segunda-feira, fevereiro 02, 2009

O primeiro conto punhetístico da blogosfera (eu sei, eu sei... que estúpido)!

O

Passeava eu alegremente pela rua, mas alegremente mesmo, a cantar "lálálálálá" enquanto pulava e os braços iam e vinham para trás e para diante, tipo uma criança maluca antes de apanhar com dois pares de estalos naquela tromba para não andar a fazer figuras parvas, quando chega junto de mim a Angelina Jolie.

- Olá, Angelina, estás cá hoje? - disse eu, na minha cândida jovialidade.
- Hello, Peter of Pan - respondeu ela, na sua sensual feminilidade - Sim, vim ter contigo porque preciso da tua ajuda para um assunto íntimo.

Eh lá, pensei eu, então estas gajas de Hollywood não têm a Oprah e o Dr. Phil para lhes resolver os "assuntos íntimos"? Desde quando uma mega-estrela precisa de descer à Margem Sul para pedir ajuda? Olha que caraças, estava eu tão feliz... agora tenho de servir de muleta para esta malta? Irritado, mandei:

- Ó Angelina, tu és muita boazona e tal, mas não tenho pachorra para os teus assuntos íntimos. Se tens problemas com o Brad, azarito. - e, implacável, rematei - Vai lá para a tua Califórnia e para a tua catrefada de filhos adoptados, eu tenho mais que fazer.

Mas ela não me largou, a cabra. Agarrou-me no braço (é forte, a marmanja. Aposto que retira toda a força daquele par de mamas...) e suplicou:

- Mas eu preciso mesmo da tua ajuda! É que eu quero ter um filho teu!!!!

Mau! Por esta não esperava! A Angelina, que entre filhos legítimos e adoptivos, já deve ter gente suficiente para encher dois painéis de São Vicente, queria ter um rebento comigo? Hmmm, soava-me estranho, e por isso pedi-lhe satisfações:

- Porquê, carulhas? Qual é a tua ideia? - indaguei.
- É assim - falou, enquanto me soltava o braço - os últimos filhos que eu tive foram do Brad, que é um tipo giro, inteligente e americano. Agora apetecia-me ter um filho com alguém feio, estúpido e anti-americano, e como sei que preenches todos estes requisitos, vim ter contigo!

Fazia sentido, o argumento da gaja! Comecei a ceder:

- Ó Angelina, já podias ter dito! Eu ajudo-te, mas há aqui um pequeno problema...
- Qual? - questionou.
- É que a minha legítima gaja proibiu-me expressamente de ter sexo com outras mulheres. Portanto, ou arranjas uma solução, ou quer-me parecer que vais ter de falar com o Francisco Louçã, que é um gajo que também preenche aqueles requisitos que tanto estimas.
- Pá, e se me doares o teu esperma? - lançou, espertalhona, a mamalhuda.
- Pá, por mim tudo bem, temos é de ir aí a uma clínica. Estás com tempo?
- Of course. Let's go.

E fomos. Chegámos a uma decadente clínica. Entrámos e dirigi-me ao guichet. A enfermeira que estava na recepção, uma gorda antipática com ar de quem detesta fazer sexo, a não ser que seja pela porta das traseiras e à bruta, perguntou-nos o que desejávamos:

- Que querem, gente parva?
- Ó minha vaca - retorqui - eu queria inseminar aqui a Angelina, está a ver?
- Está bem, aguarde aí na sala de espera - aconselhou a gordalhufa.

Quis explicar à Angelina o que se seguiria, mas ela disse-me que tinha passado por algo semelhante quando resolveu ter filhos com o Brad Pitt. Exclamei:

- Que paneleireco...

E ela concordou. Ficámos ali pela sala uns bons 10-15 minutos, até que uma outra enfermeira gorda, com o ar de quem gosta de fazer sexo com animais avantajados, chegou e nos chamou.

- Ó meu artolas - dirigindo-se a mim - estás a ver este frasquinho?
- Sim - anuí.
- É para deitares aquela coisa viscosa aqui para dentro, está bem? Tudo o que derramares, serás obrigado a limpá-lo... com a língua!
- Foda-se - disse eu!
- Fuck - disse a Angelina!
- Não tenho nada a ver com o caso Freeport - disse o José Sócrates!
- Sai daqui, aldrabão - disse eu outra vez! E, virando-me para a enfermeira - Ó gorda, dá cá essa merda. Onde é que eu tenho de esgalhar o Kandinsky?
- É ali na 3ª porta daquele corredor à direita! E deixa tudo limpinho!
- Chupa-mos - concluí.

Pedi à Angelina que esperasse e dirigi-me ao malfadado corredor. Abri a 3ª porta e entrei lá para dentro. E não esperava ver aquilo que vi: uma salinha exígua, sem posters de gajas boas, sem televisor sintonizado na Hustler, sem prateleiras com a colecção completa da revista Gina. Caramba, desta forma onde é que eu iria arranjar inspiração para ajudar a Angelina?
Desmoralizado, iniciei ainda assim a minha tarefa. Calças abaixo, cuecas ao nível dos joelhos, prepúcio para trás e toca de tocar ao Botticelli. Ele ainda teimou (estava frio, e a decoração da sala era mesmo muito impessoal...), mas aos poucos começou a subir... e a subir... e a subir. Subiu tanto que tive de dizer-lhe: "Ó Rembrandt, acalma-te aí uma beca que tenho de abrir o frasco", e depois foi o chuáááááááá, uma mangueirada de sémen que chegou às bordas do recipiente. Aquilo já dava para a Angelina ter filhos todos os 9 meses por um período de 30 anos, raios partam!
Limpei o caralh, perdão, o Caravaggio e vim-me, depois de me ter vindo, embora [não sei se perceberam esta frase... mas a sintaxe está absolutamente correcta!].

- Toma, gorda - e dei o frasco à enfermeira gorda que aparentava gostar de fazer sexo com bichos - depois fala aí com a Angelina.
- Deixaste tudo limpo? - perguntou-me, arrogantemente.
- Ó que Matissezinho... 'tá tudo limpo, pá! Agora tchau, vou despedir-me da Angelina.
Cheguei-me então junto da actriz, que ainda aguardava na sala de espera.

- Adeus, Angelina. Da minha parte, está tudo tratado. Depois orientas aí as cenas, agora vou para casa bater um Toulouse-Lautrec até fazer ferida, não gostei do ambiente disto aqui e não tive prazer nenhum.
- Bye, Peter of Pan - soltou ela, visivelmente emocionada - Muito obrigado pelo que fizeste por mim. Nunca esquecerei o teu bom coração.
- Pois. Depois de parires, manda-me uma fotografia da criança. E outra das tuas mamas.
- Sure. Assim farei.

E despedimo-nos. Voltei para casa alegremente, e mais uma vez a cantar "lálálálálá" enquanto pulava e os braços iam e vinham para trás e para diante, tipo uma criança maluca que apanha dois pares de estalos na tromba por andar a fazer figuras parvas em público e mesmo assim não aprende.

Moral da história: nunca passei por tanto para bater uma Vieira da Silva...

19 comentários:

Rita disse...

O Trofense que vá à merda???
Jokas

Peter of Pan disse...

Sim!!!!!!!!!!!!!!!!

Ilda disse...

Ahahahahahaha!!!Bom acho que daqui vou para o Júlio de Matos depois de tanto me rir, pq o pessoal aqui já olha pa mim de lado!
Olha lá tava a pensar fazer o mm com o Pitt se ela te pediu a ti podemos tipo fazer uma troca!!! Será isto uma especie swing????

Peter of Pan disse...

NÃO!!!!!!!!!!!!!!!!

Daniel Silva (Sair das Palavras) disse...

Qua qua qua

Uma coisa é certa: está tao bem escrito que tens direito a todas as caralhad**... perdão, mona lisas... ;)

Daniela Major disse...

Eu concordo com a Ilda. Acho que agora só seria justo com o swing...
De qualquer maneira, epa és um gajo com muita imaginação!

sonhos/pesadelos disse...

Kandinsky????os braços iam e vinham para trás e para diante????
começo a ficar preocupda e com medo,com muito medo....loooooool
post demais!!!! brutal!!!!
bjs endiabrados

* * Joana * * disse...

ja ganhaste.... (encontro-me de pé a aplaudir)...adorei... ri! :)

JO

)0( disse...

Estou p'raqui a rir-me que nem uma perdida. Só mesmo tu!

Maestro disse...

Inigualavel.

Pena o Trofense...

Peter of Pan disse...

@Daniel Silva: obrigado, pá! E um granda Pollock para ti!

@Daniela: imaginação??!! Isto aconteceu mesmo, pá! :)

@sonhos/pesadelos: medo porquê?! Até parece que sou um tipo fora do normal...

@Joana: e eu curvo-me perante a tua simpatia. Obrigado.

@Carla: só eu? Então, e a Angelina? Ela também desempenhou um papel importante...

@Maestro: lá tinhas de vir tu com as bocas foleiras de futebol... Mas eu respondo: Trofense 2 - 0 Benfica! :)

Ninja! disse...

Devo dizer, que grande post, ri-me do início ao fim! =D

Le Rachelet disse...

O diálago com a recepcionista está desde já no meu top de interlúdios literários. Também gostei da maneira ponderada como disseminaste (hã? atenta lá na etimologia...) referências do mundo das artes. Digno de um daqueles programas com a Paula Moura Pinheiro, digo eu.

Peter of Pan disse...

@Ninja: obrigado, pá, e uma catanada para ti também.

@Raquel: esse "disseminaste" foi muito bem jogado, e está completamente dentro do teor morfológico do conto. Pensei em colocar jogadores de futebol, mas temi que ficasse tudo demasiado hermético, portanto acabei por optar por gente que manejava - como ninguém - o pincel, o que, de certa forma, casa bem com a epistemologia da história...

NUNIX disse...

Muito bom mesmo!!! Depois disto um gajo até encara o dia de uma outra forma! :)

E o Trofense que se lixe! Cambada!

subtilezas disse...

vou imprimir pra ler. tenho os olhos sensiveis. hehehehe. isto promete;)

Peter of Pan disse...

@Nunix: obrigado pela solidariedade sportinguista!

@Subtilezas: não faças isso! É gastar papel à toa...

Salto-Alto disse...

Bem, o Ninja recomendou-me o teu blogue e fez muito bem! Este post está demais, é dos melhores que já li! Parabéns! Beijocas!

Peter of Pan disse...

O Ninja ganha à comissão... :)