quarta-feira, fevereiro 25, 2009

Foi Carnaval, ninguém levou a mal...

Pessoalmente, considero o Carnaval a época festiva mais parva e desinteressante que existe. Nunca achei grande piada ao Carnaval, nem mesmo em criança. Máscaras, balões de água, bisnagas e uma caixa de ovos podres na cabeça da mãe do Júlio, aquele estúpido que me pregou uma rasteira quando estava na 3ª classe, foram coisas a que pouca importância dei. E à medida que fui crescendo, menos carnavalesco me tornei. Hoje, olho para os miúdos, invariavelmente travestidos de Homem-Aranha (contei uns 4332, só ontem), de Zorro (uns 96), de pirata (uns 24), de sevilhana (umas 674), de bruxa (umas 2435456829) e outros clichés mascarados afins, e sinto pena deles. E olho para os adultos, e sinto vergonha: nos dias de Carnaval, vestem-se com uma tanguinha e um biquini, abanam-se ao som de música idiota, gritam com vozes esganiçadas e soltam a franga como não a soltam nos outros 362 dias do ano. E as mulheres ainda são piores...

Na verdade, o Carnaval é uma imensa parada gay que dura três dias. Ou uma espécie de Big Show Sic, nonstop, onde qualquer vulgarão faz o papel de João Baião. E para mim, tudo o que remotamente faça lembrar o Big Show Sic é de fugir a sete pés. Com a agravante de entre o Carnaval e o Big Show Sic não haver semelhanças remotas e, isso sim, beeeeeem próximas.

E há outra coisa que me faz odiar o Carnaval. Três palavrinhas apenas: Alberto, João e Jardim. O país fica suspenso para saber se o Alberto desfila. O país pára para ver no que Alberto se mascara. Fazem-se apostas, debatem-se alternativas. Virá de zulu, pensam alguns. Não, este ano virá de sevilhana, pensam outros. De orangotango com síndrome de down, penso eu, até concluir que essa é a máscara que ele usa todos os dias, portanto não pode ser. E depois o Alberto surpreende tudo e todos e afirma que este ano não vai desfilar, e cumpre a promessa. E o Carnaval fica mais pobre, pois é menos um otário a abanar-se pelas ruas onde circulam os corsos e os foliões.

O que me vale é que este período festivo já acabou. Tirando umas quantas serpentinas e confetti espalhados pelo chão, aqui e ali acompanhados por umas cascas de ovos, já não há provas de que tal absurdo se tenha realizado neste país, um país deveras respeitável, culto, com uma população digna e avessa a circos ao ar livre realizados em pleno Fevereiro.

Que se foda o Carnaval...

P.S.: Peço desculpa, mas não tenho tido tempo para comentar os vossos comentários aos posts, nem tão-pouco para visitar os vossos blogues. Razões laborais... Creio que a partir da próxima semana a minha actividade bloguística voltará ao normal. Continuem a aparecer por cá.

6 comentários:

Inês Brito disse...

O carnaval em Portugal não existe.
Não passa de uma cambada de reprimidos que durante aqueles três dias fazem meia dúzia de parvoices e ficam todos contentes.

Bj,
(i)

Markl disse...

Primeiramente tinho de dizer uma coisa:
- joão Baião só há um !
Não confundemos carnaval com arraial ! OK ?!
Portugal é um país de fracos costumes carnavalescos ( eu pessoalmente também não sou apreciador) Contudo é aquilo que temos... a plebe gosta e são felizes assim... Nem todos nós tivemos infâncias dificeis caro H. Vê-se declaradamente que ainda não tens filhos... Depois o quadro altera-se, e vocês em jeito de graça, mandam diplomáticamente á merda os vossos ideais / vontades... e os "vossos" filhos é que mandam !

Ilda disse...

..."um país deveras respeitável, culto, com uma população digna e avessa a circos"... ahahahahahaha, tiveste cá uma piadinha!

P.S. Pelo vistos o sr. de cima conhece-te... (caro H.?)!!!

Peter of Pan disse...

Não, esse "senhor" P. não me conhece. Mas tenho a honesta impressão de que está em pulgas para me conhecer. Há malucos para tudo...

Ilda disse...

Ya, malucos e malucas! Por isso, oh "Markl" P. vai mas é criar a tua prole e desampara a loja, pá!

Daniel Silva disse...

Carnaval ja houve... Agora ha confettis de carnaval com muito ruído e pouca susbtancia. Em varios blogues vi o mesmo desabafo que tu;: felizmente passou o carnaval. Por mim nem passou ao lado. E nem precisei sair do país.

Abraços