terça-feira, outubro 21, 2008

Quem não tem unhas, não toca guitarra!

Foi a conclusão a que cheguei. Desde sempre, alimentei o sonho de aprender música, e sempre pensei que o caminho mais rápido para tal seria comprar uma viola e pimba, pôr-me a esgalhar no bacalhau. Cheguei até a ter umas poucas aulas de iniciação ao instrumento (atenção: apesar de estar a usar termos como "esgalhar" ou "instrumento", estou mesmo a falar de uma viola!), as quais tive de interromper por compromissos ditos profissionais e financeiros (tradução deste último: falta de guito!).

De quando em vez, porém, lá pegava na viola e dedilhava uns acordes. Até que finalmente interiorizei o inevitável: não possuo um pingo de talento! Não dá! Não tenho mesmo jeito para a coisa. Por mais que eu deseje aprender a tocar as cordas, o máximo que consigo é parti-las. Nesse particular, confesso com orgulho, sou um autêntico às. Posso mesmo afirmar que sou o Paco de Lucia do parte-cordas! Influências do meu fanatismo por grindcore sueco e black metal norueguês, dirão alguns, e talvez tenham razão...

Custa-me assumir o abandonar de tão antigo sonho, mas tem de ser. Não posso mais passar por dias como o de hoje, pois ao pegar na viola para tocar a única coisa que sei tocar (o refrão da Borrow, dos Silence 4!), e ainda por cima mal, fui capaz de - não sei como - partir o pulso da mão direita e quebrar ao meio a unha do dedo anelar da mesma mão! Penso que isto é um sinal claro de que devo desistir da mania de querer ser um Gregor Mackintosh (para quem não sabe de quem se trata, digo apenas que é o meu ídolo das guitarrísticas façanhas, o melhor lead guitar player de todos os tempos, o deus dos solos e dos riffs e dos acordes... ahhhh, procurem na Wikipedia, caraças!!!).

Isto não significa que eu esteja com raiva da música. Não!!! Nem pensar!!! Nietzsche dizia muitas coisas com as quais estou de acordo (inferioridade das mulheres face aos homens e a do Cláudio Ramos face às mulheres, por exemplo), mas nunca estou tão de acordo como quando ele diz que, sem música, a vida seria um erro. Sem música, eu não consigo viver. Mas também não sou capaz de viver a tocar música (ou lá o que se chame àquilo que extraio da minha viola...). Portanto, o compromisso é ficar-me pela audição de cds e vinis e k7s, e deixar de lado - para bem da minha saúde e da de quem tem o azar de me ouvir tocar - o projecto de dominar um instrumento musical.

Hoje, portanto, coloco a minha viola de lado (júbilo, júbilo, alegria, alegria!!!!). E só voltarei a pegar nela se e quando o mundo precisar de mim, é dizer, quando o planeta for invadido por alienígenas à medida do Signs e for necessário um qualquer golpe de terror para os afugentar. Aí, a minha viola será a arma de destruição em massa de que o planeta precisa. E nem me importo de partir o pulso, se o benefício for a salvação de todos nós, incluindo o Quique Flores.


P.S.: Este é, provavelmente, o dia mais importante para a música desde que o Beethoven compôs a 5ª Sinfonia. Ele ficou surdo, mas a minha decisão impedirá que milhares de pessoas desenvolvam surdez. Agradeçam-me, a sério!

4 comentários:

Daniela Major disse...

Tens alguma coisa contra o Borrow dos silence 4?!

Peter of Pan disse...

Não, até porque ERA a única coisa que eu sabia tocar...

Hélder Franco disse...

Caro Peter of Pan fazemos o seguinte. Tu à guitarra e eu dou a voz, será um duo tão bom que até nos pagam cachet só para não actuarmos. :)

Peter of Pan disse...

Ora aí está um lucrativo negócio em potência... parece que, afinal, não vou pôr a viola de lado!