quinta-feira, junho 05, 2014

A análise pré-Campeonato do Mundo que ainda não foi feita: quem manda os visuais mais marados!

A poucos dias de começar o Brasil 2014, especialistas e comentadores (não devemos confundir uns com outros, nem outros com uns) desdobram-se em análises tácticas, em queixas pela ausência do Quaresma, do Nasri ou de outro qualquer paneleireco e, sobretudo, em rigores médico-farmacêuticos acerca do joelho do Ronaldo, ou lá o que é, que eu confesso ainda não ter percebido em que raio de sítio o rapaz está aleijado. Contudo, ainda ninguém disse uma palavra sobre a estética deste mundial, e minha gente, se há coisa que o futebol é, na sua essência, é estética. Isso e comparar benfiquistas e tripeiros a nalgas... o que, se formos bem a ver, também é uma coisa mais ou menos estética (obrigado, Bruno de Carvalho).

E a estética do futebol divide-se em dois componentes. Primeiro, o do jogo propriamente dito: se é rápido, apoiado, lento, directo, etc. Não é isto agora que me interessa. Interessa-me, isso sim, o segundo componente: o dos jogadores. Não sendo o Brasil 2014, no seu conjunto, tão facilmente identificável, em termos estéticos, quanto o Alemanha 1974 e o Argentina 1978, em que os cabelos típicos dos anos 70 eram obrigatórios (vejam as selecções da Holanda e da Argentina, por exemplo), e faltando também do ponto de vista individual figuras como um Alexi Lalas (ex-defesa central dos EUA famoso pelo seu visual hippie/redneck/chunga 2.0) ou um Taribo West (ex-defesa central da Nigéria), devem ainda assim ser destacados os futebolistas que mandam mais estilo, esteticamente falado. E é assim que me decidi a fazer uma escolha dos jogadores aos quais, esteticamente, devemos estar mais atentos neste próximo Mundial. 

1. David Luiz (Brasil)
O visual "David Luiz" é já sobejamente conhecido, ou não tivesse o defesa brasileiro passado por uma das nalgas que solta trampa ou vento malcheiroso. A comparação com a personagem dos Simpsons Sideshow Bob já foi feita por diversas vezes, portanto, excluo-me de fazê-lo de novo, mas olhar para o David Luiz como uma espécie de poodle com talento para a bola não será algo totalmente desajustado.

2. Dante (Brasil)
Na selecção anfitriã podemos ainda encontrar a cabeleira afro-pós-moderna do central Dante. Ao contrário do seu colega David Luiz, cujos caracóis são móveis, a carapinha de Dante é uma espécie de elmo medieval que nem com uma alavanca se poderia mover, deitando por terra toda a física arquimediana com a mesma força com que se faz um carrinho por trás a um adversário. O cabelo dantiano é, pois, mais uma arma no jogo físico e aéreo, e ninguém se espante quando, nos quartos de final, o Brasil mandar para casa uns toscos quaisquer à conta de um golo marcado pelo cabelo do Dante na sequência de um pontapé de canto.

3. Fellaini (Bélgica)

David Luiz e Dante mandam grandes cabeleiras, sem dúvida, mas a mãe (e o pai) de todos os penteados aos caracóis é a cabeleira de Fellaini, o médio belga que fez sucesso no Everton mas, esta época, foi infeliz na sua mudança para o Manchester United. E percebe-se porquê: o meio campo precisa de jogadores com velocidade e visão, e o cabelo de Fellaini não o deixa ter nem uma coisa nem outra. Com o seu colega Axel Witsel (ver abaixo), forma a linha de centrocampistas com mais lã deste mundial.

4. Witsel (Bélgica)
É disto que estou a falar! Com Witsel e Fellaini, penetrar no meio campo belga não há-de ser tarefa fácil para os adversários. Não admira que a Bélgica seja considerada uma das equipas mais fortes deste Brasil 2014. Se os adversários não levarem tesouras para o terreno de jogo, prevejo complicações. A única réstia de esperança de toda e qualquer equipa que defronte os belgas estará, parece-me, em rezar por uma vaga de calor tão forte que faça Witsel e Fellaini suarem tanto que aos 30 minutos de jogo necessitem de ser substituídos à conta da desidratação.

5. Pogba (França)

Pogba tem um dos penteados mais revolucionários que podem ser observados neste mundial. Mistura um moicano afro (como se pretendesse unir o tribalismo africano e norte-americano, notem bem... multiculturalismo é isto), nuances loiras e riscos acima das têmporas.

6. Raul Meireles (Portugal)


Se o estilo moicano de Pogba ainda é um pouco tímido (falta rapar um pouco mais dos lados), já o de Raul Meireles é todo ele afirmativo. E junta a isto, que já de si não é pouco, uma farfalhuda barba que tem sido fartamente comparada à de António Variações. Só falta pintar cabelo e barba de loiro para o centrocampista português alcançar o nível de um ex-colega de selecção que mandava alto estilo, Abel Xavier de seu nome. Raul Meireles irá centrar atenções em qualquer encontro do qual participe. Há quem diga que este Mundial pode ser o Mundial de Ronaldo, de Messi, de Neymar. Pode ser. Mas em termos estéticos, o Brasil 2014 é o Mundial de Raul Meireles. Ponto final.

Agora é esperar que a bola role e as cabeças também.











quarta-feira, junho 04, 2014

Momento WTF

Mas que raios é uma "tendinose rotuliana esquerda"?!?!

Não podiam simplesmente dizer que o Cristiano Ronaldo tem um dói-dói?! Ao menos assim todos nós ficamos a perceber!...

sexta-feira, maio 30, 2014

Argumentum ab auctoritate

(pá, olhem só o estilo: um título de um post em latim... fónix. Quero ver o Jorge Jesus a fazer igual!)

Vi nas notícias que o Bill Clinton se juntou àqueles que aconselham a Portugal reestruturar a sua dívida.

Ora, esta é uma voz a que o governo deveria dar particular atenção. Porque se há algo de que o ex-presidente coiso percebe, é de buracos!


Bom fim-de-semana e reestruturem muito.

quinta-feira, maio 29, 2014

O conselho do Peter of Pan ao Bloco de Esquerda

O Bloco de Esquerda continua a afundar-se mais e mais a cada novo sufrágio. Parece evidente que a liderança bicéfala não está a resultar. Mas eu creio ter encontrado a solução perfeita para a chefia do partido da esquerda caviar. Uma solução que mantém a bicefalia mas concentra-a apenas numa pessoa. Uma solução que reúne a perspectiva feminina e a perspectiva masculina, mantendo assim a paridade tão cara aos bloquistas, mas oferecendo apenas uma cara com a qual os eleitores possam identificar-se.

Sim, a pessoa ideal para ficar à frente dos destinos do partido é a Conchita Wurst.

E é assim, insuspeitamente, que dou uma ajuda aos partidos de direita em Portugal (sim sim, não me lixem: comparado comigo, o BE é de direita!).

quinta-feira, maio 22, 2014

Versões alternativas ao novo single dos Mão Morta

Já, penso eu, toda a gente viu o novo tiro dos Mão Morta, e uso "tiro" livremente. E anda tudo a discutir se a coisa é violenta ou não, se apela à revolução ou não. Pessoalmente, estou-me a cagar, mas como até gosto da banda, e prevejo uma feroz onda de censura, sugiro aqui umas pequenas modificaçõezinhas ao refrão e ao conceito do videoclip, para que a coisa possa passar sem problemas nas rádios e nas televisões. Aqui vão:

1 - Pelo meu relógio, são horas de almoçar
videoclip: Adolfo Luxúria Canibal distribui senhas de refeição.

2 - Pelo meu relógio, são horas de coçar
videoclip: Adolfo Luxúria Canibal distribui coçadelas. No caso mais complicado (um político com uma perna engessada), o vocalista dos Mão Morta vai lá com um arame.

3 - Pelo meu relógio, são horas de comprar um relógio novo.
videoclip: Adolfo Luxúria Canibal distribui relógios previamente comprados aos ciganos.

4 - Pelo meu relógio, são horas de uma sesta.
videoclip: Adolfo Luxúria Canibal distribui almofadas, lexotans e copos de água.

E pronto, é isto. Nunca digam que eu não faço nada pela música portuguesa.

quinta-feira, maio 15, 2014

Duas coisinhas à volta da derrota do Benfica

Uma: é triste, diria mesmo uma vergonha, perder por causa de um beto.

Duas: parafraseando Lineker, o futebol são 90 minutos e 11 contra onze. E nas finais, o Benfica perde.

Até à próxima.

segunda-feira, maio 12, 2014

Existem pessoas distraídas. E depois existo eu.

Vi agora que me cortei num dedo. Mas o corte não é recente: passaram aí umas cinco horas desde que peguei no canivete, para cortar uma peça de fruta. E na altura não me dei conta de ter cortado o dedo.

Curiosamente, há coisa de um mês, parti a cabeça de manhã e só dei por isso várias horas depois, quando fui tomar banho ao fim da tarde e reparei que o meu cabelo estava empapado em sangue.

Qualquer dia, morro e nem dou conta.

(na pior das hipóteses, já estou mesmo morto e apenas tenho andado distraído)

quinta-feira, maio 08, 2014

Confissões de um obsessivo-compulsivo

Todos nós temos as nossas manias, mas algumas manias são - como dizê-lo? - mais parvas que outras. Então quando se é obsessivo-compulsivo (coisa que eu não sou, mas só porque tenho a mania obsessivo-compulsiva de dizer que não sou), não há hipótese: as nossas idiossincracias serão inevitavelmente imbecis. Recentemente, estive a fazer uma lista (algo que os obsessivos-compulsivos fazem muito...) com as minhas manias mais estranhas. Para não vos chatear, comprovando, assim, que sou um obsessivo-compulsivo nada obsessivo-compulsivo, porque os obsessivos-compulsivos mesmo obsessivos-compulsivos acabam sempre por chatear os outros com as suas manias obsessivo-compulsivas, mas eu não, eu não chateio nada, mesmo nadinha, reproduzo apenas 5 dos itens que constavam dessa lista, os mais inofensivos, porque, não sei se já vos tinha dito, a minha intenção é não vos chatear, ao contrário dos obsessivos-compulsivos que passam a vida a melgar o resto da humanidade, raios parta essa gente mais as suas coisinhas, que chatos pá, desopilem:

1 - Todos os meus cds têm de estar direitinhos dentro das respectivas caixas. E se o desenho do cd for igual ao desenho da capa, têm de estar milimetricamente alinhados. Esta é uma das razões por que não gosto de emprestar cds: se os devolvem sem esse alinhamento, fico completamente possesso. O mais estranho é que eu só faço isto com os MEUS cds. 

2 - Outra que também envolve os meus cds: cada cd novo que compro tem de ser escutado exactamente 6 vezes antes de ser arrumado na prateleira. Depois disto, quando volto a ouvi-lo, é indiferente: posso ouvi-lo uma, duas, dez vezes seguidas, conforme me apetecer. Mas assim que o compro, não falha. São 6 vezes, nem uma a mais, nem uma a menos.

3 - Quando pego num livro, tenho de lê-lo todo, de ponta a toda. E quando digo "todo", é mesmo TODO! Capa, contracapa, lombada, página do editor... até a porcaria do ISBN e do código de barras eu tenho de ler!!!!!

4 - Se vai passar um filme na televisão que eu quero ver e, por azar, perco os primeiros segundos, já não o vejo. Tenho de ver um filme rigorosamente desde o início. A não ser que seja um filme que já tenha visto. Quando assim é, não me importo. Sim, eu sei... manias...

5 - E, já agora, quando vejo um filme no leitor de dvd, tenho de vê-lo até ao seu absoluto final, isto é, até todos os créditos terem passado pelo ecrã. Mas só se for em dvd: não faço isso no cinema, tirando uma vez ou outra, e não faço isso com os filmes que passam na televisão.

E vocês, quais são as vossas manias parvas?!

terça-feira, abril 22, 2014

Esta é seca, parva, estúpida e tudo ao mesmo tempo.

Era um treinador tão, mas tão mariconço que só gostava de exibições que lhe enchessem o olho.

terça-feira, abril 15, 2014

O regresso da bicicleta

Já há muito tempo que não trazia a minha bicicleta para o trabalho. Ultimamente, tenho-a utilizado só mesmo por lazer, limitando-me a uma voltinha ou outra aos fins-de-semana. Andar nela todos os dias é que não.

E isto trouxe consequências. Primeira, o meu rabo está muito menos calejado e musculado do que há uns meses atrás. Segunda, a minha bicicleta não gostou de ser posta de lado. Em conversa (*) com ela, fui alvo de severas críticas e reclamações. O que tive de ouvir, entre outras coisas, foi

"Já não estás interessado em mim"

"Dantes pedalavas-me todos os dias, agora mal me tocas"

"Tu tens outra bicicleta, é o que eu acho. E aposto que é mais nova que eu"

"Sempre me disseste que gostavas delas com pneus mais cheiinhos. É isso, não é?!"

"Tens é vergonha de me mostrar aos teus colegas"

Rebati tais acusações, mas ela recusa-se a acreditar em mim. É fêmea, e já se sabe que as fêmeas nunca aceitarão os argumentos racionais de um macho. Portanto, não serviu de nada alegar que saio menos vezes com ela porque não há espaço no comboio, porque só agora o tempo começa a estar menos chuvoso, porque isto e porque aquilo. A minha bicicleta só acredita no que quer acreditar.

O prolongado hiato de deslocações ciclistas casa-trabalho/trabalho-casa terminou hoje, porém. Trouxe-a. E tirando a sensação de que os travões precisam de vistoria (será um problema técnico dos ditos, ou tratou-se apenas de a minha bicicleta querer punir-me um pouco pela falta de andamento?), e que o meu rabo precisa novamente de ganhar calo (don't ask...) correu tudo muito bem ou, se me é permitido o jogo de palavras, correu tudo sobre pedais. E, há pouco, quando vim do almoço e vi a minha bicicleta acorrentada ao suporte toda contente na companhia de outras, percebi que tinha tomado a decisão certa. Como fêmea que é, a bicicleta só precisava de passear um bocadinho. Quer apenas alguém que tenha pedalada para ela, nada mais. E isso é bonito.

Já lhe sussurrei junto ao guiador que amanhã voltaremos a pedalar. Ficou logo com o selim mais fofo, a maluca. E deixei de ouvir recriminações. Está a ser um bom dia, portanto.
 


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(*) Sim, eu mantenho diálogos com objectos inanimados. Algum problema? Para além da bicicleta, converso muitas vezes com bolas de futebol (diz-se que o Cristiano Ronaldo faz exactamente o mesmo: talvez este seja um comportamento que só se vê nos grandes craques da bola!), com garrafas de cerveja e com o Paulo Portas.

terça-feira, abril 08, 2014

Pensamentos nada machos

Fiz uma breve lista mental de 10 filmes que gostaria de rever nos próximos tempos.

O 5º ou 6º dessa lista era o Brokeback Mountain.

Vou ter de passar o dia todo a pensar em mamas só para compensar esta falha, que se traduz numa derivação para a mariquice.

Esperem: eu disse "ter de passar o dia todo a pensar só em mamas"?!? Isso já eu faço, dia sim dia sim.

Vou ter de passar, pois, o dia todo a pensar AINDA MAIS em mamas.

Ah, assim já está bem!

(ao menos não pensei em rever o Querelle do Pasolini. Ufa!)

quarta-feira, abril 02, 2014

Gosto sempre de olhar para o lado positivo das coisas

E o lado bom de estar constipado há exactamente três semanas é que, durante este tempo, não apanhei nenhuma nova constipação. Um BRAVO para mim!

quarta-feira, março 19, 2014

O mistério do avião desaparecido está agora resolvido.

Eu sei por que ninguém consegue encontrar o avião das linhas aéreas da Malásia.

É que ele foi cair mesmo no buraco do BPN!

terça-feira, março 18, 2014

O meu Movimento Basta!

Só se passaram três meses no novo ano e eu já me constipei 4 vezes. Isto constitui um recorde negativo, até mesmo para mim, que estou habituado a constipar-me com relativa frequência. Dá mais do que uma constipação por mês, o que é absurdo. E parvo. E é coisa que não consigo colocar as culpas no governo, por mais que tente (e eu tenho tentado). E isso é ainda mais absurdo. E mais parvo.

Para tentar perceber as razões deste meu downsizing de saúde, instalei microfones ocultos no meu corpo. E captei um diálogo que explica tudo, tudo:

Anticorpo 1: Olha, aí vem outra vez um vírus. 'Bora lá trabalhar uma beca.
Anticorpo 2: 'Tá quieto, kaga lá nisso, estou aqui tão bem...
Anticorpo 1: Mas assim o dono deste corpo vai constipar-se. Outra vez.
Anticorpo 2: E eu com isso? Vou arriscar-me a combater vírus por esse gajo?! Eu já perdi a conta às vezes que combati vírus. E que ganhei com isso? 'Tou farto e quero a reforma antecipada.
Anticorpo 1: Olha que ele tem-nos dado muita coisa. Leva-nos a jogar à bola, consome pipas de gelados, olha para as mamas das gajas...
Anticorpo 2: Pfff... peanuts. Nada disso compensa termos de arriscar a vida 7 ou 8 vezes por ano para o livrarmos de constipações. Quantos dos nossos amigos já viste tu morrer à conta das constipações que este marmelo apanha? Hmmm? Diz-me lá.
Anticorpo 1: Não sei já. Foram muitos, é verdade.
Anticorpo 2: Milhões de nós já pereceram. Milhões! E esta besta continua a constipar-se! Ele que peça ajuda a outros, este anticorpo aqui não mexe mais a palha. Não sem contrapartidas relevantes. Ele que vá pró c#$&""#&%€ [parte censurada]. Nem mais um anticorpo para a guerra contra os vírus.
Todos os anticorpos [em uníssono]: Nem mais um anticorpo para a guerra contra os vírus!

Este diálogo não se pode comparar com as escutas do Apito Dourado, bem sei, em parte porque não mete putas ao barulho. Mas que contém afirmações deveras graves, disso não há dúvidas. Comprova, desde logo, que o aumento do número de constipações se deve em larga medida à inacção das entidades que têm por missão combatê-las! E isto não é admissível. E como não o é, reservo-me no direito à indignação e ao protesto. Porém, isto não basta, e inspirando-me nas recentes iniciativas dessa instituição magnífica e espectacular que é o Sporting Clube de Portugal, resolvi criar também um Movimento Basta.

Movimento Basta do Peter of Pan

Basta de roubos
Basta de mentiras
Basta da complacência dos anticorpos face aos vírus
Basta de inacção
Basta de atentados à  minha saúde

Reivindico a união de todos os anticorpos contra o sistema cuja face visível são as constipações
Reivindico o combate imediato à constipação que presentemente me incomoda
Reivindico o rápido restabelecimento da minha saúde
Reivindico o julgamento rápido e posterior prisão para os responsáveis máximos deste golpe anti-corpo dado pelos meus anticorpos

À atenção das entidades competentes, abaixo assinado

Peter of Pan

terça-feira, março 11, 2014

As minhas opiniões sobre a nova série Cosmos






Sim, visualmente muito apelativo e tal, quase sempre bem explicado e claro, mas houve duas coisas de que não gostei.

Uma: que raio de coisa é aquela nave?!?! Não só o conceito é estúpido, como a própria nave o é. Que nem é bem uma nave: mais parece uma máquina de barbear.

Duas: sim, as origens do universo, muito bem, o Big Bang, pois, as estrelas e a gravidade, o surgimento da vida na Terra... MAS FALTOU FALAR SOBRE O ITEM MAIS IMPORTANTE DO UNIVERSO, AQUELA COISA QUE FAZ TUDO ISTO VERDADEIRAMENTE VALER A PENA!!!!!

Pois é: nem por uma única vez o Neil deGrasse Tyson falou em mamas...

segunda-feira, fevereiro 24, 2014

Com o mal dos outros, posso eu bem

Que me perdoem os meus amigos portistas (e por "me perdoem" quero na verdade dizer que vão lamber os testículos de um mamute descongelado...), mas as únicas ocasiões onde me dá prazer ver imagens do FC Porto é quando o circo pega fogo. As imagens do Pinto da Costa e restante entourage tripeira com cara de cu são absolutamente preciosas.

Que o Paulo Fonseca se possa manter no Porto por muitos e bons anos! A esta hora, ele deve estar a pensar "Que caraças, não sei por que estou a ser tão contestado no Benfica, afinal fiz uma época tão boa o ano passado com o Nacional da Madeira...".

terça-feira, fevereiro 11, 2014

E isso é lá nome de tempestade?!?!

As tempestades são uma coisa tramada, não são? Uma pessoa, quando ouve a notícia de que se aproxima uma tempestade, fica logo com o coração na boca, certo? Porque as tempestades são lixadas: arrancam árvores, provocam acidentes, desatinam as ondas do mar...

...então por que raios não inventam nomes de jeito para baptizar as tempestades?! Uma tempestade, para fazer jus à sua condição de tempestade, devia chamar-se RAMBO! CHUCK NORRIS! Vejam lá se isto até não soaria melhor nos telejornais:

"Tempestade Rambo provoca danos na costa portugesa e prejuízos contabilizados em milhares de euros. A protecção civil avisa que todos os cidadãos devem ficar em casa."


ou isto:

"Vários mortos e feridos em acidente provocado pela tempestade Chuck Norris. A protecção civil pede aos portugueses que não saiam da cama, nem para fazer xixi, que esta tempestade não está para aturar merdas."

Nomes assim impõem ou não impõem respeito?! Agora, uma tempestade chamada Stephanie? Andamos há dias a levar com uma tempestade com nome de transformista?! Mas que raio de coisa é esta? Isto é designação que se apresente? Com um nome destes, nem sequer é tempestade; quanto muito é uma tempestinha. Não admira então que os portugueses continuem a sair à rua e a desafiar a intempérie junto dos paredões construídos à beira-mar. Quem é que se assusta com a Stephanie? Eu não. A Stephanie não mete medo a ninguém. Ela que vá fazer ondinhas e engatar marinheiros para onde quiser que, com esse nome, daqui não leva nada.

segunda-feira, fevereiro 10, 2014

Está um gajo cheio de ganas para assistir ao dérbi, eis que...

...o estádio dos piupius começa a desfazer-se! 

(na imagem: um objecto voador não identificado. 
Mais raro do que isto no estádio da Luz, só o bom futebol da equipa da casa)

Quer dizer, isto não se admite! Uma pessoa está preparada para violência entre adeptos, para confrontos entre jogadores, para empurrões ao árbitro, mas é a primeira vez que vejo um estádio a ir abaixo ANTES de um jogo de alto risco e sem que as claques das duas equipas tenham feito o que quer que seja.

Eu até já tinha os cenários todos traçados. Cenário 1: Sporting vence por 10 a 0, com 8 golos de Montero. Cenário 2: Sporting vence por 4 a 2, sendo que os quatro golos do clube verde e branco são marcados no período de descontos. Cenário 3: Sporting vence por 1 a 0, golo marcado por Rui Patrício aos 2 minutos de jogo, na sequência de um pontapé de baliza.

Tinha também, pela primeira vez na vida, preparado um papel contendo as respostas às perguntas que a minha mulher iria fazer-me durante o jogo, a saber:
1 - O que é um Oblak?
2 - Podes explicar-me de novo a lei do fora de jogo?
3 - Por que é que os jogadores do teu clube são tão bons e os benfiquistas não jogam nada?
4 - O Benfica ainda está a perder?
5 - Para haver fora de jogo é preciso que os dois últimos defensores façam o quê?
6 - Desde quando é que o Benfica passou a ser uma filial sérvia?
7 - Podes explicar-me de novo a lei do fora de jogo?
8 - Achas que ser do Benfica traduz uma deficiência meta-ético-ontológica?
9 - Quando é que o Jesus mete o Eusébio?
10 - Podes explicar-me de novo a lei do fora de jogo?

Ora, por causa da lã de vidro, nem os cenários possíveis se verificaram, nem as respostas prontas foram dadas! Não houve jogo, não houve vitória do Sporting, e a única resposta que pude dar à minha esposa foi "uma lampionice qualquer", e sempre à mesma pergunta: "O que é aquela porcaria a cair no estádio?"

Estes lamps inventam de tudo para fugir a um jogo de futebol, caraças...

quinta-feira, fevereiro 06, 2014

A voz que falta ouvir sobre este caso dos Mirós

Muito se tem dito sobre os 85 quadros do Miró que pertenciam ao BPN. Há quem diga que devem ser vendidos, há quem diga que não devem. O cruzamento de informação é tal que não sabemos já o que havemos de pensar. E eu acho que isto se deve à ignorância de quem tem falado. Há gente que tem falado sobre o Miró e nunca deve ter visto um Miró. Há gente que não sabe quem foi o artista que criou os posters alusivos ao Campeonato do Mundo de Futebol do ano de 1982 (uma pista: começa por um M e acaba em iró). Há gente que não percebe a diferença entre um Miró e um bóbó e depois vão para casa fazer não sei o quê aos maridos e aquilo fica tudo mal feito.

Basta já de tanta desinformação. Temos entre nós, felizmente, alguém capaz de fornecer uma opinição bem formada sobre o tema. Alguém que é um notório marchand de arte. Alguém cujo amor pelo artístico é tão grande que foi ao ponto de se casar com uma peça de museu. Alguém que está permanentemente junto (e, por vezes, debaixo e, por vezes, em cima) dos artistas e do mundo da arte.

Sim: há que ouvir o José Castelo Branco!

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

A semelhança entre a prisão e a praxe

Na prisão, o que nos lixa é o duche

Na praxe, o que nos lixa é o dux.

quinta-feira, janeiro 30, 2014

O que redime o gajedo

Diálogo escutado por aí:

Um gajo qualquer: Vocês mulheres são o mal absoluto. Bem tinha razão o Hesíodo quando falou do mito da caixa de Pandora. O mal no seu estado mais puro é a mulher.

Uma gaja qualquer: Pode até ser, mas nós temos mamas e vocês não!


Ora, eu não posso deixar de concordar com a resposta da gaja. Atenção, também estou inclinado a concordar com a posição do gajo: as mulheres são más, cruéis, vis. Mas salvam a pele porque vêm equipadas com essa coisa maravilhosa a que damos o nome de seios.

E agora argumento com um bocadinho de teodiceia, mas em versão secular e badalhoca: tenho a absoluta certeza de que seríamos todos muito mais infelizes caso não existisse mal, mas também não existissem mamocas. Eu, pelo menos, sê-lo-ia. Com o mal posso eu muito bem, mas não consigo sequer imaginar como seria a vida sem glândulas mamárias da fêmea humana. E perguntem a um estudante qualquer de engenharia informática, que não vê mamas a não ser quando joga Lara Croft, se eu não tenho razão!

É tudo uma questão de pesarmos, como se se fizesse um cálculo utilitarista, o grau de infelicidade causado pelo mal inerente às mulheres, com o grau de felicidade causado pelas mamas pertencentes às mulheres. Não é preciso ser-se um prémio Nobel nem um quadro superior da Goldman Sachs para perceber que os valores do segundo item superariam, em muito, os valores do primeiro item. E, assim, se a mesma coisa fecunda o mal mas ao mesmo tempo é fonte de um bem supremo, devemos perdoar essa coisa.

Porque mamas, eis o porquê!

quarta-feira, janeiro 29, 2014

O bom e o mau da mesmíssima coisa

O bom. Disseram-me isto: "estás muito bem conservado, não pareces ter nada a idade que tens".

O mau. Quem o disse foi um homem.

terça-feira, janeiro 28, 2014

Quando o nosso cabelo faz tudo aquilo que não queremos que ele faça


O meu cabelo é um rebelde. Um anti-sistema. E faz questão de me mostrar isso! Aqui há coisa de dias, acordei com o aspecto de um semi-Wolverine: tinha o cabelo levantado como o do Wolverine (ver imagem acima), mas só de um dos lados (daí o "semi"), o que além de estúpido é um sinal claro de provocação. Tentei de tudo para contrariar o cabelo: lavá-lo, penteá-lo, bater-lhe com um tacho, chamar-lhe nomes... e ele manteve-se irredutível naquela posição! Passadas três horas, desisti e fui trabalhar.

E é isto: o meu cabelo vence-me na guerra de vontades. Eu já desconfiava desde o momento em que ele começou a abandonar-me, deixando-me mais e mais careca. Por muito que eu suplique para que fique e não se vá embora, o meu cabelo tem desejos que não estou apto a compreender, e sai de mim para ir sabe-se lá onde. Talvez vá para os copos, talvez vá para o engate, talvez vá fazer street racing. Não sei. Só sei que não consigo fazer nada dele. Mas ele faz o que quer de mim.

quinta-feira, janeiro 23, 2014

Não percebo a animação infantil




O meu filho gosta muito do Pocoyo. Já eu não percebo nada daquilo. Um bonequinho antropomórfico de fato-de-treino azul relaciona-se com um pato, uma elefanta cor-de-rosa (grandes brocas fumaram aqueles ilustradores, parece-me), uma cadela e um passaroco azul. E o que faz o Rocócó?! Anda e salta de um lado para o outro, agita-se, vai atrás dos bichos, eu sei lá! E o meu puto ri-se. E eu sem compreender nada destes bonecos, pergunto-lhe "Filho, gostas de ver o Mocotó?". Ele nem responde, fascinado pelo que o televisor exibe. Não satisfeito pela minha ignorância, tenho ido consultar a Crítica da Razão Pura a ver se encontro alguma referência ao Balacó. Mas nem na secção sobre a apercepção transcendental descubro a mínima opinião do Kant sobre estes bonecos, o que só demonstra como o idealismo alemão é pateta.

No episódio de ontem, o bico do pato girou em 360º, coisa que Newton ou Einstein dificilmente julgariam possível. Tentando trazer o meu petiz para o mundo real, avisei que os bicos dos patos não se movem assim, mas uma vez mais ele não me ligou nenhuma. Ainda perdoo que a elefanta se mova sobre duas patas (bastaria que a evolução tivesse decorrido de maneira um poucochinho diferente para termos elefantes bípedes), agora bicos giratórios, isso, parafraseando o treinador do Benfica, nem que os patos nascessem 10 vezes.

Juro-vos que o Renhónhónhó me anda a dar cabo da cabeça...

quarta-feira, janeiro 22, 2014

Novos critérios para a classificação dos clubes nos campeonatos nacionais precisam-se

Segundo nos diz a classificação do campeonato nacional, há uma equipa com uma vantagem de dois pontos sobre o segundo classificado, e são esses dois míseros pontos que colocam essa equipa no primeiro lugar.

Eu protesto contra este sistema altamente discriminatório que assenta na hierarquização por intermédio dos pontos conquistados. Classificar equipas por causa dos pontos é uma coisa tão demodé, tão século XX... outros critérios são necessários, critérios mais justos e simpáticos.

Por exemplo: por que não passar a atribuir o primeiro lugar à equipa que mais golos tem marcados? Ou à equipa que menos golos tem sofridos? Ou à equipa que melhor futebol pratica? A adopção destes critérios faria com que, em alguns casos, três equipas ficassem ex-aequo em primeiro lugar (um 1º lugar para a equipa que mais golos marcasse, um 1º lugar para a equipa que menos golo sofresse, um 1º lugar para a equipa com futebol mais bonito). Noutros casos, faria com que o mesmo clube pudesse acumular vários primeiros lugares, o que também seria giro. É o caso do nosso campeonato, onde - se esses critérios fossem levados a sério - o clube com mais golos marcados, menos sofridos e a praticar melhor futebol é o mesmo, o Sporting.

Se houvesse uma revisão dos critérios, teríamos um campeonato mais competitivo e justo. E um primeiro classificado mais bonito e com classe. Dêem-me boas razões para se apurarem os primeiros lugares por causa dos pontos, e não por causa dos critérios que apontei! Não há nenhuma!

Abaixo a tirania dos pontos. Avante com outros métodos de classificação.

Pensem nisto.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

Mais ideias para referendos

Ideia para referendo #1:
Referendar o heliocentrismo

Pergunta nº 1: "Concorda que o Sol possa afectar gravitacionalmente os astros que estão na sua proximidade?"

Pergunta nº 2: "Concorda com o movimento de translação da Terra?"

Que isto siga para votação no parlamento.

terça-feira, janeiro 07, 2014

Futebol zombie

No dia da morte do Eusébio, bateu-me uma ideia brilhante, uma daquelas tão geniais que só podia mesmo ser originada na minha massa cinzenta. Essa ideia era juntar grandes jogadores do passado que entretanto tinham falecido (Eusébio, Garrincha, Yashin, Best...), transformá-los em zombies, pô-los num campo da bola e, assim, dar o pontapé de saída no primeiro jogo de futebol para zombies.

Eu sei, eu sei... é mesmo genial isto.

Todavia, toda a gente a quem falo na ideia parece ter uma opinião diferente. Olham para mim de lado. Fazem "não" com a cabeça. Dizem "tss, tss" e deixam-me sozinho. E atiram um "E se deixasses de ser parvo?" quando se vão embora.

E estas são só as reacções da minha mulher!

Estou careca de saber (e escrevo "careca" no sentido literal do termo...) que as ideias mais revolucionárias da história não começaram por ser bem aceites. Tudo aquilo que constitui novidade assume carácter de estranheza. E é isso o que se passa com a minha fabulosa ideia de um futebol zombie (atenção: nada a ver com as recentes prestações da equipa do Benfica. Eu aqui falo de zombies a sério, não de jogadores que apenas se parecem com zombies).

Tenho tanta confiança neste meu achado que estou certo um dia ainda se irá fazer um campeonato mundial de futebol para zombies. E depois não venham cá dar-me pancadinhas nas costas! Nem quando esta minha ideia for adaptada para o cinema de Hollywood, apesar da minha resistência, que soçobrará aos argumentos da minha gaja, tipo este:

Ela: então querem pôr em filme aquela tua ideia parva dos futebolistas zombies a jogarem à bola?
Eu: sim, mas vou dizer-lhes não. É um estúdio de Hollywood, e tu sabes o que penso dos americanos.
Ela: ah, só que vais dizer que sim.
Eu: não, não vou.
Ela: vais sim, porque isso significa dinheiro a chegar e assim podes comprar-me aquele colar que eu há muito ando a namorar.
Eu: é que nem penses!
Ela: se dizes não a Hollywood, eu vou dar uma entrevista à Cristina Ferreira onde digo que tens o pénis pequeno.
Eu: mas o meu pénis não é pequeno!
Ela: pois não. É enorme. Gigantesco! Mas em quem achas que os espectadores da Cristina vão acreditar?!?
Eu:... está bem, eu assino o raio do contrato.

E também não venham cá fazer-me homenagens e dar o meu nome a ruas e o caraças depois que a adaptação em filme do futebol zombie ganhe dezenas de Óscares na cerimónia de 2017 para a qual eu e a minha esposa seremos convidados, apesar da minha resistência, que soçobrará aos argumentos dela, tipo este: 

Ela: ihhhh, recebemos um convite para a cerimónia dos Óscares, que fixe, sempre foi o meu sonho.
Eu: sim, mas eu não vou.
Ela: tu o quê?
Eu: não vou. Sabes perfeitamente o que eu penso dos americanos.
Ela: ah, mas é que vais mesmo. Eu quero que toda a gente me veja com o meu vestido ultra fashion da casa Armani e que ao meu lado vai o homem que teve aquela ideia estúpida que tu tiveste dos zombies e da bola e coiso!
Eu: mas é que nunca na minha vida!
Ela: se tu não vais, eu juro que digo a todos os microfones que me entrevistarem na passadeira vermelha que és péssimo a fazer amor.
Eu: mas eu sou bom a fazer amor!
Ela: pois és. És óptimo. O maior! Mas em quem achas que os milhões de espectadores que seguirão a cerimónia em directo vão acreditar?
Eu:...fosga-se, vai lá preparar o caraças do teu vestido...

Quando tudo isto tiver acontecido, lembrem-se de que comecei por ser vilipendiado e vulgarizado.


quinta-feira, dezembro 19, 2013

A demanda pelos ténis impossíveis

Ténis mortos, ténis postos. Lá encontrei uns ténis decentes para jogar à bola, substituindo aqueles arquétipos de ténis que por tanto tempo suportaram as minhas prestações futebolísticas. Não são tão bons, claro, mas são-no o suficiente. Numa escala de ténis para jogar à bola, alcançam 9 em 10. E tendo custado apenas 15 euros, não é preciso pedir à DECO que analise e faça desta a Escolha Acertada, pois não?!

Só tenho pena que os ténis não me forneçam capacidades físicas extra, designadamente ao nível da resistência. Se já consigo jogar mais do que 5-6 minutos, ainda não sou capaz de superar a barreira psicofisiológica da meia-hora. Não é que eu esteja velho (não vou revelar a minha idade: digo apenas que ando entre os 18 e os 2500 anos), mas se calhar até estou. E isto os ténis não conseguem solucionar. Por mais bem adaptados que estejam aos meus pés, por mais finesse de que me dotem na hora de controlar a redondinha, fisicamente estou um caco e não há nada a fazer, a não ser que eu peça ao James Bond uns mísseis para activar nas solas dos ténis, e quando um adversário quiser passar por mim e eu já não tiver pernas para ele, PIMBA, cá vai bomba.

Há outra coisa que me assusta para além das minhas (in)capacidades físicas: a mania que os outros jogadores têm de se me referir usando jogadores profissionais como termo de comparação. Se há umas semanas me comparavam ao Markovic, no último jogo em que participei disseram que eu parecia o Andrea Pirlo (ex-Inter, ex-Milan, actual Juventus e daqui a 2 anos futuro capitão do SCP e primeiro jogador a levantar um troféu da Liga dos Campeões pelo clube verde-e-branco). Ora, sendo que o estilo de jogo do Markovic nada tem a ver com o estilo de jogo do Pirlo, e vice-versa, que raio ando eu a fazer dentro do campo de futebol?!?! E quando é que o estilo de jogo do Peter of Pan passa a ser o estilo de jogo do Peter of Pan, uma identidade que não admite comparações com o estilo de outro qualquer jogador?

Já viram como um simples jogo de futebol pode deitar abaixo a auto-estima de uma pessoa?!

segunda-feira, dezembro 16, 2013

Através do método socrático, demonstra-se como é lícito roubar o Belenenses

O último jogo que opôs o fabuloso Sporting Clube de Portugal ao sofrível Clube de Futebol os Belenenses ficou marcado por um incrível erro de arbitragem, ao ser assinalada uma grande penalidade que de penalidade não tem nada e de grande muito menos! Até eu, um sportinguista daqueles valentes, virei a cara para o lado e exclamei "que roubalheira" quando vi o lance da "falta"(?!?) sobre o Cédric.

Só que há aqui uma questão que ultrapassa o furto de que o Belenenses foi alvo. E essa questão tem a ver com a própria natureza ontológica do clube do Restelo. Ao ser o clube que é, o Belenenses merece ser roubado. Ao ser o clube que é, roubar o Belenenses é uma questão de justiça e de ética. Não concordam? Então nada melhor do que apresentar a situação através de um diálogo inspirado nas famosas conversas que decorriam em Atenas há uns bués séculos.

Anti-sportinguista: Bolas, Peter of Pan, lá ganharam mais um jogo a roubar...

Peter of Pan: 'Tá calado. Primeiro, só um dos golos é que foi gamado. Segundo, era o Belenenses, e contra o Beleneses não faz mal roubar.

Anti-sportinguista: Hã? Explica lá esse teu raciocínio enviesado. Isso para mim não faz sentido nenhum. Então há clubes que podem ser roubados e outros que não podem? Compreendes a gravidade das tuas palavras?! Tu, que és um igualitário e defendes sempre os mesmos direitos para todos e o caneco?!

Peter of Pan: Calma, meu idiota de merda. Cala-te lá um bocadinho que eu passo já a explicar. Segue os meus argumentos.

Anti-sportinguista: Segui-los-ei.

Peter of Pan: O Sporting Clube de Portugal é percepcionado como o clube dos ricos e das pessoas benzocas, não é?!

Anti-sportinguista:
É sim. Continua.

Peter of Pan: Ora, mas há um clube em Portugal que ainda está mais associado aos ricos e tiozorros do que o Sporting. Consegues dizer-me que clube é esse?

Anti-sportinguista:
Consigo, pois. É o Belenenses. Mas não estou a ver onde queres chegar.

Peter of Pan: Calma, que este raciocínio não admite atalhos. Considera isto: o que é mais lícito? Roubar um rico e beto, ou roubar um pobre e maltrapilho?

Anti-sportinguista: Roubar o rico, claro, pois o furto causar-lhe-á menos mossa do que a um pobretanas.

Peter of Pan: Exacto. Então, pensa lá um bocadinho agora. O que é mais lícito? Roubar um muito rico e muito beto, ou roubar um menos rico e menos beto?

Anti-sportinguista: Penso que é mais lícito roubar o muito rico, pois o roubo prejudicá-lo-á menos.

Peter of Pan: Estás a cogitar bem.

Anti-sportinguista: O que é cogitar?

Peter of Pan: Não sejas parvo. Prosseguimos?

Anti-sportinguista:
Sim.

Peter of Pan: Então, pelo que se disse atrás, e sendo o Sporting o clube dos ricos e betos, e o Belenenses o clube dos mais ricos e mais betos, daqui deriva que, a ter de existir um roubo a um destes clubes, é mais lícito que se roube o clube dos mais ricos e mais betos.

Anti-sportinguista: Ahhhhh, agora estou a perceber! Sim, tem de ser! É justo que assim seja. Obrigado por me teres mostrado a verdade, Peter of Pan.

Peter of Pan: De nada.

Anti-sportinguista: Mas... Peter of Pan?

Peter of Pan: Sim?!

Anti-sportinguista: Por esse teu raciocínio, em qualquer jogo onde entre o Sporting, desde que não seja contra o Belenenses, é lícito roubar o Sporting, não é?!

Peter of Pan [furioso]: Cala-te, meu parvo, não é nada disso, não percebes nada de diálogos filosóficos, nunca se deve roubar o Sporting porque o Sporting é o mais lindo, vai bardamerda daqui para fora, ando eu a gastar as minhas qualidades com um sofista como tu, parvalhão, idiota, se não desapareces já da minha frente dou-te nas trombas, meu "#&$%&/...

E pronto, o diálogo termina assim. Ficou o essencial e demonstrou-se que, embora o penálti contra o Belenenses tenha sido mal assinalado, não foi injusto tê-lo sido. Obrigado, até amanhã e viva o Sporting.

terça-feira, dezembro 10, 2013

A Loja do Mestre André (Versão Death Metal)

Como há-de um arreigado metaleiro como eu cantar músicas infantis ao seu pequeno sem se sentir choninhas?! Fácil: modificar as canções até que elas tenham um aspecto simpático a qualquer headbanger que se preze. Eis um exemplo:

A Loja do Mestre André

Música: Tradicional
Letra: Tradicional (adaptação Peter of Pan)

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei uma Flying V
Djuns, Djuns, Djuns, uma Flying V

Ai olé, ai olé
Foi na loja do Mestre André
Ai olé, ai olé
Foi na loja do Mestre André

Foi na loja do Mestre André
Que eu comprei uma bateria
Catrum, Catrum, Catrum, uma bateria
Djuns, Djuns, Djuns, uma Flying V

Ai olé, ai olé
Foi na loja do Mestre André
Ai olé, ai olé
Foi na loja do Mestre André

Foi na loja do Mestre André
Que eu compei um belo baixo
Dum, Dum, Dum, um belo baixo
Catrum, Catrum, Catrum, uma bateria
Djuns, Djuns, Djuns, uma Flying V

Ai olé, ai olé
Foi na loja do Mestre André
Ai olé, ai olé
Foi na loja do Mestre André

Foi na loja do Mestre André
Que eu compei um microfone
Grruargh, Grruargh, Grruargh, um microfone
Dum, Dum, Dum, um belo baixo
Catrum, Catrum, Catrum, uma bateria
Djuns, Djuns, Djuns, uma Flying V

Ai olé, ai olé
Foi na loja do Mestre André
Ai olé, ai olé
Foi na loja do Mestre André.

(ando a cantar isto lá em casa ao puto, e a verdade é que ele acha BEM mais piada à minha versão)

quinta-feira, dezembro 05, 2013

Comer gelados quando está frio: loucura ou sanidade?

É sempre a mesma coisa! Quando vou ao supermercado comprar gelados durante o Inverno, as pessoas olham-me como se eu fosse um gajo que vai comprar gelados durante o Inverno. Para essas pessoas, sou pior que um vice-primeiro-ministro do governo português. Pior que um presidente corrupto do FC Porto. Pior que um presidente do governo regional da Madeira.

A minha gaja, por sua vez, quando me apanha a comer gelado em alturas de maior frio (como, de resto, sucedeu ontem), olha-me como se eu fosse um gajo que come gelado em alturas de maior frio. Pare ela, sou pior que um cigano arraçado de preto judeu. Pior que um padre católico pedófilo. Pior que um realizador caribenho de filmes snuff.

Mesmo reunindo todas as minhas forças para tentar entender estas perspectivas, não sou capaz. Para mim, é completamente natural comer gelados, seja no pico do Verão, seja no profundo do Inverno. Esteja um calor dos infernos ou um frio polar. Não interessa. Gelado é gelado, e como o gelado é sempre bom, come-se independentemente da estação e da época. É ou não é?! Porque o raciocínio é mesmo este: o que é incondicionalmente bom, é-o em qualquer altura. E os gelados, tal como os golos do Sporting ou as mamas de uma dançarina de can-can, são sempre bons. SEMPRE! Faça chuva ou faça sol, esteja quentinho ou fresquinho. Perguntem lá a um capitalista se ele prefere ganhar dinheiro no Verão ou no Inverno: ele responder-vos-á, enquanto vos mete a mão na carteira e rouba mais uns euros sem que vocês dêem conta, que não importa. O que importa é sacar guito. Eu sou assim com os gelados. Gelado é bom, logo, gelado é para comer a qualquer hora.

O estranho não é, portanto, que exista alguém que come tantos gelados em estações frias quanto em estações quentes. O que eu acho estranho, até bizarro, é que haja pessoas capazes de comer gelados durante o Verão, e achá-los bons, e essas mesmas pessoas não serem capazes de comer gelados durante o Inverno, "porque está frio". Então uma coisa, o gelado, fica com as suas qualidades alteradas só por ser Inverno?!?! Mas está tudo parvo e cartesiano, ou quê?! O gelado continua a ser gelado, meus amigos e minhas amigas. Se vocês têm problemas em degustá-lo em dias de maior frio, garanto que a culpa não é do gelado, que sempre foi e será o mesmo: a culpa é vossa! Não foi o gelado que mudou, foram vocês! Já eu, eu sou sempre o mesmo: gelado é bom, e eu gosto de coisas boas, e isso não se altera ao sabor das estações do ano.

Portanto, quem é que deve olhar de soslaio para quem? Quem é aqui o louco e quem é o são?! Espero que tenham ficado bem esclarecidos e agora tchau aí que está um corneto de morango a aguardar-me. Até amanhã, pessoas que só esporadicamente apreciam coisas boas.

terça-feira, dezembro 03, 2013

Combater o frio à maneira do Peter of Pan

#1 - Ir a uma casa de banho pública e ficar debaixo do secador das mãos durante 90 minutos.
Problema: se o secador das mãos não funcionar, tentar na casa de banho das senhoras.

#2 - Reconhecer a sabedoria dos gatos e ir dormir junto do motor de um automóvel.
Problema: se o condutor quiser ligar o carro, gritar bem alto até ser escutado. Ou então não, porque o motor em funcionamento sempre liberta mais calor.

#3 - Dar porrada na mulher até aquecer.
Problema: (1) ser confundido com o Manuel Maria Carrilho. (2) Ser mal visto por uma sociedade que já não aceita impunemente a violência doméstica. Neste caso, basta encontrar uma máquina do tempo que faça recuar até ao Portugal salazarista.

#4 - Ir junto de uma associação de lésbicas. Dizer "Vocês precisam é de homem". Sair a correr dali o mais rapidamente possível.
Problema: é provável que algumas lésbicas sejam mais rápidas. E fortes. Se alguma delas te deitar a mão, é o fim. Mas pelo menos acaba-se o frio.

segunda-feira, dezembro 02, 2013

Diálogos parvos, versão 23557568


Ela: Hoje não puseste perfume!
Eu: Pus sim! Cheira lá!
Ela: Snif. Snif. Está bem, mas não puseste aquele de que gosto!
Eu: Nunca ponho o mesmo perfume.
Ela: Porquê?!
Eu: Porque assim confundo os meus inimigos!
Ela: Hã?
Eu: Se todos os dias aparecer com um cheiro diferente, os predadores não sabem quem eu sou, e isso dá-me uma vantagem evolutiva.
Ela: ...

Nunca discutam com um gajo cujo super-poder é a lógica marada...

quinta-feira, novembro 28, 2013

Mais um prego no caixão da Filosofia em Portugal

Que a Filosofia, um F, nunca esteve bem neste país dos três F's - Fátima, Futebol e Fado -, todos nós sabemos. Mas nos dias de hoje, a Filosofia afunda-se cada vez mais. Como se não bastassem os "filósofos" chatos e inúteis (olá, Eduardo Lourenço. Olá, José Gil), não ajuda um certo ex-primeiro-ministro com apelido de filósofo dizer que leu muito o Kant. E ajuda muito menos um certo ex-ministro da Cultura, ex-candidato à Câmara Municipal de Lisboa, ex-deputado e professor catedrático de Filosofia (sem o "ex") ter agredido uma certa apresentadora de televisão muito dada a operações plásticas.

E é aqui que eu quero chegar. As consequências do caso Carrilho X Bárbara são nocivas para a percepção que o cidadão comum tem da Filosofia e dos filósofos em Portugal. Se os filósofos e a Filosofia já eram mal vistos ("aquilo são tudo paneleiros", "Filosofia? Isso não interessa para nada!", etc.), agora a situação está bem mais bera! Cometendo a falácia do tomar a parte pelo todo, as pessoas associam o comportamento do Carrilho, um filósofo (um mau filósofo, mas ainda assim um filósofo!), ao comportamento de qualquer pessoa que tenha um mínimo de relação com a Filosofia. Assim, e transformando isto num argumento, o que as pessoas pensam vai dar nisto:

O Carrilho bateu na mulher.
O Carrilho é filósofo.
Logo, quem é filósofo bate na mulher.

E pronto, está armada a confusão! E não adianta dizer que este argumento está mal formulado e o caraças, porque para perceberem a falácia as pessoas precisariam de ter um mínimo de entendimento filosófico. E não têm, nem querem ter. A Filosofia, por estas alturas, equivale à lepra de há séculos atrás: se a vêem aproximar-se, fogem a sete pés.

Estou a dizer estas coisas porque eu próprio já ando a sofrer na pele estes preconceitos. Lá no bairro, sou olhado de lado desde que a novela Carrilho e Bárbara veio a público. Eu bem oiço os comentários das vizinhas, apesar de levar os meus fones ligados e ter o volume alto:

- Olhe, olhe, ali vai o Peter of Pan.
- Ai que horror. Veja-me o olhar esgazeado dele. Nota-se bem que é licenciado em Filosofia.
- Pois é, pois é. Coitada da mulher. Deve apanhar poucas, deve.
- Então a vizinha não se lembra de na semana passada ela andar a tossir muito? Foi ele que lhe deu um pontapé nas costas, de certeza.
- Ah, o celerado. E a polícia não faz nada! Que escândalo! Era prendê-lo e queimar-lhe os livros todos.
- Ouvi dizer ali no café que o Peter of Pan tem um livro do Kripke.
- Ai! Isso só pelo nome... Não é coisa boa, de certeza. Antes andasse metido na droga, como o meu sobrinho. Ao menos, quando está naquilo, não chateia ninguém.
- E ainda dão essas coisas nas universidades.
- Realmente! Por isso é que este país está como está.

E é isto. Nem as amigas da minha mulher me poupam. Andam sempre a perguntar-lhe se ela está bem, se não sofreu nada, e a cereja no topo do bolo é tentarem saber se eu ando a ler "muito Égel ou muito Níche". Se a gaja responde "o normal, o mesmo de sempre", elas, à beira das lágrimas, desatam a abraçar a minha esposa, como se ela vivesse no meio de uma tragédia permanente. Já houve uma que, ao ver as minhas estantes de livros, pensou em denunciar-me à APAV. Não fosse a minha presença de espírito demonstrada na rapidez com que lhe mandei à tola a História da Filosofia Ocidental do Bertrand Russell, hoje estaria a ser julgado por violência doméstica.

Por estas e por outras, se um dia eu apanho o Carrilho à minha frente (obrigadinho por nada, meu palhaço!), digo-lhe que o William James é um filósofo menor. Vão ver se ele não fica a chorar baba e ranho durante umas duas semanas...

segunda-feira, novembro 25, 2013

Ódios de estimação: The Beatles e John Lennon

Pois. Como falar de uma coisa quando a frase que serve de título já diz tudo?! Porém, sabendo previamente não ter nada a acrescentar ao que já aí foi expresso, vou tomar um pouco do vosso tempo e da vossa paciência e desenvolver um pouco mais este meu ódio de estimação.

Beatles e John Lennon. Idolatrados por muitos, desde há várias décadas. Avós, pais, filhos, netos: há gerações inteiras que em comum têm apenas o gostarem da música do fab four de Liverpool. O avô pode ser fascista, o pai comunista, o filho empresário e o neto drag queen, e nos almoços lá em casa a conversa assentar em torno do álbum branco ou outra coisa qualquer que os betinhos dos Beatles (os "beatlinhos"?!?) tenham gravado. Mais uma evidência de que o mau gosto tem um poder de intrusão muito forte e é capaz de atravessar espaços e tempos.

A primeira vez que ouvi Beatles não me lembro. Nem da segunda. Nem da terceira. Mas recordo-me perfeitamente de aos 7-8 anos estar no meu quarto, rádio ligada, e perguntar "€@#&, mas que merda de música é esta?" quando um programa radiofónico passou uma canção que, 3 minutos mais tarde, identificou como pertencendo aos "fantásticos Beatles". Lembro-me também de desatar a chorar para junto da minha mãe, aos gritos de "mãe, mãe, tenho medo dos Beatles" quando vi imagens do quarteto na televisão.

Pior reacção, só quando escutei, algures em 1985 (maldito dia!) o "Imagine" do John Lennon a solo. Estava eu numa festa com amigos e o que eu disse foi mais ou menos isto: "Porra, que música tão lamechas e pirosa. O que é isto?! Dá vontade de pegar num revólver e dar um tiro à queima-roupa no palhaço que escreveu e compôs esta porcaria, não dá?!" Para o facto de ter obtido como resposta somente os olhares reprovadores de todos os que naquela sala se encontravam, só anos mais tarde encontrei uma explicação. Aparentemente (e só soube disto em meados dos anos 90, vejam lá o meu alheamento a tudo o que diz respeito a essa bandeca...), a um iluminado cidadão norte-americano gordo e de óculos passou ideia semelhante pela cabeça, e decidiu mesmo colocá-la na prática. Poucas vezes terão sido os norte-americanos tão utilitarianamente produtivos para o bem no mundo quanto com essa atitude do senhor Chapman.

(é que a música é mesmo má, caramba. Má, má, má! Imagine all the people, o meu rabo!)

Atenção! Não é que eu não goste de uma coisinha ou outra. Há mesmo uma coisinha que eu gosto, não nos Beatles, mas no John Lennon a solo: chama-se Working Class Hero e, esta sim, é um verdadeiro hino que merecia ser cantado por todas as pessoas, não aquele nojo do Imagine, já para não falar na integralidade da discografia dos escaravelhos, cujo nome é adequado porque andavam sermpre a empurrar com bosta. Mas lá está, haver UMA música de jeito pelo meio das discografias de Beatles, John Lennon, McCartney (escarro!), Harrisson (gregório!) e Starr (defecação mole!) é menos do que uma gota em pleno oceano. Comparando, é como se o Passos Coelho decidisse, assim do nada, por uma medida positiva, digamos, enviar por e-mail fotografias da Sara Sampaio toda nua aos portugueses do sexo masculino (além de positiva, esta medida é, parece-me, rigorosamente constitucional!). Esta medida apagaria toda a incompetência a que tem sido votada a sua legislatura? Claro que não.

O mesmo vale, portanto, para os Beatles e os seus membros. Não há nada que atenue aquela baixeza. E como isso é assim, tê-los-ei sempre como meus ódios de estimação. Porque aquela onda de músicas ranhosas e visual oscilando entre o beto e o hippie revoltar-me-á até ao fim dos meus dias. E ai de quem, por ironia, gozo, ou desfaçatez, decida pôr o Imagine no dia do meu funeral. Não é que eu acredite em fantasmas, mas se alguém me fizer isso, arranjo maneira de me transformar num poltergeist e infernizar-lhe a vida.

Até à próxima e que os vossos cds dos Beatles se quebrem!

terça-feira, novembro 19, 2013

A morte dos artistas

O último jogo de futebol entre amigos teve um sabor agridoce. A minha equipa venceu por uns renhidíssimos 7-6, num jogo disputado em alta rotação. O facto de nenhum jornal desportivo ou telejornal generalista terem feito referência a esta magnífica partida demonstra na perfeição a falta de qualidade dos nossos meios de comunicação social... Nem uma notinha de rodapé a elogiar o meu maravilhoso golo, derivado de uma desmarcação genial e onde mais uma vez o meu pé esquerdo se mostrou de excepção, ao tirar o guarda-redes adversário da jogada com uma finta apenas ao alcance dos predestinados. Não vi falarem disto em lado algum, mas se o Cristiano Ronaldo cortar o cabelo, isso já dá direito a capa de jornal. Uma merda de jornalismo, é o que temos!...

O encontro em questão, porém, não deixou só notas positivas a mim e à minha equipa. Não: passados 17 anos desde que se estrearam num piso desportivo, os meus ténis, uns exemplares pretos da marca Fute, morreram. Morreram de pé - o téni esquerdo todo aberto na frente, o téni direito com a sola descolada - mas morreram. Foram as peças de calçado que mais tempo me duraram, e mesmo tendo sido alvo de uso intensivo, só agora, ao fim de - repito - 17 anos, é que se finaram. Passearam o seu perfume (e o meu chulé!) por vários locais da área metropolitana de Lisboa, marcaram centenas de golos, fintaram jogadores atrás de jogadores, mandaram uma ou outra cacetada, disputaram torneios em várias localidades, sempre com elevadíssima prestação, contudo chegou a hora final. Quis mandar cantar um Requiem em honra destes ténis no final do jogo, mas os meus companheiros estavam muito cansados, disseram, e os meus adversários declararam que isto era uma estupidez. Enfim, uns e outros bem podem ir bardamerda.

Pior é agora o vazio em que os meus pés se encontram. Não vai ser fácil substituir uns ténis de jogar à bola que se tornaram na referência dos ténis de jogar à bola. Entre os meus pés e aqueles ténis já se tinha gerado uma relação simbiótica: eu já não sei se eram os meus pés que se adaptavam na perfeição aos ténis ou se eram os ténis que se adaptavam na perfeição aos pés. Não sei eu e ninguém, estou certo, saberá. E não é de um dia para o outro que se apaga uma relação de quase 20 anos, para mais uma relação tão intensa...

Na próxima semana, voltarei a jogar futebol, desta feita com uns ténis novos. Não vai ser fácil a qualquer par de ténis estar à altura da herança deixada pelos meus saudosos ténis Fute. Prometo deixar aqui uma crónica do jogo em causa, mas profetizo de antemão que o fantasma dos meus ténis passados andará a pairar sobre aquele campo de relva sintética. Descansem em paz, eu nunca vos esquecerei, e os meus pés também não. E obrigado por tudo o que me deram.

segunda-feira, novembro 11, 2013

O xadrez e os preconceitos de classe

Em cada 10 vezes que jogo xadrez, perco 9. E as minhas derrotas derivam menos da incompreensão das regras do jogo, e mais dos meus preconceitos de classe.

Vou passar a explicar. O xadrez, como sabem, tem nas suas peças a simbolização dos três estratos da sociedade clássica: há a nobreza (rei, rainha), há o clero (bispo) e há o povo (peões). Acontece que eu, como bom esquerdista que sou, olho para as peças de xadrez de modo vertiginosamente distinto do que elas significam no jogo. Para mim, as peças relativas à nobreza e ao clero são desprezíveis; só tenho interesse verdadeiro no povo (os tais "preconceitos de classe" a que acima aludi). Por isso, quando jogo xadrez, jogo-o ao arrepio de tudo o que o senso comum ditaria a um outro jogador qualquer. Eu não sacrifico um peão para conquistar, sei lá, uma rainha adversária. Sacrifico, isso sim, a minha rainha (essa puta que anda para todos os lados!) para dar cabo de um peão, isto é, um membro do povo adversário, que um azar histórico o tornou meu inimigo (tradução de "azar histórico": um "tirar à sorte" que me coloca com as brancas e o outro jogador com as pretas... algo me diz que não foi exactamente isto que aconteceu com Napoleão e Wellington). Também nunca uso os meus peões para proteger as outras peças, por exemplo, um bispo ou o rei. Não: os meus peões são as minhas peças mais importantes e são as outras que os devem proteger!

Como é óbvio, a realidade do jogo de xadrez nada quer saber da minha ideologia proletária e disto deriva o facto de, em pouco mais de 10 minutos, eu me ver reduzido a quatro ou cinco peões e ao rei, que acaba de levar um xeque-mate de um complot de peças adversárias onde se contam a rainha, as duas torres, um bispo cabrão e pedófilo, e os dois cavalos. E é então que eu percebo ter a minha estratégia falhado redondamente. Sim, tenho todos os peões adversários em meu poder, e muitos dos meus continuam de pé, mas não é isto que conta no xadrez.

Isto merece-me uma reflexão. Ou eu aprendo a viver dentro do sistema e passo a agir de acordo com as regras, explícitas e implícitas, compreendendo nesse processo que as hierarquias estabelecidas devem ser respeitadas, e que o povo estará hoje e sempre abaixo do clero e da nobreza, ou então uma revolução social e popular é precisa, uma revolução que coloque o povo, as pessoas, como alfa e ómega dessa nova sociedade, esmagando a aristocracia e a beataria!

Ou então deixo-me destas coisas e abandono de vez o xadrez, que me faz mal à cabeça...

quarta-feira, novembro 06, 2013

Filmes (pelo menos) tão bons quanto os livros

Um lugar-comum dos mais lugares-comuns que existem é afirmar que o livro é melhor do que o filme. Isto é uma coisa que se diz, muitas das vezes, por pessoas que nem sequer viram o filme ou nem leram o livro, ou ambos. E como todas as generalizações, é problemática. Se é verdade nalguns casos - O Nome da Rosa do Annaud é bom, mas incomparável ao livro do Eco, o mesmo vale para a Insustentável Leveza do Ser, apesar de o filme mostrar a Binoche nua, também para o Ensaio sobre a cegueira, e estou só a citar filmes de que gostei, não vou ao ponto de descer aos filmes que detestei feitos sobre obras literárias que adorei -, noutros não o é minimamente. Eis a minha lista de filmes que são tão bons ou melhores do que os respectivos livros:

1 - Alta fidelidade. É tão bom quanto o livro. Já li várias coisas do Nick Hornby, que passeiam entre o sofrível (About a boy, que deu também um filme da treta, com o Hugh Grant), o interessante (Fever Pitch, um livro de crónicas sobre futebol) e o brilhante (precisamente, Alta fidelidade). O filme, não chapando por completo o livro, consegue ser tão bom quanto este. John Cusack é um protagonista convincente, Jack Black oferece o contraponto cómico à profundidade sentimental que atravessa a história, e aparece a Catherize Zeta Jones. Se o livro é cinco estrelas, o filme não fica atrás.

2 - Sin City. Lá por ser banda desenhada, não quer dizer que não estejamos perante uma OBRA no sentido verdadeiro do termo. Sou desde adolescente fã, fãzaço, do Frank Miller, que tenho como o melhor argumentista da nona arte. Sin City é Miller vintage: violento, denso, psicologicamente bem estruturado, visualmente atraente, composto num preto-e-branco expressivo - como é de resto habitual no trabalho de Miller. Seria tarefa complicadíssima transpor estas propriedades para ecrã, mas o filme do Robert Rodriguez fá-lo de modo magistral, tanto que por várias vezes abri a boca de espanto quando fui vê-lo ao cinema, julgo que no Monumental do Saldanha. Para mim, junto com The Watchmen (outra dupla filme/livro que poderia fazer parte desta lista), é a melhor adaptação para cinema de uma história originalmente composta em banda desenhada. Tão bom quanto o livro.

3 - Relatório minoritário. Aqui, o filme é um poucochinho melhor que o livro. Atenção: eu gosto do conto. Muito. O Philip K. Dick é dos meus autores preferidos de ficção científica. Mas o filme dá a volta por completo ao texto, diferencia-se dele, melhora-o. Não sendo propriamente uma adaptação e mais uma "inspiração" (há que ler o conto e ver o filme para se perceber como são tão distintos um do outro), o Relatório minoritário do Spielberg consegue acrescentar enredo e reforçar a ideia de distopia presente no conto (recordo: um mecanismo que permite deter os criminosos antes que eles cometam os crimes. Deveria ser obrigatório tê-lo antes de todas as nomeações de árbitros para jogos do FC Porto...). Junto com A lista de Schindler, Relatório minoritário é o melhor filme de Steven Spielberg. Boa história, bons efeitos especiais, bom ritmo, coisas que a presença de manjões como o Tó Cruz e o Colo Farelo não conseguem estragar. Só mais uma breve nótula: TODOS os filmes que eu vi adaptados de contos escritos pelo Philip K. Dick são bons. Este, o Desafio Total (cujo filme é também tão bom quanto o texto) e, claro, o Blade Runner (de que vi o filme, excelente, mas não posso comparar com o livro porque ainda não o li). Se eu cometesse o pecado da generalização cometido pelos incautos apologistas do "livro melhor que o filme", diria, baseado na minha experiência, que não poderá haver um filme baseado numa obra do Philip K. Dick que seja um mau filme. Mas não vou dizê-lo, claro. Porque seria falso, embora seja verdadeiro. Hã?!? Pois... Não queiram desmontar esta minha lógica. Ainda ficam com problemas na coluna!

Dou só estes três exemplos que desbastam o velho cliché do "o livro é melhor do que o filme". Mais poderiam ser citados. Mas isso só o farei quando começar a gravar o Peter of Pan, o filme, que vai ser bastante melhor do que o blogue (também não era preciso muito!), pois vai ter efeitos especiais do mais moderno que há e gajas, muitas gajas. Todas nuas. E golos do Sporting. Também muitos. É esperar para ver.

segunda-feira, novembro 04, 2013

Não tentem fazer isto na rua!

Início da tarde de sábado. Levo o miúdo no carro para dar um passeio. Nisto, começo a sentir a direcção do veículo a ficar pesada. "Hmmm, aqui há coisa", penso eu. Paro o carro: o pneu frontal do lado esquerdo esvazia-se a olhos vistos. A razão? Um rasgão longitudinal. "Dass, bela hora para furar o pneu", cogito em ironia, como se houvesse uma boa hora para tal coisa ocorrer.

Nada a fazer: há que trocar o pneu. Rápido como um tiro, esvazio o porta-malas (que anda sempre cheiinho: carrinho de bebé, mais as coisas do carrinho do bebé (cobertura, etc. - enfim, baby tuning), macaco, pneu sobressalente, chave de cruz.

Tudo bem, isto é coisa a que um macho está habituado, pois tem gravado na sua matriz genética o saber mudar um pneu. Há apenas um pequenito (e, aqui, o termo não é inocentemente usado...) problema: sempre que me baixo para colocar o macaco/desaparafusar as porcas/tirar o pneu furado/colocar o pneu sobressalente/apertar as porcas/tirar o macaco, o puto, sentado no carro, deixa de me ver. E quando deixa de me ver, se num mundo ideal deveria ficar quieto e calado, no mundo real é berrario e pontapé de fazer inveja aos integrantes da Casa dos Segredos/Big Brother/demais programas da treta da TVI, incluindo as entrevistas ao prof. Marcelo.

Daí que a minha odisseia de mudança de pneu tivesse sido digna de uma modalidade olímpica, porque de 5 em 5 segundos tinha de me levantar para que o miúdo se calasse. Não contei o número de flexões de pernas efectuadas, mas foi elevadíssimo, estou certo, tão elevado quanto o número de vezes que o Paulo Portas deve dizer, em surdina, à Maria Luís Albuquerque a frase "nós não percebemos mesmo um cu disto!" Visto pela minha criança, eu devia parecer um daqueles bonecos do whack-a-mole: tão depressa estava lá em baixo quanto estava cá em cima outra vez.

Pressionado que estava pela choradeira do miúdo, tive uma prestação quase usainboltiana na troca do pneu. A pressa foi tanta e a atenção ao que ia fazendo tão pouca que temi pegar no carro e ver a roda saltar - ou, com a sorte que tenho, a roda trocada ficaria bem, mas saltariam as outras três dos respectivos eixos. Felizmente, nenhum destes cenários se verificou. Nenhuma roda saiu a correr pelo meio da estrada e chegámos a casa sãos e salvos, quer dizer, mais ou menos, porque ainda estou com um problema muscular nas pernas fruto de tanto sobe-e-desce.

Moral da história: não tentem mudar pneus com filhos menores sozinhos no carro. Da próxima vez, insisto em ficar eu no carro e o meu filho que mude o pneu!

quarta-feira, outubro 30, 2013

O regresso dos jogos de futebol com amigos

Quando um grupo de amigos me chama para jogar à bola, eu normalmente digo presente. E ontem disse-o: passados mais de três anos desde a última vez, voltei a jogar futebol. Vivas para mim!

Claro que este interregno provocou as suas mossas. Eu já não jogava há tanto tempo que, quando me foi passada a bola pela primeira vez no jogo de ontem, eu fiquei 10 segundos a pensar "Mas que raio faço eu agora com esta merda?!". Quando cheguei à conclusão que era para enfiar aquilo na baliza adversária, já a bola tinha desaparecido de junto dos meus pés. Indignado, ainda pensei em chamar as autoridades, mas um companheiro de equipa despertou-me desta letargia ao gritar "F*d@-se, Peter of Pan, mexe-te, c@r@lh*!". Passados 5 minutos, a reminiscência futebolistica já se instalara perfeitamente no meu disco rígido e jogava à vontade com o resto da equipa à qual pertencia.

Não foi apenas a dificuldade de recordar o que havia para fazer num campo de futebol a única mossa provocada pelo meu prolongado hiato destes ofícios. Outras mossas foram surgindo. Enquanto futebolista, devo confessar que a técnica está lá, praticamente intacta, e uma ou duas jogadas de elevado recorte artístico comprovaram-no. A velocidade também não sofreu muito: continuo capaz de competir com o Usain Bolt, ou seja, se me ponho a correr, ninguém me apanha. Mas a resistência, essa... se, como referi, ao fim de 5 minutos já estava entrosado com a equipa, ao fim de 6 minutos já pedia a intervenção do INEM, de tão extenuado que me encontrava. 

Portanto, bem feitas as contas, só pude demonstrar o meu real valor durante 1 minuto. Se tivermos presente que o jogo durou 60 minutos, é fácil perceber por que a minha equipa perdeu por 5 a 3: estivemos mais de 50 minutos a jogar com menos um jogador, e esse jogador a menos era eu, que me arrastava literalmente pelo relvado e era levado a pensar que a profissão de trolha, afinal, custa menos, fisicamente falando, do que dar uns toques numa bola.

Isto dito assim, pode-se pensar que eu tenho as mesmas capacidades dos jogador do Benfica: eles também não sabem o que fazer dentro do campo e não podem com uma gata pelo rabo. Essa comparação sai ainda mais reforçada quando os meus companheiros foram unânimes em afirmar que o meu estilo de jogo, naquele único minuto em que consegui realmente jogar, fazia lembrar o do Markovic. Ora, isso é a mesma coisa que dizer que eu jogo como o Messi: se eu sou parecido com o Markovic (dizem os meus colegas) e se o Markovic é parecido com o Messi (diz a imprensa conotada com o clube lampião), então, pela regra lógica do "Se A é B, e se B é C, então A é C", regra que até o Manuel Maria Carrilho percebe sem ter necessidade de agredir alguém, eu sou parecido com o Messi. QED.

Mas só durante um minuto...

Daqui a 15 dias, tenho novo jogo. A minha exibição foi tão marcante que fui novamente convidado, sobretudo pelos jogadores da equipa adversária - não compreendo é porquê...

Da próxima vez, vou tentar ser o Markovic/Messi durante 2 minutos. Daqui a uns bons anos, consigo manter o nível durante o jogo todo.

segunda-feira, outubro 28, 2013

As minhas impressões sobre o caso Bárbara Guimarães e Manuel Maria Carrilho

A novela do momento é a troca de galhardetes e, a crer nas notícias, em algo mais do que isso, entre o ex-ministro Manuel Maria Carrilho e a apresentadora Bárbara Guimarães. Diz-se por aí que o filósofo agrediu a barbie, o que faz desta uma relação althusseriana, mas em fraquinha (o Althusser foi um filósofo que um dia se passou da marmita e matou a esposa. Enfim, é o que dá querer reinventar o Marx...).

O que a mim importa verdadeiramente neste enredo é saber o que terá motivado Carrilho a agredir a mulher. Sendo que um filósofo gosta sempre de agir em conformidade com o seu pensamento (uma questão de unir teoria e práxis, agora não vou estar para aqui a explicar!), gostava de saber quais foram as causas que levaram um pragmatista a assentar a palma da mão, ou a sola do pé, no rosto da famosa figura televisiva.

Como sou também um gajo dado às filosofias, pus-me a pensar nisto. E cheguei a três possíveis conclusões.

1 - O Carrilho agrediu a Bárbara porque esta mexeu-lhe no Aristóteles sem pedir autorização.
Eu percebo: se tivesse alguém a mexer-me no Aristóteles sem licença, a mim também me saltaria a tampa! O Aristóteles, por detrás daquele ar duro e seco, exige ser bem tratado e acarinhado. Não é chegar ali e pegar nele de qualquer maneira, assim à bruta, sem avisar nem nada. É preciso ir com calma, dar-lhe tempo; quando menos se espera, ele entra por nós bem adentro. A Bárbara, se calhar, não teve o devido respeito pelo Aristóteles do marido, e quando isso acontece o casal sofre. Em qualquer relacionamento, é bom haver respeitinho pelo Aristóteles e tratá-lo como ele tão bem merece. O meu Aristóteles é muito respeitado, e isso revela a solidez de um casamento.

2 - A Bárbara, numa conversa à refeição com o esposo, misturou pragmatismo com utilitarismo. E o Carrilho não foi de modas e mandou-lhe com o prato às trombas.
Novamente, eu percebo isto e não recrimino a atitude do homem. É inadmissível confundir uma posição que defende que a avaliação de hipóteses teóricas deve passar por perceber as suas consequências práticas com uma posição que defende que a diferença entre uma boa e uma má acção está nas consequências que delas derivam. Pá, se por exemplo a minha gaja fizesse uma mistura entre estas duas ideias ao pequeno-almoço, eu confesso que também era gajo para lhe rebentar a boca. Portanto, se foi isto que sucedeu, não só não condeno o Carrilho como estou inteiramente solidário com ele.

3 - Enquanto estavam na cama, a Bárbara cometeu uma inconfidência, do género:
- Ó Mané, tu és um filósofo brilhante!
- Pois sou, Bábá.
- Mas não és o meu filósofo predilecto.
- Ai não?
- Não. Eu gosto mais do Sócrates.
- Ah. Pois, todos nós somos herdeiros de Atenas...
- Não é desse. É do José!
Depois de uma destas, qualquer homem digno desse nome teria de partir para a violência. É uma questão de imperativo moral: se há ocasiões em que a violência é justificável, esta é claramente uma delas, e o seu uso visa apenas reparar uma ofensa e uma injustiça. Não é que eu ache o Carrilho um filósofo particularmente brilhante (não é), mas estar abaixo de José Sócrates é abusar do livre-emprego da axiologia. Se foi isto o que ocorreu, dúzias de pontapés naquele peito siliconado ainda era pouco...

Na minha óptica, aconteceu uma destas três merdas. Ou até duas. Ou mesmo as três. Espero solenemente que os jornais e as televisões continuem a acompanhar o caso, e que as investigações em decurso possam confirmar qualquer uma das minhas hipóteses que, filosoficamente, estão estruturadas de forma brilhante. Aprende, Manuel Maria.

terça-feira, outubro 22, 2013

Polémicas acerca de livros

Tenho perfil no Goodreads (não sabem o que é?! Ó pá, também não vou explicar) e cerca de 20 amigos nessa rede social. Uma das coisas engraçadas que se pode fazer aí é ver o que os meus amigos acharam dos livros que eu li e classifiquei, como se fosse uma Moody's da literatura, com 5 estrelas.

Mas esperem lá: eu disse que era engraçado?!? Na verdade, o que eu queria dizer é que é desesperante!!!! Os pacóvios dos meus amigos (e tomo "pacóvio" no seu sentido mais estrito e "amigo" no seu sentido mais lato...) têm opiniões completamente opostas à minha, ou seja, eles estão completamente enganados.

Alguns exemplos:

Um amigo deu 3 (TRÊS!!!) estrelas à República do Platão. Um livro que é só das coisinhas mais legíveis que a Filosofia já produziu. Um livro que, embora contendo muitos erros e muitas posições duvidosas, continua a ser estimulante para o pensamento. Um livro que nunca merece menos de 5 estrelas. Quando me insurgi face ao rating dado por esse meu amigo, ele lá reconheceu o erro e subiu a avaliação para 4 estrelas. Não basta, meu filho-da-puta!!!!! A República merece estar lá mais em cima. Atribuir-lhe menos do que a nota máxima é tipo dizer que o Messi é um jogadorzeco, ou que a Mila Kunis é girinha. Não chega, percebem?!?!

Mas há pior.

Uma amiga minha, de quem eu já conhecia o talento para as opiniões parvas quando me disse que a banda favorita dela era melhor do que a minha banda favorita (facto suficiente para interná-la num manicómio), cometeu a ofensa de atribuir 1 (UMA!!!) estrela apenas àquele que considero o melhor romance português do século XX e quiçá de sempre: Aparição, de Vergílio Ferreira. Sim, eu sei que os amigos são amigos mesmo que haja discordâncias pelo meio, mas isto é demais! Aposto que nem o Pedro Passos Coelho seria capaz de manifestar uma opinião tão, como hei-de dizer..., estúpida. Acredito que até o Jorge Jesus já leu o livro e gostou. Arrasar desta maneira um romance da craveira de um Aparição é o equivalente, em termos de crítica literária, ao Holocausto. E não estou a exagerar. Pior: quando fiz valer o meu bom senso e lhe apontei, serenamente, que estava errada, ela limitou-se a responder que odiou mesmo o livro. Não conheço sinal mais evidente de barbárie do que este...

E pensam que isto fica por aqui?

Uma familiar minha chegou à indecência de chapar 1 estrela no Pela estrada fora do Kerouac, outro dos livros da minha vida. Outra amiga deu 3 estrelas ao Siddhartha do Hesse. A mesma amiga dá também 3 estrelas ao A insustentável leveza do ser, do Kundera. A tal amiga que deu 1 ao Aparição dá 3 estrelas ao Pêndulo de Foucault! Tudo livros inquestionavelmente 5 estrelas! Isto é tudo uma filha-da-putice e se eu mandasse, colocaria no Orçamento do Estado para 2014 medidas que punissem especificamente esta gente com mais um reforço de austeridade!

Eu sou uma pessoa com elevado sentido de tolerância e admito a diversidade de opiniões. Mas merdas como as que acabei de expor não se admitem, por mais compreensivo que um homem seja! Dá vontade de nunca mais ler um livro na vida! Mas depois penso: não, esta gente é que nunca deveria ter aprendido a ler.

Maldita escola inclusiva, maldita a hora em que professores ensinaram o alfabeto a tais pessoas. E maldito eu que os adicionei no Goodreads...

segunda-feira, outubro 21, 2013

Da próxima vez que marcarem um encontro "antigos alunos", fico em casa a estudar

Ontem foi dia de reencontro com antigos colegas do secundário. Gente que não via há mais de 5, 10 ou mesmo 20 anos apareceu, com um rancho de filhos atrás. O melhor deste tipo de encontros é uma pessoa aperceber-se de que o tempo é como se não tivesse passado, pois logo após as devidas apresentações ("olá, este é o meu marido e aqueles os meus 12 filhos", "oi, esta é a minha esposa e aqueles a roer as pernas dos teus 12 filhos são os meus 15 cães"), a conversa decorreu como se não nos houvéssemos separado nunca. Por outras palavras, o que de certa forma é reconfortante, continuamos os mesmos parvos de sempre. Excepto eu, que me mantenho o intelectual distinto que era na altura, e a comprová-lo o post de amanhã trará não mais de três vezes a expressão filho-da-puta, vejam lá a distinção intelectual que vai para aqui!

O mau destes encontros é que há sempre um estúpido ou uma estúpida que levam isto do "tempo não passar por nós" demasiado à letra e começam a apontar coisas óbvias que denotam a passagem do tempo. Do género "ihhhh, estás tão careca. E os poucos cabelos que tens estão a ficar todos brancos".

Pá, obrigadinhos, hã?!? Como se eu não soubesse disso! Uau, estou careca e com cabelos brancos?! Se não mo tivessem dito ontem, nunca adivinharia... Se é para ir a um sítio para ter gente espantada e desalentada por eu estar, digamos, a envelhecer, vou almoçar com a minha mãe em vez de me encontrar com antigos colegas. Eu também não disse à Coisinha que ela parecia uma caveira com rugas, nem ao Coisinho que ele fazia lembrar um chefe gay da Yakuza. Porque isto são cenas que - tenho a certeza - eles devem ouvir todos os dias!

Se é para estas coisas que servem os encontros de antigos alunos, quando marcarem o próximo fico em casa a ver a TVI.

terça-feira, outubro 15, 2013

Um homem casado é um homem lixado

Vejam lá as coisas que um gajo é obrigado a ouvir da sua gaja:

"Tu a dançares pareces aqueles cantores dos anos 80"

A gravidade destas declarações encontra-se reforçada se eu disser que os cantores dos anos 80 que a gaja tinha em mente eram: Jimmy Somerville. Andy Bell (dos Erasure). George Michael. Boy George. Marc Almond.

Para quem não sabe (e é preciso andar muito arredado das coisas deste mundo para não saber), são tudo artistas de duvidosa orientação sexual.

Portanto, a gaja no fundo quis dizer que eu danço como uma bichona! Já houve divórcios por menos!!!!

(Em minha defesa, devo dizer que não sei mesmo dançar. E isto é uma coisa muito à homem!)

segunda-feira, outubro 14, 2013

Sinto-me sexy!

Estou constipado e rouco. Em circunstâncias normais, isto seria um problema. A verdade é que não o é. Por causa de estar constipado e rouco, a minha voz, já habitualmente máscula, adquiriu um acréscimo de virilidade que não tem comparação. Há pouco, disse BOM DIA (assim mesmo, em negrito e caixa alta...) a um colega, e duas raparigas que estavam a tomar café ao balcão tiveram um orgasmo. Estou a receber telefonemas de cinco em cinco minutos, e isto só porque quem está do outro lado quer ouvir-me falar. Nem há meia hora atrás, uma senhora pediu-me que lhe recitasse Os Lusíadas e eu mandei-a à merda; ela gostou tanto da forma como o disse que pediu-me para repetir.

Mas o assédio não tem ficado por aqui. Até ao momento em que escrevo estas linhas, já recebi 489 propostas de casamento, 325 das quais feitas por mulheres. E já tive 173 pessoas a suplicar-me que lhes fizesse um filho, incluindo o segurança do edifício, a quem cometi o erro de dizer 'TÁS BOM, PÁ?!, as duas velhas do primeiro andar, que trabalham nem sei bem em quê, e as 4 checas com quem partilhei o elevador.

Se eu não arranjar depressa umas pastilhas para combater a rouquidão, bem me parece que vou passar o dia nisto. Ainda acabo o dia a substituir o Portas e passo a ser eu a comunicar as futuras medidas de austeridade aos portugueses. E eles vão ouvir-me e vão gostar.

(mal por mal, se é para andarem a ser fornicados, ao menos que tenham algum gozo nisso...)

ATÉ AMANHÃ (imaginar esta despedida feita com uma voz grave, cavernosa mesmo, e absolutamente sexy. Já imaginaram? Pois, sou eu...)

terça-feira, outubro 08, 2013

A bipolaridade de um fiel sportinguista

O meu clube do coração tem como característica, ao longo de todos estes anos em que me conheço como adepto, ser esbanjador na distribuição de tristezas e poupado na dádiva de alegrias. Mas continuo irredutível e serei do Sporting ontem, hoje e sempre.

De qualquer forma, temporadas e temporadas de insucessos, que culminaram na de 2012/2013, a pior época de sempre do Sporting no que ao futebol toca, fizeram de mim um céptico e passei a duvidar, como se fosse um Michel de Montaigne dos adeptos leoninos, do futuro do clube.

Só que o Sporting começou a época 2013/2014 (a época seguinte à pior de sempre, para os menos atentos...) a todo o gás. A jogar bem. A marcar aquilo que só pode ser expresso como "buéda golos, c@#$%&%!!!" E aqui mesmo o mais céptico dos sportinguistas tem de acabar por ceder. E em lugar de céptico, torna-se bipolar. E esquizofrénico. E paranóide. E restantes perturbações mentais pertencentes ao DSM-IV. Mas, essencialmente, bipolar.

Nada revela essa bipolaridade quanto as conversas mentais que mantenho comigo mesmo durante os jogos. Que são mais ou menos, e cito-me a mim próprio de memória, portanto peço-me desde já desculpa se não estiver a ser exacto comigo mesmo, assim:

Jogo: Sporting X Setúbal. Local: Estádio de Alvalade. Resultado: 4 a 0 a favor dos bons.

Peter of Pan descrente: Iá, marcámos um golo, mas não vamos lá. Ainda perdemos o jogo!

Peter of Pan crente: F@da-se, gooooooolo!!!!!!! Já lá está!!!! O primeiro lugar é nosso! Lindo, Montero, lindo, faz-me um rancho de filhos!!!!

Peter of Pan descrente: Ok, dois a zero. Mas o Setúbal ainda tem tempo para recuperar. Já vi coisas piores em jogos do Sporting...

Peter of Pan crente: Toooooma lá!!!! 2 a 0!!!!!! Embrulhem, chocos fritos!!!!! Spoooooorting!!! Lindos, lindos, Carrillo, sodomiza-me como sodomizaste a defesa sadina!

Peter of Pan descrente: Sim, mais um golo. Está bem. Mas gastam os golos todos agora, quando forem jogar com o Porto já não têm nenhum para dar.

Peter of Pan crente: Ihhhhhhh, 3 a 0! 3 a 0!!!!!!!! Quando formos ao dragão, espetamos mais uns três que até viramos os tripeiros do avesso. Vamos ser campeões. E ganhar tudo! Chupem, tripeiros e lampiões, força Sporting allez!

Peter of Pan descrente: Pronto, 4 a 0. Mas contra o Setúbal é fácil. Quero é ver agora quando os jogos forem a doer. Começam a perder, vêm por aí abaixo na classificação. Não vão fazer nada outra vez, estes tipos... ai, como é triste ser do Sporting.

Peter of Pan crente: Pimba, 4! Quatroooooooo! A zeroooooo!!!!! Espectáculo!!!! Brutal!!! Vamos limpar esta porcaria toda, com ou sem árbitros a nosso desfavor. É tudo nosso! Spooooorting!!!! Ah, como é magnífico ser lagarto!!!!

E é assim que um sportinguista à séria vive. Agora, das duas uma: ou o élan mantém-se e vou andar assim até meados de Maio do próximo ano, ou começamos mesmo a levar na ripa e volto apenas a ser um céptico desencantado... Vamos ver!

segunda-feira, outubro 07, 2013

Peter of Pan entrevista Duarte Lima

Mostrando deter notável pluralidade, hoje o blogue entrevista um alegado criminoso de colarinho branco e homicida. E digo "alegado" porque não quero um exército de advogados atrás de mim. Não é que eu tenha medo deles, mas mais do que os betos e os lampiões, os advogados irritam-me. E não é que eu não goste deles, mas mais do que os tripeiros e os fascistas, o que eu queria era que os advogados fossem todos largados dentro de um vulcão em erupção. Mas estou a divagar. Vamos lá para a entrevista com o ex-deputado ex-presidente do grupo parlamentar ex-presidente da distrital de Lisboa do PSD. O que constitui um currículo de merda, ao qual se soma ter sido advogado (lá está!) e pensar que sabia tocar órgão de tubos. No meio disto, o suposto envolvimento num homicídio e no escândalo do BPN são coisas de somenos importância. Convosco, Duarte Lima.

Vou começar esta entrevista por uma pergunta simples. Matou ou não matou a Rosalina Ribeiro?
Quem?

A velha!
Ah, essa. Claro que não matei. Espetei-lhe um tiro, isso admito, mas se ela depois disso morreu, não tenho nada a ver com o caso. Os meus advogados conseguem demonstrar que não há uma relação causa-efeito entre levar um tiro e morrer. Afinal, há muitas pessoas que levam tiros e não morrem. Portanto, estou inocente.

E o dinheiro da herança de Lúcio Tomé Feteira, entrou ou não entrou na sua conta?
De quem?

Do velho!
Ah, esse. Olhe, nem sei. Entra tanto dinheiro, proveniente de fontes tão diversas, na minha conta bancária... Se eu estivesse a escrutinar tudo, do género, "Oh lá, estes 20 milhões de euros não estavam aqui ontem. De onde vieram e quem cá os pôs?!", não fazia mais nada na vida. E eu sou um homem muito ocupado em falcatr... aham, em negócios para perder tempo com tais mesquinhices.

Vamos precisamente por aí. Como explica que alguém sem particular inteligência, como você, tenha feito tanto dinheiro?
Posso não ser muito inteligente, e ser do PSD demonstra-o, mas sou bastante esperto e tenho tido sorte nas falcatr... aham, nos negócios em que me meto.

Suponho, portanto, que não está preocupado com o desfecho do caso BPN...
Náááá! Isso não vai dar em nada. O meu séquito de advogados irá certificar-se de que passo incólume. Sim, é chato o dinheiro que gasto só em honorários, mas no final do processo o Estado ainda vai devolver-me essa maquia. E já pensou no que aconteceria se todos os envolvidos no BPN fossem presos?! Portugal precisaria de triplicar o número de prisões só para acolher essa gente. Portanto, ilibar os envolvidos não só beneficia as finanças do país, numa altura em que se encontra em crise, como também evita o descalabro institucional da própria nação!

Como assim? Pode explicar melhor esse ponto?
Claro que explico. Com tanto político, gestor de topo, banqueiro e personalidade de reconhecido mérito envolvido no caso BPN, se fôssemos todos parar à cadeia, não haveria ninguém para mandar neste país. E aí era a anarquia: o Estado ver-se-ia sem dinheiro, as pessoas sem emprego, as pequenas e médias empresas a fechar... É esse o Portugal que queremos?!

Realmente... nem quero imaginar tal cenário!

Aí tem! Ainda bem que vivemos numa realidade completamente diferente.

Uma última pergunta, meu caro: como vê o actual PSD?
Olhe, o secretário-geral foi um tipo que perdeu para mim as eleições à distrital de Lisboa. Acho que isso diz tudo.

É verdade. Tem toda a razão. Obrigado pelo tempo dispensado.
De nada. Depois lá fora dou-lhe o meu NIB. Quando tiver 50 milhões de euros a mais, mande-me um pedacinho para a minha conta, está bem?!


FIM



quarta-feira, outubro 02, 2013

Os terríveis anos 80

Se época houve que significou uma mancha vergonhosa na história da Humanidade, essa época foram os anos 80. Os anos 80 são os anos do marketing cultural norte-americano. Os anos 80 são os anos da maquilhagem exagerada e das permanentes capilares. Os anos 80 são os anos das roupas berrantes, quer nos homens quer nas mulheres. Os anos 80 são os anos dos filmes e séries canastrões, com os actores mais canastrões do que uma mistura de Toy com Zezé Camarinha: Lorenzo Lamas. David Hasselhof. E um longo etc. Os anos 80 são, por fim, os anos da música pop mais pirosa e dos videoclips mais ridículos de que nos lembramos mas gostaríamos de esquecer. Vale a pena até ter Alzheimer se a doença apagar esse período que está calcinado na nossa memória.

Vá lá saber-se porquê, para reavivar tão indecorosa época, a gaja resolveu assistir a uma selecção de videoclipes intitulada "O melhor dos anos 80" (e deixem-me que vos diga: se aquilo era o melhor, não quero nem imaginar o que seria uma escolha "O pior dos anos 80". Deveria ser tipo Chernobyl - outra merda que ocorreu nos anos 80 -, mas mais cancerígena!). Durante não sei quanto tempo, porque acabei por perder a noção do tempo e do espaço passados os primeiros 10 segundos, foram desfilando "artistas" da craveira de um Limahl, de uns Modern Talking, de uma Yazz, de uns Foreigner, de uns Europe, de uns Bros, enfim, é melhor ficar-me por aqui, pois creio que desse lado vocês já devem estar à beira de um AVC. E não fazem nada mal.

Nada simboliza tão bem os clipes e a sonoridade "anos 80" como esta merda: o keytar, ou sintetizador-guitarra. Enfim, como uma imagem vale mais do que coiso e tal, fica aqui a tromba de um
Horrendo, não é?! Pior do que a guerra das Malvinas ou o conflito no Afeganistão, que tanto sofrimento provocaram nos anos 80. O keytar só não foi abolido em convenções das Nações Unidas porque os líderes mundiais, como sempre, estão arredados e distantes daquilo que pesa sobre os povos. O gás saryn é mau? Claro que é. O napalm é hediondo? É pois. Mas o keytar podia ser usado na criação de bandas-sonoras para a eternidade passada no Inferno. O keytar supera facilmente as unhas a raspar em superfícies duras, os alarmes de automóveis e o riso da Cristina Ferreira como som mais irritante a que os seres humanos podem ser expostos.

Foi isto que a gaja ontem libertou. Tal como um Kraken saído das profundezas marinhas, o som do keytar saiu dos anos 80 para voltar a atormentar os justos e os dignos. A gaja não pareceu importar-se muito (deviam vê-la a cantar o "You're my heart, you're my soul", dos inenarráveis Modern Talking...), já eu vou precisar de muita psicoterapia e antidepressivos para conseguir lidar com isto um mínimo que seja. Até os meus colegas de trabalho já notaram qualquer coisa de errado. "O que se passa contigo hoje, Peter of Pan?", perguntaram eles. "Duas sílabas: key tar", respondi eu. 
 
E eles perceberam logo tudo.

Malditos anos 80...