pontapés em qualquer merda? Pé esquerdo. Abrir e fechar portas quando as mãos estão ocupadas (e quando não estão também. Gosto de desafios)? Pé esquerdo. Dominar um prato ou uma caneca que caem e se preparam para estilhaçar no chão? Pé esquerdo... e uma corrida ao armário das pomadinhas. Tudo pé esquerdo. Então por que diabos as minhas pantufas estão rotas na biqueira e no calcanhar direitos, enquanto a pantufa esquerda está próxima de imaculada? Por que tenho um par de sapatos a ficar sem sola... no sapato direito? Por que tenho uns ténis de jogar à bola rotos do lado direito do pé direito? Expliquem-me lá estas merdas, senhores! Expliquem-me!

- O meu próprio corpo. Já disse que sou canhoto, certo? Portanto, uso mais a mão, o braço, o pé e a perna esquerdos do que os seus especulares direitos. Porém, tenho uma bruta cicatriz nas costas da mão direita fruto de uma queimadela no fogão, tenho o ombro direito em frangalhos por estar constantemente a deslocar-se, dói-me o joelho direito com frequência e ontem torci o pé direito. Ou seja, o lado direito do meu corpo está em muito piores condições comparado ao lado esquerdo, sendo que este é muito mais utilizado e sofre bastante mais do que a contraparte direita. Expliquem-me lá estas merdas, senhores! Expliquem-me!

Portanto, quer-me parecer que ou a teoria da fadiga dos materiais não está bem explicada, ou então há uma conspiração esquisita que tem em mim o seu alvo. Qual das alternativas está certa, desconheço. Mas que isto é tudo estúpido, lá isso é.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Golpes abaixo da cintura

Ontem, 14 de Fevereiro, foi um dia divertido. Para os distraídos, foi dia de São Valentim, o que significa que muitos só queriam saltar para a cueca de muitas, e muitas só queriam o conteúdo das cuecas de muitos. O ex-secretário de Estado da Cultura, o escritor Francisco José Viegas, garantiu que mandaria os fiscais irem tomar no cu se algum dia for abordado para demonstrar pedidos de factura. E o atleta paralímpico Oscar Pistorius, famoso por correr sem pernas, baleou a sua namorada. Portanto, lá está, os principais assuntos do dia de ontem andaram todos à volta de coisas que se passam abaixo da cintura. Foi engraçado e refrescante, acrescento eu.

Já agora, deixo-vos um apanhado das melhores piadas negras sobre o caso Pistorius. Umas são de minha autoria, outras encontrei-as no Facebook de amigos.

Aquilo era uma relação que não tinha pernas para andar.

Há já muito tempo que o Pistorius desejava correr com a namorada.

A versão que o Pistorius contou é falsa, mas facilmente se descobrirá a verdade, pois a mentira tem perna curta.

Ele matou a namorada porque esta andava a trai-lo com um gajo com uma prótese maior que a dele.

Estava visto que o Pistorius não tinha pernas para a namorada.

Espetou-lhe tiros porque não era homem para lhe dar com os pés.

Depois de matar a namorada, Pistorius ainda quis dar à sola, mas já não tinha força nas pernas.

Enfim, há gente mesmo cruel. Não podem ver uma tragédia que inventam logo piadas.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

A resignação do Papa: interpretações do Peter of Pan

Já Nietzsche dizia que não há factos, só interpretações. Mas ele era parvo, basta ver que nunca foi capaz de aparar o bigode em condições. O Vaticano, contudo, é muito nietzschiano nisto dos Papas. Não interessa o que acontece, ou seja, não interessa o que os factos são: o que interessa é o discurso que se desenvolve em torno dos factos, como se fossem umas vestes cardinalícias que atraem o olhar e impedem de ver que, por baixo de tais vestimentas, o rei vai nu.

Para o Vaticano, beatos, Joões Césares das Neves e betalhada, a continuidade de João Paulo II no cargo, mesmo contra vontade própria, foi "um acto de grande dignidade e coragem". Para o Vaticano, beatos, Joões Césares das Neves e betalhada, a renúncia de Bento XVI do cargo foi "um acto de grande dignidade e coragem". Estão a ver como não há factos, só interpretações?!? Não importa o que o gajo do barrete diz ou faz, tudo é "um acto de grande dignidade e coragem". Um papa todo podre é forçado a continuar papa? É digno e corajoso. Outro papa todo podre decide abandonar o papado? É digno e corajoso. Aposto que se o Papa discursasse na praça de São Pedro algo como "esta manhã, larguei um tijolo, daqueles duros. Mas não chorei", os fiéis todos seriam unânimes na análise às palavras do sumo pontífice: "um acto de grande dignidade e coragem". E se calhar, aqui até teriam razão...

Já ouvi dizer que o próximo Papa poderá ser negro. O que terá a sua piada, por várias razões. A primeira é que as vestes brancas do Papa assim combinarão melhor, e os fiéis até podem imaginar um jogo de xadrez sempre que virem o Papa. A segunda é que um sumo pontífice negro é mesmo fixe para chatear os católicos racistas... que são a maioria, diga-se de passagem. E aí será giro observar os discursos dessa gentalha. Sempre que o Papa fizer alguma coisa, aposto que os comentários andarão nisto: "um acto de grande dignidade e coragem... daquele preto d'um cabrão!" Por último, um Papa de cor transformará o acto de aclamação numa cerimónia mais divertida. Em vez dos habituais coros sacros, vai uma kizombada. E o cardeal responsável por apalpar a genitália do Papa, para comprovar se é homine, sairá de lá com as mãos cheias. Literalmente...

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

História Manhosa da Filosofia: Alegoria da Caverna no Casal Ventoso

Sócrates: Ó bacanos, topem lá esta cena. Imaginem uns gajos, pá, que estão tipo numa caverna desde putos, presos por correntes e o catano, e não podem virar a cabeça nem nada, por isso só vêem o que está mesmo à frente daquelas trombas. E há uma luz que vem de trás e projecta sombras na única parede que eles vêem. Estão a topar?

Glaucon: Fónix, Sócrates, ganda moca com que tu estás. Andaste na branca, andaste...

Sócrates: Chiu. Deixa-me continuar, pá. Entre a luz e os bacanos presos, há um caminho que dá para a saída da caverna, e por esse caminho passam uns chefes que orientam cenas para aqui e para ali.

Glaucon: Pá, isso é bué marado. Que cena mais estranha e que prisioneiros mais estranhos.

Sócrates: F*da-se, cala-te! Eles são como nós, porra!

Glaucon: Quê, também são agarrados?!?!

Sócrates: Ai o c... Pá, quem é que trouxe este gajo para o nosso grupo?!

Trasímaco: Foste tu, Sócrates, da última vez que pediste chamon aos sofistas de Chelas.

Sócrates: Yá, tipo, já me lembro... 'Tava cá com uma bezana nessa noite... Vá, deixem-me continuar. Então, os bacanos presos a única coisa que vêem são as suas sombras e as sombras de quem passa na parede que têm à frente das trombas, topam? É que não podem ver mais nada, 'tão a curtir?

Glaucon:
Muita marado, men. Eu tive uma cena assim da última vez que chutei heroína. O Alcibíades e o Crítias passavam à minha frente, por trás, ao lado, mas eu só via elefantes cor-de-rosa.

Sócrates: Ó pá, f*da-se... mas o que é que essa merda tem a ver com o que estou a contar, porra?!?!?! Ó Platão, tira-me este gajo da frente! 'Pera aí... Ó Platão, o que é que estás a fazer, c*ralho?!?!

Platão: 'Tou aqui a escrever essa história, Sócrates.

Sócrates: Hã?! Fosga-se, és muita estúpido, meu. Deves estar pouco drogado, deves... olha lá, essas folhas em que escreves são para orientar umas mortalhas, minha ganda besta. Se queres guardar o que estou a dizer, vai buscar um telemóvel e passamos depois a conversa para mp3, c*ralho. Agora folhas?!? Mas vocês são todos otários?

Glaucon: O Platão não sabe fazer gravações de voz no telemóvel, ó Sócrates.

Platão: Ih, o filho de uma ganda puta... Isso é mentira! Vou-te aos cornos, cabrão!

Lísias: Eh, c*ralho, agora é que 'tá tudo f*dido. É o que dá tentar dialogar com agarrados. Chuta-lhe os colhões, Glaucon!

Sócrates: Pá, f*da-se, acabou-se, calem-se todos, vou mas é para casa snifar. Chatos d'um cabrão. Só dão vontade é de um gajo beber cicuta, filhos da puta.


FIM

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

O trabalho liberta mas é o c...!

Atolado de trabalho como ando, tenho tido menos oportunidades para actualizar o blogue, situação que se arrasta há algum tempo. Lá está, com mais tempo dedicado ao trabalho, é menos tempo que dedico a pensar e fazer parvoíces, e se alguns acham isto bem, eu acho bastante mal, pois a parvoíce deve ser cultivada e regada como se cultiva e rega uma couve. Pronto, esta comparação foi um bocado parva, mas fi-la só para não perder muito o hábito.

Pior do que ter menos tempo para pensar em parvoíces, incluindo o Sporting, é ter menos tempo para pensar em mamas. Se noutras alturas da minha existência eu pensava em mamas numa média estimada em 93 vezes por segundo (cálculos feitos pelos cientistas da NASA, portanto verosímeis), agora esses números caem para umas vergonhosas e infames 42 vezes por segundo. E isto, sim, é grave! É menos de metade! E ainda há quem se preocupe com Portugal poder não atingir do défice de 4,5% com que se comprometeu com a Troika... O meu problema é muito mais sério, caramba! Porque traz uma consequência horrível e um efeito bola-de-neve: ao reconhecer que penso menos em mamas, fico preocupado com o que fazer para pensar mais em mamas, e ao preocupar-me por pensar mais em mamas, deixo de pensar em mamas elas próprias. É um círculo vicioso, esta gaita!


segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Post dedicado ao Fernando Ulrich

Era pegar em meia dúzia de indianos e violar-te como fizeram àquela rapariga do autocarro. Se ela aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era dizer que és bruxo e chamar a inquisição espanhola para "tratar" de ti. Se os europeus dos séculos XV ao XIX aguentaram, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era cortar-te a picha com um saca-rolhas. Se o Carlos Castro aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era enforcar-te diante de uma multidão como o fascista que és. Se o Mussolini aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era marcar-te com a estrela de David (seria irónico, um Ulrich acusado de semita), pôr-te num campo de concentração dirigido por um nazi reles e esperar que te mandassem para o forno. Se os judeus aguentaram, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era arrastar o teu cadáver pelas praias de Tróia, a turca, durante um bom pedaço de tempo. Se o Heitor aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Raio que te parta, ó meu cabrão de um cabrão...

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Conversa de velho: os interesses das novas gerações

Basta passar por qualquer lugar onde os adolescentes e os jovens adultos se reúnem para perceber: nada é como dantes. As roupas e os modos são diferentes do meu tempo. Mas mais diferentes são as conversas e os interesses. E isto choca, porque eu quando ouço um grupo de indivíduos dos seus 17 a 22 anos na galhofa, sinto-me velho, muito velho. Porque aquilo de que eles falam nada tem a ver com aquilo de que eu e os meus pares falávamos aquando dos nossos ajuntamentos. Basicamente, as novas gerações falam de nerdices. Sim, nerdices. É o telemóvel para aqui, é o tablet para ali, é o televisor com LCD e a ligação a montes de canais dos quais eles não vêem porra nenhuma, porque preferem estar ligados à Internet a jogar Diablo III e merdas desse género. Nada a ver, portanto, com as conversas saudáveis que a minha geração era capaz de manter, e que NUNCA andavam à volta de nerdices e sim em torno de três assuntos quase sempre presentes, a saber:

1 - BOLA. Falar de bola era inevitável, em particular nos encontros que se desenrolavam às segundas-feiras. Os comentários à jornada que tivera lugar no fim-de-semana anterior eram, muitas vezes, acesos. Mas tudo de uma forma inteligente e salutar, desde que não se ultrapassasse a fronteira da decência. Por exemplo, quem resolvesse, no meio da discussão sobre um Sporting - Boavista, falar da responsabilidade do primeiro-ministro Cavaco Silva na decadência dos relvados portugueses, era logo cilindrado com um paralelepípedo nos cornos. Sim, pode-se cilindrar com um paralelepípedo, não venham cá com tretas, querem ver que vocês são todos uns geómetras, não?!

As gerações hodiernas já não têm disto. Se falam de bola, é só sob pretexto. Por exemplo: "Ih, ó Zuca, viste a joga de ontem? Não?! Então eu mostro-te os principais lances aqui no meu smartphone. Já conheces as características do meu smartphone? Não? Então, tem [DESCRIÇÃO CENSURADA PELO AUTOR DESTE BLOGUE]".

2 - MAMAS. Se havia assunto que nos levantava o moral, e aqui moral não é metáfora para órgão sexual, esse assunto eram as mamas. Mamas, pá. Havia sempre que falar em mamas. As mamas das nossas profes. As mamas das nossas colegas. As mamas das nossas vizinhas. Adolescente e jovem adulto que era adolescente e jovem adulto andava sempre com conversas de mamas. E havia toda uma fenomenologia associada, pois nós abordávamos as mamas de vários pontos de vista. Eram os bicos, que podiam ser assim e assado, eram as curvinhas, eram os lados, eram as suas respostas ao toque e ao paladar, enfim, tudo o que pudesse caber debaixo da apreciação da mama na óptica do utilizador era abordado. Sem pudores e sem subterfúgios.

Uma vez mais, as gerações hodiernas já não têm disto. Se falam de mamas, é só sob pretexto. Por exemplo: "Ih, ó Cajó, topa-me as mamas desta garina aqui no meu tablet de [DESCRIÇÃO CENSURADA PELO AUTOR DESTE BLOGUE]. Mesmo fixe, iá?! O bacano do fotógrafo manda memo bué no Photoshop, parece eu quando retoquei as fotos do [HISTÓRIA DA TRETA CENSURADA PELO AUTOR DESTE BLOGUE]".

3 - EMPIRISMO INGLÊS. Se não estávamos a falar de mamas ou de futebol, o que era raríssimo, acrescento, as nossas conversas elevavam-se um poucochinho para dissertarmos sobre a importância das concepções de um Locke, de um Berkeley, de um Hume. Dialogávamos sobre a possibilidade de virmos todos ao mundo como tábuas rasas, e era a negação desta possibilidade, ou seja, o facto de nós já nascermos a saber umas merdas, que utilizávamos como argumento para nos baldarmos às aulas, aproveitando assim tempo precioso para jogar à bola e ver revistas de mamas.

Repetindo-me, as gerações hodiernas já não têm disto. Nunca as ouvi falar sobre empirismo inglês. Quanto muito, fazem uma ou outra alusão ao idealismo alemão, mas só naquela. Por exemplo: "Ih, ó Mané, curtiste o video do Youtube que te mandei ontem com um bacano a dropar uns vagalhos e que parecia o Kant a criticar as aspirações metafísicas da razão humana? Aquela cena, tipo, tinha buéda likes. Fui eu que filmei com a minha máquina de [REFERÊNCIAS ESTÚPIDAS A MEGAPÍXEIS E O CARAÇAS CENSURADAS PELO AUTOR DESTE BLOGUE]".

Tudo isto dá pena, é o que vos digo. Tudo isto dá pena. E fazem-me sentir velho...

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Com companhias destas ao almoço, o melhor é passar fome

Azares do destino colocaram-me hoje junto de três tiazorras, daquelas que um gajo só tem vontade de lhes mandar um pontapé naquelas cabeçorras, três tiazorras, dizia eu, que só falavam das suas aventuras no ginásio. "Ah ah ah, veja lá, uma vez sofri um desmaio depois de vir da sauna, ah ah ah, que chiquérrimo", dizia uma. "Ah ah ah, então ó minha amiga, sei lá, pois eu nunca faço sauna, prefiro banho turco, ah ah ah", dizia outra. "Ah ah ah, eu houve um dia em que dia tropeçando a fazer stepping, ah ah ah", dizia a terceira. E mais isto, e mais aquilo, e nhé nhé nhé nisto, e renhó renhó renhó naquilo...

E eu com cara de parvo a comer o meu tofu com arroz à pressa, tanta pressa que fiquei com alguns bagos colados às calças, junto da braguilha, é dizer, da picha. Devo dizer que foi das refeições que mais me custaram na vida, e nada tem isto a ver com o preço, o qual é até muito em conta. Mas nada compensa ter de aturar canalhada desta estirpe. Preferia ter como comensais, ora deixa cá ver, gente manhosa como um Miguel Relvas, um Reinaldo Teles, um Al Capone, mesmo em decomposição. De certezinha que teriam diálogos menos indutores de vazio existencial. 

Não há pachorra para as tias, livra!

(ah, e já comi os bagos de arroz que trazia colados às calças. Fora daquele ambiente execrável, até nem souberam mal)

terça-feira, janeiro 29, 2013

E proibir a vossa estupidez, não seria uma ideia mais porreira?!?!

O jornal I deu ontem a notícia de que a Opus Dei, uma Opus bem mais gay do que a Opus Gay, fabricou uma lista de livros proibidos. Esta gente, ressabiada com o fim do Estado Novo em Portugal e da Inquisição na Europa, deve querer festa, deve... É engraçado como são estas as mesmas pessoas que defendem acirradamente padres que abusam sexualmente de menores... mas livrinhos não, ui, livrinhos não pode ser, ai que mal que fazem, ui, O Crime do Padre Amaro fomenta a discórdia no médio Oriente, ai ai, O Evangelho Segundo Jesus Cristo é responsável pela crise da zona Euro, e a Aparição causou mais mortos do que a guerra dos Balcãs. Mas fazer uma lista dos padres predadores sexuais, ai, isso não, isso até é bom, logo não se contesta, não se abomina, não se diz uma palavra sobre o assunto, viva a Opus Dei, viva, venham a nós as criancinhas, mas não os livros, ai que pecado.

Era uma entrada do Rinaudo a pés juntos sobre esta gente toda!... Era pegar em maçons, na Opus Dei, nos benfiquistas, nos jesuítas, nos tripeiros, nos illuminati, nos bracarenses e nos rosa-crucianos e mandá-los todos cortar unhas a babuínos.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Espanto, pasmo e surpresa: há anarquistas sportinguistas

Junto do meu local de trabalho, pintaram numa paragem de autocarro um A anarca, aquele A cujos vértices extravasam os limites de um círculo, a tinta verde. Normalmente, este A só vem pintado a duas cores, as cores da bandeira anarca, as cores do AC Milan, as cores do mais famoso romance do Stendhal, as cores do Odivelas FC: ou a vermelho, ou a negro. Mas aquele era a verde, e tive de parar por um bocadinho para me certificar do facto. Examinei bem o A, como se eu estivesse num museu a ver uma qualquer obra-prima. Era mesmo um A. Num círculo. Não havia hipótese de não ser o A anarca. E estava mesmo pintado a verde.

Quase me vieram as lágrimas aos olhos, para espanto de uma velhota que aguardava pelo autocarro que a levasse ao sítio onde as velhotas vão, sítio que eu desconheço por não ser uma velhota. Um A anarca pintado a verde... isso só pode significar que há anarquistas sportinguistas aqui e agora. E que eu não sou o único.

Claro que pode haver uma outra explicação. Bem mais simples. A tinta vermelha e a tinta preta podiam estar esgotadas. Ou a tinta verde ser mais barata. E anarca que é anarca não tem guito, portanto...

Mas não me lixem o emotivismo. Para mim, aquilo foi pintado por anarcas sportinguistas. E crer nisso dá-me alento e faz-me esperar por um mundo melhor.