sexta-feira, dezembro 18, 2009

A Bichice de Deus

Ontem foi aprovado em concelho de ministros o casamento (civil) entre pessoas do mesmo sexo. Eu congratulo-me com tal decisão, pois isto abre as portas para, finalmente, poder casar-me com o Liédson, o homem dos meus sonhos.

Brincadeiras à parte, as objecções a esta proposta continuam a vir da parte dos beatinhos. Para estes, o casamento entre pessoas do mesmo sexo é uma medida errada porque Deus e a Bíblia condenam a homossexualidade. Mas será que é assim mesmo?!? Deixando de lado o facto de Deus não existir, atentemos mais de perto naquilo que a Bíblia narra e interpretemo-la como seres racionais que somos. Ah, já estou a ouvir as vossas palavras vindas do fundo da vossa beatitude: "Mas quem és tu para interpretar a Bíblia?! Essa tarefa cabe aos hermeneutas, aos teólogos, aos padres da santa Igreja!", às quais respondo da maneira seguinte: sim, pode até ser, porém eu, ao contrário daqueles celibatários cujo único sentido da vida é ler merdas que foram escritas há um porradão de anos, venero mamas em vez de seres inexistentes, por isso tenho mais propriedade para falar de sexualidade do que essas pessoas.

Peguemos então na Bíblia. Vejamos o Génesis. Deus está 5 dias a criar o dia e a noite, as águas e o céu, os animaizinhos e essas tretas, e chega ao 6º dia com a possibilidade de acabar a criação com chave de ouro e o que faz? Cria um pilas! Um pilas!!!! À sua imagem e semelhança, o que dá um ar narcisista à rabetice! E depois, como se fosse coisa de somenos importância, Deus lá percebe que o Adão precisa de companhia e arranca-lhe uma costela, e daí faz a Eva. Ora, um Deus com eles no sítio (já agora, umas pergunta teológicas para os beatos responderem: se Deus está em todo o lado, onde estão os seus tintins? É possível que eu ande, sem saber, a mandar cabeçadas nas divinas bolas? Isso é muito nojento, especialmente se o gajo não rapar o escroto!), em vez de dar tanta atenção ao Adão, criaria a Eva em primeiro lugar. Um Deus completamente hetero agiria assim: "Vamos cá a ver, pernas ok, braços ok, cara ok... hmmm, como posso melhorar isto? Já sei, umas mamocas aqui... hmmm, muito pequenas... é melhor crescerem um bocado... hmmm, ainda não é isto, deviam ser ainda maiores... e porquê pôr apenas duas? As cadelas, as vacas e as outras fêmeas têm mais pares... se calhar vou por só mais duas mamas aqui nas costas, para ver como ficam... ahhhh, perfeito, vou chamar-te Eva!", e depois - e só depois - criaria o Adão. Isto é que seria um Deus às direitas, pá!

Mas a panasquice divina não fica por aqui. Vejamos os 10 mandamentos. Para começar, aquilo foi dado a Moisés (e aposto que as pedras onde os mandamentos estavam gravados vinham embrulhadas numas cortinas lilazes e com lantejoulas por cima...); e basta lê-los para percebermos que são máximas cujos alvos são os homens (que coisa é aquela de não cobiçar a mulher alheia?!?). Os dois primeiros mandamentos mostram o nível a que a frufruzice do Deus judaico-cristão chegou. Diz Deus que só ele é que é o Deus e o senhor e que está interdito ao homem ter outros deuses para além dele. Ou seja, Deus quer exclusividade na adoração do homem (é mesmo nilas, fildra-se!!!), que não pode ter outros ídolos além de Deus. Desculpem lá, mas isto é assédio sexual, e do grande! Ademais, com este segundo mandamento, proíbe-se que machos à séria idolatrem, por exemplo, esses objectos gloriosos que são as mamas. E depois ainda querem os padrecos alegar que a Bíblia condena a homossexualidade...

Ainda há mais! Todo o Antigo Testamento está cheio de histórias de gajos. Os heróis da Bíblia são sempre os homens: é o Moisés, é o Abraão, é o David, é o Salomão... E gajas?!? Gajas, nem vê-las, tirando uma que se transforma em sal, ou outra que, mesmo a cair de velha, tem um filho que depois vem a ser trocado por um carneiro... Se a Bíblia estimulasse a heterossexualidade, haveria no mínimo umas 29530958765 histórias de gajas todas boas a lamberem-se, mamas contra mamas, scissor scisters e tudo, e com Deus, lá do alto, a decretar "E isto é bom". Mas nãããão... É o Adão, o Noé, são os profetas, é o Jonas, é o Jó, é o Sansão ("ui, que músculos", deveria ter pensado Deus para consigo...), é o raio que os afunde!

E o Novo Testamento também não se safa! Deus quer redimir o mundo, e então opta por fazer vir à Terra o salvador. Mas vejam lá se ele escolheu uma gaja toda boa para salvar a humanidade!... O tanas: para Deus, essa tarefa, para ser bonitinha, teria de ser levada a cabo por um homem, Deus encarnado, que se diverte a passear pela terra santa acompanhado por doze (sim, doze!) apóstolos, todos eles homens. Por que é que, em vez de um Cristo, Deus não optou por uma Crista? Com, em lugar de grandes cabelos, grandes mamas! Podia até muito bem manter a relação com a Maria Madalena: se há algo comum a todo o heterossexual, isso é, lá está!, o gosto por lesbianismo!

Mas há pior, ó se há! Para além de meter um Cristo em vez da Crista e de fazê-lo rodear-se de apóstolos, para lá de Cristo ser incriminado à conta de um beijo do Judas (um beijo, meus senhores!!!! Entre dois homens, pá!!!!), há outro pormenor que deveria causar espécie ao mais devoto cristão. Pegue-se no episódio da crucificação de Cristo: ele está ladeado por dois supostos criminosos, certo?! Um deles interpela Jesus (o original, não aquela abécula que treina o Benfica) pedindo para ser recordado no Além, e o que Jesus responde? Não um "vocês os três, façam um quadrado", como a ave rara lampiã, mas um "Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso". Estas são as palavras do filho de Deus!!!! E elas dizem tudo acerca da tendência sexual do Criador, que já deveria ser mais do que evidente a partir do momento em que, para inseminar a Maria, teve de recorrer à patranha mais mal contada da história do cristianismo (e se elas são muitas...), o Espírito Santo! A um Deus mesmo Deus, bastaria chegar junto da Maria, apalpar-lhe as mamas e pimba, cá vai alho! Mas não, ui, ele não gosta dessas coisas, então vai lá o Espírito Santo impregnar a gaja.

Por fim, a última prova da bichice de Deus. Esta já não é retirada da Bíblia, mas encontra-se em plena Capela Sistina do Vaticano, lugar eleito pelos auto-aclamados opositores da homossexualidade para debitarem as suas incongruências. Aquele tecto contém os mais famosos frescos da história da humanidade, ali colocados por um dos artistas mais paneleirões (eu sei chamar paneleiro a um artista é algo, em si, redundante, mas avancemos...) de todos os tempos, esse renascentista que, para agravar, possui o mesmo nome de um vocalista de uma banda de Cascais... Os senhores do Vaticano, tão ciosos em condenar a homossexualidade, deleitam-se, hoje e sempre, com a composição do senhor Miguel Ângelo, que revela um Deus nada másculo a tocar um Adão que expõe toda a sua meiguice. Ou seja, a mais famosa representação de Deus não é nada abonatória, virilmente falado, para esse mesmo Deus. E essa representação encontra-se não na cave do Cajó, não no sótão da dona Felismina, não no arquivo do Hugh Hefner, mas na Capela Sistina...

Está tudo dito, portanto, e a moral da história é: aqueles que condenam a homossexualidade com base na Bíblia e em Deus, é melhor olharem com olhos de ver para a mesma Bíblia e para o mesmo Deus. Talvez reconheçam que, em termos de rabilonzice, tudo o que é contado pela santa Igreja não fica nada atrás de uma comum parada gay.

P.S.: E porque não vos quero deixar sem nada para fazer durante o fim-de-semana, deixo um passatempo: contem o número de vezes que o termo "mamas" aparece neste texto.

2 comentários:

Pulha Garcia disse...

Gosto sempre de te ler, mesmo quando não concordo. Com este texto em concreto fiquei feliz porque pelo menos assim já tenho um amigo quando formos os dois parar ao Inferno, altura em que podemos falar à vontade da Monica Belucci.

Eu não tenho nada contra o casamento gay (aliás devem ter todos os direitos excepto o de adoptar crianças) mas parece-me sobretudo que a Igreja também não se deveria meter nesta guerra.

Trinca Espinhas disse...

Epah tavas inspirado!
Deixa-me dizer aki ao pulha garcia k o casamento entre homossexuais é pura e simplesmente um pretexto para os gays poderem adoptar crianças.
Ao permitir o casamento homossexual, o governo/sociedade assume o casal gay como um CASAL como outro qualquer, com os mesmos direitos. Assim, se são um casal não há lei que lhes retire o direito de adoptar.