terça-feira, junho 24, 2008

Lúcidos comentários acerca de O Sexo e a Cidade


Normalmente, os filmes baseados em séries de televisão ficam alguns furos abaixo destas; trata-se de uma regra semelhante àquela que existe entre clássicos da literatura e as respectivas adaptações ao grande ecrã: por melhores que os realizadores, os actores ou mesmo os guionistas sejam, fica sempre aquela sensação de faltar algo e, numa comparação honesta, os filmes saem na maior parte das vezes a perder.

Digo isto porque fui ver, no passado fim-de-semana, O Sexo e a Cidade. Ora, sabendo eu de antemão aquilo sobre o qual discorri acima, ou seja, que os filmes raramente chegam aos calcanhares das séries originais (e nem é preciso ir muito longe, basta pensarmos nos X-Files), por que é que fui, mesmo assim, ao cinema? Bem, porque, muito sinceramente, julgava eu na minha santa ingenuidade que o filme possuíria pelo menos alguns dos atributos que me levavam a ver O Sexo e a Cidade série; mesmo que não se revelasse tão engraçado quanto, pelo menos garantir-me-ia duas horas passadas numa saudável boa disposição.

E se era este o meu objectivo, posso afirmar que saí muito, muitíssimo defraudado, mais do que um holandês que pinocasse uma prostituta russa no bairro vermelho e soubesse por ela que a Rússia andava a espetar 3-1 à selecção laranja no Euro 2008, mais até do que a Amy Winehouse quando lhe disseram que tinha de ir cantar no Rock in Rio e não apenas ficar nos bastidores agarrada ao cachimbo de crack. O Sexo e a Cidade filme, lamento dizê-lo, é uma fraude e está longe, longe, longe de O Sexo e a Cidade série. Esta última, apesar de ser em sua grande parte direccionada ao público feminino (e também homossexual, já agora...), continha elementos igualmente capazes de cativar os indisputáveis heterossexuais, como eu, que viam os episódios mesmo quando a Kim Catrall/Samantha não mostrava as mamas. A série continha substância, e mostrava situações tão divertidas quanto ridículas e que, simultaneamente, ironizavam a condição da self-made woman nova-iorquina, independente a todos os níveis excepto no emocional, e que por isso procura à força toda um homem que lhe preencha esse vazio e aquele outro situado entre as pernas... Era justamente aqui que se situava a ironia, e não no facto de a protagonista Sarah Jessica Parker/Carrie ser uma colunista sentimental com desventuras nesse campo. O Sexo e a Cidade filme pouco ou nada tem disto, e é por isso que se revela tão decepcionante. A história não está à altura, o glamour é absolutamente exagerado e torna-se até quase como que uma personagem, ao contrário da série, em que não passava de simples acessório, o comic factor está praticamente ausente, muito porque a mui destrambelhada Samantha está demasiado atinada para o seu - e nosso - próprio bem e, numa simples ideia, o filme mostra ser irritantemente "de gaja", o que é dizer fútil como o caraças!

Provavelmente O Sexo e a Cidade, se um concurso do género houvesse, arriscar-se-ia a ganhar com facilidade o prémio de filme mais fútil da História, isto se não resolverem, um dia, levar ao grande ecrá os Morangos Com Açúcar (e agora bato três vezes com os nós dos dedos na mesa). Aliás, não devo estar longe da verdade se disser que O Sexo e a Cidade filme é uma espécie de Morangos Com Açúcar no qual as pitas têm mais 25 a 30 anos em cima! Acresce a isto o mau gosto nas cenas mais, digamos, explícitas e o abuso de corpos masculinos (mas qual foi a triste ideia de enfiarem para lá - literalmente - o mastruço de um italiano?!? E por que é que a sonsinha da Kristin Davies/Charlotte só mostra um pedacito das mamocas?!?) e ficamos com aquilo que, em última análise, o filme é: conversas de gajas + Christian Dior + cenas de gajas + Louis Vitton + birras de gajas + Vivienne Westwood + problemas de gajas + Prada + vidas de gajas + Vogue + fitas de gajas!


E gastei eu 5 €uros para ver isto... :(

3 comentários:

esquilinho disse...

A mim espanta-me é que consigas enumerar 4 marcas de design de moda numa só frase...

Peter of Pan disse...

Depois de duas horas de O Sexo e a Cidade, mesmo o tipo mais chunga como eu aprende qualquer coisinha...

spiegelman disse...

You Dumb Fuck!