terça-feira, março 09, 2010

Porra para as poças!


Encontrar neste país um passeio completamente plano é algo tão improvável quanto o José Sócrates falar verdade por uma vez que seja. Não se trata de uma impossibilidade lógica, nem matemática, mas meramente factual: basta sairmos à rua para se constatar que não há passeios planos! Seja uma pedra solta, um declive, ou - o mais comum - mil buracos em 5 m2 de pedra calcária, as zonas pedonais deste Portugal mais se assemelham às trincheiras da Europa em plena Grande Guerra.

O cenário piora quando chove. Então, quando chove muito, como foi o caso de ontem, os nossos passeios transformam-se em autênticas pistas de obstáculos, em que só calçando uns galochões de meio metro conseguimos evitar molhar as patas. Há locais até em que se aconselha possuir conhecimentos na área da natação, pois num momento podemos estar com os dois pés em terreno firme e no momento seguinte cairmos numa espécie de piscina ao ar livre no bocado de passeio que fica entre a tasca do Zé Manel e a paragem do autocarro.

As estradas padecem do mesmo problema. Outros países possuem estradas completamente rasas; Portugal, por uma razão qualquer que me escapa, tem estradas com uma superfície convexa, em que o ponto mais alto está ao meio e os pontos mais baixos nas extremidades... ou seja, junto das bordas dos passeios, ou seja, é para aqui que a água escorre quando chove, ou seja, um carro que venha mais junto do passeio acaba por acertar em poças, ou seja, irá atirar água para os passeios, ou seja, molhará quem quer que por esse passeio caminhe, ou seja, deve esta gente pensar que os portugueses são franceses. Os franceses é que não tomam banho em casa, pá!

Isto é uma questão estrutural. Não sei para quê tanta cagança com mais pontes sobre o Tejo, aeroportos, TGVs e o camandro quando já se viu que os portugueses não têm jeito nem para coisas tão simples quanto passeios e estradas. Dá para pensar na qualidade dos engenheiros deste país. Pelos vistos, os engenheiros do nosso Portugal só sabem ou violar adolescentes em Telheiras ou violar os portugueses.

(peço desculpa por esta última afirmação. O tipo que anda a violar os portugueses desde 2005 afinal não é engenheiro)

Da próxima vez que cair um toró, juro que vou buscar o equipamento de mergulho. Só assim se pode andar ("andar"?!?) pelos passeios deste conjunto de poças à beira-mar plantado.

Até amanhã e evitem estradas e passeios. Em boa verdade, evitem todo o solo português...

3 comentários:

Ilda disse...

Eu confesso, há poças que tenho de atravessar a nado!

S* disse...

Grrrrrrr... ódiozinho.

Trinca Espinhas disse...

Epah, estradas bem feitas são mesmo assim. Elevadas no meio e mais baixas nas extremidades, exactamente para escoar as águas.
O defeito é mesmo das sarjetas ou falta delas, e o facto de não terem capacidade para escoar as aguas como deve de ser.
Nas curvas, as estradas deviam ser inclinadas (mas á raro). A parte de dentro da curva deve ser sempre mais baixa.
E não. Não estou a ser irónica.
E não. Não sou engenheira.