quarta-feira, março 20, 2013

Papa Francisco vs. Justin Bieber

Vendo com atenção as imagens do concerto do Justin Bieber na passada semana em Portugal e comparando com as imagens do Vaticano desde que o Francisco foi entronizado Papa, tenho a dizer que:

  1. Os fãs do Justin Bieber são mais bem comportados do que os fãs do Francisco.
  2. Os fãs do Justin Bieber são menos barulhentos do que os fãs do Francisco.
  3. Os fãs do Justin Bieber têm uma argumentação mais racional do que os fãs do Francisco.
  4. Entre os fãs do Justin Bieber, há menos betos do que entre os fãs do Francisco.
  5. Tanto os pais dos fãs do Justin Bieber como os pais dos fãs do Francisco não têm medo de expor os filhos àqueles espectáculos degradantes.
  6. Os fãs do Justin Bieber correm menos riscos do que os fãs do Francisco, sobretudo se forem muito novinhos.
  7. O Justin Bieber canta melhor do que o Francisco. E é melhor compositor também. Só isto, a título de exemplo:

    Bieber:

    And I was like baby, baby, baby, oh
    Like baby, baby, baby, no
    Like baby, baby, baby, oh
    I thought you'd always be mine, mine

    Baby, baby, baby, oh
    Like baby, baby, baby, no
    Like baby, baby, baby, oh
    I thought you'd always be mine, mine


    Francisco:

    A vocação de custódia (...) é guardar a criação inteira, a beleza da criação, como vem no Livro do Génesis e como mostrou São Francisco de Assis é ter respeito por cada criatura de Deus e pelo ambiente em que vivemos. É guardar as pessoas, é ter atenção a todos, a cada pessoa, com amor, especialmente às crianças, aos velhos, aos que são mais frágeis e tantas vezes estão na periferia do nosso coração. (...) Não devemos ter medo da bondade nem da ternura

    Quer dizer, que raio de letra é esta?!? Isto, além de ser difícil de cantar num concerto, nem sequer obedece às regras da métrica...

terça-feira, março 19, 2013

Doem-me os ouvidos!

Estamos mal. Apanhei uma otite. E à conta disso, já são dois dias seguidos que passo sem ouvir música, e por música quero dizer a barbaridade de barulho a que se dá o nome de heavy metal, mais os seus subgéneros barbaramente barulhentos: black metal. Death metal. Thrash metal. Doom metal. Blackdeaththrashspeedgrindprogressivesludgepaganvikingbrutalavantgarde metal. Enfim, qualquer coisa do género. Dois dias seguidos, porra!!!! Estou a ficar louco. Louco! Se esta privação dura mais tempo, ainda cometo algum acto daqueles mesmo estúpidos. Vejo os filmes todos da saga Crepúsculo! Monto uma editora e peço ao Marcelo Rebelo de Sousa para escrever um livro baseado nos seus comentários para a TVI e publico-o! Converto-me à Cientologia! Tiro uma fotografia ao meu rabo e crio-lhe uma página no Facebook! Convoco uma manifestação de apoio ao Vítor Gaspar! Ponho salsa no leite matinal! Vou ao Vaticano e forro os frescos da Capela Sistina com papel de parede, e ainda ponho uma figura de cartão em tamanho real da Maya em cima do trono papal! Faço isto tudo e muito mais!!!!

Quero os meus ouvidos de volta...

sexta-feira, março 15, 2013

Mas o que é isto?! Piranhaconda?!?!

Há informação inútil que vem ter connosco de forma inesperada. Via televisão, jornais, amigos ou internet, coisas que nós não sabíamos existir e nas quais dificilmente pensaríamos deparam-se-nos com a força pungente da realidade. Um exemplo? Este: fiquei a conhecer que algum produtor maluco, uma espécie de génio maligno de Hollywood, achou que seria muito boa ideia investir num projecto chamado Piranhaconda...

E do que se trata? De um grupo de pessoas que é atacada por um animal metade búfalo e metade Miguel Relvas?! Não. Também não é assim tão terrível: o animal é metade piranha e metade anaconda. A película conta com a presença de Michael Madsen, um dos grandes canastrões do cinema, que só vai bem nos filmes do Tarantino, e de Rachel Hunter, ex-mulher de um dos grandes canastrões da indústria musica, que não ia bem em lado nenhum, Rod Stewart. A coisa tem aspecto de ser filme de série B, daqueles muita rascanhóves, e eu vou passar ao lado daquilo tal como o Manuel Luís Goucha passa ao lado de ser um apresentador sério, inteligente e heterossexual. Mas fica a referência: há um filme chamado Piranhaconda. Eu desconhecia-o até saber disso (duh!). E posso dizer que a minha vida não tornou a ser a mesma.

Já agora, aproveitando o filão, sugiro aos produtores do Piranhaconda filmes que joguem com conceitos como:

Uma equipa de antropólogos vai numa pesquisa a África e é atacada por um ser metade gorila, metade girafa. Filme? Girila!

Jogadores do Sporting vão de estágio até à Índia e são atacados não pelo Sunnil Chetri mas por um animal que é metade tigre e metade chamuça. Filme? Timuça!

Uma turma de adolescentes de 17 anos está muito bem num acampamento de verão quando de repente surge a ameaça de um bicho que é metade Sílvio Berlusconi e metade Justin Bieber. Filme? Biebeconi!

Enfim, as possibilidades são infinitas. Bom fim-de-semana e evitem ser atacados(as) por um Emplaco, um animal que é metade Emplastro e metade Cavaco. Olha, isto até dava para mais um filme...

quinta-feira, março 14, 2013

Sobre a eleição de um Papa argentino

o Mourinho já veio dizer que prefere o D. José Policarpo, porque é melhor e mais completo.

terça-feira, março 12, 2013

As primeiras palavras do meu filho

"Mamã", "papá", "cão", "oiá".

Portanto, não foi, apesar de tantas insistências da minha parte, "Wolfswinkel".

Estarei a falhar enquanto pai?!?!

segunda-feira, março 11, 2013

Receitas do Peter of Pan: Tofu e ovos mexidos

Mais uma receita publicada neste blogue, porque é meu e porque me apetece.

Tofu e ovos mexidos

Ingredientes:
Tofu (claro! Já se viu uma receita intitulada "Tofu e ovos mexidos" não ter tofu?!)
2 ovos (ver o item anterior)
1 ou 2 dentes de alho (dependendo do quão horrível querem ter o vosso hálito)
½ ou 1 cebola (ver o item anterior)
Azeitonas

1 Tomate
Salsa
Cogumelos
Milho
Sal
Pimenta
Azeite
Gotas de limão

Número de pessoas:
2

Preparação:

Com um garfo, esfarelar o tofu e deitar numa tigela. Mas esfarelar bem, não estejam cá com paneleirices. Dêem no tofu com força. Espatifem-no! Ele até gosta. Juntar sal, pimenta e umas gotas de limão. Reservar. Partir dois ovos para outra tigela. Mexer bem até a clara e a gema ficarem indistintamente misturadas. Reservar. Picar um dente de alho, uma cebola e um tomate. Atenção, não é dar uma ou duas facadas e pensar que isto equivale a picar. É picar mesmo, a sério. Estás a ler isto, Relvas? É que o comentário é sobretudo para ti.... Juntar esta treta toda à tigela do tofu. Envolver. Pegar em 5 ou 6 azeitonas, tirar os caroços e cortar finamente. Cortar finamente também os cogumelos. Picar salsa a gosto, como quem picasse o Godinho Lopes, e juntar tudo ao tofu. Acrescentar ainda milho. Envolver tudo outra vez. Se já estão fartos de envolver, o problema é vosso. Pior é ter de assistir às vitórias do Benfica e do Porto, enquanto o meu Sporting não fode nem sai de cima.
De seguida, untar uma frigideira com azeite. Levar ao lume. Quando a frigideira estiver quente, deitar o conteúdo da tigela do tofu. Ir mexendo. Adicionar os dois ovos. Envolver. Ir sempre mexendo até a coisa ficar com um aspecto mais ou menos comestível. Aqui chegado, é altura de empratar.
Pode servir-se com umas fatias de pão torrado.

E pronto, aqui ficou uma receita vegetariana, fácil e rápida de fazer, com diversidade quanto baste e amplamente saborosa. Lá em casa, todos gostaram, até o petiz.
 

sábado, março 09, 2013

Olha que afinal isto da religião se calhar é verdade

O conclave dos cardeais tem o seu início marcado para 12 de março, a próxima terça-feira. E hoje vieram notícias a dizer que o concerto de Justin Bieber também marcado para esse dia em Lisboa foi, afinal, cancelado.

Pronto, acho que isto é prova suficiente para mim. Deus existe. Afinal andei enganado todos estes anos. Agora só quero é saber em que raio de religião devo inscrever-me. Aceito sugestões...

sexta-feira, março 08, 2013

Da série: Deus não existe, mas castiga

O popó do "#$"$# do Liédson incendiou-se após um acidente...

Normalmente não sou daqueles de ficar satisfeito com os azares dos outros, mas neste caso... AHAHAHAHAAHAHAHAHAHAHA! Embrulha, meu pancrácio! Ficaste com o cu a arder, não ficaste?! Deves ter borrado o teu fatinho de treino com o cagaço, não foi?!?! Ontem nem o conseguiste levantar, aposto... Toma, mercenário! Lambão! Moutinho! Hipócrita! BUMMMMMM! Tiro no BMW! Vai brincar com carrinhos da Lego. Pede boleia ao Izmailov. Palhaço!...

Um bom fim-de-semana a todos.

quinta-feira, março 07, 2013

Confluência de interesses: Benfica e Paulo Portas

O Benfica vai abrir seis escolas na grande potência mundial da chamuça. E Paulo Portas foi para lá ajudar ao negócio. Não, não estou a aldrabar, está tudo aqui, e só não meto uma fotografia do Paulo Portas a exibir uma camisola do clube dos pardalitos personalizada com o seu próprio nome porque este blogue ainda possui uma réstea de bom gosto.

Eu confesso que gosto bastante desta aproximação do Portas ao Benfica. Ou do Benfica ao Portas, que se calhar é o mais certo (parece que ele gosta muito que se aproximem dele). Ter o Paulo Portas como simpatizante do meu Sporting é dos meus maiores desgostos enquanto adepto, bem maior do que estar à beira da descida de divisão. Ver o Portas, portanto, amiguinho dos passarinhos é, para mim, motivo de sorriso. Aliás, o que eu gostava mesmo de ver era o Portas a vestir de encarnado - ele que abomina a ideologia vermelha, diga-se de passagem. Se o Portas vestisse o equipamento das papoilas saltitantes, os jogos do Benfica seriam muito divertidos. Sobretudo se ele jogasse à baliza, com a fama que tem de deixar entrar tudo... era giro, ou não era?

Eu acho que era. Movimento Portas no Benfica, já!

quarta-feira, março 06, 2013

terça-feira, março 05, 2013

O Peter of Pan visita o ISCTE: breve crónica

Compromissos profissionais levaram-me a ter de ir ao ISCTE. Nunca tinha lá entrado, e é isso que me motiva a fazer esta crónica. Primeiras impressões? Instalações simpáticas, embora com uma arquitectura demasiado "norte-americanizada" para o meu gosto. Casas de banho imundas, como seria de se esperar numa universidade. Cantina simpática, com a opção vegetariana, como se exige, embora não tenha percebido a ausência de bebidas alcoólicas: separar estudantes universitários e álcool parece-me uma medida da maior gravidade, é como separar uma mãe dos seus filhos. 

Bom, mas aquilo de que quero mesmo falar é das pessoas. Preocupou-me não ver muitas gajas boas. Se o ISCTE é uma universidade mais virada para os pirilaus, não sei, mas foi isso que aparentou. Porém, ganhar-se-ia muito se as poucas gajas que lá andassem fossem jeitosas, e pela observação que pude fazer não o são. O rácio de pirilaus para gajas deve andar nos 70/30, e destes 30, o rácio de gajas boas para trambolhos anda nos 20/80. Espero que tenham percebido esta contabilidade, ou então chamem o Vítor Gaspar... e ficarão a perceber ainda menos.

Mas mais do que a franciscana presença de gajedo, o que me causou - devo dizê-lo nestes termos - repulsa foi o número de estudantes que se dirigiam para o ISCTE de fato e gravata! Achei chocante, achei desonesto, achei uma merda! Nunca tinha visto tantos estudantes de fato e gravata numa faculdade que não fosse a Católica ou a Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. E não percebo o porquê: está bem que o ISCTE é, como o acrónimo designa, de Ciências do Trabalho e da Empresa (o que quer que esta gaita seja!...) mas tenho dificuldade em perceber, salvo se forem gestores multimilionários (o que desde logo levantaria a questão: o que é que estão então a fazer na universidade?!?), o porquê de simples estudantes andarem de fato e gravata.

Devo aqui fazer uma declaração de interesses: detesto fato e gravata. É uma indumentária que simboliza estatuto e hierarquia, logo um anarca como eu cospe, urina e defeca numa tal natureza. Fato e gravata são também usados por mafiosos e banqueiros (faço aqui a distinção entre uma e outra categorias apenas porque me apetece; em bom rigor, está para ser revelado cientificamente o que diferencia um mafioso de um banqueiro), o que é mais uma razão para eu passar para o outro lado da rua quando vejo alguém assim vestido vir na minha direcção.

Ora, dito isto, a opinião que eu tenho de um estudante, portanto, alguém que está a fazer o seu percurso enquanto pessoa-pessoa e enquanto pessoa-utilitário, a opinião, dizia, que faço de um estudante vestido de fato e gravata é a de um cabrãozinho armado ao pingarelho. Ainda me lembro da primeira vez que vi um estudante de fato e gravata na universidade onde me licenciei: atirei-lhe com uma tradução francesa da Metafísica do Aristóteles ao peito, só para distrai-lo, e depois espetei-lhe meia dúzia de socos na tromba, puxei-lhe a gravata até ele ficar a suplicar por ar e arrastei-o, qual Aquiles arrastando Heitor, pelos corredores da faculdade, emporcando aquele fato de beto. Se gente por perto houvesse, teria certamente sido aplaudido.

A idade, porém, trouxe-me fleuma, e já não executo estes actos de evidente justiça. Mas que ainda me choca ver um estudante de fato e gravata, ai isso choca. E chocou-me ver tantos no ISCTE. Se não voltar lá nunca mais na vida, não perderei nada com isso. E termino com esta frase, que contém quatro negativas. Espectáculo. É uma frase com tanto estilo que deveria vir de fato e gravata.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

Desde que ouvi falar na lasanha de cavalo que só penso nisto

Num toxicodependente a chegar-se ao pé de mim e dizer "Bacano, bacano, orienta aí uns trocos para eu arranjar lasanha"...

terça-feira, fevereiro 26, 2013

Depois do raio, chegou Deus

Muitos foram aqueles que viram no raio que caiu em cima da basílica de são coiso um sinal de Deus, descontente com a resignação do Bento XVI.


Eu, claro, não vi nada disso, e tal como a imagem (belíssima, aliás) me mostra, vi apenas no raio que caiu em cima da basílica de São Pedro um raio que caiu em cima da basílica de São Pedro, e podem mandar vir uma armada de teólogos ter comigo que não vou dizer outra coisa.

Até porque Deus, quando quer revelar-se, não é no Vaticano. E não manda um raio. Deus, quando aparece, fá-lo em carne e osso (essencialmente, carne... mas não lhe digam nada, que ele é capaz de levar a mal) e é à cidade dos mafiosos que desce, o que de resto me parece fazer todo o sentido. Ei-lo aqui, para regozijo dos fiéis.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Escrita criativa para crianças

Fui convidado por um inimigo a dar uma formação de escrita criativa para putos, num barracão a cair aos bocados numa horta comunitária ali para os lados de Ílhavo. Não me apetecia ir, mas fui porque o Sporting perdera com o Estoril e isso dava-me ganas de torturar alguém e a mim próprio. Transcrevo aqui os resultados da sessão.

Escrita Criativa para Putos: uma formação Peter of Pan.


Objectivo: escrever uma redacção em português corrente e contendo os seguintes conceitos: esfíncter, à bruta, idiota, Miguel Relvas.

Textos apresentados ao formador.

1) Texto apresentado por Joana Piegas, 9 anos. Sonha ter um dia dinheiro para comprar uma mala Chanel e espetá-la nas trombas da Pepa.

Gosto muito de passear pela praia com a minha mãe e o meu pai. Não gosto muito que o meu irmão vá, porque ele é muito estúpido e tem sempre ranho a sair do nariz. A minha mãe diz que gosta muito do Miguel Relvas, já o meu pai acha-o um idiota e gostava de lhe rebentar o esfíncter à bruta. Eu não sei o que isso é, mas deve ser bom porque o meu pai ri-se muito, a minha mãe também e o meu irmão começa a chorar. Quando for grande, vou pedir que me rebentem o esfíncter à bruta.

2) Texto apresentado por Filipe Gaspacho, 11 anos, o seu desejo é ter um action man que faça a folha aos colegas que lhe batem na escola.

Não sei quem é o Miguel Relvas, porque não vejo televisão, porque o meu pai não deixa, porque a minha mãe só quer ver telenovelas, porque diz que a vida dela é muito infeliz, e o meu pai depois bate-lhe, porque diz que ela é idiota, e a minha mãe responde que o meu pai é frouxo e gosta de meter coisas no esfíncter, e o meu pai bate com mais força, e a minha mãe pergunta se é só aquilo que ele tem para dar, e então o meu pai diz que agora vai ser à bruta, e a minha mãe esconde-se na cozinha e fecha a porta, e o meu pai dá pontapés e consegue abrir a porta, não sei se a televisão tem coisas destas, só sei que depois ficam todos cansados e eu vou-me deitar. Gostava de ter um action man.


3) Texto apresentado por Luís Galo Pinto, 9 anos, quer um dia ser bombeiro no Pólo Norte.

Eu não era para estar nesta aula de escrita criativa, mas os meus pais queriam passar a tarde a fazer amor e não tinham onde me deixar. Então vim para aqui, onde o formador pediu que eu fizesse uma redacção com as palavras esfíncter, à bruta, idiota e Miguel Relvas. E eu fiz. Já está!


4) Texto apresentado por Susana Amplexo, 10 anos, gostava de ser um continente.

Essa canalhada da direita merece todo o mal que lhe suceda. O conservadorismo atroz daquelas mentes, aliado a um neo-liberalismo económico de pacotilha, mas auto-contraditório devido a sustentar-se nos subsídios estatais, atente-se nas ajudas concedidas à banca, deveria provocar de imediato um levantamento da população. As sociedades modernas devem gerir-se por outro género de valores, não aqueles que essa canalha publicita. Eu tenho 10 anos apenas, mas percebo bué desta merda, e o que me apetecia era pedir aos jogadores de râguebi da Samoa para pegarem no idiota do Miguel Relvas e lhe estourassem o esfíncter à bruta, que era para ver se ele deixava aquele sorrivo parvo e aprendia a cantar o Grândola, Vila Morena. Quero ainda aproveitar estas linhas para escrever que o Justin Bieber é lindo de morrer. Justin 4ever, love you.

No fim de contas, o evento acabou por ser um sucesso. Já estou a pensar no próximo, em que vou exortar à elaboração de um escrito com não menos de 5 páginas que andem todas à volta das maneiras como podemos grelhar no espeto benfiquistas e portistas.

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Direito de contraditório: o Piolho

Refastelado estava eu a tomar o pequeno-almoço quando aparece num canal qualquer de notícias um senhor muito indignado com os piolhos, porque eram uma praga, porque davam cabo do couro cabeludo, porque eram pouco higiénicos, porque destruíam as cabeças das nossas crianças, porque isto, porque aquilo. Por mim, tudo bem, mas achei de muito má fé ninguém do canal se ter dignado a falar com um piolho, no sentido de auscultar a sua opinião. Gostam todos muito de falar em direito de resposta, em contraditório, em debate saudável e tudo isso, mas na prática é o que se vê.

Pois eu, que sou muito democrático e gosto de saber as diferentes perspectivas, além de ter uma inclinação para me colocar do lado daqueles que são visceralmente atacados, desde que os atacados não sejam americanos, portistas, benfiquistas e votantes do PSD e do CDS, tudo grupos que merecem ser massacrados de todas as maneiras e feitios, ora, dizia eu que gosto de confrontar os vários pontos de vista, pus-me a caminho e fui entrevistar um piolho. Cá fica a reprodução da conversa altamente produtiva que tivemos.

- Senhor Piolho, bom dia. Penso poder tratá-lo por senhor Piolho, certo?
- Olhe, se quer ser mais exacto, terá de tratar-me por doutor Piolho, pois eu tenho um doutoramento em Antropologia Piolhística pela Universidade Técnica da Seborreia.
- Está bem, doutor Piolho. Já agora, para os que desconhecem, onde fica essa universidade?
- Lá está, é típico de vocês humanos o quase total desconhecimento da vida dos piolhos. A Universidade Técnica da Seborreia é das universidades piolhosas mais conceituadas, estando no 2º lugar do ranking feito recentemente pela consultora LENDEA. Localiza-se no couro cabeludo de um jovem mineiro africano do Serenguéti, Jonah Appiah. Isto o campus, pois o edifício da reitoria teve recentemente de ser mudado para a Nova Zelândia, numa política de expansão da universidade, e ocupa agora a cabeça de uma menina de 5 anos, cujo nome não recordo de momento. Está a apostar-se no futuro, é o que é, e espera-se que toda a universidade seja deslocalizada para a Oceania num prazo não superior a 3 anos.
- Bom, agradeço a sua explicação tão rigorosa. Mas vamos a questões mais prementes.
- Vamos!
- O que lhe pareceu o bloco noticioso hoje relatado na RTP1, em que os piolhos foram claramente atacados?
- Olhe, este é um problema que se repete há já muito tempo. Há uma clara discriminação dos seres humanos face a nós, piolhos. Somos malquistos há séculos, para não dizer milénios. É uma perseguição, uma afronta... olhe, é uma merda!
- Mas diga-me, doutor Piolho, como reage às acusações de parasitismo e destruição do couro cabeludo dos humanos?
- Calúnias. Tudo calúnias! Os piolhos não pretendem o fim da massa capilar. E se sugam o sangue de humanos, é porque não é fácil encontrar alimento num ambiente tão pouco próspero. Tudo o que os piolhos querem, tudo o que os piolhos desejam, é tranquilidade e levar as suas vidas calmamente, cuidar das suas lêndeas, enfim, tudo propósitos pacíficos. Mas como respondem os humanos? Com champôs, com pentes finos, com produtos químicos que arrasam colónias inteiras. Ainda se fôssemos nocivos como a caspa, essa sim, uma espécie horrível e que merecia o extermínio, agora nós?! Não há direito.
- Porém, doutor Piolho, tem de reconhecer que a vossa presença causa algum desconforto nos indivíduos hospedeiros...
- Isso são inverdades, falsidades e mentiras!
- Como assim? Nega a comichão? O mau aspecto que causam aos cabelos? A transmissão de doenças, em casos extremos?!
- Falso, falso e falso! O piolho não faz mal a ninguém. O piolho é um bom piolho. O piolho é um ser pacífico e ordeiro. O piolho não merece a má fama que tem.
- Pronto, e ficamos por aqui hoje. Muito obrigado, doutor Piolho, por ajudar a esclarecer algumas questões que rodeiam a piolheira.
- De nada. Já agora, não conhece ninguém com o cabelo para alugar? É que eu e a minha família já estamos fartos da cabeça do Miguel Relvas...

Foi isto. Um dia, ainda entrevisto um tal de treponema pálido.

terça-feira, fevereiro 19, 2013

Erros que um gajo comete: mostrar videos de Harlem Shake à gaja

Eu: Gaja, já alguma vez viste clipes de Harlem Shake?
Gaja: Eu?! Eu não! O que é isso? Alguma coisa com pretos?!
Eu: Não. É tipo uma flash mob, mas não tem nada a ver com flashes mobes. Mete aí no Youtube que eu mostro-te.

E assim se fez. 20 minutos e vários videos visualizados depois, eis o veredicto: 

Gaja: Mas... mas... mas...
Eu: Giro, não é?!
Gaja: Mas... mas... mas que maluquice estúpida é esta?!
Eu: Então, são uns gajos a dançar, mas sem as paneleirices das flash mobs. O tema é sempre o mesmo e os motivos também mas o divertido está na variância que se obtém a partir de uma estrutura bem consolidada, olha lá novamente para aquilo, é sempre um gajo a dançar timidamente, depois há um corte e pimba, abandalha tudo. Fixe, não é?!
Gaja: Tu és doido, esta gente é toda doida e o mundo está irremediavelmente perdido. E se comparas isto a uma flash mob, nem sem mais o que dizer.

Resultado e conclusão: mais um prego no meu caixão. Se a gaja já duvidada da minha sanidade há muito, agora estou irremediavelmente condenado ao desdém. Recuperar disto, nem com 300 dias seguidos a brindá-la com jantares à luz das velas.

Já agora, fiquem com a estúpida cereja no topo do estúpido bolo: alguém editou imagens para fazer um Harlem Shake Sporting, aqui:





Eu ri-me...

segunda-feira, fevereiro 18, 2013

O que se passa com os materiais?!

Já todos ouvimos falar do conceito de "fadiga dos materiais". E todos sabemos, por via do bom senso, que um exemplar de um objecto que seja bastante usado desgasta-se mais rapidamente do que um exemplar do mesmo objecto que seja menos usado. Isto devia ser científico, certo?

POIS NÃO É!!!!!! É um logro. A tese da fadiga dos materiais não está correcta, e o bom senso não é bom nem senso. A minha experiência de utilizador de materiais tem revelado aspectos bem diferentes. Vejamos:

- Calçado. Todos os meus ténis, sapatos, chinelos e até as minhas mais recentes pantufas desgastam-se primeiro no pé direito do que no esquerdo. Até aqui tudo bem, se eu fosse destro, mas o coiso é que eu sou canhoto. Canhoto! Portanto, utilizo com muito mais frequência e brutalidade qualquer peça de calçado que assente no pé esquerdo do que a que assenta no pé direito. Pontapés em qualquer merda? Pé esquerdo. Abrir e fechar portas quando as mãos estão ocupadas (e quando não estão também. Gosto de desafios)? Pé esquerdo. Dominar um prato ou uma caneca que caem e se preparam para estilhaçar no chão? Pé esquerdo... e uma corrida ao armário das pomadinhas. Tudo pé esquerdo. Então por que diabos as minhas pantufas estão rotas na biqueira e no calcanhar direitos, enquanto a pantufa esquerda está próxima de imaculada? Por que tenho um par de sapatos a ficar sem sola... no sapato direito? Por que tenho uns ténis de jogar à bola rotos do lado direito do pé direito? Expliquem-me lá estas merdas, senhores! Expliquem-me!

- O meu próprio corpo. Já disse que sou canhoto, certo? Portanto, uso mais a mão, o braço, o pé e a perna esquerdos do que os seus especulares direitos. Porém, tenho uma bruta cicatriz nas costas da mão direita fruto de uma queimadela no fogão, tenho o ombro direito em frangalhos por estar constantemente a deslocar-se, dói-me o joelho direito com frequência e ontem torci o pé direito. Ou seja, o lado direito do meu corpo está em muito piores condições comparado ao lado esquerdo, sendo que este é muito mais utilizado e sofre bastante mais do que a contraparte direita. Expliquem-me lá estas merdas, senhores! Expliquem-me!

Portanto, quer-me parecer que ou a teoria da fadiga dos materiais não está bem explicada, ou então há uma conspiração esquisita que tem em mim o seu alvo. Qual das alternativas está certa, desconheço. Mas que isto é tudo estúpido, lá isso é.

sexta-feira, fevereiro 15, 2013

Golpes abaixo da cintura

Ontem, 14 de Fevereiro, foi um dia divertido. Para os distraídos, foi dia de São Valentim, o que significa que muitos só queriam saltar para a cueca de muitas, e muitas só queriam o conteúdo das cuecas de muitos. O ex-secretário de Estado da Cultura, o escritor Francisco José Viegas, garantiu que mandaria os fiscais irem tomar no cu se algum dia for abordado para demonstrar pedidos de factura. E o atleta paralímpico Oscar Pistorius, famoso por correr sem pernas, baleou a sua namorada. Portanto, lá está, os principais assuntos do dia de ontem andaram todos à volta de coisas que se passam abaixo da cintura. Foi engraçado e refrescante, acrescento eu.

Já agora, deixo-vos um apanhado das melhores piadas negras sobre o caso Pistorius. Umas são de minha autoria, outras encontrei-as no Facebook de amigos.

Aquilo era uma relação que não tinha pernas para andar.

Há já muito tempo que o Pistorius desejava correr com a namorada.

A versão que o Pistorius contou é falsa, mas facilmente se descobrirá a verdade, pois a mentira tem perna curta.

Ele matou a namorada porque esta andava a trai-lo com um gajo com uma prótese maior que a dele.

Estava visto que o Pistorius não tinha pernas para a namorada.

Espetou-lhe tiros porque não era homem para lhe dar com os pés.

Depois de matar a namorada, Pistorius ainda quis dar à sola, mas já não tinha força nas pernas.

Enfim, há gente mesmo cruel. Não podem ver uma tragédia que inventam logo piadas.

quinta-feira, fevereiro 14, 2013

A resignação do Papa: interpretações do Peter of Pan

Já Nietzsche dizia que não há factos, só interpretações. Mas ele era parvo, basta ver que nunca foi capaz de aparar o bigode em condições. O Vaticano, contudo, é muito nietzschiano nisto dos Papas. Não interessa o que acontece, ou seja, não interessa o que os factos são: o que interessa é o discurso que se desenvolve em torno dos factos, como se fossem umas vestes cardinalícias que atraem o olhar e impedem de ver que, por baixo de tais vestimentas, o rei vai nu.

Para o Vaticano, beatos, Joões Césares das Neves e betalhada, a continuidade de João Paulo II no cargo, mesmo contra vontade própria, foi "um acto de grande dignidade e coragem". Para o Vaticano, beatos, Joões Césares das Neves e betalhada, a renúncia de Bento XVI do cargo foi "um acto de grande dignidade e coragem". Estão a ver como não há factos, só interpretações?!? Não importa o que o gajo do barrete diz ou faz, tudo é "um acto de grande dignidade e coragem". Um papa todo podre é forçado a continuar papa? É digno e corajoso. Outro papa todo podre decide abandonar o papado? É digno e corajoso. Aposto que se o Papa discursasse na praça de São Pedro algo como "esta manhã, larguei um tijolo, daqueles duros. Mas não chorei", os fiéis todos seriam unânimes na análise às palavras do sumo pontífice: "um acto de grande dignidade e coragem". E se calhar, aqui até teriam razão...

Já ouvi dizer que o próximo Papa poderá ser negro. O que terá a sua piada, por várias razões. A primeira é que as vestes brancas do Papa assim combinarão melhor, e os fiéis até podem imaginar um jogo de xadrez sempre que virem o Papa. A segunda é que um sumo pontífice negro é mesmo fixe para chatear os católicos racistas... que são a maioria, diga-se de passagem. E aí será giro observar os discursos dessa gentalha. Sempre que o Papa fizer alguma coisa, aposto que os comentários andarão nisto: "um acto de grande dignidade e coragem... daquele preto d'um cabrão!" Por último, um Papa de cor transformará o acto de aclamação numa cerimónia mais divertida. Em vez dos habituais coros sacros, vai uma kizombada. E o cardeal responsável por apalpar a genitália do Papa, para comprovar se é homine, sairá de lá com as mãos cheias. Literalmente...

quinta-feira, fevereiro 07, 2013

História Manhosa da Filosofia: Alegoria da Caverna no Casal Ventoso

Sócrates: Ó bacanos, topem lá esta cena. Imaginem uns gajos, pá, que estão tipo numa caverna desde putos, presos por correntes e o catano, e não podem virar a cabeça nem nada, por isso só vêem o que está mesmo à frente daquelas trombas. E há uma luz que vem de trás e projecta sombras na única parede que eles vêem. Estão a topar?

Glaucon: Fónix, Sócrates, ganda moca com que tu estás. Andaste na branca, andaste...

Sócrates: Chiu. Deixa-me continuar, pá. Entre a luz e os bacanos presos, há um caminho que dá para a saída da caverna, e por esse caminho passam uns chefes que orientam cenas para aqui e para ali.

Glaucon: Pá, isso é bué marado. Que cena mais estranha e que prisioneiros mais estranhos.

Sócrates: F*da-se, cala-te! Eles são como nós, porra!

Glaucon: Quê, também são agarrados?!?!

Sócrates: Ai o c... Pá, quem é que trouxe este gajo para o nosso grupo?!

Trasímaco: Foste tu, Sócrates, da última vez que pediste chamon aos sofistas de Chelas.

Sócrates: Yá, tipo, já me lembro... 'Tava cá com uma bezana nessa noite... Vá, deixem-me continuar. Então, os bacanos presos a única coisa que vêem são as suas sombras e as sombras de quem passa na parede que têm à frente das trombas, topam? É que não podem ver mais nada, 'tão a curtir?

Glaucon:
Muita marado, men. Eu tive uma cena assim da última vez que chutei heroína. O Alcibíades e o Crítias passavam à minha frente, por trás, ao lado, mas eu só via elefantes cor-de-rosa.

Sócrates: Ó pá, f*da-se... mas o que é que essa merda tem a ver com o que estou a contar, porra?!?!?! Ó Platão, tira-me este gajo da frente! 'Pera aí... Ó Platão, o que é que estás a fazer, c*ralho?!?!

Platão: 'Tou aqui a escrever essa história, Sócrates.

Sócrates: Hã?! Fosga-se, és muita estúpido, meu. Deves estar pouco drogado, deves... olha lá, essas folhas em que escreves são para orientar umas mortalhas, minha ganda besta. Se queres guardar o que estou a dizer, vai buscar um telemóvel e passamos depois a conversa para mp3, c*ralho. Agora folhas?!? Mas vocês são todos otários?

Glaucon: O Platão não sabe fazer gravações de voz no telemóvel, ó Sócrates.

Platão: Ih, o filho de uma ganda puta... Isso é mentira! Vou-te aos cornos, cabrão!

Lísias: Eh, c*ralho, agora é que 'tá tudo f*dido. É o que dá tentar dialogar com agarrados. Chuta-lhe os colhões, Glaucon!

Sócrates: Pá, f*da-se, acabou-se, calem-se todos, vou mas é para casa snifar. Chatos d'um cabrão. Só dão vontade é de um gajo beber cicuta, filhos da puta.


FIM

quarta-feira, fevereiro 06, 2013

O trabalho liberta mas é o c...!

Atolado de trabalho como ando, tenho tido menos oportunidades para actualizar o blogue, situação que se arrasta há algum tempo. Lá está, com mais tempo dedicado ao trabalho, é menos tempo que dedico a pensar e fazer parvoíces, e se alguns acham isto bem, eu acho bastante mal, pois a parvoíce deve ser cultivada e regada como se cultiva e rega uma couve. Pronto, esta comparação foi um bocado parva, mas fi-la só para não perder muito o hábito.

Pior do que ter menos tempo para pensar em parvoíces, incluindo o Sporting, é ter menos tempo para pensar em mamas. Se noutras alturas da minha existência eu pensava em mamas numa média estimada em 93 vezes por segundo (cálculos feitos pelos cientistas da NASA, portanto verosímeis), agora esses números caem para umas vergonhosas e infames 42 vezes por segundo. E isto, sim, é grave! É menos de metade! E ainda há quem se preocupe com Portugal poder não atingir do défice de 4,5% com que se comprometeu com a Troika... O meu problema é muito mais sério, caramba! Porque traz uma consequência horrível e um efeito bola-de-neve: ao reconhecer que penso menos em mamas, fico preocupado com o que fazer para pensar mais em mamas, e ao preocupar-me por pensar mais em mamas, deixo de pensar em mamas elas próprias. É um círculo vicioso, esta gaita!


segunda-feira, fevereiro 04, 2013

Post dedicado ao Fernando Ulrich

Era pegar em meia dúzia de indianos e violar-te como fizeram àquela rapariga do autocarro. Se ela aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era dizer que és bruxo e chamar a inquisição espanhola para "tratar" de ti. Se os europeus dos séculos XV ao XIX aguentaram, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era cortar-te a picha com um saca-rolhas. Se o Carlos Castro aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era enforcar-te diante de uma multidão como o fascista que és. Se o Mussolini aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era marcar-te com a estrela de David (seria irónico, um Ulrich acusado de semita), pôr-te num campo de concentração dirigido por um nazi reles e esperar que te mandassem para o forno. Se os judeus aguentaram, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Era arrastar o teu cadáver pelas praias de Tróia, a turca, durante um bom pedaço de tempo. Se o Heitor aguentou, por que é que tu não aguentas? Ai aguentas, aguentas...

Raio que te parta, ó meu cabrão de um cabrão...

quinta-feira, janeiro 31, 2013

Conversa de velho: os interesses das novas gerações

Basta passar por qualquer lugar onde os adolescentes e os jovens adultos se reúnem para perceber: nada é como dantes. As roupas e os modos são diferentes do meu tempo. Mas mais diferentes são as conversas e os interesses. E isto choca, porque eu quando ouço um grupo de indivíduos dos seus 17 a 22 anos na galhofa, sinto-me velho, muito velho. Porque aquilo de que eles falam nada tem a ver com aquilo de que eu e os meus pares falávamos aquando dos nossos ajuntamentos. Basicamente, as novas gerações falam de nerdices. Sim, nerdices. É o telemóvel para aqui, é o tablet para ali, é o televisor com LCD e a ligação a montes de canais dos quais eles não vêem porra nenhuma, porque preferem estar ligados à Internet a jogar Diablo III e merdas desse género. Nada a ver, portanto, com as conversas saudáveis que a minha geração era capaz de manter, e que NUNCA andavam à volta de nerdices e sim em torno de três assuntos quase sempre presentes, a saber:

1 - BOLA. Falar de bola era inevitável, em particular nos encontros que se desenrolavam às segundas-feiras. Os comentários à jornada que tivera lugar no fim-de-semana anterior eram, muitas vezes, acesos. Mas tudo de uma forma inteligente e salutar, desde que não se ultrapassasse a fronteira da decência. Por exemplo, quem resolvesse, no meio da discussão sobre um Sporting - Boavista, falar da responsabilidade do primeiro-ministro Cavaco Silva na decadência dos relvados portugueses, era logo cilindrado com um paralelepípedo nos cornos. Sim, pode-se cilindrar com um paralelepípedo, não venham cá com tretas, querem ver que vocês são todos uns geómetras, não?!

As gerações hodiernas já não têm disto. Se falam de bola, é só sob pretexto. Por exemplo: "Ih, ó Zuca, viste a joga de ontem? Não?! Então eu mostro-te os principais lances aqui no meu smartphone. Já conheces as características do meu smartphone? Não? Então, tem [DESCRIÇÃO CENSURADA PELO AUTOR DESTE BLOGUE]".

2 - MAMAS. Se havia assunto que nos levantava o moral, e aqui moral não é metáfora para órgão sexual, esse assunto eram as mamas. Mamas, pá. Havia sempre que falar em mamas. As mamas das nossas profes. As mamas das nossas colegas. As mamas das nossas vizinhas. Adolescente e jovem adulto que era adolescente e jovem adulto andava sempre com conversas de mamas. E havia toda uma fenomenologia associada, pois nós abordávamos as mamas de vários pontos de vista. Eram os bicos, que podiam ser assim e assado, eram as curvinhas, eram os lados, eram as suas respostas ao toque e ao paladar, enfim, tudo o que pudesse caber debaixo da apreciação da mama na óptica do utilizador era abordado. Sem pudores e sem subterfúgios.

Uma vez mais, as gerações hodiernas já não têm disto. Se falam de mamas, é só sob pretexto. Por exemplo: "Ih, ó Cajó, topa-me as mamas desta garina aqui no meu tablet de [DESCRIÇÃO CENSURADA PELO AUTOR DESTE BLOGUE]. Mesmo fixe, iá?! O bacano do fotógrafo manda memo bué no Photoshop, parece eu quando retoquei as fotos do [HISTÓRIA DA TRETA CENSURADA PELO AUTOR DESTE BLOGUE]".

3 - EMPIRISMO INGLÊS. Se não estávamos a falar de mamas ou de futebol, o que era raríssimo, acrescento, as nossas conversas elevavam-se um poucochinho para dissertarmos sobre a importância das concepções de um Locke, de um Berkeley, de um Hume. Dialogávamos sobre a possibilidade de virmos todos ao mundo como tábuas rasas, e era a negação desta possibilidade, ou seja, o facto de nós já nascermos a saber umas merdas, que utilizávamos como argumento para nos baldarmos às aulas, aproveitando assim tempo precioso para jogar à bola e ver revistas de mamas.

Repetindo-me, as gerações hodiernas já não têm disto. Nunca as ouvi falar sobre empirismo inglês. Quanto muito, fazem uma ou outra alusão ao idealismo alemão, mas só naquela. Por exemplo: "Ih, ó Mané, curtiste o video do Youtube que te mandei ontem com um bacano a dropar uns vagalhos e que parecia o Kant a criticar as aspirações metafísicas da razão humana? Aquela cena, tipo, tinha buéda likes. Fui eu que filmei com a minha máquina de [REFERÊNCIAS ESTÚPIDAS A MEGAPÍXEIS E O CARAÇAS CENSURADAS PELO AUTOR DESTE BLOGUE]".

Tudo isto dá pena, é o que vos digo. Tudo isto dá pena. E fazem-me sentir velho...

quarta-feira, janeiro 30, 2013

Com companhias destas ao almoço, o melhor é passar fome

Azares do destino colocaram-me hoje junto de três tiazorras, daquelas que um gajo só tem vontade de lhes mandar um pontapé naquelas cabeçorras, três tiazorras, dizia eu, que só falavam das suas aventuras no ginásio. "Ah ah ah, veja lá, uma vez sofri um desmaio depois de vir da sauna, ah ah ah, que chiquérrimo", dizia uma. "Ah ah ah, então ó minha amiga, sei lá, pois eu nunca faço sauna, prefiro banho turco, ah ah ah", dizia outra. "Ah ah ah, eu houve um dia em que dia tropeçando a fazer stepping, ah ah ah", dizia a terceira. E mais isto, e mais aquilo, e nhé nhé nhé nisto, e renhó renhó renhó naquilo...

E eu com cara de parvo a comer o meu tofu com arroz à pressa, tanta pressa que fiquei com alguns bagos colados às calças, junto da braguilha, é dizer, da picha. Devo dizer que foi das refeições que mais me custaram na vida, e nada tem isto a ver com o preço, o qual é até muito em conta. Mas nada compensa ter de aturar canalhada desta estirpe. Preferia ter como comensais, ora deixa cá ver, gente manhosa como um Miguel Relvas, um Reinaldo Teles, um Al Capone, mesmo em decomposição. De certezinha que teriam diálogos menos indutores de vazio existencial. 

Não há pachorra para as tias, livra!

(ah, e já comi os bagos de arroz que trazia colados às calças. Fora daquele ambiente execrável, até nem souberam mal)

terça-feira, janeiro 29, 2013

E proibir a vossa estupidez, não seria uma ideia mais porreira?!?!

O jornal I deu ontem a notícia de que a Opus Dei, uma Opus bem mais gay do que a Opus Gay, fabricou uma lista de livros proibidos. Esta gente, ressabiada com o fim do Estado Novo em Portugal e da Inquisição na Europa, deve querer festa, deve... É engraçado como são estas as mesmas pessoas que defendem acirradamente padres que abusam sexualmente de menores... mas livrinhos não, ui, livrinhos não pode ser, ai que mal que fazem, ui, O Crime do Padre Amaro fomenta a discórdia no médio Oriente, ai ai, O Evangelho Segundo Jesus Cristo é responsável pela crise da zona Euro, e a Aparição causou mais mortos do que a guerra dos Balcãs. Mas fazer uma lista dos padres predadores sexuais, ai, isso não, isso até é bom, logo não se contesta, não se abomina, não se diz uma palavra sobre o assunto, viva a Opus Dei, viva, venham a nós as criancinhas, mas não os livros, ai que pecado.

Era uma entrada do Rinaudo a pés juntos sobre esta gente toda!... Era pegar em maçons, na Opus Dei, nos benfiquistas, nos jesuítas, nos tripeiros, nos illuminati, nos bracarenses e nos rosa-crucianos e mandá-los todos cortar unhas a babuínos.

segunda-feira, janeiro 28, 2013

Espanto, pasmo e surpresa: há anarquistas sportinguistas

Junto do meu local de trabalho, pintaram numa paragem de autocarro um A anarca, aquele A cujos vértices extravasam os limites de um círculo, a tinta verde. Normalmente, este A só vem pintado a duas cores, as cores da bandeira anarca, as cores do AC Milan, as cores do mais famoso romance do Stendhal, as cores do Odivelas FC: ou a vermelho, ou a negro. Mas aquele era a verde, e tive de parar por um bocadinho para me certificar do facto. Examinei bem o A, como se eu estivesse num museu a ver uma qualquer obra-prima. Era mesmo um A. Num círculo. Não havia hipótese de não ser o A anarca. E estava mesmo pintado a verde.

Quase me vieram as lágrimas aos olhos, para espanto de uma velhota que aguardava pelo autocarro que a levasse ao sítio onde as velhotas vão, sítio que eu desconheço por não ser uma velhota. Um A anarca pintado a verde... isso só pode significar que há anarquistas sportinguistas aqui e agora. E que eu não sou o único.

Claro que pode haver uma outra explicação. Bem mais simples. A tinta vermelha e a tinta preta podiam estar esgotadas. Ou a tinta verde ser mais barata. E anarca que é anarca não tem guito, portanto...

Mas não me lixem o emotivismo. Para mim, aquilo foi pintado por anarcas sportinguistas. E crer nisso dá-me alento e faz-me esperar por um mundo melhor.

quinta-feira, janeiro 24, 2013

Revisitando a Idade Média

Os tempos de hoje estão maus, bem o sabemos, mas nada que se compare ao que era antigamente. Na Idade Média, então... bem, aquilo era do piorio. Como é que eu sei?! Tenho um antepassado que viveu nessa época e ele conta-me umas coisas durante as sessões espíritas por mim feitas com o propósito de invocar o espírito do Peyroteo. Eram mesmo beras, as coisas. O estrume fazia as vezes de sais de banho, as batatas ainda não existiam, porque os descobrimentos não haviam sido descobertos, de modos que ninguém comia batatas fritas, a mortalidade infantil era elevada, a violência era o pão nosso de cada dia, e já nem falo nos padres, que tinham por hábito abusar de mulheres e crianças. Nada a ver com os nossos dias, portanto... Hã?! Pois...

O meu antepassado já me narrou umas histórias giras. Por exemplo, uma vez estava ele na aldeia e passa um exército de francos que andavam numa demanda por não se sabe bem o quê. Resolveram estacionar ali, comer e beber à conta e que nenhum dos aldeões piasse! O meu antepassado ainda piou um bocadinho: "Ó senhores francos, que chatos, pá. Nós estamos ocupados a ser explorados pelo nosso senhor feudal, não dá jeito nenhum agora perdermos tempo convosco, não é má vontade nossa, é que hoje ainda temos de levar umas colheitas e sermos chicoteados". O resultado foi levar uma bota na tola. Mas pronto, ao menos queixou-se, como eu o compreendo.

Para as mulheres, então, era tudo pior. O meu antepassado conta histórias escabrosas. Como esta: estava uma jovem a lavar a roupa no rio quando surge um soldado navarro. E deu-se este diálogo, que o meu antepassado decorou palavra por palavra enquanto estava acocorado por detrás duns arbustos a aliviar a tripa:

Soldado: Olá, minha menina. Por aqui sozinha?
Moça: Não me incomode, estou a lavar as vestes de meu pai e de meus irmãos e atrasar-me não posso, senão serei punida com severidade.
Soldado: Oh, que pena. Mas olha, bela fémea, a mim estava a apetecer violar alguém.
Moça: Entendo, viril soldado. Deixe-me só acabar de lavar a crespina do meu irmão mais novo.
Soldado: Eu espero, gentil rapariga.
Moça: Já está. Faça então o favor de me violar. Mas seja rápido, não posso mesmo atrasar-me muito. Já fui violada três vezes hoje e só eu sei como isso atrasa o meu trabalho. E depois o meu pai não acredita. "Inventas sempre essas histórias de violação. Sempre desculpas atrás de desculpas. Ah, por que não saíste um rapaz como os teus irmãos?!", está sempre a dizer-me.
Soldado: Serei rápido, serei. O mesmo já não posso dizer dos meus 200 companheiros que vêm lá atrás.
Moça: Oh, f***-se.

Triste retrato, é verdade, mas as coisas eram como eram. Portanto, há que relativizar sempre a ruindade contemporânea. Por muito que o Vítor Gaspar e o Godinho Lopes se esforcem - e todos sabemos quão bem se têm esforçado - estamos longe da negritude da Idade das Trevas.

Espero que este post vos tenha animado. Até amanhã.

quarta-feira, janeiro 23, 2013

Acróstico dedicado ao governo de Portugal

Depois deste notável caligrama, que me valeu uma Menção Honrosa no Festival de Poesia de Vila Nova de Poiares, eis mais um poema de minha lavra, desta feita um acróstico, com o qual vou concorrer ao Grande Prémio de Literatura e Fabrico de Pãezinhos de Leite da Baixa da Banheira.

Vindo não se sabe bem d'onde
Ão ão ão, ladrou altíssimo
O cão.

Lindo canídeo era
Esperto se revelava
Valente, sem dúvida.
Augúrios bons para simples
Rafeiro.

Não admira que cativasse
As gentes do bairro.

Parecia tudo perfeito
Embora aquela tendência
Inevitável, dir-se-ia,
De cagar nos passeios
Andasse a chatear uma beca.

Se eu não ganhar o prémio com isto, o meio literário português é que ficará a perder.

segunda-feira, janeiro 21, 2013

O grande tema de conversa hoje no meu local de trabalho

Não é o fim de semana desportivo. Nem o temporal. Nem política. Ou o choradinho do Armstrong. É isto:

"Ó Peter of Pan, o que se passou aí em cima?"
"Ó Peter of Pan, o teu cabelo voou com o vento?"
"Ó Peter of Pan, o teu filho andou a brincar aos barbeiros?"
"Ó Peter of Pan, estás mesmo careca!"
"Ó Peter of Pan, andas a fazer quimioterapia?"
"Ó Peter of Pan, onde está o resto de ti?"
"Ó Peter of Pan, eu sou preto mas lembra-te que por dentro sou todo branco"

Fosga-se, é que já não se pode rapar o cabelo...

quinta-feira, janeiro 17, 2013

O mundo é estúpido e a vida não faz sentido nenhum

Vi ontem à noite o site d'A Bola, que continua a dar a notícia, e o facto de ela não ter sido desmentida esta manhã comprova que Deus não existe e o FMI não deveria existir: Liédson está prestes a assinar pelo Porto! Isto abala-me tanto como me abalaria uma hipotética descoberta de que as mamas da Denise Milani, afinal, fossem postiças - seria uma daquelas coisas que alteraria por completo a nossa forma de estar no mundo, pois as referências que julgamos intocáveis demonstrariam na verdade possuir pés de barro. Ou mamas de plástico.

A notícia da ida de Liédson para o Porto é grave para um sportinguista romântico como eu, não só porque o clube dos Corruptos (assim, com C grande, porque a corrupção lá é grande também) insiste em vir buscar gente que está ou esteve ligada a Alvalade, mas porque, neste caso particular, se trata do maior mito que o clube verde e branco teve, talvez, na última década. Se é verdade que a presença do Moutinho no Porto a mim causa raiva, se é certo que Quaresma, Varela e agora Izmailov (que seria um jogador de topo se não houvesse aquele pequeno detalhe de os seres humanos virem equipados com joelhos) não me provocaram mais do que desprezo, a situação do Liédson, que foi só dos melhores jogadores estrangeiros e dos melhores jogadores portugueses que passaram pelo meu Sporting, reveste-se de contornos diferentes. Porque era um mito. Porque era um ídolo. Porque se fartou de marcar golos. Porque era o maior. Porque, como assinalavam as tarjetas pelos vários campos deste país, Liédson resolvia. Se o vir a jogar de azul e branco vestido, vou sentir uma dor no peito.

Culpados? Muitos. Os dirigentes do Porto, para começar. E todos os adeptos que pactuam com as iniquidades e injustiças praticadas por este clube que faz do mercado da fruta a sua maior virtude. Mas culpo também o próprio Liédson, por preferir ganhar bem e ter a possibilidade de ser campeão a ganhar menos bem e a não conquistar porcaria de título algum. Culpo também o Godinho Lopes, claro, que já devia ter ido re-contratar o Liédson há muito. Mas culpo, sobretudo, um certo José Eduardo Bettencourt, que impediu o Liédson de ter o final de carreira que merecia, pendurando as suas chuteiras, como seria obrigatório, no clube onde mais e melhor actuou. Liédson, por uma questão de justiça cósmica, deveria eternizar-se no Sporting. Mas como todos sabemos, o Universo nem sempre actua como deveria actuar. O que é uma merda. Só por causa desta história, o Miguel Relvas devia ser demitido. Porquê?! Porque me apetece, eis porquê...

terça-feira, janeiro 15, 2013

E depois o Português é que é uma língua traiçoeira...

Leio um livro e surge esta frase: "La mediación de Harrington, a la que antes hicimos referencia, carecía de posibilidades de éxito ante posiciones tan enconadas (...)".

Pois. Enconadas. Tive de ir buscar o dicionário. Neste contexto, enconada significa inflamada, o que faz todo, todo o sentido. Portanto, se alguém apanhar um esquentamento depois de ir às meninas, já pode dizer, sem erro, "tenho a picha toda enconada", e assim falará a verdade em dois sentidos, e em duas línguas. Fantástico, não é?! O que vocês aprendem aqui com este blogue...

segunda-feira, janeiro 14, 2013

Mais uma vez, fomos roubados

Passo os olhos e os ouvidos pelas televisões, pelos jornais e pelos discursos na rua, e tudo destaca o jogo de ontem entre Benfica e Porto, como se o grande acontecimento desportivo do dia de ontem não tivesse sido a MAGNÍFICA vitória do Sporting, coroada com dois ESPANTOSOS golos. Aliás, a única forma de celebrar a primeira segunda vitória consecutiva do Sporting nesta época (sim, esta frase está bem construída, não me lixem!), a primeira vitória fora de casa desde... Março? Abril? ajudem-me... e a primeira vitória por dois golos sem resposta seria, estou certo, declarar feriado o resto da semana. Mas não, prefere-se comentar as incidências de um jogo que deveria ter terminado com a expulsão dos 22 jogadores, a derrota das duas equipas e a retirada de 30 pontos a ambas, de forma a restaurar equilíbrio no universo e, mais importante, na Liga Portuguesa.

Neste mundo, anda tudo trocado, é o que é...

sexta-feira, janeiro 11, 2013

Passam o dia a coçar o escroto com a baioneta, dá nisto

Pois, parece que aqui há uns dias o chefe coiso do estado coiso maior das forças armadas coisas condecorou o Alberto João Jardim com a cruz de São Jorge (podia ter sido o trapézio de São Epistolau, era a mesma merda...). Segundo esse tal chefe do não sei quê, a agraciação deveu-se, entre outras coisas - e disse isto sem se rir -, à competência e ao patriotismo do agraciado.

Iá. Competência e patriotismo.

Ficamos assim a saber que ser incompetente afinal é competência e dizer mal de Portugal e dos portugueses afinal é patriotismo.

Bravo! Nem Orwell teria feito melhor...

quarta-feira, janeiro 09, 2013

Ena, ena, ena

Grandes notícias: o Sin City 2 estreia ainda este ano, e entre as actrizes, conta-se nada mais nada menos do que a Crystal McCahill!

E vocês: "mas quem raio é que é a Crystal McCoiso?!" Ignorantes, pá, é o que eu vos digo. Não me interessa aqui estar a falar sobre o currículo da moça. Tenho só isto a dizer, um "isto" que vem essencialmente distribuído em quatro palavras, e que resume toda a essência da rapariga:

PORTENTOSO PAR DE MAMAS!

E basta! Aguardemos pelo filme, então.

segunda-feira, janeiro 07, 2013

Gajas: da próxima vez que me vierem falar de igualdade e respeito entre os sexos, mando-vos uma traulitada!

Que macho valentão não passou já por aquela coisa de ter de reconfortar, com eufemismos, uma cara metade que se julga cheiinha?! Todos nós, com a nossa sensibilidade muito máscula, sabemos o que fazer nessas alturas: quando elas nos perguntam se achamos que estão gordas, respondemos "Ah, não estás nada, é só impressão tua", ou "Ah, eu gosto delas é mesmo assim, mais carnudas", ou "Ah, 'tá calada e põe-te já de quatro!" E elas ficam assim mais confiantes e seguras de si mesmo.

Mas e quando é um homem a procurar este tipo de conforto? Quando é um homem, as mulheres já não acham conveniente usar de sensibilidade. Nem procuram atribuir confiança. São antes curtas, grossas e muitas vezes mal educadas. Vejam só um exemplo, que aconteceu com um grande amigo meu neste fim-de-semana, e por grande amigo quero mesmo dizer grande amigo, não venham cá com histórias do género "este gajo está é a inventar amigos, na verdade o que ele vai contar passou-se com ele", porque se vierem com essas histórias, eu nego tudo e vocês não têm maneira de provar o que dizem:

Ele: Querida, acho que estou a ficar com uma grande pança...
Ela: Pois estás. É enorme! Já me viste isso? Que mau aspecto! Até tenho vergonha de sair à rua contigo.

Vêem?!? Vêem?!? E depois nós gajos é que somos não sei o quê e coiso...

sexta-feira, janeiro 04, 2013

Impressionante

Verifiquei agora que andei meio dia com a braguilha aberta e ninguém me disse nada. Das duas, uma:

Ninguém reparou, porque eu fui bastante discreto e passei o tempo quase todo sentado. Isto abona consideravelmente a meu favor: posso ter sido distraído ao deixar a porta aberta, mas fui inconscientemente esperto ao não chamar a atenção.

A outra hipótese é a de que ninguém quis reparar. E esta não abona nada nada a meu favor. Será que ninguém tem interesse no que está por detrás do fecho das minhas calças? Depois do almoço vou tirar a prova dos nove ao aparecer no meu local de trabalho com a picha ao léu. Se ninguém lançar um olhar, fico preocupado.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

E já está!

A resolução que eu havia definido para 2013

enfardar e emborcar à fartazana
 
 foi liminarmente cumprida! Parabéns para mim. É uma sensação tão agradável ver os objectivos que uma pessoa se propõe a si própria serem alcançados. Muito agradável. Sabe a mel, baunilha e chocolate, mas tudo com um travozinho a ressaca.

Bom ano para todos.

sexta-feira, dezembro 21, 2012

O lado mau da coisa

O mau de o mundo não acabar hoje é que o José Castelo Branco continuará vivo.

quinta-feira, dezembro 20, 2012

Esta é para vos dar que pensar

Definição de "maluquinhos do fim do mundo": gente que, se não fossem as profecias do fim do mundo, sentiria que o seu mundo estava a acabar.

É ou não é esta merda?!?!

terça-feira, dezembro 18, 2012

Nos tempos em que eu era Peter of Pan, o Guru

Ahhhh, lembro-me tão bem... aqui há um ano e meio, fiz um retiro espiritual no Tibete, e não sei por que razão os monges acharam que eu era um gajo tão iluminado que poderia tornar-me um guru por direito próprio. E assim fiz. Durante uns meses, fundei uma comunidade ali para os lados de Reguengos de Monsaraz, onde me dediquei a elevar espiritualmente todos os que comigo vinham ter. E elevei muita gente, devo confessar. Por exemplo, uma jovem discípula que um dia, contemplava eu a majestade do Universo junto de um chaparro, veio pedir-me conselhos:

Jovem discípula: Mestre Pan?
Eu: Sim?
Jovem discípula: Mestre Pan, precisava de um conselho.
Eu: Não precisas nada, pá.
Jovem discípula: Preciso, preciso sim. Há vários assuntos na minha vida que não consigo resolver.
Eu: E eu com isso, porra?!
Jovem discípula: Mestre Pan, como é tão sábio e iluminado, pensei que poderia ajudar-me.
Eu: Está bem. Mostra-me as mamas.
Jovem discípula: Hã?!?
Eu: Mostra-me as mamas, já disse!
Jovem discípula: Mas, Mestre Pan, como vai isso ajudar-me?
Eu: Ah, a ti não sei, mas a mim vai ajudar-me imenso.
Jovem discípula: Então mas...
Eu: Chiu, não interrompas! Quando estão duas pessoas e uma delas pode fazer algo pela outra, mesmo que daí não retire benefício, é moralmente sensato fazê-lo. Portanto, se tu me mostrares as mamas, não vais ganhar nada com isso, mas eu vou. Agora, se tu não mostrares as mamas, nenhum de nós ganha o que quer que seja. Portanto, a boa decisão é mostrares já as mamas.
Jovem discípula: Uau, Mestre Pan. O Mestre Pan é tão sábio...
Eu: Pois sou. Ui, que tetas!

Também me lembro, estava uma tarde simpática, de um rapazola aí com os seus 20-25 anos se dirigir a mim no objectivo de saber a minha opinião sobre umas merdas:

Jovem discípulo: Boa tarde, Mestre Pan. Posso incomodá-lo?
Eu: Fosga-se, o que queres? Não vês que estou a ler a Playboy?
Jovem discípulo: Mestre Pan, eu queria apenas saber qual o caminho para a iluminação...
Eu: Ó pá, vai pró c!#%lho e deixa-me bater uma em paz!!!

Não sei se alguma vez o rapaz chegou a atingir a iluminação. Espero bem que não, porque por causa dele distraí-me e já não consegui servir-me da Playboy. Enfim, lembro-me ainda de uma situação curiosa, que se passou com um tipo já mais crescido, de seu nome Gaspar:

Tipo chamado Gaspar: Mestre Pan? Mestre Pan?!
Eu: Quem és tu, caraças?
Tipo chamado Gaspar: Mestre Pan, chamo-me Gaspar. Disseram-me para vir ter consigo.
Eu: Ora porra. Porquê, diacho?
Tipo chamado Gaspar: Porque eu estou numa situação difícil e acho que não consigo sair dela.
Eu: Olha, hoje estou bem disposto, já li de uma assentada a biografia da Jenny McCarthy, portanto estou disponível para ouvir os teus problemas. Diz lá.
Tipo chamado Gaspar: Sabe, tenho a meu cargo as finanças de um país falido, e não sei como hei-de resolver isto.
Eu: É muito simples. Esse país de que estás a falar deve muito?
Tipo chamado Gaspar: Sim.
Eu: Tem muitos credores?
Tipo chamado Gaspar: Sim.
Eu: Estrangeiros?
Tipo chamado Gaspar: Sim!
Eu: Então olha, fazes assim: tentas renegociar a dívida com esses caramelos. Depois, aumentas os salários aos trabalhadores, para eles poderem consumir, mas atenção, aposta no mercado interno, sobretudo na agricultura. A teres de importar produtos, faz negócios com países cuja moeda esteja num valor inferior ao da tua. Investe nas energias alternativas e diminui a tua dependência do petróleo, porque não se pode confiar nos árabes. Nem no Chávez.
Tipo chamado Gaspar: Sim, estou a anotar tudo. Mais alguma coisa?
Eu: Não, por agora é só. Como te disse, é muito simples. Mas não é nada divertido.
Tipo chamado Gaspar: Como assim, Mestre Pan?
Eu: Não dá gozo. Nem luta. E não é assim que se atinge a pureza espiritual. A pureza espiritual atinge-se através de caminhos espinhosos.
Tipo chamado Gaspar: Ah sim?!
Eu: Sim. E agora vai lá à tua vida.

E ele foi. E tenho a certeza de que daqui a uns tempos vamos ser todos iluminados.

sexta-feira, dezembro 14, 2012

Eu sou, tipo, o Chuck Norris dos vegetarianos

Diálogo à hora de almoço:

Uma estúpida qualquer: Ihhhhh, isso que estás a comer é seitan? Que horror! Não gosto nada de seitan!
Eu: Olha, o seitan também não gosta nada de ti. Nem eu. Ninguém gosta. Já olhaste bem para a tua tromba? Tens a cara de um míssil norte-coreano que rebentou mal. O teu andar faz lembrar o de uma gazela, caso essa gazela estivesse paralítica. E esses trapos que vestes? Conheço muitos sem-abrigo com melhor gosto por vestuário. És estúpida, e o seitan não tem culpa disso.

Não preciso de continuar, pois não?! Não admira que acabe quase todos os almoços a comer sozinho.

terça-feira, dezembro 11, 2012

Caro Sporting:

Maldito sejas. Maldito. Que história foi essa de perderes com o Benfica? Depois de estares a ganhar? Está bem que fomos roubados, porque o árbitro assinalou justamente um penálti claríssimo do Boulahrouz, e isto é escandaloso: noutros campos, bolas jogadas ostensivamente com a mão não dão penálti! Mas mesmo descontando este furto, o que fizeste foi reles. Baixíssimo mesmo. Já não bastava a eliminação da Taça. Da Liga Europa. De a liderança da Liga Portuguesa estar tão longe que nem com o Hubble consegue ver-se. Agora levas três dos lamps. Tu por acaso calculas as consequências?! Eu sou vítima de bullying no meu local de trabalho! Eu sou vítima de bullying em minha própria casa, pois a minha esposa é - oh, desgraça! - lampiona.

É ao ver o mal que me fazes, e eu tão crédulo, que compreendo aquelas mulheres que levam porrada dos maridos mas não têm coragem de abandoná-los. Eu farto-me de sofrer às tuas custas, inclusivé assumo a tua defesa quando te denigrem, exactamente como as mulheres junto das amigas falam, com um olho à belenenses depois de uma direita bem mandada, "ah, deixem lá, ele é bruto e violento e porco e não me dá dinheiro para as compras mas fora isso é um bom homem". Eu sou isto para contigo, apesar dos teus maus tratos. E tu, o que fizeste por mim?! Três campeonatos em trinta anos. Uma final da Taça UEFA... disputada em nossa própria casa... e que tu conseguiste perder. Era como levares-me ao Gambrinus, termos os dois um repasto divinal e, no fim, quando chegasse o garçon, tu dizeres: "é a conta, por favor. Este tosco é quem paga". Isto és tu, Sporting. Maldito sejas. Maldito. 

Não podemos continuar assim. Desculpa, mas não podemos. Ou bem que mudas de comportamento, ou então eu viro-te as costas e torcerei por outro clube de verde e branco. O Rio Ave, por exemplo. Ou o Vitória de Setúbal. Ou, sei lá, parece que o Celtic de Glasgow está bem. Ficou recentemente à frente do Benfica na fase de grupos da Liga dos Campeões. Ganhou ao Barcelona. Duas coisas que tu já nem sabes o que são: ficar à frente do Benfica e ganhar. Vê lá as coisas e começa a ter outra atitude. Para bem da nossa relação, que não estava tão conturbada desde que insistias em jogar com o Djaló a titular. Portanto, só depende de ti. Fico à espera.

Do teu,
Peter of Pan

sexta-feira, dezembro 07, 2012

Um exemplo de teatro do absurdo, por Peter of Pan

Hoje vou elevar o nível cultural desta porcaria com a transcrição de uma mini-peça de teatro da minha autoria. Porquê? Porque me apetece e assim evito falar do clube que mais mete água em todo o mundo.


O REBUÇADO
(peça num único acto)


Personagens:
Personagem 1
Personagem 2

(O pano sobe. Dois homens conversam em plena rua)
Personagem 1: Aquela bicicleta está a voar.

Personagem 2: Aquela bicicleta está a voar.

Personagem 1: A vida não faz sentido nenhum!

Personagem 2: A vida não faz sentido nenhum!

Personagem 1 (irritado): Olha lá, meu ganda c***lho, por que estás a imitar-me, meu c*nas de m*rda?!?!

Personagem 2 (calmo): Eu não estou a imitar-te.

Personagem 1:
Ahhhh... o meu peito... Morro...

Personagem 2: Ahhhh... o meu peito... Morro...

(Morrem os dois. O pano cai. FIM)

Pronto, foi isto. É bem capaz de ter sido o post mais estúpido de todos os tempos, mas se eu tivesse escrito isto em meados do século XX, chamar-me-iam de génio e teria o Ionesco a beijar-me o cu.

Bom fim-de-semana.

quinta-feira, dezembro 06, 2012

É que fazem mesmo tudo para beneficiar os árbitros!

O Porto tem agora passadeiras tácteis, a pensar nos deficientes visuais. Pronto, depois da fruta, mais uma razão para os senhores do apito se sentirem bem na Invicta. E a Liga de Clubes não diz uma palavra acerca disto?

quarta-feira, dezembro 05, 2012

Boas e más notícias!

A NASA declarou que vai enviar um segundo robô a Marte.

A boa notícia é que finalmente vamos poder ver-nos livres do Vítor Gaspar.

A má notícia é que é só para 2020.

terça-feira, dezembro 04, 2012

Sufocamento por mamas e o espírito alemão: breve ensaio

Pronto, depois do desabafo à velho de ontem, em que me queixei de dores (que, por sinal, ainda não desapareceram de todo), hoje volto a um tema recorrente: mamas. Tudo porque o site d'A Bola, quando não está a lamber o cu aos lampiões e a denegrir o melhor clube do mundo, lembra-se de dar notícias importantes, como esta: na Alemanha, uma gaja é acusada de tentar matar o companheiro com as próprias mamas. Isto é uma história magnífica, que quase se escreve a si própria. Ainda assim, merece-me dois pequenos apontamentos.

Primeiro, há por aí muita gente a dizer bem do espírito alemão, que são viris, trabalhadores, fortes, corajosos, mas uma análise mais atenta revela que os alemães, na realidade, são uns choninhas. Uns picuinhas. Uns mariquinhas de merda. Recordo que os alemães foram uns tipos que se deixaram levar por um austríaco baixinho de bigode e penteado manhosos, só porque ele gritava alto. "Ah, que voz tem este homúnculo", devem ter pensado os germânicos. "Não percebo muito do que está a dizer, e a quantidade de perdigotos é imensa, oh, mas aquele timbre, aquela potência, ah, acho que até já molhei as cuecas. Sim, sim, pró caraças com die Juden!". Enfim, umas florzinhas, estes alemães. E essa florzice revela-se no episódio atrás noticiado: então não é que o sacana do companheiro da gaja das mamas quer processá-la?!?! Então o mangas leva com um par de mamalhões na tromba e ainda reclama?!?!? Mas os alemães estão parvos, ou quê?

Isto faz a ponte para o meu segundo apontamento. Como é aquele ditado: "dá deus nozes a quem não tem dentes"? Pois... foi isto que aconteceu com o alemão. O trolhas ficou irritado porque, e cito "Fiquei sem conseguir respirar. Devo ter ficado roxo. Não me conseguia libertar e pensei que ia morrer." Pá, eu não sou alemão, nem sei como é que eles gostam de morrer (tenho uma ideia, porém: é de hipotermia nas estepes russas), mas eu não consigo conceber morte mais digna, mais prazenteira, mais divinal, do que sufocado no meio de generosas mamas. Se algum dia eu me for, algo que não está cientificamente provado poder vir a ocorrer, era assim que gostaria de me finar - afogado por um par de tetas. Estou já até a ver os meus amigos a falarem de mim:

Amigo do Peter of Pan: Fosga-se, sabes quem é que quinou?
Outro amigo do Peter of Pan: Não! Quem?
Amigo do Peter of Pan: O Peter of Pan!
Outro amigo do Peter of Pan: Oh! Como foi isso?

Amigo do Peter of Pan: Pá, parece que sufocou no meio de um par de mamas.
Outro amigo do Peter of Pan: Sortudo! Sacana! Afinal compensou ser do Sporting: infeliz na vida, feliz na morte.
Amigo do Peter of Pan: Pois é, vejam lá! Sortudo. Isto do karma...
Outro amigo do Peter of Pan: Isto do karma... 

Pronto, seria assim. Mas aos alemães não cabe isto na ideia. Cambada de palhaços...

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Ui! Ai! Ui!

Dói-me o gémeo da perna esquerda. Dói-me, e é à séria: parece que estão a arrancar-me o músculo com golpes de alicate. Ou que um cão, daqueles bem ferozes, se alapou aqui ao osso. O que seria estúpido, porque eu até nem tenho muita chicha, se o ãoão estivesse com fome, não era aqui ao je que ia buscar alimento. Bom, não interessa, a verdade é que tenho dores. Feias. Mal consigo subir escadas. 

Eis o estado a que chegou o autor deste blogue: em vez de vir para aqui falar de mamas e bola, como é hábito, põe-se a queixar-se de dores. 

Estou velho...

sexta-feira, novembro 30, 2012

Qual Wolverine, qual Homem-Aranha, qual Batman, qual quê!

Este é o herói para o novo milénio:


Cabra macho...

Bom fim-de-semana.

quarta-feira, novembro 28, 2012

Pequenos truques para evitar falar com gordas feias chatas

Não é que eu seja propriamente anti-social (está bem, até sou), mas detesto apanhar com gordas feias chatas. Ainda se fossem só gordas feias, ou gordas chatas, ou feias chatas, enfim a coisa ainda ia. Mas gordas feias chatas, não dá. Não dá! É demais para a minha camioneta. Aqui há dias, uma ex-colega minha, bem gorda, bem feia, e bem chata, apanhou-me na rua e quis meter conversa. Entrei em pânico, como podem calcular, e foi preciso usar de toda a minha destreza intelectual para safar-me ao diálogo que, tomando como exemplo outras conversas não só com a mesma gorda feia chata mas com todas as gordas feias chatas que já tive na vida, seria um diálogo gordo, feio e chato. Deixo-vos os 3 truques que podem utilizar nestas ocasiões. Serviço público, é o que estou a fazer!

3 truques para evitar falar com gordas feias chatas

1 - Andem sempre com fones. SEMPRE. Mesmo que não estejam a ouvir música. Ter fones nos ouvidos é uma excelente medida para evitar conversas indesejáveis. Se alguma gorda feia chata que conheçam vos abordar na rua, acenem só com a cabeça na direcção dela e façam um ar de quem está muito concentrado a ouvir qualquer coisa, mesmo que nos fones não passe o mais pequeno som. A gorda feia chata vai perceber isso, a não ser que seja muito estúpida, e deixar-vos-á em paz. Isto também funciona com colegas de trabalho benfiquistas ou portistas. Sempre que se cruzarem com um, finjam interesse desmesurado nos fones, evitando assim provocações do tipo "Então e o teu Sporting, hã? Ahahahahah". Como podem imaginar, nos últimos tempos tenho fingido muito. E não tenho falado com ninguém...

2 - Mal vejam uma gorda feia chata a andar ("andar" é aqui usado com liberdade. O que as gordas feias chatas fazem, como locomoção, é cachungar. De "cachuns, cachuns, cachuns"...) na vossa direcção, saquem o mais rapidamente possível do telemóvel e ponham-se a teclar em todas as direcções. Normalmente, isto é remédio santo. Mesmo que o telemóvel esteja desligado. Já me aconteceu, acreditem, apanhar com uma gorda feia chata em sentido contrário, tirar o telemóvel desligado e começar a teclar. Quando a gorda feia chata passou por mim, deve ter notado que eu estava a carregar num telemóvel morto, porque cumprimentou-me com um olhar de lado. Se calhar achou que eu era maluco, coitada. Por mim, tudo bem: o objectivo era evitar conversa, e isso foi conseguido. Não interessa o caminho que se leva para chegar a certo sítio, interessa é chegar ao sítio.

3 - Se não possuem fones ou se esqueceram do telemóvel, a abordagem com maior taxa de sucesso, mas que eu desaconselho na maioria dos casos é, por assim dizer, pegar o boi pelos cornos. Que quero dizer com isto? É, antes que a gorda feia chata comece a falar, começarem vocês a conversa. Mas começarem-na de uma forma que não dê hipóteses algumas de desenrolar um diálogo. Ilustro com este caso: vocês vão na rua, e vêem no sentido inverso a Filipa, aquela gorda feia chata que foi vossa colega de secundário. Não trazem fones, nem telemóvel. Como agir? O que fazer, quando a gorda feia chata já vos viu e pretende manter conversa? E agora ela está tão perto que sentimos o próprio chão da calçada a tremer. Que fazer, caraças, que fazer? Isto: cumprimentem-na da seguinte forma "Olá, gorda. Ai, desculpa. Olá feia, Ai, desculpa. Olá chata. Ai, que se passa comigo? Olá, Filipa!". Quando terminarem esta frase, já a gorda feia chata se encontra lavada em lágrimas e a querer sair fora do vosso raio de acção tão depressa quanto aqueles troncos gordos que fazem as vezes de pernas deixam. E pronto, evita-se o diálogo. Qual é o problema deste truque? Convém que seja feito sem pessoas em redor, porque se fizermos isto com testemunhas, há sempre o palonço ou a beata que vos vem censurar a conduta, e a essa gente só apetece mandar com uma gorda feia chata em cima, caso conseguíssemos fazê-lo. Se não estiver ninguém nas proximidades, é a melhor das soluções, porque não só evitam o diálogo nessa ocasião, como nunca mais a gorda feia chata vos quererá ver à frente. E isto, meus amigos, minhas amigas, é o melhor dos mundos possíveis.

Pronto, espero que tenham aprendido alguma coisa. Até amanhã.

terça-feira, novembro 27, 2012

Falar a mesma língua nem sempre equivale a falar a mesma linguagem...

como comprova o seguinte diálogo:

- Já evacuaste?
- Não, ainda não caguei.

Este diálogo foi verídico, tão absolutamente verídico que roçou o verdadeiro.

segunda-feira, novembro 26, 2012

A indústria pornográfica portuguesa está de boa saúde e recomenda-se. Um ensaio filosófico-político-pornográfico

Crise é algo que ainda não chegou ao mercado porno lusitano. A moral do país pode estar em baixo, mas a pornografia portuguesa, essa está bem de pé. Como os mangalhos. A demonstrá-lo, uma recente produção nacional: 


Três coisas se me ofecerem dizer:

Primeira, a criatividade lusa está em alta. Parabéns aos criativos que transformaram uma insipiência tosca como os Morangos com Açúcar numa produção pornográfica. Tenho a certeza de que todos os espectadores desta película aplaudiriam se não estivessem com as mãos ocupadas...

Segunda, a mensagem que este filme emite, de resto logo ali escarrapachada (eu ia dizer "esporrada", mas não digo porque seria de mau gosto) na capa: "ela não sabe escrever, mas sabe chupar". O ethos desta frase ressoa cada vez mais nos tempos difíceis em que vivemos. Para quê educar cidadãos e indivíduos? Para quê ensiná-los a ler, a escrever, a fazer contas, quando já se sabe que os orçamentos para a educação não servem para torná-la melhor? Para quê mandar a juventude à escola quando o sistema de ensino português vai de mal a pior? Para quê perder tempo e esforço? O melhor é fazer pela vida. Desenrascar, essa tão ilustre actividade portuguesa. E para muitos, especialmente muitas, isso equivale a chupar. E a engolir também, mas sobretudo chupar. Temos de chupar com governo, impostos, subida dos preços, troika, etc. E é bom haver um filme que nos ensina isso, um filme que nos diga como é fundamental sabermos que estamos nesta vida para chupar. O importante é chupar. Por maior que sejam os obstáculos, por mais porcaria que deitem, há que chupar. Como dizia Maradona, adaptando um texto apócrifo de Aristóteles, "que lo chupen e lo sigan chupando". É isto a vida. E é bom que os portugueses se preparem para ela, porque a conjuntura vai continuar a apontar-nos o seu carnudo falo. Sim, é hermafrodita, a puta da conjuntura...

Terceira, ao mesmo tempo que apela ao contacto com a realidade, nunca a embelezando, como se quisesse dizer, "a realidade é um piroco grande e grosso, e há que ter a boca bem musculada para aguentar com ele", nem assim o filme apela à resignação. Não! Bem pelo contrário! Mangalhos com Açúcar é, admitamo-lo, um convite àquilo que os governos mais temem: o levantamento popular! A intenção é pôr os portugueses de pé, dar-lhes vigor. Porque um país com vigor é melhor do que um país murcho. Afinal, para murcho, basta o governo.

Viva a indústria pornográfica portuguesa!

sexta-feira, novembro 23, 2012

O passatempo preferido do meu menino

é atirar coisas ao chão. Fazer cair é com ele. Ou muito me engano, ou prevejo-lhe um futuro brilhante enquanto ministro das Finanças.

quinta-feira, novembro 22, 2012

O Godinho Lopes que assine com este menino. JÁ!!!!

Este tem de vir jogar para o Sporting:



As razões são mais que muitas.

Primeira, é um verdadeiro LEÃO, no sentido figurado e no real.
Segunda, sabe jogar com os dois pés.
Terceira, tem um penteado do caraças.
Quarta, não tem medo de jogar em terrenos difíceis.
Quinta, sabe também jogar com a boca. Aliás, vê-se perfeitamente que é um futebolista que tem fome de bola. E eu não me lembro de nenhum jogador que tivesse bom jogo de boca, excepto talvez o ex-benfiquista Calado, que, rezam as histórias, abocanhava bem um melão.

Vercauteren, estás à espera de quê para pôr este menino a jogar?!?

(imagem roubada ao Cabelo do Aimar)

quarta-feira, novembro 21, 2012

Afinal, o que é que se passa com os nórdicos?!?

Dia sim, dia sim, ouvimos discursos paternalistas como estes: "Ah, devíamos era ser todos como os nórdicos", "Ah, na Escandinávia é que se trabalha", "Ah, no Norte da Europa é que há qualidade de vida", "Ah, os nórdicos é que são civilizados e inteligentes", "Ah, o Sporting é o clube mais espectacular do mundo".

Tirando a última afirmação, as restantes são só conversa! Os países nórdicos podem ter um PIB invejável, pois podem, os países nórdicos podem não estar a ser resgatados por troikas, pois não estão, mas uma análise mais séria demonstra que, lá para cima, é tudo doido, muito mais doido do que cá em baixo. Senão, vejamos: a Finlândia tem das taxas de suicídio mais elevadas do mundo, e lá prefere-se, como desporto, a sauna ao futebol (argumento suficiente para classificar os finlandeses como estúpidos). A Noruega, além de terroristas de extrema-direita, tem um historial recente de queima de igrejas perpetrado por músicos de black metal. E a Suécia, bem... a Suécia: além de contribuir com as piores bandas pop de sempre (ABBA, Roxette, Ace of Base e um longo etc.), tem coisas como esta: uma sueca foi apanhada a, enfim, ter actos menos dignos com ossadas humanas

Vamos lá a ver: longe de mim criticar preferências sexuais. Sou todo a favor da homossexualidade, por exemplo, embora seja um género de vida, para mim, pouco atractivo, pois envolve fazer sexo com pessoas do mesmo sexo, algo que abomino caso as pessoas do mesmo sexo sejam homens. Bom, adiante. Não critico preferências sexuais, dizia. Quem faz sexo com a Manuela Ferreira Leite está no seu direito, desde que haja consentimento de ambas as partes. Quem usa brinquedos sexuais tem todo o meu apoio. MAS necrofilia, parece-me, é uma cena assim para o... epá, para o estúpido. Se na Suécia gostam deste tipo de tendências, bolas, então fico-me por este cantinho à beira-mar plantado.

terça-feira, novembro 20, 2012

Dava um dos meus testículos

em troca de uma cópia decente do Meeting of the Spirits tocada pelo Larry Coryell, pelo Paco de Lucia e pelo John McLaughlin. As versões originais custam metade do resgate da troika a Portugal e as versões ripadas que circulam aí pela intercoisa vêm todas maradas. Não há direito!

segunda-feira, novembro 19, 2012

Peter of Pan entrevista: Joaquim Quitério, o vidente de Alcabideche

Hoje, mais uma entrevista. Desta feita, com o mais famoso vidente não descendente de africanos da localidade de Alcabideche. O seu nome: Joaquim Quitério. Nunca ouviram falar nele? Faz sentido, porque acabo de inventá-lo. E se uma personagem inventada balbucia frases num blogue e ninguém estiver lá para ouvi-lo, fará barulho? Claro que não, porque este blogue lê-se, não se ouve. Enfim, paremos com as parvoíces e passemos de imediato à entrevista.

Peter of Pan: Bom dia, senhor Quitério. Como é isso de ser vidente? E em Alcabideche?

Joaquim Quitério: Olhe, é assim tipo giro. Alcabideche está a tornar-se, para o esoterismo, aquilo que Milão é para a moda. Temos videntes, como eu, profetas, como o Saúl Ezequiel, gurus, como o Sivananda TóZé e até há um puto que joga nos iniciados do Sporting, o Carlitos Ranhoso.

Peter of Pan: Ora e o que um miúdo que joga no Sporting tem a ver com esoterismo, caro senhor Quitério?

Joaquim Quitério: Você, para entrevistador, é um bocado parvo. Então não se vê logo que o Sporting está embruxado? Como explica você que o clube ganhe tudo o que há para ganhar nas camadas jovens e nos séniores, pof, afunda-se mais do que uma daquelas máquinas de prospecção de petróleo?
Peter of Pan: Pois, realmente... Mas diga-me, senhor Quitério, sendo um vidente, que coisas vê?

Joaquim Quitério: Pois eu vejo o futuro. E vejo-o tão bem como você, que está à minha frente.

Peter of Pan: Isso é extraordinário. Pode dar exemplos? Que coisas futuras vê?

Joaquim Quitério: Posso, claro. Olhe, hoje é segunda-feira, não é?

Peter of Pan: É, sim!

Joaquim Quitério: Então eu vejo que amanhã será terça-feira.

Peter of Pan: Não posso!

Joaquim Quitério: Sim, sim, garanto-lhe. Amanhã, quando acordar, vai ser terça-feira. É o que eu vejo, e o que eu vejo não falha.

Peter of Pan: Espantoso. Estou em pulgas para acordar amanhã e descobrir se é realmente terça-feira. Pode lançar mais previsões?

Joaquim Quitério: Posso, mas só porque estou bem disposto. Isto de ver o futuro e não ser pago é uma coisa a que não estou habituado. Olhe, posso dizer-lhe, por exemplo, que amanhã, além de ser terça-feira, ou vai chover ou não.

Peter of Pan: Magnífico. O seu dom é magnífico!

Joaquim Quitério: Obrigado. Só por causa do seu elogio, vou fazer mais uma previsão: no próximo jogo, o Sporting ou ganha, ou não ganha.

Peter of Pan: Fantástico. Mas se o Sporting não ganhar, o que acontece, senhor Joaquim Quitério?

Joaquim Quitério: Ou empata, ou perde!

Peter of Pan: Não, você é excepcional. Penso que está clarificado que o senhor é o maior vidente, não só de Alcabideche, mas de todo o concelho de Cascais, incluindo a Charneca da Caparica.

Joaquim Quitério: A Charneca da Caparica não pertence ao concelho de Cascais.

Peter of Pan: Bolas, você é mesmo bom. Obrigado e bom dia.

Joaquim Quitério: Bom dia e adeus.


sexta-feira, novembro 09, 2012

Redacção infantil Peter of Pan: "Gosto do Inverno porque..."

Gosto do Inverno porque mesmo quando estamos no Outono, basta começar o frio e a chuva para as pessoas dizerem "Maldito Inverno"

Gosto do Inverno porque no Inverno não há festivais de Verão

Gosto do Inverno porque o Inverno é cool. Literal e metaforicamente

Gosto do Inverno porque a maior parte das pessoas não gosta do Inverno, e eu acho fixe ver pessoas chateadas. Também gosto muito do Vítor Gaspar e da Angela Merkel

Gosto do Inverno porque as praias estão vazias e eu posso então ir à água à vontade, e a água costuma estar quentinha

Gosto do Inverno porque posso vestir mais roupa e assim disfarço o tamanho da minha pança

Gosto do Inverno porque as pessoas suam menos e por causa disso o ambiente nos transportes públicos é mais saudável

Gosto do Inverno porque as pessoas comem menos gelados no Inverno e portanto deixam-me mais sabores à escolha, porque eu como muitos gelados no Inverno, porque gosto muito de gelados. E do Inverno

Gosto do Inverno porque posso ficar mais tempo na caminha sem me sentir culpado


quarta-feira, novembro 07, 2012

É caso para dizer que o Barack Obama...

...venceu por uma unha negra!

*prás pum trash*

sexta-feira, novembro 02, 2012

Humor negro, versão Sandy

Ouvi dizer que o Bono vai compor uma música em homenagem às vítimas do furacão Sandy.

Chama-se "Sandy Bloody Sandy"

quarta-feira, outubro 31, 2012

A minha máscara para este Halloween


Tenham medo!

terça-feira, outubro 30, 2012

Sintomático

Ao falar com a minha esposa ao telefone, apareci com esta: "Como sabes, eu gosto muito do Maquiavel, apesar de não gostar nada dele".

Isto revela duas coisas:
1) Eu e a minha mulher temos conversas deveras estranhas ao telefone;
2) Nada do que eu digo faz sentido.

P.S: Uma boa notícia: ontem, o Sporting não perdeu. Uma má notícia: ainda não foi ontem que o Sporting ganhou. Não é que eu sofra de Alzheimer, mas já não me lembro quando foi a última vitória dos lagartos.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Maldita televisão!


Nós lá em casa temos o 24 Kitchen. Para quem não sabe, é um canal de culinária. Eu, embora homem, gosto muito de ver e não, não é pelas cozinheiras (que, aliás, andam muito afastadas da programação. Aquilo é só Jamie Olivier, Viriato Pã, Anthony Bourdain e o caraças). O problema é que, quando vejo alguém a cozinhar papinha da boa, fico logo com ideias e apetece-me imitar a coisa. O que sucede é ilustrativo da diferença abismal entre o ideal e o real. Porque, quando vou para cozinhar, eis o juízo que faço de mim:


Mas eis aquilo que realmente sou:


É triste...