quarta-feira, dezembro 15, 2010

Como escrever cenas de sexo - um guia Peter of Pan

Imaginem que são escritores. Imaginem que, nos vossos contos ou romances, têm de descrever cenas assim daquelas mais tórridas. E imaginem que não sabem ainda qual será o vosso público-alvo: homens, mulheres, homens que têm tempo para ler, homens que não têm tempo para ler, mulheres que têm tempo para ler, mulheres que não têm tempo para ler. O post de hoje é uma espécie de manual de resposta a isto. Então tomem lá:

Cena de sexo descrita para mulheres que têm tempo para ler:

"Ele olhou-a nos olhos, fixou-se naquelas íris que espelhavam a paixão de Susana, há muito ansiosa por este encontro. Pegou nela, com um gesto ao mesmo tempo firme e suave, e Susana sentiu o seu coração bater mais forte. Ele, com suavidade, aproximou o rosto do pescoço de Susana. Beijou, como se o tempo fosse uma maré no crepúsculo, aquela pele líquida e Susana, cada vez mais abandonada, ofegava a cada novo beijo. Com movimentos que só pôde ter aprendido naqueles anos em que se retirou do mundo e foi viver junto de um grupo de tartarugas das Galápagos, Ricardo começou a desabotoar a alva camisa de Susana, deixando ver, aos poucos, o soutien e a pele daquele peito que lhe era oferecido. Susana era já toda fogo, escaldando de antecipação. Ricardo, esse, passou devagar a mão direita pelas costas de Susana e, num gesto rápido que a surpreendeu, e que ele deve ter aprendido quando esteve refugiado na casa de um prestidigitador nos seus anos de exílio no Nagorno-Karabakh, desapertou-lhe o soutien, colocando-o sobre a camisa que já jazia no chão. Beijou os seios de Susana, primeiro o esquerdo, num claro reflexo das suas preferências políticas, depois o direito. Ela sentia-se explodir. Como se fosse um dançarino de tango, que aliás aprendeu nos meses em que esteve perdido no La Bombonera após assistir a um Boca Juniors X River Plate que deu molho, Ricardo tomou Susana nos braços e deitou-a na cama. Tirou-lhe os sapatos. Susana já só aguardava o momento de consumação daquele amor que ardia como o magma prestes a ser expelido de um vulcão. Ricardo, contudo, não tinha pressas, mostrando que nada aprendera durante aqueles anos em que estivera infiltrado num grupo de investidores de risco de Wall Street. Começou a tirar, devagar, a sua gravata, de seguida a camisa. Enquanto cada botão dançava naqueles dedos que já tanto mataram e tanto amaram, Susana só pensava "despacha-te lá com isso e salta-me já para cima". Ricardo, contudo, permanecia impassível. Descalçou os sapatos, pé contra pé, desapertou as calças, deixando que a gravidade as atraísse para o chão e tirou os slips, revelando a Susana um sexo majestoso, efeitos talvez do facto de Ricardo ter sido criado dos 5 aos 17 anos com a tribo africana que o adoptara depois de os seus pais o terem abandonado no Pingo Doce da Damaia. Ricardo baixou-se e tirou as calças de Susana. Com pequenos ósculos, foi caminhando desde o pé esquerdo de Susana até ao ventre. Retirou-lhe as cuecas húmidas e osculou também aquela superfície rosada que tanto o aguardava. Susana gemia, convulsava, espasmava, espumava. Ricardo voltou a beijar os seios e posicionou-se por cima de Susana, que aguardava, quase em desespero, por aquele momento. Começou a sentir o garboso falo de Ricardo junto das suas coxas e a aproximar-se mais e mais e mais e mais... Susana não pensava que uma tal sensação seria possível, nem mesmo naquele ano em que esteve encerrada num convento de freiras lésbicas se comparava ao prazer que, aqui e agora, tinha. Quando o órgão de Ricardo, por fim, se resolveu a invadir o seu jardim de rosas, Susana julgou-se no paraíso, aquele lugar onde tudo é bom, tudo é belo e o José Sócrates está suspenso no ar e a ser chibatado. Os vai-vens de Ricardo, sempre lentos, intensificavam mais ainda o momento. Susana gritava, sorria, chorava, suplicava. Ricardo, em silêncio, aumentava agora o ritmo. Susana sentia-o, no mais fundo de si. Estava quase. Ela sabia-o, ele também. Apertaram-se mutuamente, num abraço que parecia conter em si todo o mundo, todo o universo, e explodiram os dois em simultâneo, ali, naquela mesma cama que acabara de suportar um acto de comunhão entre amantes como nunca antes se vira, nem mesmo nos livros da Barbara Cartland. No dia seguinte, Ricardo despediu-se, deixando um anel de rubis na mesa-de-cabeceira, para que Susana nunca, jamais, se esquecesse aquele encontro."

Cena de sexo descrita para homens que têm tempo para ler:

"Ricardo agarrou-a com força, à homem, como quem agarra uma bilha de gás só com uma mão e a levanta para pôr ao ombro, mesmo à macho, e espetou-lhe um beijo na boca. Arrancou-lhe a camisa e o soutien à bruta e apertou-lhe as mamas, grandes e redondas, desatando logo em seguida a chuchá-las. Susana pedia que fosse mais devagar, mas Ricardo era um homem sem tempo a perder, lição retirada daquele tempo que viveu em Nova Iorque quando andou, mais uns amigos de bebedeira da faculdade, a desmantelar empresas. Espetou um estalo em Susana, como que a dizer quem é que mandava ali, e ela, sem dizer uma palavra sequer, ajoelhou-se. Desapertou-lhe o botão das calças, enfiou a mão e tirou para fora o gigantesco pénis de Ricardo, enorme como uma montanha, como é aliás o pénis de todos os homens, sobretudo dos narradores de contos porno-kitsch, porque é assim que elas gostam, as malucas. Susana, quase sem saber como, lá enfiou todo aquele material na boca e foi sorvendo, ajudada por Ricardo que, com as duas mãos, lhe empurrava a cabeça e puxava os cabelos. Ricardo mal via o rosto de Susana mas tinha a certeza de que ela estava a gostar. Ele, afinal, sabia muito bem identificar tais sinais porque, naqueles anos em que viveu junto de um grupo de tartarugas das Galápagos, várias foram as noites em que as gigantes mas dóceis répteis lhe fizeram sexo oral. Ricardo, porém, não estava de todo satisfeito. Pediu a Susana que parasse, pegou nela e pô-la de cócoras. Abordou-a naquela posição e acometeu-a com força, e depois com mais força. Com a mão direita agarrou, por trás, a teta que estava mais à mão, e que, coisa curiosa, era também a direita e, com a outra mão, puxou com firmeza os cabelos de Susana, que gemia como uma profissional. Saciada a mão que estava na mama, passou-a para o nalguedo, afinfando-lhe uns valentes tautaus. Susana parecia adorar, pois só gritava "Mais, mais!", e Ricardo não se fez rogado; afiambrou-se àquele pedaço de cu e mandou-lhe tanta palmada que o rabo de Susana mais ficou a parecer o rescaldo de um atentado terrorista. Em vez de cansar, estes actos só atiçavam mais ainda a libidinagem do escaldante Ricardo: sem o tirar de dentro, agarrou Susana pela cintura, levantou-a, deu-lhe a volta de modo a que ficassem rosto contra rosto e atirou-se, com ela por baixo, para cima da cama. Ali, penetrou-a com mais força do que a força com que vinha penetrando até então, e depois com mais força ainda. A respiração acelerava-se-lhe, Susana gemia que nem uma valente, até parecia que a esventravam, e se calhar até era, a glande de Ricardo preenchia o útero, como se fosse um balão de ar a encher, e encheu mesmo porque Ricardo atingiu o clímax e jorrou uma tal torrente das suas profundezas que o interior de Susana era como se estivesse a apanhar com a chuva da época das monções. Ricardo, com um enorme sorriso nos lábios, levantou-se. Procurou a roupa, que ficara espalhada pelo quarto, acumulou-a num monte que carregou nos braços e, quando se encaminhava para a casa-de-banho, finalmente dirigiu-se a Susana. "Então, gostaste, minha vaca? Foi tão bom para ti como para mim, hehehe?!", perguntou, ao que levou como resposta "Sim, meu garanhão, adorei, agora quero é que me faças o mesmo ao ânus".

Cena de sexo descrita para mulheres que não têm tempo para ler:

"Ele olhou-a nos olhos e, por meio de beijos e abraços, arrebatou-a de paixão, uma paixão de tal maneira forte e intensa que Susana ainda hoje se recorda daquele breve encontro quando está sozinha a brincar com o novo modelo Vibra-T5000."

Cena de sexo descrita para homens que não têm tempo para ler:

"Ricardo montou-se em Susana e espetou-lhe uma ganda queca."


E pronto, por hoje é isto, espero que tenham aprendido alguma coisa.

4 comentários:

Nazaré disse...

Estás perdoado!

)0( disse...

Isto hoje foi inspirado!

The Fro disse...

A hahaha. Não parei de rir. Esta um máximo. A haha boa.

Ianara Alarcón disse...

A parte do sexo oral que as tartarugas, coitadas, fizeram, foi realmente perturbador. Foi nesse ponto que eu decidi pular pro próximo tópico porque, uau! As mulheres com tempo são muito água com açucar, os homens com tempo são, no termo genérico da palavra, escrotos. Não sei nem em que posso me basear para começar a escrever hahahaha