quarta-feira, outubro 30, 2013

O regresso dos jogos de futebol com amigos

Quando um grupo de amigos me chama para jogar à bola, eu normalmente digo presente. E ontem disse-o: passados mais de três anos desde a última vez, voltei a jogar futebol. Vivas para mim!

Claro que este interregno provocou as suas mossas. Eu já não jogava há tanto tempo que, quando me foi passada a bola pela primeira vez no jogo de ontem, eu fiquei 10 segundos a pensar "Mas que raio faço eu agora com esta merda?!". Quando cheguei à conclusão que era para enfiar aquilo na baliza adversária, já a bola tinha desaparecido de junto dos meus pés. Indignado, ainda pensei em chamar as autoridades, mas um companheiro de equipa despertou-me desta letargia ao gritar "F*d@-se, Peter of Pan, mexe-te, c@r@lh*!". Passados 5 minutos, a reminiscência futebolistica já se instalara perfeitamente no meu disco rígido e jogava à vontade com o resto da equipa à qual pertencia.

Não foi apenas a dificuldade de recordar o que havia para fazer num campo de futebol a única mossa provocada pelo meu prolongado hiato destes ofícios. Outras mossas foram surgindo. Enquanto futebolista, devo confessar que a técnica está lá, praticamente intacta, e uma ou duas jogadas de elevado recorte artístico comprovaram-no. A velocidade também não sofreu muito: continuo capaz de competir com o Usain Bolt, ou seja, se me ponho a correr, ninguém me apanha. Mas a resistência, essa... se, como referi, ao fim de 5 minutos já estava entrosado com a equipa, ao fim de 6 minutos já pedia a intervenção do INEM, de tão extenuado que me encontrava. 

Portanto, bem feitas as contas, só pude demonstrar o meu real valor durante 1 minuto. Se tivermos presente que o jogo durou 60 minutos, é fácil perceber por que a minha equipa perdeu por 5 a 3: estivemos mais de 50 minutos a jogar com menos um jogador, e esse jogador a menos era eu, que me arrastava literalmente pelo relvado e era levado a pensar que a profissão de trolha, afinal, custa menos, fisicamente falando, do que dar uns toques numa bola.

Isto dito assim, pode-se pensar que eu tenho as mesmas capacidades dos jogador do Benfica: eles também não sabem o que fazer dentro do campo e não podem com uma gata pelo rabo. Essa comparação sai ainda mais reforçada quando os meus companheiros foram unânimes em afirmar que o meu estilo de jogo, naquele único minuto em que consegui realmente jogar, fazia lembrar o do Markovic. Ora, isso é a mesma coisa que dizer que eu jogo como o Messi: se eu sou parecido com o Markovic (dizem os meus colegas) e se o Markovic é parecido com o Messi (diz a imprensa conotada com o clube lampião), então, pela regra lógica do "Se A é B, e se B é C, então A é C", regra que até o Manuel Maria Carrilho percebe sem ter necessidade de agredir alguém, eu sou parecido com o Messi. QED.

Mas só durante um minuto...

Daqui a 15 dias, tenho novo jogo. A minha exibição foi tão marcante que fui novamente convidado, sobretudo pelos jogadores da equipa adversária - não compreendo é porquê...

Da próxima vez, vou tentar ser o Markovic/Messi durante 2 minutos. Daqui a uns bons anos, consigo manter o nível durante o jogo todo.

segunda-feira, outubro 28, 2013

As minhas impressões sobre o caso Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho

A novela do momento é a troca de galhardetes e, a crer nas notícias, em algo mais do que isso, entre o ex-ministro Manuel Maria Carrilho e a apresentadora Bárbara Guimarães. Diz-se por aí que o filósofo agrediu a barbie, o que faz desta uma relação althusseriana, mas em fraquinha (o Althusser foi um filósofo que um dia se passou da marmita e matou a esposa. Enfim, é o que dá querer reinventar o Marx...).

O que a mim importa verdadeiramente neste enredo é saber o que terá motivado Carrilho a agredir a mulher. Sendo que um filósofo gosta sempre de agir em conformidade com o seu pensamento (uma questão de unir teoria e práxis, agora não vou estar para aqui a explicar!), gostava de saber quais foram as causas que levaram um pragmatista a assentar a palma da mão, ou a sola do pé, no rosto da famosa figura televisiva.

Como sou também um gajo dado às filosofias, pus-me a pensar nisto. E cheguei a três possíveis conclusões.

1 - O Carrilho agrediu a Bárbara porque esta mexeu-lhe no Aristóteles sem pedir autorização.
Eu percebo: se tivesse alguém a mexer-me no Aristóteles sem licença, a mim também me saltaria a tampa! O Aristóteles, por detrás daquele ar duro e seco, exige ser bem tratado e acarinhado. Não é chegar ali e pegar nele de qualquer maneira, assim à bruta, sem avisar nem nada. É preciso ir com calma, dar-lhe tempo; quando menos se espera, ele entra por nós bem adentro. A Bárbara, se calhar, não teve o devido respeito pelo Aristóteles do marido, e quando isso acontece o casal sofre. Em qualquer relacionamento, é bom haver respeitinho pelo Aristóteles e tratá-lo como ele tão bem merece. O meu Aristóteles é muito respeitado, e isso revela a solidez de um casamento.

2 - A Bárbara, numa conversa à refeição com o esposo, misturou pragmatismo com utilitarismo. E o Carrilho não foi de modas e mandou-lhe com o prato às trombas.
Novamente, eu percebo isto e não recrimino a atitude do homem. É inadmissível confundir uma posição que defende que a avaliação de hipóteses teóricas deve passar por perceber as suas consequências práticas com uma posição que defende que a diferença entre uma boa e uma má acção está nas consequências que delas derivam. Pá, se por exemplo a minha gaja fizesse uma mistura entre estas duas ideias ao pequeno-almoço, eu confesso que também era gajo para lhe rebentar a boca. Portanto, se foi isto que sucedeu, não só não condeno o Carrilho como estou inteiramente solidário com ele.

3 - Enquanto estavam na cama, a Bárbara cometeu uma inconfidência, do género:
- Ó Mané, tu és um filósofo brilhante!
- Pois sou, Bábá.
- Mas não és o meu filósofo predilecto.
- Ai não?
- Não. Eu gosto mais do Sócrates.
- Ah. Pois, todos nós somos herdeiros de Atenas...
- Não é desse. É do José!
Depois de uma destas, qualquer homem digno desse nome teria de partir para a violência. É uma questão de imperativo moral: se há ocasiões em que a violência é justificável, esta é claramente uma delas, e o seu uso visa apenas reparar uma ofensa e uma injustiça. Não é que eu ache o Carrilho um filósofo particularmente brilhante (não é), mas estar abaixo de José Sócrates é abusar do livre-emprego da axiologia. Se foi isto o que ocorreu, dúzias de pontapés naquele peito siliconado ainda era pouco...

Na minha óptica, aconteceu uma destas três merdas. Ou até duas. Ou mesmo as três. Espero solenemente que os jornais e as televisões continuem a acompanhar o caso, e que as investigações em decurso possam confirmar qualquer uma das minhas hipóteses que, filosoficamente, estão estruturadas de forma brilhante. Aprende, Manuel Maria.

terça-feira, outubro 22, 2013

Polémicas acerca de livros

Tenho perfil no Goodreads (não sabem o que é?! Ó pá, também não vou explicar) e cerca de 20 amigos nessa rede social. Uma das coisas engraçadas que se pode fazer aí é ver o que os meus amigos acharam dos livros que eu li e classifiquei, como se fosse uma Moody's da literatura, com 5 estrelas.

Mas esperem lá: eu disse que era engraçado?!? Na verdade, o que eu queria dizer é que é desesperante!!!! Os pacóvios dos meus amigos (e tomo "pacóvio" no seu sentido mais estrito e "amigo" no seu sentido mais lato...) têm opiniões completamente opostas à minha, ou seja, eles estão completamente enganados.

Alguns exemplos:

Um amigo deu 3 (TRÊS!!!) estrelas à República do Platão. Um livro que é só das coisinhas mais legíveis que a Filosofia já produziu. Um livro que, embora contendo muitos erros e muitas posições duvidosas, continua a ser estimulante para o pensamento. Um livro que nunca merece menos de 5 estrelas. Quando me insurgi face ao rating dado por esse meu amigo, ele lá reconheceu o erro e subiu a avaliação para 4 estrelas. Não basta, meu filho-da-puta!!!!! A República merece estar lá mais em cima. Atribuir-lhe menos do que a nota máxima é tipo dizer que o Messi é um jogadorzeco, ou que a Mila Kunis é girinha. Não chega, percebem?!?!

Mas há pior.

Uma amiga minha, de quem eu já conhecia o talento para as opiniões parvas quando me disse que a banda favorita dela era melhor do que a minha banda favorita (facto suficiente para interná-la num manicómio), cometeu a ofensa de atribuir 1 (UMA!!!) estrela apenas àquele que considero o melhor romance português do século XX e quiçá de sempre: Aparição, de Vergílio Ferreira. Sim, eu sei que os amigos são amigos mesmo que haja discordâncias pelo meio, mas isto é demais! Aposto que nem o Pedro Passos Coelho seria capaz de manifestar uma opinião tão, como hei-de dizer..., estúpida. Acredito que até o Jorge Jesus já leu o livro e gostou. Arrasar desta maneira um romance da craveira de um Aparição é o equivalente, em termos de crítica literária, ao Holocausto. E não estou a exagerar. Pior: quando fiz valer o meu bom senso e lhe apontei, serenamente, que estava errada, ela limitou-se a responder que odiou mesmo o livro. Não conheço sinal mais evidente de barbárie do que este...

E pensam que isto fica por aqui?

Uma familiar minha chegou à indecência de chapar 1 estrela no Pela estrada fora do Kerouac, outro dos livros da minha vida. Outra amiga deu 3 estrelas ao Siddhartha do Hesse. A mesma amiga dá também 3 estrelas ao A insustentável leveza do ser, do Kundera. A tal amiga que deu 1 ao Aparição dá 3 estrelas ao Pêndulo de Foucault! Tudo livros inquestionavelmente 5 estrelas! Isto é tudo uma filha-da-putice e se eu mandasse, colocaria no Orçamento do Estado para 2014 medidas que punissem especificamente esta gente com mais um reforço de austeridade!

Eu sou uma pessoa com elevado sentido de tolerância e admito a diversidade de opiniões. Mas merdas como as que acabei de expor não se admitem, por mais compreensivo que um homem seja! Dá vontade de nunca mais ler um livro na vida! Mas depois penso: não, esta gente é que nunca deveria ter aprendido a ler.

Maldita escola inclusiva, maldita a hora em que professores ensinaram o alfabeto a tais pessoas. E maldito eu que os adicionei no Goodreads...

segunda-feira, outubro 21, 2013

Da próxima vez que marcarem um encontro "antigos alunos", fico em casa a estudar

Ontem foi dia de reencontro com antigos colegas do secundário. Gente que não via há mais de 5, 10 ou mesmo 20 anos apareceu, com um rancho de filhos atrás. O melhor deste tipo de encontros é uma pessoa aperceber-se de que o tempo é como se não tivesse passado, pois logo após as devidas apresentações ("olá, este é o meu marido e aqueles os meus 12 filhos", "oi, esta é a minha esposa e aqueles a roer as pernas dos teus 12 filhos são os meus 15 cães"), a conversa decorreu como se não nos houvéssemos separado nunca. Por outras palavras, o que de certa forma é reconfortante, continuamos os mesmos parvos de sempre. Excepto eu, que me mantenho o intelectual distinto que era na altura, e a comprová-lo o post de amanhã trará não mais de três vezes a expressão filho-da-puta, vejam lá a distinção intelectual que vai para aqui!

O mau destes encontros é que há sempre um estúpido ou uma estúpida que levam isto do "tempo não passar por nós" demasiado à letra e começam a apontar coisas óbvias que denotam a passagem do tempo. Do género "ihhhh, estás tão careca. E os poucos cabelos que tens estão a ficar todos brancos".

Pá, obrigadinhos, hã?!? Como se eu não soubesse disso! Uau, estou careca e com cabelos brancos?! Se não mo tivessem dito ontem, nunca adivinharia... Se é para ir a um sítio para ter gente espantada e desalentada por eu estar, digamos, a envelhecer, vou almoçar com a minha mãe em vez de me encontrar com antigos colegas. Eu também não disse à Coisinha que ela parecia uma caveira com rugas, nem ao Coisinho que ele fazia lembrar um chefe gay da Yakuza. Porque isto são cenas que - tenho a certeza - eles devem ouvir todos os dias!

Se é para estas coisas que servem os encontros de antigos alunos, quando marcarem o próximo fico em casa a ver a TVI.

terça-feira, outubro 15, 2013

Um homem casado é um homem lixado

Vejam lá as coisas que um gajo é obrigado a ouvir da sua gaja:

"Tu a dançares pareces aqueles cantores dos anos 80"

A gravidade destas declarações encontra-se reforçada se eu disser que os cantores dos anos 80 que a gaja tinha em mente eram: Jimmy Somerville. Andy Bell (dos Erasure). George Michael. Boy George. Marc Almond.

Para quem não sabe (e é preciso andar muito arredado das coisas deste mundo para não saber), são tudo artistas de duvidosa orientação sexual.

Portanto, a gaja no fundo quis dizer que eu danço como uma bichona! Já houve divórcios por menos!!!!

(Em minha defesa, devo dizer que não sei mesmo dançar. E isto é uma coisa muito à homem!)

segunda-feira, outubro 14, 2013

Sinto-me sexy!

Estou constipado e rouco. Em circunstâncias normais, isto seria um problema. A verdade é que não o é. Por causa de estar constipado e rouco, a minha voz, já habitualmente máscula, adquiriu um acréscimo de virilidade que não tem comparação. Há pouco, disse BOM DIA (assim mesmo, em negrito e caixa alta...) a um colega, e duas raparigas que estavam a tomar café ao balcão tiveram um orgasmo. Estou a receber telefonemas de cinco em cinco minutos, e isto só porque quem está do outro lado quer ouvir-me falar. Nem há meia hora atrás, uma senhora pediu-me que lhe recitasse Os Lusíadas e eu mandei-a à merda; ela gostou tanto da forma como o disse que pediu-me para repetir.

Mas o assédio não tem ficado por aqui. Até ao momento em que escrevo estas linhas, já recebi 489 propostas de casamento, 325 das quais feitas por mulheres. E já tive 173 pessoas a suplicar-me que lhes fizesse um filho, incluindo o segurança do edifício, a quem cometi o erro de dizer 'TÁS BOM, PÁ?!, as duas velhas do primeiro andar, que trabalham nem sei bem em quê, e as 4 checas com quem partilhei o elevador.

Se eu não arranjar depressa umas pastilhas para combater a rouquidão, bem me parece que vou passar o dia nisto. Ainda acabo o dia a substituir o Portas e passo a ser eu a comunicar as futuras medidas de austeridade aos portugueses. E eles vão ouvir-me e vão gostar.

(mal por mal, se é para andarem a ser fornicados, ao menos que tenham algum gozo nisso...)

ATÉ AMANHÃ (imaginar esta despedida feita com uma voz grave, cavernosa mesmo, e absolutamente sexy. Já imaginaram? Pois, sou eu...)

terça-feira, outubro 08, 2013

A bipolaridade de um fiel sportinguista

O meu clube do coração tem como característica, ao longo de todos estes anos em que me conheço como adepto, ser esbanjador na distribuição de tristezas e poupado na dádiva de alegrias. Mas continuo irredutível e serei do Sporting ontem, hoje e sempre.

De qualquer forma, temporadas e temporadas de insucessos, que culminaram na de 2012/2013, a pior época de sempre do Sporting no que ao futebol toca, fizeram de mim um céptico e passei a duvidar, como se fosse um Michel de Montaigne dos adeptos leoninos, do futuro do clube.

Só que o Sporting começou a época 2013/2014 (a época seguinte à pior de sempre, para os menos atentos...) a todo o gás. A jogar bem. A marcar aquilo que só pode ser expresso como "buéda golos, c@#$%&%!!!" E aqui mesmo o mais céptico dos sportinguistas tem de acabar por ceder. E em lugar de céptico, torna-se bipolar. E esquizofrénico. E paranóide. E restantes perturbações mentais pertencentes ao DSM-IV. Mas, essencialmente, bipolar.

Nada revela essa bipolaridade quanto as conversas mentais que mantenho comigo mesmo durante os jogos. Que são mais ou menos, e cito-me a mim próprio de memória, portanto peço-me desde já desculpa se não estiver a ser exacto comigo mesmo, assim:

Jogo: Sporting X Setúbal. Local: Estádio de Alvalade. Resultado: 4 a 0 a favor dos bons.

Peter of Pan descrente: Iá, marcámos um golo, mas não vamos lá. Ainda perdemos o jogo!

Peter of Pan crente: F@da-se, gooooooolo!!!!!!! Já lá está!!!! O primeiro lugar é nosso! Lindo, Montero, lindo, faz-me um rancho de filhos!!!!

Peter of Pan descrente: Ok, dois a zero. Mas o Setúbal ainda tem tempo para recuperar. Já vi coisas piores em jogos do Sporting...

Peter of Pan crente: Toooooma lá!!!! 2 a 0!!!!!! Embrulhem, chocos fritos!!!!! Spoooooorting!!! Lindos, lindos, Carrillo, sodomiza-me como sodomizaste a defesa sadina!

Peter of Pan descrente: Sim, mais um golo. Está bem. Mas gastam os golos todos agora, quando forem jogar com o Porto já não têm nenhum para dar.

Peter of Pan crente: Ihhhhhhh, 3 a 0! 3 a 0!!!!!!!! Quando formos ao dragão, espetamos mais uns três que até viramos os tripeiros do avesso. Vamos ser campeões. E ganhar tudo! Chupem, tripeiros e lampiões, força Sporting allez!

Peter of Pan descrente: Pronto, 4 a 0. Mas contra o Setúbal é fácil. Quero é ver agora quando os jogos forem a doer. Começam a perder, vêm por aí abaixo na classificação. Não vão fazer nada outra vez, estes tipos... ai, como é triste ser do Sporting.

Peter of Pan crente: Pimba, 4! Quatroooooooo! A zeroooooo!!!!! Espectáculo!!!! Brutal!!! Vamos limpar esta porcaria toda, com ou sem árbitros a nosso desfavor. É tudo nosso! Spooooorting!!!! Ah, como é magnífico ser lagarto!!!!

E é assim que um sportinguista à séria vive. Agora, das duas uma: ou o élan mantém-se e vou andar assim até meados de Maio do próximo ano, ou começamos mesmo a levar na ripa e volto apenas a ser um céptico desencantado... Vamos ver!

segunda-feira, outubro 07, 2013

Peter of Pan entrevista Duarte Lima

Mostrando deter notável pluralidade, hoje o blogue entrevista um alegado criminoso de colarinho branco e homicida. E digo "alegado" porque não quero um exército de advogados atrás de mim. Não é que eu tenha medo deles, mas mais do que os betos e os lampiões, os advogados irritam-me. E não é que eu não goste deles, mas mais do que os tripeiros e os fascistas, o que eu queria era que os advogados fossem todos largados dentro de um vulcão em erupção. Mas estou a divagar. Vamos lá para a entrevista com o ex-deputado ex-presidente do grupo parlamentar ex-presidente da distrital de Lisboa do PSD. O que constitui um currículo de merda, ao qual se soma ter sido advogado (lá está!) e pensar que sabia tocar órgão de tubos. No meio disto, o suposto envolvimento num homicídio e no escândalo do BPN são coisas de somenos importância. Convosco, Duarte Lima.

Vou começar esta entrevista por uma pergunta simples. Matou ou não matou a Rosalina Ribeiro?
Quem?

A velha!
Ah, essa. Claro que não matei. Espetei-lhe um tiro, isso admito, mas se ela depois disso morreu, não tenho nada a ver com o caso. Os meus advogados conseguem demonstrar que não há uma relação causa-efeito entre levar um tiro e morrer. Afinal, há muitas pessoas que levam tiros e não morrem. Portanto, estou inocente.

E o dinheiro da herança de Lúcio Tomé Feteira, entrou ou não entrou na sua conta?
De quem?

Do velho!
Ah, esse. Olhe, nem sei. Entra tanto dinheiro, proveniente de fontes tão diversas, na minha conta bancária... Se eu estivesse a escrutinar tudo, do género, "Oh lá, estes 20 milhões de euros não estavam aqui ontem. De onde vieram e quem cá os pôs?!", não fazia mais nada na vida. E eu sou um homem muito ocupado em falcatr... aham, em negócios para perder tempo com tais mesquinhices.

Vamos precisamente por aí. Como explica que alguém sem particular inteligência, como você, tenha feito tanto dinheiro?
Posso não ser muito inteligente, e ser do PSD demonstra-o, mas sou bastante esperto e tenho tido sorte nas falcatr... aham, nos negócios em que me meto.

Suponho, portanto, que não está preocupado com o desfecho do caso BPN...
Náááá! Isso não vai dar em nada. O meu séquito de advogados irá certificar-se de que passo incólume. Sim, é chato o dinheiro que gasto só em honorários, mas no final do processo o Estado ainda vai devolver-me essa maquia. E já pensou no que aconteceria se todos os envolvidos no BPN fossem presos?! Portugal precisaria de triplicar o número de prisões só para acolher essa gente. Portanto, ilibar os envolvidos não só beneficia as finanças do país, numa altura em que se encontra em crise, como também evita o descalabro institucional da própria nação!

Como assim? Pode explicar melhor esse ponto?
Claro que explico. Com tanto político, gestor de topo, banqueiro e personalidade de reconhecido mérito envolvido no caso BPN, se fôssemos todos parar à cadeia, não haveria ninguém para mandar neste país. E aí era a anarquia: o Estado ver-se-ia sem dinheiro, as pessoas sem emprego, as pequenas e médias empresas a fechar... É esse o Portugal que queremos?!

Realmente... nem quero imaginar tal cenário!

Aí tem! Ainda bem que vivemos numa realidade completamente diferente.

Uma última pergunta, meu caro: como vê o actual PSD?
Olhe, o secretário-geral foi um tipo que perdeu para mim as eleições à distrital de Lisboa. Acho que isso diz tudo.

É verdade. Tem toda a razão. Obrigado pelo tempo dispensado.
De nada. Depois lá fora dou-lhe o meu NIB. Quando tiver 50 milhões de euros a mais, mande-me um pedacinho para a minha conta, está bem?!


FIM



quarta-feira, outubro 02, 2013

Os terríveis anos 80

Se época houve que significou uma mancha vergonhosa na história da Humanidade, essa época foram os anos 80. Os anos 80 são os anos do marketing cultural norte-americano. Os anos 80 são os anos da maquilhagem exagerada e das permanentes capilares. Os anos 80 são os anos das roupas berrantes, quer nos homens quer nas mulheres. Os anos 80 são os anos dos filmes e séries canastrões, com os actores mais canastrões do que uma mistura de Toy com Zezé Camarinha: Lorenzo Lamas. David Hasselhof. E um longo etc. Os anos 80 são, por fim, os anos da música pop mais pirosa e dos videoclips mais ridículos de que nos lembramos mas gostaríamos de esquecer. Vale a pena até ter Alzheimer se a doença apagar esse período que está calcinado na nossa memória.

Vá lá saber-se porquê, para reavivar tão indecorosa época, a gaja resolveu assistir a uma selecção de videoclipes intitulada "O melhor dos anos 80" (e deixem-me que vos diga: se aquilo era o melhor, não quero nem imaginar o que seria uma escolha "O pior dos anos 80". Deveria ser tipo Chernobyl - outra merda que ocorreu nos anos 80 -, mas mais cancerígena!). Durante não sei quanto tempo, porque acabei por perder a noção do tempo e do espaço passados os primeiros 10 segundos, foram desfilando "artistas" da craveira de um Limahl, de uns Modern Talking, de uma Yazz, de uns Foreigner, de uns Europe, de uns Bros, enfim, é melhor ficar-me por aqui, pois creio que desse lado vocês já devem estar à beira de um AVC. E não fazem nada mal.

Nada simboliza tão bem os clipes e a sonoridade "anos 80" como esta merda: o keytar, ou sintetizador-guitarra. Enfim, como uma imagem vale mais do que coiso e tal, fica aqui a tromba de um
Horrendo, não é?! Pior do que a guerra das Malvinas ou o conflito no Afeganistão, que tanto sofrimento provocaram nos anos 80. O keytar só não foi abolido em convenções das Nações Unidas porque os líderes mundiais, como sempre, estão arredados e distantes daquilo que pesa sobre os povos. O gás saryn é mau? Claro que é. O napalm é hediondo? É pois. Mas o keytar podia ser usado na criação de bandas-sonoras para a eternidade passada no Inferno. O keytar supera facilmente as unhas a raspar em superfícies duras, os alarmes de automóveis e o riso da Cristina Ferreira como som mais irritante a que os seres humanos podem ser expostos.

Foi isto que a gaja ontem libertou. Tal como um Kraken saído das profundezas marinhas, o som do keytar saiu dos anos 80 para voltar a atormentar os justos e os dignos. A gaja não pareceu importar-se muito (deviam vê-la a cantar o "You're my heart, you're my soul", dos inenarráveis Modern Talking...), já eu vou precisar de muita psicoterapia e antidepressivos para conseguir lidar com isto um mínimo que seja. Até os meus colegas de trabalho já notaram qualquer coisa de errado. "O que se passa contigo hoje, Peter of Pan?", perguntaram eles. "Duas sílabas: key tar", respondi eu. 
 
E eles perceberam logo tudo.

Malditos anos 80...

segunda-feira, setembro 30, 2013

Curtas secas sobre assuntos vários

Futebol

O Sporting apanhou uma equipa chamada Alba no sorteio da Taça de Portugal. Se for tão apetecível como a Jessica, posso dizer que será um prazer enfiá-las lá para dentro.

Ciclismo

O Rui Costa tornou-se campeão do mundo em ciclismo. Nota-se que o rapaz está a progredir imenso. Agora, para chegar ao topo da carreira, só falta vencer o Tour de France e ser apanhado num controlo antidoping.

Autárquicas

Já não via tanto vermelho associado ao Alentejo desde que a minha colega gorda alentejana do 6º ano apareceu com o período.

Autárquicas 2

Segundo as sondagens, a estreia da Casa dos Segredos foi o programa mais visto do dia de ontem, suplantando a análise e o comentário às eleições. Portanto, concluo que os políticos, para estarem mais próximos dos portugueses, devem ser deixados sozinhos para poderem andar à porrada e f*der-se uns aos outros. Mas a verdade é que isto já está feito. Três letrinhas apenas: PSD!


sexta-feira, setembro 27, 2013

Estratégia infalível para não nos esquecermos do chapéu-de-chuva nos transportes públicos

É esquecermo-nos do chapéu-de-chuva em casa.

Experimentei hoje e funcionou. Portanto, é uma medida com 100% de eficácia.

Experimentem vocês também e verifiquem se assim não é!

Bom fim-de-semana e boas molhas.

segunda-feira, setembro 23, 2013

Romanos e benfiquistas: uma análise comparativa

Lembram-se dos romanos?! Aqueles tipos que queriam dominar todo o mundo conhecido e gostavam muito de combates entre gladiadores? Sim, esses. Para os romanos, tudo o que tivesse pancada e sangue era coisa para valer a pena. Hoje em dia, há um grupo de indivíduos que muita semelhança tem com os antigos romanos: isso, os benfiquistas. E não é só por ambos serem simbolizados por uma águia...

Sigam os acontecimentos. Os benfiquistas passaram as últimas épocas a assobiar o Cardozo. Quando o Cardozo empurrou o Jesus,* o paraguaio passou a ser o jogador mais querido dos adeptos. Já o Jesus recebeu críticas e assobios atrás de críticas e assobios desde, pelo menos, o desgraçado final da época passada da lampionagem, mas bastou andar à batatada com a polícia para renascer aos olhos da mole lampiã.**

Portanto, os benfiquistas são romanos, mas sob uma fatiota vermelha e branca. Eles gramam é porrada. Nem ligam muito ao futebol, querem é ver o circo pegar fogo. Desde que haja tabefe e soco, está tudo bem.

Sabem o que eu tenho a dizer sobre isto, sabem?!?! O mesmo que os gauleses irredutíveis diziam: "estes romanos são loucos".

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* Mais uma "coincidência". Tanto romanos como benfiquistas tiveram de apanhar com um Jesus.

** Ressurreição que só tem paralelo no outro Jesus, aquele que foi crucificado, voltou dos mortos e acabou por conquistar Roma. Acrescente-se - se é que tal era preciso - que tanto o Jesus de Nazaré como o Jesus da Amadora travaram amizade com homens que vieram a ser chamados de Papa.

quinta-feira, setembro 19, 2013

Le sommeil

Tenho tanto, tanto sono...

Tenho tanto sono que, acabado de me cruzar com uma rapariga dotada de notável prateleira, só cerca de meio minuto depois interiorizei o que havia acontecido e consegui pensar, para comigo mesmo, "Fosga-se, mas ca ganda par"*. Se alguém me houvera observado durante aquele intervalo de tempo, certo estou de que atentara em ampulhetas do Windows a pairar, com animadas piruetas, sobre a minha cabeça.

Esta merda está tão mal que a frase imediatamente anterior é assim como que uma mistura de escrita barroca com A Teoria do Big Bang (só um geek se vale de símiles tecnológicos...).

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* Esta merda está tão, mas mesmo tão mal que pensei e escrevi uma cacofonia ("ca ganda"?!?!?!) e nem me dei ao trabalho de alterá-la.

P.S.: Já para não falar da rabetice que é pôr um título de um post em francês. Só pode ser do sono...

terça-feira, setembro 17, 2013

Juízos sintéticos a priori há muitos, seu palerma!

Parece uma notícia típica de silly season, mas é tudo menos silly (e, já agora, também não é nada season): na Rússia, andaram aos tiros por causa do filósofo Immanuel Kant. Pronto, está bem, dito assim, até que é um bocadinho silly.

Não que a História da Filosofia esteja isenta de episódios de violência. Não está. Ficou célebre a quase agressão de Wittgenstein a Karl Popper com um atiçador numa ocasião em que discutiam questões filosóficas. Há um romance qualquer a narrar este episódio, leiam-no e não me chateiem. Mais célebres ainda, embora mais distantes no tempo, ficaram as contendas entre os filósofos medievais a propósito da chamada Querela dos Universais. Essas contendas, que começavam sempre por ser disputas intelectuais, resvalavam não poucas vezes para o confronto físico, o que dá ares de paradoxo quando se sabe que tais filósofos eram frades, monges, enfim, homens de grande devoção cristã. Se por um lado andavam a pregar a castidade e o amor ao próximo, quando o assunto era saber se as propriedades (os tais "Universais") tinham uma existência concreta (assim defendiam os realistas) ou não passavam de meros nomes (posição dos nominalistas), a moralidade cristã ia para o caraças e passava a valer tudo, até atirar Bíblias às cabeças adversários. E esta merda devia aleijar à séria, pois as Bíblias de antanho eram bem mais pesadas do que aquelas comercializadas hoje em dia. Coisa para abrir um buraco maior do que esta lesão do futebolista Wayne Rooney.

Seja como for, andar aos tiros por causa de uma discussão filosófica é algo inaudito. E mais inaudito é todo este caso quando se vê que o causador involuntário foi Kant, o filósofo que defendia não devermos olhar os outros simplesmente como meios para outras coisas, e estou a simplificar. E ainda mais inaudito é saber que a disputa decorreu quando os dois indivíduos intérpretes do kantianismo estavam a tentar comprar cerveja.

Espantadas, as autoridades procuram agora saber qual das formulações filosóficas kantianas levou ao extremar de posições entre os dois russos. Oposição quanto ao significado do imperativo categórico? Ou terá sido a dedução transcendental das categorias? Ou mesmo os juízos sintéticos a priori? Ou o apelo ao Reino dos Fins, de resto, se é permitida a minha opinião, um dos aspectos da filosofia kantiana que dá mais vontade de bater em alguém, a começar pelo próprio Kant?! Enfim, aguarda-se ansiosamente a resposta, e eu só espero que a polícia russa tenha pelo menos um especialista em Filosofia, uma espécie de Horatio Caine com uma pós-graduação (mestrado, no mínimo!) em Idealismo Alemão.

Só mais uma nota: segundo refere a notícia do Sol, "as discussões sobre filosofia são muito comuns na Rússia". Se isto for verdade, não sei o que ando a fazer aqui. Por bem menos, o Depardieu pediu cidadania russa. Ter uma menor carga fiscal é giro, sim, mas estar num país onde se discute filosofia na fila para a mercearia é mais giro ainda. Quer-me parecer que ainda vou ter de descobrir o e-mail do Putin e solicitar-lhe, também eu, a cidadania russa...

segunda-feira, setembro 16, 2013

Faz falta uma publicação sensacionalista e fofoqueira para a petizada!

Mais uma oportunidade de negócio com o selo de qualidade Peter of Pan! Constatei que há um nicho dentro do mercado das publicações periódicas que necessita ser explorado: uma revista capaz de noticiar as fofoquices relativas às personagens predilectas da criançada. O que isto não fará pela literacia dos nossos "piquenos"! Estou já a vê-los a ler a revista enquanto comem os cereais ao pequeno-almoço ou fazem xixi no bacio.

Como director da revista, uma mistura de Caras com Correio da Manhã para miúdos, tenho já preparadas várias manchetes. Vejam lá se isto não é um projecto vencedor.

Trombinhas Kids #1
Ruca e Noddy vistos juntos em discoteca gay. Não percas as fotos.

Trombinhas Kids #2
Bob o Construtor responde aos rumores de falência da sua empresa de construção civil: "Vão para o c@$@&$%, seus filhos da p#$&!"

Trombinhas Kids #3
Dick Dastardly, Wile E Coyote e Robbie Reles de Vila Moleza falam sobre as suas experiências enquanto vilões frustrados.

Trombinhas Kids #4
Doraemon admite: "O meu pêlo azul é fruto de uma adolescência marcada pelas drogas".

Trombinhas Kids #5
Bombeiro Sam terá um caso com a Pipi das Meias Altas? Vê a nossa grande reportagem.

Trombinhas Kids #6
Que tipo de relação tem a Heidi com o seu avô? Fotos exclusivas revelam. Não deixes de ler também o artigo de opinião assinado pela Paula Bobone: Animadamente correcto.

Trombinhas Kids #7
O verniz estala entre a Ovelha Choné e a Popota. Rumores de agressões e ofensas verbais.

Trombinhas Kids #8
A porquinha Olivia confessa: "Fui abusada sexualmente pelo Pequeno Pónei"

Trombinhas Kids #9
O elenco de Navegantes da Lua vai de férias. Imagens a não perder. Lê também Os segredos do Son Goku para uns abdominais de sonho.

Porra, que isto vai ser um sucesso...


quarta-feira, setembro 11, 2013

Mandei uma lista de dúvidas para os caramelos do CERN e da NASA. Eis as respostas

Sou um gajo muito curioso e detesto desconhecer coisas que não conheço, embora detestasse mais ainda desconhecer coisas que conheço ou conhecer coisas que desconheço. Isto seria do piorio.

De modos a ter respostas para as dúvidas que neste momento me atormentam, mandei uma cartinha para os nerds da NASA e do CERN. Na falta de Deus, que não existe, e do Vasco Pulido Valente, que existe e sabe tudo, mas é um ordinário do caraças, pensei que a escolha acertada seria abordar os génios daquelas duas organizações internacionais. E acho que não me enganei, se bem que algumas respostas que recebi não tenham propriamente o dom de me convencerem... Vou reproduzir tudo tim tim por tim tim, e depois julguem vocês.

Diz-se que a velocidade da luz é constante, e que a luz percorre 300 000 000 metros por segundo. Ora, mas se disséssemos à luz que ela troca favores sexuais por dinheiro e que faz alfinetes de peito a equinos, não seria teoricamente expectável que ela se deslocasse uma beca mais depressa? Sendo assim, se eu estivesse a 30 anos luz da luz e lhe mandasse essas bocas, quanto tempo passaria até que a gaja viesse junto de mim pedir satisfações? 28 anos luz? 24 anos luz? Não faria nada e, cheia de vergonha, virava-me as costas e ia para casa lavada em lágrimas?

Resposta dos gajos do CERN:
That was never tested. But it's interesting from a theoretical point of view. We now have an unused large hadron collider, maybe we could make some experiments there. Just explain to us what do you mean by "alfinetes de peito". Our automatic translator was all blank there. Oh, and light does not travel 300 000 000 m/s. Its actual speed is 299 792 458 m/s. Check you references next time.

Resposta dos gajos da NASA:
WTF are you talking about?!

Sendo que o William Carvalho está num início de época do caraças, o que deve o Sporting fazer com o Rinaudo? Eu acho o Rinaudo um dos melhores jogadores de sempre do mundo, mas não me parece bem tirar o William, que neste momento é o melhor jogador de sempre do universo naquela importante posição de nº 6.


Resposta dos gajos do CERN:
Good point. Our team of physicists came up with a possible solution. Put Rinaudo inside a closed dark box when the match starts. As he is inside the box, the referee can't tell he's playing or not (we call this a Schrödinger's Rinaudo, ha ha ha - that's a physicist joke!). And so, you have the problem solved: William Carvalho and Rinaudo at the same football pitch, but no one can tell if Sporting is playing with 12 players. We can't figure yet how Rinaudo can kick the ball when he sees nothing outside the box, but we'll be working on that as soon as we get new funds from our member states.

Resposta dos gajos da NASA:
WTF are you talking about?! What is a Rinaudo? And a William Carvalho?

Podem os zombies peidar-se?

Resposta dos gajos do CERN:
It's possible. They eat, and they have bowels, unless they were torn apart by other zombies. A more interesting question would be then: what does a zombie fart smell like? We must build a 100 million euros machine to answer this.

Resposta dos gajos da NASA:
At last, something we can grasp. Can zombies fart? A decent question, this is. But we don't fucking know.

Foi isto. Da próxima vez que tiver mais dúvidas na cabeça, talvez mande antes uma carta à Fanny do Big Brother...

terça-feira, setembro 10, 2013

Coisas pelas quais vale a pena andar à pancada.

Ontem principiei uma discussão com um amigo e estamos para marcar um duelo. Motivo? Do alto do meu bom senso, afirmei que Mário de Carvalho é o melhor escritor português vivo, ao passo que o desgraçado do filisteu do meu amigo, se é que posso chamar gente desta de "amigo", disse que não, não é nada.

Discórdia desta tem de acabar à paulada. Não se admite que um bárbaro brinque com coisas sérias. Civilizado como sou, pedi para que fosse ele a marcar o lugar e a hora, e ainda o deixei escolher armas primeiro. Sou assim: ele começa, mas sou eu quem vai acabar com esta história!

Muitos podem ver nisto um manifesto exagero. Então dois indivíduos adultos andam à porrada só por causa de diferendos literários?! Mas não há exagero algum. Se há coisas pelas quais vale a pena andar à mocada, são divergências em termos de gostos. Quê, acham melhor inventar guerras por causa do petróleo? O petróleo é uma cena que cheira mal, é peganhenta é dá um trabalho do caraças a limpar. Quem anda às turras por causa disto, não bate bem da tola.

Outras coisas pelas quais vale a pena lutar: opiniões sobre gajas (tipo: "Ah, a coisinha é mais grossa do que a fulaninha", "Ah, não é nada", "Ai não? Queres andar já ao soco?"). Prestações desportivas ("Ah, o Sporting é melhor que o Benfica e o Porto juntos", "Ah, não é nada", "Ai não? Deixa-me ir ali buscar a minha bazuca e já conversamos melhor"). Sabores de gelados. Face a isto, disputas por recursos e por territórios são coisas, digamos, comezinhas. Digam lá se não tenho razão.

(aviso já que, se disserem que não tenho, isso é coisa para andarmos já todos aqui à batatada. Portanto, tomem juízo).

segunda-feira, setembro 09, 2013

Manuela Moura Guedes vai apresentar o Quem quer ser milionário?

Então o programa faria bem em mudar de nome para
Quem consegue aguentar aquela tromba sem desviar o olhar?

quinta-feira, setembro 05, 2013

Verdades insofismáveis: os americanos nunca estão certos

Sendo um céptico por natureza, e admirador da máxima socrática do "só sei que nada sei", há contudo pelo menos três coisas que eu tenho por absolutamente certas: uma, as mamas fazem o Universo valer a pena; duas, o Sporting é o maior, mesmo não ganhando porra nenhuma; três, os americanos estão sempre, mas sempre, mas mesmo mesmo sempre, errados.

Se a maioria da esquerda tem sido simpática para os americanos desde que o pret palhaço do Obama foi eleito e re-eleito, eu não pactuo com essa simpatia, pois os americanos, lá está, estão sempre errados, nunca é demais repeti-lo. Os meus amigos não compreendem isto: se uns falam que estou a ser injusto, ou que sou um exagerado, outros alegam que sou um anti-americano primário e que quero ver o mundo cair no caos e na anarquia (a estes, faço desde logo saber que não me compram com elogios).

Este intróito todo serve para dizer que, nesta situação séria que é o ataque à Síria, estou contra. Mas estou contra o quê, exactamente? Estou contra aquilo que os americanos fizerem! Se os americanos decidirem atacar, estou contra. Se os americanos decidirem não atacar, estou contra. E se os americanos ficarem indecisos sobre se atacam ou não, estou contra. Esta é a atitude saudável a ter. E a única atitude ética e responsável.

Tudo o resto é conversa. Não venham cá com histórias de pacifismos, nem de libertação do povo sírio, nem de receio pela oclusão da III guerra mundial, nem nada. Querem saber o que é justo e bom fazer? É tudo aquilo que os americanos fazem, mas ao contrário. Mais nada. Aprendam...

quarta-feira, setembro 04, 2013

Mas de onde saíram estas malucas?

Devem recordar-se de, semanas atrás, os serviços noticiosos falarem de uma praga de mosquitos no Algarve. Eu, na altura, aplaudi: nada como uma bela invasão de insectos para chatear os burgueses e os turistas endinheirados que gostam de passear pelo sul do país. O problema é que o karma, não existindo, ainda assim é um cabrão, e a praga de mosquitos, ou melgas, ou lá o que são aquela merda, parece que subiu pelo território e instalou-se na área metropolitana de Lisboa. Uma porra, porque tenho picadas desde sábado que ainda me dão comichão, e não se trata de pequenas borbulhas: não, são autênticos caroços, vermelhões e rijos, espalhados pelas pernas, pelos pés e até pelas costas, junto quase ao rego do rabo.

Uma valente gaita, é o que eu digo.

(Um aparte. Veja-se como numa frase escrevi "rabo", e na frase seguinte escrevi "gaita". É sempre assim: quando aparece um rabo, vem uma gaita logo atrás. Aprendam comigo, que estas merdas não se ensinam nas aulas de Escrita Criativa).

Uma gaita, pois. Ando a coçar-me desde sábado, e não vejo meio destas putas destas borbulhas gigantes sumirem. Aquilo não foi feito por melgas; foram super-melgas, melgas tão melgas, tão cabronas e chupistas que qualquer dia chegam a secretárias de Estado ou até mesmo a ministras. E eu agora tenho pena dos burgueses e dos turistas que passaram as suas férias no Algarve. Porque se eles passaram pelo mesmo que eu, deve ter sido chato.

Esperem, eu disse que tinha pena? Desculpem: o que eu queria dizer é que, no caso deles, é muito bem feito. Mamem, burgueses. Mamem, turistas. Espero que ainda estejam a coçar as vossas borbulhas, e que as mesmas já estejam transformadas em furúnculos bem dolorosos, com pus e tudo. 

(Depois desta, o sacana do karma vai pedir-me satisfações novamente, querem ver?! Alguém conhece um bom repelente de insectos, daqueles baratitos?)

E agora vou-me embora, que estou de novo com uma daquelas comichões...